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Braz. j. . vol.83 número3

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Academic year: 2018

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(1)

www.bjorl.org

Brazilian

Journal

of

OTORHINOLARYNGOLOGY

ARTIGO

ORIGINAL

Sound

generator

associated

with

the

counseling

in

the

treatment

of

tinnitus:

evaluation

of

the

effectiveness

Andressa

Vital

Rocha

a,∗

e

Maria

Fernanda

Capoani

Garcia

Mondelli

b

aFaculdadedeOdontologiadeBauru,UniversidadedeSãoPaulo(USP),Bauru,SP,Brasil

bDepartamentodeFonoaudiologia,FaculdadedeOdontologiadeBauru,UniversidadedeSãoPaulo(USP),Bauru,SP,Brasil

Recebidoem23dedezembrode2015;aceitoem18demarçode2016 DisponívelnaInternetem29demarçode2017

KEYWORDS Tinnitus; Hearingloss; Hearingaid

Abstract

Introduction:Therelationsbetweenthetinnitusandthehearinglossareduetothesensory deprivationcausedbyhearingloss,sincethisisfollowedbythefunctionalandstructural alte-rationoftheauditorysystemasawhole.Thecochlearlesionsareaccompaniedbyareduction intheactivityofthecochlearnerve,andtheneuralactivitykeepsincreasedinmainlyallthe centralauditorynervoussystemtocompensatethisdeficit.

Objective: Thisstudyaimedtoverifytheeffectivenessofthesoundgenerator(SG)associated withthecounselinginthetreatment ofthetinnitusinindividualswithandwithouthearing lossregardingtheimprovementofthenuisancethroughTinnitusHandicapInventory(THI)and VisualAnalogueScale(VAS).

Methods:The sample consistedof 30 individuals ofboth genders divided into two groups: Group1(G1)was comprised of15individualswith tinnitusandnormalhearing, adaptedto SG; Group2(G2)wascomprisedof15individualswithcomplaintsofhearingacuityand tin-nitus,adaptedwithSGandanindividualhearingaiddevice(HA).Bothgroupsunderwentthe followingprocedures:anamnesisandhistoryofcomplaint,highfrequencyaudiometry(HFA), imitanciometry,acuphenometrywiththesurveyofpsychoacousticpitchandloudnessthresholds andapplicationofthetoolsTHIandVAS.Allofthem wereadaptedwithHAandSiemensSG andparticipatedinasessionofcounseling.Theindividualswereassessedinthreesituations: initialassessment(beforetheadaptationoftheHAandSG),monitoringandfinalassessment (6monthsafteradaptation).

DOIserefereaoartigo:http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2016.03.021

Comocitaresteartigo:RochaAV,MondelliMF.Soundgeneratorassociatedwiththecounselinginthetreatmentoftinnitus:evaluation

oftheeffectiveness.BrazJOtorhinolaryngol.2017;83:249---55. ∗Autorparacorrespondência.

E-mail:[email protected](A.V.Rocha).

ArevisãoporparesédaresponsabilidadedaAssociac¸ãoBrasileiradeOtorrinolaringologiaeCirurgiaCérvico-Facial.

(2)

Results:Thecomparisonofthetinnitusnuisanceandhandicapinthethreestagesofassessment showedasignificantimprovementforbothgroups.

Conclusion:TheuseoftheSGwassimilarlyeffectiveinthetreatmentofthetinnitusin indivi-dualswithandwithouthearingloss,causinganimprovementofthenuisanceandhandicap. © 2016 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Published by Elsevier Editora Ltda. This is an open access article under the CC BY license (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).

PALAVRAS-CHAVE Zumbido;

Perdaauditiva; Aparelhoauditivo

Geradordesomassociadoaaconselhamentonotratamentodezumbido:avaliac¸ão daeficácia

Resumo

Introduc¸ão:Asrelac¸ões entreozumbidoeaperdadeaudic¸ãoadvêm daprivac¸ãosensorial causadapelaperdaauditiva,umavezqueessaéseguidapelaalterac¸ãoestruturalefuncional dosistemaauditivonoseuconjunto.Aslesõescoclearessãoacompanhadasporumareduc¸ão daatividadedonervococleareaatividadeneuronalmantém-seaumentadaemprincipalmente todooSistemaNervosoAuditivoCentralparacompensaressedéficit.

Objetivo:EsteestudotevecomoobjetivoverificaraeficáciadoGeradordeSom(GS)associado ao aconselhamentonotratamentodozumbido emindivíduos comesemperdaauditiva em relac¸ãoàmelhoriadoincômodo pormeiodoTinnitusHandicap Inventory(THI)edaEscala AnalógicaVisual(VAS).

