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Carga e Energia

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Academic year: 2022

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Texto

(1)

NH2802–Fundamentos da Eletrodinˆ amica

Prof. Jos´e Kenichi Mizukoshi

Aula 14 (vers˜ao 20/01/2014)

(2)

Carga e Energia

Carga e Energia Momento

(3)

A equa¸ c˜ ao da continuidade

Carga e Energia Momento

Antes de discutir a conserva¸c˜ao da energia, momento e momento angular na eletrost´atica, vamos rever a conserva¸c˜ao da carga el´etrica.

A conserva¸c˜ao global da carga el´etrica afirma que a carga total no universo ´e constante. Por outro lado, a conserva¸c˜ao local diz que se a carga total

dentro de um volume muda, ent˜ao exatamente a mesma quantidade que mudou deve ter passado atrav´es da superf´ıcie desse volume.

Formalmente, a carga em um volume V no instante t ´e

Q(t) = Z

V

ρ(r, t) dτ

e a corrente fluindo para fora da superf´ıcie S que delimita esse volume ´e

I = I

S

J · da

(4)

A equa¸ c˜ ao da continuidade

Carga e Energia Momento

A conserva¸c˜ao local da carga diz que (o sinal negativo ´e porque a corrente est´a fluindo para fora da superf´ıcie fechada)

dQ

dt = −I = − I

S

J · da

Utilizando a primeira equa¸c˜ao da p´ag. anterior e o teorema da divergˆencia, obtemos

Z

V

∂ρ

∂t dτ = − Z

V

∇ · J dτ ⇒

Z

V

∂ρ

∂t + ∇ · J

dτ = 0

Como a express˜ao ´e v´alida para qualquer volume V, temos que

∂ρ

∂t = −∇ · J que ´e a equa¸c˜ao da continuidade.

(5)

O teorema de Poynting

Carga e Energia Momento

Similarmente `a equa¸c˜ao da continuidade para a carga el´etrica, podemos escrever equa¸c˜oes correspondentes `a conserva¸c˜ao da energia.

Na eletrost´atica, verifica-se que o trabalho necess´ario para montar uma

distribui¸c˜ao est´atica de cargas (contra a repuls˜ao coulombiana de cargas de mesmo sinal) ´e

We = ǫ0 2

Z

E2

onde E ´e o campo el´etrico produzido por essa distribui¸c˜ao de cargas.

De forma similar, o trabalho para estabelecer correntes (contra a for¸ca contraeletromotriz) ´e (veja Aula 11, p´ag. 17)

Wm = 1 2µ0

Z

B2 dτ onde B ´e o campo magn´etico resultante.

(6)

O teorema de Poynting

Carga e Energia Momento

As duas ´ultimas express˜oes sugerem que a energia armazenada no campo eletromagn´etico ´e

Uem = 1 2

Z

ǫ0E2 + 1

µ0B2

Vamos `a seguir derivar a express˜ao acima, de uma forma mais geral, no contexto da lei da conserva¸c˜ao de energia para a eletrodinˆamica.

Vamos supor que haja uma configura¸c˜ao de cargas e correntes, que a um dado tempo t, produz os campos E e B. Vamos supor que num instante

seguinte dt as se movem um pouco. De acordo com a lei de for¸ca de Lorentz, o trabalho realizado pela for¸ca eletromagn´etica sobre uma carga q ´e

d(δWq) = F · dl = q(E + v × B) · vdt = qE · vdt

Como q = ρdτ e ρv = J, temos que d(δWq)

dt = ρdτE · v = E · J dτ

(7)

O teorema de Poynting

Carga e Energia Momento

Portanto, a taxa de trabalho sobre todas as cargas no volume V ´e dW

dt = Z

δ

dWq dt

= Z

(E · J) dτ

Temos que E · J ´e o trabalho realizado por unidade de tempo, por unidade de volume. Vamos express´a-lo somente em termos de campos, com o aux´ılio da lei de Amp`ere:

