NUNES, E. D. 28
Cad . Saúd e Púb l., Rio d e Jane iro , 14(1):7-34, jan-mar, 1998 Dep a rt a m en t o d e
Psicologia M éd ica e Psiq u ia t ria , Fa cu ld a d e d e Ciên cia s M éd ica s, Un iv ersid a d e Est a d u a l d e Ca m p in a s, Ca m p in a s, Bra sil. Roosev elt M . S. Ca ssorla
O cen ten á rio d a p u b lica çã o d e O Su icíd io, d e E. Du rkh eim , e su a tão ad eq u ad a con textu ali-za çã o efetu a d a p o r m eu m estre Evera rd o D. Nu n es a u xilia r-m e-ã o a d iscu tir p ro b lem a s, a in d a a tu a is, rela tivo s à s ten ta tiva s d e co m -p reen sã o d o fen ô m en o su icíd io. Critica r h o je u m a o b ra escrita h á cem a n o s n ã o é d ifícil, e corre-se o risco im en so d e avaliações in ju stas. No en ta n to, su rp reen d en tem en te, a s crítica s qu e se lh e p od eriam fazer n ão d iferem d as qu e efetu a m o s à gra n d e m a io ria d o s tra b a lh o s a tu a is, e d eriva m b a sica m en te d e três co n d ições: 1) restrição d o con ceito d e su icíd io; 2) fa -lh as n as estatísticas; 3) con clu sões d iscu tíveis. Esta s co n clu sõ es, lim ita d a s p ela s p rem issa s an teriores, são tam bém con tam in adas p or con -ceitos e p recon -ceitos, reflexos d a n ão n eu trali-d atrali-d e trali-d o con h ecim en to cien tífico. Nu n es m ostra isso em várias situ ações. É clássica a segu in te a n ed ota , b a sta n te crítica em rela çã o a con -clu sõ es ‘cien tífica s’. Um in vestiga d o r a firm a : “As est at íst icas m ost ram qu e o casam en t o p rotege con tra o su icíd io”. Ao qu e ou tro, m ais com -p eten te e b em -h u m o ra d o, retru ca : “E o su icíd io p rotege con tra o casam en to”. Não su rp reen -d en tem en te, costu m am os ver n a clín ica p sicn alítica, isicn d ivíd u os celib atários com d ificu ld a-d es a-d e se relacion arem em ocion alm en te, resu l-tad o d e con flitos sim ilares aos qu e con trib u em p a ra co n d u ta s su icid a s. Pen so q u e o va lo r d o tra b a lh o d e Du rkh eim torn a ta is fa lh a s irrele-van tes, com o o texto d e Nu n es n os m ostra, cla-ram en te.
Vou d eter-m e, n este Deb ate, em p rob lem as com u n s aos trab alh os m ais recen tes sob re su i-cíd io. A gran d e m aioria d as in vestigações u tili-za m éto d o s ep id em io ló gico s, m u ito sim ila res aos u sad os p or Du rkh eim . Associações e corre-lações estatísticas, en volven d o características d em ográficas, h áb itos, fatores cu ltu rais, even -tos, d oen ças etc., con tin u am sen d o efetu ad as, red u n d an d o em d escrições q u e p ou co con tri-b u em p a ra u m con h ecim en to m a is p rofu n d o. Ra ríssim o s sã o o s tra b a lh o s em q u e existem gru p o s-co n tro le, m a s eles ta m b ém d eixa m a d eseja r, d evid o a o s m o tivo s q u e a ssin a la rei ab aixo. Ultim am en te, com o u so d e estatísticas m a is so fistica d a s, d escrevem se co n glo m era -d o s -d e va riá veis, q u e p o u co o u n a -d a n o s têm au xiliad o n a com p reen são d o fen ôm en o. Con -sid ero o fen ôm en o su icíd io ím p ar p ara con sta-tarm os q u e, q u an d o n os d efron tam os com fe-n ôm efe-n os h u m afe-n os, com variáveis com p lexas, q u e in tera gem p o r m eio d e in fin ito s em a ra -n h am e-n tos d i-n âm icos, os m étod os cie-n tíficos clássicos são b astan te lim itad os.
