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um estudo sobre a dengue :: Brapci ::

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RECI I S – R. Elet r . de Com . I nf. I nov. Saúde. Rio de Janeir o, v.6, n.1, p. 39 - 49, Mar ., 2012 [ w w w .r eciis.icict .fiocr uz.br ] e- I SSN 1981 - 6278

* Ar t igo Or iginal

M e dia çõe s da in for m a çã o e m Sa ú de Pú blica : u m e st u do sobr e

a de n gu e

Edla in e Fa r ia de M ou r a V ille la

Faculdade de Saúde Pública, Univer sidade de São Paulo, São Paulo, SP, Br asil [email protected]

M a r co An t on io de Alm e ida

Dout or em Ciências Sociais, docent e do cur so de Ciências da I nfor m ação e Docum ent ação da FFCLRP- USP e do Pr ogr am a de Pós- Gr aduação em Ciência da I nfor m ação da ECA- USP, São Paulo, SP, Br asil

m ar coaa@ffclr p.usp.br

DOI : 10.3395/ r eciis.v6i1.465pt

Re su m o

O r isco sur ge com o conceit o quando o fut ur o passa a ser passível de pr evisão, just ificando r evisão cont ínua de com por t am ent os a par t ir de novas infor m ações ger adas. A quest ão do r isco e pr evenção de doenças apar ece com clar eza em um caso concr et o com o a dengue, o que per m it e um gancho int er essant e par a discut ir o papel da m ídia, a qual influencia at it udes e for m ação da opinião de acor do com est r at égias de divulgação de infor m ações. O obj et ivo do t r abalho é conhecer o im aginár io social da populacão sobr e conhecim ent os im por t ant es da dengue por m eio da const r ução de discur sos, t r azendo subsídios par a pensar r elações ent r e saúde pública e divulgação da infor m ação par a os cidadãos. O m ét odo ut ilizado foi o Discur so do Suj eit o Colet ivo, car act er izado pela t abulação de dados qualit at ivos, pela aplicação de quest ionár ios no m unicípio de Ribeir ão Pr et o, SP. O DSC t em com o base a Teor ia das Repr esent ações Sociais, que capt a o im aginár io social sobr e um t em a. Par a analisar e cont ext ualizar os dados, for am feit as r efer ências a t eor ias acer ca da r eflexividade, do r isco e da Sociedade da I nfor m ação. Salient a- se a im por t ância dos m ediador es par a que haj a bom desem penho da m ediação de infor m ações de qualidade sobr e saúde, e sobr e dengue especificam ent e.

Pa la v r a s- ch a v e : Com unicação em Saúde; Mediação da I nfor m ação; Repr esent ações Sociais; Medição de Risco; Discur so do Suj eit o Colet ivo

I n t r odu çã o

Desde o Renascim ent o e, especialm ent e a par t ir da Revolução I ndust r ial, nossa civilização iniciou um pr ocesso de inst it uição de novas r edes de t r ansm issão, e, consequent em ent e, de novas for m as de int er ação e t ipos de r elacionam ent o social. Com o sur gim ent o de novos m eios de com unicação, a int er ação se dissociou cada vez m ais do am bient e físico. Am pliar am - se ent ão as int er ações m ediadas —aquelas que im plicam no uso de um m eio t écnico, com o papel, fios elét r icos, ondas elet r ônicas, et c. —, e as int er ações quase m ediadas — as r elações sociais est abelecidas pelos m eios de com unicação de m assa com o livr os, j or nais, r ádio, t elevisão, e que im plicam num a am pla disponibilidade de infor m ação e cont eúdo sim bólico no espaço e no t em po. Os indivíduos, de um m odo ger al, passar am cada vez m ais a ut ilizar ou a se m obilizar em busca de infor m ações e cont eúdo sim bólico de font es ( e pessoas) dist ant es de seu cot idiano: “ a cr iação e a r enovação das t r adições são pr ocessos que se t or nam sem pr e m ais int er ligados ao int er câm bio sim bólico m ediado” ( THOMPSON, 1998) .

No m undo cont em por âneo, a m ídia desem penha um papel de cr escent e im por t ância na divulgação de infor m ações r efer ent es à Ciência, par t icular m ent e de seus im pact os no cot idiano das pessoas. Não é por acaso, por t ant o, que a saúde — com pr eendida inclusive num a concepção m ais am pla de “ bem - est ar ” — ocupa gr ande espaço nas r evist as, j or nais e pr ogr am as t elevisivos. Est e pr ocesso de divulgação dos fat os cient íficos envolve não só a difusão de infor m ações, m as t am bém a const r ução ideológica de valor es e a conseqüent e legit im ação social de det er m inados com por t am ent os e at it udes.

