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Rev. bras. ortop. vol.52 número5

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(1)

SOCIEDADE BRASILEIRA DE ORTOPEDIA E TRAUMATOLOGIA

w w w . r b o . o r g . b r

Artigo

Original

Estudo

comparativo

dos

ângulos

radiográficos

e

tomográficos

na

epifisiolistese

do

fêmur

proximal

Iberê

Pereira

Datti

,

Bruno

Sérgio

Ferreira

Massa,

Leandro

Ejnisman,

Nei

Botter

Montenegro,

Roberto

Guarniero

e

Kodi

Edson

Kojima

UniversidadedeSãoPaulo,FaculdadedeMedicina,HospitaldasClínicas,DepartamentodeOrtopediaeTraumatologia, SãoPaulo,SP,Brasil

informações

sobre

o

artigo

Históricodoartigo:

Recebidoem19dejunhode2016 Aceitoem26dejulhode2016

On-lineem21dejaneirode2017

Palavras-chave:

Escorregamentodasepífises proximaisdofêmur/radiografia Tomografiacomputadorizadapor raiosX

Articulac¸ãodoquadril/radiografia

r

e

s

u

m

o

Objetivo:Compararângulos radiológicos dofêmur proximalempacientescom escorre-gamentoproximaldacabec¸a dofêmur (EPCF)e analisarsea avaliac¸ão portomografia computadorizadapodemodificaraconduta.

Método:Estudo transversal que comparou e analisou a concordância entre ângulos e classificac¸õesradiológicasdeinteressenoescorregamentoproximaldacabec¸adofêmur (EPCF).

Resultado:Observou-sequeacondutaterapêuticanaEPCFpodesermodificadaadepender daclassificac¸ãoadotadaedométododeaquisic¸ãodeimagensradiológicas.

Conclusão:Aavaliac¸ãomultiplanardadeformidadedofêmurproximalempacientescom escorregamentoproximaldacabec¸adofêmuréumaopc¸ãoviávelecompotencialde modi-ficaraclassificac¸ãodadoenc¸anospacientese,porconseguinte,amodalidadeterapêutica. ©2016SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublicadoporElsevierEditora Ltda.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http:// creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

A

comparison

study

of

radiographic

and

computerized

tomographic

angles

in

slipped

capital

femoral

epiphysis

Keywords:

Slippedcapitalfemoral epiphyses/radiography X-Raycomputedtomography Hipjoint/radiography

a

b

s

t

r

a

c

t

Objective:To compareproximalfemur radiologicangles inpatientswith slippedcapital femoralepiphysisandtoanalyzewhethercomputerizedtomographymaymodifythe tre-atment.

Methods:Cross-sectionalstudycomparingandanalyzingthesimilaritybetweenanglesand radiologicclassificationofinterestinslippedcapitalfemoralepiphysis(SCFE).

TrabalhodesenvolvidonaUniversidadedeSãoPaulo,FaculdadedeMedicina,HospitaldasClínicas,DepartamentodeOrtopediae Traumatologia,SãoPaulo,SP,Brasil.

Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](I.P.Datti). http://dx.doi.org/10.1016/j.rbo.2016.07.015

(2)

Results:Itwasobservedthatthetherapeuticmanagementinslippedcapitalfemoral epiphy-sismightbemodifieddependingontheclassificationandradiologicacquisitionmethod adopted.

Conclusion: Multiplanarassessmentofproximalfemoraldeformityinpatientswith slip-pedcapitalfemoralepiphysisisaviableoption,withthepotentialtomodifythedisease classificationand,consequently,thetherapeuticmanagement.

©2016SociedadeBrasileiradeOrtopediaeTraumatologia.PublishedbyElsevierEditora Ltda.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense(http:// creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).

