TÍTULO: A IMPORTÂNCIA DA APRESENTAÇÃO DE TEMAS AMBIENTAIS NA EDUCAÇÃO INFANTIL E NO ENSINO FUNDAMENTAL
TÍTULO:
CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:
ÁREA: CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS ÁREA:
SUBÁREA: PEDAGOGIA SUBÁREA:
INSTITUIÇÃO: FACULDADES INTEGRADAS DE BOTUCATU INSTITUIÇÃO:
AUTOR(ES): MARIANA CASSIMIRO MARTIN, RENATA FERREIRA RODRIGUES MOTA AUTOR(ES):
ORIENTADOR(ES): VANIA TERESA DE ARAUJO SILVA ORIENTADOR(ES):
COLABORADOR(ES): ELDER CÂNDIDO DE MATTOS COLABORADOR(ES):
2. INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas o meio ambiente vem sofrendo alterações - decorrentes da poluição, da degradação do meio, da extinção de espécies, entre outros fatores - que comprometem a vida no planeta e poderão torná-lo inabitável no decorrer dos anos. Para mudar esse cenário, é necessário um modelo de educação ambiental, que conscientize a sociedade da importância da preservação do meio e amenize os impactos ambientais que já ocorreram.
Os modelos de educação até então implantados não atingiram seus objetivos, pois conforme Silva e Leite (2008) o ser humano deslumbrado pelos avanços tecnológicos tem se esquecido da importância do sistema natural em que faz parte e negligenciado no que diz respeito à educação voltada para o meio ambiente.
Visto que a educação influencia diretamente na construção de uma consciência transformadora, é necessário repensar nos processos educativos escolares voltados para educação ambiental, para que estes tenham uma consolidação efetiva na sociedade em formação.
De acordo com Marçal (2005) apud Gama e Borges (2010), a escola é o local onde se privilegiam discussões socioambientais e se oferecem condições capazes de promoverem mudanças nos valores pessoais de cada aluno, ajustando suas atitudes à realidade, formando cidadãos críticos que assim possam contribuir para a proteção do meio ambiente e melhora da qualidade de vida. Mas para que isso se efetive, a educação processada na escola deve abranger todos os aspectos do tema.
Sendo assim, como ensina Ribeiro e Profeta (2004) a educação escolar vem como uma das principais formas de se abordar e divulgar os princípios da Educação Ambiental, abrangendo todos os níveis de ensino, mas com enfoque especial no ensino infantil, pois é nessa fase do desenvolvimento que se encontra a formação inicial de conceitos e valores do cidadão.
A proposta de uma educação ambiental voltadas para os primeiros anos da formação do indivíduo pode ser observada no Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (BRASIL, 1998) – O conhecimento do mundo, vol.3; e nos Parâmetros Curriculares Nacionais para Educação Ambiental para o Ensino Fundamental (Meio Ambiente e Saúde) (BRASIL, 1997).
Entre as diversas formas de trabalhar a educação ambiental, seja na educação infantil ou na fundamental, o importante é trazer ao conhecimento do aluno as questões ambientais e a apresentá-las de forma lúdica, interacionista e problematizada.
“Nesse contexto, percebe-se que são muitas as maneiras de se trabalhar a Educação Ambiental na esfera escolar, sem que esta necessite ser de maneira formal, mas no cotidiano da sala de aula, aproveitando que as crianças são facilmente seduzidas pelo meio que as cerca. A união da Educação Ambiental e da Educação Infantil é primordial para criar uma nova geração que conheça e compreenda a natureza, tratando-a com respeito e admiração, reconhecendo-se parte integrante dela” (SCARDUA, 2009).
Atualmente, o professor precisa, para manter o ambiente de ensino e a aprendizagem interessante, de algo motivador. Assim, nos últimos anos, tem se presenciado cada vez mais nas salas de aula o uso de jogos educativos, visto que estes contribuem na aprendizagem pela manipulação de grandes informações, seja através de imagens, textos, sons ou outras formas. (CALISTO et al., 2010).
Desta forma, o jogo também pode ser um eficiente recurso pedagógico utilizado para as atividades de Educação Ambiental, uma vez que, seu ambiente lúdico privilegia a promoção da aprendizagem, no processo de construção do conhecimento. Esse meio educacional lúdico, educativo e pedagógico, auxilia no processo de aprendizagem, pois estimula o interesse do aluno, traz desenvolvimento pessoal e social, além de levar possibilitar ao educador conduzir estímulos e avaliar a aprendizagem. (PATRIARCHA-GRACIOLLI et al., 2008).