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leit ur a e de apr opr iação dos conhecim ent os e infor m ações, t ant o ent r e pesquisador es e inst it uições, com o t am bém dest as com as com unidades ou o público m ais am plo. Ent r et ant o, se o pr im eir o caso t em r ecebido bast ant e at enção por par t e das r eflexões acadêm icas, o segundo ainda não t em sido suficient em ent e consider ado. Nos últ im os anos, o conceit o de r edes sociais t em sido bast ant e ut ilizado no cam po da infor m ação em saúde. A for m ulação clássica do conceit o é dada por Cast ells ( 1999, 2003) , e diz r espeit o à sua concepção de que hoj e os at or es sociais int er agem no cont ext o de um a “ sociedade da infor m ação” — um a sociedade est r ut ur ada em r edes sociais, em sua m aior ia conect ada por m eio das t ecnologias de infor m ação e com unicação ( TI Cs) . No caso específico da r ede de com put ador es que com põe a int er net , t r at a- se de m áquinas capazes de se com unicar ent r e si e capazes t am bém de pr ocessar infor m ações num a escala gigant esca, t or nando possível ger ar novas for m as de or ganização e cont r ole do capit al e do conhecim ent o. Rede social, por t ant o, pode ser ent endido com o um conceit o de junção ent r e infor m ação e saúde que per m it e visualizar um a t endência à m udança social e explor ação da r iqueza de exper iências de ação, ou sej a, as r edes sociais podem ganhar um papel social im por t ant e na ár ea da saúde, desde que o pr ofissional da infor m ação pr om ova t al int egr ação. Pode - se per ceber um foco pr ivilegiado sobr e as r edes secundár ias ( for m adas pela at uação colet iva de gr upos, inst it uições e m ovim ent os) . O enfoque sobr e as r edes pr im ár ias ( r elações de fam iliar idade, par ent esco, vizinhança, am izade, et c.) , as quais r espondem pelo pr ocesso de socialização dos indivíduos, é, com par at ivam ent e, bem m enor .

No caso específico da saúde pública, com pr eender com o se dá esse pr ocesso e com o as infor m ações chegam aos indivíduos e às com unidades, com o elas cir culam , com o são int er pr et adas e apr opr iadas, t or na- se um aspect o fundam ent al na const r ução de est r at égias de pr evenção e com bat e de doenças, com o, por exem plo, a dengue. Est e t ext o tr az algum as r eflexões iniciais sobr e esse pr ocesso. O obj et ivo é, a par t ir de um a pesquisa explor at ór ia sobr e um a am ost r a de est udant es univer sit ár ios, obt er elem ent os que per m it am conhecer m elhor o im aginár io social da população em ger al sobr e a dengue, e as infor m ações que possuem a r espeit o. Ut iliza- se com o m et odologia de r efer ência o Discur so do Suj eit o Colet ivo ( DSC) , com plem ent ado por r efer ências t eór icas dos cam pos da Sociologia e da Com unicação, acionando conceit os que busquem esclar ecer os pr ocessos de r eflexividade dos suj eit os e de com unicação e apr opr iação da infor m ação. Esper am os, desse m odo, t r azer subsídios par a r eflet ir acer ca das r elações ent r e Saúde Pública e Meios de Com unicação.

I n for m a çã o, com u n ica çã o e sa ú de pú blica : m e dia çõe s

Um esclar ecim ent o pr elim inar diz r espeit o aos conceit os de r isco e de nor m a, especialm ent e no âm bit o da Saúde Pública, e que se cor r elacionam à idéia m ais ger al de um a “ Sociedade de Risco” . A idéia de um a sociedade de r isco consolida- se com a m oder nidade, associada ao pensam ent o pr obabilíst ico e à idéia de cálculo, que possibilit ar ia o seu ger enciam ent o. Vale m encionar aqui o conceit o de “ r eflexividade” , desenvolvido por Beck ( 1997) e Giddens ( 1991) , e que diz r espeit o à capacidade das pessoas de est abelecer um a r evisão cont ínua de suas at it udes e com por t am ent os a par t ir de novas infor m ações ou conhecim ent os dos aspect os da vida social. Os m eios de com unicação, obviam ent e, desem penham um papel m uit o im por t ant e nesse pr ocesso per m eado de cont r adições e am bigüidades.

O r isco sur ge com o conceit o quando o fut ur o passa a ser ent endido com o passível de pr evisão, ancor ando - se num a for t e cr ença na r acionalidade e j ust ificando det er m inadas for m as de cont r ole. Const it ui - se, assim , o espaço da pr evenção, no qual a nor m a é o pr incipal m eio de cont r ole do r isco. A idéia de um a sociedade de r isco per m it e- nos um gancho int er essant e par a se discut ir o papel da m ídia, que pode ser encar ada de duas for m as: a - com o laço social, na m edida em que ela dissem ina valor es sim bólicos que podem ser par t ilhados pelos m em br os de um a sociedade, const it uindo - se assim com o fat or de agr egação sim bólica no cot idiano; b - com o m odelo

com por t am ent al, não num sent ido det er m inist a, m as no sent ido de r efer ência de padr ões

passíveis de ser em incor por ados pelos indivíduos em seu r eper t ór io. Desse m odo, t alvez se explique t ant o o int er esse com o t am bém a for m a pela qual a m ídia t r at a a ciência.

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m it ificação.

Os m eios de com unicação conduzem a população a com o pensar , m as pr ior iza o fat o de poder det er m inar sobr e o quê pensar : definem um a “ or dem do dia” , sobr e aquilo que é im por t ant e conhecer e t er um a opinião. Exist em “ agendas” difer ent es de acor do com a car act er íst ica dos m eios de com unicação ( a abor dagem da t elevisão difer e da im pr ensa escr it a e do r ádio) . As possíveis ênfases, lacunas ou dist or ções a r espeit o das not ícias sobr e r isco epidem iológico nos j or nais diár ios não podem ser ent endidas com o um a sim ples m anipulação pr em edit ada, m as com o r esult ado das fases e r ot inas pr odut ivas dos m eios de com unicação. As teor ias que focalizam a influência da m ídia no com por t am ent o, na at it ude ou na for m ação da opinião pública, aj udam a ilum inar a abor dagem das not ícias sobr e r isco epidem iológico nos j or nais diár ios. Nenhum a delas deixa de r econhecer que os m eios de com unicação cont r ibuem par a as pessoas for m ar em um a det er m inada idéia do que sej a a r ealidade e adot ar com por t am ent os, at it udes e opiniões a par t ir dessa idéia. Por t ant o, a for m a com o as pessoas se com por t am com r efer ência à saúde t am bém r ecebe influência da m ídia, j á que est a pr oduz sent idos, bem com o as not ícias veiculadas pela m ídia são t am bém o r eflexo das expect at ivas que as pessoas t êm a r espeit o da saúde.