Introduc¸ão

Oescorregamento proximalda cabec¸adofêmur(EPCF)é a doenc¸adequadrilmaisprevalentedaadolescência.1É

carac-terizadaporumdistúrbionafise,quecausaescorregamento anterior erotac¸ão externa docolo do fêmur emrelac¸ão à cabec¸afemoral,quepermanecenoacetábulo.2 Aetiologiaé

multifatorial,sendoconsideradaaobesidadeoprincipalfator etiológico.1,3

O diagnóstico precoce eo tratamento adequado podem diminuiraincidênciadecomplicac¸õeseperdafuncional.4–11

Exames deimagem sãoindispensáveis paraaconfirmac¸ão diagnósticaeclassificac¸ãodadoenc¸a.Radiografias(RX) ante-roposteriordebaciaeRXemperfiltipoLauensteincostumam sersuficientesparaconfirmac¸ãodiagnósticaeclassificac¸ão. A tomografia computadorizada (TC) e a ressonância mag-nética (RM) são úteis em casos graves, para determinac¸ão dofechamentodafise,dosdesviosangularesetorcionaise indicac¸ãodeosteotomias.12,13

Casoslevessãotratadospelatécnicadefixac¸ãopercutânea

insitucomparafusocanulado.14Porém,aliteraturarecente

temdefendidomedidasmaisagressivasnotratamento. Escor-regamentos moderados e graves podem ser tratados com diversastécnicas,comoareduc¸ãododeslizamentoseguida porfixac¸ão,ouosteotomiascorretivasnaregiãoproximaldo fêmur.15–19

Acondutaterapêuticadependedaclassificac¸ãoradiológica dagravidadedapatologia.Classificac¸õesradiológicas impor-tantesincluemoângulodeescorregamentodeSouthwick16e

oângulocolo-cabec¸adescritoporCohenetal.20Recentemente

Cooperetal.21demonstraramqueadeformidade

tridimensio-nalcausadapelaEPCFpodesermaisbemdeterminadacoma avaliac¸ãodadeformidadenoplanooblíquo.Ummétodo opci-onal,queconsideraaporcentagemdedeslizamentoentrea cabec¸aeocolodofêmur,foipropostoporWilson,22mais

indi-cadoparadesviospequenos.

Aexperiência clínicados autoresvai de acordocom os achadosdeMonazzanetal.13eTinsetal.,12osquais

descre-veramqueasradiografiasbiplanaressubestimamagravidade daEPCFquandocomparadascomatomografia.Richoltetal.23

sugerem que a avaliac¸ão radiográfica superestima desvios angularesesubestimadesviostorcionais.Ahipótesedo pre-senteestudoéqueaavaliac¸ãodaEPCFpormeiodaTCpode alteraraclassificac¸ãodoescorregamentoeinterferirna tera-pêutica.Nossoobjetivofoicompararosângulosobtidospela radiografiasimpleseTCeavaliarseaTCalterariaaconduta terapêuticanaEPCF.

Material

e

métodos

Apósaprovac¸ãopeloconselhodeéticafez-seolevantamento retrospectivodospacientesquereceberamcomodiagnóstico dealtaEPFC(CIDM93)entrejaneirode2011emaiode2014. Nesseperíodo,asolicitac¸ãodeTCeRXpré-operatórios pas-souaserrotinadonossoservic¸oparaospacientesadmitidos comahipótesediagnósticadeEPCFcandidatosaosteotomia deDunn.Emseguidafoifeitoolevantamentodasimagens radiológicasarmazenadasnosistemadeimagensdo hospi-tal.ForamexcluídosospacientesquenãotivessemTCouRX disponívelnosistema.Asmedidasdosângulosdeinteresse foramtomadasporumortopedistaespecialistaemquadril, cegadoemrelac¸ão àidentificac¸ão eaosdadosclínicosdos pacientes. As medidas radiográficas e tomográficas foram tomadasseparadamente.

