C´
alculo Diferencial e Integral
Notas de Aula
Luciano O. Condori
1
S˜ao Paulo, 24 de fevereiro de 2013.
1
Luciano O. Condori
Pref´
acio
Este texto corresponde `as notas de aula da disciplina C´alculo Diferencial e Integral . Ele n˜ao ´e completo e pode conter erros. Ser´a feito um esfor¸co para disponibiliza¸c˜ao de notas de aula durante todo o semestre. No entanto, recomenda-se que as mesmas sejam complementadas com a leitura das referˆencias indicadas, bem como atrav´es da solu¸c˜ao de exerc´ıcios. Fazemos notar que estas notas est˜ao ainda sendo trabalhadas e alguns cap´ıtulos e se¸c˜oes podem vir a ser alterados, corrigidos ou acrescidos de material. Al´em disso, novos cap´ıtulos ser˜ao escritos.
Corre¸c˜oes e sugest˜oes s˜ao bem-vindas!. O autor agradece a todos os que apresentarem sugest˜oes e corre¸c˜oes.
Luciano O. Condori 24 de fevereiro de 2013
´
Indice
1 Conjuntos num´ericos 1
1.1 O corpo ordenado completoR. . . 2
1.2 Divisibilidade emZ. . . 3
1.2.1 N´umeros primos . . . 3
1.2.2 M´aximo Divisor Comum . . . 3
1.2.3 M´ınimo Multiplo Comum . . . 4
1.3 Transforma¸c˜ao de fra¸c˜oes em n´umeros decimais . . . 4
1.4 Transforma¸c˜ao de n´umeros decimais em fra¸c˜oes . . . 4
1.5 Opera¸c˜oes com fra¸c˜oes . . . 5
1.5.1 Igualdade de fra¸c˜oes . . . 5
1.5.2 Adi¸c˜ao e subtra¸c˜ao . . . 5
1.5.3 Multiplica¸c˜ao . . . 5
1.5.4 Divis˜ao . . . 6
1.6 C´alculo do valor de express˜oes num´ericas . . . 6
1.7 Potencia¸c˜ao . . . 6
1.7.1 Potˆencia com expoente inteiro . . . 6
1.7.2 Potˆencia com expoente racional . . . 7
1.8 Express˜oes Alg´ebricas . . . 7
1.8.1 Valor num´erico de express˜oes alg´ebricas . . . 8
1.8.2 Algumas classes de express˜oes alg´ebricas . . . 8
1.8.3 Opera¸c˜oes com express˜oes alg´ebricas . . . 9
1.9 Produtos not´aveis . . . 10
1.10 Fatora¸c˜ao . . . 10
1.11 Simplifica¸c˜ao . . . 11
Cap´ıtulo 1
Conjuntos num´
ericos
Os primeiros n´umeros conhecidos pela humanidade s˜ao os chamados n´umeros naturais, denotado porN, usado para indicar uma contagem ou uma ordem. Assim, N ={0,1,2,3,4,· · ·} e N∗ ={1,2,3,4,· · ·} indica o conjunto dos n´umeros naturais sem o zero.
No conjunto dos n´umeros naturais introduzimos duas opera¸c˜oes fechadas
adi¸c˜ao + : N×N→N e multiplica¸c˜ao ·: N×N→N
(x, y)7−→x+y (x, y)7−→x·y
satisfazendo os seguintes axiomas:
A1. Associatividade: (x+y) +z=x+ (y+z),∀x, y∈N
A2. Comutatividade: x+y=y+x,∀x, y∈N
A3. Elemento neutro: existe 0 emN(denominado “zero”), tal quex+ 0 =x,∀x∈N
M1. Associatividade: (x·y)·z=x·(y·z),∀x, y, z∈N
M2. Comutatividade: x·y=y·x,∀x, y∈N
M3. Elemento neutro: existe 1∈N(denominado ”um”), tal que 1·x=x,∀x∈N
D. Axioma da Distributividade: x·(y+z) =x·y+x·z,∀x, y, z∈N
Asubtra¸c˜aode n´umeros naturais “minuendo - subtraendo= diferen¸ca”, nem sempre ´e poss´ıvel em
