RELATÓRIO
DE ATIVIDADES
RELATÓRIO DE ATIVIDADES 2012
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4 Dados relevantes 6 Carta do presidente 12 Carta do conselheiro delegado 20 Governo corporativo 24 A ação Santander 26 Contexto macroeconômico, financeiro e regulatório 27 Prioridades de gestão em 2012 28 Reconhecimento internacional 29 Modelo de negócio do Banco Santander 31 O compromisso do Banco Santander com seus clientes 32 Orientação comercial 34 Disciplina de capital e solidez financeira 35 Prudência em riscos 36 Diversificação geográfica 38 Modelo de filiais 39 Eficiência 40 A equipe Santander 42 O Santander e a sustentabilidade 44 A marca Santander 45 Resultados em 2012 46 Resultados do Grupo Santander48 Resultados por países 57 Negócios globais
60 Dados históricos 62 Informação geral
informe anual 2012 nombre del capítulo RELATÓRIO DE ATIVIDADES 2012
DADOS RELEVANTES
2012 1.269,628 720,483 626,639 968,987 80,821 1.387,769 30,147 43,675 23,559 6,148 2,205 2012 46,1 2,80 4,11 0,24 0,55 10,33 11,17 13,09 113 4,54 72,6 2012 10.321 6,100 62,959 7,87 0,78 27,02 0,23 0,60 6,086 2012 3.296.270 186.763 14.392 2012 5,251 0,54 6,66 9,80 0,48 1,08 11,34 2011 1.251,525 750,100 632,533 984,353 80,400 1.382,980 29,110 42,754 23,195 7,812 5,351 2011 45,7 7,14 10,81 0,50 1,06 10,02 11,01 13,56 117 3,89 61,4 2011 8.909 5,870 50,290 8,59 0,68 9,75 0,60 0,60 5,260 2011 3.293.537 189.766 14.756 2011 7,021 0,79 9,37 14,18 0,63 1,35 7,43 % 2012/2011 1,4 (3,9) (0,9) (1,6) 0,5 0,3 3,6 2,2 1,6 (21,3) (58,8) % 2012/2011 15,9 3,9 25,2 (62,5) 15,7 % 2012/2011 0,1 (1,6) (2,5) % 2012/2011 (25,2) (31,9) 2010 1.217,501 724,154 616,376 985,269 75,273 1.362,289 27,728 40,586 22,682 9,077 8,181 2010 44,1 11,80 18,11 0,76 1,54 8,80 10,02 13,11 117 3,55 72,7 2010 8.329 7,928 66,033 8,58 0,92 8,42 0,94 0,60 4,999 2010 3.202.324 175.042 14.082 2010 8,181 0,94 11,80 18,11 0,76 1,54 8,42BALANÇO E RESULTADOS (Bilhões de euros)
Ativo total
Créditos a clientes (líquido) Depósitos de clientes
Recursos de clientes administrados Fundos próprios(1)
Total fundos administrados Margem de juros Margem bruta
Lucro antes de provisões (margem líquida) Resultado de operações contínuas Lucro líquido do Grupo
ÍNDICES (%)
Eficiência (com amortizações) ROE
ROTE(2) ROA RoRWA
Core capital (BIS II) Tier I
Índice BIS II
Índice de créditos sobre depósitos(3) Taxa de inadimplência
Cobertura de inadimplência A AÇÃO E A CAPITALIZAÇÃO Número de ações (milhões)(4) Cotação (euro)
Capitalização em bolsa (bilhões de euros) Fundos próprios por ação (euro)(1) Preço / fundos próprios por ação (vezes) PER (preço / lucro por ação) (vezes) Lucro líquido por ação (euro) Remuneração por ação (euro)
Remuneração total ao acionista (bilhões de euros) OUTROS DADOS
Número de acionistas Número de funcionários Número de agências
INFORMAÇÃO SOBRE LUCRO ORDINÁRIO Lucro líquido do Grupo (bilhões de euros) Lucro líquido por ação (euro)
ROE ROTE ROA RoRWA
PER (preço / lucro por ação) (vezes)
(1) Em 2012, dado do scrip dividend de maio de 2013 estimado. (2) Retorno sobre capital tangível.
(3) Inclui notas promissórias de varejo na Espanha.
O Grupo Santander obteve em 2012 um lucro líquido de 2,205 bilhões de euros e destinou 18,806
bilhões de euros a provisões e saneamentos, ao mesmo tempo em que reforçou a sua solvência e
manteve a remuneração aos acionistas em 0,60 euro por ação pelo quarto ano consecutivo.
LUCRO LÍQUIDO (5) Bilhões de euros 2011 2010 2012 2012/2011 2,205 5,351 8,181
-58,8%
REMUNERAÇÃO TOTAL AO ACIONISTA Bilhões de euros 2011 2010 2012 2012/2011 6,086 5,260 4,999
+15,7%
EFICIÊNCIA % 46,1 MARGEM BRUTA Bilhões de euros 2011 2010 2012 2012/2011 43,675 42,754 40,586+2,2%
45,7 44,1+0,4 p.p.
LUCRO ANTES DE PROVISÕES (MARGEM LÍQUIDA) Bilhões de euros 2011 2010 2012 2012/2011 23,559 23,195 22,682
+1,6%
2011 2010 2012 2012/2011 CORE CAPITAL Critério BIS II. %10,33 10,02 8,80 2011 2010
+0,31 p.p.
2012/2011 2012RELATÓRIO DE ATIVIDADES 2012
CARTA DO PRESIDENTE
Em um contexto econômico e regulatório particularmente difícil, o Banco Santander obteve em 2012 um lucro líquido de 2,205 bilhões de euros, 58,8% menos que no ano anterior.
Esse resultado foi afetado, de forma determinante, pelas provisões imobiliárias realizadas na Espanha, que, no valor de 6,140 bilhões de euros, foram compensadas apenas parcialmente com ganhos de capital extraordinários no valor de 1,241 bilhão de euros.
Apesar da crise, o Grupo conseguiu elevar em 1,6% seu lucro antes de provisões, chegando a 23,559 bilhões de euros, graças à diversificação internacional de suas fontes de receita. Esse montante situa-se entre os três mais elevados do setor financeiro internacional e aponta a forte capacidade que nosso Grupo tem de gerar lucros, o que voltará a ocorrer assim que se normalizarem os níveis de provisões e saneamentos.
Uma forte base de capital, acima dos requisitos mínimos exigidos pela Autoridade Bancária Europeia (EBA) e por Basileia II, permitiu manter uma elevada remuneração ao acionista, que alcançou o valor de 0,60 euro por ação, representando uma rentabilidade de 10,9%.
Bases da estratégia do Banco
Santander
O Banco Santander é uma das entidades financeiras internacionais que enfrenta a crise financeira com maior sucesso. Isso ocorre por causa dos seus quatro princípios fundamentais de atuação, assim como da sua estratégia comercial que é mantida de forma consistente ao longo dos anos.
1. Solidez de balanço e liquidez
• O Banco Santander aumentou seu core capital até 10,33% no encerramento de 2012 e superou os testes mais estritos de capital, como os realizados pela Autoridade Bancária Europeia. No stress test, a que o sistema financeiro espanhol foi submetido, sob a supervisão do Banco Central Europeu, da Comissão Europeia e do FMI, nosso Grupo mostrou um excedente de capital de 25,297 bilhões de euros, inclusive nos cenários macroeconômicos mais adversos.
• Nosso objetivo consiste em sempre manter um amplo excedente de core capital em relação aos requisitos regulatórios e um índice acima de 9%, segundo os critérios EBA.
• Em 2012, o Grupo Santander provisionou um total de 18,806 bilhões de euros e melhorou a cobertura da inadimplência em 11 pontos, ou seja, até 73%.
• O modelo de banco comercial do Grupo fundamenta seu financiamento nos depósitos de varejo. Durante o ano, o índice de créditos sobre depósitos melhorou notavelmente, chegando a 113%. Além disso, colocamos emissões e titularizações no mercado no valor de 43 bilhões de euros apesar das dificuldades financeiras do momento.
Gostaria de destacar especialmente a gestão realizada ao longo de 2012 para o fortalecimento do balanço e da liquidez na Espanha.
• Provisionamos 6,140 bilhões de euros para cobrir a exposição dos ativos imobiliários problemáticos, montante com o qual
“ GRAÇAS À DIVERSIFICAÇÃO INTERNACIONAL DE SUAS FONTES DE RECEITA, O GRUPO
SANTANDER CONSEGUIU ELEVAR EM 1,6% SEU LUCRO ANTES DE PROVISÕES, APESAR
DA CRISE”
RELATÓRIO DE ATIVIDADES 2012
CARTA DO PRESIDENTE
superamos o exigido pelos dois reais decretos-leis do governo espanhol nessa matéria. Após as provisões realizadas, fica concluído o saneamento imobiliário na Espanha.
