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EMÁTICA EME NGENHARIA DEM ATERIAIS

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Academic year: 2018

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UFOP - CETEC - UEMG

REDEMAT

R

EDE

T

EMÁTICA EM

E

NGENHARIA DE

M

ATERIAIS

UFOP – CETEC – UEMG

Izabela Diniz Duarte

“M

odelamento matemático das perdas térmicas em

panelas de aciaria

Ouro Preto

(2)

ii

Izabela Diniz Duarte

Modelamento matemático das perdas térmicas em panelas de

aciaria

Dissertação apresentada ao Programa de

Pós-Graduação em Engenharia de Materiais da

REDEMAT, como parte integrante dos

requisitos para a obtenção do título de Mestre

em Engenharia de Materiais.

Área de concentração: Processos de Fabricação

Orientador: Prof. PhD. Carlos Antônio da Silva

Ouro Preto

(3)
(4)
(5)

v

(6)

vi

AGRADECIMENTOS

Agradeço ao meu orientador Prof. Carlos Antônio da Silva pela sua contribuição ao

trabalho, por toda a sua disponibilidade e compreensão. Por me dar a liberdade de

me expressar e de sempre acrescentar suas valiosas palavras e ideias. Grande

exemplo de professor que com sua incomparável experiência me faz querer sempre

ir além. Sem a sua orientação nada disso teria sido possível.

Agradeço ao Prof. Itavahn Alves da Silva por todo seu empenho, disponibilidade e

pela parceria no trabalho e nos artigos publicados.

Ao Bernardo por ter me guiado ao decidir fazer o mestrado. Por sempre valorizar a

minha escolha e pela paciência. Por todo carinho, amor e por sempre tentar me

animar e me fazer acreditar na minha força. Agradeço também a toda a sua família

pelo apoio.

Aos meus colegas do laboratório de Pirometalurgia Alexandre, Filipe e Amanda pelo

interesse ao trabalho e por toda ajuda nas simulações. Ao Mansur pela boa vontade

e por dividir experiências.

À ThyssenKrupp Europe Steel, em especial ao Eliezer Dias, por me conceder a

grande oportunidade de cursar uma parte do mestrado em outro país e poder

aprender um pouco do trabalho deles. Essa experiência foi fundamental para o

desenvolvimento do meu trabalho. E aos amigos Luiza, Augusto e Rodolfo que

compartilharam da mesma oportunidade comigo.

À minha família que sempre me acolhe, aconselha e tenta me mostrar o lado bom

das situações. Agradeço por sempre continuarem acreditando, mesmo quando eu

perdia as forças e pensava que não iria conseguir.

À UFOP, em especial à Escola de Minas, por me proporcionarem grande

aprendizado e infraestrutura.

Aos meus amigos de Ouro Preto que sempre fizeram a minha caminhada ser mais

(7)

vii

SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS ... ix

LISTA DE TABELAS ... xv

RESUMO ... xvi

ABSTRACT ... xvii

1. INTRODUÇÃO ... 1

2. OBJETIVOS ... 2

2.1. Objetivo Geral... 2

2.2. Objetivos Específicos ... 2

3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ... 3

3.1. A panela de aciaria ... 3

3.2. Ciclo da panela dentro da aciaria ... 4

3.3. Controle térmico do aço ... 8

3.4. Perdas térmicas para o revestimento refratário ... 10

3.5. Tipos de materiais refratários ... 11

3.6. Espessura do refratário e a influência sobre o histórico térmico ... 12

3.7. Perdas Térmicas pela escória ... 14

3.8. Estado térmico da panela ... 16

3.9. Fenômeno de convecção natural e de estratificação térmica ... 17

3.10. Agitação por injeção de gás inerte... 24

3.11. Modelos Térmicos ... 25

4. METODOLOGIA ... 27

4.1. Método semi-empírico ... 27

4.2. Definição de parâmetros para o modelo matemático ... 36

4.2.1. Considerações acerca do modelo proposto ... 36

4.2.2. Equações que descrevem o estado térmico e fluxo do aço ... 37

4.2.3. Condições térmicas de escória e refratário ... 39

4.2.4. Determinação dos coeficientes de convecção ... 41

4.2.4.1. Convecção natural em uma superfície vertical ... 41

(8)

viii

4.2.4.1.2. Coeficiente de transferência de calor entre superfície interna da parede

refratária e o aço ... 44

4.2.4.2. Convecção natural para uma superfície horizontal ... 44

4.2.4.2.1. Convecção de calor a partir da superfície superior de uma placa horizontal aquecida ou da superfície inferior de placa resfriada ... 45

4.2.4.2.1.1. Coeficiente de transferência de calor entre superfície da escória e o ambiente 46 4.2.4.2.2. Convecção de calor a partir da superfície superior de placa horizontal resfriada ou de superfície inferior de placa aquecida ... 46

4.2.4.2.2.1. Coeficiente de transferência de calor entre o aço e o refratário no fundo da panela ... 47

5. Resultados e Discussões ... 48

5.1. Modelo semi-empírico ... 48

5.2. Modelo Matemático ... 59

5.2.1. Fluxo de calor na superfície da escória ... 63

5.2.2. Convecção natural e estratificação térmica... 68

5.2.3. Tipo de material refratário ... 73

5.2.4. Espessura da camada de escória ... 82

5.2.5. Estado térmico da panela ... 85

6. Conclusões ... 89

7. Referências... 91

8. Sugestão para trabalhos futuros ... 94

9. Publicações geradas à partir desse trabalho ... 95

9.1. Artigos Apresentados ... 95

(9)

ix

LISTA DE FIGURAS

Figura 3.1: Ciclo de panela em uma aciaria (FERREIRA, 2000). ... 5

Figura 3.2: Temperatura da área de contato do revestimento de espinélio com o banho de aço como uma função do tempo e da temperatura média do aço dentro da panela

(VOLKOVA e JANKE, 2003). ... 10

Figura 3.3: Calor armazenado pelo refratário em função do número de carregamentos no ciclo da panela para um banho de aço com temperatura média de 1650oC e com uma determinada taxa de desgaste do revestimento refratário para tijolos de dolomita e de

espinélio (VOLKOVA E JANKE, 2003). ... 12

Figura 3.4: Relação entre a temperatura do aço e o tempo de permanência do banho na panela para diferentes graus de desgaste do refratário de uma panela em seu ciclo de vida (LOPES, 2007). ... 13

Figura 3.5: Evolução da temperatura do refratário com o tempo para uma panela nova e outra com 50% da espessura original do revestimento de trabalho (LOPES, 2007). ... 14

Figura 3.6: Variação na temperatura do aço em diferentes estágios no ciclo da panela (TRIPATHI et al., 2012). ... 15

Figura 3.7: Relação entre a temperatura do banho de aço e o tempo para diferentes

espessuras de escória (TRIPATHI, 2012). ... 16

Figura 3.8: Fluxo da corrente de convecção (esquerda) e campos de temperatura (direita), após 6 minutos de resfriamento em um modelo utilizando água quente, escala 1/4 de uma panela 107 toneladas (Pan e Björkman, 2006). ... 18

Figura 3.9: Vetores de velocidade e campos isotérmicos depois de 15 minutos de espera para uma panela de 200 toneladas para uma taxa de resfriamento igual a 0,5oC/min

(AUSTIN et al., 1992)... 19

Figura 3.10: Vetores de velocidade e campos isotérmicos depois de 25 minutos de espera para uma panela de 200 toneladas para uma taxa de resfriamento igual a 0,5oC/min

(AUSTIN et al., 1992)... 20

Figura 3.11: Vetores de velocidade e campos isotérmicos depois de 45 minutos de espera para uma panela de 200 toneladas para uma taxa de resfriamento igual a 0,5oC/min

(AUSTIN et al., 1992)... 21

(10)

x

Figura 3.13: Estratificação térmica em uma panela de 107 toneladas. Temperaturas medidas e preditas em função do tempo (GRIP et al., 1999). ... 22

Figura 3.14: Correntes convectivas dentro do banho de aço durante o vazamento para duas espessuras de escória (FREDMAN, 2000). ... 23