Método: Aamostraconsistiuem 30indivíduosdeambos ossexos,divididosemdoisgrupos: Grupo 1(G1)foicompostopor15 indivíduoscomzumbido eaudic¸ãonormal, adaptados ao GS;oGrupo2(G2)consistiuem15indivíduoscomqueixasdeacuidadeauditivaezumbido, adaptadocomGSeumaparelhoauditivoindividual(AA).Ambososgruposforamsubmetidosaos seguintesprocedimentos:anamneseehistóriadaqueixa,AudiometriadeAltaFrequência(AAF), imitanciometria,acufenometriacomolevantamentodelimiarespsicoacústicosdeFrequência eAlturaeaplicac¸ãodasferramentasTHIeVAS.Todoselesreceberamadaptac¸ãodeAAeGS Siemenseparticiparamdeumasessãodeaconselhamento.Osindivíduosforamavaliadosem trêssituac¸ões:Avaliac¸ãoInicial(antesdaadaptac¸ãodoAAeGS),MonitoramentoeAvaliac¸ão Final(seismesesapósaadaptac¸ão).

Resultados: Acomparac¸ãodoincômododozumbidoedeficiêncianastrêsfasesdeavaliac¸ão mostrouumamelhoriasignificativanosdoisgrupos.

Conclusão:OusodeGSfoiigualmenteeficaznotratamentodozumbidonosindivíduoscome semaperdadeaudic¸ão,causandoumamelhoriadaperturbac¸ãoedadeficiência.

© 2016 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Este ´e um artigo Open Access sob uma licenc¸a CC BY (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).

Introduc

¸ão

Asrelac¸õesentreozumbidoeaperdadeaudic¸ãosão

decor-rentesda privac¸ãosensorial causada pelaperda auditiva,

umavezqueessaéseguidaporalterac¸õesestruturale

fun-cionaldosistemaauditivocomoumtodo.Aslesõescocleares

sãoacompanhadasporumareduc¸ãonaatividadedonervo

cocleare a atividadeneuronalmantém-se aumentada em

quasetodoosistemanervosoauditivocentral(SNAC),para

compensaresse déficit. O aumento na atividade doSNAC

caracterizaumahiperatividadedasestruturasnervosasque

resultaem um ‘‘ruídoneural’’. Esse ruído podeser

codi-ficadopelo própriosistema nervoso, gera apercepc¸ão do

zumbido.1

As teorias sugeremque o zumbido é causado por uma

sequênciade modificac¸ões centrais, que são

desencadea-daspeladiminuic¸ãona sensibilidadeneuronalaferentedo

estímulo sonoro. Uma previsão resultante dessa teoria

é que a compensac¸ão dessa diminuic¸ão pode ser uma

forma de evitar ou reverter as mudanc¸as no SNAC mal

adaptado, que é subjacente ao zumbido. A estimulac¸ão

acústica, por exemplo, poderia compensar essa aferência

reduzida.2

Aterapia acústicaé feitacom ainclusãode

aprimora-mentodosomnavidadiáriadoindivíduoevisaa

proporci-onaralíviodozumbido.Emintervenc¸õesmenosespecíficas,

o indivíduo pode ser aconselhado a usar estratégias, tais

como: inserir músicade fundo durante as atividades

diá-rias, usar sons de relaxamento, ouvir música com fones

deouvido,usartravesseiroscomalto-falantes,usar

casca-tas de água, usar geradores desom no nível do zumbido

e aparelhos auditivos (AA) convencionais.3 O AA consiste

na amplificac¸ão desons ambientais--- elenão sómascara

(3)

do som;o GS produz o ruído de banda larga, músicas ou

qualqueroutrotipodesomespectralmentemodificado.4

Há necessidade de apresentar evidências científicas

nostratamentosdezumbidoparaajudarosprofissionaisna

tomadadedecisões,namanipulac¸ãoterapêuticade

pacien-tesenodesenvolvimentodediretrizesclínicasqueorientem

as avaliac¸ões e abordagens de intervenc¸ão em indivíduos

comesemperdaauditiva.

Este estudo tevecomo objetivo verificara eficácia do

geradordesom(GS)associadoaoaconselhamentono

trata-mentodozumbidoemindivíduoscomesemperdaauditiva

emrelac¸ãoàmelhoriadoincômodoedadeficiência

audi-tiva.

Método

Oestudofoiconcebidocomoumensaioclínicoprospectivo,

nãorandomizadoedecoorteefeitonaClínicade

Fonoau-diologiaeAudiologia,comaaprovac¸ãodoComitêdeÉtica

emPesquisadaInstituic¸ão,sobon◦18001213.4.0000.5417.

