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Penhora on line na justiça do trabalho

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Academic year: 2021

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IVALDO ASSIS DE ARAÚJO

PENHORA ON LINE NA JUSTIÇA DO TRABALHO

Florianópolis (SC) 2009

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PENHORA ON LINE NA JUSTIÇA DO TRABALHO

Monografia apresentada ao Curso de Direito da Universidade do Sul de Santa Catarina - Campus Ilha Centro, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Direito.

Orientador: Prof. Juliano Meneghel

Florianópolis (SC) 2009

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PENHORA ON LINE NA JUSTIÇA DO TRABALHO

Monografia apresentada ao Curso de Direito da Universidade do Sul de Santa Catarina - Campus Ilha Centro, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Direito.

Florianópolis (SC), 08 de junho de 2009.

____________________________________ Profº Orientador: Prof. Juliano Meneghel

Universidade do Sul de Santa Catarina

____________________________________ Profº.

Universidade do Sul de Santa Catarina

____________________________________ Profº.

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PENHORA ON LINE NA JUSTIÇA DO TRABALHO

Declaro, para todos os fins de direito e que se fizerem necessários, que assumo total responsabilidade pelo aporte ideológico e referencial conferido ao pre- sente trabalho, isentando a Universidade do Sul do Brasil de Santa Catarina, a Coor- denação do Curso de Direito, a Banca Examinadora e o Orientador de todo e qual- quer reflexo acerca desta monografia.

Estou ciente de que poderei responder administrativa, civil e criminal- mente em caso de plágio comprovado do trabalho monográfico.

Florianópolis (SC), 08 de junho de 2009.

________________________________ Ivaldo Assis de Araújo

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Dedico esta monografia aos meus pais, irmãos e filhos Aline e Augusto com todo meu amor e carinho. Torcendo para que venha contribuir de alguma forma em suas vidas.

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Agradeço aos meus colegas de trabalho Carlos, Maria Lúcia e Raquel pela paciência, apoio e compreensão que dispensaram durante todo o curso.

Ao meu amigo e orientador Prof. Juliano Meneghel que aceitou o encargo de orientação, cumprindo de forma brilhante segura e objetiva.

Às bibliotecárias Cristina, Kátia Janine e Mirela (madrinha) pelo apoio e carinho dispensados.

E, especialmente, aos meus eternos amigos Cláuzio e Cabral (os carcarás) pelo apoio, amizade e incentivo demonstrados nos momentos mais difíceis.

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A presente pesquisa tem por objetivo analisar o surgimento e o desenvolvimento da penhora on line na Justiça do Trabalho. Desde sua criação, através de convênio do Banco Central do Brasil com os Tribunais Superiores até os dias atuais. Passando por aspectos como legalidade, inconstitucionalidade, sua introdução no nosso ordenamento jurídico e aspectos controvertidos como o princípio da menor onerosidade, conta-salário, quebra do sigilo bancário, capital de giro das empresas e bancos de crédito cooperados (cooperativas). Cabe ressaltar que o trabalho está dividido em três partes. Na primeira, abordar-se-ão os aspectos gerais da execução, conceito, evolução histórica, espécies e liquidação de sentença. Na segunda, serão analisados a responsabilidade patrimonial do devedor e a penhora trabalhista, sucessão de empresas, responsabilidade do sócio, desconsideração da personalidade jurídica, penhora de bens no processo trabalhista, conceito e finalidade, bens penhoráveis e a ordem de gradação, bens impenhoráveis e o Sistema Bacen-Jud. Na terceira e última, enfocar-se-ão a penhora on line na Justiça do Trabalho e seus aspectos controvertidos, constitucionalidade, princípio da menor onerosidade do devedor, quebra do sigilo bancário, conta-salário, capital de giro das empresas e bancos de crédito cooperados (cooperativas).

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This present research aims to analyze the appearance and the development of attachment on line in Labour Justice, since its creation (it started with a pact between Central Bank of Brazil and Superior Courts) until the present days. Considering aspects such as legality, unconstitutionality, its introduction in Brazilian legal system and controversial aspects like the principle of less burden, salary account, breach of banking secrecy, working capital of enterprises and baking credit cooperatives. This paper is divided into three parts. In the first one, the general aspects of judgment execution, concept, historical evolution, sorts and liquidation are presented. In the second, patrimony liability of the debtor and labour attachment, succession of companies, responsibility of partner, lack of legal personality, property attachment in the labour process, concept and objectives, possible attached properties and gradation in doing that, possible attached properties and Bacen – Jud System are presented as well. Finally, in the third part, attachment on line in Labour Justice and its controversial aspects, constitutionality, the principle of less burden of debtor, breach of banking secrecy, salary account, working capital of enterprises and banking credit cooperatives are demonstrated.

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Art. Artigo Arts. Artigos

CPC Código de Processo Civil

CLT Consolidação das Leis do Trabalho CC Código Civil

ed. Edição

n. Número

p. Página

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1 INTRODUÇÃO ... 11

2 A EXECUÇÃO NO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO ... 12

2.1 CONCEITOS INTRODUTÓRIOS DO PROCESSO TRABALHISTA... 12

2.1.1 Espécies de Obrigações ... 12

2.1.1.1 Obrigação de Dar Coisa Certa ou Incerta... 12

2.1.1.2 Obrigação de Fazer ou Não Fazer ... 14

2.1.2 Espécies de Ações ... 15

2.1.3 Espécies de Sentenças ... 16

2.1.4 Liquidação de Sentença ... 17

2.1.4.1 Tipos de Liquidação de Sentença... 18

2.1.4.1.1 Liquidação por Cálculos ... 19

2.1.4.1.2 Liquidação por Artigos ... 20

2.1.4.1.3 Liquidação por Arbitramento ... 21

2.2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA ... 22

2.3 CONCEITO DE EXECUÇÃO... 24

2.4 ESPÉCIES DE EXECUÇÃO ... 25

3 RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL DO DEVEDOR E A PENHORA TRABALHISTA ... 29

3.1 DA RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL PRIMÁRIA DO DEVEDOR ... 29

3.1.1 Responsabilidade Patrimonial Secundária do Devedor ... 30

3.1.2 Da Responsabilidade na Sucessão de Empresas (Empregadores) ... 31

3.1.3 Da responsabilidade do Sócio ... 32

3.2 PENHORA DE BENS NO PROCESSO TRABALHISTA... 34

3.2.1 Conceito e Finalidade ... 34

3.2.2 Procedimento da Penhora – Aspectos Essenciais ... 34

3.3 BENS PENHORÁVEIS E A ORDEM DE PREFERÊNCIA/GRADAÇÃO ... 35

3.3.1 Bens Impenhoráveis ... 37

4 A Penhora On Line na Justiça do Trabalho e Seus Aspectos Controvertidos ... 40

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4.3 PRINCÍPIOS CONTROVERTIDOS NA EXECUÇÃO TRABALHISTA ... 45

4.3.1 Princípio da Menor Onerosidade do Devedor ... 45

4.3.2 Quebra de Sigilo Bancário ... 47

4.3.3 Conta-Salário ... 50

4.3.4 A Penhora On Line e o Capital de Giro das Empresas ... 52

4.3.5 Cooperativas de Crédito ... 55

5 CONCLUSÃO ... 57

REFERÊNCIAS ... 59

ANEXOS ... 63

Anexo A – CONVÊNIO BACEN / TST / 2002 ... 64

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1 INTRODUÇÃO

Este trabalho é de natureza obrigatória para obtenção do diploma de bacharel em direito pela Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL e tem por finalidade o estudo da penhora on line no nosso ordenamento jurídico e em especial na Justiça Trabalhista Brasileira.

É importante salientar que a escolha deste tema se deu por conta de sua importância, tanto para os operadores jurídicos, quanto para o cidadão que busca o Poder Judiciário, na expectativa de verem satisfeitos seus interesses, com a efetiva prestação da tutela jurisdicional, mas, principalmente pelo fato de ser um tema novo que ainda gera muitas controvérsias na sua aplicação. Cabe ressaltar que o fato de ser servidor da Justiça do Trabalho e achar o tema de grande relevância e interesse também pesou quando da sua escolha.

