FILOSOFIA 7º ANO – 4º BIMESTRE -
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7. ÉTICA
8. VALORES E NORMAS
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7. ÉTICA
APOSTILA 4 - CAPÍTULO 7
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ÉTICA (ETHOS)
surgiu na Grécia Antiga
Conjunto de tradições e costumes.
O latim se apropriou dessa palavra, alguns séculos depois, traduzindo-a como moral (mos) , mas mantendo a ideia grega sobre a palavra.
Condição de disciplina filosófica, define-se, como:
1. ÉTICA NA HISTÓRIA DA FILOSOFIA
Ética com o a área do conhecimento que trata das noções e dos princípios norteadores da vida
humana no âmbito pessoal e social.
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Em outras palavras:
ética refere-se às avaliações de conduta que nos levam a tomar decisões e a responder por elas, ou seja, ela pode ser
compreendida como a livre reflexão sobre os valores pessoais e sociais que leva à construção racional do agir humano – o que
nos torna, entre outros fatores, diferentes dos animais.
A ética é um aspecto da vida do qual o ser humano não pode se apartar, pois, sendo um ser racional e livre, ele se depara durante toda a vida com momentos em que precisa escolher.
Essas escolhas são feitas seja pensando nas consequências das ações para si mesmo ou para os outros, seja refletindo sobre como os atos serão julgados pelos outros.
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Termos como ética, verdade, virtude e busca pelo bem são comuns na reflexão platônica.
De forma geral, é possível perceber em seu trabalho o estrito vínculo entre a ética e sabedoria.
O homem virtuoso, de acordo com Platão, é livre e está em constante busca pelo conhecimento, enquanto o ser ignorante vive pelas limitações de seu vício.
Platão propõe uma ética que transcenda o mundo sensível, já que o campo ética ocorre no mundo das ideias.
Platão centra suas indagações na Ideia perfeita, boa e justa, a qual é organizadora da sociedade e inspiradora da ação humana.
Só é possível levar uma vida feliz se o sujeito for ético.
Como a ética está no campo das ideias e das formas, o ser racional é aquele que alcança a felicidade na teoria platônica.
1.1. ÉTICA PLATÔNICA
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Alegoria da Caverna - (ver p.5)
Para Platão, o homem sábio é o único capaz de se soltar das amarras que o prendem a chegar ao mundo real para a contemplação do bem.
Somente o homem será capaz de aprender a justiça necessária para um comportamento ético verdadeiro.
Assim, na teoria platônica, a ética depende do conhecimento.
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Para Aristóteles, a virtude não está apenas na atividade racional, mas também na ação que se fundamenta no hábito, ou seja, na prática constante das virtudes.
As ações consideradas virtuosas e que, consequentemente, nos conduzem à felicidade dependem da racionalidade.
Para ser virtuoso, o ser humano, de acordo com a ética aristotélica, precisa pautar suas escolhas utilizando a racionalidade, isto é, agindo com prudência e, assim, escolhendo sempre o meio termo entre o excesso e a falta.
A teoria do justo meio ou mediana é, portanto, um dos pontos centrais as teoria ética de Aristóteles.
Para o filósofo, uma ação é virtuosa e boa se não peca pela falta ou pelo excesso.
É preciso, assim, encontrar um ponto de equilíbrio, um justo meio, entre as ações extremadas.
Ver exemplos – p.6
1.2. ÉTICA ARISTOTÉLICA
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O indivíduo virtuoso, magnificente, seria aquele que age entre os dois excessos, a saber, a vaidade e humildade.
Agir de modo a considerar o justo meio acontece somente quando o ser humano é prudente e pratica constantemente ações virtuosas (hábitos).
A prudência é resultado da nossa capacidade que não é compartilhada com nenhum outro animal.
Para Aristóteles, uma ação virtuosa
não deve pecar pela falta ou pelo excesso.
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Período Helenístico :
Período da história da Grécia e da parte do Oriente Médio
Entre a dominação de Alexandre, o Grande, em 323 a.C., e a anexação do Egito
último reino helenístico, por Roma, em 30 a.C.
As pólis gregas perderam importância dentro do Império Alexandrino.
Alexandre, cujo professor particular era Aristóteles, levou a cultura grega aos demais povos conquistados.
Caracterizou, por um lado, pela diminuição da influência política da Grécia e, por outro lado, pela dominação cultural, levada pelos macedônicos por todo o Mar Mediterrâneo.
