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Metodo e Objetivos UFMS

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Academic year: 2021

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Metodologia de Pesquisa em Arquitetura

A Pesquisa Aplicada

A pesquisa científica não é muito comum em nossa

profissão. Normalmente, quando somos levados à tarefa da pesquisa, o fazemos por exigência de um trabalho concreto: intervenção sobre uma área urbana habitada, restauração de um edifício de interesse histórico ou mesmo

levantamentos preliminares feitos para projetos de escolas, hospitais, grandes obras habitacionais, etc.

O trabalho do arquiteto tem, portanto, se utilizado, com maior constância, da chamada pesquisa aplicada, que se volta para a solução de um problema em si, sem se preocupar com a construção ou a defesa de uma teoria, embora, ao solucionar um problema concreto de sua época, também contribua com um novo conhecimento, que se agrega ao acervo da sociedade e acrescenta dados para estudos posteriores.

Pirâmide do Louvre - Ieoh Ming Pei (Paris, 1983 - 1989)

(2)

A Pesquisa Científica

A pesquisa científica tem finalidades que a diferenciam da pesquisa aplicada. Seu objetivo é a comprovação de uma tese e, para tanto, deve reunir os múltiplos

elementos que compõem a totalidade do conhecimento sobre o objeto.

Outros profissionais mais afeitos à atividade acadêmica: sociólogos, filósofos e historiadores, por exemplo, têm-se dedicado mais freqüentemente à ciência.

Entretanto, é da maior importância para o

desenvolvimento teórico da arquitetura e para o próprio conhecimento da profissão que, cada vez mais,

arquitetos se dediquem ao estudo do fenômeno arquitetônico, que é arte e, como tal, obra humana e histórica, interligada a outras manifestações da sociedade.

Leonardo da Vinci – Estudos Anatômicos / laringe e perna(1510)

(3)

O Arquiteto e o Papel em Branco

Ao deparar-se com o papel em branco, mesmo não sabendo, o arquiteto busca em sua memória a matéria prima da criação acumulada ao longo da história. Para Marx, a História não é uma compilação de fatos memoráveis que se sucedem ao longo do tempo e determinam resultados sobre as gerações posteriores, mas

“A sucessão de diferentes gerações cada uma das quais explora os materiais, os capitais e as forças de

produção a ela transmitidas pelas gerações anteriores; ou seja, de um lado prossegue em condições

completamente diferentes a atividade precedente, enquanto, de outro lado, modifica as circunstâncias anteriores através de uma atividade totalmente diversa”. (1)

1) Karl Marx & Friedrich Engels: A Ideologia Alemã (1845 / 1846)

Arquiteto do século XIX, trabalhando em sua prancheta

(4)

Il Campo (Siena - Itália)

A Dimensão Histórica da Arquitetura

A rigor, não existe uma história da arquitetura isolada da história da civilização, mas uma história da aventura humana que produz arte ao construir seu habitat.

É neste entrelaçamento entre a produção material e a representação humana traduzida em arte, sobre as condições dadas à sua época, que reside a dimensão histórica da arquitetura e sua

transcendência ao longo do tempo para as gerações sucedentes.

“ mi mayor interés está principalmente concentrado en el propósito de mostrar sus relaciones recíprocas con las actividades humanas y la semejanza de métodos que se emplean hoy día, lo mismo en construcción, pintura, urbanística y la ciencia.” (2)

(2) Siegfried Giedion: Spacio, Tiempo y Arquitectura (1940/1966)

(5)

O Método

A metodologia a ser empregada na análise do objeto deve ser também explicitada desde o início do trabalho, e se relaciona diretamente com o referencial teórico da pesquisa. A definição do universo a ser pesquisado, o tratamento a ser dado às informações colhidas e a compreensão que delas se extrai são parte da definição metodológica.

O método é essencial para a definição do enfoque a ser dado ao objeto pesquisado e não deve ser confundido com a técnica de pesquisa.

O método orienta a pesquisa. Para Abbagnano, em seu Dicionário de Filosofia:

“De modo geral, não há doutrina que não possa ser considerada e chamada de Método, se encarada como ordem ou procedimento de pesquisa”.

Alfândega (Atual Casa Brasil França: Grandjean de Montigny; Rio – 1830)

(6)

As Técnicas de Pesquisa

Observação

Nossa arte intervém diretamente sobre o espaço. É, portanto, conhecendo o espaço e os fatores que envolvem a obra, sua criação, seus aspectos funcionais, estéticos, etc., que se pode compreender uma obra de arquitetura. A observação é, por esta razão, a técnica fundamental da pesquisa de arquitetura. Todo arquiteto deve ter uma curiosidade especial em relação ao espaço que o envolve.

Entretanto, quando essa curiosidade busca a totalidade do conhecimento sobre o objeto, deve-se superar a simples obdeve-servação estática do edifício e ampliá-la para os horizontes da relação espaço-tempo, que é indissolúvel na arquitetura.

Mosteiro de São Bento (Rio de Janeiro – séc. XVII)

(7)

Partenon (Acrópole-Atenas)

As Técnicas de Pesquisa

A Análise Histórica

A permanência do edifício no espaço torna-o, ao longo do tempo,

referência de largo alcance na sociedade, cujo significado transcende o período de sua construção.

Assim, se podemos ter na literatura a manifestação documentada do modo de vida de uma sociedade, pode-se também dizer que o

convívio com a arquitetura, muitas vezes de um remoto passado, nos traz a materialização das intenções estéticas e funcionais que a

nortearam.