Por out r o lado, Giddens ( 1991) em seu ent endim ent o da sociedade de r isco, fr isa que os at or es são sem pr e r eflexivos e podem alt er ar seu com por t am ent o a qualquer m om ent o, o que pr oduz um fluxo const ant e de m udança social. Mas ele descar t a a ident ificação da ação com a r acionalidade e a t r anspar ência do suj eit o em r elação a si m esm o: subdividindo a consciência em “ pr át ica” e “ discur siva” , enfat izando que os at or es são sem pr e hábeis na vida social, sem que isso im plique, necessar iam ent e, um conhecim ent o m ais conceit ual, e, por t ant o, ar t iculável discur sivam ent e, das r egr as que r egem seus pr ocessos int er at ivos, em bor a m uit as vezes lhes sej a possível t r aduzir suas ações em explicações bem ar t iculadas. Assim , a consciência pr át ica per m it e- nos seguir r egr as e m udá- las sem que nos quest ionem os sobr e seu significado e car act er íst icas. O aut or at r ibui à noção de “ est r ut ur a” um car át er condicionant e da ação dos at or es e, ao m esm o t em po, capacit ador de suas ações. I sso quer dizer que a est r ut ur a é, sim ult aneam ent e, com post a de “ r egr as” e “ r ecur sos” , que definem par âm et r os par a a ação, for necendo - lhes t am bém os inst r um ent os, do cont r ár io inexist ent es, par a agir . Obviam ent e a t ecnologia desem penha um papel im por t ant e em t udo isso, e não ser ia for çado pensar a I nt er net e suas r edes sociais, a par t ir da noção de sist em a per it o pr opost a por Giddens, com o t alvez o exem plo m ais r ecent e desse t ipo de sist em a, sobr e o qual se const r oem diver sas visões.

É im por t ant e, por t ant o, consider ar o papel da ciência na cult ur a cont em por ânea com o eixo

pr odut or e legit im ador de sent ido. O j or nalism o cient ífico não segue a pr át ica de confr ont ar

ver sões, por que t r abalha quase sem pr e com um a im agem de ciência que não consider a ver sões cont r ár ias, const r uindo um a “ ver dade cient ífica” baseada num consenso inexist ent e. Isso apr oxim a o j or nalism o cient ífico do senso com um , est im ulando o dest aque dado pela m ídia aos “ avanços” da ciência, deixando de lado aspect os cont r adit ór ios e im por t ant es do m esm o. Há um a espécie de “ cr edencial de im unidade” for necida pela sociedade aos cient ist as e que, de acor do com Lat our ( 2001) , r epousa na exist ência de “ caixas- pr et as” : conhecim ent os j á aceit os, sobr e os quais não pair am nenhum a cont r ovér sia, r efor çando assim a idéia de “ ciência pr ont a” em oposição à “ ciência em const r ução” .

Um exem plo do t ipo de t r at am ent o dado pela im pr ensa aos t em as cient íficos pode ser ilust r ado com a quest ão do r isco epidem iológico. A idéia de r isco consolidou - se com a m oder nidade, associada ao pensam ent o pr obabilíst ico e à idéia de cálculo, que possibilit ar ia o seu “ ger enciam ent o” . A idéia de “ r isco” é “ vendida” com o algo à pr ova de dúvidas. Sur gem assim novas for m as de vigilância do indivíduo at r avés do aut ocont r ole; essas novas for m as ganham visibilidade pr incipalm ent e at r avés da m ídia, que r epr oduz e r econst r ói a explicação do pr ocesso saúde- doença da definição de r isco epidem iológico. Cer t os com por t am ent os, hábit os, et c. são est im ulados e out r os são “ condenados” , sem pr e sob o m ant o legit im ador da “ ciência” .

A pesquisa Olhar sobr e a m ídia, elabor ada pela Com issão de Cidadania e Repr odução, ident ificou lacunas e dist or ções na abor dagem da im pr ensa escr it a do pont o de vist a dos dir eit os r epr odut ivos e sexuais. A par t ir dessa pesquisa, Luiz ( 2006) est udou em m aior pr ofundidade a m aneir a pela qual a im pr ensa t r at ava os significados sobr e o conceit o de r isco epidem iológico. Ela obser vou que, em ger al: a - edit or iais de r evist as cient íficas at r ibuíam essas dist or ções t ant o aos j or nalist as e à m ídia, com o ao andam ent o da pesquisa epidem iológica; b - que a divulgação das pesquisas na m ídia t am bém influencia, de out r a m aneir a, a pesquisa cient ífica ( m aior núm er o de cit ações no âm bit o da com unidade de pesquisador es) .

I n for m a çã o sobr e a de n gu e com o pr oble m a de sa ú de pú blica

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int er r elação ent r e os m eios de com unicação m idiát icos e a saúde viabiliza o alcance do cont ext o int er disciplinar de um pr ocesso epidêm ico. Tom ar em os com o exem plo esse pr ocesso no Est ado de São Paulo, m ais par t icular m ent e na r egião de Ribeir ão Pr et o.