E · J = E ·

1

µ0∇ × B − ǫ0∂E

∂t

= 1

µ0E · (∇ × B) − ǫ0E · ∂E

∂t

Da identidade vetorial ∇ · (A × B) = B· (∇ × A)− A · (∇ × B), temos que

E · (∇ × B) = B · (∇ × E) − ∇ · (E × B)

(8)

O teorema de Poynting

Carga e Energia Momento

Da lei de Faraday, tem-se que ∇ × E = −∂B/∂t. Portanto,

E · J = 1 µ0

h

−B · ∂B

∂t − ∇ · (E × B)i

− ǫ0E · ∂E

∂t

Usando o fato que para um vetor A qualquer

A · ∂A

∂t = 1 2

∂t(A2) obtemos que

E · J = −1 2

∂t

ǫ0E2 + 1

µ0B2

− 1

µ0∇ · (E × B)

Portanto, a primeira equa¸c˜ao da p´ag. 7 fica dW

dt = − d dt

Z

V

1 2

ǫ0E2 + 1

µ0B2

dτ − 1 µ0

Z

V

∇ · (E × B)dτ

(9)

O teorema de Poynting

Carga e Energia Momento

Utilizando o teorema do divergente para o ´ultimo termo, obtemos dW

dt = − d dt

Z

V

1 2

ǫ0E2 + 1

µ0B2

dτ − 1 µ0

I

S

(E × B) · da

A express˜ao acima ´e conhecida como o teorema de Poynting, que ´e o teorema trabalho-energia para a eletrodinˆamica.

De acordo com esse teorema,

“o trabalho realizado sobre cargas pela for¸ca eletromagn´etica ´e igual ao

decr´escimo da energia armazenada no campo, menos a energia que flui para fora atrav´es da superf´ıcie S.”

A energia por unidade de tempo, por unidade de ´area, transportada pelos campos ´e chamada de vetor de Poynting:

S ≡ 1

µ0(E × B)

(10)

O teorema de Poynting

Carga e Energia Momento

Como S · da ´e a energia por unidade de tempo passando atrav´es de uma ´area infinitesimal da, interpretamos S como sendo a densidade de fluxo de

energia.

Definindo a densidade de energia dos campos como sendo

uem ≡ 1 2

ǫ0E2 + 1

µ0B2

temos que

dW

dt = − d dt

Z

V

uem dτ − I

S

S · da

Vamos analisar o lado esquerdo da express˜ao. O trabalho W realizado sobre as cargas aumentar´a a sua energia mecˆanica (cin´etica, potencial ou outras quaisquer). Denotando umec como sendo a densidade de energia mecˆanica, temos que

dW

dt = d dt

Z

V

umec

(11)

O teorema de Poynting

Carga e Energia Momento

Logo,

d dt

Z

V

(umec + uem)dτ = − I

S

S · da = − Z

V

(∇ · S)dτ Portanto,

∂t(umec + uem) = −∇ · S

Esta ´e a vers˜ao diferencial do teorema de Poynting, que ´e similar `a equa¸c˜ao de continuidade da carga el´etrica.

(12)

O teorema de Poynting – exemplo

Carga e Energia Momento

Ex. 1 Quando uma corrente flui atrav´es de um fio cil´ındrico de raio a e

comprimento L, trabalho ´e realizado. Este trabalho se manifesta como efeito Joule de aquecimento do fio. Embora haja uma forma mais simples, mostre que a

energia por unidade de tempo fornecida para o fio pode ser calculada usando-se o vetor de Poynting.

