Métodos quasi-experimentais
Exemplo de design experimental
Ameaças à validade interna e externa
Exemplos de designs quasi-experimentais e principais ameaças à validade
Mestrado em Educação FCUL- 2005/2006 Disciplina de Metodologias de Investigação Cláudia Faria
Design experimental
!Problema
!Hipóteses
!Experiência
Experiência Variável(eis) independente(s) Variável(eis) dependente(s)envolve uma mudança no valor
Design experimental
O efeito do tratamento é medido no grupo
Grupo experimental
Grupo controlo
Grupo de controlo do procedimento
É comparado com o efeito para outro grupo que não recebeu o tratamento, mas que é em todos os outros aspectos semelhante ao grupo experimental
Devido à possibilidade de o efeito no grupo experimental ser devido à manipulação e não ao próprio tratamento, terá de haver um 3º grupo onde é testado o efeito da manipulação
Design experimental
!
Exemplo:
!
Medir o efeito de uma hormona no
comportamento sexual - os sujeitos experimentais
têm de receber uma injecção
!
O efeito da injecção no comportamento sexual
pode ser causado pela hormona, mas também por
outros factores, como o desconforto provocado
pela injecção
!
Terá de haver um grupo a quem é dado a injecção
Design experimental
!Exemplo:
!
Utilização de simulações em computador na
aprendizagem de ciências
!
O efeito da utilização do computador pode por si
só desenvolver outras capacidades
!
Teríamos que ter um outro grupo que utilizasse o
Design experimental
!Replicados
!
utilizar vários grupos de cada tipo de forma a ter
uma medida da variabilidade
dentro
de cada
grupo passível de ser comparada com a
variabilidade
entre
grupos
!
Amostra representativa
!
aleatoriedade (selecção e experiências são o mais
semelhantes possível entre os vários grupos)
!
dimensão adequada aos objectivos
!
variabilidade equivalente à existente na população
Experiências
Influência da herbivoria nas comunidades
!
Que factores condicionam os limites de distribuição
vertical
! Qual a influência das lapas no limite superior das algas
vermelhas?
!
Comparação dos efeitos da herbivoria em diferentes
escalas espaciais
Boaventura, D.; M. Alexander; P. Della Santina; N.D. Smith, P. Ré, L. Cancela da Fonseca & S.J. Hawkins (2002). The effects of grazing on the distribution and composition of low shore algal communities on the central coast of Portugal and on the southern coast of Britain. Journal of Experimental Marine Biology and Ecology,267 (2): 185-206.
Design Experimental
Tratamentos
" " "" " " " " 22
Meia
Meia
-
-
rede
rede
33Control
Control
o
o
11
Exclus
Exclus
ão
ão
0.5m 0.5m 1m 1m 0.25m 0.25m 0.5m 0.5m 0.5m 0.5m 1m 1m -- redesredes + + lapas + + redesredes -- lapas + 1/2 + 1/2 redesredes + + lapas lapas lapas lapas
Design Experimental
Diferentes escalas espaciais
Design Experimental
Diferentes escalas espaciais
Portugal
Portugal
Britain
Britain
Cabo Raso
Cabo Raso EstorilEstoril SwanageSwanage Heybrook BayHeybrook Bay
Patch 1
Patch 1 Patch 2Patch 2 Patch 1Patch 1 Patch 2Patch 2 Patch 1Patch 1 Patch 2Patch 2 Patch 1Patch 1 Patch 2Patch 2
T1 T2 T1 T2 T3T3 3 treatments x 3 replicates 3 treatments x 3 replicates x 3 x 3
Experiências
Experiências
Ameaças à validade de uma
experiência
Factores que afectam a
validade interna
!
As alterações observadas na variável
dependente são de facto devidas ao
efeito da variável independente e não a
outras variáveis?