ÂngulodeSouthwick(ângulocabec¸a-diáfisefemoral

ACDF)

O ângulode Southwickémedidoentre aperpendicular da linhaquetangenciasuperioreinferiormenteafiseproximal dofêmureoeixoanatômicodadiáfisedofêmur16(fig.1).Paraa

medidadoACDFnasimagenstomográficasadotou-semétodo propostoporSouthwickquetemcomopadrãooscortes coro-nalesagital,perpendicularesentresi.Paraavaliac¸ãodoplano coronaltomou-secomoimagemdereferênciaocortecomo maiordiâmetrosubtrocanterianoeparaavaliac¸ãodoplano sagitalforamsobrepostosdoiscortesdaTC,umcomomaior diâmetrofisárioeoutrocomomaiordiâmetro subtrocanteri-ano(fig.2).Apósaobtenc¸ãodosângulosemambososplanos, odesviotridimensionaldadiáfisefemoralemrelac¸ãoàcabec¸a femoralfoiestimadoportrigonometria24(fig.3A).

PlanooblíquodeCooper(ângulocabec¸a-colofemoral

ACCF)

O AACF éo ângulo entre o eixode colo femorale o eixo epifisário.20Oeixodocolofemoralédeterminadopelalinha

que conecta três pontos equidistantes entreas superfícies inferior e superior do colo femoral.25 O eixo epifisário é

determinado pela linha perpendicular bissectora entre um ponto situado na extremidade anterior da epífise femoral e um ponto situado na extremidade posterior da epífise femoral.20 Optamos por comparar o modelo proposto por

Cooperetal.,21emqueoplanocoronalédeterminadopelo

(3)

Figura1–ÂngulodeSouthwicknoRX-AP.

Ângulo: 38,19º/321,81º

Figura2–ÂngulodeSouthwick(ângulocabec¸a-diáfise femoral–ACDF)peloplanosagitaldaTC.

a) ACDF – 3D = tan–1 tan2 ACDFplano coronal + tan2 ACDFplano sagital

b) ACCF – 3D = tan–1 tan2 ACCFplano coronal + tan2 ACCFplano axial

c)ECCW =1 – (ECCWplano axial × ECCWplano coronal)

Figura3–a)fórmulatrigonométricaparadeterminaro ângulocabec¸a-diáfisefemoraltridimensional;b)fórmula trigonométricaparadeterminaroângulocabec¸a-colo femoraltridimensional;c)fórmulatrigonométricapara determinaroescorregamentocabec¸a-colodeWilson tridimensional.

Figura4–Ângulocabec¸a-colofemoral(ACCF)pelocorte coronaldaTC.

Figura5–Ângulocabec¸a-colofemoral(ACCF)pelocorte axialdaTC.

(4)

B: 21,4mm

C: 29,0mm

B: 26,9mm A: 4,6mm

A

B

Figura6–A,Escorregamentocabec¸a-colodeWilsonnoplanoaxialdaTC;B,Escorregamentocabec¸a-colodeWilsonno planocoronaldaTC.

Escorregamentocabec¸a-colodeWilson(ECCW)

Agradac¸ãododeslizamentopropostaporWilsonconsistena relac¸ãoentreadistânciadamargemsuperiordocolofemoral àmargemsuperiordacabec¸afemoraleaodiâmetrodocolo femoral.Determinou-seodeslizamentodemaneira tridimen-sional.Estimou-seaporcentagemdocontatocolo-cabec¸anos planosaxial(fig.6A)ecoronal(fig.6B),tomou-secomopadrão ocortecomamaioráreadocolofemoral.Apósaobtenc¸ão dessesdados, oprodutoentreelesfoiobtidopara determi-narocontatotridimensional.Odeslizamentotridimensional éonúmerocomplementarnecessárioparachegara1(100%) (figs.3Ce7).

Avaliac¸ãodasimagenseanáliseestatística

Osdados foramanalisadoscom oauxílio dosoftware esta-tístico STATA 11 (Stata Corporation, College Station, EUA). Aconcordânciaentreasvariáveis categóricasfoifeita com otesteKappa.As variáreiscontínuasforam avaliadascom testetpareado,apósconfirmac¸ãodenormalidadecomoteste deKolmogorov-Smirnov.Olimitedesignificânciaestatística usadofoi0,05.

A avaliac¸ão dos ângulos de Southwick foi feita por: 1. Classificac¸ão categórica em três grupos de acordo com a diferenc¸a entre o ângulo encontrado e o padrão de nor-malidade: escorregamento leve (0 a 30◦), escorregamento moderado(30 a 50◦), escorregamento grave (maior doque 50◦);13,26 2.Classificac¸ãocontínuasegundooângulomedido.