A par t ir de 1986, sucessivos sur t os de dengue passar am a ocor r er na m aior ia dos Est ados br asileir os ( SI LVA; ANGERAMI , 2008) . No Est ado de São Paulo, os pr im eir os casos confir m ados de dengue acont ecer am em 1986, t odos im por t ados ( PONTES, 1992) . A chegada da pr im eir a epidem ia de dengue na cidade de Ribeir ão Pr et o, localizada na r egião nor dest e do Est ado, ocor r eu a par t ir do final de novem br o de 1990 e dur ou at é m ar ço de 1991 ( PONTES et al, 1991) , com apr oxim adam ent e 2.305 casos confir m ados, o que r epr esent ou um a incidência de 546,9 casos por 100.000 habit ant es ( RODRI GUES et al, 2002) .

O pr ocesso epidêm ico, no qual houve apenas a cir culação do vír us DEN- 1, foi consider ado de im por t ant e m agnit ude, pois ir r adiando - se de Ribeir ão Pr et o at ingiu diver sas cidades do int er ior paulist a ( PONTES et al, 1991) . Após esse per íodo, obser var am - se quedas de núm er o de casos e o sur gim ent o de out r as epidem ias de dengue no m unicípio de Ribeir ão Pr et o com o passar dos anos, vivenciando em 2010 o m aior pr ocesso epidêm ico desde o pr im eir o r egist r o.

Esse quadr o, obviam ent e, desper t ou a at enção da m ídia local e nacional, por ém a cober t ur a, de um m odo ger al, obj et ivou m uit o m ais int er esses j or nalíst icos que pr opr iam ent e de saúde pública. Por out r o lado, as iniciat ivas das inst âncias de saúde m unicipal, est adual e feder al nem sem pr e for am coor denadas. Mut ir ões for am or ganizados, cont ando com agent es de saúde e volunt ár ios, com o obj et ivo de visit ar as casas dos habit ant es e for necer infor m ações par a o com bat e ao m osquit o t r ansm issor . Não há infor m ações acer ca de pr ocessos de avaliação dessas iniciat ivas, nem t am pouco um a polít ica clar a e per m anent e volt ada par a a cir culação de infor m ações e de educação da população sobr e a doença. Mesm o com a adoção de m edidas de cont r ole, casos cont inuam ocor r endo nest a cidade e em out r os locais do país at é o pr esent e.

De acor do com Laur ell ( 1983) , a t r íade epidem iológica de um a doença ( agent e, hospedeir o e am bient e) , analisada apenas com o fat o biológico, não apr esent a um r esult ado holíst ico da epidem ia, ou sej a, não se consegue ult r apassar o fat o singular par a alcançar o fat o social e as possibilidades explicat ivas sobr e as doenças não são esgot adas. Ber t olli Junior ( 1993) afir m a que um est udo biológico que é com plem ent ado pelas ciências sociais r evela que fenôm enos biológicos var iam em confor m idade com am bient es sociais e ecológicos específicos. Nessa per spect iva, a com unicação e a educação não devem m ais ser consider adas pr ocessos unidir ecionais e sim , pr ocessos de cir culação de significados sociais ent r elaçados ( RANGEL- S, 2008) . Confor m e Ar aúj o ( 2007) , cada indivíduo t em um lugar de int er locução no m eio em que vive, m as o m odelo dom inant e t ende a apagar algum as vozes, cham ando - as de r uído. É nesse cont ext o que o pr ofissional da infor m ação, o m ediador , lança m ão de suas m et odologias par a viabilizar e m axim izar a cir culação da infor m ação em saúde. Cada indivíduo é um em issor de infor m ações út eis par a a com unidade, e t odas as pessoas devem ser inst r uídas par a se t r ansfor m ar em em r ecept or es capazes de ext r air a idéia cent r al das m ensagens, t ant o cient íficas com o popular es, e t r abalhar em com o agent es m ult iplicador es dessa infor m ação nas com unidades.

Diant e da sit uação descr it a, é essencial est udar com o os t em as r elacionados à epidem ia de dengue chegam at é a população e com o se dá a cir culação dessa infor m ação, descr evendo com o t al int er m ediação cult ur al pode ser est abelecida, desde que os pr ofissionais envolvidos possuam infor m ações cor r et as e, não m enos im por t ant e, est r at égias par a divulgá- las. O foco desse est udo é o de ofer ecer um exem plo de com o viabilizar o r esgat e de opiniões públicas e conhecim ent os popular es, na t ent at iva de facilit ar o ent endim ent o do pr ocesso epidêm ico com o fat o social e ot im izar polít icas de infor m ação par a a saúde. É com esse pr opósit o que a Teor ia da Repr esent ação Social t or na- se um a r efer ência im por t ant e, pois r ecuper a o im aginár io social da população sobr e det er m inado t em a, viabilizando a const r ução de um painel de discur sos.

M e t odologia e pr e ssu post os de pe squ isa

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O difer encial do t r abalho em cur so ser á o uso do Discur so do Suj eit o Colet ivo( DSC) , o qual per m it e r epr esent ar o pensam ent o de um a colet ividade por m eio de depoim ent os dos indivíduos. O DSC é um m ét odo car act er izado pela or ganização e t abulação de dados qualit at ivos de nat ur eza ver bal. Esse m ét odo encont r a- se fundam ent ado na t eor ia da Repr esent ação Social e consist e na seleção de r espost as individuais a det er m inada quest ão. Os t r echos significat ivos dessas r espost as são as expr essões- chave , ou sej a, são t r echos que cont êm infor m ações essenciais par a a com pr eensão da m ensagem daquela r espost a dada, t r ancr it os lit er alm ent e. A sínt ese do cont eúdo discur sivo pr esent e em um a expr essão- chave é nom eada idéia cent r al, a qual r esum e em poucas palavr as a m ensagem que se ext r aiu da analise daquela expr essão- chave selecionada. Por m eio de expr essões- chave e idéias cent r ais for m am - se discur sos- sínt ese, que são os discur sos do suj eit o colet ivo, no qual o pensam ent o de um gr upo apar ece com o se fosse um discur so individual, e depois dessa et apa, som am - se idéias cent r ais sem elhant es e o t r abalho é apr esent ado t am bém num er icam ent e, ou sej a, pode t am bém ser est udado no pont o de vist a quant it at ivo ( LEFÈVRE; LEFÈVRE; TEI XEI RA, 2000) . Com ent ár ios int er pr et at ivos ser ão t ecidos sobr e o pensam ent o colet ivo por m eio da análise das expr essões- chave.