Novas doutrinas surgiram neste contexto com uma característica comum: a busca por uma Filosofia que não valorizasse tanto a razão como propunham Sócrates, Platão e Aristóteles.
Mas uma Filosofia que priorizasse a vida prática e desenvolvesse uma concepção terapêutica da Filosofia.
1.3. ÉTICA HELENÍSTICA
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Criado por Epicuro de Samos (341 a.c. – 270 a.C.)
Defendia a busca pelo prazer como forma de ser feliz.
O prazer não era compreendido como sofisticações, ou seja, pela satisfação de vestir-se bem, ter bela casa ou possuir muito dinheiro.
Epicuro acreditava, inclusive, que os prazeres materiais sofisticados causavam dor, ansiedade e sofrimento e, por isso, deveriam ser substituídos pelos prazeres da alma.
Os prazeres espirituais, como amizade e o amor, trariam a almejada felicidade.
Para o Epicuro, a ética seria, portanto, a capacidade de moderar os prazeres materiais e valorizar ao prazeres espirituais .
EPICURISMO
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Criado por Zenão de Cítio (336 a.C. – 264 a.C.)
Opõe-se ao epicurismo por ir contra a busca pelos prazeres de qualquer tipo, sendo estes considerados a origem de todos os males.
Os estoicos defendiam a eliminação das paixões e a aceitação do destino.
O homem virtuoso seria aquele que aceita, inclusive, as dores encontradas pelo caminho, uma vez que se considera o ser humano parte de um macrocosmo e, por isso, deve-se aceitar resignadamente e dignamente as leis da natureza, pois elas não são arbitrárias, muito menos irracionais.
Tem como objetivo filosófico a ideia de levar a vida de acordo com a lei da natureza, aconselhando um estado de certa indiferença (apathea)em relação a tudo que é extenso ao ser.
ESTOICISMO
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Uma das mais importantes teorias éticas da história da filosofia ocorreu na Modernidade, com o trabalho do filósofo alemão Immanuel Kant(1724 – 1804).
Para Kant:
A ação moral não pode ser motivada por interesses, conforme afirmava alguns filósofos antigos e medievais.
A ação ética deveria estar fundamentada totalmente na razão.
Todo ser humano racional seria capaz de discernir se uma atitude seria ética ou não com um simples questionamento:
Se a resposta for sim, a sua própria razão já indica o problema da ação.
1.4. ÉTICA KANTIANA
Se a atitude que estou tomando acontecer em todos os lugares, tal atitude pode prejudicar alguém?
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Kant traz a ação ética para a reflexão do sujeito que, já possui elemento interno para decidir, pela razão, se a atitude tomada foi ética ou não.
Nesse sentido, o filósofo Kant formula um dos principais conceitos de sua teoria ética: o imperativo categórico.
Para Kant, a ética encontra-se no domínio racional , isto é, a ação moral só é possível porque somos seres dotados de razão.
Esses princípios ou leis definem nossos deveres e, por isso, devem determinar as ações de todos os indivíduos, independentemente de sua cultura ou hábitos sociais.
Esse caráter universal, que caracterizava a ética kantiana, tem como fundamento o dever.
Nossa racionalidade, distribuída a todos os seres humanos de modo equânime, determina a lei moral, isto é, ela possibilita que pensemos sobre qual é a forma de agir e se o caminho escolhido pode servir como modelo para ação dos outros.
Age somente segundo uma máxima tal que possa ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal.
Kant 12
Kant discorda totalmente das correntes filosóficas do Helenismo.
De acordo com a filosofia kantiana, a felicidade não pode servir como parâmetro para a ação moral, pois trata-se de um aspecto subjetivo da vida.
Exemplos que ajudam a compreender a ética kantiana:
É ético ou antiético conversar paralelamente durante a aula?
É ético ou antiético roubar?
As pessoas, em sua maioria, quando precisam tomar uma decisão, pensam em si mesmas e como tal decisão irá beneficiá-las.
Kant propõe uma inversão no modo de olhar.
De acordo com o autor, quando houver a necessidade de agir, é preciso pensar no todo e de esta ação pode se tornar universal sem prejudicar outras ações.
Ver p. 10
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O guia central para as ações morais e se deve:
i. Agir de tal forma que a máxima da tua ação possa vir a ser uma lei universal;
ii. Respeitar a dignidade humana tanto em si mesmo como em outrem.
