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Rev. bras. ortop. vol.45 número4

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Academic year: 2018

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Faleceu um im por t ant e or t opedist a do Rio

de Janeiro, que conheci em meados do sé -culo passado, quando ele ainda não est

uda-va medicina – Mauricio Barbosa Menandro. Nasceu em Rezende, RJ, em 5 de abril de 1931 e morreu, no Rio de Janeiro, em 2 de ju

-nho de 2010. Admirado por todos que o conhe -ceram , est e regist ro é m erecido pelo que

pro-duziu e pela retidão em sua vida profissional. Nos conhecemos em 1954, eu já estudava

m edicina e ele ainda est ava cur sando o co-legial; fom os colegas no set or adm inist rat ivo

do ex-Iapi. Desde o início foi bom e muito

agradável nosso convívio e, após a conclusão do cur so m édico, t rabalham os j unt os v ár ias

vezes. O longo tempo de relacionamento me

aut or iza a r elem brar, com possíveis falhas, sua bela t raj et ór ia pr ofissional e que r

esul-tou em uma amizade profunda.

Maur icio cur sou a Faculdade Nacional de

Medicina da Praia Vermelha. Fez Residência

no Ser v iço de Or t opedia de Ar naldo Bom fim e t r einam ent o em Cir ur gia da Mão no Hospi-t al Municipal Souza Aguiar com um dos pio-neir os da especialidade, um dos fundador es

da SBCM, Danilo Gonçalves.

No Ser v iço t rabalhavam not áveis or t ope-dist as da época, eu era um dos j ovens

as-sistentes. Depois de burocratas no ex-Iapi, juntos como médicos.

Por orientação de Danilo, foi para a Ingla -t er ra, -t rabalhou duran-t e dois anos sob a

su-pervisão de E.A. Nicoll, em Mansfield. Para

se m ant er t er ia que t rabalhar, conseguiu por int er fer ência de Nicoll, com o Senior House Officer, r ecur sos suficient es para sust ent ar

um casal. Não hesitou, sua amada namora

-da ficara no Brasil, casaram por procuração. Decisão acertada do casal, eles foram felizes e tiveram três filhas muito queridas.

Ao r egr essar da I n glat er r a foi t r abalh ar com o Chefe de Clínica do Ser v iço de Or t

ope-dia de Danilo Gonçalves, no Hospital Souza

Aguiar, cuj o excelent e set or de Traum at ologia

tinha grande prestígio em todo o Estado. Os

resident es lá form ados seguiam program a de t reinam ent o rigorosam ent e ét ico, com dest a-que para a Cir ur gia da Mão, ainda exer cida

pelos ortopedistas e cirurgiões plásticos.

Convidado para lecionar Ort opedia na Fa-culdade de Medicina de Taubat é, SP, lá

per-maneceu de 1974 a 1977, só voltou ao Rio por motivo familiar. Foi bem-sucedido, pres -t igiado por seus pares e adm irado pelos

alu-nos; foi Patrono da turma de 1976.

Voltou ao Rio de Janeiro como Chefe do

Ser v iço de Or t opedia do Hospit al Barat a

Ri-beiro, fundado nos anos 40, tradicional cen -t r o de cir ur gia infan-t il e or -t opedia,

especiali-dades atribuídas aos ortopedistas da época.

Em 1 9 7 8 , Maur icio encont r ou um hospit al com especialidades m ais m oder nas, or t

ope-dia e cirurgia plástica. Seguindo os padrões

qu e obser var a n a I n glat er r a, obt ev e m u

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to sucesso durante a sua chefia. O Serviço cresceu qualitativamente e produzia mais.

Os r esident es apr endiam m uit o com o seu int er esse em ensino e t r einam ent o, sendo

os valores éticos sempre destacados.