Assim, o objetivo do presente estudo é analisar o instituto da penhora on line, desde a sua criação através do Convênio Bacen-Jud, passando por aspectos como constitucionalidade, legalidade, conta-salário, ponderação do princípio da menor onerosidade em relação ao crédito alimentar do trabalhador, quebra do sigilo bancário, capital de giro das empresas, pedido continuado e bancos (cooperativas).

O presente trabalho será composto de três capítulos. No primeiro, para introdução do assunto, serão abordados aspectos gerais relacionados à execução, sua evolução histórica, caracterização, espécies, a liquidação e cumprimento de sentença, tipos de liquidação e responsabilidade patrimonial do devedor.

No segundo capítulo, após as considerações abordadas sobre os temas antes referidos, enfocaremos a penhora de bens no processo trabalhista, conceito, finalidade, procedimentos, bens penhoráveis e a ordem de preferência, bens impenhoráveis, o Sistema Bacen-Jud e sua nova versão.

O terceiro e último capítulo está reservado para a penhora on line na Justiça do Trabalho e seus aspectos controvertidos. É neste capítulo que iremos tratar mais detalhadamente sobre o instituto e tentar esclarecer que, mesmo depois de sua inserção legislativa no nosso sistema processual em vigor, ordenamento jurídico, ainda restam pontos que precisam ser analisados para se saber se a penhora on line está atingindo, de maneira mais ágil e efetiva, o objetivo para o qual foi criada.

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2 A EXECUÇÃO NO DIREITO PROCESSUAL DO TRABALHO

2.1 CONCEITOS INTRODUTÓRIOS DO PROCESSO TRABALHISTA

2.1.1 Espécies de Obrigações

2.1.1.1 Obrigação de Dar Coisa Certa ou Incerta

Aduz Carlos Henrique Bezerra Leite (2008, p. 978) que a obrigação para entrega de coisa pode resultar título judicial ou extrajudicial. O art. 621 do CPC, no entanto, menciona apenas o título executivo extrajudicial. Segundo o referido autor (LEITE, 2008, p. 978), a razão é simples: tratando-se de obrigação de entregar coisa fundada em título judicial, deve-se aplicar as normas previstas no art. 461-A do CPC, que regula as tutelas específicas nas ações que tenham por objeto a entrega de coisa, pois trata-se de um processo sincrético que, a um só tempo, possui função cognitiva e executiva.

Bezerra Leite (2008, p. 978) caracteriza coisa certa a que se encontra perfeitamente individualizada, que se identifica segundo as suas características singulares, inconfundível, portanto, com qualquer outra. É por isso mesmo e, em linha de princípio, infungível. Ele conceitua coisa incerta como sendo aquela que se determina apenas pelo seu gênero e quantidade, carecendo, pois, de elementos distintivos que tornem possível a sua identificação. Logo, fungível, podendo ser substituída por outra da mesma espécie, qualidade e quantidade (CC, art. 85).

Salienta ainda o referido autor (LEITE, 2008, p. 979) que a CLT é omissa a respeito dessa espécie executória, devendo-se, neste caso, adotar as normas do CPC (arts. 621 a 631), com as devidas adaptações ao processo do trabalho.

Sustenta, ainda, Bezerra Leite (2008, p. 979) que, nessa espécie executória, não há lugar para penhora, que é ato de constrição típico da execução por quantia certa, e sim de simples expedição de mandado: de busca e apreensão, se a coisa for móvel, ou de imissão de posse, se a coisa for imóvel.

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Ele cita alguns exemplos, na página 979 dessa obra, que ocorrem no processo do trabalho: empregado que ocupa imóvel de propriedade do empregador como salário in natura (CLT, art. 458, § 3º); empregador que retém arbitrariamente os instrumentos de trabalho de propriedade do empregado; empregador que retém ilegalmente a CTPS do empregado (LEITE, 2008, p. 979).

Segundo também Bezerra Leite o procedimento da execução para entrega de coisa certa está previsto nos arts. 621 a 628 do CPC.

Assegura Bezerra Leite (2008, p. 980) que, tratando-se de sentença que tenha imposto ao réu a entrega de coisa certa, deve-se seguir o previsto no art. 461-A do CPC com as necessárias adaptações ao processo laboral. Para ele, na hipótese de título extrajudicial, o devedor será citado para, dentro de dez dias, satisfazer a obrigação ou, seguro o juízo (CPC, art. 621), apresentar embargos no prazo de cinco dias (art. 884 da CLT) (BRASIL, 1943).

Assim, para o referido autor (LEITE, 2008, p. 980), o devedor poderá depositar a coisa, em vez de entregá-la, quando quiser opor embargos.

Ele sustenta que, uma vez depositada, o exequente não poderá levantá-la antes do julgamento dos embargos. Assegura Bezerra Leite (2008, p. 980) que, caso entregue a coisa, lavrar-se-á o respectivo termo e dar-se-á por fim a execução, salvo se essa tiver de prosseguir para o pagamento de frutos ou ressarcimento de prejuízos.

Bezerra Leite (2008, p. 980) afirma que, não sendo a coisa entregue ou depositada, nem admitidos embargos, expedir-se-á em favor do credor, mandado de imissão na posse ou de busca e apreensão, conforme se tratar de imóvel ou móvel.

Alienada a coisa quando já litigiosa, para Bezerra Leite (2008, p. 980), expedir-se-á mandado contra o terceiro adquirente, que somente será ouvido depois de depositá-la.

Com relação à execução de título extrajudicial para entrega de coisa incerta, o procedimento encontra-se nos arts. 629 a 631 do CPC, de modo que, segundo Bezerra Leite (2008, p. 982), quando a execução recair sobre coisas determinadas pelo gênero e quantidade o devedor será citado para entregá-las individualizadas, se lhe couber a escolha; mas, se esta couber ao credor, este a indicará na petição inicial.

Para Bezerra Leite (2088, p. 982), qualquer das partes poderá, em quarenta e oito horas, impugnar a escolha feita pela outra, e o juiz decidirá de plano,

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ou, se necessário, ouvindo perito por ele nomeado. No mais, segundo ele, aplica-se à execução de título extrajudicial para entrega de coisa incerta os mesmos procedimentos estatuídos para execução de entrega de coisa certa.

2.1.1.2 Obrigação de Fazer ou Não Fazer

Segundo Bezerra Leite (2008, p. 982), a efetividade das obrigações de fazer ou não fazer pode decorrer tanto de título judicial quanto extrajudicial. No primeiro caso, as normas aplicáveis estão previstas no art. 461 do CPC, por determinação expressa do art. 644 do mesmo código. Para o referido autor, tratando-se de execução fundada em título extrajudicial (CLT, art. 876), deverão ser observadas as normas dos arts. 632 a 643 do CPC (LEITE, 2008, p. 982).

Bezerra Leite também assevera (2008, p. 982) que as obrigações de dar consiste na entrega de uma coisa, certa ou incerta, enquanto que as obrigações de fazer essa prestação se traduzem num ato, serviço ou atividade por parte do devedor. Ademais, a obrigação de fazer pode ser personalíssima em relação ao devedor, o que não ocorre com as obrigações de dar.

Ele cita, ainda, na página 982 dessa mesma obra, alguns exemplos no processo do trabalho de obrigações de fazer: anotação da CTPS; reintegração de empregado estável ao portador de garantia no emprego, como dirigente sindical, o “cipeiro”, a empregada gestante etc., e reenquadramento funcional; e de obrigação de não fazer: a proibição de transferência ilegal ou abusiva de empregado para localidade diversa da que resultar do contrato de trabalho (CLT, art. 469) e a proibição de um ato do empregador que implique prejuízo direto ou indireto ao empregado, como, por exemplo, a alteração da forma de pagamento de salário fixo para comissões etc. Bezerra (LEITE, 2008, p. 982)

Ainda, segundo Bezerra Leite (2008, p. 983), na execução (ou no cumprimento) de obrigação de fazer (ou não fazer) não há penhora, mas o devedor poderá, no prazo previsto no título executivo extrajudicial ou no art. 884 da CLT, ou seja, cinco dias, opor embargos (ou impugnação) à execução (ou ao cumprimento da sentença). Aduz o referido autor (LEITE, 2008, p. 983) que, se, no prazo fixado, o devedor não satisfizer a obrigação, é lícito ao credor, nos próprios autos, requerer

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que ela seja executada à custa do devedor, ou haver perdas e danos, caso em que ela se converte em indenização, procedendo-se antes, se for o caso, à apuração do valor das perdas e danos em liquidação.