Foi ut ilizado o soft w ar e Qualiquant isoft , que, de acor do com LEFÈVRE e LEFÈVRE, viabiliza a execução de pesquisas que adot am o DSC com o m ét odo, aum ent ando o alcance e a validade dos r esult ados. Foi for m ulado um quest ionár io com quest ões aber t as, par a que os r espondent es ofer ecessem suas pr ópr ias r espost as, sem lim it á- los a r espost as desej adas pelo pesquisador . Quant o ao cont eúdo das quest ões, obser va- se que há quest ões sobr e at it udes e cr enças; quest ões sobr e com por t am ent os e per gunt as sobr e padr ões de ação, de acor do com classificação pr opost a por Gil ( 2009) .

As per gunt as for am for m uladas da m aneir a m ais clar a e concr et a possíveis, levando - se em cont a a im por t ância de não suger ir r espost as dent r o da pr ópr ia per gunt a. Relat ivo à or dem das quest ões, adot ou - se a “ t écnica do funil” ( GI L, 2009) . Essa t écnica pr opõe que cada quest ão deve r elacionar - se com a ant ecedent e e apr esent ar m ais especificidade que a ant er ior . Par a aplicação do quest ionár io, as quest ões for am for m uladas or alm ent e pelo pesquisador , designando- se assim com o quest ionár io aplicado com ent r evist a. Essa denom inação, for m ulada por Gil ( 2009) , que per m it e que as pessoas esclar eçam dúvidas na hor a do pr eenchim ent o. No per íodo de dist r ibuição do quest ionár io, t r ês t ur m as do cur so se encont r avam em at ividade, t ot alizando 113 alunos. Dos 113 quest ionár ios ent r egues, 97 for am devolvidos r espondidos ( apr oxim adam ent e 85,8% do t ot al) . As per gunt as do quest ionár io elabor ado for am :

1. Você consider a a dengue um a doença gr ave ? Por quê ?

2. Com o é o ciclo da doença? Cit e quais ser es vivos fazem par t e do ciclo.

3. Mesm o com cam panhas, car t azes, avisos, as pessoas ger alm ent e não m udam seu com por t am ent o. Na sua opinião, por que isso acont ece?

4. Ent ão, o que você acha que deve ser feit o par a que r ealm ent e ocor r a o cont r ole da dengue de um a vez por t odas na sua cidade?

Re su lt a dos

Por m eio do r esgat e das r epr esent ações sociais sobr e a dengue, é possível ident ificar conhecim ent os const r uídos pelos suj eit os em int er ações sociais. Essas int er ações pr opor cionam o fundam ent o de ações e com por t am ent os dos suj eit os ( VALENTI M, 2005) , abr indo assim , inclusive, a possibilidade de m odificar t om ada de decisões de pr ofissionais de saúde. Ou sej a, consegue- se ident ificar hábit os, com por t am ent os e at it udes da com unidade em r elação à doença que per m it em r edir ecionar as est r at égias de cont r ole da m esm a. Assim , obt iver am - se dados que per m it em m apear o cont ext o das r epr esent ações sociais dessa par cela de m or ador es univer sit ár ios de Ribeir ão Pr et o sobr e a dengue. Esses dados podem ser út eis par a r eavaliar a at ual polít ica de infor m ação em t or no da pr evenção da doença, além de possibilit ar a análise do papel dos m ediador es da infor m ação.

Par a cada per gunt a feit a, expr essões- chave e idéias cent r ais for am ext r aídas das r espost as, per m it indo que vár ias cat egor ias fossem for m uladas, por m eio da união de cont eúdos discur sivos de significado sem elhant e em cada cat egor ia. Segundo Bosi e Mer cado ( 2004) , par a que haj a um a conexão de sit uações concr et as e pr át icas, é necessár io buscar cer t a per spect iva explicat iva a fim de sit uar m anifest ações singular es a um a est r ut ur a lógica ou social. A análise pr elim inar per m it e abst r air que a pesquisa qualit at iva sist em át ica e cient ífica deve est ar int er ligada com o m undo r eal que invest iga.

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efet ivo da doença. A análise dos dados obt idos per m it iu um m apeam ent o em r elação ao escopo ger al do quest ionár io. Not ou- se que dos 97 par t icipant es, 89 r esponder am cada um a das per gunt as.

Em um pr im eir o cont at o, per cebe- se que dos 89 r espondent es, 61 apont am na r espost a da quest ão 01 a m or t e com o o m ot ivo da gr avidade ( apr oxim adam ent e 68,54% do gr upo) , confir m ando assim a gener alidade ou a não - especificidade da infor m ação que possuem , ou sej a, a infor m ação divulgada t em um car át er super ficial e im ediat o ( Tabela 1) . Cabe nesse cont ext o cor r obor ar Ar aúj o ( 2007) , a qual afir m a que a pr esença de m uit a infor m ação não é gar ant ia de saúde, vist o que as pessoas r ecebem infor m ações var iadas sobr e dengue, m as nem sem pr e conseguem se apr opr iar das m esm as par a uso em seu cot idiano.