(8)

Perfil de uma coluna da Ordem Coríntia

As Técnicas de Pesquisa

A Análise Histórica

Ao estudar a arquitetura dos templos gregos, mantendo-nos no exemplo dado, deve-se somar, à observação dos aspectos formais de suas ruínas, a análise da sociedade escravista que gerou aquele tipo de solução arquitetônica.

-Compreender a função daquela religião e da reverência aos deuses;

- o papel do artista na Antigüidade; - as constantes guerras entre cidades;

- a base comercial e agrícola de sua economia; - a divisão de classes;

- a acumulação cultural; - a base tecnológica;

enfim, as várias faces do fenômeno traduzidas em linguagem arquitetônica.

(9)

Museu Guggenheim (Frank Gery; Bilbao - 1997)

O Objeto da Pesquisa

Os Limites e a Extensão do Objeto

Na pesquisa científica, o enunciado do problema não é oferecido por completo. As delimitações do estudo devem ser

necessariamente estabelecidas pelo pesquisador e constituem tarefa preliminar do trabalho de pesquisa. É muito importante que, na fase inicial do trabalho, seja delimitado o objeto da pesquisa. Durante a coleta de dados preliminares, é comum que o

pesquisador acrescente novas indagações e, com isso, estenda as frentes de trabalho.

Ampliar horizontes é positivo, mas pode levar à indefinição pela tentativa de “abraçar o mundo”, que é prejudicial ao

estabelecimento de um objeto concreto, provocando a perda do foco da pesquisa.

(10)

Opera Garnier (Parid – séc. XIX)

O Objeto da Pesquisa

Estética e Função

A maior permanência da dimensão plástica da obra arquitetônica pode conferir-lhe uma compreensão distorcida de atemporalidade. De fato, pode-se ouvir Mozart com o mesmo prazer estético da época de sua composição. Entretanto, a arquitetura, diferente de outras manifestações artísticas, possui um valor utilitário essencial para sua compreensão plena.

Ao ouvir uma música não perguntamos pela sua utilidade. Para que serve? Todavia, observando um edifício, logo nos vem à mente o fato de ser esse uma casa, um templo, um hospital, ou uma escola. Logo identificamos ou queremos descobrir o “para-que-serve”.

Teatro Municipal (Rio de Janeiro – séc. XX)

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O Objeto da Pesquisa

A Função como Dimensão Arquitetônica

Esse condicionamento é determinado basicamente pela função que o edifício desempenha para a sociedade.

A função possui uma dimensão própria que se transforma, com maior rapidez, ao longo do tempo.

Usando o exemplo de Lúcio Costa, podemos repetir o modelo, ou o “estilo”, de um casarão do período colonial brasileiro. Todavia, o que dava sentido ao projeto, isto é, a presença do escravo, transportando água, acendendo lampiões, abanando os senhores à mesa; não mais existe, foi substituída pelos modernos serviços urbanos, aparelhos eletrodomésticos, e outros.

Sem o escravo, a própria função “morar” perde o sentido. É comum vermos casarões como esses

transformados em decadentes cortiços, ou restaurados com novas funções:

museus, bares, centros culturais, etc. Paço Imperial. Rio, 1743

(12)

O Objeto da Pesquisa

A Dimensão Estética

Essa transformação revela não apenas a impossibilidade da

transposição de uma arquitetura do passado às funções do presente, como também a mudança que ocorre no próprio significado da obra.

Entretanto, mesmo alterado em seu significado, o edifício arquitetônico sobrevive na paisagem urbana, transmitindo um pouco do passado.

“Uma obra como o Partenon, em ruínas e nada mais significando para os rituais de uma religião que

também pereceu, permanece viva e continua tocando a sensibilidade. Essa sobrevivência não se apóia no mero valor documentário - ela se nutre na capacidade de ensinar e de transmitir, comunicar algo do antigo pensamento grego”.

Edgar Graeff

Partenon (Acrópole-Atenas)

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O Objeto da Pesquisa

O Programa de Necessidades como Síntese

“O programa de necessidades determina a realização de um espaço arquitetônico para abrigar e favorecer o exercício de certas

atividades humanas. Sob a forma de um edifício ou sob a forma de um espaço urbano, o espaço arquitetônico tem como traço mais importante o fato de constituir um ambiente especialmente condicionado às atividades que abriga”.

Edgar Graeff

Coliseu (Roma – séc. I)

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Vila Savóia (França – séc. XX)

Conclusão

Cabe, portanto, compreender a obra, o monumento, como síntese da produção cultural de uma época para entendê-la em seu conjunto e em suas relações com a vida material dos homens.

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Bibliografia

ARGAN, Giulio Carlo. Arte Moderna. 1 ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

COSTA, Lúcio. Lúcio Costa: registro de uma vivência. São Paulo: Empresa de Artes. 1995. GRAEFF, Edgar Albuquerque. Edifício. Cadernos Brasileiros de Arquitetura. São Paulo: Projeto, 1979. v.7:.

HAUSER, Arnold. História Social da Literatura e da Arte. São Paulo, Mestre Jou, 1982.

MARX, KARL, Engels Friedrich. A Ideologia Alemã: Teses sobre Feuerbach. São Paulo: Moraes, 1984.

REIS Fº., Nestor Goulart dos. Quadro da Arquitetura no Brasil. 4 ed. São Paulo: Perspectiva, 1970.

Referências

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