• Do mesmo modo, a exposição ao setor imobiliário na Espanha, líquida de provisões, foi reduzida em 12,4 bilhões de euros durante o exercício, passando de 24,9 bilhões para 12,5 bilhões de euros, graças ao grande esforço realizado com a venda de 33.500 imóveis próprios e de promotores, assim como de carteiras de créditos. Dessa maneira, a exposição representa, no encerramento do exercício, 1,7% do total da carteira de créditos do Grupo.
• Quanto à liquidez, temos um índice de créditos sobre depósitos de 96% na Espanha, após o sucesso da gestão efetuada pelas redes Santander e Banesto na captação de recursos, que aumentaram 22 bilhões de euros no ano.
2. Diversificação e modelo de filiais
O Banco Santander mantém uma excelente diversificação geográfica de seus negócios, realizada por meio de um modelo de banco comercial com massa crítica em seus dez mercados principais.
Como consequência dessa diversificação, em 2012 o lucro ordinário do Grupo foi distribuído de forma equilibrada entre os mercados maduros (45%) e os mercados em crescimento (55%).
A estrutura internacional do Banco Santander está baseada em um modelo de filiais autônomas em capital e liquidez, algumas delas cotadas em bolsa de valores. Cada filial
é responsável por manter níveis adequados de capital e de liquidez, de acordo com as características e a regulação dos mercados em que opera, evitando o risco de contágio entre as unidades do Grupo.
No final do exercício, no âmbito da
reestruturação do sistema financeiro espanhol, decidimos que o Banesto e o Banif serão integrados ao Banco Santander. Portanto, antes de finalizar 2013, as redes comerciais do Grupo na Espanha estarão plenamente unificadas sob a marca Santander, reconhecida em 2012 pela Brand Finance como a primeira da Espanha e a quarta do mundo. Essa operação, que foi submetida à aprovação da Assembleia Geral de Acionistas, é muito positiva para todos:
• Para os clientes do Grupo Santander na Espanha, pois contarão com um maior número de agências nas quais poderão operar, e com um catálogo mais amplo de produtos.
• Para os funcionários, já que a nova estrutura do negócio na Espanha e nossa diversificação internacional resultarão em oportunidades profissionais.
• E para os acionistas do Banco Santander, pois se preveem sinergias de custos e receitas no valor de 520 milhões de euros antes dos impostos e um incremento no lucro por ação de 3% a partir do terceiro ano. Por outro lado, os acionistas do Banesto receberão um prêmio de 25% na troca de suas ações pelas do Santander.
• No contexto de nossa política de cotar em bolsa de valores as filiais do Grupo, outra operação importante durante o exercício
“ APÓS AS PROVISÕES REALIZADAS EM 2012, FICA CONCLUÍDO O SANEAMENTO
IMOBILIÁRIO NA ESPANHA”
foi a oferta pública de ações do Santander México, que ocorreu com grande sucesso. O lançamento de 25% do capital alcançou um volume de 3,178 bilhões de euros e teve uma procura que superou em cinco vezes a oferta, sendo considerada a terceira maior operação de entrada em bolsa do mundo durante o ano de 2012. No encerramento do exercício, as ações do Santander México subiram 33,8%, com uma avaliação do Santander México de 21,959 bilhões de dólares, que situou essa filial na 69ª posição no ranking mundial de bancos por valor em bolsa.
• No começo de 2013, ocorreu na Polônia a fusão do Zachodni WBK, filial do Grupo, com o Kredyt Bank, originando o terceiro banco do país por depósitos, créditos e número de agências, que contará com mais de 3,5 milhões de clientes.
3. Modelo de banco comercial
O Banco Santander desenvolveu um modelo de banco comercial que constitui a principal base de nossa atividade. A decisão estratégica de nos mantermos fiéis a esse modelo é uma das características essenciais do Grupo.
Do total das receitas do Santander, 88% provêm do banco comercial e são geradas nas 14.400 agências, que constituem a maior rede do setor financeiro internacional. Esse modelo, que conta com mais de 100 milhões de clientes particulares, PMEs (pequenas e médias empresas) e grandes empresas, gera resultados recorrentes e bem diversificados.
Como mostra de nosso compromisso com essa ampla base de clientes, foi lançado em 2012 um novo lema corporativo: Santander, um banco
para suas ideias. Dessa forma, transferimos aos
nossos clientes a vontade e a capacidade do Grupo de apoiá-los para que consigam tornar realidade seus projetos. Um banco para suas
ideias é o reflexo de nossa cultura e de nosso
compromisso com o cliente.
4. Gestão dos riscos e eficiência em custos
Uma gestão prudente e integral dos riscos e da eficiência em custos é, para o Banco Santander, a alavanca fundamental de seu modelo de banco comercial.
A taxa de inadimplência do Grupo aumentou 65 pontos básicos até chegar a 4,54%. Isso ocorreu, sobretudo, por causa da situação da Espanha, onde a inadimplência alcançou 6,74%. Contudo, praticamente na totalidade dos países onde o Banco opera, conseguimos manter uma taxa de inadimplência inferior à média do setor.
A gestão e o controle dos riscos são
independentes das áreas de negócio, recaindo a responsabilidade última, em matéria de riscos, sobre o conselho de administração. A comissão delegada de riscos reuniu-se no ano de 2012 em 98 ocasiões, e a comissão executiva, que se reúne semanalmente, também dedica uma parte importante de seu tempo a esse tema. A disciplina para se manter dentro dos perfis de risco definidos, que são bem conhecidos, e administrá-los da forma correta foi decisiva durante a crise financeira.
Uma estrutura ajustada de custos é outro claro fator de vantagem competitiva em um banco comercial. As fábricas de produtos compartilhados, com importantes economias de escala, e a gestão global dos negócios constituem elementos-chave do modelo Santander, tornando possível ter a relação entre custos e receitas mais eficiente do setor financeiro internacional.
* * *
Para resumir, gostaria de dizer que o Banco Santander conta com um modelo de negócio e uma sólida estratégia que foram muito bem adaptados à atual crise. Por isso, a prestigiada revista Euromoney decidiu indicar-nos como o
Melhor Banco do Mundo em 2012.
“ A ESTRUTURA INTERNACIONAL DO BANCO SANTANDER ESTÁ BASEADA EM UM
MODELO DE FILIAIS AUTÔNOMAS EM CAPITAL E LIQUIDEZ, ALGUMAS DELAS COTADAS
EM BOLSA DE VALORES”
RELATÓRIO DE ATIVIDADES 2012
CARTA DO PRESIDENTE
Remuneração ao acionista e a ação
Santander
O Banco Santander tem uma base muito ampla de acionistas — 3,3 milhões distribuídos em 14 países. A transparência na informação e o atendimento permanente destinado a esses acionistas constituem uma de nossas principais prioridades.
Durante 2012, apesar da crise, a remuneração ao acionista foi, pelo quarto ano consecutivo, de 0,60 euro por ação. Nos últimos quatro anos, a remuneração total aos acionistas do Banco somou mais de 21 bilhões de euros.
O Santander Dividendo Escolha permite aos nossos acionistas optar por receber o dividendo em ações ou em dinheiro. Em 2012, 80% do capital escolheu receber em ações.
No exercício, a evolução da ação Santander foi afetada pela volatilidade dos mercados, pelas incertezas regulatórias e pela situação da economia espanhola. Ainda assim, a ação Santander encerrou o ano com uma revalorização de 3,9%, superior ao Ibex 35. A rentabilidade total para o acionista foi de 17,3%.
O Banco Santander continua sendo o primeiro banco da zona do euro por capitalização em bolsa. A ação Santander é a mais líquida do Euro Stoxx.
Durante 2012, ocorreu a troca de Valores
Santander, o que significou a emissão de
519.501.751 ações, que em 31 de dezembro representaram 5,03% do capital.
Governo corporativo e
responsabilidade social corporativa
O Banco Santander tem seu conselho de administração composto de conselheiros externos (69% do conselho) e de executivos (31%), todos eles com amplos conhecimentos sobre o setor financeiro e com experiência internacional. O conselho destina especial importância à gestão dos riscos e ao
cumprimento dos melhores princípios e valores do setor financeiro.