No mesmo diapasão sustenta Bezerra Leite (2008, p. 984) que, em se tratando de recusa patronal em cumprir a obrigação de reintegrar empregado estável, a conversão em perdas e danos será computada em dobro, a teor da Súmula n. 28 do TST.

2.1.2 Espécies de Ações

Podemos definir ação como sendo um direito subjetivo de o indivíduo provocar o exercício da atividade jurisdicional do Estado.

Segundo Renato Saraiva (2008, p. 583), a legislação processual vigente especifica três classes de processos, quais sejam: processo de conhecimento, cautelar e de execução. Para ele, no processo de conhecimento ou cognitivo, a parte provoca o judiciário, impondo que o Estado-juiz preste a tutela jurisdicional aplicando o direito ao caso concreto, por meio de sentença de mérito, a qual terá cunho declaratório, constitutivo ou condenatório.

Neste contexto, sustenta Renato Saraiva (2008, p. 583) que só estarão sujeitas ao processo de execução as ações condenatórias. Assevera o referido autor (SARAIVA, 2008, p. 583) que o processo cautelar, por sua vez, visa apenas resguardar o resultado do processo principal, seja ele de conhecimento ou de execução.

Por último, ainda assegura Renato Saraiva (2008, p. 583), “temos o processo de execução, que objetiva assegurar a satisfação do direito do credor imposto no comando sentencial”.

Carlos Henrique Bezerra Leite (2003, p. 615) leciona que:

Em nosso ordenamento jurídico, a prestação jurisdicional é implementada, basicamente, por meio de duas espécies de ações: as ações de conhecimento, nas quais o Estado decide o conflito, mediante ato judicial específico (sentença ou acórdão) que declara a certeza do direito e as ações de execução, onde se perpetra, ou, pelo menos, se tenta, a realização prática da decisão, ou seja, o seu efetivo cumprimento.

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Por conseguinte, a íntima relação entre a ação e processo deságua na existência de dois processos distintos com os quais a atividade judicial nasce, cresce e morre: o processo de conhecimento, que tem por escopo um julgamento que declara a certeza do direito e o processo de execução, que visa atingir resultados práticos tendentes a satisfazer o julgado.

[...]

A execução, portanto, constitui um conjunto de atos de atuação das partes e do juiz que têm em mira a concretização daquilo que foi decidido no processo de conhecimento, ou, como leciona Eduardo Couture, ‘o conjunto de atos destinados a assegurar a eficácia prática da sentença’.

No presente estudo, iremos abordar de forma mais aprofundada as ações de execução, que é o tema objeto de nosso trabalho.

2.1.3 Espécies de Sentenças

O conceito de sentença está expresso no § 1º do artigo 162 do Código de Processo Civil (BRASIL, 1973) in verbis: “Sentença é o ato pelo qual o juiz põe termo ao processo, decidindo ou não o mérito da causa.”

Segundo Renato Saraiva (2008, p. 583), no nosso ordenamento jurídico, no processo de conhecimento ou cognitivo, existem três tipos de sentenças de mérito que poderão ter cunho declaratório, constitutivo ou condenatório.

Para Saraiva (2008, p. 583), na sentença de cunho declaratório o provimento jurisdicional limita-se a declarar a existência ou inexistência de relação jurídica ou autenticidade ou falsidade de documento (art. 4º do CPC) (BRASIL, 1973). Sustenta também o referido autor (SARAIVA, 2008, p. 583) que, por sua vez, as sentenças constitutivas objetivam criar, modificar ou extinguir determinada relação jurídica.

Por último, assevera Renato Saraiva (2008, p. 583) que as sentenças condenatórias impõem determinada condenação ao réu, afirmando a existência do direito, reconhecendo a sua violação e dirigindo ao demandado um preceito sancionatório sob a forma de obrigação de entregar coisa certa ou incerta, de fazer ou de não fazer ou mesmo de pagar quantia certa.

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2.1.4 Liquidação de Sentença

Segundo Pedro Paulo Teixeira Manus (2005, p. 25) liquidação de sentença é o conjunto de atos processuais necessários para aparelhar o título executivo, que possui certeza, mas não liquidez, à execução que se seguirá.

Logo, segundo Manus (2005, p. 25), a finalidade da liquidação de sentença é tornar exequível o título executivo, dotando-o do segundo atributo essencial a permitir a execução, ou seja, a liquidação torna o título até então apenas dotado do atributo da certeza em título líquido e certo.

Para Carlos Henrique Bezerra Leite (2008, p. 881), na seara laboral, o art. 879 da CLT, ao prescrever que “sendo ilíquida a sentença ordenar-se-á previamente a sua liquidação” deixa claro que a liquidação constitui simples procedimento prévio da execução. É exatamente por essa razão que não se pode falar, em sede de execução trabalhista, que a liquidação constitua uma ação autônoma. Sustenta também o referido autor (LEITE, 2008, p. 881) que, aliás, o § 1º do art. 879 da CLT veda, no procedimento liquidatório, a rediscussão da matéria que fora objeto do processo de conhecimento, nem para modificar a sentença, tampouco para inová-la. Assevera Bezerra Leite (2008, p. 881) que, se fosse a liquidação de sentença no processo do trabalho uma ação, haveria obrigatoriedade do contraditório amplo, o que, nos termos do art. 879, § 2º, não ocorre, visto que, depois de tornada líquida a conta, o juiz “poderá abrir às partes o prazo sucessivo de 10 dias para impugnação fundamentada da decisão”. E, ainda, complementa que, se fosse um processo, o juiz estaria obrigado a abrir vistas, deixando tal ato processual de ser mera faculdade do magistrado.

Salienta ainda Bezerra Leite (2008, p. 881) que, ademais, não há previsão para interposição de recurso da sentença de liquidação, que, de acordo com o art. 884, § 3º, da CLT, somente poderá ser impugnada por meio autônomo (embargos do devedor ou impugnação do credor).

Assim, para Bezerra Leite (2008, p. 882), com o advento da Lei nº 11.232/2005, passou a existir uma lacuna ontológica no processo do trabalho, pelo menos no que diz respeito à natureza jurídica e à posição topográfica da liquidação, uma vez que, ao se adotar o sincretismo processual, ter-se-á que inserir a liquidação não mais na fase de execução e sim na fase de conhecimento. Apesar disso, o

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referido autor (LEITE, 2008, p. 882) sustenta que na prática não haverá grandes repercussões no processo do trabalho, porquanto as liquidações por arbitramento e artigos já seguiam as linhas mestras do processo civil. A liquidação por cálculo, porém, já possui regramento próprio na CLT (parágrafos do artigo 879), que, no particular, não sofreu envelhecimento normativo. A liquidação de sentença nas ações coletivas continua sendo regulada pelo Código de Defesa do Consumidor e Lei da Ação Civil Pública, que formam um sistema próprio que permite, no que couber, apenas a aplicação subsidiária da CLT e do CPC.

2.1.4.1 Tipos de Liquidação de Sentença

Assim afirma o art. 879 da CLT:

Sendo ilíquida a sentença exeqüenda, ordenar-se-á, previamente, a sua liquidação, que poderá ser feita por cálculo, por arbitramento ou por artigos.

§ 1º Na liquidação, não se poderá modificar, ou inovar, a sentença liquidada, nem discutir matéria pertinente à causa principal.