Per m aneceu nesse hospit al at é aposen -t ador ia por -t em po de ser v iço n a car r eir a

municipal. Como tinha, também, vínculo no

Minist ér io da Saúde, t rabalhou at é 1992, no Hospit al de Traum at ologia e Or t opedia, HTO,

onde colaborou com L. Turqueto na criação do Setor de Cirurgia do Joelho.

Maur icio t inha grande int er esse pela or t o-pedia pediát r ica, no Hospit al Barat a Ribeir o, onde, t am bém , t rabalhei com ele, algum as pat ologias eram t rat adas com m aior fr equ-ên cia: lu x ação con gequ-ên it a do qu adr il, dis-cr epân cia, an gu lações e defor m idades n os m em b r os in f er ior es, p at olog ias cir ú r g icas nos m em br os super ior es e infecções ost

eo-articulares. Foi um dos primeiros, no Brasil,

a iniciar o t rat am ent o das frat uras do colo do fêm ur com pinos deslizant es, quando t

raba-lhava em Taubaté.

Publicou e apr esent ou diver sos t rabalhos em r ev ist as m édicas e congr essos; dest aco o ar t igo publicado na Rev ist a Brasileira de Or t opedia, em 1976: “A ‘Guer ra’ nas est ra-das”, por que nele apont a pr oblem as e falhas que, anos depois, foram r esponsáv eis por t ragédia, m encionada adiant e, que at ingiu a

família de Mauricio.

Tinha or gulho dos r esident es dos Ser viços

em que atuara. Destacarei alguns que ocupa -ram ou ainda ocupam posições im por t ant es: Rodrigo Prat a Rocha, que o subst it uiu em bat é, Nelson Franco Filho, pr ofessor em Tau-bat é e ex- Pr esident e da SBCQ, Flavio Silveira,

ex-Diretor do Hospital Barata Ribeiro e outros

hospit ais m unicipais, im port ant e adm inist rador

hospitalar, Luiz Antonio M. dos Santos, Chefe

do Serviço de Ort opedia do Hospit al Barat a

Ri-beiro, Idemar M. de Palma, conceituado cirur

-gião do joelho. Outros, também comentados por ele, não me vêm à memória.

Em 1 9 9 3 , conv idado pelo Secr et ár io de Saúde de seu m unicípio nat al, para cr iar um pr ont o- socor r o na cidade, ele m e cham ou

para ajudá-lo, novamente juntos. O prédio

j á est ava pr ont o, or ganizou e inst alou um hospit al de pr ont o- socor r o de bom padr ão, após inauguração do Hospit al, que cont inua a pr est ar bons ser v iços à população, dir

igi-mos essa unidade por algum tempo.

Além d e b om p r of ission al, g ost av a d e apr oveit ar a v ida no seu r efúgio em Cape-linha, um agradável e belo condom ínio em

Rezende, onde gostava de jogar vôlei em

clube cr iado, para espor t es e lazer, por v

i-zinhos e família. Amigos eram convidados,

com fr equência, para par t icipar da alegr ia

dos Menandros.

Sua enfermidade foi prolongada. Recordar

a fam ília, m uit o am ada por ele, que est im o e sou grat o pelo car inho com que sem pr e m e t rat aram , é um a obr igação que cum pr o com m uit a em oção: Heloisa, esposa por m ais de

40 anos, as adoradas filhas Geisa, Patrícia, e

Adr iana que foi v ít im a de fat al at r opelam

en-to há alguns anos. Falhas apontadas por seu

pai, em t rabalho m encionado acim a, foram causas de sua per da, houve incom pet ência, covar dia, im punidade do m ot or ist a r

espon-sável e, também, deficiência no socorro.

I m por t ant e or t opedist a, est udioso, t raba-lhador, com pet ent e e honest o, ser á lem bra-do, por m uit o t em po, por colegas e am igos e em m uit os lugar es do Brasil pelos inúm

e-ros residentes formados por ele. Adeus Mauricio Barbosa Menandro.

Referências

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