Ameaças à validade interna
!Exemplo:
! Teste do aproveitamento dos alunos no 1º semestre da
disciplina de metodologia de investigação
! Turmas mistas de didáctica das ciências e didáctica da
matemática
! Durante o 1º semestre os alunos de matemática têm que
apresentar 2 trabalhos escritos, 3 orais e 5 testes #.
! Os alunos de ciências, para além do trabalho desta
disciplina, não têm mais nada para fazer ☺.
! Questão: diferenças nas notas dos dois grupos da turma
podem ser atribuídas ao que cada grupo aprendeu?
História
– factos ocorridos em simultâneo com o
teste de uma variável experimental
Aumentar o número de grupos para menor probabilidade de acontecimentos estranhos
Ameaças à validade interna
!Exemplo:
! Nesta apresentação são solicitadas respostas a perguntas
sobre designs quasi-experimentais
! Avaliação prévia dos conhecimentos dos alunos sobre este
tema dando algumas dicas
! Questão: Pode-se concluir que respostas correctas são
exclusivamente devidas à apresentação?
Testagem
– O tratamento repetido ou a testagem do
mesmo sujeito pode influenciar o seu comportamento
Pré-teste não dê conhecimentos adicionais aos sujeitos
Ameaças à validade de uma
experiência
!
Exemplo:
! A metade da turma é dito que a metodologia de
investigação vai ser dada de uma forma revolucionária
! Supondo que não existe comunicação entre as duas
metades da turma
! Questão: será que a atenção (e talvez o aproveitamento) irá
ser igual entre as duas metades?
Expectativa
– Quando um tratamento é mais
eficaz que um controlo porque os intervenientes
acreditam que seja e actuam em conformidade
Ameaças à validade interna
!Exemplo:
! Determinar o efeito da aplicação de um conjunto de práticas
pedagógicas inovadoras no aproveitamento dos alunos de uma Universidade com uma selecção de entrada
particularmente exigente
Selecção – os resultados da investigação podem
ser devidos às próprias características dos sujeitos
Ameaças à validade interna
!Exemplo:
! Os alunos das ciências têm um teste na sexta feira, às 18h,
no fim da aula de metodologia, sem ter tido intervalo
! Os alunos de matemática têm o mesmo teste de manhã ! Partindo do pressuposto que não existe comunicação entre
os dois grupos
! Questão: Se os resultados forem diferentes nos dois grupos
poderemos concluir que é apenas devido a diferenças no aproveitamento?
Maturação
– processos vividos pelos
participantes decorrentes da passagem do tempo
(ex. ficar mais velho, cansado, com fome)
grupo de controlo que passa pelos mesmos processos/situações
Ameaças à validade interna
!Exemplo:
! Alunos com melhor e pior aproveitamento num determinado
teste
! Independentemente do tratamento em qualquer pós-teste
existirá tendência para que os resultados dos melhores alunos diminuam e os dos piores aumentem
Regressão estatística
– quando os grupos são
escolhidos com base nos valores extremos de uma
variável
ter um termo de comparação (alunos com aproveitamento médio)
Ameaças à validade interna
!Exemplo:
! Testar o efeito de actividades de conversação na
aprendizagem de uma língua estrangeira
! No fim do curso apenas ficaram aqueles que eram à partida
mais comunicativos
Mortalidade
– perca diferencial de sujeitos durante
a realização da experiência
características prévias dos que saíram obter dados dos que saíram
Ameaças à validade interna
!Exemplo:
! Numa investigação sobre comportamentos de indisciplina
utilizar diferentes observadores
! Consideram “o aluno levantar-se sem autorização” um acto de
indisciplina?
! Um investigador fazer observações sobre o comportamento
dos alunos antes e depois de se ter familiarizado com o tema ou com os sujeitos em estudo
Instrumentação
– problemas na fiabilidade ou
consistência nos instrumentos ou no processo de
recolha de dados
Operacionalizar as definições Teste intra- e inter-observador
Validade externa
!