§ 1º-A A liquidação abrangerá, também, o cálculo das contribuições previdenciárias devidas. (acrescentado pela L-010.035-2000)

§ 1º-B As partes deverão ser previamente intimadas para a apresentação do cálculo de liquidação, inclusive da contribuição previdenciária incidente. (acrescentado pela L-010.035-2000)

§ 2º Elaborada a conta e tornada líquida, o Juiz poderá abrir às partes prazo sucessivo de 10 (dez) dias para impugnação fundamentada com a indicação dos itens e valores objeto da discordância, sob pena de preclusão (BRASIL, 1943).

Logo, segundo Pedro Paulo Teixeira Manus (2005, p. 28), o legislador estabeleceu três tipos de liquidação de sentença: cálculo, arbitramento e artigos. Todavia limitou-se o texto consolidado a enunciar as formas ou tipos de liquidação, mas não cuidou de defini-las, nem estabelecer as regras de procedimento.

Eis por que para Manus (2005, p. 28), nesta hipótese, também devemos lançar mão da regra instituída pelo art. 769 da CLT, que estabelece:

“Nos casos omissos, o direito processual comum será fonte subsidiária do direito processual do trabalho, exceto naquilo em que for incompatível com as normas deste Título.” (MANUS, 2005, p. 28)

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tipos de liquidação de sentença é encontrada no processo comum, não obstante tenhamos presente que o procedimento a adotar em todos os casos às regras específicas do processo do trabalho.

2.1.4.1.1 Liquidação por Cálculos

Segundo Pedro Paulo Teixeira Manus (2005, p. 28), a liquidação de sentença por cálculos é cabível quando a determinação do valor da condenação depender tão-somente de cálculo aritmético.

Diz o art. 475-B do CPC (BRASIL, 1973):

Quando a determinação do valor da condenação depender apenas de cálculo aritmético, o credor requererá o cumprimento da sentença, na forma do art. 475-J desta Lei, instruindo o pedido com a memória discriminada e atualizada do cálculo. (acrescentado pela L-011.232-2005)

§ 1º Quando a elaboração da memória do cálculo depender de dados existentes em poder do devedor ou de terceiro, o juiz, a requerimento do credor, poderá requisitá-los, fixando prazo de até trinta dias para o cumprimento da diligência.

§ 2º Se os dados não forem, injustificadamente, apresentados pelo devedor, reputar-se-ão corretos os cálculos apresentados pelo credor, e, se não o forem pelo terceiro, configurar-se-á a situação prevista no art. 362.

Para Manus (2005, p. 29), nesta hipótese, pela extrema simplicidade do procedimento, bastam poucos e simples atos processuais para chegarmos ao valor devido.

Mauro Schiavi (2008, p. 128), destaca que a CLT não conceitua a liquidação por cálculos (art. 879) e também é omissa quanto à forma de apresentação desses pelo reclamante. Desse modo, em razão de omissão da CLT e compatibilidade com o Processo do Trabalho (art. 769 da CLT), é aplicável ao processo do trabalho o disposto no art. 475-B, caput, do CPC (BRASIL, 1973), com uma pequena adaptação ao processo do trabalho, como a liquidação está prevista no Capítulo V da CLT (“Da Execução”), embora não tenha natureza jurídica executiva, é aceitável que o início da liquidação possa ser determinado de ofício pelo juiz, com suporte na aplicação do art. 878 da CLT (BRASIL, 1943), in verbis: “A execução poderá ser promovida por qualquer interessado, ou ex officio pelo próprio

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Juiz ou Presidente ou Tribunal competente, nos termos do artigo anterior.”

E finaliza Schiavi (2008, p. 128) que, no processo do trabalho, a liquidação está inserida no capítulo da execução. Não obstante, também seja um incidente da fase de conhecimento, não sendo um procedimento autônomo. Sendo assim, nas Varas do Trabalho, uma vez transitada em julgado a decisão, o juiz, de ofício, intima o reclamante para apresentar os cálculos de liquidação em 10 dias. Se ele não apresentar, intima-se a reclamada para fazê-lo, no prazo de 10 dias. Neste sentido é o § 1º B do art. 879 da CLT (BRASIL, 1943): “As partes deverão ser previamente intimadas para apresentação do cálculo de liquidação, inclusive da contribuição previdenciária incidente”.

2.1.4.1.2 Liquidação por Artigos

Na definição de Manoel Antônio Teixeira Filho (2005, p. 369):

Denomina-se por artigos essa modalidade de liquidação porque incumbe à parte (em geral, o credor) articular, em sua petição aquilo que deve ser liquidado, ou seja, indicar um a um os diversos pontos que constituirão objeto da quantificação, concluindo por pedir, segundo Leite Velho, quantia, quantidade e qualidade certas.

Para Mauro Schiavi (2008, p. 133), a Consolidação das Leis do Trabalho admite a liquidação por artigos (art. 879, caput), mas não disciplina seu procedimento. Portanto, necessário recorrer ao Código de Processo Civil (art. 769 da CLT).

Assevera o art. 475-E do CPC (BRASIL, 1973): “Far-se-á a liquidação por artigos, quando, para determinar o valor da condenação, houver necessidade de alegar e provar fato novo”.

Segundo Mauro Schiavi (2008, p. 134), fato novo é o reconhecido na sentença de forma genérica, mas que necessita ser detalhado na fase de liquidação. Por exemplo: a condenação apenas determina: uma indenização, horas extras, danos morais etc., mas para apurar o valor há necessidade de se determinar sua extensão, por meio de prova de outros fatos constitutivos. Na liquidação por artigos, em que a sentença determina apenas uma indenização, apurar-se-á o montante dos danos e se fixará o valor devido, após prova dos danos. Para o referido autor

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(SCHIAVI, 2008, p. 134), o rito da liquidação por artigos é o mesmo da fase de conhecimento. Assim, se o processo for pelo rito ordinário, a liquidação tem que seguir o mesmo rito, se sumaríssimo, ou sumário deve seguir o mesmo rito. Neste sentido é o disposto no art. 475-F do CPC (BRASIL, 1973), in verbis: “Na liquidação por artigos, observar-se-á, no que couber, o procedimento comum (art. 272).”

2.1.4.1.3 Liquidação por Arbitramento

Ensina Manoel Antonio Teixeira Filho (2005, p. 369), o arbitramento consiste em exame ou vistoria pericial de pessoas ou coisas, com a finalidade de apurar o quantum relativo à obrigação pecuniária que deverá ser adimplida pelo devedor, ou, em determinados casos, de individualizar, com precisão, o objeto da condenação.

Segundo Mauro Schiavi (2008, p. 132), a CLT apenas menciona a possibilidade de a liquidação ser levada a efeito por arbitramento, mas não diz qual o seu procedimento. Portanto, aplica-se o procedimento do CPC (art. 769 da CLT) com eventuais adaptações do procedimento trabalhista.

Assevera o art. 475-C do CPC (BRASIL, 1973): “Art. 475-C. Far-se-á a liquidação por arbitramento quando: (Acrescentado pela L-011.232-2005): I – determinado pela sentença ou convencionado pelas partes; II – o exigir a natureza do objeto da liquidação”.

Conclui Schiavi (2008, p. 132) que, conforme o referido dispositivo legal, a liquidação por arbitramento se realizará quando determinada pelo juiz na sentença, por convenção das partes, ou quando o exigir a natureza do objeto da liquidação.

Enfatiza também Schiavi (2008, p. 132) que, no processo do trabalho, raramente se utiliza a liquidação por arbitramento, pois é mais onerosa, exige a realização de perícia e provoca mais demora no procedimento. Não obstante, hipóteses há em que a liquidação por arbitramento se faz necessária, como, por exemplo, na apuração do valor do salário in natura, em que a sentença determinou a integração de determinada utilidade ao salário.

Renato Saraiva (2007, p. 559) traz exemplo de liquidação por artigos no Processo do Trabalho. Aduz o referido doutrinador:

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um exemplo de liquidação por arbitragem seria a hipótese de cálculo dos salários do reclamante que prestou serviços sem remuneração e cuja relação de emprego foi reconhecida pela Justiça do Trabalho, sendo nomeado, para tanto, um árbitro, cuja função seria realizar pesquisa no mercado de trabalho sobre a remuneração a ser paga ao obreiro, em virtude do serviço prestado.