O Grupo desenvolve seu negócio de forma sustentável, buscando promover o crescimento profissional de seus funcionários, cuidar do meio ambiente e, com seu apoio à educação superior, contribuir para o desenvolvimento da sociedade. O Santander Universidades, em particular, é o principal destino do investimento em responsabilidade social corporativa do Banco Santander. Trata-se de uma aliança única no mundo entre o Grupo e as universidades, que começou há 16 anos e que soma hoje mais de mil convênios com instituições de 20 países, uma contribuição anual de 130 milhões de euros e um total de 28.303 bolsas de estudo concedidas por ano, entre outros projetos. Um assunto especialmente sensível, neste ano, foram os despejos imobiliários na Espanha. O Banco Santander tem uma postura muito clara sobre o tema. O despejo é a última e a pior opção para todos: para nossos clientes e também para o Banco. Uma prova disso é que nos antecipamos ao problema quando lançamos, no verão de 2011, a moratória hipotecária, beneficiando mais de 21 mil clientes no encerramento de 2012.
“ O BANCO SANTANDER CONTA COM UM MODELO DE NEGÓCIO E UMA SÓLIDA
ESTRATÉGIA QUE FORAM MUITO BEM ADAPTADOS À ATUAL CRISE”
EMilio Botín
Presidente
Perspectivas de futuro:
posicionamento único do Banco
Santander
A conjuntura econômica e financeira continuará sendo difícil a curto prazo, sobretudo na Europa. Nos últimos meses de 2012, contudo, ocorreram alguns acontecimentos que deverão sustentar os fundamentos da recuperação.
• A Europa está tomando as decisões
necessárias para fortalecer o euro e caminhar rumo a uma maior integração. O projeto da União Bancária Europeia representará uma redução dos custos de financiamento das entidades financeiras europeias, assim como uma melhoria dos ratings dos bancos supervisionados pelo Banco Central Europeu.
• Na Espanha, a reestruturação do setor financeiro está em sua fase final e, quando a recapitalização e a reestruturação das entidades nacionalizadas forem concluídas, o país contará com o sistema financeiro mais saneado e solvente da Europa. Além disso, as medidas postas em andamento pelo governo durante o último ano começarão a surtir efeitos positivos sobre o crescimento no final de 2013. A recente criação da Sociedade de Gestão de Ativos Provenientes da Reestruturação Bancária (SAREB) terá, sem dúvida, um efeito muito positivo para a reativação da situação econômica na Espanha – o conselho de administração do Banco Santander estabeleceu investir 840 milhões de euros em tal sociedade.
• Na América Latina, após um ano de crescimento moderado, o Brasil retomará taxas de crescimento maiores, enquanto outros países importantes da região, como
o México e o Chile, manterão a tendência positiva de 2012.
Nosso Grupo está em condições de tirar partido de suas grandes vantagens competitivas, visto que tem demonstrado nestes últimos anos, particularmente difíceis, sua capacidade para gerar receitas e sua solidez de balanço. Em primeiro lugar, por conta da diversificação das receitas do Grupo que proporciona amplas possibilidades de crescimento nas economias emergentes.
Por outro lado, nosso modelo de banco comercial possibilita maior recorrência e estabilidade das receitas, o que, unido à normalização das provisões e dos saneamentos, que foram extraordinariamente elevados nos últimos anos, oferece amplas possibilidades de elevar sensivelmente os lucros.
Por último, as mudanças regulatórias, que estão sendo abordadas em matéria de capital, liquidez e modelo de negócio, afetam menos o Banco Santander do que outras grandes entidades financeiras internacionais, mais focadas em atividades de mercado ou de banco de investimento, e não devem condicionar nossa estratégia nem nosso modelo de negócio. Nossos acionistas podem esperar do Santander a atuação previsível de um banco de ampla base de capital, com um balanço sólido, com receitas recorrentes, com uma equipe de 187 mil profissionais, os melhores do setor financeiro internacional, e com um amplo potencial de aumento dos lucros à medida que a situação econômica internacional for se normalizando.
“ O BANCO ALCANÇOU UM LUCRO RECORDE DE 23,559 BILHÕES DE EUROS, ANTES
DAS PROVISÕES, UM DOS TRÊS MAIORES DO SETOR FINANCEIRO INTERNACIONAL”
RELATÓRIO DE ATIVIDADES 2012
CARTA DO CONSELHEIRO DELEGADO
O Grupo Santander obteve em 2012 um lucro líquido, sem ganhos de capital nem saneamentos especiais, de 5,251 bilhões de euros, 25% menor que o do ano anterior. Incluindo saneamentos e ganhos de capital, o lucro foi de 2,205 bilhões de euros, 59% inferior ao de 2011.
No âmbito operacional, os resultados continuaram crescendo: o lucro antes de provisões, ou seja, a diferença entre receitas e custos, aumentou 2%, chegando a 23,559 bilhões de euros. No entanto, o alto nível de saneamentos e de provisões de crédito continua pressionando nossos resultados. Concretamente, neste ano tivemos que absorver os reais decretos-leis 2/2012 e 8/2012 do governo espanhol, que se traduziram em provisões adicionais para cobrir nossa exposição imobiliária na Espanha. Além disso, efetuamos provisões
acima de nosso nível habitual em outros mercados, como o brasileiro e o chileno. No exercício, o Grupo teve que provisionar um total de 18,806 bilhões de euros, como consequência da crise na Espanha e da desaceleração econômica verificada em outras partes do mundo. Em 2011 provisionamos ao redor de 12,2 bilhões de euros e, em 2008, algo em torno de 7,1 bilhões de euros.
Nossos lucros atuais não refletem, de maneira alguma, o potencial de rentabilidade do Santander. O exercício de 2013 representará um ponto de inflexão: ao longo dos próximos anos, nossa rentabilidade retornará aos patamares mais elevados, pois nosso lucro operacional continuará evoluindo bem e nossas provisões tendem a normalizar-se.
“ AO LONGO DOS PRÓXIMOS ANOS, NOSSA RENTABILIDADE RETORNARÁ AOS
PATAMARES MAIS ELEVADOS, POIS NOSSO LUCRO OPERACIONAL CONTINUARÁ
EVOLUINDO BEM E NOSSAS PROVISÕES TENDEM A NORMALIZAR-SE”
1
Introdução - Resultados 20121. Introdução - Resultados 2012
2. Contexto 2012 e perspectivas 3. Santander: resultados e prioridades
por unidade de negócio 4. Conclusões para o futuro
RELATÓRIO DE ATIVIDADES 2012
Economia global
Vivemos, desde 2008, um processo de ajuste profundo. Para compreender esse processo é imprescindível entender a origem da crise, ou seja, os desequilíbrios nas balanças de pagamentos. Por um lado, um excesso de procura interna em mercados como o dos Estados Unidos, o do Reino Unido ou o da Espanha (excesso de consumo, setor da construção superdimensionado e excessos na concessão do crédito) e, por outro, um defeito de procura interna em outros mercados, incluindo os da Ásia e grande parte dos mercados emergentes, à parte de economias maduras como a do Japão ou a da Alemanha. Em 2007 e 2008, vivíamos em um mundo muito desequilibrado, onde alguns países, como os Estados Unidos, o Reino Unido, a Espanha e a Irlanda acumulavam excesso de dívida, enquanto outros, como a China, a Alemanha, o Japão e os emergentes, acumulavam excesso de reserva.
Ao longo dos últimos quatro anos, a economia global foi reequilibrando-se de forma progressiva. Observamos melhorias na taxa de poupança e reduções no deficit exterior de economias como a dos Estados Unidos, a do Reino Unido, a da Irlanda ou a da Espanha, que passaram do deficit por conta-corrente ao superávit, ou estão muito perto de consegui-lo. Por outro lado, ocorreu um importante ajuste no superavit comercial de certas economias, como a da China. O Japão e o Brasil passaram do superavit para o deficit ou para um menor superavit ao longo dos últimos quatro anos.
Um bom exemplo de um país que ajustou com bastante sucesso seus desequilíbrios é a Espanha:
1. Desde a entrada no euro até 2008, os custos laborais na Espanha tinham crescido 30% em relação à Alemanha. Isso tornou o país muito menos competitivo no mercado global. Desde 2009, a Espanha recuperou quase 80% dessa competitividade perdida relativamente à Alemanha, refletida no forte crescimento das exportações espanholas, que serão, durante os próximos anos, a principal fonte de crescimento da economia.
2. Nos últimos anos, em virtude da melhoria da sua competitividade, a Espanha reduziu o deficit por conta-corrente e, muito provavelmente, no próximo ano conseguirá obter superavit. Já foi alcançado o superavit comercial com os sócios europeus, assim como o
crescimento, a muito bom ritmo, das exportações para os Estados Unidos, a Ásia, a América Latina e a África, 3. O governo está efetuando um grande esforço de redução do deficit fiscal e de reformas estruturais. À medida que os resultados desses esforços forem sendo reconhecidos pelos mercados, isso se traduzirá em uma redução do custo de financiamento, não só por parte do setor público espanhol, mas também por parte do setor privado.
