RESEN HAS 203
ciclop é d ia ch in e sa d e Borg e s. N ã o p or-q u e e la n os con d u za à im p ossib ilid a d e d e p e n sá la , m a s p orq u e n os le va a d u vid a r q u e se ja n e ce ssá rio a in d a m a n -te r u m a ú n ica n om e n cla tu ra p a ra u m a p rá tica in te le ctu a l tã o d ive rsa com o a d e la . Em fa ce d a s g rita n te s d ife re n ça s te órica s, e m p írica s e in stitu cion a is q u e e xp lica m su a tra je tória e a tu a liza çã o – e q u e sã o tã o b e m a n a lisa d a s n o livro –, s e r á q u e a s c o n t in u id a d e s a in d a s ã o forte s o su ficie n te p a ra con tin u a rm os a in sistir n a su a id e n tid a d e d iscip lin a r? O q u e h á d e com u m , p or e xe m p lo, e n t r e a a n t r o p o lo g ia p o r t u g u e s a n o p e -r ío d o d o s a la z a -r is m o – p -r a t ic a d a n a s h ora s va g a s p or m é d icos, b iólog os, m ission á rios, a d m in istra d ore s e a té m e s m o m ilita re s q u e se d izia m a n trop ólo g o s – e a q u e la q u e , s e n d o u m d e s d o b ra m e n to d a e scola sociológ ica fra n ce -sa , d e corte u n ive rsitá rio e a ca d ê m ico, a p a rtou o folclore d e se u h orizon te ? O q u e a fin a l é isto q u e te im a m os e m con -t in u a r a c h a m a r d e a n -t r o p o lo g ia n o sin g u la r?
LOPES DA SILVA, Aracy, NUNES, Ange-la e M ACEDO, Ana Vera (orgs.). 2002. Crianças indígenas: ensaios ant ropo-lógicos.São Paulo: Global. 280 pp.
Flávia Pires
Dou tora n d a , PPG AS/ M N / UFRJ
O livro Crian ças in d íg e n as: e n saios an
-trop ológ icos é u m a te n ta tiva d e rom p e r
com m a is u m d os ta n tos “ ce n trism os” q u e a ssom b ra m a a n trop olog ia . Se a s cria n ça s fora m p or ta n to te m p o tra ta d a s com o a d u ltos e m m in ia tu ra , isso n ã o se d e ve u a u m a ca ra cte rística p róp ria d a in fâ n cia , m a s sim a u m a p ostu ra “ a d u l-tocê n trica ” , n a s p a la vra s d e An g e la N u -n e s, p re d om i-n a -n te a o lo-n g o d a h istória
d a s ciê n cia s socia is. Se n u n ca fora a tri-b u íd a a g ê n cia à s cria n ça s, n ã o é p orq u e e sta s fosse m m e ros re p rod u tore s d a so-cie d a d e a d u lta , m a s p orq u e h a via u m com p le to d e scon h e cim e n to d a s e sp e cificid a d e s d o m u n d o in fa n til. N e sse se n -tid o, o livro filia -se e xp licita m e n te a u m p roje to in te le ctu a l e m te rm os d o q u a l a s cria n ça s d e ve m se r tra ta d a s com o su je itos socia is com p le itos e in te rlocu tore s le -g ítim os d o p e sq u isa d or. A con stitu içã o d e ste p a ra d ig m a e ste ve a ssocia d a à p rolife ra çã o d os e stu d os sob re cria n ça s e m con te xtos u rb a n os, in d u stria is e g lo-b a liza d os, p rin cip a lm e n te n a Eu rop a (:12-15); p rocu ra n d o e ste n d ê -lo, e ste li-vro forn e ce u m a p orta d e e n tra d a a os e stu d os sob re cria n ça s e m con te xtos in d íg e n a s (e m b ora os ca p ítu los b ib liog rá -ficos d a se g u n d a p a rte fa le m ta m b é m d e ou tros con te xtos). A p rim e ira p a rte d a cole tâ n e a é com p osta p or se te a rti-g os, tod os b a se a d os e m p e sq u isa d e ca m p o e m socie d a d e s in d íg e n a s (Xa -va n te , Ka ia p ó-Xik rin , G u a ra n i, Ka iow á , Asu rin i) e orie n ta d os p e lo p roje to d e con stitu içã o d e u m a a n trop olog ia d a cria n ça ou d a in fâ n cia .