2.2 EVOLUÇÃO HISTÓRICA

É importante, antes de estudarmos o procedimento da execução propriamente dito, abordarmos, primeiramente, sua origem e evolução. Segundo Renato Saraiva (2008, p. 582), a legislação em vigor na Roma Antiga era extremamente rigorosa em relação à pessoa que não adimplisse a obrigação assumida.

Sustenta Renato Saraiva (2008, p. 582) que os credores romanos, ao contrário do que ocorre atualmente, não podiam executar o patrimônio do executado, recaindo a execução na pessoa do próprio devedor, ou seja, a execução era corporal, e não patrimonial. Partindo dessa premissa, esse mesmo autor (SARAIVA, 2008, p. 582) exemplifica que, pelo sistema da manus iniectio (consagrada na Lei das Doze Tábuas), decorridos trinta dias da data da prolação da sentença o credor tinha a faculdade de conduzir o devedor a Juízo, valendo-se, se necessário, de medidas drásticas e violentas, objetivando receber seu crédito.

Salienta, ainda, Saraiva (2008, p. 582), que ao devedor restavam as seguintes alternativas: quitar a dívida ou encontrar alguém que a honrasse; caso não pagasse, o devedor era conduzido à residência do credor, permanecendo acorrentado em regime de cárcere privado, cabendo ao exeqüente anunciar a dívida em três feiras consecutivas, de modo a permitir que familiares do executado, ou mesmo terceiros, honrassem a dívida. Enfatiza o referido autor (SARAIVA, 2008, p. 582) que, não surgindo interessado em quitar a dívida, ao credor restava a opção de vender o devedor como escravo ou mesmo matá-lo.

Ainda no dizer de Renato Saraiva (2008, p. 583), na hipótese de serem vários os credores, assegurava-se a esses o direito de esquartejar o executado, partilhando-se os restos mortais, ou, alternativamente, vendê-lo como escravo, partilhando o produto da venda na proporção dos respectivos créditos.

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Logo, para Renato Saraiva (2008, p. 583), resta claro que nos dias atuais essa prática não é mais tolerada, dispondo o artigo 591 do CPC (BRASIL, 1973) que o devedor somente responde pelas dívidas contraídas com o seu patrimônio, sendo, portanto, respeitada sua integridade física, liberdade, dignidade humana e vida.

No sentir de Mauro Schiavi (2008, p. 19), com o avanço da sociedade, a execução não mais incide sobre a pessoa do devedor, e sim sobre seu patrimônio (princípio da humanização da execução que tem início em Roma, no século V, com a Lex Poetelia). Diz-se que a execução tem caráter patrimonial. Neste sentido é o que dispõe o art. 591 do CPC, in verbis: O devedor responde, para o cumprimento de suas obrigações, com todos os seus bens presentes e futuros, salvo as restrições estabelecidas em lei.

Como destaca Araken de Assis (2001, p. 363):

o art. 591 culmina notável evolução histórica. Rompendo com as tradições romana e germânica, convergentes ao imprimir responsabilidade pessoal ao obrigado, a regra dissociou a dívida e responsabilidade. Esta última se relaciona com inadimplemento, que é o fato superveniente à formação do vínculo obrigacional, pois somente após descumprir o dever de prestar o obrigado sujeitará seus bens à execução.

Assim, para Mauro Schiavi (2008, p. 19), a execução é um dos capítulos do Processo do Trabalho que é apontada como grande entrave ao acesso real e efetivo do trabalhador à Justiça do Trabalho. Para o referido autor (SCHIAVI, 2008, p. 19), mesmo a CLT prevendo procedimentos simplificados para a execução, a cada dia esses vêm perdendo espaço para inadimplência, contribuindo para falta de credibilidade da jurisdição trabalhista.

Humberto Theodoro Júnior (2008, p. 37) enfatiza que, nos últimos anos do século passado e nos primeiros do século atual, o legislador brasileiro procedeu a profundas reformas no Código de Processo Civil e, em quatro etapas, está logrando abolir por completo os vestígios da indesejável dualidade de processos para promover o acertamento e a execução dos direitos insatisfeitos.

Afirma Humberto Theodoro Júnior (2008, p. 37) que, num primeiro momento a Lei nº 8.952/94 (BRASIL, 1994) alterou o texto do art. 273 do CPC, acrescentando-lhe vários parágrafos (que viriam a sofrer adições da Lei nº 10.444/02), com o que se implantou, em nosso ordenamento jurídico, uma verdadeira revolução, consubstanciada na antecipação de tutela.

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alterações mais significativas sobre execução no Código de Processo Civil (BRASIL, 1973), com a edição da Lei nº 11.232/05 (BRASIL, 2005) que cria o Capítulo X do Título VIII do Livro I, designado de “DO CUMPRIMENTO DA SENTENÇA”, composto pelos artigos 475-I a 475-R , e que mais recentemente foi editada a Lei nº 1.382/06 (BRASIL, 2006) que incorporou ao CPC o artigo 655-A, que institui a penhora on line, considerada uma verdadeira revolução no nosso ordenamento jurídico.

2.3 CONCEITO DE EXECUÇÃO

Ensina José Augusto Rodrigues Pinto (2006, p. 23):

Executar é, no sentido comum, realizar, cumprir, levar a efeito. No sentido jurídico, a palavra assume significado mais apurado, embora conservando a idéia básica de que, uma vez nascida, por ajuste entre particulares ou por imposição sentencial do órgão próprio do Estado a obrigação, deve ser cumprida, atingindo-se no último caso, concretamente, o comando da sentença que a reconheceu ou, no primeiro caso, o fim para qual se criou.

Na visão de Manoel Antonio Teixeira Filho (2005, p. 33), a execução é a atividade jurisdicional do Estado, de índole essencialmente coercitiva, desenvolvida por órgão competente, de ofício ou mediante iniciativa do interessado, com o objetivo de compelir o devedor ao cumprimento da obrigação contida em sentença condenatória transitada em julgado ou em acordo judicial inadimplido ou em título extrajudicial, previsto em lei.

A Consolidação das Leis do Trabalho disciplina a Execução no Capítulo V: arts. 876 a 892.

Segundo Mauro Schiavi (2008, p. 21), a execução trabalhista consiste num conjunto de atos praticados pela Justiça do Trabalho destinados à satisfação de uma obrigação consagrada num título executivo judicial ou extrajudicial, da competência da Justiça do Trabalho, não voluntariamente satisfeita pelo devedor, contra a vontade deste último.

Desta definição, para Schiavi (2008, p. 22), destacam-se as seguintes características:

a) a execução é ato do Estado, destacando-se o caráter publicista do processo;

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com força executiva. Portanto, todos os atos da execução convergem no sentido da entrega do bem da vida pretendido pelo exequente;

c) a execução se inicia quando o devedor não cumpre, voluntariamente, a obrigação consagrada no título com força executiva;

d) a execução é forçada, pois é levada a efeito contra a vontade do executado;

e) são executados na Justiça do Trabalho, os títulos judiciais e extrajudiciais que são da competência material da Justiça do Trabalho.

Para Schiavi (2008, p. 22), os princípios da execução trabalhista não diferem dos princípios da execução no processo civil, entretanto, em face da natureza do crédito trabalhista e da hipossuficiência do credor trabalhista, alguns princípios adquirem intensidade mais acentuada na execução trabalhista, máxime dos da celeridade, simplicidade e efetividade do procedimento.

2.4 ESPÉCIES DE EXECUÇÃO

Segundo Carlos Henrique Bezerra Leite (2008, p. 931), a execução de título executivo judicial pode ser provisória ou definitiva. Contudo, quando se tratar de execução de título extrajudicial, não caberá execução provisória. Com a nova redação dada ao art. 587 do CPC pela Lei nº 11.382/2006 (BRASIL, 2006), a execução provisória será admitida “enquanto pendente apelação de sentença de improcedência dos embargos do executado, quando recebidos com efeito suspensivo”, nos termos do art. 739-A, § 1º, do mesmo código.

Para Bezerra (2008, p. 932) “definitiva é a execução fundada em sentença transitada em julgado ou em título extrajudicial (CPC, art. 587 ou art. 475-I, § 1º, por força da Lei nº 11.232/2005)”.