4. Por último, avançou-se muito no saneamento e na reestruturação do setor financeiro. O número de entidades, que superava 50 há alguns anos, se estabilizará em um nível inferior a 10. Como resultado dos stress tests realizados em 2012, foi efetuado um exercício de reconhecimento de perdas e recapitalização (parte com capital privado e parte com capital público). Em minha opinião, o processo de ajuste de solvência do setor financeiro na Espanha pode ser considerado praticamente concluído. Uma vez terminado esse processo de
consolidação, saneamento e recapitalização, o sistema poderá focar a melhora de sua rentabilidade.
Em resumo, se a Espanha continuar nesse caminho, nos próximos três ou quatro trimestres (no final de 2013) sua economia poderá começar a crescer.
Ao mesmo tempo, ao longo dos últimos anos, vimos como certos desequilíbrios se formam em países emergentes, incluindo alto crescimento dos salários, excesso de investimento em alguns setores ou estrangulamentos em determinadas infraestruturas. Esses desequilíbrios, a médio e longo prazo, não põem em perigo o alto potencial desses mercados. No entanto, esses ajustes estão provocando uma redução do ritmo de crescimento a curto prazo.
CARTA DO CONSELHEIRO DELEGADO
Nesse tipo de cenário, as empresas flexíveis, dinâmicas e bem administradas podem gerar bons resultados, tanto nas economias maduras quanto nas emergentes. Por outro lado, as economias que não souberem interpretar as mudanças na conjuntura ou que não forem suficientemente flexíveis para reagir poderão ter problemas.
Sistema financeiro global
As tendências no setor financeiro são muito parecidas. Os bancos são, no fim das contas, um reflexo da economia. Nos últimos quatro anos, os lucros do setor financeiro em mercados maduros foram pressionados por uma combinação de fatores, como a fragilidade econômica, o desalavancamento de empresas e famílias, a pressão das margens de depósitos por juros baixos e tensões de liquidez, e as maiores exigências regulatórias no mundo. Consequentemente, durante esse período foi dada ênfase ao reforço do balanço, o que ocasionou como dano colateral uma deterioração da rentabilidade. Por exemplo, no Banco Santander a prioridade foi ter uma posição cômoda de liquidez e capital, mesmo que isso viesse a prejudicar o lucro a curto prazo.
Ao longo dos próximos três ou quatro anos, começaremos a ver uma recuperação da rentabilidade do setor
financeiro nos mercados maduros. Uma vez reparados os balanços, o nível de provisões retornará a patamares mais
normalizados na maior parte dos mercados. Além disso, os bancos estão tomando medidas para recuperar sua rentabilidade: consolidação e corte de custos, mudança de políticas de preços e retribuição de capital aos segmentos mais rentáveis.
Pode-se dizer que os bancos gozaram de uma década dourada nos mercados emergentes. Desde 2003, o negócio bancário nesses países cresceu de forma constante, com uma pequena queda apenas nos anos de 2008 e 2009. Esse crescimento continuará, mas com taxas inferiores às dos últimos anos.
No sistema financeiro internacional, da mesma forma que na economia, estamos começando a ver certa convergência entre mercados maduros e mercados emergentes. E ocorre o mesmo com a economia em seu conjunto, pois já podemos perceber diferenças claras entre as entidades bem administradas e as entidades mal administradas, tanto nos mercados maduros quanto nos emergentes. As entidades com economias de escala locais, com uma boa gestão da eficiência e capazes de aperfeiçoar seus critérios de originação do crédito serão capazes de gerar bons resultados.
“ AS ENTIDADES COM ECONOMIAS DE ESCALA LOCAIS, COM UMA BOA GESTÃO
DA EFICIÊNCIA E CAPAZES DE APERFEIÇOAR SEUS CRITÉRIOS DE ORIGINAÇÃO DO
CRÉDITO SERÃO CAPAZES DE GERAR BONS RESULTADOS”
RELATÓRIO DE ATIVIDADES 2012
A. Mercados maduros
• Espanha
Na Espanha, geramos um lucro agregado de 1,290 bilhão de euros em 2012. Apesar de ter crescido 12% em relação ao ano anterior, o nível de lucro é baixo, refletindo o forte esforço dos saneamentos ordinários. Essa cifra não inclui a absorção de provisões da nova normativa espanhola sobre riscos imobiliários. Quero salientar que captamos 22 bilhões de euros em depósitos durante o ano, o que nos permitiu conseguir uma melhoria de dois pontos percentuais na cota. Além disso, continuamos melhorando os diferenciais de ativo. Em dezembro de 2012, anunciamos a fusão das três redes que temos na Espanha (Santander, Banesto e Banif) sob a marca Santander. Comunicamos uma otimização da rede de agências combinada, que nos permitirá reforçar nossa presença nos segmentos mais atrativos: PMEs (pequenas e médias Empresas), grandes empresas, banco pessoal e private banking. Prevemos que haverá sinergias de custos no valor de 420 milhões de euros e sinergias de receitas no valor de 100 milhões de euros. O principal objetivo dessa fusão é aproveitar as oportunidades de crescimento e de ganho de cota oferecidas pelo sistema financeiro espanhol nos próximos anos. Com a potência de uma marca líder na Espanha e com uma forte especialização das redes nos segmentos de pessoa física, empresas e private banking, levando ainda em consideração a fragilidade de muitos de nossos concorrentes, esperamos ganhar, nos próximos três anos, pelo menos três pontos de cota de negócio (créditos e depósitos).
A combinação de uma maior cota rentável (principalmente nos produtos e segmentos mais atrativos, incluindo pequenas e médias empresas e private banking), com a gestão contínua das margens e uma maior eficiência na normalização de nossas provisões nos permitirá conseguir uma evidente
melhoria da contribuição do nosso negócio na Espanha. Concretamente, comunicamos ao mercado um objetivo
de melhoria de nosso lucro de 2,5 bilhões de euros antes de impostos em um prazo de três anos.
• Portugal
Em Portugal, o lucro situou-se em 124 milhões de euros, 29% inferior ao de 2011, sendo o principal impacto o maior custo de insolvências. Em 2012, nossa máxima prioridade continuou sendo a solidez de balanço: nosso índice de créditos sobre depósitos melhorou de 121%, em dezembro de 2011, para 108%, em dezembro de 2012. Ao mesmo tempo, nosso índice de core capital melhorou de 11% para 12% no ano.
Somos o único banco em Portugal que não precisou de mais capital e o único que continua sendo rentável neste momento, embora nosso lucro tenha sofrido uma queda em relação ao alcançado em anos anteriores.
Nosso objetivo para os próximos anos é continuar reforçando o balanço, ao mesmo tempo em que continuaremos administrando as margens e a eficiência. Do mesmo modo que a espanhola, a economia
portuguesa está ajustando seus desequilíbrios (excessivos níveis de dívida, deficit exterior e deficit fiscal). A
posição de nossa unidade em Portugal está sendo reforçada durante a crise e estará muito bem situada para aproveitar as oportunidades quando a economia portuguesa voltar a crescer.
• Resto da Europa continental / Santander Consumer Finance
O lucro líquido do Santander Consumer Finance cresceu 9% em 2012, alcançando os 727 milhões de euros. Esse crescimento deu-se graças ao menor custo de provisões, compensando a queda nos juros em alguns dos mercados nos quais operamos.
No Santander Consumer Finance, nosso objetivo para os próximos anos é continuar ganhando cota, de forma seletiva e com o foco direcionado principalmente para a rentabilidade. Hoje temos o negócio de financiamento ao consumo mais rentável da Europa e queremos continuar
CARTA DO CONSELHEIRO DELEGADO
melhorando ainda mais. Portanto, nesse sentido, continuaremos administrando as margens de forma muito ativa e mantendo um perfil de risco adequado. Quero destacar a forte implantação e os resultados que a divisão de financiamento ao consumo conseguiu na Alemanha, no Reino Unido, nos países nórdicos, na Polônia e na Espanha.
Na Alemanha, continuamos construindo nosso negócio de banco comercial, que, em conjunto com nosso negócio de financiamento ao consumo, alcançou um lucro antes de impostos de cerca de 500 milhões de euros. Quero recordar também o tamanho do Banco Santander na Alemanha, onde temos 30 bilhões de euros em depósitos de clientes. Durante os próximos três anos, essa unidade estará em condições de aproveitar suas oportunidades de expansão no mercado alemão, o que permitirá alcançar níveis ainda mais atrativos de rentabilidade.
