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Cad. Saúde Pública vol.14 número2

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Academic year: 2018

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AVALIAÇÃO EM SAÚDE. Dos modelos concei-tuais à prática na análise da implantação de pro-gramas. Zulmira de Araújo Hartz (organizadora). Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 1997. 131 pp. ISBN: 85-85676-36-1

O cam p o d a avaliação em saú d e n o Brasil, ain d a p ou -co form alizad o n a su a p rática cien tífica e técn ica, vive atu alm en te u m m om en to d e crescen te visib ilid a -d e e exp ectativas in tern as e extern as. De u m la-d o, tratase d o reflexo d a su a m aior p resen ça n o cen ário in -tern a cio n a l d a Sa ú d e Pú b lica / Sa ú d e Co letiva e, p o r ou tro, a p resen ça d e con ju n tu ras econ ôm icas, p olítica s e d e o rga n iza çã o d o sistem a d e sa ú d e q u e co lo -cam a n ecessid ad e d a p resen ça tam b ém d e con h eci-m en tos eci-m ais esp ecificad os relativos às su as p ráticas, p or p arte d os p rofission ais d e saú d e, com o p arte d o p ro cesso d e im p lem en ta çã o d a s p o lítica s d e sa ú d e. Passa a ser m ais freqü en te o d iálogo en tre o con h eci-m en to qu e a Saú d e Coletiva n o Brasil p rod u ziu sob re a d eterm in ação social d os p rocessos d e saú d e/ d oen -ça e as p olíticas e p ráticas d e saú d e e u m a literatu ra in te rn a cio n a l, p re d o m in a n te m e n te p ro d u zid a n o s p aíses d esen volvid os d e lín gu a in glesa, sob re form as d e re co n h e cim e n to d e p ro ce sso s e te cn o lo gia s e m saú d e qu e têm p or ob jetivo a elab oração d e u m ju ízo d e va lo r so b re o s m e sm o s, e q u e se ja m ca p a ze s d e co n trib u ir p a ra o s p ro ce sso s d e to m a d a d e d e cisã o p olítica e técn ica. Este livro, organ izad o p or Zu lm ira d e Araú jo Hartz, p esqu isad ora d a Escola Nacion al d e Saú d e Pú b lica (En sp ) d a Fiocru z e com recon h ecid a esp ecialização em avaliação em saú d e, ao p rop iciar o a ce sso a te xto s n u cle a re s p a ra a á re a e p ro m ove r o d iá lo go co m exp eriên cia s n a cio n a is, d everá co n tri-b u ir d e fo rm a im p o rta n te p a ra a a m p lia çã o d o co-n h e cim e co-n to e d a p rá tica d e a va lia çã o e m sa ú d e co-n o n osso p aís.

O Prefácio, escrito p or Lilia B. Sch raib er, através d o en ca d ea m en to d a s q u estõ es fo r m u la d a s a p o n ta p a ra a riq u eza d o s d iá lo go s a serem d esen vo lvid o s en tre u m a p rod u ção teórica já con solid ad a d a Saú d e Coletiva relativa às altern ativas h istoricam en te con s-tru íd as d e “alian ças en tre a ciên cia, a técn ica e a p olí-tica” n o ca m p o d a sa ú d e, e a á re a d e a va lia çã o e m saú d e, qu e tom a essa p ersp ectiva com o u m p on to d e p artid a q u ase p arad igm ático p ara a con form ação d a su a p rática.

O Ca p ítu lo 1, e la b o ra d o p o r Zu lm ira d e Ara u jo Ha rtz, in titu la d o “Exp lo ra n d o n ovo s ca m in h o s n a p e sq u isa a va lia tiva d a s a çõ e s d e sa ú d e”, d iscu te a l-gu n s d os con ceitos teóricos b ásicos p ara a avaliação em saú d e, n o qu e d iz resp eito às p ossib ilid ad es d e re-con h ecim en to e in terven ção sob re o real, ap on tan d o a teoria d a com p lexid a d e e, p a rticu la rm en te, a p ro-d u ção ro-d e Morin , com o u m a referên cia im p ortan te a ser exp lorad a.

Os Cap ítu los 2 e 3 são versões ad ap tad as d e arti-go s se m in a is d e a u to re s co n sa gra d o s d a Esco la d e

Pla n eja m en to d a Un iversid a d e d e Mo n tréa l, d o Ca -n a d á . No Ca p ítu lo 2, “A a va lia çã o -n a á re a d a sa ú d e : con ceitos e m étod os”, An d réPierre Con tan d riop ou -lo s, Fra n ço is Ch a m p a gn e, Je a n -Lo u is De n is e Ra y-n ald Piy-n eau lt ap resey-n tam u m a p rop osta d e tip ologia d a s p rin cip a is lin h a s d e a va lia çã o em sa ú d e, d ivid i-d a s em Ava lia çã o No rm a tiva e Pesq u isa Ava lia tiva e seu s su b tip os ou p ersp ectivas d e an álise. Na Pesqu isa Avaliativa são id en tificad os seis tip os d e an álise: es-tratégica, d a in terven ção, d a p rod u tivid ad e, d os efei-tos d o ren d im en to e d a im p lan tação. Esta ú ltim a, d a-d o o seu p oten cial a-d e ap licação n a realia-d aa-d e b rasilei-ra, é ap resen tad a d e form a d etalh ad a p or Jean -Lou is Den is e Fra n ço is Ch a m p a gn e n o Ca p ítu lo 3. Sã o a li d iscu tid as as p rin cip ais q u estões relativas à valid ad e e xte rn a d a a va lia çã o d a im p la n ta çã o, se u s co m p o -n e-n tes, m od elos d e a-n álise d e co-n texto e ap rese-n ta-d os algu n s exem p los ta-d e avaliações realizata-d as.