E, ainda sustenta Bezerra Leite (2008, p. 932) que é provisória a execução quando o título judicial exequendo estiver sendo objeto de recurso recebido apenas no efeito devolutivo que é a regra geral no processo do trabalho (CLT, art. 899). Resumindo, a execução provisória é permitida em se tratando de sentença condenatória que ainda não transitou em julgado.

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execução provisória ex officio, ou seja, esta só é possível quando o interessado peticionar ao juiz requerendo seu processamento.

Bezerra Leite (2008, p. 932) ressalta que é possível que a decisão exequenda contenha partes que permitam a execução provisória e partes que permitam a execução definitiva. O art. 897, § 1º, da CLT (BRASIL, 1943) dispõe expressamente que o agravo de petição só será recebido quando o agravante delimitar, justificadamente, as matérias e os valores impugnados, “permitida a execução imediata da parte remanescente até o final, nos próprios autos ou por carta de sentença”. Essa disposição legal comporta interpretação restritiva, isto é, não há como ser estendida a outros recursos, como o ordinário o de revista etc., de maneira que, havendo a interposição desses recursos, a execução somente poderá ser exclusivamente provisória, mesmo em relação às partes da decisão exequenda que não foram impugnadas. Segundo ele, de acordo com o art. 899 da CLT, a execução provisória vai até a penhora. A norma quer dizer que os atos processuais na execução provisória têm como limite a penhora dos bens do devedor. O posicionamento de Carlos Henrique Bezerra Leite, assim como Wagner Giglio, é de que a execução provisória pode implicar outros atos posteriores à penhora, que com ela tenham alguma relação, como os embargos à penhora (rectius do devedor), o agravo de petição que visa tornar insubsistente a penhora, etc.

Para sustentar esta tese Bezerra (2008, p. 935) Leite tece alguns comentários: “o legislador substituiu o termo princípios por normas, o que na sua opinião, não tem grande repercussão prática, pois ambos têm o mesmo propósito, no peculiar. Ao seu ver, princípios e regras são espécies de normas“.

Prossegue Bezerra Leite (2008, p. 935), a execução provisória corre por conta e risco do exequente, que deverá ser responsabilizado, no mesmo processo, ou melhor, nos mesmos autos (CPC, art. 475-O, incisos I e II), pelos prejuízos que vier a causar ao executado, a serem liquidados por arbitramento.

Salienta Bezerra Leite (2008, p. 935) que, no processo do trabalho, o juiz deve ter redobrada cautela ao permitir a execução provisória que importe atos de expropriação dos bens do executado, pois o exequente, na grande maioria dos casos, é (des)empregado e não tem condições de arcar com eventuais prejuízos decorrentes do resultado final desfavorável do processo. Contudo, com a ampliação da competência da Justiça do Trabalho para outras ações oriundas da relação de trabalho (CF, art. 114, I), é prudente que o Juiz adote com mais liberdade a regra do

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CPC.

Lembra Bezerra Leite (2008, p. 935) que a 1ª Jornada de Direito Material e Processual do Trabalho, realizada em Brasília-DF, foi aprovado, em 23.11.2007, o enunciado nº 69, in verbis:

EXECUÇÃO PROVISÓRIA. APLICABILIDADE DO ART. 475-O DO CPC NO PROCESSO DO TRABALHO. I – A expressão ' [...] até a penhora [...]' constante da Consolidação das Leis do Trabalho, art. 899, é meramente referencial e não limita a execução provisória no âmbito do direito processual do trabalho, sendo plenamente aplicável o disposto o Código de Processo Civil, art. 475-O. II – Na execução provisória trabalhista é admissível a penhora de dinheiro, mesmo que indicados outros bens. Adequação do postulado da execução menos gravosa ao executado aos princípios da razoável duração do processo e da efetividade. III – É possível a liberação de valores em execução provisória, desde que verificada alguma das hipóteses do artigo 475-O, § 2º, do Código de Processo Civil, sempre que o recurso interposto esteja em contrariedade com Súmula ou Orientação Jurisprudêncial, bem como na pendência de Agravo de Instrumento no TST.

Sustenta Bezerra Leite (2008, p. 935) que o enunciado supracitado não é fonte de direito, mas oferece sólido fundamento para uma interpretação evolutiva do art. 899 da CLT, pois este, no particular, apresenta nítido envelhecimento em relação ao processo civil.

No dizer de Bezerra Leite (2008, p. 935), a prestação de caução, prevista no inciso III do art. 475-O do CPC, é exigível apenas para os casos que importem em levantamento de dinheiro e alienação de bens de domínio ou nos casos que possam provocar grave dano ao executado.

Defende Bezerra Leite (2008, p. 935), que o instituto da caução, a ser exigido do empregado, encontra alguns obstáculos no processo do trabalho e as razões são as mesmas já declinadas, ou seja, em regra, o empregado não se encontra em condições econômico-financeiras para dar garantias ao executado em caso de reforma de sentença que está sendo provisoriamente executada. Todavia, como já afirmado, a ampliação da competência da Justiça do Trabalho para outras ações oriundas da relação de trabalho permitirá, não raro a prestação de caução pelo trabalhador, prestador do serviço.

Para Bezerra Leite (2008, p. 936), o inciso II do art. 475-O do CPC (na mesma linha do inciso III do revogado art. 588) adequou os termos “sentença” e “acórdão”, pois ficará sem efeito a execução provisória sobrevindo acórdão que modifique ou anule a sentença exequenda.

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Bezerra Leite (2008, p. 936) entende que:

Nos termos do § 2º do art. 475-O, é facultado ao juiz dispensar a caução quando preenchidos cumulativamente dois requisitos, a saber:

a) a execução versar sobre crédito de natureza alimentar, como só ocorre com os créditos trabalhistas, ou decorrer de ato ilícito, como ocorre com ações acidentárias, cujo montante não exceda a sessenta salários mínimos; e

b) o exeqüente se encontra em estado de necessidade, cujos pressupostos não se confundem com os exigidos para a assistência judiciária sindical (Lei nº 5.584/70, art. 14) ou para a obtenção dos benefícios da justiça gratuita (CLT, art. 790, § 3º). Como o preceptivo em causa não define o que vem a ser “estado de necessidade”, pressupõe-se que se trata de situação em que o juiz deverá analisar caso a caso, sendo imprescindível a existência de, ao menos, uma declaração de próprio punho (não vale, evidentemente, a declaração firmada pelo advogado, salvo se possuir poderes especiais) do exeqüente, na qual se responsabilize expressamente pelos riscos e prejuízos que vier a causar ao executado, no caso de reforma da sentença exeqüenda. Dessa forma, oferece-se ao executado a possibilidade de ter um documento que poderá servir de prova para os fins do inciso IV ou para futura ação de indenização em face do exeqüente.

Nessa linha também afirma Bezerra Leite (2008, p. 936) que poderá, ainda, o juiz dispensar a caução nos casos de execução provisória em que penda agravo de instrumento junto ao TST, salvo quando da dispensa possa manifestamente resultar risco de grave dano, de difícil ou incerta reparação (CPC, art. 475-O, § 2º, II).

E, ainda segundo Bezerra Leite (2008, p. 936), que a decisão do juiz de dispensar (ou não) a caução é tipicamente interlocutória, não desafiando, assim, a interposição do agravo de petição (CLT, art. 893, § 1º). Poderá, no entanto, a parte interessada, em tese, impetrar mandado de segurança, desde que satisfeitas as condições especialíssimas desse remédio constitucional.

Sustenta Bezerra Leite (2008, p. 937) que, em síntese, considerando que o processo do trabalho é omisso (lacuna normativa) acerca do instituto da caução e considerando a sua nítida finalidade social, parece aplicável, tendo em vista manifesta compatibilidade com os seus princípios, o novel do art. 475-O do CPC ao processo laboral, desde que observadas as condições acima.

Logo, o juiz deve analisar o caso concreto à luz do princípio da proporcionalidade para avaliar a necessidade da aplicação da caução.