• Reino Unido
O Santander UK gerou um lucro de 952 milhões de libras, o que representa uma queda de 10% sobre o lucro de 2011. Essa diminuição deve-se principalmente a algumas receitas menores, como resultado do incremento do custo de financiamento e do contexto de baixas taxas de juro, ao qual se une o vencimento de carteiras de cobertura.
A margem subjacente de clientes do Santander UK, contudo, está melhorando, o que se explica pela gestão de balanço realizada durante o ano e pela boa evolução do negócio de empresas. Além disso, somos o Banco que obteve o melhor resultado nos índice de satisfação de cliente (segundo FRS), o que contribuiu para o bom crescimento em depósitos transacionais. O saldo em contas-correntes aumentou 32% e já temos mais de 1,3 milhão de clientes de produtos 1|2|3 World.
No exercício, continuamos reforçando nosso balanço com um índice core Tier 1 de 12,2%, um dos maiores do sistema, e com um índice de créditos sobre depósitos de 129%, ou seja, três pontos abaixo do registrado em 2011. Essa melhoria foi conseguida graças à administração da nossa carteira de hipotecas
com bons critérios de risco, à diversificação do nosso negócio para empresas e à promoção dos depósitos para clientes (por exemplo, as contas-correntes e ISAs). Ao mesmo tempo, conseguimos reduzir os custos em 1%, apesar da inflação e do investimento no crescimento do nosso negócio.
A economia do Reino Unido, pouco a pouco, vai recuperando-se: os custos de financiamento para os bancos começam a baixar e a procura por crédito aumenta levemente. Isso, associado ao nosso progresso comercial, faz com que percebamos uma tendência de melhoria do lucro durante 2013 e, especialmente, em 2014.
Por último, em outubro de 2012, ficou sem efeito a operação de compra das agências do Royal Bank of Scotland.
• Estados Unidos
Em 2012, nosso negócio nos Estados Unidos alcançou um lucro de 1,042 bilhão de dólares, 26% menos que no ano passado, refletindo em parte uma menor participação em nossa financeira de consumo. O Sovereign Bank gerou um lucro de 733 milhões de dólares, excluindo extraordinários, em linha com o ano passado. Tivemos custos extraordinários originados por litígios legais que reduziram nosso lucro em 127 milhões de dólares.
O negócio de financiamento ao consumo (Santander Consumer USA), do qual possuímos 65%, proporcionou ao Grupo um lucro de 436 milhões de dólares.
Nosso objetivo para os próximos anos é aproveitar as oportunidades de crescimento nos segmentos em que o Banco tem pouca presença, como empresas, seguros ou cartões. Concretamente, estamos efetuando importantes investimentos em sistemas e em quadro de pessoal para sermos capazes de aproveitar essas oportunidades. Esses investimentos começarão a dar frutos em 2013 e, sobretudo, em 2014.
RELATÓRIO DE ATIVIDADES 2012
B. Mercados emergentes
• Brasil
O Santander Brasil obteve um lucro líquido de 3,6 bilhões de dólares, uma queda de 4% no resultado obtido em 2011, com uma taxa de câmbio constante, devido principalmente ao impacto negativo das maiores provisões por insolvências.
No último ano, ocorreu certa desaceleração da economia no Brasil. Seu potencial de crescimento, a médio e longo prazo, no entanto, permanece intacto. Nosso objetivo para os próximos anos consiste em continuar aproveitando as oportunidades oferecidas pelo mercado brasileiro, ao mesmo tempo em que vamos normalizando nossas provisões para poder recuperar o caminho regular de crescimento no país, que tem sido da ordem de dois dígitos.
• México
O lucro líquido alcançado pelo Banco no México é de 1,380 bilhão de dólares, o que representa um crescimento de 12%, a uma taxa de câmbio constante.
O mercado bancário mexicano está pouco desenvolvido, a economia do país não está muito endividada e o bom crescimento da economia dos Estados Unidos, à qual está muito ligada, são fatores que nos fazem ser muito otimistas em relação ao crescimento do lucro do Santander México nos próximos anos.
Em setembro, lançamos em bolsa de valores 24,9% de nossa filial mexicana, avaliando a unidade em 16,538 bilhões de dólares. A ação subiu 33,8% até o encerramento de 2012.
Nosso objetivo para os próximos anos é continuar desenvolvendo uma organização comercial forte, o que deverá permitir a manutenção, durante os próximos anos, de ritmos de crescimento do lucro da ordem de dois dígitos.
• Chile
Nossa unidade de negócio no Chile conseguiu, em 2012, um lucro líquido de 915 milhões de dólares, 17% inferior ao do exercício de 2011, a uma taxa de câmbio constante.
No âmbito operacional, a unidade obteve bons resultados apesar dos impactos regulatórios. O maior custo das provisões por insolvências, no entanto, teve um impacto negativo no resultado, o que já foi corrigido. Lançamos um plano para controlar melhor nossos riscos no Chile, assim como para melhorar nossa capacidade comercial em empresas e segmentos altos, que nos permitirá voltar ao crescimento em 2013 e, sobretudo, em 2014.
• Argentina
Na Argentina, o lucro líquido alcançou 425 milhões de dólares, um crescimento de 16% em relação a 2011, afetado parcialmente pelas maiores provisões, uma vez que o resultado operacional foi sólido, com uma margem líquida 42% maior que a do ano anterior. Nosso objetivo para os próximos anos consiste em continuar aproveitando o esforço de investimento efetuado nos últimos exercícios e manter, ao mesmo tempo, um perfil de risco adequado. • Polônia
O Bank Zachodni WBK conseguiu um lucro líquido de 1,379 bilhão de zlotys, ou seja, 330 milhões de euros. Em janeiro de 2013, fusionamos a referida filial com o Kredyt Bank (a filial polonesa do KBC). Após a operação, o Santander passou a controlar 76,5% da entidade resultante. O novo banco combinado será a terceira maior instituição financeira da Polônia.
Nossa unidade na Polônia apresenta um grande potencial de crescimento para os próximos anos: além das
oportunidades oferecidas pelo mercado polonês, seria necessário somar o alto potencial de melhoria do Kredyt Bank (com índices de eficiência e rentabilidade claramente inferiores aos do Bank Zachodni WBK), assim como a contribuição do Grupo Santander ao negócio local, por exemplo, em banco de atacado.
Nosso objetivo é efetuar uma integração exemplar de ambos os bancos, alcançando ou ultrapassando o nível de sinergias prometido. Nesse sentido, contamos com a melhor equipe gestora do mercado polonês, apoiados pela experiência de integração do Grupo Santander, o que nos permitirá que continuemos crescendo a duplo dígito durante os próximos anos.
AlFREdo SÁEnz
Conselheiro delegado Gostaria de concluir com quatro mensagens claras sobre a
estratégia e as perspectivas do Grupo Santander: 1. A primeira é que, nos últimos quatro anos, uma
de nossas prioridades foi o fortalecimento do balanço. Provisionamos mais de 53 bilhões de euros,
concluímos o saneamento imobiliário na Espanha, temos mais 19 bilhões de euros de core capital e fechamos a brecha comercial (diferença entre créditos e depósitos) em 125 bilhões de euros. Estamos muito perto de concluir esse processo.
2. A segunda mensagem é que nossa aposta estratégica
pela solidez de balanço pressionou a conta de resultados:
• Como consequência de nossa decisão de melhorar nossos índices de capital, decidimos vender alguns negócios, aqueles nos quais não tínhamos as economias de escala adequadas. Do mesmo modo, vendemos minoritários em algumas unidades e reduzimos a originação do crédito em negócios considerados non-core.
• Nossa decisão estratégica de reforçar a liquidez levou-nos a emitir a diferenciais altos e tornou-nos dispostos a pagar um pouco mais pelos depósitos.
• O intenso esforço de provisões impediu que o bom crescimento operacional se traduzisse em níveis satisfatórios de rentabilidade sobre o capital. Concretamente, nossa margem líquida melhorou de
17,8 bilhões de euros, em 2008, para 23,559 bilhões, em 2012. No entanto, nossa rentabilidade sobre o capital tangível (excluindo impactos não recorrentes) baixou de níveis de 20% para 10% e nosso lucro passou de cerca de 9 bilhões de euros para 5,251 bilhões, excluindo os não recorrentes.
3. A terceira mensagem é que, durante os próximos
três anos, nossa prioridade voltará a ser gerar crescimento de lucros. Nesse sentido, esperamos que
2013 seja um ponto de inflexão. Nosso objetivo é que o aumento de lucros ocorra tanto em mercados maduros quanto em mercados emergentes.