Figura 3.15: Predição de (a) campos isotérmicos e (b) vetores de velocidade, após 10 minutos de tempo de espera; (c) campos isotérmicos e (d) vetores de velocidade, após 10 minutos de espera com injeção de gás (GANGULY e CHAKRABORTY, 2004). ... 25

Figura 4.16: Desenho esquemático do modelo considerado. ... 27

Figura 4.17: Perfil de condução de calor dentro do revestimento refratário. ... 31

Figura 4.18: Desenho esquemático do processo de transferência de calor através da

escória. ... 33

Figura 4.19: Espaço discretizado de integração, em N intervalos. ... 35

Figura 4.20: Transição na camada-limite de convecção natural em uma placa vertical

(INCROPERA et al., 2008). ... 42

Figura 4.21: Escoamento movido pelo empuxo em uma placa horizontal aquecida

(INCROPERA et al., 2008). ... 45

Figura 4.22: Escoamento movido pelo empuxo em uma placa horizontal resfriada

(INCROPERA et al., 2008). ... 46

Figura 5.23: Taxas de perda de calor do aço líquido para as paredes refratárias (parede e fundo) e através da escória para uma temperatura de encharque do refratário 700°C. ... 48

Figura 5.24: Taxas de perda de calor do aço líquido para as paredes refratárias (parede e fundo) e através da escória para uma temperatura de encharque do refratário 900°C. ... 49

Figura 5.25: Fluxo de calor na superfície da escória ao longo do tempo para uma espessura camada de escória de 100mm. ... 51

Figura 5.26: Fluxo de calor na superfície da escória ao longo do tempo para uma espessura da camada de escória de 150mm. ... 51

Figura 5.27: Fluxo de calor na superfície da escória ao longo do tempo para uma espessura da camada de escória de 200mm. ... 52

(11)

xi

Figura 5.29: Fluxo de calor ao longo do tempo na superfície da escória para a temperatura do banho de aço de 1650°C. ... 54

Figura 5.30: Fluxo de calor ao longo do tempo na superfície da escória para a temperatura do banho de aço de 1700°C. ... 55

Figura 5.31: Fluxo de calor na superfície da camada de escória para três diferentes

temperaturas iniciais de banho de aço. ... 55

Figura 5.32: Fluxo de calor ao longo do tempo na superfície da escória considerando um coeficiente de convecção de 15 W/m2K. ... 57

Figura 5.33: Fluxo de calor ao longo do tempo na superfície da escória considerando um coeficiente de convecção de 20 W/m2K. ... 57

Figura 5.34: Esboço do modelo a) vista isométrica e b) detalhe da malha utilizada na

escória, banho de aço e refratário. ... 59

Figura 5.35: Perfil de temperatura dentro do refratário lateral da panela e no contato entre o refratário e o banho de aço, após 30 segundos; encharque a 900 oC; distância medida do centro da panela. ... 61

Figura 5.36: Perfil de temperatura dentro do refratário lateral da panela e no contato entre o refratário e o banho de aço, após 600 segundos; encharque a 900 oC; distância medida do centro da panela. ... 61

Figura 5.37: Perfil de temperatura dentro do refratário lateral da panela e no contato entre o refratário e o banho de aço, após 1800 segundos, encharque a 900 oC; distância medida do centro da panela. ... 62

Figura 5.38: Perfil de temperatura dentro do refratário lateral da panela e no contato entre o refratário e o banho de aço, após 2700 segundos; encharque a 900 oC; distância medida do centro da panela. ... 62

Figura 5.39: Fluxo de calor na superfície da escória após 15 segundos para uma camada de a) 100mm e b) 200mm. ... 63

Figura 5.40: Fluxo de calor na superfície da escória após 30 segundos para uma camada de a) 100mm e b) 200mm. ... 64

Figura 5.41: Fluxo de calor na superfície da escória após 60 segundos para uma camada de a) 100mm e b) 200mm. ... 64

(12)

xii

Figura 5.43: Fluxo de calor na superfície da escória após 300 segundos para uma camada

de a) 100mm e b) 200mm. ... 65

Figura 5.44: Fluxo de calor na superfície da escória após 600 segundos para uma camada de a) 100mm e b) 200mm. ... 65

Figura 5.45: Fluxo de calor na superfície da escória após 900 segundos para uma camada de a) 100mm e b) 200mm. ... 66

Figura 5.46: Fluxo de calor na superfície da escória após 1200 segundos para uma camada de a) 100mm e b) 200mm. ... 66

Figura 5.47: Fluxo de calor na superfície da escória após 1800 segundos para uma camada de a) 100mm e b) 200mm. ... 67

Figura 5.48: Fluxo de calor na superfície da escória após 2700 segundos para uma camada de a) 100mm e b) 200mm. ... 67

Figura 5.49: Vetores de velocidade e gradiente de temperatura após 30 segundos. ... 69

Figura 5.50: Vetores de velocidade e gradiente de temperatura após 60 segundos. ... 69

Figura 5.51: Vetores de velocidade e gradiente de temperatura após 300 segundos. ... 70

Figura 5.52: Vetores de velocidade e gradiente de temperatura após 600 segundos. ... 70

Figura 5.53: Vetores de velocidade e gradiente de temperatura após 900 segundos. ... 71

Figura 5.54: Vetores de velocidade e gradiente de temperatura após 1200 segundos. ... 71

Figura 5.55: Vetores de velocidade e gradiente de temperatura após 1500 segundos. ... 72

Figura 5.56: Vetores de velocidade e gradiente de temperatura após 1800 segundos. ... 72

Figura 5.57: Vetores de velocidade e gradiente de temperatura após 2700 segundos. ... 73

Figura 5.58: Ponto de referência localizado na superfície externa do refratário. ... 74

Figura 5.59: Temperatura na superfície externa do refratário dolomítico. ... 75

Figura 5.60: Temperatura na superfície externa do refratário aluminoso. ... 75

(13)

xiii

Figura 5.62: Gradientes térmicos para panela com refratário dolomítico, aluminoso e alta alumina respectivamente, após 60 segundos... 77

Figura 5.63: Gradientes térmicos para panela com refratário dolomítico, aluminoso e alta alumina respectivamente, após 300 segundos. ... 77

Figura 5.64: Gradientes térmicos para panela com refratário dolomítico, aluminoso e alta alumina respectivamente, após 600 segundos. ... 78

Figura 5.65: Gradientes térmicos para panela com refratário dolomítico, aluminoso e alta alumina respectivamente, após 900 segundos. ... 78

Figura 5.66: Gradientes térmicos para panela com refratário dolomítico, aluminoso e alta alumina respectivamente, após 1200 segundos. ... 79

Figura 5.67: Gradientes térmicos para panela com refratário dolomítico, aluminoso e alta alumina respectivamente, após 1800 segundos. ... 79

Figura 5.68: Gradientes térmicos para panela com refratário dolomítico, aluminoso e alta alumina respectivamente, após 2700 segundos. ... 80

Figura 5.69: Comparação da estratificação térmica ao longo do tempo para o presente trabalho e demais autores (OLIKA et al., 1996, CHAKRABORTY e SAHAI, 1992, GANGULY e CHAKRABORTY, 2004). ... 81

Figura 5.70: Velocidade das correntes de convecção dentro do banho de aço, na região central da panela, ao longo do tempo. ... 82

Figura 5.71: Gradiente de temperatura do aço líquido em uma panela com 200mm de

escória e 100mm de escória respectivamente após 60 segundos... 83

Figura 5.72: Gradiente de temperatura do aço líquido em uma panela com 200mm de

escória e 100mm de escória respectivamente após 300 segundos. ... 83

Figura 5.73: Gradiente de temperatura do aço líquido em uma panela com 200mm de

escória e 100mm de escória respectivamente após 1200 segundos. ... 84

Figura 5.74: Gradiente de temperatura do aço líquido em uma panela com 200mm de

escória e 100mm de escória respectivamente após 1800 segundos. ... 84

Figura 5.75: Gradiente de temperatura do aço líquido em uma panela com 200mm de

escória e 100mm de escória respectivamente após 2700 segundos. ... 85

(14)

xiv

Figura 5.77: Gradientes térmicos para diferentes temperaturas de encharque do refratário 900°C e 700°C respectivamente, após 300 segundos. ... 86