Em se te ricos flas h e s e tn og rá ficos,
re colh id os e m u m lon g o tra b a lh o d e ca m p o (d e 1971 a 1995) e n tre os A’u w ? (ou Xa va n te e Xe re n te ), Ara cy Lop e s d a Silva d iscu te os p roce ssos d e a p re n d i-za g e m , tra n sm issã o e e xp re ssã o d o co-n h e cim e co-n to, oco-n d e a corp ora lid a d e se re ve la com o u m d os m e ca n ism os ce n -tra is. Ao d ize r, n o se g u n d o flash : “ H á
cm o a s situ a çõe s corriq u e ira s sã o cm o-m e n tos d e a p re n d iza g e o-m , su scita -o-m e e sp on ta n e a m e n te u m a p e rg u n ta : e n -tã o, q u a l o se n tid o d a e scola form a l? Es-sa q u e stã o é tra ta d a n a p a rte fin a l d o a rtig o: é n e ce ssá rio “ q u e stion a r a com-p a tib ilid a d e e fe tiva e n tre a e d u ca çã o in d íg e n a e a e scola riza çã o” (:58). A a u -tora se p osicion a con tra a s a b ord a g e n s d a socia liza çã o com o u m a a çã o a d u lta sob re a s cria n ça s p a ssiva s e p rop õe cm o p re cm issa e p iste cm ológ ica a a u ton o-m ia d o u n ive rso in fa n til. As cria n ça s, d iz e la , com o os xa m ã s, sã o a p orta d e e n tra d a d o n ovo n a s socie d a d e s.
An g e la N u n e s, a o d e scre ve r u m a sé -rie d e b rin ca d e ira s in fa n tis xa va n te , d iz q u e a s cria n ça s, q u a n d o b rin ca m , e stã o con te xtu a liza n d o e e la b ora n d o o con -te xto socia l e m q u e vive m . Se u a rtig o e q u a cion a os a sp e ctos d o cotid ia n o e a a tivid a d e lú d ica a tra vé s d a con sta ta çã o d e q u e a b rin ca d e ira fa z p a rte d o d ia a -d ia e se p re sta a re su lta -d os re a is. Alé m d isso, a a u tora p a rte d a s b rin ca d e ira s p a ra e vid e n cia r a s d im e n sõe s d a cu ltu ra e d a vid a socia l, com o te m p o e e sp a -ço, p re se n te s n a s b rin ca d e ira s sa zon a is. Esp a ço e te m p o sã o a p e n a s a lg u m a s d a s ca te g oria s a n a lítica s u tiliza d a s p e la a n trop olog ia e q u e p od e ria m se r e xp lo-ra d a s a p a rtir d e e stu d os com p a lo-ra tivos sob re o a sp e cto lú d ico in fa n til.
Ed u a rd o C a rra ra la n ça lu ze s sob re a form a com o o con h e cim e n to d a s e s-p é cie s a n im a is, e ss-p e cifica m e n te d a s a ve s, é a p re n d id o p e los m e n in os (u m a ve z q u e a s m e n in a s n ã o se rã o ca ça d o-ra s) e n tre os Xa va n te . O con h e cim e n to d a s a ve s se fa z e m sin ton ia com o lu g a r re se rva d o a os a n im a is e ou tros se re s n ã o-h u m a n os p e los p ovos a m e rín d ios. O s a n im a is, a lé m d e fa ze re m p a rte d a socie d a d e d os h u m a n os, p ossu e m , e le s p róp rios, m od os d e vid a h u m a n os. As-sim , p a ra con h e cê -los, é p re ciso ir a lé m d a m orfolog ia . O s m e n in os m u ito ce d o
já a p re n d e m sob re a s a ve s p or m e io d o con ta to corp ora l. M a s n ã o a p e n a s a s cria n ça s a p re n d e m : os a d u ltos ta m b é m n ã o ce ssa m d e a p re n d e r. Alé m d isso, o con h e cim e n to é p rod u to socia l e p olíti-co, e le se d á p re fe re n cia lm e n te n os w a-rã (con se lh os p olíticos). Por fim , o a u tor re ssa lta q u e n a s socie d a d e s u rb a n a s foi a e m e rg ê n cia d a s ciê n cia s n a tu ra is, d a s cid a d e s e d a s in d ú stria s q u e d e m a rcou o “ m u n d o n a tu ra l” com o a lg o se p a ra d o d o h om e m . A e d u ca çã o a m b ie n ta l é d e ve d ora d e sta id é ia m od e rn a , n o e n ta n -to, e n tre os Xa va n te , e la é m a is q u e e cológ ica , e la é p e n sa d a com o “ u m con ju n to d e m ú ltip la s in te rre la çõe s q u e e n volve m sa b e re s, té cn ica s e u m a con s ta n te in te rp e n e tra çã o in te le ctu a l e p rá -tica e n tre n a tu re za e socie d a d e ” (:115).