Foram elegíveis para inclusão na amostra do estudo

30indivíduosdeambosossexos.Elesrelataramqueixade

zumbidocrônicobilateraleforamdivididosemdoisgrupos:

oGrupo1(G1)foicompostopor15indivíduoscomaudic¸ão

normaleoGrupo2(G2)por15indivíduoscomdiagnóstico

deperdaauditivaneurossensorialbilateralsimétricadegrau

leveamoderado.

Grupo1

O G1 era composto por 15 indivíduos de ambos os sexos

(80% do feminino e 20% do masculino), sem queixa de

acuidade auditiva, com média de55,87 anos, com desvio

padrãode10,27.Oszumbidosmaisfrequenteseramassovio

(n=3),paneladepressão(n=1),mosquito(n=1),

campai-nha(n=1),grilo(n=2),gafanhoto(n=1),cachoeira(n=1),

sibilo (n=2), feedback (n=1), abelha (n=1) e borboleta

(n=1).Todos ossintomas foramreferidos como bilaterais

(n=15).

Em relac¸ão à audic¸ão, a média dos limiares auditivos

obtida para esse grupo foi de 15,33dB, com um desvio

padrãode5,33paraaorelhadireita,emédiade15,50dB,

comumdesviopadrãode5,08paraaorelhaesquerda.

Grupo2

O G2 era composto por 15 indivíduos de ambos os sexos

(53,33% dofeminino e 46,66% domasculino), com queixa

dediminuic¸ãodaacuidadeauditiva.Aidademédiaerade

63,6anos,comumdesviopadrãode7,61.

A média dos limiaresauditivos obtida foi de 37,77dB,

com um desvio padrão de 7,52 para a orelha direita, e

média de 35,83dB, com umdesvio padrão de 11,21 para

aorelhaesquerda.Asfiguras1e2trazemoslimiares

obti-dosparaaaudiometriaconvencionaleaudiometriadealta

frequênciaparaasorelhasdireitaeesquerda.

Quantoaograudeperdaauditiva,noveindivíduos

apre-sentaram grau leve e seis grau moderado, equivalentes

a60e40%,respectivamente.

0 0,25 kHz

Grupo 1 Grupo 2

0,50 kHz 0,75 kHz 1 kHz 1,5 kHz 2 kHz 3 kHz 4 kHz 6 kHz 8 kHz 9 kHz 10 kHz 11,2 kHz 12,5 kHz 14 kHz 16 kHz

20

40

60

80

Figura1 Valoresdelimiaresaudiométricosmédios,máximos emínimosdaorelhadireita(OD)nasfasesdeAvaliac¸ãoInicial, MonitoramentoeAvaliac¸ãoFinaldosgruposG1eG2.

0

20

40

60

80

0,25 kHz

Grupo 2 Grupo 1

0,50 kHz 0,75 kHz 1 kHz 1,5 kHz 2 kHz 3 kHz 4 kHz 6 kHz 8 kHz 9 kHz 10 kHz 11,2 kHz 12,5 kHz 14 kHz 16 kHz

Figura2 Valoresdelimiaresaudiométricosmédios,máximos emínimosdaorelhaesquerda(OE)nasfasesdeAvaliac¸ãoInicial, MonitoramentoeAvaliac¸ãoFinaldosgruposG1eG2.

Oestudofoicompostoportrêsetapas:avaliac¸ãoinicial

---estágioemqueopacienteapresentavaqueixadezumbido

semintervenc¸ão;monitoramento(três meses)e avaliac¸ão

final(seismeses).

Após a avaliac¸ão otorrinolaringológica, os indivíduos

foramsubmetidos aanamneseeinspec¸ãovisualdomeato

acústicoexterno(MAE)paraverificaraocorrênciadealgum

impedimentodaorelhamédiae/ouexterna.Depois,foram

submetidos a avaliac¸ão daaudic¸ão, inclusive audiometria

tonalconvencionaleAAF.Asfrequênciasestendidas

avalia-dasapartirde8kHzforam9;10;12,2;12,5;14e16kHz.

OquestionárioTinnitusHandicapInventory(THI),

tradu-zidoe validado parao português brasileiro,5 foi aplicado

emtodasasfasesdoestudo,paraavaliaradeficiênciado

zumbidoemediroseuincômodogeraleseusdomínios

fun-cional,emocionale catastrófico. Amaiorpontuac¸ãototal

possível é de 100 pontose acredita-seque apresenta um

comprometimentomáximodavidadiáriadopacientedevido

aozumbido.