Figura 5.78: Gradientes térmicos para diferentes temperaturas de encharque do refratário 900°C e 700°C respectivamente, após 900 segundos. ... 87

Figura 5.79: Gradientes térmicos para diferentes temperaturas de encharque do refratário 900°C e 700°C respectivamente, após 1500 segundos. ... 87

(15)

xv

LISTA DE TABELAS

Tabela I: Principais consequências da falta de controle da temperatura do metal na aciaria,

(RODRIGUES, 1998). ... 9

Tabela II: Propriedades do aço (OMOTANI et al., 1983). ... 28

Tabela III: Propriedades da escória (TRIPATHI et al., 2012). ... 29

Tabela IV: Profundidade de penetração de calor nas paredes refratárias após 2 horas... 30

Tabela V: Perdas térmicas a partir do aço. ... 50

Tabela VI: Fluxo de calor na superfície da escória para diferentes espessuras de camada de escória. ... 52

Tabela VII: Fluxo de calor na superfície da escória para diferentes temperaturas iniciais da mesma. ... 56

(16)

xvi

RESUMO

Durante as etapas de refino secundário e de lingotamento, o aço líquido encontra-se

dentro da panela na aciaria. Uma das consequências do tempo de residência do aço

na panela são as trocas térmicas ao longo do processo. O controle da temperatura

do aço líquido é condição essencial para que o produto final apresente um alto nível

de qualidade. Este trabalho busca avaliar a transferência de calor a partir do aço,

para o refratário da panela e para a camada de escória, utilizando modelos

semi-analíticos e numéricos (Computational Fluid Dynamics – CFD) via Ansys/CFX. Os

resultados foram comparados com dados disponíveis na literatura e servem de apoio

para a previsão de temperatura nos processos industriais. Foi considerada e

avaliada a influência de diferentes parâmetros envolvidos no processo como

espessura da camada de escória, tipo de revestimento refratário utilizado na panela

e a temperatura inicial de processo. As perdas térmicas para os refratários laterais e

do fundo da panela se mostraram maiores se comparadas com as perdas térmicas

para a camada de escória. A escória fornece uma camada de isolamento sobre a

superfície do aço líquido porém, a espessura da camada de escória apresenta uma

relação bem menos significante do que o tipo de refratário utilizado bem como a sua

temperatura de encharque inicial, perante os fluxos de calor instaurados no sistema.

Uma equação para se determinar o fluxo de calor na superfície da camada de

escória foi proposta considerando o estado físico bifásico da mesma.

(17)

xvii

ABSTRACT

Throughout the secondary refining and the continuous casting steps the steel melt is

kept inside the ladle on steel shop. One of the consequences of the melt´s residence

time in the ladle along the process is heat losses and decreasing temperatures.

Controlling liquid steel temperature is essential for achieving a final product with high

quality. This study comes to evaluate heat transfer from the steel to the refractory of

the ladle and the slag layer, using semi-analytical and numerical (Computational

Fluid Dynamics – CFD) models. The goal is to determine steel temperature evolution

during the holding time between the release of the ladle after secondary refining and

the opening of the same in the casting. The modeling results have been compared

with data available in the literature and may be used as a guide for forecasting ladle

steel temperature in industrial processes. The influence of different parameters such

as thickness of the slag layer, type of refractory lining used in the ladle and the initial

temperature has been taken in consideration. Heat losses to the wall and the bottom

refractory of the ladle are larger compared to the thermal losses to the slag layer.

The slag provides an insulating layer on the surface of the molten steel however, the

thickness of the slag layer shows a much less significant effect than the refractory

type and its initial soaking temperature. An equation for determining the heat flux at

the surface of the slag layer has been proposed considering the biphasic physical

status.

(18)

1

1. INTRODUÇÃO

O aumento da demanda pela produção de aços com um alto nível de qualidade,

em combinação com a necessidade de se obter baixo custo e alta produtividade,

levou à otimização da produção. A produção de aços em geral, e o lingotamento

contínuo especificamente, requerem um bom controle da temperatura do metal

líquido vazado no distribuidor. Para se atingir um melhor controle do processo de

produção e consequentemente da composição final do aço e para alcançar uma

temperatura de vazamento desejada, o estado térmico da panela e as propriedades

térmicas do aço e da escória devem ser quantificados. O estado térmico da panela é

determinado pelo histórico térmico do refratário e a configuração dos refratários.

Diante da complexidade dos cenários estudados a modelagem de processo

utilizando ferramentas semi-analíticas e simulação computacional se mostra uma

valiosa ferramenta para a análise de diversas etapas do processo produtivo, se

apresentando de forma confiável e economicamente viável para vislumbrar possíveis

resultados. Os modelos térmicos como os apresentados neste trabalho são úteis

para a otimização do processo e especialmente importantes como guias para a

(19)

2

2. OBJETIVOS

2.1. Objetivo Geral

O objetivo deste estudo é desenvolver um modelo térmico para as panelas de

aciaria que possa ser utilizado para a previsão das perdas térmicas do aço em

função do tempo em que o mesmo encontra-se dentro da panela.

2.2. Objetivos Específicos

A partir do objetivo geral, os seguintes objetivos específicos foram estabelecidos:

- Prever as perdas térmicas a partir do aço para o refratário lateral e do fundo da

panela e para a camada de escória considerando um modelo semi empírico.

- Estabelecer uma equação de transferência de calor através da camada de escória

considerando um modelo de escória bifásica.

- Estabelecer os coeficientes de convecção para cada uma das interfaces

sólido/fluido no modelo proposto.

- Criar um modelo matemático utilizando o software Ansys que simule as perdas

térmicas a partir do aço para o refratário lateral e do fundo da panela e para a

camada de escória e as perdas térmicas da superfície refratária externa da panela e

da superfície da escória para o ambiente.

- Avaliar a influência da espessura da camada de escória e do tipo de refratário

(20)

3

3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Após o refino primário do aço, todas as operações metalúrgicas subsequentes

ocorrem dentro da panela, desde as etapas de refino secundário às etapas de

transporte. O conhecimento do comportamento térmico do aço dentro da panela e as

consequentes perdas térmicas são de fundamental importância, pois influenciam

diretamente na temperatura do aço líquido ao longo do processo (ZIMMER et al.,

2008). Cada qualidade de aço apresenta sua própria faixa de temperatura de

vazamento no distribuidor, que varia de acordo com a composição química e que

influencia na microestrutura e essa faixa deve ser respeitada visando a qualidade do

produto final.

Uma das consequências da residência do banho na panela é a perda térmica ao

longo do processo. As perdas térmicas através do refratário são influenciadas pelas

propriedades físicas e dimensão do revestimento, além do seu perfil de temperatura

antes do vazamento. Este perfil de temperatura é decorrente de todo o histórico

térmico da panela. Devido ao contato entre o banho de aço e revestimento da

panela há absorção de calor pelo revestimento refratário. Calor também é perdido

pelo aço através da escória que fornece uma camada de isolamento parcial sobre a

superfície do aço líquido.

É desejável que a temperatura do aço vazado da panela ao distribuidor não varie

consideravelmente, de forma a se obter uma pequena variação na temperatura do

aço contido no distribuidor durante o lingotamento (TRIPATHI et al., 2012).

3.1. A panela de aciaria

Para Andrade (2009) uma panela compõe-se de uma carcaça metálica cilíndrica,

coberta por uma camada de isolante, constituída de tijolos, placas, mantas ou ainda

(21)

4

a) Borda ou linha superior da parede: encontra-se fora do contato direto com o

metal e/ou escória, em alguns casos, pode ser chamada de região de

sobrelinha da escória;

b) Linha de escória: em contato direto com a escória;

c) Paredes: região em contato com o banho de aço líquido ou linha de metal;

d) Zona de impacto: área sobre a qual impacta o aço líquido que é despejado na

panela. Esta zona pode estar na parede ou no fundo;

e) Fundo com sistema de vazamento (válvula) e de borbulhamento (plugue

poroso).

f) Tampa: empregada para minimizar perdas térmicas, sobretudo, naqueles

casos de tempos prolongados de retenção.