C la rice C oh n a p re se n ta -n os u m a ri-ca d e scriçã o d o cotid ia n o d a s cria n ça s e m u m a a ld e ia xik rin , d a n d o d e ta lh e s d a s fe sta s ou ritu a is. A a u tora p rocu ra re sp on d e r à p e rg u n ta : o q u e é u m a cria n ça , se g u n d o os Xik rin ? Ve m os o q u a n to a s cria n ça s e stã o p re se n te s n o cotid ia n o d a com u n id a d e , já d e sa íd a p orq u e sã o im p orta n te s p a ra d e fin ir a s ca te g oria s d e id a d e , q u e , ju n ta m e n te com a cla ssifica çã o d e g ê n e ro, e sta b e -le ce m o statu s socia l d os in d ivíd u os. A
a u tora re fle te a in d a sob re o a p re n d iza -d o in fa n til n o con te xto a m e rín -d io. As cria n ça s e stã o a q u i e m u m a p osiçã o e s-p e cia l n a vid a socia l, q u e se ca ra cte riza p e la n ã o n e ce ssid a d e d e se re sp e ita re m re g ra s d e e vita çã o, e sse n cia is n a vid a a d u lta . De ssa form a , d e sfru ta m d e u m a m ob ilid a d e b a sta n te g ra n d e , q u e lh e s p e rm ite circu la r e n tre a s ca sa s e fre -q ü e n ta r -q u a se tod os os m om e n tos d a vid a socia l, e a ssim “ tu d o ve r” (:138, 141). A visã o é , ju n to com a a u d içã o, u m d os m e ios b á sicos a tra vé s d os q u a is o a p re n d iza d o se fa z. Essa s d u a s ca p a ci-d a ci-d e s sã o forta le cici-d a s com o ci-d e corre r d o te m p o e re su lta m n o a p re n d iza d o. RESEN HAS
RESEN HAS 205
Ao e stu d a r o p a re n te sco k a iow á , Le vi M a rq u e s Pe re ira foi le va d o a p e rg u n -ta r-se sob re o e s-ta tu to d a s cria n ça s a d o-ta d a s, cu ja e le va d a q u a n tid a d e a p on o-ta com o “ u m a d a s p rin cip a is e stru tu ra s d a org a n iza çã o d o siste m a d e p a re n te sco” (:172). Ele p on d e ra q u e a re la çã o b ioló-g ica e n tre m ã e e filh o n ã o con té m , e n tre os Ka iow á , u m com p on e n te n a tu ra liza n -te for-te . A re la çã o d e a fin id a d e su p la n ta a d e con sa n g ü in id a d e , q u a n d o a s d u a s n ã o p od e m se r com b in a d a s, g e ra lm e n te n a m orte ou n a se p a ra çã o d os p a is. O s a d ota d os, ch a m a d os g u ach os, o sã o p re
-fe re n cia lm e n te p or p a re n te s p róxim os. En tre ta n to, isso só ocorre q u a n d o h á o d e se jo ou a p ossib ilid a d e d e se “ le va n -ta r p a re n te la ” , ou se ja , d e p e n d e d o cclo d e d e se n volvim e n to d o “ fog o fa m i-lia r” . O a u tor m ostra q u e o p roce sso d e con stitu içã o d a p e ssoa e stá e m re la çã o e stre ita com a p a re n te la , o q u e coloca e m xe q u e a con d içã o h u m a n a d o “ g u a -ch o p u ro” , u m d os m od e los d e a d oçã o. “ G u a ch os p u ros” sã o cria n ça s se m p re s-tíg io, q u e g e ra lm e n te n ã o vã o à e scola e cu jo va lor se re d u z a p rove r a a m p lia çã o n u m é rica d a p a re n te la e a con trib u ir com su a força d e tra b a lh o. O la ço com a fa m ília d e orig e m foi rom p id o e u m n ovo la ço fa m ilia r d ificilm e n te se rá e sta -b e le cid o. C ria çã o -b a sta n te d istin ta ocor-re com a s cria n ça s d e a lto p ocor-re stíg io socia l, p ois e m se u ca so o n ã orom p im e n -to d os la ços com a fa m ília d e orig e m p rop icia o e sta b e le cim e n to d e a lia n ça s p rivile g ia d a s e n tre os d ois g ru p os. O cor-re a q u i u m a a d oçã o a d itiva , p ote n cia li-za n d o o p re stíg io d a cria n ça , visto q u e “ o id e a l d e tod o Ka iow á é p e rte n ce r a u m a p a re n te la su ficie n te m e n te a m p la , p a ra d isp u ta r o p re stíg io e o p od e r p olítico e m b oa s con d içõe s. O p e rte n cim e n -to a u m a p a re n te la é p re con d içã o p a ra a e xistê n cia socia l” (:185).