A EVA (escala visual analógica) também pode medir o

incômodo dozumbido para o indivíduo.A escala consiste

emuma‘‘régua’’comrepresentac¸õesgráficasequivalentes

aosgraus0a10.Ousodaimagemproduzumreforc¸ovisual,

(4)

A mensurac¸ão do zumbido foi feita por meio da

acu-fenometria, com a pesquisa da frequência e intensidade

semelhantesà sensac¸ão doindivíduo. Esse métodoé

sub-jetivoecompreendeumconjuntodetécnicasaudiológicas,

paratentarencontrarumlimiar psicoacústicoo mais

pró-ximo possível do zumbido do paciente no momento da

ocorrência do sintoma. Os pacientes foram orientados a

levantar uma das mãos sempre que o sinal apresentado

eraomaispróximodeseuzumbido.

Inicialmente,a sensac¸ão defrequência dozumbidofoi

investigadaporumtompuroouruídodebandaestreitade

acordocomacaracterizac¸ãodossintomasapresentadospelo

indivíduo.Osestímulosforamapresentados5dBmais

inten-sos do que seus limiares audiométricos. Posteriormente,

a sensac¸ão de intensidadedo zumbido foi investigada na

frequênciaanteriormenteestimada.Osinalfoiaumentado

emetapasde5dB,atéqueopacienterelatasseequivalência

como‘‘volume’’doseuzumbido.Tais medidas

psicoacús-ticasforamnovamentetestadas,sendoencontradaamédia

dosvaloresobtidos.Naocorrênciadasupressãodozumbido

(parcialoutotal),asrepetic¸õesnãoforammedidas,pelada

ausênciadosintoma.

OsindivíduosforamadaptadosparaoAA

minirretroauri-culardeajusteaberto,Life,Siemens,comfonesdesilicone

eumtubofino,deacordocomascaracterísticas

audiológi-casefísicaseasnecessidadesacústicasdecadapaciente.

O AA apresentou os recursos convencionais de

amplificac¸ão associados ao GS (algoritmo de controle

programáveldezumbido)comruídodebandalarga(ruído

branco),apartir de250Hza8kHz,oqualpodeserusado

comoumamplificador,umgeradordesomouambos.

Assim,osgruposforamadaptadoscomosesegue:

- Grupo1(audic¸ãonormalezumbido):adaptac¸ãobilateral

com ‘‘geradorde som’’ativado,considerado ‘‘apenas’’

adaptac¸ão.

- Grupo 2 (perdadeaudic¸ão e zumbido):adaptac¸ão

bila-teralcomo‘‘geradordesom’’e‘‘amplificac¸ão’’ativada

parasuperaraperdadeaudic¸ãoeconsideradocomouma

adaptac¸ão‘‘combinada’’.

OsajustesdoGSparaosgruposforamfeitosdemaneira

ascendente.Assim,aintensidadedoruídofoigradualmente

aumentadaatéqueopacienteassinalouconfortoeoponto

deaudibilidadefoiencontrado.O‘‘ponto demistura’’foi

verificado em várias situac¸ões, quando alguns pacientes

relataramamisturadeambosossons.

ParaassegurarobomusodoAAeverificaraeficáciada

terapiasonora,apenasosoftwarefoiativado:‘‘universal’’.

O G1 apenas com GS e G2 com o AA e o GS associado,

forneceramestímulos concomitantemente.Oindivíduofoi

solicitadoausaroAAporumperíodomínimodeoitohoras

pordiaeretirá-loparaobanhoeaodormir.Ousoeficazfoi

verificadopormeiodaativac¸ãodoalgoritmoderegistrode

dados.

Paraverificarasamplificac¸ões,ospacientesdoG2

tive-ramasmedidastomadascomomicrofonesonda,ummétodo

objetivoqueexpressaaquantidaderealdaamplificac¸ão

for-necidapeloAAnocondutodopaciente. Foiselecionadoo

métodoprescritivodesenvolvidopelosLaboratórios

Acústi-cosNacionais---NALNL1,paraAAnãolinear,compatívelcom

aregradoequipamento,emqueasmedic¸õesforamfeitas

paraverificaraeficáciadaamplificac¸ão.

NomomentodeseadaptaroAA,foifeitaumasessãode

aconselhamento.Essasessãoabordouquestõessobrea

fisi-ologiaauditiva, fisiopatologia dozumbidoe audic¸ão,usou

umalinguagemsimplesematerialdigitalcomalgumas

ima-gensilustrativaspropostas6pelosautoresresponsáveispela

basecientíficadoaconselhamentorelacionadocomoajuste

deAASiemensusadonesteestudo.