• Em mercados maduros, mediante o ganho de cota rentável, o desenvolvimento de negócios em lugares onde tenhamos pouca presença, a gestão da eficiência e a normalização de nossas provisões.
• Em mercados emergentes, podemos aproveitar as oportunidades de crescimento estrutural, desenvolvendo organizações comerciais fortes com um perfil de risco adequado e capazes de aproveitar as vantagens de pertencer ao Grupo Santander.
4. A quarta mensagem é que a ação do Santander
não reflete, neste momento, esse potencial de melhoria. À medida que o mercado for compreendendo
esse potencial, isso se refletirá progressivamente em uma melhoria na cotação da ação, o que me permite continuar tendo uma visão muito otimista acerca de seu investimento durante os próximos três anos.
“ DURANTE OS PRÓXIMOS TRÊS ANOS, NOSSA PRIORIDADE VOLTARÁ A SER
GERAR CRESCIMENTO DE LUCROS, TANTO EM MERCADOS MADUROS QUANTO
EM MERCADOS EMERGENTES”
GOVERNO
CORPORATIVO
Modelo de governo corporativo
do Banco Santander
Conselho de administração É o máximo órgão de decisão do Santander, salvo nas matérias reservadas à Assembleia Geral de Acionistas, correspondendo-lhe, entre outras, as decisões que se refiram à estratégia do Grupo. Seu funcionamento e atuação são regulados pela normativa interna do Banco, a qual é regida pelos princípios de transparência, eficácia e defesa dos interesses dos acionistas. Além disso, o conselho zela pelo cumprimento das melhores práticas internacionais em governo corporativo e envolve-se, a fundo, na gestão dos riscos. O conselho, sob orientação da alta direção, é o órgão responsável pelo estabelecimento e pelo acompanhamento do apetite de risco do Grupo.
• Dos 16 conselheiros, 11 são externos e 5 são executivos do Banco. • É importante para gerar confiança e segurança nos acionistas e investidores. Conselho comprometido e com composição equilibrada Máxima transparência, em particular, em matéria de remunerações Reconhecido por índices de investimento socialmente • O Santander permanece nos índices FTSE4God e DJSI desde 2003 e 2000, respectivamente. • Princípio de uma ação,
um voto, um dividendo. • Inexistência de medidas estatutárias de blindagem. • Fomento à participação informada nas assembleias. Igualdade de direitos dos acionistas
A proporção entre conselheiros executivos e conselheiros externos é equilibrada. Todos os membros do conselho caracterizam-se pela integridade, pela independência de critérios, pela capacidade e pela experiência profissional.
Durante o exercício de 2012,
ocorreram modificações no conselho. No dia 23 de janeiro, o sr. Francisco Luzón renunciou ao cargo de conselheiro e diretor-geral do Banco, responsável pela divisão América. Por ocasião da Assembleia Geral, efetuada no dia 30 de março de 2012, deixaram de fazer parte do conselho o sr. Antonio Basagoiti, o sr. Antonio Escámez e o sr. Luis Alberto Salazar-Simpson, tendo ocorrido a ratificação e a reeleição do sr. Vittorio Corbo Lioi, nomeado em julho de 2011.
Também foi aprovada a nomeação da sr.ª Esther Giménez-Salinas como conselheira independente, aumentando para 18,8% a presença de mulheres no conselho.
Destaca-se a experiência financeira dos conselheiros externos, entre os quais estão ex-conselheiros delegados de bancos, um ex-presidente de um banco central e pessoas com amplo conhecimento financeiro na América Latina e no Reino Unido, dois mercados onde o Grupo tem uma parte substancial de seus negócios.
Política de remuneração A política de remuneração dos conselheiros e da alta direção do Banco tem como base os seguintes princípios:
1. Remunerações congruentes com uma gestão rigorosa dos riscos sem propiciar uma assunção inadequada dos mesmos.
2. Antecipação e adaptação às mudanças regulatórias em matéria de remunerações.
3. Envolvimento do conselho, uma vez que, sob orientação da comissão de nomeações e remunerações, é responsável por aprovar o relatório sobre a política de remuneração dos conselheiros e o submeter à Assembleia Geral de Acionistas em
Atividade do conselho em 2012 • Realizou 11 sessões. • Durante o ano, o segundo vice-presidente e conselheiro delegado apresentou ao conselho dez relatórios de gestão, e o terceiro vice-presidente e responsável pela correspondente divisão, outros dez de riscos. • Além de revisar o
andamento dos negócios do Grupo, o conselho analisou a situação de liquidez e de capital, entre outros assuntos.
caráter consultivo e como ponto separado da ordem do dia. O conselho aprova as remunerações e contratos dos conselheiros e dos demais membros da alta direção, assim como as remunerações do resto do Grupo supervisionado.
4. Transparência na informação sobre as remunerações.
Remuneração do conselho É possível consultar todas as informações referentes à política de remuneração dos conselheiros, relativas ao ano de 2012, no relatório da comissão de nomeações e remunerações, que faz parte da documentação social do Banco Santander.
COMPOSIÇÃO DO CONSELHO
Conselheiros executivos Conselheiro externo dominical Conselheiros externos independentes Conselheiros externos
2 1 5
8
informe de actividades 2012 Sr. Ignacio Benjumea Cabeza de Vaca Secretário-geral e do conselho
Sr. Manuel Soto Serrano Quarto vice-presidente Sr. Fernando de Asúa Álvarez Primeiro vice-presidente Sr. Emilio Botín-Sanz de Sautuola y García de los Ríos Presidente Sr. Javier Botín-Sanz de Sautuola y O’Shea Vogal Sr. Juan Rodríguez Inciarte Vogal Sr. Guillermo de la Dehesa Romero Vogal Sr.ª Esther Giménez-Salinas Vogal
CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO
DO BANCO SANTANDER
Sr. Alfredo Sáenz Abad Segundo vice-presidente e conselheiro delegado Sr. Matías Rodríguez Inciarte Terceiro vice-presidente Sr. Abel Matutes Juan Vogal Sr. Vittorio Corbo Lioi Vogal Sr. Rodrigo Echenique Gordillo Vogal Sr.ª Ana Patricia Botín-Sanz de Sautuola y O’Shea Vogal Sr.ª Isabel Tocino Biscarolasaga Vogal Lord Burns (Terence) Vogal Sr. Ángel Jado Becerro de Bengoa Vogal Reunião do conselho de administração no CPD de Cantábria, com a baía da cidade de Santander ao fundo, em 17 de dezembro de 2012.
Comissão executiva Comissão delegada de riscos Comissão de auditoria e compliance Comissão de nomeações e remunerações Comissão internacional
RELATÓRIO DE ATIVIDADES 2012
Remuneração ao acionista
Em 2012, o montante destinado pelo Banco Santander à remuneração dos acionistas chegou a 6,086 bilhões de euros, 15,7% mais que em 2011. O programa Santander Dividendo
Escolha, que permite aos acionistas
optar por receber o montante equivalente ao dividendo em dinheiro ou em ações, foi aplicado no exercício de 2012 nas datas em que tradicionalmente os dividendos são pagos. Em cada uma dessas datas, o Banco pagou uma remuneração de 0,15 euro por ação, portanto a remuneração total ao acionista, correspondente ao exercício, chegou a 0,60 euro por ação. A rentabilidade por dividendo situou-se em 10,9%. Com o Santander Dividendo Escolha, o Banco oferece flexibilidade na
A AÇÃO
SANTANDER
remuneração e permite aos seus acionistas beneficiar-se de vantagens fiscais. A maior parte do capital, 80%, optou por receber ações em 2012, o que demonstra a confiança dos acionistas na evolução do Grupo, apesar da volatilidade exibida pelos mercados financeiros.
Evolução da ação Santander
O Santander manteve-se em 2012 em uma situação privilegiada, como o primeiro banco da zona do euro por valor em bolsa de valores e o 13º do mundo, com uma capitalização em bolsa de 62,959 bilhões de euros no encerramento do ano. A ação Santander é o valor com maior liquidez do índice Euro Stoxx 50. Em uma conjuntura de incerteza econômica global e de forte volatilidade dos mercados,
consequência da crise da dívida europeia, a ação Santander encerrou o exercício com uma cotação de 6,10 euros por título, representando uma revalorização de 3,9% em relação ao encerramento de 2011. A evolução da ação Santander foi melhor que a do principal índice espanhol, o Ibex 35 (-4,7%).
O Grupo alcançou uma rentabilidade muito positiva para o acionista apesar do aumento do risco da Espanha em 2012. A ação Santander ofereceu retorno total de 17,3%, enquanto o Ibex 35 sofreu uma queda de 1,4%.