N. Quando o subtraendo ´e maior que o minuendo, n˜ao temos solu¸c˜ao no conjunto dos n´umeros Naturais.
Adivis˜ao exataq(quociente) de dois n´umeros NaturaisD(Dividendo) ed(divisor), denotado por
D
d =q, ´e uma opera¸c˜ao inversa `a da multiplica¸c˜ao, permite encontrar o quociente desconhecidoqtal que
D=dq.
A divis˜ao de n´umeros naturais nem sempre ´e exata tendo um restor, neste caso temos o algoritmo da divis˜aoD=dq+r.
A potencia¸c˜ao an de dois n´umeros naturais a (base e n˜ao zero) e n (expoente) ´e um produto
abreviado denfatores iguais `a a, assiman=a
·a·a· · ·a·a
| {z }
n−vezes
.
Aradicia¸c˜ao´e o processo inverso da potencia¸c˜ao pelo qual dado dois n´umeros naturaisn(´ındice) e
a(radicando) devemos determinar um numero naturalb(raiz en´esima) tal quebn=a. Representamos a
opera¸c˜ao de radicia¸c˜ao da forma √na=b. Em geral, √nan˜ao pertence ao conjunto dos n´umeros naturais.
Al´em dos n´umeros naturais, existem certos conjuntos num´ericos que devido `as propriedades das opera¸c˜oes entre seus elementos, recebem nomes especiais, dentre estes temos:
Cap´ıtulo1. Conjuntos num´ericos 1.1 O corpo ordenado completoR Luciano O. Condori
• O conjunto dos n´umeros inteirosZ={0,±1,±2,±3,±4,· · ·}. • O conjunto dos n´umeros racionais Q={a
b/a, b∈Z, b6= 0}.
S˜ao exemplos de n´umeros racionais−3 5,−
9 2,+
8
3,(0,666...),(1,333...).
• O conjunto dos n´umeros irracionais I ´e formado por n´umeros que n˜ao podem ser representados por uma fra¸c˜ao do tipo a
b ∈ Q com b 6= 0, tais como
√
2 = 1,41421356..., √5 = 2,23606797...,
π= 3,14159265...ee= 2,71828182....
• O conjunto dos n´umeros reaisR=Q∪I. Observamos queN⊂Z⊂Q⊂ReI⊂R.
A seguir apresentaremos os axiomas, defini¸c˜oes e propriedades referentes ao conjunto dos n´umeros reais.
1.1
O corpo ordenado completo
R
No conjunto dos n´umeros reais introduzimos duas opera¸c˜oes fechadas
adi¸c˜ao + : R×R→R e multiplica¸c˜ao ·: R×R→R
(x, y)7−→x+y (x, y)7−→x·y
satisfazendo os seguintes axiomas:
A1. Associatividade: (x+y) +z=x+ (y+z),∀x, y ∈R
A2. Comutatividade: x+y=y+x,∀x, y∈R
A3. Elemento neutro: existe 0 emR(denominado “zero”), tal que x+ 0 =x,∀x∈R
A4. Sim´etrico: para cada elementox∈Rexiste−x∈R(oposto), tal quex+ (−x) = 0,∀x∈R
M1. Associatividade: (x·y)·z=x·(y·z),∀x, y, z∈R
M2. Comutatividade: x·y=y·x,∀x, y∈R
M3. Elemento neutro: existe 1∈R(denominado ”um”), tal que 1·x=x,∀x∈R
M4. Inverso multiplicativo: para cadax∈Rcomx6= 0, existe um inversox−1∈Rtal quex·x−1= 1.
Observamos quex−1 ser´a denotado por 1 x.