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3 RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL DO DEVEDOR E A PENHORA TRABALHISTA

3.1 DA RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL PRIMÁRIA DO DEVEDOR

A responsabilidade primária ocorre quando o primeiro patrimônio a ser exposto aos meios executórios é o do devedor, ou seja, aquele que consta do título executivo.

A responsabilidade patrimonial é uma categoria fundamental no estudo da tutela jurisdicional. Segundo Marcelo Abelha (2008, p. 67), Trata-se de um instituto intimamente ligado à própria evolução dessa função jurisdicional, porque diretamente relacionado à substituição da execução pessoal pela execução patrimonial.

Segundo Mauro Schiavi (2008, p. 107), a responsabilidade patrimonial é um vínculo de direito processual pelo qual os bens do devedor ficam sujeitos à execução e serem destinados à satisfação do crédito do exequente.

Convém analisar a responsabilidade patrimonial do devedor na execução, já que se exige verificar a vinculação dos bens do devedor no cumprimento das obrigações trabalhistas fixadas no título executivo, judicial ou extrajudicial.

Como já citado no presente trabalho, na legislação brasileira, a execução não é pessoal, e sim patrimonial, ou seja, atinge os bens do devedor (art. 591 do CPC). Os únicos casos em que a execução pode ser pessoal, ou seja, incide na pessoa do devedor, privando-o de liberdade, estão expressos na Constituição, no seu artigo 5º, inciso LXVII, que são os de inadimplemento voluntário e inescusável de obrigação alimentícia e depositário infiel.

Assim, verificar-se-á em que consiste a responsabilidade do devedor e as suas nuances importantes para este estudo.

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3.1.1 Responsabilidade Patrimonial Secundária do Devedor

Nos termos dos arts. 591 do CPC (BRASIL, 1973) e 883 da CLT (BRASIL, 1943), o devedor responde para o cumprimento de suas obrigações, com todos os seus bens, presentes e futuros, salvo as restrições estabelecidas em lei.

Porém, segundo Schiavi (2008, p. 108), o Código de Processo Civil atribui responsabilidade patrimonial a certas pessoas que, embora não constem do título executivo, poderão ter seus bens sujeitos à execução. Tal responsabilidade vem sendo denominada na doutrina como responsabilidade patrimonial secundária.

Como destaca Humberto Theodoro Júnior (2003, p. 222):

Bens de ninguém respondem por obrigação de terceiro, se o proprietário estiver inteiramente desvinculado do caso do ponto de vista jurídico. Há casos, porém, em que a conduta de terceiros, sem levá-los a assumir posição de devedores ou das partes na execução, torna-os sujeito aos efeitos desse processo. Isto é, seus bens particulares passam a responder pela execução, muito embora inexista assunção da dívida constante do título executivo. Quanto tal ocorre, são executados bens que não são do devedor, mas de terceiros, que não se obrigou, e, mesmo assim, responde pelo cumprimento das obrigações daquele. Trata-se como se vê, de obrigação puramente processual.

Nessa esteira, assevera Mauro Schiavi (2008, p. 108) que não há violação do contraditório ou da ampla defesa em executar bens de pessoas que não constem do título executivo, pois a responsabilidade que lhe foi atribuída se justifica em razão de manterem ou terem mantido relações jurídicas próximas com devedor de cunho patrimonial que podem comprometer a eficácia da execução processual, e daí a lei lhes atribuir tal responsabilidade, visando à garantia do crédito. Além disso, os responsáveis secundários podem resistir à execução, por meio dos meios processuais cabíveis, como os embargos de terceiro e os embargos à execução.

A Consolidação das Leis do Trabalho não disciplina a hipótese da execução na responsabilidade patrimonial secundária, desse modo resta aplicável à execução trabalhista o disposto no artigo 592 do CPC (BRASIL, 1973), que assim dispõe:

Art. 592 - Ficam sujeitos à execução os bens:

I - do sucessor a título singular, tratando-se de execução fundada em direito real ou obrigação reipersecutória (alterado pela L-011.382-2006);

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III - do devedor, quando em poder de terceiros;

IV - do cônjuge, nos casos em que os seus bens próprios, reservados ou de sua meação respondem pela dívida;

V - alienados ou gravados com ônus real em fraude de execução.

3.1.2 Da Responsabilidade na Sucessão de Empresas (Empregadores)

Na visão de Amauri Mascaro Nascimento (2004, p. 680): “sucessão de empresas significa mudança na propriedade da empresa e efeitos sobre o contrato de trabalho que é protegido”

Na mesma esteira Maurício Godinho Delgado (2007, p. 408) enfatiza que: Sucessão de empregadores é figura regulada pelos arts. 10 e 448 da CLT. Consiste no instituto justrabalhista em virtude do qual se opera no contexto da transferência de titularidade de empresa ou estabelecimento, uma completa transmissão de crédito e assunção de dívidas trabalhistas entre alienante e adquirente envolvidos. Segundo a maioria dos doutrinadores a sucessão trabalhista, disciplinada nos artigos 10 e 448 da CLT (BRASIL, 1943), tem fundamento nos princípios da continuidade do contrato de trabalho, despersonalização do empregador e na inalterabilidade do contrato de trabalho. Por isso quem responde pelo crédito trabalhista é a empresa, e não quem esteja no seu comando.

Dispõe o art. 10 da CLT (BRASIL, 1943): “Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afetará os direitos adquiridos por seus empregados”.

No mesmo sentido é o art. 448 da CLT (BRASIL, 1943): “A mudança na propriedade ou na estrutura jurídica da empresa não afetará os contratos de trabalhos dos respectivos empregados”.

Como bem adverte Wagner D. Giglio (2005, p. 537), responsável pelo pagamento da condenação é, portanto, a empresa, ou seja, o conjunto de bens materiais (prédios, máquinas, produtos, instalações etc.) e imateriais (crédito, renome etc.) que compõe o empreendimento. São esses bens que, em última análise, serão arrecadados através da penhora, para satisfazer a condenação, pouco importando quais são as pessoas físicas detentoras ou proprietárias deles.

Logo, não interessa detectar quem detém a propriedade, e sim quais bens serão expropriados para satisfazer a condenação.

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3.1.3 Da responsabilidade do Sócio

Tema relevante para o presente estudo é mensurar a responsabilidade pessoal do sócio de uma empresa, no caso de conflito trabalhista, especialmente tendo em vista a possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica, na forma prevista em lei.

Conforme Mauro Schiavi (2008, p. 114), independentemente do sócio ter figurado no polo passivo da reclamação trabalhista, os seus bens poderão responder pela execução, pois a responsabilidade do sócio é patrimonial (econômica e de caráter processual).

Neste sentido dispõe o CPC (BRASIL, 1973) no seu artigo 592: “Ficam sujeitos à execução os bens: [...]. II - do sócio, nos termos da lei; [...]”.

A ementa seguinte retrata com precisão esta situação:

Execução sobre os bens do sócio – Possibilidade. A execução pode ser processada contra os sócios, uma vez que respondem com os bens particulares, mesmo que não tenham participado do processo na fase cognitiva. Na Justiça do Trabalho, basta que a empresa não possua bens para a penhora para que incida a teoria da desconsideração da personalidade jurídica da sociedade. O crédito trabalhista é privilegiado, tendo como base legal, de forma subsidiária, o art. 18 da Lei n. 8.884/94 e CTN, art. 135, caput e inciso III, c/c o art. 889 da CLT (TRT-3ªR. - 2ª T. - AP n. 433/2004.098.03.00-7- Rel. João Bosco P. Lara - DJMG 9.9.04 – p. 11) (BRASIL, 1973).

Segundo Schiavi (2008, p. 115), o primeiro diploma legal a disciplinar a possibilidade de desconsideração da personalidade jurídica a ser utilizado pela Justiça do Trabalho foi o art. 10 da Lei nº 3.708/19 (BRASIL, 1919), que assim dispõe:

Os sócios-gerentes ou que derem o nome à firma não respondem pessoalmente pelas obrigações contraídas em nome da sociedade, mas respondem para com esta e para com terceiros solidária e ilimitadamente pelo excesso de mandato e pelos atos praticados com violação do contrato ou da lei.