Apartirdessasdiretrizesedessaconscientizac¸ão,os

par-ticipantesdapesquisaobtiveramopontodeaudibilidadee

conforto doGS, com base na percepc¸ão auditivado

paci-ente,eterminaramaprogramac¸ãodosaparelhosauditivos.

Método

e

análise

estatística

Aanálisedosresultadosfoifeitacombasenasestatísticas

indutivasouinferenciais.Todososprocedimentos

estatísti-cos foramfeitosnosoftwareStatistica5.1(StatSoftInc.,

Tulsa,EUA),comumníveldesignificânciaiguala5%.Para

aanálisedescritiva,usou-seamédiaeodesviopadrãode

todasasvariáveisnuméricas.Paraaanáliseinferencial,foi

feitaanálisedevariânciademedidasrepetidasemambos

oscritérios(Anova),paraverificarapossívelimportânciano

tratamentodosgruposisolados.ApósaAnovaeoachadode

umadiferenc¸asignificativaentreostratamentos,foiusado

otestedeTukeydecomparac¸õesmúltiplas,paraverificara

magnitudedessasdiferenc¸as.

Resultados

ResultadosdoTHInasfasesAvaliac¸ãoInicial,Monitoramento

e Avaliac¸ão Finalparaambos osgrupos estãodescritosna

tabela1.

OsresultadosdaEVAnasfasesAvaliac¸ãoInicial,

Monitora-mentoeAvaliac¸ãoFinalparaambososgruposestãodescritos

natabela2.

Os limiares psicoacústicos dos resultados de

acufeno-metriana primeirafasedoestudo,paraambos osgrupos,

estãodescritosnatabela3.Oslimiarespsicoacústicosnão

foram avaliados nas fases de Monitoramento e Avaliac¸ão

Finaldospacientessemzumbidonomomentodaassistência,

emdecorrênciadasupressãoparcialoutotaldossintomas.

Discussão

Os profissionais que trabalham na área de audic¸ão têm

observadoumaumentononúmerodeindivíduoscom

zum-bido --- com ousem perdade audic¸ão --- que buscam uma

intervenc¸ãoeficaz.

A configurac¸ão das curvas audiométricas variou

(figs. 1 e 2), devido à proposta de abrangência de um

grupo com limiares auditivos dentro do intervalo normal

(G1),combasenodiagnósticoaudiológicoconvencional,e

umgrupocomlimiaresdeaudibilidadereduzidode26dBHL

paracercade60dB(G2).OsresultadosdoAAFmostrarama

ocorrênciadecurvasaudiométricascomlimiaresreduzidos

de 8kHz para ambos osgrupos, o que sugere o início de

umalesãococlearatémesmonosindivíduosdiagnosticados

(5)

Tabela1 ValoresdemédiaeDPdasrespostasobtidaspara THI--- escoretotal,categoriasfuncional,emocionale catas-tróficanostrêsestágiosdeavaliac¸ão

THI Média±DP

G1 G2

Escoretotal

AI 66,66±12,27a 66,4±13,79a

MO 22,13±16,96b 18,66±12,45b

AF 11,6±10,03c 10,6±12,88b

Funcional

AI 36,66±10,32a 34,2

±7,38a

MO 9,86±8,33b 10,8±6,53b

AF 5,46±5,26b 6,4

±6,97b

Emocional

AI 16,66±6,17a 18,8±6,36a

MO 5,6±5,19b 3,6±4,61b

AF 2,53±3,81b 2,93±4,58b

Catastrófico

AI 12±3,46a 14,13±5,47a

MO 4,8±3,76b 4,26

±2,49b

AF 2,53±2,35b 2,93±3,01b

Letras sobrescritas diferentes na mesma categoria indicam diferenc¸a estatisticamente significativana comparac¸ão entre grupos(Medidas repetidasAnovaeTukey,p<0,05 estatistica-mentesignificativo).

AF, Avaliac¸ão Final; AI, Avaliac¸ão Inicial; DP, desvio padrão; MO,Monitoramento.

Tabela2 ValoresdemédiaeDPderespostasobtidaspara EVAnastrêsfasesdaavaliac¸ão

EVA Média±DP

G1 G2

AI 8,66±1,34a 8,0±1,19a

MO 2,93±1,79b 3,4±2,02b

AF 1,8±1,78b 1,66±1,95c

Letras sobrescritas diferentes na mesma categoria indicam diferenc¸a estatisticamente significativana comparac¸ão entre grupos(MedidasrepetidasAnovaeTukey,p<0,005 estatistica-mentesignificativo).

AF, Avaliac¸ão Final; AI, Avaliac¸ão Inicial; DP, desvio padrão; MO,Monitoramento.