Sem deixar de lado a evolução tecnológica, com sua grande importância atual, é possível trabalhar as questões ambientais através do uso de softwares que se transformam em ferramentas educacionais, trazendo para o ambiente virtual as consequências que um ato nocivo à natureza possa acarretar, permitindo assim, a conscientização ambiental e proporcionando o entretenimento interativo. (CALISTO et al., 2010)
3. OBJETIVOS
Este trabalho teve por objetivo avaliar a importância da introdução do estudo de temas ambientais as crianças, identificar qual a idade mais apropriada para a sua apresentação, além de questionar de qual forma esses temas deveriam ser apresentados.
4. METODOLOGIA
O trabalho foi desenvolvido no período de março a agosto de 2017, constando de uma pesquisa bibliográfica, da elaboração de jogos com temática ambiental e uma pesquisa de campo desenvolvida na disciplina de Educação Ambiental, realizada por alunos do 3º semestre do Curso de Pedagogia.
Em primeiro lugar foram pesquisados os aspectos ecológicos do Meio Ambiente, as representações sociais dos alunos da disciplina e os diversos aspectos que permeiam o estabelecimento de um programa de Educação Ambiental. A pesquisa de campo utilizou-se de um questionário com questões abertas e fechadas, visando compreender basicamente como os professores e alunos do curso de Pedagogia veem a apresentação dos temas ambientais, assim como a forma de fazê-lo.
O questionário semiestruturado articulou perguntas fechadas, que pressupõem perguntas previamente formuladas, e abertas, onde os pesquisados tiveram a possibilidade de discorrer sobre o tema proposto, sem respostas ou condições prefixadas pelos pesquisadores. As questões propostas foram elaboradas com base em GIL (1999) e MINAYO (2002). Além disso, foram acrescentadas questões de interesse dos autores. A população deste estudo se constituiu de 09 professores que ministram aulas para os diferentes semestres do Curso de Pedagogia e de 75 alunos do mesmo Curso. Para identificar as opiniões dos participantes, optou-se pela linha de pesquisa qualiquantitativa. A escolha deste método foi motivada pela compreensão de que a pesquisa qualiquantitativa, não só permite a obtenção de novos conhecimentos no campo da realidade social (Gil, 1999), como também diz respeito à possibilidade concreta de tratar-se de uma realidade da qual, somos agentes de transformações diante de nossas interações sociais (MINAYO, 2002). Após a aplicação do questionário, os dados constituíram um banco de dados no programa Excel. Calculou-se a porcentagem das respostas às questões dos alunos e professores do 2º, 4º, 6º e 8º semestres. Os dados mais expressivos (maior que 60%) passaram a constituir objeto da atenção nesta pesquisa.
Dentro das atividades da disciplina de Educação Ambiental oferecidas ao 3º semestre do Curso de Pedagogia foi proposta a elaboração de jogos e atividades lúdicas para apresentar os temas ambientais para crianças da Educação Infantil e do Ensino Fundamental. Os grupos formados em sala elaboraram um jogo com guia de atividades, com o objetivo de orientar os “jogadores”. Utilizando a estratégia de jogos, porém com objetivo diverso, qual seja para serem utilizados como ferramentas de auxílio às diversas atividades de campo e ainda em eventos de grande público a Fundação Mamirauá (2014) desenvolve os seguintes jogos: Trilha ecológica, Jogo da Memória – interação entre animais e floresta, Jogo da Memória – fauna e flora das reservas Mamirauá, Jogo quebra cabeça – Sistema Agroecológico, Jogos de erros e acertos – Atitudes responsáveis.
Os jogos elaborados pelos alunos do Curso de Pedagogia foram: Quebra Cabeça – Água é Vida; Jogo de Trilha – Lixo; Jogo do Lixo Reciclável; Jogo da Memória – Água; Jogo de Dominó – Ar.
Na pesquisa, procurou-se primeiramente analisar a opinião dos participantes sobre em que momento os temas ambientais devem ser apresentados às crianças tendo em vista a necessidade de ações futuras para modificação das abordagens que até o momento tem sido feitas (SCARDUA, 2009).Uma vez que os participantes são professores em atuação profissional ou futuros professores, a participação na
pesquisa possibilita desde já, um raciocínio sobre o assunto, que irá se refletir na prática pedagógica destes profissionais.