D. Axioma da Distributividade: x·(y+z) =x·y+x·z,∀x, y, z∈R
Exemplo 1.1.1 45(2−0,5) = 0,8·1,5 = 1,2 ou efetuar 45(2−0,5) = 45(2−12) = 4 5 ·
3 2 =
12
10 = 1,2.
Retomaremos as opera¸c˜oes com fra¸c˜oes mais adiante.
Defini¸c˜oes 1.1.2 usando os axiomas anteriores podemos definir:
• Subtra¸c˜ao: sejama, b∈R, a diferen¸ca entreaeb, denotada pora−b, ´e definida pora−b=a+(−b) • Divis˜ao: sejam a, b ∈R com b 6= 0, o quociente da divis˜ao de a porb, ´e definido por a
b =a· 1 b.
Observamos que fra¸c˜ao a
b denotaa÷b.
• Distributividade da divis˜ao: sejam x, y, z∈Rcomz6= 0. Ent˜ao,(x±y)÷z=x÷z±y÷z
Ou,
(x±y)
z = x z ±
Cap´ıtulo1. Conjuntos num´ericos 1.2 Divisibilidade emZ Luciano O. Condori
Proposi¸c˜ao 1.1.3 vejamos alguma propriedades dos n´umeros reais:
• Regra da balan¸ca: sejama, b, c∈Rcoma=b, ent˜aoa+c=b+ce a·c=b·c
• Regras para o cancelamento: se a+b=c ent˜ao a=c−b
Analogamente, se a·b=c comb6= 0, ent˜ao a=c· 1 b
• Regra do fator nulo: a·0 = 0·a= 0,∀a∈R
• Regra do produto nulo: a·b= 0, ent˜ao oua= 0 oub= 0 • Regras de sinal: sejama, b∈R, ent˜ao
−(−a) =a −a b =
a
−b =− a b
(−a)b=−(ab) =a(−b)
(−a)(−b) =ab −a
−b = a b
1.2
Divisibilidade em
Z
Defini¸c˜ao 1.2.1 Um inteirob divide um inteiro a, denotado por b|a, quando existe um n´umero inteiro
m tal quea=b·m. Se b6= 0 (e somente neste caso), dizemos tamb´em quea´e divis´ıvel porb.
Quandob|adizemos tamb´em que a´e um m´ultiplo de b ou queb´e um divisor dea. No caso em que
b n˜ao dividea escrevemosb6 |a.
Teorema 1.2.2 (Teorema do algoritmo da divis˜ao em Z): se a e b s˜ao inteiros, e b 6= 0, ent˜ao existem inteiros q er tais quea=bq+r com0 ≤r <|b|. Os inteiros q e r, nas condi¸c˜oes acima, s˜ao ´
unicos. Os inteirosqer s˜ao chamados, respectivamente, de quociente e resto da divis˜ao euclidiana dea
porb.
1.2.1
N´
umeros primos
Um n´umero inteirop∈Z´e um n´umero primo se, e somente se,
p6= 0, p6= 1, p6=−1 ep=ab implica quea=±1 oub=±1 Exemplos de n´umeros primos temos: 2, 3, 5, 7, 11, etc.
1.2.2
M´
aximo Divisor Comum
Sejama, becn´umeros inteiros n˜ao nulos, dizemos que c´e um divisor comum deaeb se,c|aec|b. Denotando-se D(a, b) como sendo o conjunto de todos os divisores comum de a e b, denomina-se M´aximo Divisor Comum deaeb, denotado pormdc(a, b) ao seguinte conjunto:
mdc(a, b) = max{c/c∈D(a, b)} Exemplo 1.2.3 calcular o MDC dos n´umeros 12 e 18.
Inicialmente decompomos estes n´umeros em seus fatores primos: 12 = 22·31 e18 = 21·32.