Ten tarei efetu ar algu m as h ip óteses, b em re-su m id as, relacion ad as a esta qu ase estagn ação criativa n os estu d os sob re su icíd io. Pen so q u e a m aioria d essas h ip óteses d ecorre d a falta d e con h ecim en to ou d a n ão-aceitação, p or p arte d os p esq u isad ores, d a existên cia d e u m m u n -d o m en tal in con scien te, q u e in terage tam b ém co m a so cied a d e. A p sica n á lise tem efetu a d o d escob ertas in teressan tíssim as, às qu ais os ou -tros p rofission ais n ão têm acesso, tam b ém em razão d e seu m étod o p ecu liar. E os p sican alis-tas, p or su a vez, têm se fech ad o em su as h ip ó-teses e d escob ertas, com qu ase n en h u m a troca com p esqu isad ores d e ou tras áreas.
Ho je sa b em o s q u e o su icíd io é a p o n ta d o icebergd e u m a série d e com p ortam en tos e fan tasias. Ao con trário d as d efin ições com u n s (in -clu in d o a d e Du rkh eim ), raram en te o in d ivíd u o p ossu i a lu cid ez qu e se su p õe, p ara sab er qu e o seu a to o leva rá à m o rte. Ma is a in d a , o s seres h u m an os ign oram o qu e é a m orte e criam fan -tasias sob re ela, com o u m a n ova vid a em ‘ou tro lu gar’, p or exem p lo. Essas fan tasias, geralm en -te in co n scien -tes, sã o d escrita s n o s tra b a lh o s citad os ab aixo. A p esqu isa clín ica m ostra qu e o su icid a n ão q u er m orrer: o q u e ele d eseja é fu -gir d e u m so frim en to in su p o rtá vel, a m o rte sen d o algo acessório, casu al. As con seqü ên cias d essa s co n sta ta çõ es sã o vá r ia s. En tre ela s: 1) n ã o p o d em o s a firm a r, co m certeza , q u e a to s su icid a s sã o resu lta n tes d e u m a b u sca (co n s-cien te o u n ã o ) d a m o r te; 2) m u ito s a to s q u e n ão term in am em m orte têm com p on en tes li-gad os a fan tasias su icid as.
A in certeza n a s d efin içõ es é u m a d a s ca u -sa s d a s fa lh a s n a s esta tística s. Su p õ e-se q u e m ais d e 50% d os su icíd ios com u m alto grau d e in ten cio n a lid a d e (co n scien te) o co rrem co m o acid en tes, geralm en te d e trân sito. Essa p orcen -ta gem p o d e ser m u ito m a io r, p o is é b a s-ta n te d ifícil d eterm in á-la. Os su icíd ios in con scien tes co n stitu em -se em o u tro gru p o, certa m en te im en so, q u e tam b ém se m an ifesta em acid en -tes, com p ortam en tos e variad as form as d e vio-lên cia . Co m o su gere Nu n es, p o ssivelm en te o p róp rio Du rkh eim in tu iu o com p on en te su ici-d a in co n scien te, n a q u eici-d a a ciici-d en ta l ici-d e seu qu erid o am igo Hom m ay. Ou tros fatores, cu ltu -ra is e in d ivid u a is, su b estim a m a s esta tística s d e su icíd io, m esm o em p a íses d esen vo lvid o s (os atestad os d e ób ito sen d o d eform ad os), e a p róp ria Organ ização Mu n d ial d a Saú d e (OMS) alerta os p esqu isad ores p ara esse fato.