ECCW = 1 – (ECCWplano axial × ECCWplano coronal)

ECCW = 1 – [(4,6/21,4) × [(26,9/29)]

ECCW = 1 – [0,21 × 0,92]

ECCW = 1 – 0,19 ECCW = 0,81 = 81%

Figura7–Métodomatemáticoparadeterminaro escorregamentodeWilsondemaneiratridimensional.

Sãoconsideradosvaloresdenormalidade145◦noRX-APe10◦ noRX-Perfil.27

A avaliac¸ãodoplano oblíquode Cooperfoi feitapor: 1. Classificac¸ão categóricaemdoisgrupos conformeo ângulo encontrado:escorregamentoleve(menordoque50◦), escor-regamentograve(maiordoque50◦).21

As diferenc¸as obtidas para o ECCW foram classifica-das de maneira contínua e categórica. A classificac¸ão categórica conforme proposta por Wilson et al.:28

escorre-gamentoleve(0-33%),moderado(33-50%)egrave(maiordo que50%).

Resultados

Foramavaliados26quadrisem21pacientes(tabelas1–6).

PlanooblíquodeCooper

Não houve diferenc¸a significativa entre os dois métodos comparados(p=0,59)eambosapresentaramboacorrelac¸ão (r=0,93)eboaconcordância(kappa=0,81).Apenasumcaso dos26avaliadosteveaclassificac¸ãoalteradadegraveparaleve quandoseoptoupelométododemedic¸ãopeloplanocoronal daTC.

EscorregamentodeWilson

Osescorregamentosobtidosnaavaliac¸ãotridimensional[85 (71,2-98,8)%]sãosignificativamente(p<0,001)maioresdoque osencontradosnosRX-AP[31,3(20,2-42,4)%]eRX-Perfil[44,2 (34,1-54,3)%].Aconcordânciaentreaclassificac¸ãoporTCe RXfoifraca(kappa=0,216).Noscasosconsideradoslevesou moderadosnaavaliac¸ãouniplanar,80% foramclassificados comogravepelaavaliac¸ãobiplanar.

ÂngulodeSouthwick

(5)

Tabela1–Análisedescritiva

Sexo

Masculino 14

Feminino 7

Lateralidade

Direito 14(53,8%)

Esquerdo 12(42,2%)

Acometimentobilateral 5

Meninos 4(28,57%)

Meninas 1(14,28%)

Idade 13,7(12,9-14,5)anos

Meninos 13,9(13,1-14,8)anos Meninas 13,2(11,1-15,3)anos

PlanooblíquodeCooper

RX-AP/TCaxial 70,3(62,5-78,0)◦

TCcoronal/TCaxial 71,0(64,3-77,7)◦ Escorregamentocolo-cabec¸adeWilson

TC(3D) 85,0(71,2-98,8)%

RX-AP 31,3(20,2-42,4)%

RX-Perfil 44,2(34,1-54,3)%

ÂngulodeSouthwick

TC(3D) 47,9(38,0-57,8)◦

RX-AP 19,5(9,7-29,3)◦

RX-Perfil 51,5(43,8-59,2)◦

Tabela2–Análisedescritiva

Leve Moderada Grave

Classificac¸ãopeloplanooblíquodeCooper

-RX-AP/TCaxial 3 - 23

TCcoronal/TCaxial 4 - 22

Classificac¸ãodeWilson

TC(3D) 1 2 23

RX 5 10 11

Classificac¸ãodeSouthwick

TC(3D) 8 6 12

RX 3 6 17

no RX-Perfil [51,5 (43,8-59,2)◦]e pela avaliac¸ão tomográfica

emtrês dimensões[47,9 (38,0-57,8)◦]. Não houve diferenc¸a

significativa (p=0,28) entre as medidas tomadas no RX--Perfil e TC-3D. Entretanto, observou-se uma tendência a classificar casos como tendo menor gravidade pelo método tridimensional por TC quando confrontado com o método radiográfico. A concordância entre a avaliac¸ão tridimensional por TC e a biplanar por RX foi fraca (kappa=0,306)

Concordânciaentreasdiferentesclassificac¸ões

Aconcordânciaentreasclassificac¸õesclassicamenteusadas, Southwick-RX,Wilson-RX,eCooper,foifraca,comkappade 0,05a0,15.