Assim, os divisores de 12 e 18:
D(12) ={1,2,3,4,6,12} D(18) ={1,2,3,6,9,18}
Agora, podemos exibir o conjunto dos divisores D(12,18) ={1,2,3,6}, assim,
mdc(12,18) = max{c/c∈D(12,18)}= max{2,3,6}= 6
Cap´ıtulo1. Conjuntos num´ericos 1.3 Transforma¸c˜ao de fra¸c˜oes em n´umeros decimais Luciano O. Condori
Outra forma, seria pegar o produto dos fatores em com´um de 12 e 18 com menor expoente:
mdc(12,18) = 21·31 Ou ainda, usando fatores primos omdc(12,18)seria:
12 , 18 2
6 9 3
2 3
1.2.3
M´ınimo Multiplo Comum
Sejam a, bec n´umeros inteiros n˜ao nulos, dizemos quec´e um m´ultiplo comum deaebse,a|ceb|c. Denotando-seM(a, b) como o conjunto de todos os m´ultiplos comuns positivos deaeb, denomina-se M´ınimo M´ultiplo Comum deaeb, denotado por
mmc(a, b) = min{c/c∈M(a, b)} Exemplo 1.2.4 calcular o MMC dos n´umeros 12 e 18.
Inicialmente decompomos estes n´umeros em seus fatores primos: 12 = 22·31 e18 = 21·32. Assim, os m´ultiplos de 12 e 18:
M(12) ={12,24,36,48,60,72,84,· · ·} M(18) ={18,36,54,72,90,108,· · ·} Agora, podemos exibir o conjunto dos multiplos M(12,18) ={36,72,· · ·}, e portanto
mmc(12,18) = min{c/c∈M(12,18)}= min{36,72,· · ·}= 36
Outra forma, seria pegar o produto dos fatores em com´um de 12 e 18 com maior expoente:
mdc(12,18) = 22·32 Ou ainda, usando fatores primos ommc(12,18)seria:
12 , 18 2
6 9 2
3 3 3
1 1 3
Observa¸c˜ao 1.2.5 Se a, b∈Nent˜ao ab=mmc(a, b)mdc(a, b).
1.3
Transforma¸
c˜
ao de fra¸
c˜
oes em n´
umeros decimais
Dividindo, de modo usual, o numerador pelo denominador, transformar cada uma das fra¸c˜oes seguintes em n´umeros decimais. Caso a divis˜ao n˜ao seja exata, prosseguir at´e a quarta casa decimal.
1) 45 = 0,8 2) 201 = 0,05 3) 83 = 2,6666 4) 13= 0,3333 5) 2344 = 0,5227 6) 10
13 = 0,7692 7) 16
43 = 0,3720 8) 15
35 = 0,4285 9) 140
154= 0,9090 10) 29 145= 0,2
1.4
Transforma¸
c˜
ao de n´
umeros decimais em fra¸
c˜
oes
Seja x= 0, QP um n´umero decimal onde P denota a parte per´ıodica eQ a parte n˜ao per´ıodica de x. Denotaremos por |P| e|Q|o n´umero de d´ıgitos de cada parte.
Cap´ıtulo1. Conjuntos num´ericos 1.5 Opera¸c˜oes com fra¸c˜oes Luciano O. Condori
Regra 1. sex= 0, P ent˜aox= P 9· · ·9 | {z } |P|−vezes
.
Exemplo 1.4.1 0,525252...= 0,52 =5299. Regra 2. sex= 0, QP ent˜ao
x= 9· · ·QP9−Q | {z }0| {z }· · ·0
|P| −vezes
7 7 ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣ ♣
|Q| −vezes
g
g
◆◆◆◆ ◆◆
◆◆◆
Exemplo 1.4.2 0,32444...= 0,324 = 324−32
900 =
292 900 =
73 225.
1.5
Opera¸
c˜
oes com fra¸
c˜
oes
1.5.1
Igualdade de fra¸
c˜
oes
Sejama, b, c, d∈Zcomb6= 0 ed6= 0. Ent˜ao
a b =
c
d ⇔ad=bc
Observa¸c˜ao 1.5.1 Seb6= 0 ec6= 0 ent˜ao a b =
ac bc e
a b =
a÷c b÷c.