A tampa não é de uso obrigatório e nem todas as empresas utilizam.

Ainda segunda o autor, uma panela de aciaria de grande capacidade possui a

seguinte distribuição de peso:

i. Carcaça 16%;

ii. Refratários 12%;

iii. Aço líquido 70%;

iv. Escória 1%.

O refratário é constituído de duas partes: o permanente, constituído por material

refratário e isolante, formatado ou monolítico, e o de trabalho (ou de desgaste),

correspondente à face quente da panela, em contato direto com o aço, constituído

de tijolos que irão variar de acordo com o tipo de aço produzido.

3.2. Ciclo da panela dentro da aciaria

O ciclo de uma panela dentro da aciaria pode ser dividido em duas etapas

(FERREIRA, 2000) e pode ser observado na Figura 3.1:

- período em que a panela contém aço líquido, correspondendo ao período de

panela cheia. Considera-se o tempo em que a panela encontra-se em etapas de

(22)

5

- período em que a panela permanece vazia. Considera-se o tempo em que a panela

encontra-se em manutenção, em aquecimento, na espera para o vazamento e

durante o transporte da panela sem aço.

Algumas etapas, como o vazamento do aço para a panela e o momento em que a

panela se encontra no lingotamento, são consideradas de tempos mistos pois são

compostos de ambas as etapas anteriores. Após alguns ciclos essas panelas entram

em regime e há uma estabilidade nas perdas térmicas do aço líquido para a panela

nas diferentes etapas do processo.

Figura 3.1: Ciclo de panela em uma aciaria (FERREIRA, 2000).

O ciclo se inicia com a entrada de uma panela nova no processo. Esta panela deve

ser inicialmente pré-aquecida até uma temperatura média de 1000°C na face quente

antes de receber o banho de aço. O fenômeno de pré-aquecimento leva em torno de

10 horas e é uma etapa importante (TRIPATHI et al., 2012). A próxima etapa é o

vazamento. Nesse processo o aço líquido proveniente da etapa de sopro com

(23)

6

Após o vazamento de aço líquido na panela, calor começa a fluir pelas paredes e

pela parte inferior da panela, bem como pela superfície livre do aço (LIU et al.,

2004). A partir daí o fluxo da panela vai depender dos reatores de refino secundário

disponíveis em cada empresa e da qualidade final requerida.

Após as etapas de tratamento o aço permanece dentro da panela até que se inicie o

vazamento no lingotamento, onde o banho é direcionado ao distribuidor com o

auxílio de uma válvula.

Ao término do processo de lingotamento a panela vazia e com escória

remanescente passa pela etapa de limpeza e é reparada para voltar ao ciclo.

Observa-se uma perda contínua de calor a partir das paredes do refratário aquecido

para o ambiente e o tempo de espera é crucial para determinar se a panela retoma

ao ciclo com seu estado térmico atual ou se ela deve ser novamente pré-aquecida.

Christ (2001) caracteriza o estado térmico da panela como um estado transiente, em

função da variabilidade da quantidade de energia contida no refratário num dado

instante. Assim, o estado térmico das panelas é o resultado da história térmica do

ciclo da panela. A qual é constituída pelos repetidos aquecimentos e resfriamentos

experimentados pela panela ao longo do processo.

Volkova e Janke (2003) resumem todas as perdas térmicas em cada etapa a partir

de um modelo matemático envolvendo:

• Pré-aquecimento:

- Transferência de calor por radiação e convecção a partir da combustão de gás

para o revestimento refratário.

- Condução térmica transiente dentro do revestimento refratário.

- Transferência de calor por radiação da superfície externa da panela para o meio

ambiente

• Após pré-aquecimento durante a fase de espera:

(24)

7

- Transferência de calor por radiação da superfície externa da panela para o meio

ambiente

- Transferência de calor por radiação a partir da parede interna de refratário para

o meio ambiente

• Enchimento da panela:

- Transferência de calor por radiação a partir do banho de aço para o

revestimento refratário

- Transferência de calor por convecção natural do banho de aço para o

revestimento interno de refratário

- Condução térmica transiente dentro do revestimento

- Transferência de calor por radiação a partir do banho de aço para o ambiente

• Panela cheia e durante vazamento:

- Transferência de calor por convecção natural do banho de aço para o

revestimento interno de refratário

- Condução térmica transiente dentro do revestimento

- Transferência de calor por radiação a partir da parede interna do refratário para

o meio ambiente

- Convecção natural no banho de aço

- Transferência de calor por convecção natural do banho de aço para a escória

- Condução térmica transiente na escória

(25)

8

3.3. Controle térmico do aço

A temperatura média do aço na panela pode ser quantificada com precisão razoável,

levando-se em consideração as fontes de calor e os mecanismos de perda de calor.

Entretanto, como resultado do fenômeno de estratificação térmica, podem ocorrer

variações de temperatura do aço na panela. Essas variações devem ser

consideradas por influenciarem na temperatura de vazamento. Idealmente, a

temperatura de vazamento não deveria exibir um comportamento dependente do

tempo já que o resultado é uma larga variação de temperatura no distribuidor

durante o esgotamento da panela (AUSTIN et al., 1992). Um dos parâmetros mais

importantes para se determinar a qualidade final do aço é o grau de

superaquecimento do metal no distribuidor e no molde de lingotamento

(RODRIGUES, 1998). Um dos fatores que regula a temperatura do aço dentro do

distribuidor durante o lingotamento é a temperatura de aço que emerge a partir da

panela.

O controle térmico também é importante devido a sua influência no desgaste de

refratários das panelas, no consumo de insumos utilizados no aquecimento e em

questões de produtividade da aciaria devido à manutenção de um sincronismo das

panelas em um ciclo. Rodrigues (1998) relata as principais consequências

indesejáveis da falta de controle da temperatura do metal na aciaria, as quais são

apresentadas na Tabela I. Tais consequências levam a uma perda de produtividade

e rendimento.

A temperatura inicial do aço vazado na panela precisa ser significativamente

superior à temperatura liquidus para permitir as perdas de calor que irão ocorrer

durante os processos restantes sem que interfiram no estado no estado físico do

(26)

9

Tabela I: Principais consequências da falta de controle da temperatura do metal na aciaria, (RODRIGUES, 1998).

Alta Temperatura Baixa Temperatura

Convert

e

dor

- Desgaste de refratários devido à

maior temperatura de vazamento.

- Nível de oxidação mais elevado

ocasionando maior consumo de

desoxidantes.

- Maior incorporação de oxigênio e

nitrogênio durante o vazamento.

- Ressopro (perda de produtividade,

consumo de ferro-silício).

Panela

- Desgaste de refratários.

- Maior consumo de energia.

- Menor disponibilidade das

panelas (maior investimento em

panelas).

- Formação de cascão (queda

acentuada de temperatura na corrida

seguinte, redução da disponibilidade

da panela).

- Bloqueio de válvula.

Ling ot ament o Cont ínuo

- Baixa produtividade, visto que a

velocidade de extração da peça

em processo de solidificação deve

ser reduzida a fim de possibilitar a

remoção da energia em excesso.

- Estrutura cristalina desfavorável.

- Aumento de segregação.

- Trincas.

- Ruptura da pele solidificada

(perda de produção).

- Defeitos superficiais. Maior

desgaste nos refratários e

barragens do distribuidor.

- Maior desgaste dos

equipamentos.

- Formação de cascão no

distribuidor.

- Interrupção do Lingotamento

- Trincas.

- Defeitos superficiais.

- Deficiência na remoção de

(27)

10

3.4. Perdas térmicas para o revestimento refratário

Elevados valores de calor específico e de densidade garantem aos materiais

refratários um alto poder de retenção de calor. Assim, o equilíbrio térmico entre as

paredes refratárias e o aço líquido vazado nas panelas exige uma troca de calor

muito elevada (FERREIRA, 2000). A quantidade de calor que pode ser absorvida

pelo refratário é definida pelo calor específico do material multiplicado pela sua

massa (TOMAZIN et al., 1986).