O SUICÍDIO 29
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acid en tais (estes m ais em crian ças), n ão p od e-m os esq u ecer-n os d as overd oses e d o n ú e-m ero cad a vez m aior d e in fecções p elo víru s d a Aid s, p o r ca u sa d a im p ru d ên cia , ‘a m o r’ e ‘ro d a s d e p ico’. O in d ivíd u o se coloca n u m a situ ação em q u e tem gran d es ch an ces d e ser m orto. Aq u eles h o m icíd io s sã o m a is co m u n s em p o p u la ções em qu e a violên cia é en d êm ica, e tu d o in -d ica q u e su a in ci-d ên cia -d eve ser gra n -d e em n ossas cidades. Con sidero estes com p ortam en -tos u m a esp écie d e ord ália. Aliás, p en so qu e to-d o s o s a to s su icito-d a s sã o n a verto-d a to-d e o rto-d á lia s: u m jo go co m a so rte, em q u e o d esesp ero, a cu lp a, o sofrim en to, as p ertu rb ações n o con ta-to com a realid ad e etc., con d u zem o in d ivíd u o ru m o a u m sa crifício d e u m a p a rte d e si m es-m o. Falta a d iscries-m in ação d e qu e, caso ocorra a m o rte, ela o a tin girá p o r in teiro. O resu lta d o (m o rte o u so b revivên cia ) será cred ita d o a o d estin o, in co n scien tem en te co n fu n d id o co m a sp ecto s in tern o s q u e fu n cio n a m co m o d eu -ses, com variad os grau s d e sad ism o, in veja, se-d u ção ou cap acise-d ase-d e se-d e restau ração. Mése-d icos, p siq u ia tra s, p sica n a lista s e sociólogos p od em p erceb er q u e essa o rd á lia tem p o r a lvo ta m -b ém a socied ad e. É ela qu e vai d eterm in ar se o in d ivíd u o va i o u n ã o m o rrer, n a m a io ria d o s casos. A m ed icin a cu m p re su a p arte e as esta-tísticas de su icídio são in flu en ciadas, sem qu al-qu er d ú vid a, p elo au m en to d os recu rsos m éd i-co s existen tes, q u e p erm item a so b revivên cia d e m u ita s p esso a s q u e ten ta ra m m a ta r-se. A p siq u ia tria e a p sica n á lise p o d em , m u ita s ve-zes, a u xilia r a p reven ir o a to. E a so cied a d e é resp on sável p elas con d ições qu e d evem p erm i-tir a co m p reen sã o, a co lh im en to e ela b o ra çã o d o so frim e n to e m o cio n a l. Ho je se sa b e q u e a con vivên cia com in stru m en tos m ortíferos d term in a u m au m en to con sid erável n os n ú m e-ros. Não ter acesso a arm as d e fogo d im in u i as ta xa s d e su icíd io (e ta m b ém d e h o m icíd io s). Este fácil acesso é u m d os fatores p ara o m aior ín d ice d e su icíd io em m ilitares (esses n ú m eros já h a via m sid o a ssin a la d o s p o r Du rkh eim ) e ta m b ém n a s n o ssa s p o lícia s m ilita res (a in d a q u e, n este ú ltim o caso, já se con h eçam ou tros fatores im p ortan tes). Méd icos tam b ém se m a-ta m m a is, e tu d o in d ica q u e o s a n estesisa-ta s o cu p a m o p rim eiro lu ga r p ela fa cilid a d e d e acesso a d rogas letais. Mod ern am en te, ten d e-se a u sar ese-se con h ecim en to, b astan te sim p les, com o u m forte fator p reven tivo.
A cla ssifica çã o d e Du rkh eim co n tin u a ex-trem a m en te ú til. Certa m en te, h o je p o d em o s ap rofu n d á-la ao sab erm os m ais sob re d eterm i-n ad os fatores. O su icíd io egoístacon tin u a sen d o id en tificad o, m as agora tem os con h ecim en -tos razoáveis sob re a in teração en tre o m u n d o
in tern o, in co n scien te, e o m u n d o exter n o. É evid en te q u e u m gra u d e in tegra çã o so cia l frou xo facilitará o isolam en to d o in d ivíd u o. No en ta n to, verifica -se q u e q u a lq u er q u e seja o grau d e in tegração social, m u itas p essoas, p or fatores in tern os, in con scien tes, têm u m a gran -d e -d ificu l-d a -d e em in tegra r-se, o u em b u sca r gru p o s so cia is n o s q u a is essa in tegra çã o seja p ossível. Du rkh eim já n os ch am ava a aten ção, en p assan t, sob re isso, ao referirse aos m elan -cólicos. Hoje en con tram os tam b ém as ch am a-d as p erson alia-d aa-d es n arcísicas e afin s, cu ja fre-q ü ên cia e so frim en to m e fa z su p o r fre-q u e já se con stitu em n u m p rob lem a d e saú d e p ú b lica.