Exemplo 1.5.2 temos que 45 =1215 pois4·15 = 5·12
1.5.2
Adi¸
c˜
ao e subtra¸
c˜
ao
Para somar ou subtrair fra¸c˜oes, usamos o menor m´ultiplo comum(MMC).
Exemplo 1.5.3 Efetuar 12+35 −61. Neste caso,mmc(2,5,6) = 30, assim:
1 2 + 3 5− 1 6 =
15 + 18−5
30 =
14 15
1.5.3
Multiplica¸
c˜
ao
Sejam a b e
c
d duas fra¸c˜oes. Ent˜ao
a b × c d = ac bd
Regras de sinal: sejama, b∈R, ent˜ao
−(−a) =a
(−a)b=−(ab) =a(−b) (−a)(−b) =ab
Exemplo 1.5.4 Efetuar 3 4×
2
6. Neste caso, temos:
3 4 × 2 5 = 6 20= 3 10
Cap´ıtulo1. Conjuntos num´ericos 1.6 C´alculo do valor de express˜oes num´ericas Luciano O. Condori
1.5.4
Divis˜
ao
Sejam a b e
c
d duas fra¸c˜oes. Ent˜ao
a b ÷ c d= a b c d =a b × d c = ad bc
Regras de sinal: sejama, b∈R, ent˜ao −a
b = a
−b =− a b
−a
−b = a b
Exemplo 1.5.5 Efetuar 1 2÷
3
4. Neste caso, temos:
1 2 ÷ 3 4 = 1 2 3 4 = 1 2 × 4 3 = 4 6 = 2 3
1.6
C´
alculo do valor de express˜
oes num´
ericas
Para calcularmos corretamente o valor de express˜oes num´ericas, basta obedecer atentamente `a prioridade dos sinais indicativos de prioridades (parˆenteses, colchetes e chaves) e das opera¸c˜oes matem´aticas.
Prioridades dos Sinais Prioridades das Opera¸c˜oes 1. ( ) Eponencia¸c˜ao e logaritma¸c˜ao 2. [ ] Potenci¸c˜ao e radica¸c˜ao 3. { } Multiplica¸c˜ao e Divis˜ao 4. Adi¸c˜ao e Subtra¸c˜ao
Exemplo 1.6.1 Calcular o valor da express˜ao2 +{5[3−(5−10) + 1] + 4} −3. Resolu¸c˜ao: Seguindo as prioridades dos sinais e opera¸c˜oes temos:
2 +{5[3−(5−10) + 1] + 4} −3 = 2 +{5[3−(−5) + 1] + 4} −3 = 2 +{5[3 + 5 + 1] + 4} −3 = 2 +{5[9] + 4} −3
= 2 +{45 + 4} −3 = 2 + 49−3 = 48
1.7
Potencia¸
c˜
ao
1.7.1
Potˆ
encia com expoente inteiro
Sejaa∈Rem, n∈Zcomm >0 en >0. Ent˜ao: • an=a
·a· · · ·a·a
| {z }
n−vezes
• a0= 1, a6= 0
• a−n= 1 an, a6= 0
Cap´ıtulo1. Conjuntos num´ericos 1.8 Express˜oes Alg´ebricas Luciano O. Condori
• an
am =a
n−m, a6= 0
• (an)m=anm
• (ab)n =anbn
• (a b)
n= an
bn, b6= 0
• (−1)n=
1 se n ´e par −1 se n ´e impar
Exemplo 1.7.1 Calcular o valor da seguinte express˜ao2−3+ (−4)−5.
Resolu¸c˜ao: Usando as propriedades da potencia¸c˜ao temos:
2−3+ (−4)−5 = 1 23 +
1 (−4)5 =
1 8+
1 [(−1)4]5 =
1 8+
1 (−1)545 =
1 8+
1
−45 =
1 8+
1
−1024 = 1 8−
1 1024 =
128−1 1024 =
127 1024
= 0,1240
1.7.2
Potˆ
encia com expoente racional
Sejaa∈Ren∈Zcoma >0 en >0. Ent˜ao, √n
a=b⇔bn=a.