Omotani et al. (1983) sugerem que pelo menos 70% de toda energia perdida pelo

aço é transferida para os refratários da panela e os demais 30% são perdidos

através da camada de escória. Portanto, defendem a seleção adequada dos

materiais refratários.

Volkova e Janke (2003) mostraram que a temperatura do refratário é uma função do

tempo e a quantidade de calor absorvida difere para diferentes temperaturas do

banho em contato com o revestimento. A Figura 3.2 sugere que a temperatura do

refratário em contato com o banho se altera essencialmente apenas nos dois

primeiros minutos.

Figura 3.2: Temperatura da área de contato do revestimento de espinélio com o banho de

aço como uma função do tempo e da temperatura média do aço dentro da panela

(28)

11

3.5. Tipos de materiais refratários

O revestimento refratário das panelas deve resistir às temperaturas elevadas do aço

líquido, entre 1580oC e 1700oC, e à erosão mecânica provocada pela turbulência do

metal durante o vazamento.

O tipo de refratário utilizado em panelas de aciaria é um dos fatores primordiais que

afetam as perdas térmicas do aço, visto que as suas propriedades determinam a

passagem e armazenagem maior ou menor de calor em suas camadas (FERREIRA,

2000). A condutividade térmica do refratário varia de acordo com a sua composição,

pois é uma característica específica de cada material e depende fortemente da

temperatura e da sua composição química (VATAVUK, 1989).

O calor armazenado dentro do revestimento é dependente do tipo de material usado,

do estado térmico e do desgaste das camadas refratárias. Volkova e Janke (2003)

compararam o calor armazenado no revestimento refratário durante o ciclo da

panela considerando tijolos dolomíticos e tijolos de espinélio. O calor armazenado no

revestimento de massa de espinélio difere do revestimento de dolomita como mostra

a Figura 3.3. A quantidade de calor absorvida e armazenada pelos refratários são

mais significativas nos 3 primeiros carregamentos de um ciclo da panela visto que

uma panela nova possui pouco calor armazenado no refratário antes de entrar no

ciclo. Conforme a panela avança por outros carregamentos, a quantidade de calor,

absorvido e consequentemente armazenado pelo refratário, decai e passa a ser

praticamente constante, condizendo com o fato de que o refratário encontra-se

(29)

12

Figura 3.3: Calor armazenado pelo refratário em função do número de carregamentos no

ciclo da panela para um banho de aço com temperatura média de 1650oC e com uma

determinada taxa de desgaste do revestimento refratário para tijolos de dolomita e de

espinélio (VOLKOVA E JANKE, 2003).

3.6. Espessura do refratário e a influência sobre o histórico térmico

O contato do aço líquido com o material refratário provoca o seu desgaste e

influencia nas perdas térmicas. O desgaste do refratário da panela aumenta com o

aumento na vida da panela e, portanto a espessura do refratário é reduzida ao longo

do tempo. A redução da espessura melhora a transferência de calor a partir das

faces quentes para a carcaça de aço da panela e consequentemente a queda de

temperatura do banho pode aumentar com o aumento da vida da panela (TRIPATHI

et al., 2012). Porém, o desgaste tende a reduzir as perdas de calor devido a menor

quantidade de calor necessária para encharcar termicamente o revestimento sendo,

portanto, um fator benéfico (TOMAZIN et al., 1986). Portanto, o efeito do desgaste

do refratário seria uma combinação de maior perda de calor e o menor acumulo de

(30)

13

A Figura 3.4 mostra a variação de temperatura do aço ao longo do tempo (desde o

início do vazamento até o final do tempo de espera) para diferentes graus de

desgaste do refratário de uma panela em seu ciclo de vida.

Figura 3.4: Relação entre a temperatura do aço e o tempo de permanência do banho na

panela para diferentes graus de desgaste do refratário de uma panela em seu ciclo de vida

(LOPES, 2007).

LOPES (2007) simulou o efeito do desgaste do revestimento refratário de trabalho

comparando-se um revestimento novo e outro com 50% da espessura original. A

Figura 3.5 mostra os resultados obtidos até o quinto ciclo de operação da panela. No

caso do revestimento velho e mais desgastado o número de ciclos necessários para

se atingir o estado térmico estável passou de três para dois, devido à menor

(31)

14

Figura 3.5: Evolução da temperatura do refratário com o tempo para uma panela nova e

outra com 50% da espessura original do revestimento de trabalho (LOPES, 2007).

Embora o estado térmico estável seja atingido mais rapidamente, este se dá a uma

temperatura mais baixa quando se compara com o revestimento com a espessura

original. Isto se deve ao fato da quantidade de energia armazenada no revestimento

menos espesso e, portanto, com menor massa, ser menor do que aquela

armazenada no revestimento novo.

Por um lado, o desgaste aumenta as perdas térmicas do aço devido à maior

passagem de calor pela parede refratária e por outro lado o desgaste reduz as

perdas devido à menor quantidade de calor necessária para encharcar termicamente

a panela (BRUCH, 2012).

3.7. Perdas Térmicas pela escória

A escória fornece uma camada de isolamento sobre a superfície do aço líquido

prevenindo as perdas por radiação direta a partir do aço. O calor é então conduzido

(32)

15

(TETRAULT et al, 2004). A escória protege contra a reoxidação e tem um papel

importante na definição da composição química do banho.

Imediatamente após o vazamento do aço na panela existe uma camada de escória

líquida cobrindo o metal. Como calor é transferido mais rápido do topo da escória

para a atmosfera que o calor suprido pela escória e/ou aço existente abaixo, o topo

da escória começa a se solidificar. Este processo continua até que o estado

estacionário seja atingido (OMOTANI et al., 1983).

A Figura 3.6 mostra como varia a temperatura do aço em vários estágios do

processo. Observa-se uma variação linear da temperatura do banho com o tempo.

O declive da curva é maior durante a etapa de vazamento e depois ele decai. Umas

das razões para a diminuição da taxa de queda de temperatura é a existência da

camada de escória (TRIPATHI et al., 2012).

Figura 3.6: Variação na temperatura do aço em diferentes estágios no ciclo da panela

(TRIPATHI et al., 2012).

Tripathi et al. (2012) consideraram três diferentes espessuras de camadas de

escória: 40, 80 e 90mm. Os resultados foram comparados com o perfil térmico do

aço líquido sem camada de escória. A Figura 3.7 mostra a variação da temperatura

do aço ao longo do tempo para os quatro casos. As diferenças no perfil térmico do

aço com e sem camada de escória pode claramente ser percebidas na Figura 3.7. O

(33)

16

entre o perfil térmico para os casos com 80mm e 90mm de camada de escória foi

negligenciável.

Figura 3.7: Relação entre a temperatura do banho de aço e o tempo para diferentes

espessuras de escória (TRIPATHI, 2012).

Espera-se que uma camada de escória de maior espessura seja um melhor isolante

do que uma camada fina. Segundo Gupta et al. (2004) apesar da maior

estratificação térmica do banho ser apresentada quando se trabalha com camadas

mais espessas de escória, a perda de calor através do topo é mínima e a

temperatura média do banho não cai significativamente. Porém, uma camada muito

fina de escória resulta em uma apreciável perda de calor pelo topo e,

consequentemente, uma queda da temperatura média do banho.

3.8. Estado térmico da panela

Comumente utiliza-se o tempo em que a panela encontra-se vazia dentro do ciclo de

produção da aciaria para indicar o seu estado térmico. Porém, esta prática não leva

em conta o verdadeiro estado térmico da panela. Deve-se levar em consideração o

grau de desgaste do revestimento refratário e a utilização ou não de

(34)

17

Christ (2001) caracteriza o estado térmico da panela como um estado transiente

devido à quantidade de energia contida no refratário num dado instante. Assim, o

estado térmico das panelas é o resultado da história térmica do ciclo da panela. A

história térmica é constituída pelos repetidos aquecimentos e resfriamentos

experimentados pela panela ao longo do processo.

Após o aquecimento da panela a temperatura mais alta é verificada na parte

superior, na região acima da linha de escória e, após o lingotamento (esgotamento),

a mais alta temperatura verifica-se na parte inferior da panela (ZIMMER et al., 2008).