Tabela3 ValoresdemédiaeDPderespostasobtidaspara acufenometrianaavaliac¸ãoinicial

Acufenometria Média±DP

G1 G2

Frequênciadozumbido

OD 8,16±2,92 6,73±1,94 OE 8,44±2,71 6,86±1,95

Alturadozumbido(dBSL)

OD −1,33±14,69 1,33±13,07 OE −2,66±14,86 7,66±10,66

dBSL, nível de sensac¸ão em decibel; DP, desvio padrão; Hz,Hertz;OD,orelhadireita;OE,orelhaesquerda.

queindicam a origemdozumbido a partirda reduc¸ão ou ausênciadeaferênciaaoSNAC.1,2,7

OdesempenhodaAAFocorrenomonitoramentoauditivo

em indivíduos em risco de desenvolver alterac¸ões

auditi-vascausadasporfatoresendógenosouexógenos.Oestudo8

observouqueasfrequênciasde4kHza6kHznaaudiometria

convencionalede14kHze16kHznaAAFsãomaisafetadas.

OsautorestambémsugeremqueaAAFfoiotestemais

sen-sívelparadetectaraperdaauditivainduzidapeloruído,em

comparac¸ãocomoutrosexames.AAAFéumexame

audioló-gicoimportanteparadetecc¸ãoprecocedeperdasauditivas

devidoalesõesdabasedoductococlear.9

Napráticaclínica,épossívelobservaranecessidadede

monitoramentodepacientescomaudic¸ãonormalassociada

a zumbido. Os dados encontrados neste estudo

enfati-zama necessidadedeexamescomplementares, jáque os

pacientescomaudic¸ãonormal,combasenoprotocolo

con-vencional,recebemaltaesãoencaminhadosparaservic¸os

decontrarreferência.

Vários autores observaram que, em altas frequências,

osindivíduoscomzumbidoapresentavamlimiaresauditivos

pioresdoqueosindivíduossemzumbido,10---12oque

corro-boroudadosdesteestudo,oqueindicaocomprometimento

daacuidadeauditivaemaltasfrequências.

Nesteestudo,ospacientesdoG2estavamsatisfeitoscom

osajustesdomonitoramento,daprogramac¸ãoedas

neces-sidadesespecíficasindividuais.OAAégeralmentebenéfico

parapacientescomzumbidoquetambémtêmperda

audi-tiva significativa. Alguns pacientes confundem as origens

dos déficitse culpamo zumbido por suas dificuldades de

comunicac¸ão, que são inicialmente causadas pela perda

auditivae,possivelmente,comaadic¸ãodozumbido.Issoé

compreensível,poisaperdaauditivamuitasvezesprogride

lentamenteaolongodotempoeaspessoasnemsempre

per-cebemque perdema acuidade. Nesse contexto,o estudo

confirmaqueozumbidoéaadic¸ãodeumapercepc¸ão

desa-gradávelcomumcomec¸osutilequeamaioriadospacientes

prestamaisatenc¸ãoaozumbidonavidadiáriadoqueasua

perdaauditivagradual.3

Assim, o profissional será questionado e confrontado

sobrea intervenc¸ãoem várias situac¸ões.Muitospacientes

irãoconcentrar-senozumbido,poiséoquerealmente

inco-moda, não darão importância ao tratamento da audic¸ão.

Assim,oprofissionalprecisaconhecerocasoemdetalhese

esclarecerosfatosdeantemão.Ospacientesdevem

enten-derarelac¸ãoentreperdaauditivaezumbido,umavezque

oprognóstico tendeaser positivoa partir desse

entendi-mento.

OquestionárioTHI éuminstrumentofundamentalpara

verificac¸ãodoincômodocausadopelozumbidoeavaliac¸ão

dobenefíciodaintervenc¸ão.5 Neste estudo,o THI ajudou

a avaliar o impacto do zumbido na qualidade de vida do

indivíduo,possibilitouaobservac¸ãodaevoluc¸ãodoquadro

clínicodosgruposestudados.

A amostra global de grupos avaliados neste estudo

apresentou um THI médio de 66,66 pontos para G1 e

66,40parao G2, oque corresponde aumgrau moderado

deincômodo, motiva o indivíduo a procurar intervenc¸ão,

independentemente daperda auditiva. As amostras

apre-sentaramíndicesdeincômodomuitopróximos,exclusivea

possibilidadedeospacientescomaudic¸ãonormal

(6)

Os dados sugerem uma melhoria em longo

prazo para indivíduos com audic¸ão normal e, em curto

prazo, para indivíduos com perda auditiva(tabela 1). Tal

melhoria seria justificada pela modificac¸ão instantânea e

imediatadacondic¸ãodosistemanervosoauditivo,apartir

dasatisfac¸ão das necessidades acústicase sensoriais com

o uso do AA, com um aprimoramento do som ambiental

associadoaoGS.Issonãoocorreemindivíduoscomlimiares

auditivospreservados,poisseusdéficitsauditivospossíveis

estãoem áreas maisdistantesdoestímulodeGS, exigem

mais tempo para habituac¸ão e quebra do ciclo vicioso

comportamental,devidoaoincômodogeradopelosintoma.