Solu¸c˜ao

Assumindo que o campo el´etrico paralelo ao fio ´e uniforme, temos que

E = V L xˆ

onde V ´e a diferen¸ca de potencial entre as extremidades do fio

(13)

O teorema de Poynting – exemplo

Carga e Energia Momento

O campo magn´etico ´e circular e na superf´ıcie do fio possui o valor

B = µ0I 2πa φˆ

O vetor de Poynting ´e dado por

S = 1

µ0E × B = V I

2πaL (−ˆr)

A energia por unidade de tempo passando atrav´es da superf´ıcie do fio ´e

P = Z

S · da = −S(2πaL) = −V I

O sinal negativo indica que a energia flui para dentro do fio.

(14)

Momento

Carga e Energia Momento

(15)

A terceira lei de Newton na eletrodinˆ amica

Carga e Energia Momento

Considere uma carga q se deslocando ao longo do eixo x com velocidade constante v. Como est´a em movimento, o campo el´etrico n˜ao ´e mais dado pela lei de Coulomb, embora ele aponte radialmente para uma determinada posi¸c˜ao instantˆanea (veja figura (a) abaixo e a express˜ao na p´ag. 13, Aula 3).

Al´em disto, como n˜ao constitui uma corrente estacion´aria, o campo

magn´etico n˜ao ´e dado pela lei de Biot-Savart. Apesar disto, B~ ainda circula em torno do eixo correspondente `a trajet´oria da carga (figura (b)).

(16)

A terceira lei de Newton na eletrodinˆ amica

Carga e Energia Momento

Considere duas cargas, q1 e q2 iguais, movendo-se com velocidades v1 e v2 ao longo do eixo x e y, respectivamente, cujos m´odulos s˜ao iguais. As for¸cas eletromagn´eticas tendem a tir´a-las dos seus eixos, mas vamos supor que elas s˜ao for¸cadas a mover em seus respectivos eixos, com as mesmas velocidades.

A for¸ca el´etrica entre as cargas ´e repulsiva, con- forme mostra a figura ao lado.

Por outro lado, embora tenham o mesmo m´odulo, a for¸ca magn´etica sobre q2 aponta para

`a direita (visto que B~1 aponto no sentido nega- tivo do eixo z), enquanto que sobre q1 aponta para cima (B~2 est´a no sentido positivo do eixo z).

Como as duas for¸cas magn´eticas n˜ao se encontram na mesma dire¸c˜ao, n˜ao podem formar pares de for¸cas do tipo a¸c˜ao e rea¸c˜ao, violando portanto a terceira lei de Newton.

(17)

A terceira lei de Newton na eletrodinˆ amica

Carga e Energia Momento

Na eletrost´atica e na magnetost´atica, a terceira lei se mant´em. Por´em, aparentemente ela n˜ao ´e v´alida na eletrodinˆamica.

Caso a terceira lei n˜ao seja v´alida, n˜ao haver´a o cancelamento entre as for¸cas internas, que leva `a conserva¸c˜ao do momento, um princ´ıpio fundamental na f´ısica.

Conforme ser´a visto mais adiante, a conserva¸c˜ao do momento ´e resgatada `a partir da constata¸c˜ao de que os pr´oprios campos eletromagn´eticos carregam momento.

Esta constata¸c˜ao n˜ao ´e surpreendente, visto que acabamos de ver que atribu´ımos energia aos campos eletromagn´eticos.

(18)

O tensor das tens˜ oes de Maxwell

Carga e Energia Momento

A for¸ca eletromagn´etica sobre uma distribui¸c˜ao de cargas em um volume V ´e dada por

F = Z

V

(E + v × B)ρ dτ = Z

V

(ρE + J × B) dτ

A for¸ca por unidade de volume ´e

f = ρE + J × B

Conforme fizemos anteriormente, vamos escrever a express˜ao acima somente em termos de campos. Para isto, vamos usar as equa¸c˜oes de Maxwell para eliminar ρ e J:

f = ǫ0(∇ · E)E +

1

µ0∇ × B − ǫ0∂E

∂t

× B

Observa-se que

∂t(E × B) =

∂E

∂t × B

+

E × ∂B

∂t

(19)