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Imperativo categórico
A partir do século XIX, a ética kantiana passou a ser questionada por sua demasiada valorização da razão.
Começaram a surgir teorias filosóficas que propunham uma nova reflexão sobre as questões éticas de uma forma concreta, para solução de conflitos diários.
Jeremy Bentham (1748- 1832) – o primeiro a criar uma teoria utilitarista, dentro de um contexto da revolução Industrial.
1.5. UTILITARISMO ÉTICO
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De acordo com Jeremy Bentham :
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Princípio da Utilidade
consistia em avaliar a ação humana a partir do bem e da felicidade que tal ação proporcionaria
ou da dor e do sofrimento que ela produziria.
garantir o benefício ao maior número de pessoas
Filosoficamente, pode-se resumir a doutrina utilitarista de
Bentham ao Princípio da Maior Felicidade: agir sempre a
produzir a maior quantidade de bem-estar para o maior
número de pessoas possíveis.
Ver p. 11 Outro filósofo da tradição utilitarista na ética foi Stuart Mill (1806- 1873).
Stuart Mill teorizou um utilitarismo social, renovando a ideia grega do hedonismo (busca do prazer) individual para o coletivo.
Em sua obra denominada Utilitarismo, argumenta contra toda a tentativa de fundamentar a moral em valores ou princípios absolutos.
Opõe-se claramente à ética kantiana.
As propostas filosóficas de Stuart Mill têm como objetivo fundamentar o direito e a liberdade humana, evidenciando o processo de evolução de cada ser.
A ideia de progressão do espírito humano é central na filosofia de Mill, a qual o levou a desenvolver três características principais para pautar seu trabalho ético: o hedonismo, a utilidade moral e a ideia de consequência.
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De acordo com o utilitarismo, a finalidade da vida humana é a felicidade.
Entretanto, sua concepção de felicidade é bastante particular e envolve diretamente uma busca pelo prazer e uma fuga da dor.
Essa relação direta entre felicidade e prazer é o que faz que possamos classificar a teoria utilitarista de Mill de hedonista.
É a partir da experiência de diferentes prazeres, do corpo e do espírito, que podemos encontrar a felicidade.
Os prazeres intelectuais e de alguma maneira relacionada ao espírito são considerados mais elevados e os sentimentos nobres como a amizade e a honestidade são o que permitem ao homem ser feliz.
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De acordo com o critério da maior felicidade, então podemos julgar uma ação como:
correta se ela tiver como consequência a maximização da felicidade dentre os envolvidos, e
errada se ela não leva a esse objetivo.
Ao trabalhar com o conceito de felicidade, o autor afirma que ela está ligada diretamente ao prazer e à ausência de dor.
Dessa maneira, uma ação só pode ser considerada correta se ela visa ao aumento do prazer do maior número de indivíduos possível.
A concepção utilitarista leva em consideração o resultado e as consequências de uma determinada ação.
Se o resultado de uma ação for favorável ao maior número, então a ação será moralmente correta.
Independentemente do que se tenha praticado, o valor da ação está sempre nas vantagens que foi capaz de trazer ou nas consequências da sua concretização.
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Na contemporaneidade, o raciocínio ético passa por mudanças tanto em relação à Antiguidade quanto à Modernidade.
Nesse contexto, destacam-se as ideias do filósofo Jurgen Habermas (18 de junho de 1929).
O conceito básico de sua filosofia é a teoria da ação comunicativa que sustenta a sua teoria ética do discurso.
Segundo Habermas, qualquer discussão ética precisa ser anteriormente fundamentada no diálogo e na comunicação entre os indivíduos.
Para isso, é preciso criar espaços de liberdade para que as pessoas possam expor suas opiniões.
É preciso, também, que os sujeitos se posicionem criticamente diante das normas, analisando se os sistemas político, econômico e cultural existentes satisfazem às condições éticas necessárias para a sobrevivência humana.
Desse modo, uma decisão ética pode ser tomada somente após a discussão e a expressão livre dos cidadãos que compõem um grupo.
1.6. ÉTICA DO DISCURSO
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A busca de Habermas é por decisões consensuais (aquelas que todos os indivíduos se sintam pertencentes à decisão)que legitimariam como ética as decisões tomadas como normas sociais.
Para muitos oponentes da teoria de Habermas, sua proposta ética é idealizada e não aplicável à forma de organização da sociedade.