A quantidade de energia armazenada nas camadas refratárias pode ser associada

ao índice de encharque. Quanto maior for o calor retido, melhor é o estado térmico

da panela e, consequentemente, menor será a perda térmica do aço líquido.

Portanto, o índice de encharque pode ser o próprio valor do calor armazenado.

Outra forma é converter o calor armazenado na panela em temperatura do aço

líquido (FERREIRA, 2002).

3.9. Fenômeno de convecção natural e de estratificação térmica

Um bom controle da temperatura no distribuidor é essencial, a fim de melhorar a

produtividade e a qualidade do produto. Esta temperatura é influenciada tanto por

perdas de calor no distribuidor e por estratificação térmica e pela drenagem da

panela. Portanto, existe uma necessidade de modelos de controle da temperatura

que leve em conta ambos os efeitos (GRIP et al., 1999). A soma de ambos influencia

a temperatura do aço que sai da panela e, consequentemente, afeta as

temperaturas dentro de distribuidor.

As perdas de calor do aço líquido são parte de um processo transitório, que dá

origem a turbulentas correntes de convecção naturais dentro do banho. A

consequência típica desse fenômeno é a estratificação térmica do aço líquido (PAN,

2002). É desejável obter um campo térmico homogeneizado na panela de modo que

a temperatura no distribuidor não varie durante o vazamento da panela (GANGULY

(35)

18

temperatura e em casos extremos pode causar uma solidificação do aço no bocal da

válvula, na parte inferior da panela (RODRIGUES, 1998).

Na convecção natural o movimento do fluido é devido às forças de empuxo no seu

interior, enquanto na convecção forçada o movimento é imposto externamente. O

empuxo é devido à presença combinada de um gradiente de massa específica no

fluido e de uma força de corpo que é proporcional à massa específica. Na prática a

força de corpo geralmente é gravitacional.

Pan e Björkman (2006) estudaram o fluxo de correntes de convecção e a

transferência de calor em panela utilizando um modelo, representado na Figura 3.8,

com água que consiste em duas câmaras de resfriamento: uma cilíndrica simulando

as paredes da panela e uma lisa simulando o fundo da panela. Água quente foi

utilizada representando o aço líquido e água fria com a temperatura controlada foi

introduzida em câmaras de modo a resfriar a água quente.

Figura 3.8: Fluxo da corrente de convecção (esquerda) e campos de temperatura (direita),

após 6 minutos de resfriamento em um modelo utilizando água quente, escala 1/4 de uma

(36)

19

O trabalho de Austin et al. (1992) teve como objetivo analisar o impacto que a

estratificação tem sobre as temperaturas de vazamento subsequentes. Foi utilizada

uma análise numérica da evolução da convecção natural e estratificação térmica. O

efeito sobre a temperatura de vazamento para diversas taxas de resfriamento da

panela e diferentes tempos de permanência do banho na panela foi determinado.

Além disso, a influência do tamanho da panela foi considerada.

Figura 3.9 mostra os vetores de velocidade e os campos isotérmicos previstos para

uma panela de 200 toneladas com uma taxa de resfriamento de 0,5oC/min para os

15 primeiros minutos.

Figura 3.9: Vetores de velocidade e campos isotérmicos depois de 15 minutos de espera

para uma panela de 200 toneladas para uma taxa de resfriamento igual a 0,5oC/min

(AUSTIN et al., 1992).

As isotermas são planas, com exceção das regiões próximas às paredes da panela

onde o fluxo de calor para as paredes é maior. Austin et al. (1992) e Ganguly e

Chakraborty (2004) descrevem estas isotermas. Perto das paredes, o fluido, estando

a menor temperatura e sendo mais denso, afunda sob a influência da gravidade,

(37)

20

parte inferior da panela. O campo de velocidades da linha central mostra um fluxo

ascendente de aço quente, devido à sua menor densidade. A energia cinética

turbulenta tem, portanto, um valor máximo próximo às paredes laterais e um baixo

valor no centro da panela.

As Figuras 3.10 e 3.11 apresentam os vetores velocidade e isotermas para a mesma

panela depois de 25 e 45 minutos respectivamente de permanência do banho dentro

da panela. As isotermas ilustram que a estratificação aumenta com o tempo de

permanência. É notório que a magnitude dos vetores de velocidade diminui e

também o tamanho da zona de recirculação diminui.

Figura 3.10: Vetores de velocidade e campos isotérmicos depois de 25 minutos de espera

para uma panela de 200 toneladas para uma taxa de resfriamento igual a 0,5oC/min

(38)

21

Figura 3.11: Vetores de velocidade e campos isotérmicos depois de 45 minutos de espera

para uma panela de 200 toneladas para uma taxa de resfriamento igual a 0,5oC/min

(AUSTIN et al., 1992).

A Figura 3.12 mostra a diferença de temperatura ao longo do tempo, para diferentes

taxas de resfriamento instaladas. Após um período inicial, o grau de estratificação é

função linear da taxa de resfriamento. Essa linearidade pode ser observada

comparando-se as curvas na Figura 3.12 e ela indica que há uma relação entre a

diferença de temperatura e as taxas de resfriamento. Portanto a taxa de

resfriamento e a taxa de estratificação são diretamente proporcionais (AUSTIN et al.,

1992).

O modelo desenvolvido por Austin et al. (1992) não levou em consideração

(39)

22

Figura 3.12: Desenvolvimento da estratificação, tomada como diferença entre a parte

superior central do banho e temperaturas em posições mais inferiores ao longo do tempo,

para diferentes taxas de resfriamento (AUSTIN et al., 1992).

Grip et al. (1999) validou seu modelo com dados experimentais de uma planta

usando termopares penetrados no banho metálico em uma panela de 107 toneladas.

As temperaturas registradas pelos termopares são mostradas na Figura 3.13. O

diagrama mostra dois tempos de espera, antes e depois da homogeneização do

banho por injeção de gás.

Figura 3.13: Estratificação térmica em uma panela de 107 toneladas. Temperaturas medidas

(40)

23

Como resultado, há uma diferença entre a leitura feita pelos dois termopares durante

o período de espera e essa diferença aumenta com o tempo. Além disso, essa

diferença diminui durante a agitação por injeção de gás e os termopares mostraram

uma mesma temperatura após 2 a 3 minutos de agitação.

Xia e Ahokainen (2001) mostraram que a estratificação térmica significativa ocorre

quando o aço líquido possui uma camada de escória isolante e o grau de

estratificação aumenta com o tempo de retenção. Para uma fina camada de escória

com uma apreciável perda de calor no topo, o aço na panela é bem misturado,

devido a fortes fluxos de convecção. Estes, por sua vez, resultam na

homogeneização da temperatura do banho. No entanto, neste caso, a temperatura

média diminui continuamente e essa tendência continua durante o vazamento. A

quantidade de perda de calor através da superfície de topo do banho determina

principalmente a variação da temperatura de vazamento.

Fredman (2000) também estudou o impacto da espessura da camada de escória

utilizando um modelo físico em acrílico com água aquecida. O modelo permitiu

visualizar o mecanismo de correntes de convecção como mostrado na Figura 3.14.

Figura 3.14: Correntes convectivas dentro do banho de aço durante o vazamento para duas

(41)

24

O comportamento de panelas com uma espessa camada de escória e uma fina

camada de escória são diferentes. Quando a escória é mais espessa ela atua como

um isolante térmico que faz com que o aço estratificado permaneça sobreaquecido

em relação ao restante do aço contido na panela. Já a escória com uma espessura

normal ocasiona um fluxo de aço na panela.

Grip et al. (1996) afirmam que somente informações sobre a estratificação térmica

não são suficientes para obter uma correta previsão do comportamento da

temperatura. Além disso deve-se ter conhecimento sobre o fluxo de saída da panela

durante o vazamento.

3.10. Agitação por injeção de gás inerte

A agitação do banho durante as etapas de tratamento é uma prática comum de

forma a homogeneizar a temperatura do aço líquido e a composição química.