Ta be la 1 : Núm er o e pr opor ção de r espost as dadas par a a quest ão 1: “ Você consider a a dengue um a doença gr ave ? Por que ?” , segundo cat egor ias for m adas, Ribeir ão Pr et o, 2010.

Fon t e : Dados obt idos dos quest ionár ios ut ilizados na pesquisa.

Com r elação à quest ão 2, pode- se salient ar que há confusão na t ent at iva de definir quais ser es vivos fazem par t e do ciclo da doença, sendo que duas cat egor ias for m adas são pr eocupant es: um a afir m a que o agent e et iológico é um a ba ct é r ia ; e a out r a afir m a que o vet or t r ansm issor é a m osca . Além disso, alguns est udant es afir m ar am desconhecer o ciclo da doença ( Tabela 2) .

Per cebe- se, assim , que a m ídia ao t r ansm it ir infor m ação sobr e dengue em cam panhas em er genciais pr eocupa- se m ais em aler t ar que a dengue m at a, não sendo t ot alm ent e eficaz par a esclar ecer com o funciona o ciclo, qual seu agent e e qual seu vet or t r ansm issor . Essa const at ação per m it e obser var a necessidade de se passar pelo pr ocesso de super ação de um a com pr eensão, apr esent ado por Ar aúj o ( 2007) , vist o que a m er a t r ansfer ência de conhecim ent o e indução de at ividades não gar ant e o cont r ole efet ivo da dengue. Ou sej a, é pr eciso que haj a super ação do par adigm a de pólos em issor - r ecept or e se passe a enxer gar cada indivíduo não apenas com o r ecept or , m as t am bém com o em issor e m ediador - um ver dadeir o int er locut or da infor m ação.

Ta be la 2 : Núm er o e pr opor ção de r espost as dadas par a a quest ão 2: “ Com o é o ciclo da doença? Cit e quais ser es vivos fazem par t e do ciclo” , segundo cat egor ias for m adas, Ribeir ão Pr et o, 2010.

Fon t e : Dados obt idos dos quest ionár ios ut ilizados na pesquisa.

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( 30,34% ) apont a que as pessoas acr edit am que nunca acont ecer á com elas.

Um a r espost a m inor it ár ia, a E ( 3,37% ) m er ece at enção: a infor m ação por si só, j á conhecida,

não t r az m udança de com por t am ent o . E é essa obser vação que per m it e t r azer à t ona a difer ença

ent r e infor m ação e com unicação. A infor m ação é car act er izada por pr ocessos epidem iológicos e est at íst icos, enquant o a com unicação abor da pr ocedim ent os pelos quais a infor m ação pode ser t r at ada par a cir cular e ser t r ansfor m ada, de fat o, em saber es pelas pessoas. Ar aúj o e Car doso ( 2007) cham am a at enção par a um a quest ão básica: o significado do ver bo apr opr iar , t or nar algo pr ópr io. Enquant o a população não t iver m eios par a t or nar infor m ações sobr e dengue em algo pr ópr io, o cont r ole efet ivo da doença cont inuar á dist ant e.

De acor do com Mat t elar t e Mat t elar t ( 1999) , a com unicação envolve um a m ult iplicidade de sent idos e é r esponsável por int egr ar as sociedades. Ar aúj o e Car doso ( 2007) t r azem par a discussão que, além da m ult iplicidade de sent idos, há a m ult iplicidade de vozes, a polifonia, um conceit o bakht iniano. As m esm as aut or as enfat izam que a par t icipação social pr ecisa ser am pliada, e apr esent am com o pr oblem a não som ent e a possibilidade de acesso adequado e suficient e às infor m ações pr oduzidas, m as t am bém a possibilidade de se expr essar , sendo o últ im o pr oblem a facilm ent e per cebido com o pont o fr aco diant e da for m ulação da cat egor ia E, apr esent ada na t abela seguint e.

Ta be la 3 : Núm er o e pr opor ção de r espost as dadas par a a quest ão 3: “ Mesm o com cam panhas, car t azes, avisos, as pessoas ger alm ent e não m udam seu

com por t am ent o. Na sua opinião, por que isso acont ece?” , segundo cat egor ias for m adas, Ribeir ão Pr et o, 2010.

Fon t e : Dados obt idos dos quest ionár ios ut ilizados na pesquisa.

Com o int uit o de conhecer m elhor os pensam ent os e as pr opost as de ação do gr upo est udado par a o efet ivo cont r ole da dengue, elabor ou - se a quar t a quest ão . De acor do com análise da Tabela 4 per cebe- se que a m aior ia do gr upo ( 39,33% ) acr edit a ser fundam ent al infor m ar a população par a m aior conscient ização e m obilização do m esm o. Ent r et ant o, sabe - se que j á ocor r e dissem inação da infor m ação sobr e a doença. A quest ão é: bast a dissem inar ? Há concom it ant em ent e a m ediação cor r et a dessa infor m ação ? A infor m ação concedida é de qualidade e consegue at ingir públicos var iados? Per cebe- se, assim , a necessidade de r ever as m edidas t om adas, ver ificando a efet ividade das m esm as.