O filósofo, todavia, argumenta que a discussão ética tem justamente essa função: a de pensar uma sociedade melhor, mesmo que ela ainda não exista na prática.
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8. VALORES E NORMAS
APOSTILA 4 - CAPÍTULO 8
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Segundo a matéria “O Mito dos 70.000 pensamentos por
dia?” ( ver p. 20) , os estudiosos da neurociências acreditam que um ser humano é capaz de produzir em torno de 20 mil pensamentos por dia.
Muitos desses pensamentos são estimulados pelo contato com outras pessoas, por circunstâncias e situações, ou de forma geral, pelos vários tipos de interações que
estabelecemos com o mundo.
Dessas interações, realizamos, também, avaliações e julgamentos, por exemplo:
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1. Os juízos
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A prova de Matemática estava difícil, pois tinha muitos cálculos.
Gosto do João porque ele é muito bonito.
Hoje, a comida da cantina estava fria.
Maria se comportou mal na aula de Física de hoje, conversou
demais.
Na vida cotidiana, estamos o tempo todo emitindo juízos, que podem ser considerados juízos de fato ou de valor.
A) Juízos de fato:
Referem-se às análises objetivas feitas sobre coisas que existem em nossa realidade empírica.
Por exemplo: emitir um juízo de fato sobre a prova de Matemática: “A prova de Matemática estava muito extensa.”
aspecto objetivo da prova : seu tamanho (número de questões)
B) Juízos de valor:
são emitidos quando atribuímos características (qualidades) que definem uma relação subjetiva com determinado objeto, situação ou pessoa.
“Prova de Matemática estava “difícil” juízo de valor expressando nossa avaliação subjetiva sobre a prova visto que cada aluno da sala pode avaliar a mesma prova ( termos de dificuldade) de modos diferentes.
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Emitir juízos sobre o mundo é uma das características que nos distinguem dos demais animais.
Isso acontece porque o ser humano se impressiona com tudo o que existe no mundo, sentindo atração ou repulsa.
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Tudo aquilo que nos tira do estado de
indiferença, da passividade, é o que denominamos valor.
Quando sentimos vontade de interagir com uma pessoa ou com algo que acontece no mundo, tanto de forma positiva quanto negativa, estamos atribuindo valor àquilo com estamos nos relacionando.
Os valores não são atribuídos somente pelas experiências do sujeito, mas herdados da família e da cultura.
Ao ensinar a dizer “obrigado” , “por favor” e não falar com estranhos na rua, transmitimos valores já estabelecidos pela comunidade.
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Do conjunto de valores de uma sociedade são formadas as normas, que são a reunião de direitos e deveres aceitos em uma sociedade.
É importante diferenciarmos, nesse momento, a norma da lei.
Norma e lei são usadas comumente como expressões equivalentes,
Mas a lei seria o ato que atesta a existência da norma que o direito vem reconhecer como de fato existente em uma cultura social.
LEI NORMA
É abstrata,
Seu cumprimento obrigatório por todos os indivíduos de uma sociedade.
É uma conduta a ser seguida.
Não é obrigatória.
Norma
Não é uma imposição se pensarmos que ela é resultado de um acordo,
Ela existe em decorrência de valores já aceitos em determinada sociedade ou instituição social.
Sendo um produto da cultura, as normas não são universais, uma vez que vão se modificando ao longo da história da humanidade.
Assim, como podem ser diferentes de acordo com o local em que foram criadas ou apropriadas.
Os padrões de certo e errado são estabelecidos em consonância com o conjunto de valores e normas cultivados em determinada sociedade.
Se alguém fere uma norma, certamente sua ação será julgada como ruim/
errada/injusta pelos demais.
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Nesse sentido os valores reconhecidos como bons passam a ser admirados e valorizados nas pessoas que possuem tal comportamento.
A criança que agradece o
presente de Natal dos tios é parabenizada.
Quando agimos em padrões diferentes do esperado pela norma, estamos sujeitos a sanções, punições.
O castigo dos pais a uma criança que age em desacordo com o esperado
Não só na família, mas também na sociedade o sujeito está ligado a valores, normas e sanções.
Sanção: significa aplicar penalidade por determinadas condutas que violem disposições legais,
regulamentos, usos ou costumes, ou criar restrições e proibições que cerceiam a liberdade de conduta.
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Tirar a vida de outro ser humano, por exemplo, é considerado um erro, visto que a norma social é a preservação da vida.