Re g in a Pólo M u lle r p rocu ra com-p re e n d e r a s m u d a n ça s e m cu rso n a
vi-d a a su rin i – e m p a rticu la r, a s re la çõe s e n tre tra n sm issã o d a cu ltu ra e tra n sfor-m a çõe s socia is. Te sfor-m os cosfor-m o p a n o d e fu n d o o p rofu n d o im p a cto d e m og rá fico d o con ta to: u m d e cré scim o p op u la cio-n a l viole cio-n to, ocorrid o e cio-n tre 1971 e 1982, e o a u m e n to d a ta xa d e n a ta lid a d e a p a rtir d e e n tã o. Em 1976, h a via a p e n a s u m a cria n ça n a fa ixa e tá ria e n tre 0 e 5 a n os; h oje , q u a se a m e ta d e d a p op u la -çã o se e n q u a d ra n e sta fa ixa . Em ta l si-tu a çã o, os a d u ltos p rocu ra m re e la b ora r n os ritu a is o con te ú d o d e su a cu ltu ra , e se m ostra m p re ocu p a d os e m p rom ove r a tra n sm issã o d e con h e cim e n to m e d ia n -te a a p re n d iza g e m d e p rá tica s ritu a is e a rtística s. En tre ta n to – e ssa é a q u e stã o p rop osta p or M u lle r –, fa z-se n e ce ssá rio e n te n d e r com o a s cria n ça s e la b ora m a n ova re a lid a d e socia l, con stitu íd a a fin a l d e u m a socie d a d e d e cria n ça s, on d e e la s e xp e rie n cia m o “ m osa ico d e situ a -çõe s in te rcu ltu ra is” p rop orcion a d o p e la va sta g a m a d e re la çõe s q u e p od e m e s-ta b e le ce r se ja n o g ru p o d om é stico, se ja n a cole tivid a d e d a a ld e ia .
-q u e n o ín d io p re te n d e se r u m “ ca n tor” , m a s su a m ã e viole n ta m e n te lh e ch a m a à re a lid a d e : q u a n d o m u ito, e le se rá cor-ta d or d e b a n a n a s, e m b ora “ ca cor-ta r la ti-n h a s” se ja a p e rsp e ctiva m a is ób via , e n ce n a d a p e lo irm ã o q u e b rin ca a o la d o. A se g u n d a – “ b rin ca r d e a m b u lâ n -cia ” – re p re se n ta a ca la m itosa situ a çã o d e sa ú d e à q u a l e stã o su b m e tid os os G u a ra n i. A te rce ira b rin ca d e ira , p rop i-cia d a p e la ch e g a d a d o ca rre g a m e n to d e d oce s d oa d os p or u m a ig re ja e va n -g é lica , se rve p a ra a e n ce n a çã o d o ciclo d e re cip rocid a d e . O a rtig o ta m b é m p o-d e se r lio-d o com o o-d e n ú n cia toca n te o-d e u m a re a lid a d e d ra m á tica m a s in su fi-cie n te m e n te con h e cid a .