Por que 3,3 milhões de acionistas confiam no Banco Santander • Pela sua solvência, pela
sua solidez e pela sua diversificação geográfica.
• Por manter uma remuneração de 0,60 euro por ação pelo quarto ano consecutivo, em um contexto de redução generalizada de dividendos no setor bancário internacional.
• Pelo programa Santander
Dividendo Escolha, que
permite ao acionista optar por receber seu dividendo em dinheiro ou em ações.
• Pela rentabilidade por dividendo de 10,9% em 2012 e pelo retorno total ao acionista (17,3%).
Base acionária e capital
O número de acionistas do Banco Santander continuou crescendo em 2012 e, no final do ano, situou-se em 3,3 milhões de acionistas.
Um total de 1,9% do capital do Grupo está nas mãos do conselho de administração, 40% está com os acionistas minoritários e o restante é propriedade de investidores
institucionais. Na Europa estão 87,9% do capital social, na América estão 11,7% e, no resto do mundo, 0,4%. O número de ações do Banco Santander no encerramento do exercício era de 10.321.179.750. O programa Santander
Dividendo Escolha e a troca dos Valores Santander significaram, em conjunto, a
emissão de um total de 1.412.136.547 ações novas, representativas de 13,7%
O Grupo continuou fortalecendo os canais de informação e atendimento aos seus acionistas na Espanha, no Reino Unido, nos Estados Unidos, no Brasil, na Argentina, no México, em Portugal e no Chile. Durante o exercício, por ocasião do lançamento em bolsa de valores da filial mexicana, foi aberta a nova agência de acionistas do México. No total, foram atendidas 215.278 consultas telefônicas, foram respondidos 22.710 e-mails e 17.910 acionistas compareceram em 254 fóruns e eventos realizados nos diferentes países.
A elevada recorrência do lucro e da solidez de capital do Santander
permitiu que, nos últimos quatro anos, a remuneração ao acionista
chegasse a mais de 21 bilhões de euros.
EVOLUÇÃO COMPARADA DAS COTAÇÕES DEZ-11 V. DEZ-12 REMUNERAÇÃO TOTAL AO ACIONISTA NOS ÚLTIMOS DEZ ANOS
Bilhões de euros
Remuneração por ação Capitalização em bolsa de valores
euro bilhões de euros
Pelo quarto ano consecutivo
O Santander é o primeiro banco da zona do euro por valor em bolsa
0,60
62,959
2012 6,086 2011 5,260 2010 4,999 2009 4,919 2007 4,070 2008 4,812 2006 3,256 2005 2,605 2004 1,837 2003 1,444 130 120 110 100 90 80 70 60Dic11 Mar12 Jun12 Sep12 Dic12
SAN
DJ STOXX BANKS IBEX35 DJ STOXX 50
CONTEXTO
MACROECONÔMICO,
FINANCEIRO E REGULATÓRIO
Contexto econômico Em 2012, o Banco Santander desenvolveu sua atividade em um contexto econômico e financeiro muito complexo. Na Europa, a primeira metade do ano esteve marcada pela instabilidade dos mercados financeiros, provocada pelo agravamento da crise do euro. O risco do bônus espanhol, em particular, cresceu até os 650 p.b. em maio. O conselho europeu, realizado no mês de junho, decidiu impulsionar a União Bancária da Europa, com a criação de um mecanismo de supervisão único. As medidas de ajuda financeira à disposição dos países que dela precisassem, anunciadas pelo Banco Central Europeu em setembro, também marcaram um ponto de inflexão e contribuíram para que os diferenciais de risco relaxassem progressivamente. Quanto à atividade econômica, a Europa atravessou seu quinto ano de crise, e 2012 teve um saldo de crescimento praticamente nulo.
Nos Estados Unidos, o Fed (Federal Reserve) decidiu manter o apoio monetário, o que favoreceu certa recuperação do crescimento do país ao longo do ano. Na segunda metade de 2012, a agenda esteve condicionada aos riscos ligados à não renovação dos estímulos fiscais, o denominado fiscal cliff, que finalmente foi resolvido na última jornada do exercício.
Os países latino-americanos mantiveram um crescimento econômico positivo, apesar do desfavorável cenário internacional. Concretamente, o México e o Chile superaram as previsões do consenso. No caso do Brasil, a economia do país mostrou maior dinamismo durante a segunda metade de 2012, embora no conjunto do ano o crescimento tenha ficado abaixo das expectativas. Contexto regulatório
O Banco Santander iniciou 2012 com um core capital de 10,02%, cumprindo amplamente os requisitos estabelecidos pela Autoridade Bancária Europeia (EBA) para junho de 2012.
Na Espanha, o governo aprofundou o processo de saneamento e recapitalização do setor bancário, imerso em uma profunda
reestruturação desde 2009, por meio de três atuações básicas:
Em primeiro lugar, a exigência de saneamentos adicionais para a exposição dos ativos de construção e promoção imobiliária, diferenciando por tipo de ativo e situação, incluídos os que estão em dia com o pagamento. Esses saneamentos, estabelecidos em dois reais decretos-leis, elevaram o nível de cobertura média da exposição imobiliária do
sistema financeiro de 18% para 45%. O Grupo Santander cumpria 100% desses requisitos no encerramento do exercício.
Em segundo lugar, a realização de uma avaliação especializada e independente dos balanços dos bancos espanhóis. O exercício, extremamente rigoroso tanto pela exaustividade das informações utilizadas quanto pela dureza dos cenários aplicados, mostra que, na situação mais adversa, o Santander seria a única entidade que aumentaria seu índice de capital (de 9,7% para 10,8%) e que apresentaria um forte superavit de capital (25,297 bilhões de euros em 2014). Seria o banco espanhol com maior capacidade para gerar lucros.
Em terceiro lugar, o governo espanhol solicitou assistência financeira às instituições europeias para recapitalizar as entidades espanholas que
necessitavam de ajuda. Seguindo o memorando de entendimento incluído nesse programa, em dezembro foi criada a Sociedade de Ativos
Provenientes da Reestruturação Bancária (SAREB). O conselho do Santander decidiu participar como investidor em tal sociedade, com uma contribuição de até 840 milhões de euros (25% em capital e 75% em dívida subordinada).
A economia mundial está imersa em um profundo processo de reequilíbrio. A Europa deve continuar avançando rumo a uma maior integração para ter liderança no século XXI, ao mesmo tempo em que os países emergentes devem manter-se no caminho de um crescimento sustentável. A diversificação geográfica do Santander permite ao Grupo aproveitar
as oportunidades em todos os mercados
Guillermo de la Dehesa Conselheiro externo (independente). RELATÓRIO DE ATIVIDADES 2012
PRIORIDADES DA GESTÃO EM 2012
Aumento da base de capital do Grupo em um cenário econômico desfavorável e com aumento das pressões regulatórias
• O Santander foi a entidade espanhola com melhores resultados nos stress tests realizados pela consultora independente Oliver Wyman, com um excedente de capital de 25,297 bilhões de euros sobre o mínimo exigido em tal análise.
• Geração orgânica de capital e gestão ativa da carteira de negócios, que permitiram elevar o core capital do Grupo em 31 pontos básicos, chegando a 10,33% em 2012.
Redução do risco imobiliário na Espanha e cumprimento da nova normativa do governo espanhol nessa matéria
• A exposição imobiliária líquida de provisões na Espanha foi reduzida em 12,4 bilhões de euros em 2012 e em 28,5 bilhões de euros desde 2008 (-69%).
• O Santander realizou saneamentos imobiliários no valor de 6,140 bilhões de euros no exercício, superando o exigido nos dois reais decretos-leis aprovados pelo governo espanhol.
• A exposição imobiliária líquida na Espanha representa apenas 1,7% dos créditos totais do Grupo.
Cotação das principais filiais do Grupo
• O Santander obteve grande sucesso no lançamento em bolsa de 24,9% de sua filial no México por um montante de 3,178 bilhões de euros. A ação do Santander México encerrou o ano com uma revalorização de 33,8% e uma capitalização em bolsa de valores de 21,959 bilhões de dólares.
Prioridades da gestão Gestão da liquidez em um contexto de alta volatilidade nos mercados financeiros
• Estratégia comercial baseada na captação de recursos na Europa continental, representando um incremento de 22 bilhões de euros nos depósitos em 2012 na Espanha.
• Melhora do índice de créditos sobre depósitos do Grupo para 113% (150% em 2008) e da Espanha para 96% (178% em 2008).
• O Grupo realizou emissões de médio e longo prazo e titularizações no valor 43 bilhões de euros, por meio de mais de dez unidades em diferentes países do mundo com capacidade de emissão.