Ao referir-n o s a essa s p erso n a lid a d es, d e-fron tam o-n os com u m d esafio à in terd iscip li-n a rid a d e: so ció lo go s e p sica li-n a lista s têm se a p ro fu n d a d o n a co m p reen sã o d o n a rcisism o, tan to em su a verten te social, com o in d ivid u al, u m fen ô m en o crescen te, e rela tiva m en te re-cen te. Em n ossa socied ad e ten d em a p red om i-n ar seres ii-n d ivid u alistas, cu ja vid a rep ou sa i-n o p a recer e n ã o n o ser. Essa s p essoa s ign ora m a h u m a n id a d e d os ou tros (e d e si m esm a s), sã o altam en te com p etitivas e seu ob jetivo p rim or-d ial é ven cer n a vior-d a, p ara qu em ven cer sign ifi-ca ter m a is d in h eiro, p o d er, st a t u s etc. Nã o existe so lid a ried a d e e o s seres h u m a n o s p er-d em su a h u m a n ier-d a er-d e, co isifica er-d o s. Mu ito s w ork a h olic” p o d em en ca ixa r-se n este gru p o. Pesso a s q u e lu ta m d esesp era d a m en te p a ra con segu irem cargos n os qu ais se sen tem p od e-ro so s, ta m b ém ; cu rrícu lo s co m cen ten a s d e trab alh os p u b licad os p od em escon d er u m va-zio im en so n a vid a d e p esq u isad ores... etc. Po-d eríam os Po-d izer q u e a som atória Po-d esses in Po-d iví-d u os con stitu i a socieiví-d aiví-d e n arcísica, ou q u e a so cied a d e n a rcísica p ro d u z estes in d ivíd u o s. Certa m en te a s d u a s verten tes se m escla m , p ou co im p ortan d o se an tes vem o ovo ou a ga-lin h a.
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Cad . Saúd e Púb l., Rio d e Jane iro , 14(1):7-34, jan-mar, 1998
com p etitivid ad e e a coisificação. Nessa socie-d asocie-d e im p orta o ter e se ign ora o ser. Existe u m a con fu são en tre o q u e é p róp rio d o h om em e o q u e é m a teria l. Hu m a n id a d e ten d e a ser u m co n ceito teó rico e a id éia d e cid a d a n ia está p erd id a ou d eform ad a. Por su a vez, o cien tista p o lítico id en tifica rá fo rm a s d e govern o, co m rótu los variad os, tod os exclu d en tes d a m aioria d a p op u lação.
Para o p sican alista, o d escrito acim a reflete a a u to d estru içã o d a ca p a cid a d e d e p en sa r, e, em con seq ü ên cia, d a cap acid ad e d e se ser h u-m an o. Algu u-m as p erson alid ad es n arcísicas n ão su p o rta m o va zio, o u tra s n ã o su p o rta m o fra -ca sso em su a b u s-ca d e a lgo q u e n u n -ca o s p reen ch e. Em am b os casos p od erem os ter con -d u ta s su ici-d a s, q u e se a ssem elh a m a o s su icí-d io s ego ísta s, segu n icí-d o o referen cia l icí-d e Du r-kh eim . Mas, p arte d a d escrição acim a, som ad a às ráp id as m u d an ças d e valores, à im p ossib ili-d aili-d e ili-d e aili-d ap tação a elas, e acresciili-d as ili-d a p erd a erd e referen ciais sólierd os (religião, m oral, cren ças, h áb itos etc.), levam n os a con d u tas au to -d estru tiva s q u e ta m b ém se a p roxim a m -d a s an ôm icasd e Du rkh eim . Em term os p sican alíti-co s, a q u i en alíti-co n tra rem o s in d ivíd u o s alíti-co m u m m u n d o in tern o frágil, geralm en te con fu so, on -d e -d efesa s rígi-d a s p ro teto ra s -d esm o ro n a m d ia n te d e situ a çõ es em q u e a o n ip o tên cia é a b a la d a . As o rigen s d esses m eca n ism o s re -m o n ta -m a fa ses p reco ces d a vid a e refo rça -m e/ ou são reforçad as p or asp ectos sociais. Mu i-ta s vezes o s fa to res so cia is n ã o têm a m en o r im p o rtâ n cia . Em o u tro s ca so s, so ció lo go s d i-rão q u e os con flitos p recoces são fan tasias d os p sican alistas. Som en te a in terd iscip lin arid ad e resolverá esta d iscu ssã o, b a sica m en te id eoló gica , evita n d o co m p o n en tes “su icid a s” n o sa -b er. O su icíd io a n ô m ico é en co n tra d o, co m certeza , en tre o s ín d io s Gu a ra n i-Ka iowá a s d e Dou ra d os – MS (q u e tiveram su a cu ltu ra e m i-tos desestru tu rad os), o qu e, em m in h a op in ião, a p roxim a -se d o q u e o co rre en tre m u ito s d o s ad olescen tes atu ais. A in teração en tre com p o-n eo-n tes sócio-cu ltu rais e io-n dividu ais o-n aqu ele es-tu d o é cla ro, a in d a q u e n ã o se tivessem u sa d o in stru m en to s p sica n a lítico s (Ca sso rla & Sm e-ke, 1994).
