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Rev. Soc. Bras. Med. Trop. vol.24 número1

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Academic year: 2018

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K e v is t a d a S o c ie d a d e B r a s i le ir a d e M e d i c in a T r o p ic a l 2 4 ( 1 ) : 5 9 -6 0 , j a n - m a r , 1 9 9 1

COM UNICAÇÃO

ESTÁG IO A T U A L D A LEISHM ANIOSE C U T Â N EA D IF U S A (LCD)

N O EST A D O D O M ARANH ÃO . I. RELATO PRELIM INAR

J a c k s o n M .L . C o s ta , A n a C r is tin a R. S a ld a n h a , C o n c e iç ã o d e M a r ia P. e S ilv a , A r tu r S e r r a N e t o , C ló v is E d u a r d o S . G a lv ã o , A n g é lic a M .R . G o d in h o , A n t ô n io R a fa e l d a S ilv a , W e ll in g t o n S ilv a M e n d e s e A n a C a r la M e llo e S ilv a .

Um dado concreto sobre a existência da leish­ maniose tegumentar americana no Estado do Ma­ ranhão é a referência de Terra11 em 1913, que diz ter encontrado leishmanias em lesões ulceradas de pa­ cientes procedentes de todos os estados da federação, destacando o Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Espírito Santo, Alagoas, Paraíba, Maranhão, Pernambuco, Amazonas e Acre, comò os de maiores problemas em relação a esta doença.

Em artigo sobre leishmaniose em Minas Gerais, Orsini7 1940, aventa que provavelmente a referida doença tenha chegado até o seu estado, devido os trabalhadores do Norte do Brasil (Maranhão, Piauí, Ceará, Bahia) que emigraram para o Sul através do Sertão e da Zona da Mata, levando possivelmente a doença até esta região.

No que diz respeito à Leishmaniose Cutânea Difusa (LCD), referente ao nosso estado, o primeiro relato data de 1960, quando Porto Marques8 descreve um caso enviado pelo professor Cloves Chaves que pertencia à disciplina de Dermatologia da F acuidade de Medicina da UFM A, caso este referido por Nery Guimaraes5 6 em 1965, como o sétimo da literatura nacional.

Em 1963, Nery Guimaraes relata, na Acade­ mia Nacional de Medicina, o encontro de um paciente proveniente do Maranhão (localidade de Riachão), que se encontrava doente há 2 anos, com nódulos queloidiformes na perna esquerda, extremamente ri­ cos em leishmania e reação de Montenegro negativa.

Em 1975, a disciplina de Dermatologia da UFM A destaca um novo caso de LCD; tratava-se de um jovem proveniente do Município de Rosário-MA, portador de lesões nodulares disseminadas pelo corpo, levando o paciente a freqüentes crises depressivas, culminando com a morte do mesmo após sua transfe­ rência para o Hospital Universitário Gaffrée Cuinle no Estado do Rio de Janeiro.

Silva e cols9 10, em 1979, estudaram um surto epidêmico de leishmaniose tegumentar americana na Colonização Agrícola de Buriticupu, Município de Santa Luzia-MA, chamando a atenção para o caso de uma criança de 7 anos portadora de forma anérgica da doença.

Com o aparecimento de novos casos de LCD no estado e sentindo a necessidade de respostas para diversas interrogações sobre a evolução da doença, decidimos realizar um estudo retrospectivo e

prospec-T a b e l a 1 - A l g u m a s c a r a c t e r í s t i c a s c l í n i c a s d o s p a c i e n t e s a t u a l m e n t e e s t u d a d o s q u e a p r e s e n t a m L e i s h m a n i o s e C u t â n e a D i f u s a n o M a r a n h ã o .

P a c ie n te Id a d e*

Ú ltim a a v a lia ção (A n o )

T e m p o d e d o e n ç a (A té a ú ltim a

ava lia ção )

S e x o /R a ç a P ro fissão

N ú m e ro de L esões

A sp e c to d a lesão C ó d ig o I

A B C D E F G H

L o c a liz a ç ã o d a le sã o C ó d ig o II

A B C D E F

M E C S 2 1991 17 an o s F /P a r d a

_

35 A C E F C F

R N M G 4 1991 11 an o s M /P a rd a - 2 0 A C E G C F

A A A 2 1991 13 an o s M /N e g r a - 51 A B C D G H C F

R N P S 25 1991 4 anos M /B ra n c a L a v ra d o r 168 A C D E D E F

M C M A 7 1991 4 anos F /P a r d a - 4 0 B C E F H B D F

R F D 5 1991 14 anos M /B ra n c a - 86 A B C D E C F

* In icio d a do en ça.