Factores que afectam a representatividade
das conclusões de um estudo, ou seja, a
possibilidade de generalizar:
!
Amostra representativa da população em estudo
! Amostra aleatória
!
Qualquer falha na validade interna vai afectar a
validade externa porque os resultados vão ser
relativos àquela situação particular
Métodos quasi-experimentais
Exemplos de designs
Métodos quasi-experimentais
Características e aplicações
!
Não controlam todas as fontes de distorção
!
Aplicam-se quando não é possível uma
selecção aleatória dos sujeitos
!
Na investigação em educação é possível que a
escola:
! Não permita que as turmas sejam desfeitas ou divididas
para proporcionar amostras aleatórias
! Não permita que um tratamento seja dado a umas
Métodos quasi-experimentais
Design das séries temporais
O
1
O
2
O
3
O
4
X O
5
O
6
O
7
O
8
O – observação
X –“tratamento”
!
Características:
!
Não tem grupo de controlo
Métodos quasi-experimentais
Design das séries temporais
! Exemplo:
! Foi registada a evolução
do número de aulas sem incidentes agressivos por parte dos alunos antes e depois de se ter tido uma discussão colectiva
desses mesmos incidentes
! Linhas C e D é impossível
inferir qualquer efeito devido a X
! Linhas A e B é possível
inferir que há efeito que ocorre entre O4 e O5
Métodos quasi-experimentais
Design das séries temporais
!
Ameaças à validade interna
!
História
– possibilidade de ocorrência de
um ou mais acontecimentos em simultâneo
com X
Métodos quasi-experimentais
Design das séries temporais
!
Controlo da validade interna
!
Maturação – não justifica a alteração que se deu
apenas entre O
4e O
5!
Testagem – porque a exposição repetida leva à
adaptação ou à ausência de sensibilização
!
Regressão, selecção e mortalidade – utilizam-se os
Métodos quasi-experimentais
Design das amostras temporais equivalentes
X
1O
1X
0O
2X
1O
3X
0O
4O – observação X1 – “tratamento1” X0 – “tratamento0 ”
!
Características:
! Não tem grupo de controlo
! Os sujeitos são expostos ao tratamento de forma sistemática
!
Exemplo:
! Uma professora de arte vai determinar o efeito de uma visita
de estudo a um museu na aprendizagem
! X1 – ida ao museu
! X0 -aula dada normalmente ! O - teste
Métodos quasi-experimentais
Design das amostras temporais equivalentes
!
Ameaças à validade interna
!
Efeito reactivo da ordem
– só poderá ser
controlado quando temos mais do que um
grupo em que se aplica o tratamento e
Métodos quasi-experimentais
Design das amostras temporais equivalentes
!
Controlo da validade interna
!
História – porque é altamente improvável que um
acontecimento estranho ocorra em simultâneo
com todas as aplicações do tratamento
!
Maturação – afecta igualmente o tratamento e a
ausência de tratamento
!
Testagem – porque a exposição repetida leva à
adaptação ou à ausência de sensibilização
!
Regressão, selecção e mortalidade – utilizam-se os
Métodos quasi-experimentais
Design do grupo de controlo não equivalente
O1 X O2 grupo experimental --- grupos intactos O3 O4 grupo de controlo O – observação X – “tratamento” !
Características:
! Design mais utilizado na investigação em educação ! Tem grupo de controlo
! Participantes não são seleccionados aleatoriamente (grupos
intactos, ex. turmas)
! Ambos os grupos fazem pré- e pós-teste
! É possível utilizar este design com mais de 2 grupos
! É possível todos os grupos receberem tratamento em vez de
Métodos quasi-experimentais
Design do grupo de controlo não equivalente
!
Ameaças à validade interna
!
Devido à falta de selecção aleatória a principal
ameaça é que as diferenças que surjam na
experiência sejam devidas às características dos
grupos e não ao tratamento
!