Amesmainterpretac¸ãoocorreparaousoEVA,que

pos-sibilitaaverificac¸ãodaintervenc¸ão parazumbidodeuma

maneiramaisobjetiva,umavezqueopaciente percebaa

melhoriademaneiraclaraeoportuna,comajudavisual.Os

grupos apresentaram uma diminuic¸ão das pontuac¸ões nas

trêssituac¸õesdeavaliac¸ãoduranteoestudo(tabela2).

NosresultadosobtidosnoTHI,oincômododosGrupos1

e2mudoudemoderadoadiscreto,comreduc¸ãodemaisde

20 pontos para 100% dos pacientes. Os resultados

encon-trados na EVA indicaram reduc¸ão de 8,66-2,93 e em

seguida 1,80 no G1 e 8,00-3,40 e em seguida 1,66 no

G2, o que reforc¸a a eficácia do tratamento para os

gru-pos com o mesmo padrão: uma grande melhoria inicial

e manutenc¸ão do benefício, com melhoria discreta até a

avaliac¸ãofinal.

Com base no THI, verificou-seque a maioria dos

paci-entesapresentouumincômodoinsignificanteouleveeesse

sintomanãointerferiunasatividadesdiárias.Noentanto,na

rotinaclínica,épossívelencontrarcasosemqueosintoma

émuitodesconfortáveleincapacitante.13

Apesquisadafrequênciadozumbidoindicalimiares

psi-coacústicosagudos(tabela3),nãoseestendeàsfrequências

maisaltas,umfatorquecontribuiuparaosresultados

satis-fatóriosapósaintervenc¸ão.Oprognósticoépositivoquando

afrequênciadozumbidoseencontradentrodoslimitesda

faixa de frequênciado AA selecionado para adaptac¸ão.14

Corroborandoesseachado,aamostratotalfoibeneficiada

comousodoAAeGS,comumalcancedefrequênciadeaté

8kHz,oquefavoreceamelhoriadossintomas.

Observamosnapráticaclínicaque,apósasupressão

par-cialoutotaldosintoma,algunspacientespediramparaser

dispensadosdotratamento,poisestavamsatisfeitose não

sabiamqueasdificuldadesauditivascontinuariamdomesmo

jeitosem a reabilitac¸ão e que poderiahaver recorrência

dezumbidodevidoàfaltadeestimulac¸ãosensorial.Nessas

situac¸ões,oprofissionaldeveretomaraorientac¸ãoiniciale

alertarqueasdificuldadesdecomunicac¸ãocontinuarãose

elesnãousaremoAAeozumbidoestarádevoltasenão

hou-verestimulac¸ãosonoraparaocérebro. Oestudoconcorda

comessepressuposto,relataqueousodoAAparaestimular

osistemaauditivopodecontribuirparaareduc¸ão

perma-nentedas atividades neurais sugestivamenteresponsáveis

pelagerac¸ãoepercepc¸ãodozumbido.3

Nopresenteestudo,foipossívelmostraraeficáciadoGS

notratamentodozumbidonosdoisgrupos.Esseachadofoi

observadonosresultadosqueforampositivosesemelhantes

emambos osgrupos, medidopeloTHI eoEVAcomo

refe-rênciadamudanc¸anadeficiência.Essesachadoscorroboram

oestudoqueverificoumelhoriadozumbidocomo AA,AA

associadoaGSeGS,semdiferenc¸aentreosdispositivos.15

Em relac¸ão ao estímulo usadopara os grupos, o ruído

fornecidoerao‘‘ruídobranco’’,caracterizadopelaamostra

comoumsibiloconfortável.Oestudosugeriuqueoruídode

bandalargaémaiseficazdoqueodebandaestreita.16Os

autoresindicaramo‘‘ruídodefala’’,comomaistolerávele

maispropensoasuprimirozumbidocommaiseficácia;no

entanto,oobjetivodoestudonãofoiacomparac¸ãoentre

essesestímulos.17

Estapesquisa encontroua menor intensidadecapazde

proporcionaroalíviodosintoma,comosugeridonoestudo.6

No entanto, há evidências de que as abordagens

tera-pêuticas interferemnoresultado obtidopelaintervenc¸ão.