Ganguly e Chakraborty (2004) simularam numericamente o fluxo do fluido dentro da

panela e a transferência de calor durante o tempo de espera com agitação do banho

por injeção de gás no fundo da panela. Um fluxo turbulento é induzido pelos gases

dentro do banho, minimizando a estratificação térmica como mostrado na Figura

(42)

25

Figura 3.15: Predição de (a) campos isotérmicos e (b) vetores de velocidade, após 10

minutos de tempo de espera; (c) campos isotérmicos e (d) vetores de velocidade, após 10

minutos de espera com injeção de gás (GANGULY e CHAKRABORTY, 2004).

O banho de aço com baixa temperatura perto do fundo da panela se move em

direção à superfície e os campos de temperatura são homogeneizados pela

presença do argônio (GANGULY e CHAKRABORTY, 2004).

Mohammadi et al., (2013) complementa que o borbulhamento de gás inerte pode

remover inclusões e remover impurezas indesejáveis.

3.11. Modelos Térmicos

De acordo com as equações básicas, Volkova e Janke (2003) dividem os modelos

que descrevem as condições térmicas nas panelas em quatro grupos:

- Modelos térmicos com base nas equações de condução térmica estacionária;

- Modelos térmicos com base nas equações de condução térmica não-estacionária

com temperatura do refratário interno para panelas carregadas levando em

(43)

26

- Modelos térmicos com base nas equações condução térmica não-estacionária com

convecção livre a partir do banho de aço para o revestimento interno da panela

levando em consideração as condições de contorno de terceira ordem;

- Modelos térmicos baseados nas equações de análise experimental.

A análise numérica pode ser mais eficiente em termos do tempo requerido para se

encontrar uma solução e permite, com facilidade, a alteração dos parâmetros do

(44)

27

4. METODOLOGIA

Foram desenvolvidos dois modelos, um semi-empírico e outro matemático, com o

objetivo de descrever o comportamento térmico do processo, considerando-se o

período de tempo em que o aço se encontra dentro da panela.

4.1. Método semi-empírico

O fluxo de calor a partir do aço líquido que flui através do revestimento refratário e

através da escória de topo caracteriza o resfriamento do aço na condição de panela

cheia. O método levou em consideração um modelo de panela baseado na

configuração e dimensões de uma panela real em escala industrial e considerou as

propriedades do aço e dos refratários listadas na Tabela II e da escória listadas na

Tabela III. De modo a simplificar o modelo, o formato cônico da panela foi

descartado e utilizou-se um formato cilíndrico, onde o refratário possui espessura

constante ao longo da parede e do fundo da panela, como mostra a Figura 4.16.

(45)

28

De modo a simular a etapa subsequente ao refino secundário, desconsiderou-se a

influência dos campos de velocidade no banho de aço e levou-se em consideração

que no momento inicial o banho possui velocidade zero e a temperatura é uniforme.

A equação 1 expressa o balanço térmico:

Taxa de perda de calor pelo aço = Taxa de perda de calor para o refratário + Taxa

de perda de calor para a escória.

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ሻ ൅ሺݍ

(1)

Onde: ρm=densidade do aço, Cm=calor específico do aço, V=volume de aço,

Tm=temperatura do aço líquido, t=tempo, qw=perdas térmicas para as paredes refratárias

laterais, qb=perdas térmicas para os refratários do fundo da panela, qs=perdas térmicas

através da camada de escória.

Tabela II: Propriedades do aço (OMOTANI et al., 1983).

Material Propriedade Valor Unidade

Aço líquido Densidade 7080 Kg/m3

Calor específico 754 J/kgoC

Refratário Dolomítico Densidade 2100 Kg/m3

Condutividade térmica 1,05 W/moC

Calor específico 1005 J/kgoC

Refratário Aluminoso

(50% Al2O3)

Densidade 2400 Kg/m3

Condutividade térmica 1,26 W/moC

Calor específico 1005 J/kgoC

Refratário Alta Alumina

(>80% Al2O3)

Densidade 2900 Kg/m3

Condutividade térmica 2,51 W/moC

(46)

29

Tabela III: Propriedades da escória (TRIPATHI et al., 2012).

Material Propriedade Valor Unidade

Escória Densidade 3807 Kg/m3

Condutividade térmica 1,21 W/mK

Calor específico 838 J/KgK

A taxa de perda de calor a partir do aço líquido para o refratário é dada pela taxa

com que calor que é conduzido para o interior do refratário, a partir da interface entre

o metal e o revestimento. As perdas térmicas para o refratário da panela levam em

consideração a geometria da panela e, tendo-se em vista que a geometria da parede

da panela é diferente da geometria do fundo, as perdas devem ser calculadas

separadamente.

Considerações:

1. O metal é bem misturado, com temperatura inicial uniforme de 1650ºC;

2. O refratário está inicialmente pré-aquecido uniformemente a 700ºC.

3. A espessura do refratário é grande o suficiente para que seja considerado um

sólido semi-infinito.

4. A convecção natural do aço líquido dentro da panela pode ser

desconsiderada, embora ela seja esperada, assim como a estratificação

térmica.

5. A suposição de temperatura de pré-aquecimento uniforme, embora não

corresponda à realidade, também permite uma fácil comparação dos efeitos

de vários parâmetros de queda de temperatura na panela.

As temperaturas de processo, primeira e segunda suposição, são referências aos

autores Liu, Q. et al., 2006 e Tetrault, C. et al., 2004.

O fato da profundidade de penetração de calor para dentro do refratário ser menor

que a espessura do revestimento indica a validade da terceira suposição.

(47)

30

ߜ ൌ ݇ξݐǤ ߙ

௥ (2)

Onde: δ=profundidade de penetração, t=tempo, αr=difusividade térmica do refratário a

ser analisado, k= constante definida em função do erro assumido, nesse caso k=4.

Então a profundidade de penetração de calor vai depender da difusividade térmica

do material. Três tipos de materiais refratários listados na Tabela IV, com diferentes

difusividades térmicas, podem ser comparados considerando-se um tempo de 2

horas.

Tabela IV: Profundidade de penetração de calor nas paredes refratárias após 2 horas.

Tipo de Revestimento Difusividade Térmica

࢓૛

Profundidade ሺ࢓ሻ

Dolomítico 4,975x10-7 0,239

Aluminoso 5,224x10-7 0,245

Alta Alumina 8,267x10-7 0,309

De acordo com Omotani et al. (1983) o revestimento refratário geralmente possui

espessura maior do que 250mm. Desta forma considerando os tempos típicos de

simulação abordados neste trabalho a parede refratária pode ser considerada

semi-infinita.

Considerando que o refratário interno absorve calor do aço líquido e que o refratário

externo perde calor para o ambiente, pode-se considerar o refratário externo como

uma superfície adiabática desde que o perfil do gradiente térmico da superfície

interna não interfira no perfil do gradiente térmico da superfície externa, como

(48)

31

Figura 4.17: Perfil de condução de calor dentro do revestimento refratário.

Levando-se em consideração um refratário como descrito por Omotani et al. (1983)

com 250mm de espessura pode-se calcular o tempo necessário para que os

gradientes térmicos atinjam um ponto central do refratário. Para tal seriam

necessários 32 minutos em um revestimento Dolomítico, 31 minutos em um

revestimento Aluminoso e 19 minutos para um revestimento de Alta Alumina.

O tempo médio que uma panela na condição cheia espera até o início do vazamento

é de 30 minutos e, portanto para os refratários Dolomítico e Aluminoso pode-se

considerar que a superfície externa seja adiabática.

Omotani et al. (1983) sugeriu formulações para quantificar o fluxo de calor a partir do

aço. A taxa de perda de calor do metal para as paredes refratárias da panela é dada

pela equação 3:

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ሻ ൌ െܣ

Ǥ ܭ

Ǥ ሺܶ

െ ܶ

ሻǤ ቀ

ଶோ

ξగఈ

(3)

Similarmente, a taxa de perda de calor do metal para a parede refratária do fundo da

panela é dada pela equação 4:

(49)

32

Onde: Tm=temperatura do aço, Tr= temperatura inicial do refratário, t=tempo,

αr=difusividade térmica do refratário a ser analisado, Kr=condutibilidade térmica do

refratário a ser analisado, Aw=área de contato refratário das paredes/aço, Ab=área de

contato refratário do fundo/aço, R=raio interno da panela.