Out r as cat egor ias for m uladas que m er ecem at enção são a D ( Não t em o que ser feit o) e a H ( Não sabe o que fazer ) , pois ao m esm o t em po em que um a par cela da população cr it ica t ant o as for m as de ação do gover no com o o com por t am ent o de seus vizinhos, ela afir m a que não sabe o que fazer par a que haj a o cont r ole efet ivo ( 4,49% ) ou que não t em o que ser feit o ( 7,87% ) , sendo a últ im a afir m ação a m ais gr ave, vist o que pessoas j á apr opr iar am da idéia que a dengue é um a doença sem solução, ignor ando infor m ações sobr e a doença que cir culam em seu m eio. Já a exist ência de um gr upo que não sabe o que fazer m ost r a que só a dissem inação de infor m ação, em um sent ido unidir ecional, não t em o efeit o necessár io – é pr eciso que ocor r a a com unicação, é pr eciso que as pessoas consigam se expr essar e agir com o int er locut or as.

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Fon t e : Dados obt idos dos quest ionár ios ut ilizados na pesquisa.

Assim , not ou - se, ent r e out r as coisas, a necessidade de for necer condições adequadas par a que os univer sit ár ios que com puser am o univer so da pesquisa t om assem conhecim ent o de seu im por t ant e papel em r elação à Saúde Pública e, m ais especificam ent e, per ant e à epidem ia de dengue em Ribeir ão Pr et o. Por t ant o, é essencial que esses univer sit ár ios, que pr ovavelm ent e são for m ador es de opinião em seus lar es e vizinhança, r ecebam for m ação suficient e e sat isfat ór ia par a r ealizar essa função de int er locut or es e m ediador es da infor m ação. Quando dizem os que é necessár io r eceber infor m ação suficient e, par t im os da per spect iva da am pliação da r eflexividade nesse cont ext o, ensinando aos alunos com o usar os dados de saúde exist ent es de for m a adequada par a apr im or ar suas ações na r ealidade social. Ser ia int er essant e, ent ão, capacit ar esses alunos de gr aduação par a at uar at ivam ent e no com o divulgar t em as r elacionados à saúde na m ídia, de for m a que a linguagem t écnica se apr oxim e da linguagem popular e per m it a m aior apr opr iação de cont eúdo pelas pessoas no cot idiano. Som ent e assim as pessoas conseguir ão quest ionar no dia- a - dia seus hábit os, quando se depar ar em com infor m ações das quais elas consigam ext r air a im por t ância. As m udanças de hábit o individuais podem t er um efeit o m ult iplicador , conduzindo a um a int er ação m ais am pla ( e aqui as r edes sociais desem penham papel est r at égico) , ger ando, no pr ocesso, m udanças colet ivas.

Con side r a çõe s fin a is

Pode - se per ceber um gr ande int er esse do público pelas pesquisas cient íficas. As pessoas quer em saber o que a ciência diz a r espeit o de sua vida cot idiana, e com o ela pode aj udá- las a cuidar m elhor de sua saúde, de seus filhos, de seu t r abalho, de suas r elações pessoais e am or osas. I sso é par t icular m ent e ver dadeir o no caso da saúde.

Com o obser va Mar t elet o ( 2009) ,

O conhecim ent o oficial pr oduzido na saúde e em out r as disciplinas é ext enso e diver sificado, assim com o as infor m ações or ganizadas em am plos e sofist icados sist em as de infor m ação sobr e as condições de saúde da população. Esses conhecim ent os e infor m ações, no ent ant o, est ão or ient ados pela lógica univer salist a e posit ivist a do conhecim ent o cient ífico, da sua r upt ur a com o conhecim ent o de senso com um , do car át er onipot ent e da ciência e sua cr ença r esolut iva das quest ões sociais, sem a per cepção da gr ande dist ância exist ent e ent r e os conhecim ent os cient íficos t al com o são pr oduzidos e a ação social.

Deve- se r eser var um a at enção especial ao em pr ego das novas m ídias de com unicação e infor m ação na const it uição de r edes sociais de conhecim ent os e às m udanças na configur ação dos saber es e pr át icas dos pesquisador es e seus gr upos advindos desse uso. Met odologias com o as análises de r edes sociais nos est udos de fluxo e t r ansfer ência da infor m ação, por exem plo, podem ser m ecanism os út eis na pot encialização das habilidades dos agent es envolvidos e no seu acesso às infor m ações e à const r ução do conhecim ent o. As r edes sociais abar cam t ant o os elos ent r e os pesquisador es quant o os elos com out r os at or es e or ganizações sociais, além dos veículos e m eios de com unicação e divulgação dos conhecim ent os pr oduzidos. A m et odologia de análise de r edes sociais apont a par a a cent r alidade dos pr ocessos de m ediação na sociedade cont em por ânea, podendo t r azer subsídios valiosos par a se r epensar a função polít ica dos m ediador es nos pr ocessos sociais e cult ur ais cont em por âneos. Assim , é possível per ceber os efeit os das r edes par a além de seu pr ópr io espaço, nas int er ações com a sociedade m ais am pla, o Est ado ou out r as inst it uições significat ivas: “ decisões m icr o são influenciadas pelo m acr o, t endo a r ede com o int er m ediár ia” ( MARTELETO, 2001) .