• Sea >0 en >0 um inteiro impar. Ent˜ao, √n
−a=−√n
a. • Sea >0 em, n >0 inteiros. Ent˜ao, √n
am=am n.
• √n
ab= √n
a√n
b. • pn a
b = n √a n √ b.
• (√n
a)m= √n
am.
• mp√n
a= mn√
a.
Observa¸c˜ao 1.7.2 Sen for par ea <0, a express˜ao √n
an˜ao representa um n´umero real. Por exemplo √−46∈Re √4
−166∈R.
Exemplo 1.7.3 Calcular o valor da seguinte express˜ao(−27)−2 3.
Resolu¸c˜ao: Usando as propriedades da potencia¸c˜ao temos:
(−27)−23 = 1
(−27)23
= 1
(√3
−27)2 =
1 (−3)2 =
1 9
1.8
Express˜
oes Alg´
ebricas
Express˜ao alg´ebrica ´e uma express˜ao matem´atica composta por n´umeros, letras, opera¸c˜oes e poss´ıvelmente sinais indicativos de prioridade.
Exemplo 1.8.1 considere a seguinte express˜ao alg´ebrica x7y2+ 5xy3+x−2y+xy−10
Cap´ıtulo1. Conjuntos num´ericos 1.8 Express˜oes Alg´ebricas Luciano O. Condori
1.8.1
Valor num´
erico de express˜
oes alg´
ebricas
Calcular o valor num´erico de uma express˜ao alg´ebrica consiste em substituir o valor da vari´avelx pelo valor solicitado na quest˜ao e efetuar as opera¸c˜oes indicadas.
Para evitar confu¸c˜ao entre opera¸c˜oes, recomendamos que a substitui¸c˜ao de xpelo valor num´erico seja feita entre parˆenteses.
Exemplos 1.8.2 valor num´erico de express˜oes algebricas:
1. calcular o valor de f(x) = 3x+ 1 parax=−2 Resolu¸c˜ao: f(−2) = 3(−2) + 1 =−6 + 1 =−5. 2. calcular o valor de f(x) =x2
−1
x+1 parax= 3.
Resolu¸c˜ao: f(3) = (3)(3)+12−1 = 9−1
4 =
8 4 = 2
1.8.2
Algumas classes de express˜
oes alg´
ebricas
1. Monˆomio: ´e uma express˜ao alg´ebrica que n˜ao cont´em opera¸c˜oes de adi¸c˜ao e nem subtra¸c˜ao.
−25ax2yz
| {z }
Coeficiente
8
8
q q q q q q q q q q q
Parte Literal
g
g
◆◆ ◆◆◆◆
◆◆ ◆◆◆
Exemplo 1.8.3 temos os seguintes monˆomios: x2,5x,−x2y,10.
(a) Monˆomios semelhantes: s˜ao os que possuem exatamente a mesma parte literal.
Exemplo 1.8.4 s˜ao exemplos de monˆomios semelhantes: 3a2xe5a2x,2a2b2c e9a2b2c.
(b) Soma e/ou subtra¸c˜ao de monˆomios semelhantes: efetua-se a soma e/ou diferen¸ca dos coeficientes seguido da parte literal do binˆomio.
Exemplo 1.8.5 efetuar as seguintes opera¸c˜oes de binˆomios: 1. 5a2b2c+ 7a2b2c= 12a2b2c
2. 5a2b2c−7a2b2c=−2a2b2c
2. Binˆomio: ´e uma soma ou diferen¸ca de dois monˆomios.
Exemplo 1.8.6 temos os seguintes Binˆomios: x2−5x, y−9x, q−2.
3. Trinˆomio: ´e uma soma ou diferen¸ca de trˆes monˆomios.
Exemplo 1.8.7 temos os seguintes Trinˆomios: x2−5x+ 10,−x3
3 −9x−5, p+q−2.