Posteriomente, veio a lume o Código Tributário Nacional, que disciplinou a questão no art. 135 do CTN (BRASIL, 1966), in verbis:

São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos:

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II - os mandatários, prepostos e empregados;

III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.

Conforme Schiavi (2008, p. 115), atualmente a matéria está regulamentada pelo art. 28 da Lei nº 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor) e art. 50 do Código Civil, que encaparam a teoria da desconsideração da personalidade jurídica, também conhecida como disregard doctrine, disregard of legal entity, lifting the coporate veil, oriunda do direito anglo-saxão e introduzida ao direito brasileiro por Rubens Requião.

Dispõe o art. 28 da Lei nº 8.078/90 (BRASIL, 1990):

O juiz poderá desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando, em detrimento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A desconsideração também será efetivada quando houver falência, estado de insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados por má administração.

Para Schiavi (2008, p. 115), o Código Civil de 2002 encampou a teoria da desconsideração da personalidade jurídica no art. 50, que assim dispõe:

Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica (BRASIL, 2002).

Por esta teoria, os bens do sócio podem ser atingidos quando:

a) a pessoa jurídica não apresentar bens para pagamento das dívidas; b) atos praticados pelo sócio com abuso de poder, desvio de finalidade,

confusão patrimonial, ou má-fé.

Atualmente, a moderna doutrina e a jurisprudência trabalhista encamparam a chamada teoria objetiva da desconsideração da personalidade jurídica que disciplina a possibilidade de execução dos bens do sócio, independentemente de os atos destes violarem ou não o contrato, ou haver abuso de poder. Basta a pessoa jurídica não possuir bens, para ter início a execução aos bens do sócio.

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3.2 PENHORA DE BENS NO PROCESSO TRABALHISTA

3.2.1 Conceito e Finalidade

Enrico Túlio Liebman (1946, p. 95) define penhora, como sendo “o ato pelo qual o órgão judiciário submete a seu poder imediato determinados bens do executado, fixando sobre eles a destinação de servirem à satisfação do direito do exeqüente. Tem, pois, natureza de ato executório”.

Na mesma linha Christovão Piragibe Tostes Malta (2005, p. 787) ressalta que a penhora é simplesmente um ato executivo (ato do processo de execução), cuja finalidade é a individualização de bens. Trata-se, portanto, de um meio de fixar-se a responsabilidade executória sobre determinados bens do devedor.

Wagner D. Giglio e Cláudia Giglio Veltri Corrêa (2007, p. 558) conceituam penhora como apreensão judicial de determinados bens do executado, para que, transformados em dinheiro com a venda em praça ou leilão (salvo o caso de a penhora já recair sobre dinheiro) ou adjudicados ao exequente ou a ele outorgados seus rendimentos (CPC, art. 647), seja satisfeita a condenação.

Logo, podemos destacar que a penhora primeiramente é um ato de constrição dos bens do executado, que servem para satisfação do crédito do exequente. Num segundo momento esses bens são individualizados e posteriormente são transformados em dinheiro, através de praça ou leilão, exceto se a penhora já tenha recaído sobre dinheiro.

3.2.2 Procedimento da Penhora – Aspectos Essenciais

Segundo Eduardo Gabriel Saad, José Eduardo Dutra Saad e Ana Maria Saad Castelo Branco (2007, p. 979), se, nos termos do art. 883 da CLT, o executado não pagar nem garantir a execução, seguir-se-á a penhora de seus bens, tantos quantos bastem ao pagamento da importância da condenação, acrescida de custas e juros de mora.

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Salienta Saad (2007, p. 979) que neste passo não se aplica à execução trabalhista o art. 653 do CPC, o qual autoriza o oficial de justiça a arrestar os bens do devedor quando não o encontra para citá-lo.

Sustenta também Saad (2007, p. 979) que manda a CLT citar pessoalmente o Executado por oficial de justiça ou por edital.

Para Saad (2007, p. 980), consumada a citação, aguardar-se-á o prazo de 48 horas para que se leve a termo a penhora, e isso no caso de o Executado não pagar a dívida ou não garantir a execução com depósito de dinheiro ou nomeação de bens.

Assegura Saad (2007, p. 980) que é o oficial de justiça quem recebe o encargo de procurar esses bens onde quer que se encontrem, ainda que em repartição pública, caso em que haverá requisição do juiz ao respectivo chefe.

Ressalta Saad (2007, p. 980) que, caso o valor dos bens seja inferior ao da condenação, não se levará a cabo a penhora. Neste caso, ou se o oficial de justiça não encontrar quaisquer bens penhoráveis, este relatará ao juiz ou descreverá na certidão os bens que guarnecem a residência do devedor ou do seu estabelecimento.

Salienta Saad (2007, p. 980) que o art. 721 da CLT informa que existem oficiais de justiça e oficiais de justiça avaliadores. Deste fato decorre que a penhora será realizada pelo oficial de justiça e a avaliação, pelo oficial de justiça avaliador. Ocorre que, atualmente, na Justiça do Trabalho todos os oficiais de justiça também são avaliadores. Podendo, neste caso, realizarem a penhora e a avaliação dos bens. Sustenta Saad (2007, p. 981) que impugnada a avaliação pelo Executado, resta ao Juiz observar o que vem consignado no art. 13, § 1º, da Lei nº 6.830: designar novo avaliador.

3.3 BENS PENHORÁVEIS E A ORDEM DE PREFERÊNCIA/GRADAÇÃO

Como foi visto nos tópicos anteriores, o patrimônio do devedor executado estará sujeito à penhora, caso não cumpra as suas obrigações fixadas no título executivo.

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de penhora são: I - dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação em instituição financeira; II - veículos de via terrestre; III - bens móveis em geral; IV – bens imóveis; V -navios e aeronaves; VI - ações e quotas de sociedades empresariais; VII - percentual do faturamento de empresa devedora; VIII - pedras e metais preciosos; IX - títulos da dívida pública da União, Estados e Distrito Federal com cotação em mercado; X - títulos e valores mobiliários com cotação em mercado; XI - outros direitos.

Eduardo Gabriel Saad, José Eduardo Dutra Saad e Ana Maria Saad Castelo Branco (2007, p. 951) esclarecem que, para garantia da execução e consoante o art. 882 da CLT, a nomeação de bens à penhora pelo devedor há de se respeitar a ordem preferencial de bens contida no referido artigo.

Segundo Saad (2007, p. 951), para possibilitar a penhora de dinheiro em depósito ou aplicação financeira, o juiz, a requerimento do exequente, requisitará à autoridade supervisora do sistema bancário, preferencialmente por meio eletrônico, informações sobre a existência de ativos em nome do executado, podendo no mesmo ato determinar sua indisponibilidade até o valor indicado na execução. Essas informações se limitarão à existência ou não de depósito ou aplicação até o valor indicado na execução.

Salienta Saad (2007, p. 951) que:

se o executado quiser impedir que a penhora recaia sobre valores depositados em conta corrente bancária, compete a ele comprovar que eles se referem: (a) a vencimentos, subsídios, soldos, salários, remunerações, proventos de aposentadoria, pensões, pecúlios e montepior (b) as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e sua família; (c) a ganhos de trabalhador autônomo; (d) a honorários de profissional liberal; (e) a valores revestidos de outra forma de impenhorabilidade (art. 655-A, do CPC).

Frisa Saad (2007, p. 951) que, na hipótese de a penhora incidir sobre um determinado percentual do faturamento da empresa executada, será nomeado depositário com a atribuição de submeter à aprovação judicial a forma de efetivação da constrição, bem como prestar contas mensalmente, entregando ao exequente as quantias recebidas, a fim de serem imputadas no pagamento da dívida.

Ressalta Saad (2007, p. 951) que, recaindo a penhora em bens imóveis, será intimado também o cônjuge do executado (art. 655, § 2º, do CPC). Tratando-se a penhora em bem indivisível, a meação do cônjuge alheio à execução recairá sobre o produto da alienação do bem (art. 655-B).

Referências

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