Discussão

A literaturaacercado EPCFaindacarecede padronizac¸ões paraavaliac¸ãodegravidadedadoenc¸aepropostaterapêutica. Alémdisso,ospoucoartigosvoltadosparaaanálisedas con-cordânciasintraeinterobservadordosmétodosuniplanares sugeremvaloresbaixos,29enquantoavaliac¸õesmultiplanares

apresentammelhorconcordância.13,21,23 diversosartigos

compropostasprópriasparaclassificac¸ãodadoenc¸a, entre-tantopoucossãoosqueconsideramanaturezamultiplanarda deformidade.Acreditamosqueaavaliac¸ãoemtrêsdimensões permitamelhordeterminac¸ãodadeformidaderealdofêmur proximaleconcordânciaintraeinterobservador.Ademais,a avaliac¸ãotridimensionalpodemodificaraconduta terapêu-tica.Entretanto,deformidadestridimensionaisdoquadrilnão podemseradequadamenteaferidaspormeiosradiográficos, porquenãoépossívelgarantiraperpendicularidadederaios entreasincidênciasanteroposterioreperfil.Logo,é necessá-rioousodemétodosquepermitamavaliac¸ãotridimensional comoTCeressonânciamagnética.

Conformeesperadoinicialmente,hápoucadiferenc¸aentre avaliaroplanooblíquodeCoopercomocorteaxialdaTCeo RX-APouusaroscortesaxialecoronaldaTC.Entreosmétodos maisdifundidosesseéumdospoucosqueavaliaa deformi-dadetridimensional,todaviafaltamestudosquerespaldem olimitede50◦adotadoporCooperetal.21paramodificac¸ão dacondutaterapêutica.Talautor,baseadonoplanooblíquo, sugerequedesviosmenoresdoque50◦sejamtratadoscom fixac¸ão in situ e desvios maiores doque 50◦, com luxac¸ão seguidaporreduc¸ãoanatômicadoquadril.

A avaliac¸ão tridimensional do escorregamento de Wil-son encontrouvaloressignificativamente maioresdoquea avaliac¸ão feita pelo RX. Dessa forma,80% doscasos leves teriamacondutaalterada,adotam-seprocedimentos cirúrgi-cosmaiscomplexosquandoadoenc¸aéclassificadadeforma biplanar.Poroutrolado,aclassificac¸ãodeSouthwickpelaTC subestimouosvalores encontradospeloRX, 66%doscasos classificadoscomomoderadosaoRXteriamaconduta alte-radaparaprocedimentosmenosinvasivossefosseadotada aclassificac¸ão3D,emconcordânciacomosachados previa-menterelatadosporRicholtetal.23

Tabela3–ConcordânciadoplanooblíquodeCooper

Classificac¸ãodoplanooblíquodeCoopercomTC-coronal

Leve Grave Total

Classificac¸ãodoPlanoOblíquo deCooperusandoRX-AP

Leve 3 0 3

Grave 1 22 23

Total 4 22 26

(6)

Tabela4–Concordânciadaclassificac¸ãodeWilsonpelaTC(3D)epeloRX

Classificac¸ãodeWilsonpelaTC(3D)

Leve Moderada Grave Total

Classificac¸ãodeWilsonpeloRX Leve 1 0 4 5

Moderada 0 2 8 10

Grave 0 0 11 11

Total 1 2 23 26

Kappa=0,216;p=0,018.

Tabela5–Concordânciadaclassificac¸ãodeSouthwickpelaTC(3D)epeloRX

Classificac¸ãodeSouthwickpelaTC(3D)

Leve Moderada Grave Total

Classificac¸ãodeSouthwickpeloRX Leve 3 0 0 3

Moderada 4 1 1 6

Grave 1 5 11 17

Total 8 6 12 26

Kappa=0,306;p=0,020.