Pen so q u e Du rkh eim con cord aria em ch a-m a r su icíd ios a lt ru íst a sà q u eles q u e o co rrem en tre fa n á tico s q u e p ra tica m a to s terro rista s. Mas, sob ou tro p on to d e vista, essas p essoas terã o gra n d es va n ta gen s, já q u e em su a s fa n ta -sias p ós-m orte, ru m arão a u m p araíso fan tásti-co, on d e serão recom p en sad os com o h eróis. Já os velh os d a Nigéria q u e se m ataram p ara d eixa r o p o u co a lim en to existen te p a ra a s cria n -ças, h á algu n s an os, certam en te foram altru
ís-tas, ain d a q u e n ão con h eçam os su as fan tasias p ós-m orte.
Ou tro p ro b lem a , b em a tu a l, sã o o s su icí-d io s co letivo s: o s a icí-d ep to s icí-d e Bill Jo n es, o s re-cen tes su icíd ios n a Su íça, Can ad á, Fran ça, Es-tad os Un id os e Vietn ã. As id éias d e ‘viajar’ p ara u m ‘m u n d o m elh or’ n a cau d a d o com eta Hale-Bop p levam -n os n ovam en te ru m o às fan tasias so b re a m o rte e a o fu n cio n a m en to d o m u n d o in tern o. Os gru p o s q u e se m a ta m sã o co eso s, ta lvez co eso s d em a is, o q u e n o s a fa sta ria d o con ceito d u rkh eim ian o d e su icíd io egoísta ou m esm o a n ô m ico. E é d ifícil en co n tra r n eles q u a lq u er tra ço d e a ltru ísm o. Ma is u m d esa fio p ara seu estu d o, in terd iscip lin ar.
Ma rga u x Hem in gwa y m a tou -se n o a n iver-sário d a m orte d e seu fam oso avô. Mortes sim ilares a essa, d ecorren tes d e p rocessos d e id en tifica çã o co m p esso a s p erd id a s, sã o b em co -n h ecid as p elos p sica-n alistas. Ocorrem tam b ém qu an d o u m a p essoa in flu en te se m ata ou m or-re. Aqu i, os p sican alistas sen tem b astan te falta d o tra b a lh o d e o u tro s p ro fissio n a is q u e estu -d em o h om em . As ‘reações -d e an iversário’ são d iscu tid as n o texto citad o n as referên cias (Cas-sorla, 1991).
Fin alm en te, n ão n os esq u eçam os d as con -d u tas au to e h etero-d estru tivas in -d ivi-d u ais for-ta lecid a s p ela so cied a d e, q u e se refletem n a m iséria, n os ‘sem -n ad a’, n a violên cia, n a m orte d a ca p a cid a d e d e p en sa r, n ã o so m en te d o s o p rim id o s, m a s t a m b é m d o s p o d e ro so s, q u e ‘têm’ cad a vez m ais e ‘são’ cad a vez m en os. No en tan to, as forças d e vid a (Eros, p ara os p sica-n alistas) estão sem p re p resesica-n tes, sica-n u m a relação d ia lética co m Tâ n a to s. O a u to r d esta s lin h a s con fia b astan te, d e su a exp eriên cia, n a força d e Eros, in clu sive p ara alertar-n os sob re as facetas através d as qu ais, su tilm en te, Tân atos se m an i-festa.
CASSORLA, R. M. S., 1991. Do Su icíd io: Estu d os Brasi-leiros. Cam p in as: Pap iru s.