4. Polinˆomio: ´e uma soma ou diferen¸ca de mais que trˆes monˆomios.
Exemplo 1.8.8 temos os seguintes Polinˆomios:
x4−x3+x2−5x+ 10, x7−4x5−x
3
3 −9x−5, x
2y+ 3xy
Cap´ıtulo1. Conjuntos num´ericos 1.8 Express˜oes Alg´ebricas Luciano O. Condori
1.8.3
Opera¸
c˜
oes com express˜
oes alg´
ebricas
Levaremos em conta as seguintes observa¸c˜oes:
1. Toda subtra¸c˜ao ´e uma soma:
a−b=a+ (−b) Trocamos o sinal da express˜aobpara efetuar a soma coma. 2. Somar os binˆomios semelhantes (as familias).
3. Para multiplicar express˜oes alg´ebricas, devemos multiplicar cada monˆomio da primeira express˜ao por cada monˆomio da segunda express˜ao.
4. Para dividirmos express˜oes alg´ebricas, devemos coloc´a-las na forma de fra¸c˜ao e simplificar a ex-press˜ao obtida.
Exemplo 1.8.9 efetuar a seguinte opera¸c˜ao (x5−3x2+ 2)−(4x5+x3−4x2+ 2).
Resolu¸c˜ao: usando as opera¸c˜oes por familias temos:
+1x5 −3x2 +2
+ −4x5−x3 +4x2 −2
−3x5−x3 +x2
Exemplo 1.8.10 efetuar a seguinte opera¸c˜ao(4a+b)(9a−7b+ 2). Resolu¸c˜ao: usando as opera¸c˜oes por familias temos:
9a −7b +2 × 4a +b
36a2 −28ab +8a
+9ab −7b2 +2b
36a2 −19ab +8a −7b2 +2b
Exemplo 1.8.11 efetuar a seguinte opera¸c˜ao(5x3+ 4−3x)÷(x2−x+ 1).
Resolu¸c˜ao: usamos o mesmo raciocinio feito entre n´umeros: 5x3+ 0x2−3x+ 4 x2−x+ 1
−5x3+ 5x2−5x 5x+ 5
5x2−8x+ 4
−5x2+ 5x−5
−3x−1 Assim,
(5x3−3x+ 4) = (x2−x+ 1)(5x+ 5) + (−3x−1) Ou,
5x3+ 4−3x
x2−x+ 1 = 5x+ 5 +
(−3x−1)
x2−x+ 1
Exemplos 1.8.12 Efetue as seguintes opera¸c˜oes:
1. (5x−3x2) + (4−5x)−(6x2−4x−5) + (4−4x)
Cap´ıtulo1. Conjuntos num´ericos 1.9 Produtos not´aveis Luciano O. Condori
2. (3x2−4x+ 5)(x2−6x+ 4)
3. (3x−6y)(x2−y2)
4. (8x4+ 16x−21−2x3−x2)÷(2x2−3 +x)
5. (x3−1)÷(x−1)
6. (x3+ 1)÷(x+ 1)
1.9
Produtos not´
aveis
Alguns produtos s˜ao dignos de memoriza¸c˜ao. Temos as seguintes identidades:
1. (x±a)2=x2±2xa+a2
2. (x±a)3=x3±3x2a+ 3xa2±a3
3. (x+a)(x−a) =x2−a2
Observa¸c˜ao 1.9.1 Se a6= 0ent˜ao(x+a)n 6=xn+an, paran >1.
Exemplos 1.9.2 Desenvolver os produtos indicados:
1. (5x+ 3)2= (5x)2+ 2(5x)(3) + 32= 25x2+ 30x+ 9
2. (2x−5)2= (2x)2−2(2x)(5) + (5)2= 4x2−20x+ 25
3. (3x−1)(3x+ 1) = (3x)2−(1)2= 9x2−1
4. (x−2)3
5. (4x2+ 5)2
1.10
Fatora¸
c˜
ao
Uma express˜ao matem´atica est´a fatorada quando est´a escrita na forma de uma multiplica¸c˜ao.