O tensor das tens˜ oes de Maxwell

Carga e Energia Momento

Utilizando a lei de Faraday, ∂B/∂t = −∇ × E, a equa¸c˜ao acima fica

∂E

∂t × B = ∂

∂t(E × B) + E × (∇ × E)

Substituindo a express˜ao acima na f´ormula da densidade de for¸ca, temos

f = ǫ0[(∇ · E)E − E × (∇ × E)] − 1

µ0[B × (∇ × B)] − ǫ0

∂t(E × B)

A partir da identidade vetorial`

∇(A · B) = A × (∇ × B) + B × (∇ × A) + (A · ∇)B + (B · ∇)A

obtemos

A × (∇ × A) = 1

2∇(A2) − (A · ∇)A

(20)

O tensor das tens˜ oes de Maxwell

Carga e Energia Momento

Utilizando essa express˜ao para E e B e acrescentando o termo (∇ · B)B, que ´e igual a zero, mas para deixar f mais sim´etrica, encontramos

f = ǫ0[(∇ · E)E + (E · ∇)E] + 1

µ0[(∇ · B)B + (B · ∇)B]

− 1 2∇

ǫ0E2 + 1

µ0B2

− ǫ0

∂t(E × B)

A express˜ao acima pode ser simplificada introduzindo-se o tensor das tens˜oes de Maxwell:

Tij ≡ ǫ0

EiEj − 1

ijE2

+ 1 µ0

BiBj − 1

ijB2

Os ´ındices i e j referecem a x, y e z e δij ´e a fun¸c˜ao delta de Kronecker, definido como

δij =

(1, se i = j 0, se i 6= j

(21)

O tensor das tens˜ oes de Maxwell

Carga e Energia Momento

Temos portanto que

Txx = 1

0(Ex2 − Ey2 − Ez2) + 1

0(Bx2 − By2 − Bz2) Txy = ǫ0(ExEy) + 1

µ0(BxBy) e assim por diante.

Como Tij possui dois ´ındices, ´e comum represent´a-lo com uma seta dupla:

←→

T . Pode-se formar o produto escalar com um vetor a:

(a · ←→

T )j = X

i=x,y,z

aiTij

cujo resultado ´e um vetor.

(22)

O tensor das tens˜ oes de Maxwell

Carga e Energia Momento

Em particular, a j-´esima componente da divergˆencia de ←→ T ´e

(∇ · ←→

T )j = ǫ0

(∇ · E)Ej + (E · ∇)Ej − 1

2∇jE2

+ 1 µ0

(∇ · B)Bj + (B · ∇)Bj − 1

2∇jB2

Com isto, observa-se que f pode ser escrita em termos do tensor das tens˜oes de Maxwell e do vetor de Poynting:

f = ∇ · ←→

T − ǫ0µ0∂S

∂t

A for¸ca total sobre todas as cargas no volume V ´e

F = Z

V

∇ · ←→

T dτ − ǫ0µ0 d dt

Z

V

S dτ

(23)

O tensor das tens˜ oes de Maxwell

Carga e Energia Momento

Utilizando o teorema da divergˆencia para o primeiro termo, obtemos

F = I

S

←→

T · da − ǫ0µ0 d dt

Z

V

S dτ

Fisicamente, ←→

T ´e for¸ca por unidade de ´area (tens˜ao) agindo sobre uma superf´ıcie. Mais precisamente, Tij ´e a for¸ca por unidade de ´area na i-´esima dire¸c˜ao agindo sobre um elemento de superf´ıcie orientado na j-´esima dire¸c˜ao.

Elementos diagonais Txx, Tyy e Tzz representam as press˜oes e os

elementos fora da diagonal Txy, Txz, etc s˜ao tens˜oes de cisalhamento.

(24)

Referˆ encias

Carga e Energia Momento

David J. Griffiths, Introduction to Electrodynamics, Third Edition, Prentice Hall, 1999.

Referências

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