Oestudoquecomparouoefeitodotratamentodozumbido

comomascaramentodepontodemistura(total)proposto

pela terapia de retreinamento do zumbido (TRT) relatou

que o mascaramento foi mais eficaz nos primeiros três

meses e que ambas as abordagens foram iguais no sexto

mês.TRTmostrou-semaiseficazno12◦ mês.Esseaspecto

é semelhante aosresultados do presente estudo, noqual

houve uma melhoria mais significativa nos primeiros três

mesesdeintervenc¸ão.16 Éimportante destacarque,

inde-pendentemente da abordagem terapêutica sonora clínica

selecionada,aintervenc¸ãotemseuefeitoassociado

princi-palmenteao aconselhamento.6,18 Oaconselhamentoajuda

a quebrar o ciclo vicioso causado pelo zumbido, apoia a

tomada de decisão dos pacientes,bem como o

enfrenta-mentoeamudanc¸adecomportamento,eobservou-seque

afirmavaumamaioreficáciadotratamentoapartirdouso

do AA com aconselhamento, em comparac¸ão com apenas

aconselhamento.19

Aabordagemassociadausadanesteestudofoimuito

efi-cazeosucessodotratamentofoinumericamentemedido.

OsvaloresobservadosnoTHI foram22,13 e18,66paraos

Grupos 1 e 2, respectivamente, representou uma

melho-riasatisfatórianosprimeirostrêsmesesdeintervenc¸ão.Os

mesmospadrõescontinuaramnosseismesesseguinteseos

índicesobtidosnareavaliac¸ãoforamde11,6e10,6pontos.

Aproporcionalidadefoialcanc¸adaentreosgruposcomum

saltoqualitativodaprimeiraavaliac¸ãoemrelac¸ãoàsegunda

eumamaisdiscretaemrelac¸ãoàterceira.Issosugereque

aintervenc¸ãoeficazpodeserverificadanosprimeirostrês

meses.

Deacordo com osresultados, três mesesforam

sufici-entes para verificar o benefício do AA associado a GS e

GSisolado.Oestudo obteveareduc¸ão dosincômodosnos

primeirosmesesdeintervenc¸ãocomogrupoavaliado.20

Osautores,poroutrolado,compararamobenefíciode

usaroAAeoGS(isolado)nareduc¸ãodoincômodogerado

pelozumbidodurante12meseseobservaramqueamelhoria

do sintoma ocorreu de ummodo progressivo a partir dos

trêsmesesdaintervenc¸ão,semqualquerdiferenc¸aentreos

grupos.15

Especificamente,aanálisedeG2mostraqueoAA,além

deajudarnaamplificac¸ãodossonsdoambienteeno

reco-nhecimento de voz, favorece a estimulac¸ão do sistema

auditivo central, proporciona a reduc¸ão dapercepc¸ão do

zumbido.

Opresenteestudoverificouque ousodoGSpara

paci-entescomousemperdaauditivafoiigualmente eficazna

reduc¸ão doincômodocausadopelo zumbido.Assim,asua

eficácia e anecessidadede indicac¸ãopara pacientescom

(7)

O conhecimento audiológico sobre a fisiopatologia do

zumbido, associado ao conhecimento clínico para avaliar

tanto o sintoma como suas consequências e implicac¸ões

na qualidade geral de vida do paciente, é necessário.

Nenhumatécnicaouabordagemisoladaésuficienteparaa

intervenc¸ãoepromoc¸ãodosresultadosbenéficosemum

sin-tomaqueapresentaumsignificativoníveldesubjetividade

eindividualidade.

Conclusão

Opresenteestudonospossibilitouconcluirqueogeradorde

somassociadoaoaconselhamentofoieficaznotratamento

dozumbidoemindivíduoscome semperdaauditiva,

pro-porcionouamelhoriadoincômodoedadeficiênciaauditiva.

Conflitos

de

interesse

Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.

Agradecimentos

ÀFundac¸ão deAmparoàPesquisadoEstadodeSãoPaulo

(Fapesp) pelabolsa de pesquisa fornecida parao estudo,

processon.◦ 2013/12697-6.

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Imagem

Figura 1 Valores de limiares audiométricos médios, máximos e mínimos da orelha direita (OD) nas fases de Avaliac ¸ão Inicial, Monitoramento e Avaliac ¸ão Final dos grupos G1 e G2.
Tabela 3 Valores de média e DP de respostas obtidas para acufenometria na avaliac ¸ão inicial

Referências

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