Uma inspeção das equações 3 e 4 indica que as expressões de cálculo das perdas

térmicas pela parede e pelo fundo da panela são idênticas, exceto pela presença de

um termo adicional na equação 4 que é um termo independente o qual inclui o fator

geométrico ଵ

ଶோ.

A taxa de perda de calor a partir do aço líquido para a camada de escória pode ser

calculada como sendo a taxa com que calor que é conduzido para o interior da

camada de escória (equação 5) descrita por Omotani et al. (1983).

ሺݍ

ሻ ൌ ͲǤͲͺ͵Ǥ ܣ

Ǥ ܭ

Ǥ ሺܶ

െ ܶ

ర య

Ǥ ሺ

௚Ǥఉೞ

జೞఈೞ

(5)

Onde: qs=perdas térmicas através da camada de escória, As=área de contato escória/aço,

Ks=condutividade térmica da escória, Tm=temperatura do aço líquido, Ts=temperatura da

escória, g=aceleração da gravidade, βs=coeficiente de expansão térmica da escória, νs=viscosidade cinemática da escória, αs=difusividade térmica da escória.

De acordo com a equação 5, a taxa de perda de calor do metal para a escória não

depende da espessura da mesma e é resultante da convecção natural que se instala

na camada de escória em função dos gradientes térmicos.

Entretanto é fato que camadas espessas de escória representam proteção térmica

adicional. Além do mais a possível solidificação parcial impõe um mecanismo

complexo de trocas térmicas, envolvendo difusão na camada de escória e

convecção/radiação na interface desta com atmosfera.

Para incluir a influência da altura da camada de escória o modelo adotado

considerou a coexistência de uma camada de escória líquida em contato com o

(50)

33

ambiente como mostrado na Figura 4.18. Conforme calor é perdido a partir da

escória para a atmosfera a superfície da escória começa a solidificar. O processo

continua até que se alcance um equilíbrio térmico onde a taxa de transporte de calor

através de cada camada (líquida e sólida) da escória de cobertura se igualam.

Considerou-se que calor é transportado através da escória líquida que está em

contato com o metal por condução. Calor é também conduzido através da escória

sólida até a superfície livre onde é perdido para o ambiente por radiação e

convecção.

Admite-se que a temperatura do metal seja conhecida e uniforme (ܶ), bem como a

temperatura ambiente (ܶ).

Figura 4.18: Desenho esquemático do processo de transferência de calor através da escória.

Para tal as equações diferenciais pertinentes e respectivas condições de contorno:

Camada liquida 0 d y d L

஡େ

୪À୯୳୧ୢ୭

Ǥ

பమ୘ ப୷మ

ப୘

(51)

34

Sujeita às condições de contorno:

y=0 (interface com o metal) T=Tm,

y=L (interface sólido/líquido, perda de calor por condução)

Ȃ

ୢ୘ୢ୷ైȁȁ୷ୀ୐

ୢ୘ୢ୷

ȁȁ୷ୀ୐

ൌ ɏ

Ǥ

ୢ୑ୢ୲

Ǥ ο

(7)

onde ݀ܯ representa o avanço da interface devido à solidificação e ο a variação de

entalpia de solidificação da escória. A posição da interface pode ser encontrada em

ȁȁ୷ୀ୐

ୱ୭୪୧ୢ୳ୱ

ୱ୭୪୧ୢ୳ୱ é a temperatura de solidus da escória; os índices s e L representam camada

sólida e líquida, respectivamente. Esta expressão representa um balanço de

conservação de energia na interface: a diferença entre os fluxos térmicos que

atravessa a interface no lado da camada líquida e que atravessa a interface no lado

da camada sólida leva à solidificação.

Camada sólida

L

d

y

d

S

஡େ

ୱ×୪୧ୢ୭

Ǥ

பమ ப୷మ

ப୘

ப୲ (8)

A integração destas expressões, que fornece o perfil térmico na camada de escória,

sujeita às condições de contorno anteriores pode ser realizada numericamente.

Admite-se que condição inicial pode ser escrita, a título de simplificação, como ܶ ൌ ܶ௠, uniforme.

Y=S

(interface com atmosfera, perda de calor por convecção e radiação)

ୢ୘ୢ୷

ൌ Šሺ െ

ሻ ൅ ɐԖ൫

ୟସ

(9)

Para operacionalizar esta integração foi considerado um espaço discretizado,

dividido em N intervalos, como mostrado na Figura 4.19, e passo de integração igual

(52)

35

Figura 4.19: Espaço discretizado de integração, em N intervalos.

Etapas de integração:

Condição inicial

– ൌ Ͳ

,

ሺ୧ሻ

,

i=1...N+1

Integração no sentido interface com atmosfera Î interface sólido/líquido, de modo a

propagar ao interior da camada da escória a perturbação sentida na superfície.

Estimar a temperatura na interface assumindo:

୘ሺొశభሻషο୶ ୘ሺొሻ

ൌ Š൫

ሺ୒ାଵሻ

൯ ൅ ɐԖ൫

ሺ୒ାଵሻସ

ୟସ

(10)

A posição inicial de interface sólido/liquido pode ser assumida como ݅ݏ݈ ൌ ܰ; como o

fluxo térmico nesta interface provoca solidificação adicional então

Ȃ

୘ሺ౟౩ౢሻషο୶୘ሺ౟౩ౢషభሻ

୘ሺ౟౩ౢశభሻషο୶ ୘ሺ౟౩ౢሻ

ൌ ɏ

Ǥ οǤ

οெο௧

(11)

E, ainda, o avanço da interface

ο

௜௦௟

οெο௫

(12)

Este procedimento foi implementado em um programa escrito em BASIC.

Simulações foram feitas considerando alterações em variáveis de processo como

(53)

36

coeficiente de convecção na interface escória ambiente. Os valores resultantes de

fluxo térmico foram analisados com o auxílio do Software MiniTab, produzindo uma

equação de regressão na forma:

ݍ

ൌ ܣ

ܣ ‡š’ ቀͳ ൅

ቁ ൅ ܥ

para ݐ ൒ ͷsegundos (13)

ܣ ൌ ͸͵ͺ͵ ൅ ሺͶ͵ǡͳ݈ሻ െ ሺ͵ͻܶሻ െ ͳͺͳ݄

ܤ ൌ െ͵Ͷ͸ǡͶͳ െ ሺͲǡͳͲͻ݈ሻ ൅ ሺͲǡͳͷ͸ܶሻ

ܥ ൌ ͸ʹ͸͹͸ െ ሺͳʹͲ݈ሻ ൅ ሺ͸ͳͶ݄ሻ ൅ ሺͺͲܶሻ

Onde: qs=perda térmica através da camada de escória, As=área de interface metal/escória

(m2), t=tempo (s), T=temperatura do aço líquido (K), l=espessura da camada de escória

(m), h=coeficiente de convecção (W/m2K).

4.2. Definição de parâmetros para o modelo matemático

Para a realização de um modelo computacional utilizando o software Ansys/CFX foi

necessário estabelecer os parâmetros a serem utilizados.

4.2.1. Considerações acerca do modelo proposto

1. O revestimento refratário é constituído por uma camada de material único,

com espessura constante e sem a presença da carcaça metálica. Embora

uma panela de aciaria seja constituída por uma carcaça metálica cilíndrica

coberta por duas ou mais camadas de refratários foi considerado apenas um

tipo de refratário por vez, de forma a avaliar o comportamento de cada

material refratário separadamente e depois compará-los.

2. A condutividade térmica e a difusividade térmica do refratário foram

Imagem

Figura 3.6: Variação na temperatura do aço em diferentes estágios no ciclo da panela  (TRIPATHI et al., 2012)
Figura 3.7: Relação entre a temperatura do banho de aço e o tempo para diferentes  espessuras de escória (TRIPATHI, 2012)
Figura 3.9 mostra os vetores de velocidade e os campos isotérmicos previstos para  uma panela de 200 toneladas com uma taxa de resfriamento de 0,5 o C/min para os  15 primeiros minutos
Figura 3.13: Estratificação térmica em uma panela de 107 toneladas. Temperaturas medidas  e preditas em função do tempo (GRIP et al., 1999)
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