Em seguida, analisou-se de que forma estes temas ambientais devem ser apresentados uma vez que, conforme tem sido indicado por HEN e BASTOS (2008) trabalhar a Educação Ambiental torna-se relevante quando esse trabalho é diferenciado em relação ao que se presencia nos currículos e nas práticas escolares das instituições, o qual se restringe a ser esporádico, superficial e equivocado, subjugando o próprio sujeito “criança” como um ser que não irá entender conceitos mais elaborados e com isso, nega o próprio diálogo em volta de informações que possibilitam a reflexão das mesmas.
Através dos resultados obtidos ficou constatado que a maioria dos entrevistados entendem a importância de se começar a trabalhar desde cedo os assuntos ambientais e que sua apresentação deve se dar de forma lúdica e que envolva, também, situações problemas.
A análise dos dados contidos na figura 1 demonstram que a maioria dos entrevistados (72%) consideram que os temas ambientais devem ser apresentados aos escolares a partir da pré-escola aos 4 anos de idade.
FIGURA 1 – A partir de que momento os temas ambientais devem ser apresentados (%). 72% 20% 8% 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
Pré-escola 4 anos Pré-Escola 5 anos E. Fundamental - 6 a 10 anos
V al o res em p o rc en ta ge m (%)
Conforme observado na figura 2, os resultados apresentados indicam que 94% dos pesquisados tem jogos e brincadeiras como a melhor forma lúdica de introdução dos temas ambientais.
Como sugestão para a apresentação desses temas, alguns entrevistados, indicaram a importância de outras formas, além daquelas apontadas no questionário, descritas como cartazes, histórias, aula de campo, vídeos, vivências e filmes.
FIGURA 2 – A introdução dos temas ambientais deve ser feita de forma lúdica, envolvendo Jogos e Brincadeiras, Cartazes, Histórias, Aula de Campo, Vídeos, Vivências e Filmes (%).
Quantos aos dados obtidos na figura 3, sobre temas ambientais mais importantes no ensino fundamental, verifica-se que os entrevistados em sua maioria (70%) definiram que todos os temas abrangentes no questionário tinham relevância e assinalaram essa questão.
94% 1% 1% 1% 1% 1% 1% 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Jogos e Bincadeiras
Cartazes Histórias Aula de Campo Vídeos e
brincadeiras Vivências Filmes V al o re s e m p o rc e n ta ge m (%)
FIGURA 3 – Temas ambientais mais importantes no Ensino Fundamental (%)
Na figura 4, os dados coletados apontam que 73% das respostas assinaladas pelos entrevistados, consideram a alternativa que demonstram a importância da utilização de jogos para a apresentação da questão ambiental aos escolares, como uma técnica que pode ser usada como motivadora da aprendizagem.
FIGURA 4 – Importância da utilização de jogos tanto na pré-escola quanto no ensino fundamental (%) 19% 4% 4% 4% 70% 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
Meio Ambiente Sustentabilidade Proteção Ambiental Biodiversidade Todos V al o re s em p o rc en ta ge m (%) 25% 73% 1% 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
Técnica associada a outras Motivadora da aprendizagem Não é importante V al o re s e m p o rc e n ta ge m (%)
Quanto à análise do gráfico demonstrado na figura 5, sobre a abrangência de situações problemas do meio ambiente nos jogos, 66% das respostas obtidas indicaram que devem apresentar alguma situação problema, mas não somente isso.
FIGURA 5 – Utilização de situações problema nos jogos (%). 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Compreender a importância das questões ambientais e assimilar formas de conservação do meio que se vive, devem fazer parte vida escolar das crianças, principalmente na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, para que essas atitudes sejam incorporadas no cotidiano dessas crianças e surtam efeitos que beneficiem o meio ambiente e modifiquem a crise ambiental existente.
Saber o momento e a forma correta de apresentar esses temas aos alunos, também é de fundamental importância, não só para a formação de profissionais da educação capacitados a transmitir esses conhecimentos, mas que contribuam para a transformação da realidade socioambiental de todos.
8. REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Meio Ambiente e Saúde v. 3. Brasília: MEC, 1997.
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: 1998. v. 3.
66% 33% 1% 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100
Sim, não apenas Sim, sempre Não é preciso
Val o re s e m p o rc e n tagem (% ) Pressupostos analisados
CALISTO, A.; BARBOSA, D.; SILVA, C., Uma análise comparativa entre jogos
educativos visando a criação de um jogo para educação ambiental.
Departamento de Ciências Exatas, Centro de Ciências Aplicadas e Educação Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Disponível em:
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