Exemplo 1.10.1 s˜ao exemplos de fatora¸c˜ao: 2x,4x2y, x(2 +y)e (3x+ 2)(2y+ 5). Temos os seguintes casos de fatora¸c˜ao:
Caso 1. Evidˆencia: consiste em colocar em evidˆencia os fatores comuns com menor expoˆente em todas as parcelas da parte literal dos monˆomios e ´e tirado o MDC dos coeficiˆentes num´ericos.
Exemplo 1.10.2 fatorar a express˜ao: 6x2y+ 12x3y2−3x2y2
Resolu¸c˜ao: o mdc(6,12,3) = 3 as partes literais comuns s˜ao x2y, assim o fator comum ´e 3x2y. Consequˆentemente, temos
6x2y+ 12x3y2−3x2y2= 3x2y(2 + 4xy−y) Caso 2. a2+ 2ab+b2= (a+b)2.
Exemplo 1.10.3 fatorar a express˜ao: x2+ 6xy+ 9
Cap´ıtulo1. Conjuntos num´ericos 1.11 Simplifica¸c˜ao Luciano O. Condori
Fatorar a express˜ao: x2 +6xy +9
↓ ↓
Observe que (x)2 (3)2 e 2(x)(3) = 6x
Ent˜ao, x2+ 6xy+ 9 = (x+ 3)2
Caso 3. a2−2ab+b2= (a−b)2.
Exemplo 1.10.4 fatorar a express˜ao: 9x2−6xy+y2
Resolu¸c˜ao: Devemos identificara,b e2ab da f´ormula. Fatorar a express˜ao: 9x2 −6xy +y2
↓ ↓
Observe que (3x)2 (y)2 e 2(3x)(y) = 6xy
Ent˜ao, 9x2−6xy+y2= (3x−y)2
Caso 4. a2−b2= (a+b)(a−b).
Exemplo 1.10.5 fatorar a express˜ao: 4x2−9y2
Resolu¸c˜ao: Devemos identificaraeb da f´ormula. Fatorar a express˜ao: 4x2 − 9y2
↓ ↓
Observe que (2x)2 (3y)2
Ent˜ao, 4x2−9y2= (2x+ 3y)(2x−3y)
1.11
Simplifica¸
c˜
ao
S´o podemos simplificar uma fra¸c˜ao quando o numerador e o denominador estiverem fatorados e apresen-tarem pelo menos um fator comum.
Exemplo 1.11.1 Simplificar a express˜ao: x2
−9 x2−6x+9.
Resolu¸c˜ao: fatorando o numerador e denominador temos:
x2−9
x2−6x+ 9 =
x2−32
x2−2·x·3 + 32 =
(x+ 3)(x−3) (x−3)2 =
(x+ 3)(x−3) (x−3)(x−3) =
(x+ 3) (x−3) Exemplo 1.11.2 Efetue
2
x2−1−
5x4
x2+ 2x+ 1
Resolu¸c˜ao: observamos que o mmc(x2−1, x2+ 2x+ 1) = (x−1)(x+ 1)2 e efetuamos a soma das
fra¸c˜oes.
Exemplo 1.11.3 Efetue
2
x+
1
x2−
x x3−2x2 +
3
x2−2x
Referˆ
encias Bibliogr´
aficas
[1] FLEMMING, D. M., GONC¸ ALVES, M. B.: C´alculo A: Fun¸c˜oes, Limite, Deriva¸c˜ao e Integra¸c˜ao. 6a Edi¸c˜ao Ampliada. Pearson Prentice Hall, 2006.
[2] HAZZAN, S; MORETTIN, P; BUSSAB, W.Introdu¸c˜ao ao C´alculo para Administra¸c˜ao, Economia. Saraiva, 2009.
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[4] Swokowski, E. W.: C´alculo com Geometria Anal´ıtica. Volume I e II, Ed. Makron Books, 1995.
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