A se g u n d a p a rte d a cole tâ n e a con -té m sob re vôos b ib liog rá ficos sob re os te m a s d e fu n d o. N o p rim e iro a rtig o, C la rice C oh n d iscu te os p rob le m a s d o a p re n d iza d o e d a socia liza çã o, ta l com o fora m e stu d a d os p or vá rios a n trop ólog o(a )s e a n trop oloólog ia s, e n q u a n to u m re corte p ossíve l p a ra e n te n d e r e sse s m u n -d os in fa n tis. Ela n os con -d u z a ssim p or u m tra je to q u e va i d e Flore sta n Fe rn a n -d e s a a b or-d a g e n s m a is re ce n te s cu ja p re m issa é o re con h e cim e n to d a a u to-n om ia d o u to-n ive rso ito-n fa to-n til – ca m p o e m q u e C . Tore n a p a re ce com o fig u ra ch a -ve –, p a ssa n d o, e n tre m e n te s, p e lo e s-tru tu ra l-fu n cion a lism o b ritâ n ico, p or M . M e a d e p e la e scola d e C u ltu ra e Pe rso-n a lid a d e , p or a rso-n á lise s a rso-n trop ológ ica s q u e (com o a d e J a n e t C a rste n ) e n fa ti-za m o lu g a r d a s cria n ça s n a cosm olog ia , p or Pia g e t e Vyg otsk i com o re p re se n ta n te s d a p sicolog ia d o d e se n volvim e n to in fa n til, p or Ba rth e ou tros tra ta m e n -tos d os m od os d e tra n sm issã o ora l d e con h e cim e n to. N o se g u n d o a rtig o d e sta p a rte , An g e la N u n e s tra ça u m q u a d ro d o m od o com o a cria n ça in d íg e n a ve m se n d o tra ta d a n os te xtos d e e tn olog ia in d íg e n a b ra sile ira e ofe re ce a lg u m a s re fle xõe s sob re o a ssu n to, p a ra con clu ir
re g istra n d o a in e xistê n cia d e u m re fe -re n cia l te órico e u m e sp a ço e fe tivo p a ra d iscu ssã o sob re a in fâ n cia .
Pe rce b e se n o livro, d e sd e a In tro -d u çã o, a a m p litu -d e -d o p roje to in te le c-tu a l e n se ja d o p e los a u tore s. De m od o g e ra l, tra ta -se d e ve r a s cria n ça s com o su je itos socia is e a g e n te s d e m u d a n ça . Ela s n ã o a p e n a s re p rod u ze m o q u e a p re n d e m d os m a is ve lh os, m a s, com o b e m d iz C a rra ra , a p re n d e m ta m b é m com se u s p róp rios p a re s, a tu a liza n d o o q u e lh e s é e n sin a d o. Ao se con ce d e r à cria n ça a ca p a cid a d e d e a g ê n cia e m fa ce d a cu ltu ra q u e lh e é p rop osta , e n fa tiza se a ssim q u e n ã o e xiste p re via -m e n te u -m a cu ltu ra a se r in cu tid a n os p e q u e n os, m a s q u e e sta cu ltu ra se fa z a ca d a in sta n te . M a is q u e a ce ita p e los in -d iví-d u os ou im p osta a e le s, e la -d e ve se r vista com o d in a m ica m e n te e la b ora d a n o m om e n to d a socia liza çã o, u m p ro -ce sso q u e , m a is q u e tra n sm issã o, e n volve re fe itu ra . Se , p orta n to, o a p re n d iza -d o cu ltu ra l im p lica sse e xclu siva m e n te a s cria n ça s, n ã o h a ve ria sa íd a se n ã o d i-ze r q u e a in fâ n cia n ã o ce ssa ja m a is. So-m os cria n ça s p or tod a a vid a .
M ICELI, Sergio. 2003. Nacional estran-geiro. Hist ória social e cult ural do mo-dernismo art íst ico em São Paulo. São Paulo: Companhia das Let ras. 304 pp.
João M arcelo Ehlert M aia
Dou tora n d o, IUPERJ
As m a is re ce n te s in cu rsõe s d o sociólog o u sp ia n o Se rg io M ice li d irig ira m -se p a ra o ca m p o d a s a rte s p lá stica s. Essa fa se d e su a p rod u çã o, b a liza d a com Im ag e n s n e g ociad as: re tratos d a e lite b rasile ira (1920-1940), g a n h ou re ce n te m e n te u m a
n ova ob ra , e sta d e d ica d a a o u n ive rso d o m od e rn ism o p a u lista . Pin tore s com o RESEN HAS