Realização de um pré-teste para demonstrar que
os grupos são equivalentes em relação às
variáveis relevantes (e.g. idade, sexo, etc.)
Métodos quasi-experimentais
Tarefa 1
Objectivo:
determinar o efeito da utilização de
apresentações em power-point na
aprendizagem em metodologias de
investigação
Amostra: 2 turmas de alunos do mestrado de
educação 2006/2008
Métodos quasi-experimentais
Tarefa 1
! Procedimento? ! Cuidados a ter?
Metade da turma: aplicar o design das amostras temporais equivalentes
X1 O1 X0 O2 X1 O3 X0 O4
Metade da turma: aplicar o design do grupo de controlo não-equivalente
O1 X O2 ---O3 O4
Métodos quasi-experimentais
Desenho do grupo de controlo não equivalente
!
A) Design das amostras temporais equivalentes
!
Procedimento:
!
Alternar aulas com e sem power-point sobre
temas semelhantes às 2 turmas
!
Cuidados a ter:
!
Alternar a ordem de apresentação de cada tipo de
aula
Métodos quasi-experimentais
Desenho do grupo de controlo não equivalente
!
B) design do grupo de controlo não equivalente
!Procedimento:
! Dar aulas com power-point a 1 turma ! Dar aulas sem power-point a 1 turma
!
Cuidados a ter:
! Fazer a avaliação de cada turma de forma a determinar
previamente as semelhanças e diferenças entre elas:
! Em termos de variáveis externas (idade, formação, etc.)
! Aplicar um pré-teste a cada turma de forma a determinar
previamente as semelhanças e diferenças entre elas:
! Em termos de conhecimentos prévios sobre metodologias de
Métodos quasi-experimentais
Tarefa 2- Estudo de Meichtry, 1992 *
!
Objectivo:
perceber se um determinado programa de
ciências influencia o conhecimento com que os
estudantes ficam da natureza da ciência
! Amostra: 1607 alunos do 6º, 7º e 8º anos ! Procedimento:
! avaliação do conhecimento de 1004 alunos de uma escola
antes e depois da aplicação do novo programa
! avaliação do conhecimento de 603 alunos doutra escola (com
alunos de igual status socio-económico e etnia) antes e depois da aplicação do programa tradicional
! acompanhamento da prática de todos os professores
envolvidos
* Meichtry, Y.J. 1992. Influencing student understanding of the nature of Science: data from a case of curriculum development. Journal of Research in Science Teaching, 29 (4): 389-407.
Métodos quasi-experimentais
Tarefa 2- Estudo de Meichtry, 1992*
! Identifica o design do estudo
! Que tipo de grupo(s) existe(m) neste design?
! Quais as variáveis que foram controladas? Porquê?
! Qual a necessidade de acompanhar a prática de todos os
professores?
Expectativa - não sabemos se os
alunos foram informados que estavam a ser sujeitos a um novo programa
* Meichtry, Y.J. 1992. Influencing student understanding of the nature of Science: data from a case of curriculum development. Journal of Research in Science Teaching, 29 (4): 389-407.
Bibliografia
! Boaventura, D.; M. Alexander; P. Della Santina; N.D. Smith, P. Ré, L.
Cancela da Fonseca & S.J. Hawkins (2002). The effects of grazing on the distribution and composition of low shore algal communities on the central coast of Portugal and on the southern coast of Britain. Journal of Experimental Marine Biology and Ecology, 267 (2): 185-206.
! Campbell, D.T. & J. Stanley 1963. Experimental and quasi-experimental
designs for research. Houghton Mifflin Company, Boston.
! Gall, M.D.; W.R. Borg & J.P. Gall 1996. Educational research. An
introduction. Longman Publishers USA. New York.
! Meichtry, Y.J. 1992. Influencing student understanding of the nature of
Science: data from a case of curriculum development. Journal of Research in Science Teaching, 29 (4): 389-407.
! Tuckman, B.W. 2005. Manual de investigação em educação. Fundação