C h a v e lo ca liz açã o : (C ó d ig o I): A - N ó d u lo B - Ú lce ro -v e g etan te C - U lc e ra ç ã o D - T u b ércu lo E - U lc e ro -c ro s to s a F - M a n c h a h ip erc rô m ica G - P la c a s in filtradas H - In filtra ç ã o d a m u c o s a n asa l

(C ó d ig o II): A - M M S S (m em b ro s su p erio res) B - M M II (m em b ro s inferiores)

C - M M S S e M M II (m e m b ro s s u p erio res e m em b ro s inferiores)

D - M M S S e T ó ra x (m em b ro s su p erio res e tó rax ) E - M M II e A b d ô m em

F - F ace

D isciplina de D oenças Infecciosas e Parasitárias, Depar­ tamento de Patologia, Faculdade de M edicina da Universi­ dade Federal do M aranhão e Hospital dos Servidores do Estado do Maranhão. São Luís, M A.

Recebido para publicação em 1 8 /0 2 /9 1 .

(2)

C o m u n ic a ç ã o , C o s ta J M L , S a l d a n h a A C R , S i l v a C M P , S e r r a N e to A , G a lv ã o C E S , G o d i n h o A M R , S i l v a A K M e n d e s W S , S i l v a A C M . E s tá g i o a t u a l d a le is h m a n io s e c u tâ n e a d ifu s a ( L C D ) n o E s t a d o d o M a r a n h ã o . I. R e la t o P r e lim in a r . R e v is ta d a S o c ie d a d e B r a s ile ir a d e M e d i c in a T r o p ic a l 2 4 : 5 9 -6 0 , ja n - m a r , 1 9 9 1

tivo da mesma a partir da década de 70, quando levantamos uma casuística de 6 casos oriundos de diferentes localidades do estado. Chamou-nos a aten­ ção o início da doença, que correspondeu a 83,3% até os 7 anos de idade, a cronicidade da mesma, pois estamos aeompanhando pacientes com 17 anos de evolução da doença e a refratariedade aos tratamentos instituídos. Alguns detalhes sobre os pacientes encon­ tram-se na Tabela 1.

Sobre a LCD, além de sua incurabilidade1 2 4, eventos epidemiológicos como o momento da infec­ ção, envolvimento de vários componentes de uma mesma família na doença^ e o desenvolvimento de anergia pelo sistema fagocítico mononuclear em pre­ sença da L e i s h m a n i a ( L e i s h m a n i a ) a m a z o n e n s i s , .

responsável pela doença em nosso País, são questões que necessitam de esclarecimentos urgentes^ Í0.

Com os dados preliminares ora apresentados, pretendemos dar conhecimento e chamar a atenção para a importante e controvertida doença no Estado do Maranhão, que inexplicavelmente tem na literatura mundial aproximadamente 150 casos relatados.

R E F E R Ê N C IA S BIBLIO G R Á FIC A S

1. Convit J, Castellanos PF, Ulrich M, Castes M, Rondon A , Pinardi M E, Rodrigues N , Bloom B R Formica S, Valencillos L, Bretana A. Immunotherapy of cutaneous leishmamiasis. The Journal of Infectious D iseases 160: 104-115, 1989.

2. Convit J, Kerdel-Vegas F. Dissem inated cutaneous leishmaniasis. Archives o f Dermatology 91: 439-447, 1965.

3. D iaz HB, M artinez D , Quinones M, E stévez F N . Leishm aniose anérgica na República Dom inicana. E s­ tudo de 20 casos. A nais Brasileiros de Dermatologia 60 (supl.): 229-236, 1985.

4. M edina R Romero J. Estúdio sobre la leishmaniasis tegumentaria en Venezuela. Derm atologia Venezuelana 1: 33-36, 1957.

5. Nery-Guimarães FV. Estado atual dos conhecimentos da “ forma lepromatoide” da Leishmaniose tegumentar (LT). O Hospital 67: 71-91, 1965.

6. Nery-Guimarães FV. Reprodução em camundongo { M u s ' m u s c u l i ) de leishm aniose cutâneo-visceral (H

istioci-toma leishmaniótico) ocorrendo na Amazônia. O H os­ pital 40: 11-24, 1965.

7. Orsini O. Leishmaniose em M inas Gerais. Brasil-Médico Liv: 8-14, 1940.

8. Porto Marques A , Portugal H . Leishm aniose Tegumen­ tar Difusa. O Hospital 57: 11-23, 1960.

9. Silva A R , Martins G, M ello JEM , Araújo JP, M endes JR e M endes M G . Surto epidêmico de leishmaniose tegumentar americana ocorrido na colonização agrícola de Buriticupu (Estado do Maranhão) Brasil. Revista do Instituto de M edicina Tropical de São Paulo 21: 43-50, 1979.

10. Silva A R M endes J R Rodrigues M LM , Carvalho ZS, Reis FM P, M elo JEM e Morais JCO. Leishmaniose Cutânea D ifusa (L C D ). Registro de um caso em Buri­ ticupu (Estado do Maranhão, Brasil). Revista do Instituto de M edicina Tropical de São Paulo 23: 31-35, 1981. 11. Terra F. Leishmaniose Tegumentar no Brasil. Boletim

Referências

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