A prisão é a sanção para aqueles que agem contra esse valor.
A sanção funciona como um limite, um aviso de que aquele valor familiar ou comunitário está sendo desrespeitado.
Assim, valor, norma e sanção são conceitos que caminham juntos na construção de qualquer comunidade.
Ver apostila p. 21
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2. A moral
O valor moral, para a maioria dos povos do globo, não é o mesmo.
É comum vermos conflitos entre as nações por cauda disso.
Aquilo que é considerado certo no mundo ocidental pode ser errado na cultura oriental e vice-versa.
O uso da burca pela mulher no mundo islâmico, por exemplo, mais do que obrigatório, é a representação de valor sobre o feminino.
Já na cultura ocidental, a obrigação de certo tipo de vestimenta para o uso da mulher é considerada como forma de opressão e controle sobre o sexo feminino exercido dentro de uma cultura patriarcal e machista.
Perguntas do tipo, fazem parte do cotidiano e representam a força que o aspecto moral possui sobre as ações humanas.
Certo e errado são valores morais e, por isso, não são universais, mudando de cultura para cultura.
“O que é certo?
Qual atitude devo tomar?
Por que tenho que fazer isso se não quero?
Como realizarei o que quero sem prejudicar alguém?
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Historicamente, a criação dos valores e normas e o julgamento moral sobre o cumprimento ou não desses acordos foram de extrema importância para a sobrevivência do ser humano.
Existe uma diferença entre norma e moral que deve ficar clara.
Enquanto na moral
Normas Moral
Podem ser aceitas ou recusadas externamente.
Tem caráter social.
Existem para cuidar das ações
humanas em primeiro plano e, em função destas, quando
necessário, investigar o que é passível de punição na ação contrária ao estabelecido na sociedade.
Só existe quando internalizada pelo indivíduo.
É ao mesmo tempo individual e social.
Há uma preocupação pela vida interior das pessoas, sendo o
julgamento sobre o certo e o errado referente à consciência individual.
Ver apostila
p. 23 10
3. Responsabilidade e dever
Qualquer ação que tomamos afeta pessoas ao nosso redor.
Par entender a distinção entre ato moral, e imoral, precisamos, antes, entender as três características da ação moral:
Característica 1: Consciência.
Toda atitude tomada só pode ser moral se o sujeito da ação reconhece o que está fazendo, sabendo das consequências de sua atitude.
Característica 2: Intenção.
Toda atitude tomada só pode ser considerada moral se ela tiver sido feita intencionalmente, e não somente por reação ou obrigação.
Característica 3: Responsabilidade.
Toda atitude tomada só pode ser moral se for compromissada com a comunidade em que vivemos. Um ato moral deve ser aquele no qual o agente responde por suas ações, ou seja, tem consciência de seus atos e intenção em fazê-los. O indivíduo deve, desse modo, sentir-se responsável por suas escolhas – independentemente dos seus resultados (positivos ou negativos; esperados ou inesperados).
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A partir da junção da consciência da atitude, da liberdade de escolha e da responsabilidade por seus semelhantes à atitude moral, cria-se um compromisso, uma obrigação ou, como denominamos na Filosofia, um dever.
AÇÃO MORAL
CONSCIÊNCIA
INTENCIONALIDADE
RESPONSABILIDADE
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É a obrigação que não nos é imposta externamente, mas sim escolhida livremente por quem opta por agir moralmente.
Para o senso comum, liberdade e dever são considerados opostos, mas, do ponto de vista filosófico, trata-se justamente do contrário.
Agimos por dever a partir do momento em que somos livres para escolher qual ação iremos tomar.
O dever , é portanto, o resultado direto da liberdade.
Por poder agir conscientemente, livremente e em comunidade, criamos um compromisso conosco em cumprir o que queremos.
Exemplo: ver p. 24
A atitude descrita pelo exemplo cumpre as características de uma ação moral, pois além de ser consciente, intencional e responsável, provoca efeito positivos não só em você , mas em toda a sala.
DEVER
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A decisão foi livre, mas gerou uma obrigação: estudar e prestar atenção à aula.
Essa é a principal característica da atitude moral: a responsabilidade implica deveres que são realizados não como pesos, mas como escolhas de cada indivíduo.
A ação moral, portanto, pressupõe obediência às decisões que nós mesmos, livremente, escolhemos para nós.