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cont eúdos da m ídia. Par a Thom pson ( 1998) , r et om ando Giddens, há um a dialét ica ent r e pr ocessos de r eflexividade e de m onit or am ent o, e os m eios de com unicação pr oduzem um im pact o na nat ur eza e nas r elações ent r e esses pr ocessos. As m odalidades de int er ação r elacionam - se com os diver sos cont ext os sociais. Sua r ealização bem sucedida depende da capacidade dos r ecept or es em “ negociar ” efet ivam ent e com as diver sas est r ut ur as espaço-t em por ais que se apr esenespaço-t am . Par a se or ienespaço-t ar , os r ecepespaço-t or es ir ão pr ocur ar “ deixas sim bólicas” que lhes per m it am com pr eender as m ensagens e conect á- las aos cont ext os de seu cot idiano. No caso específico da saúde pública, não é difer ent e: t r at a- se de com pr eender com o se dá esse pr ocesso e com o as infor m ações chegam aos indivíduos e às com unidades, com o essas infor m ações cir culam , com o são int er pr et adas e apr opr iadas. Essa com pr eensão t or na- se um aspect o fundam ent al na const r ução de est r at égias de pr evenção e com bat e de doenças, com o, por exem plo, da dengue.

O obj et ivo de um est udo de usuár ios clássico é colet ar dados par a cr iar e/ ou avaliar pr odut os e ser viços infor m acionais, além de per m it ir a m elhor com pr eensão do fluxo de t r ansfer ência da infor m ação — isso, ger alm ent e, am par ado num a concepção ainda condut ivist a do pr ocesso com unicacional. No ent ant o, esse t r abalho ext r apola a quest ão do fluxo de t r ansfer ência de infor m ação, poi s é um est udo de usuár ios que adot ou o par adigm a social par a sua r ealização, o qual pr opõe est udar a inser ção social do conhecim ent o hum ano, ou sej a, levar em cont a as int er ações est abelecidas ent r e o conhecim ent o pr oduzido e as at ividades sociais, per m it indo assim conhecer m ais a fundo a pr oblem át ica dos pr ocessos int elect uais do colet ivo ( SHERA, 1977 apud ARAÚJO, 2010) , na t ent at iva de gar ant ir a pr odução de um conhecim ent o que sej a út il na r ealidade social. Per cebem - se, assim , as cont r ibuições pot enciais da t eor ia das r epr esent ações sociais: a divulgação de saber es elabor ados na esfer a da saúde é essencial par a a educação da população com o int uit o de pr evenir doenças.

O passo seguint e da pesquisa ser ia o r efinam ent o da análise a par t ir de um a abor dagem m ais pr opr iam ent e qualit at iva, selecionando um a am ost r a dent r o do univer so de alunos que r espondeu o quest ionár io. Essa am ost r a ser ia subm et ida a ent r evist as em pr ofundidade, buscando elem ent os par a um a m elhor com pr eensão do pr ocesso de const r ução, cir culação e apr opr iação da infor m ação em cont ext os específicos. O obj et ivo ser ia r econst r uir alguns dos pont os ( lugar es) que com põem as r edes sociais dos indivíduos: univer sidade, bair r o, fam ília, t r abalho, igr ej a, espaços de lazer , et c. São est es lugar es que cont ext ualizam a r ecepção e a apr opr iação das infor m ações, por m eio das m ediações cult ur ais neles pr esent es ( par a um a discussão m ais apr ofundada, vide Mar t ín - Bar ber o ( 1997) ) . Obt er - se- iam , assim , elem ent os par a um a com pr eensão m ais r efinada e det alhada do pr ocesso, par t icular m ent e da dinâm ica de cir culação da infor m ação específica nessas r edes sociais. Por out r o lado, a análise pr elim inar dos dados m ost r ados acim a j á indica que nem m esm o os est udant es univer sit ár ios r ecebem infor m ação suficient e e sat isfat ór ia acer ca da dengue ou encont r am dificuldades em se apr opr iar dela, o que com pr om et e o exer cício da função de m ediador es da infor m ação e seu pot encial de cont r ibuir , de algum a for m a, com as polít icas de Saúde Pública. I st o m er ece algum as consider ações.

Diant e do im aginár io social r esgat ado pelas r epr esent ações sociais obt idas na r ealização dest e t r abalho, obser va- se a im por t ância do esclar ecim ent o par a os est udant es sobr e a difer ença ent r e infor m ação e com unicação, m ost r ando que a infor m ação é o alim ent o de um a r ede social, m as a com unicação é que det er m ina a or ganização est r ut ur al da m esm a. Não cabe m ais adot ar um m odelo de com unicação bipolar que não dê espaço par a a m ult iplicidade de vozes, e que, no lim it e, im peça a r eflexividade dos suj eit os. Abr ir - se- ia aqui a possibilidade de um a am pliação da “ r eflexividade” ( no sent ido em pr egado por Giddens) dos suj eit os em quest ão, capazes de se apr opr iar m elhor dos r ecur sos disponíveis ( no caso, a infor m ação) e r econfigur ar suas ações.

Par a que haj a cir culação e apr opr iação da infor m ação em Saúde Pública, e não só sobr e dengue, é inquest ionável a necessidade de aber t ur a par a que a sociedade consiga se expr essar à r espeit o. É im por t ant e discut ir com o o cidadão enxer ga a infor m ação sobr e saúde e quais valor es ele at r ibui à m esm a por m eio da análise do seu discur so. Por m eio do r esgat e das r epr esent ações sociais, abr e- se um a r ica possibilidade de ident ificar conhecim ent os const r uídos pelos suj eit os em int er ações sociais, as quais acabam por pr opor cionar o fundam ent o de ações e com por t am ent os dos suj eit os. É nesse cont ext o que as r epr esent ações sociais podem cont r ibuir na ár ea da saúde, for necendo um foco m ais cont ext ualizado sobr e o univer so da população que ser á cont em plada pelas polít icas de infor m ação par a saúde.

Con flit os de in t e r e sse

Os aut or es declar am que não t em conflit os de int er esse.

Re fe r ê n cia s Bibliogr á fica s

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