Tabela6–Concordânciaentreasdiferentesclassificac¸ões

Classificac¸ãopeloplano oblíquodeCooper

Classificac¸ãopeloescorregamento deWilsonpeloRX

Classificac¸ãopeloescorregamento deWilson–RX

Kappa:0,107 p:0,08 Classificac¸ãopeloângulo

deSouthwick–RX

Kappa:0,152 Kappa:0,058

p:0,07 p:0,33

Outroaspecto importanteaconsideraréafaltade con-cordância entre as diferentes classificac¸ões habitualmente usadas:Southwick-RX,Wilson-RXeCooper.Quando avalia-dossimultaneamentepelostrêsmétodos,oitodos26quadris analisados(30,79%)poderiamteracondutaterapêutica alte-rada, a depender da classificac¸ão de referência. Nenhum dos casos foi classificado como leve simultaneamente por todosos métodos,enquanto apenas 33,3%(8/24)doscasos foram consistentemente considerados grave por todas as classificac¸ões.

Avaliac¸õestridimensionaispodemseromelhorcaminho paraguiar aconduta terapêutica,pois permitemestimar a deformidade inerente à doenc¸a de forma mais próxima à realidadeecommelhorreprodutibilidade.Omelhormétodo de avaliac¸ão tridimensional é um tópico que carece de aprofundamento,masvemosaavaliac¸ãotridimensionaldo escorregamentodeWilsonedoângulodeSouthwickcomo opc¸õespromissoras,dadoquesãoadaptac¸õesdedois mode-losamplamenteusadosecomamplasériedecasosestudados previamentenaliteratura.10,15–17,22,26,28

Umalimitac¸ãodopresenteartigoéagravidadeinicialda doenc¸anosindivíduosestudados.Pesquisasfuturaspoderão avaliarasdiferenc¸asentreosachadosradiográficose tomo-gráficosempacientesportadoresdeEPCFmaisleves.Além disso,afaltadeumgrupocontrole(quepoderiaserformado, porexemplo,porumapopulac¸ãoassintomática),limitaa con-clusãodadiferenc¸adosachadosradiográficosetomográficos. Osautores acreditam que oaprimoramento do cuidado com o paciente com epifisiolistese depende de melhores

padronizac¸ões da gradac¸ão das deformidades e da con-duta terapêutica. Para isso deve-se: 1) definir o papel de métodos radiológicos quepermitam avaliac¸ão tridimensio-naldadeformidade,como atomografiacomputadorizadae aressonânciamagnética;2)padronizaraindicac¸ão terapêu-tica idealconformea deformidade,frente às novasopc¸ões diagnósticas.

Conclusão

Opresenteestudoencontroudiferenc¸asnosângulosdaEPCF entre medidas tomadas pela radiografia e pela tomografia computadorizada.Aavaliac¸ãomultiplanardadeformidadedo fêmurproximaléumaopc¸ãoviávelecompotencialde modifi-caraclassificac¸ãodadoenc¸anospacientese,porconseguinte, amodalidadeterapêutica.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

r

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c

i

a

s

(7)

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Imagem

Figura 4 – Ângulo cabec¸a-colo femoral (ACCF) pelo corte coronal da TC.
Figura 6 – A, Escorregamento cabec¸a-colo de Wilson no plano axial da TC; B, Escorregamento cabec¸a-colo de Wilson no plano coronal da TC.
Tabela 1 – Análise descritiva Sexo Masculino 14 Feminino 7 Lateralidade Direito 14 (53,8%) Esquerdo 12 (42,2%) Acometimento bilateral 5 Meninos 4 (28,57%) Meninas 1 (14,28%) Idade 13,7 (12,9-14,5) anos Meninos 13,9 (13,1-14,8) anos Meninas 13,2 (11,1-15,3)
Tabela 6 – Concordância entre as diferentes classificac¸ões Classificac¸ão pelo plano oblíquo de Cooper

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