RELATÓRIO DE ATIVIDADES 2012
RECONHECIMENTO
INTERNACIONAL
Euromoney
The Banker
Melhor Banco do Mundo Melhor Banco da Argentina Melhor Banco do México Melhor Banco da Polônia Melhor Banco de Portugal Melhor Banco do Reino Unido
Melhor Banco da Argentina Melhor Banco do México Melhor Banco da Polônia Melhor Banco de Portugal Melhor Banco de Porto Rico Melhor Banco do Reino Unido
Julho Novembro A revista financeira britânica Euromoney apostou em um banco
europeu e espanhol ao escolher o Santander (pela terceira vez em sete anos) como o Melhor Banco do Mundo. Já a The Banker, revista do grupo que edita o jornal The Financial Times, reconheceu o Banco como a melhor entidade financeira em seis de seus principais mercados.
A EUROMONEY DESTACOU “A CAPACIDADE DO BANCO PARA
GERAR LUCROS RECORRENTES, MESMO EM MOMENTOS
ECONOMICAMENTE DIFÍCEIS, E A SOLIDEZ DE SEU BALANÇO”
1
MODELO DE NEGÓCIO
DO BANCO SANTANDER
MODELO DE NEGÓCIO
DO BANCO SANTANDER
Chaves
O modelo de negócio do Banco Santander
proporciona uma grande recorrência de resultados. O Grupo conta com mais de 100 milhões de clientes,
aos quais presta serviço em 14.392 agências, a maior rede do setor financeiro internacional.
A diversificação geográfica, em dez países principais, proporciona ao Grupo um equilíbrio adequado entre mercados maduros e emergentes.
O Santander é um dos bancos internacionais mais eficientes do mundo.
Manter um alto nível de capital e liquidez é prioritário. O Banco Santander não precisou de ajuda pública em nenhum momento da crise.
A taxa de inadimplência está abaixo da média do setor em praticamente todos os seus mercados principais, o que se deve à sua prudente política de riscos.
A expansão internacional do Grupo foi feita por meio de filiais autônomas em capital e liquidez, proporcionando vantagens na hora de se financiar e limitando o risco de contágio.
O Banco Santander desenvolve seu negócio de forma sustentável, preservando o meio ambiente, apoiando as comunidades nos países onde está presente e investindo em educação superior. A equipe do Santander é composta de 186.763
profissionais orientados para o cliente e para os resultados. Cliente Disciplina de capital e solidez financeira Prudência em riscos Diversificação geográfica e modelo de filiais A marca Santander Eficiência Orientação comercial
No Banco Santander, oferecemos serviço para mais de 100 milhões de clientes. Nossa capacidade de ouvir, de antecipar-nos às suas necessidades, de desenvolver soluções e de construir relações duradouras foi o que nos levou a ser um dos primeiros bancos do mundo. Para nós o cliente é o rei; sempre foi assim e assim continuará sendo, pois essa é a essência de um banco comercial como o Santander
Emilio Botín Presidente.
O COMPROMISSO DO BANCO
SANTANDER COM SEUS CLENTES
O cliente é o foco do modelo de negócio do Santander. O Banco conta com mais de 100 milhões de clientes em todo o mundo, que o reconhecem como uma entidade sólida, solvente e com solidez para enfrentar o futuro. Entender suas necessidades, responder com soluções inovadoras e construir relações de confiança e de longo prazo são as bases sobre as quais se sustenta o compromisso do Santander com seus clientes.
Qualidade de serviço e satisfação de clientes Para o Santander, é fundamental cuidar ao máximo da qualidade de serviço oferecida ao cliente. Por isso, durante os últimos anos, o Banco desenvolveu um modelo corporativo de melhoria da qualidade que é implantado a cada ano em mais países. Nesse modelo, o benchmarking corporativo de satisfação de clientes é a ferramenta que permite conhecer a posição do Grupo em relação a seus concorrentes em cada mercado. O Santander tem como objetivo permanente estar nas primeiras posições por qualidade de serviço em todos os países em que atua.
O Banco também dispõe de modelos de mensuração da opinião do cliente
Santander, um banco para as suas ideias
O Santander lançou em novembro seu novo lema corporativo: Santander, um
banco para as suas ideias, por meio do
qual avança mais um passo em direção ao cliente, transmitindo toda a solidez, a liderança e a capacidade de inovação de um Banco que está a seu serviço para ajudar a tornar realidade seus projetos.
Esse novo lema também é o reflexo de uma cultura corporativa e de trabalho diário que pretende que o cliente tenha uma experiência única da marca Santander e receba lucros tangíveis em cada uma de suas interações com o Banco: seja numa oferta de produtos ou serviços mais simples e personalizados, que forneçam segurança ao cliente, ou numa comunicação mais clara e transparente de suas vantagens, que contribua para incrementar sua vinculação e sua fidelidade ao Santander.
center, os serviços e produtos, e para a gestão de incidências e reclamações através do sistema MIRÓ.
O comitês de qualidade que existem em todos os países geraram muitas dinâmicas de melhoria contínua. A Escola Corporativa de Banco Comercial também contribuiu para impulsionar a aprendizagem e o intercâmbio contínuo das melhores práticas. Como resultado, em 2012 ocorreu uma melhoria da satisfação dos clientes particulares: 86,2% declararam estar satisfeitos com os serviços do Santander, enquanto em 2011 foram 84,3% os que fizeram a mesma declaração. Para continuar avançando nesse âmbito, o Banco começou a trabalhar em um novo projeto para a melhoria da satisfação do cliente, que representa uma evolução do modelo de qualidade atual. O objetivo é ter uma visão global de todas as alavancas que influem na satisfação do cliente e contar com um quadro de indicadores de gestão que relacionem a melhoria da satisfação com os resultados do negócio. O conselheiro delegado, Alfredo Sáenz, encarrega-se de revisar esses procedimentos de forma permanente, o que evidencia o compromisso do Santander com o constante aumento
CLiENTES Milhões 101,9 100,0 2012/2011
+1,9%
CLiENTES dEL grupo Milhões
Espanha 13,1
Portugal 2,0
Bank Zachodni WBK 2,5 Santander Consumer Finance 12,3
Resto 0,1
Total Europa continental 30,0
reino unido 26,2 Brasil 27,3 México 10,0 Chile 3,5 Argentina 2,4 Uruguai 0,3 Porto Rico 0,5
Total América Latina 44,0 Estados unidos-Sovereign 1,7
Total clientes 101,9
Agência do Santander em Madri, Espanha.
O modelo comercial do Santander é orientado para satisfazer as necessidades de diferentes perfis de clientes: correntistas particulares com variados níveis de renda, empresas de qualquer tamanho e setor de atividade, e corporações privadas e públicas. O negócio de banco comercial, que compreende os clientes particulares, as empresas e o negócio de
financiamento ao consumo, representa 88% das receitas do Grupo.
Serviço multicanal
A rede de agências é o principal canal para criar e manter relações de longo prazo com os clientes. O Grupo conta com 14.392 agências, a maior rede comercial entre os bancos internacionais. Em 2012, o Santander continuou desenvolvendo a multicanalidade como pilar estratégico para potencializar as relações com os clientes. Além do atendimento telefônico e do internet banking, foram lançados novos aplicativos para iPad, iPhone e outros dispositivos móveis.
O Grupo também avançou em uma maior integração de seus canais operacionais e de atendimento. Durante o ano, foi colocado em andamento o Customer VoiceLab, uma evolução do tradicional contact center que integra, em uma única equipe e com o suporte da tecnologia mais inovadora, todos os canais de atendimento ao
cliente, incidências e reclamações. O projeto começou na Espanha, mas será implantado progressivamente nos outros países em que o Grupo atua.
Soluções inovadoras
O Santander continua inovando e desenvolvendo novos produtos e serviços financeiros que fornecem valor ao cliente e respondam às suas necessidades, assim como às circunstâncias específicas dos diferentes países nos quais está presente.
Em seus principais mercados, o Banco conta com planos estratégicos, com uma oferta de alto valor agregado, diferenciada e bem avaliada pelos clientes:
• Espanha: os 4 milhões de clientes que fazem parte do programa Queremos
ser o seu Banco não pagam tarifas de
serviço e beneficiam-se de vantagens adicionais em produtos e serviços como alimentação, combustível, energia, telecomunicações e lazer. • Reino Unido: a Conta-corrente 1|2|3
reembolsa em dinheiro parte das contas de consumo dos lares ingleses e premia com um juro menor os maiores saldos em conta. • Brasil: a Conta light aplica as
menores taxas de juros para saldos negativos e oferece facilidades no pagamento a prazo.