Eu posso falar que vou fazer tudo isso, mas, na hora de agir, não consigo estudar nem resisto à conversa com o meu colega!”
Sim é verdade! Agora você entende a diferença final entre um ato moral e um ato imoral.
Cumprir as decisões que escolhemos livremente é o que faz nossa consciência definir que agimos moralmente, enquanto o ato de
desobedecermos a compromissos que nós mesmos queríamos respeitar é o que nos faz sentir que tomamos uma decisão imoral.
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Assim, liberdade, responsabilidade e dever são características humanas que caminham juntas quando optamos por agir
moralmente.
O indivíduo adulto tem possibilidade de questionar as
imposições da cultura (suas normas, por exemplo), ou seja, o desenvolvimento da autonomia possibilita a ação que tem em vista sua própria consciência moral.
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4. DESEJO E VONTADE
À medida que vamos crescendo e nos tornando adultos, muitos questionamentos passam pela cabeça.
Principal dúvida: “Afinal, o que eu realmente quero?”
Essa questão se relaciona com outra característica da ação moral .
O ser humano, por sua capacidade de pensar e refletir, tende a antecipar as atitudes que irá tomar e, assim, projetar os acontecimentos e resultados que quer alcançar.
Por exemplo: alguém deseja fazer uma viagem, precisa planejá-la com
antecedência, caso contrário, essa pessoa será a responsável por qualquer imprevisto decorrente da falta de planejamento.
Assim acontece com todas as decisões que tomamos, planejamos o que queremos fazer para poder alcançar os melhores resultados possíveis.
A ação moral também se comporta dessa maneira por se tratar de um alvo voluntário, por excelência, no qual o sujeito livre opta, por sua vontade, em realizar determinado objetivo. Que acha justo.
Assim, a ação moral é, por definição, um ato de vontade.
Quando somos mais inexperientes na vida, tendemos a confundir nossos desejos com nossas vontades.
Esses dois conceitos são bem diferentes.
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42 DESEJO VONTADE
Aquilo que chega à nossa mente de uma forma muito rápida e com muita
expectativa de realização.
Sinto um cheio no forno e quero comer o que está assando;
Vejo um brinquedo na vitrine e quero possuí-lo ;
Gosto da minha mãe quero ficar com ela o dia inteiro.
Esses são exemplos de impulsos que possuímos durante a vida.
Não se comporta da mesma maneira que o desejo por um simples detalhe: a reflexão.
A reflexão pode se manifestar, por exemplo, na previsão, na ponderação e na
precaução das consequências da ação.
A reflexão orienta se aquele desejo é possível, justo e bom, transformando um impulso inconsciente em formas de
alcançar ou desistir daquele desejo.
Es estamos com muita fome e há algo assando no forno, esperamos até que o processo de produção do alimento se
complete, em vez de abrirmos logo o forno e comermos o alimento cru e
demasiadamente quente.
De uma forma geral, podemos dizer que o desejo se manifesta sem controle, mas a vontade, não.
Assim, os seres humanos que optam por agir de forma moral tendem a transformar seus desejos em vontade, pois sua racionalidade possibilita que ajam além da satisfação dos seus instintos – como fazem os animais.
Não controlar o impulso do desejo é a própria negação do agir moral.
Assim, agir moralmente é refletir sobre os desejos, transformando alguns em vontades, que necessitam de planejamento para serem alcançados, mas também rejeitando os desejos que não são uteis ou bons, após a análise da consciência.
Esse é um dos fatores que garantem a sobrevivência de uma sociedade.
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5. CONVÍVIO SOCIAL
Conviver em sociedade é um desafio para todos os seres humanos .
As pessoas, por serem diferentes em formação familiar, personalidade e cultura, frequentemente possuem interesses divergentes.
Uma das maiores dificuldades humanas é, portanto, saber lidar com duas esferas da vida: a pública e a privada.
Por vezes, agimos no coletivo de uma forma injusta por não sabermos os limites de convivência sadia.
Ouvir uma música em seu quarto com o volume alto, por exemplo, pode ser moralmente correto se não incomodar os vizinhos ou outros familiares, mas escutar música sem fones de ouvido em um transporte coletivo,
inevitavelmente, incomodará alguém.
Viver em sociedade é possuir o discernimento moral e saber, para preservar a liberdade, os deveres tanto quanto os direitos.
Só a partir desse exercício de cidadania diário podemos nos tornar sujeitos com atitudes morais.