No Cap ítu lo 4, p ara com p letar o m ovim en to p ro-p osto n o su b títu lo d o livro, “d os m od elos con ceitu ais à p rá tica n a a n á lise d a im p la n ta çã o d e p ro gra m a s”, Zu lm ira d e Ara ú jo Ha rtz, Fra n ço is Ch a m p a gn e, An -d ré-Pierre Con tan -d riop ou los e Maria -d o Carm o Leal a p re se n ta m a “Ava lia çã o d o Pro gra m a Ma te rn o In -fan til: an álise d e im p lan tação em sistem as locais d e saú d e n o Nord este d o Brasil”. Ap oiad o n os resu ltad os ob tid os d a p esq u isa d e Z. Hartz p ara a Tese d e Dou -to ra m e n -to d e fe n d id a e m 1993 n a Un ive rsid a d e d e Mon tréal, n a q u al foi feita u m a avaliação d a im p lan -ta çã o d o p ro gra m a d e a ten çã o m a tern o -in fa n til em d o is siste m a s lo ca is d e sa ú d e, o te xto a p re se n ta d e form a d id á tica a s eta p a s n ecessá ria s a o d esen volvi-m en to d este tip o d e avaliação, covolvi-m esp ecial aten ção p ara a seleção d os in d icad ores, d em on stran d o a via-b ilid ad e e u tilid ad e d esta an álise com o in stru m en to p ara o p lan ejam en to e gestão d os p rogram as e servi-ços d e saú d e.

Em con clu são, trata-se d e u m livro qu e d everá ter u m gran d e im p acto em tod os os p rofission ais d e saú d e, ao ap resen tar altern ativas p ara as form as d e p en -sa r a s su a s p rá tica s e a s p o ssib ilid a d e s d e tra n sfo r-m ação d as r-m esr-m as, er-m textos d e n ível teórico eleva-d o e lin gu agem clara.

Hillegon d a Maria Du tilh Novaes Dep artam en to d e Med icin a Preven tiva Facu ld ad e d e Med icin a

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Conocimientos Actuales sobre N utrición. Publi-cação Científica No. 565. Ekhard, E. Ziegler & L.J. Filer, Jr. (ed.). Washington D.C.: Organización Pa-namericana de la Salud e Instituto Internacional de Ciencias de la Vida, 7aed., 1997. 731 pp.

Resen h ar a sétim a ed ição em esp an h ol d a Pu b licação Cien tífica “Con ocim ien tos Actu ales sob re Nu trición” foi tarefa q u e exigiu , além d e in ú m eras h oras d e lei-tu ras, u m cu id ad o esp ecial, qu al seja, o d e n ão se p er-d er n os m ean er-d ros er-d e tan ta in form ação cien tífica ao lon go d e seu s 64 cap ítu los.

Pu b lica d a p e la p rim e ira vez e m 1953, “Co n o ci-m ien to s Actu a les so b re Nu trició n” é h o je, in d u b ita-velm en te, u m d os tratad os m ais con su ltad os n a área d e Nu triçã o, n a m e d id a q u e p a sso u a co n stitu ir-se em u m texto d e referên cia ob rigatório p ara tod os os esp ecialistas e estu d an tes d e Nu trição.

Po r tra ta r-se d e p u b lica çã o q u e reflete o gra n d e d in am ism o d o cam p o, assim com o p or exp or d e for-m a clara e p rofu n d a tefor-m as recen tes sob re o assu n to, “Con ocim ien tos Actu ales sob re Nu trición” é im p res-cin d ível p ara con su lta em au las, lab oratórios e clín i-cas em tod o o m u n d o.

Nesta sétim a ed içã o, 4 ca p ítu lo s fo ra m su b tra í-d os, assim com o em relação à eí-d ição an terior, p u b li-ca d a e m 1991, o u tro s 13 fo ra m a d icio n a d o s, o q u e o b jetivo u in clu ir a s in fo rm a çõ es m a is a tu a liza d a s e m o stra r a s fro n te ira s q u e p e rm e ia m o ca m p o d a s ciên cias d a Nu trição n o fin al d este m ilên io.

Os 64 cap ítu los p od em em lin h as gerais ser d ivi-d iivi-d os em 8 gra n ivi-d es gru p os. Estes gru p os tem á ticos, p or su a vez, in clu em textos sob re: I. En ergia; II. Ma-cron u trien tes; III. Vitam in as lip o e h id rosolú veis; IV. Macro e m icro m in erais; V. Necessid ad es fisiológicas esp eciais; VI. Nu trição e doen ças crôn icas; VII. Estado n u tricion al e VIII. Tem as esp eciais ou em evolu ção.

Da totalid ad e d os cap ítu los d a ob ra, cerca d e 20% referem -se à d iscu ssão sob re vitam in as (A, D, E, K, C, Tiam ín a, Rib oflavin a, Vitam in a B-6, Niacin a, Vitam i-n a B-12, Ácid o Fólico, Biotii-n a e Ácid o Pa i-n totéi-n ico), ou tros vin te sob re oligoelem en tos (Cálcio e Fósforo, Magn ésio, Sód io, Potássio, Ferro, Zin co, Cob re, Selê-n io, Flú o r, Ma Selê-n ga Selê-n ê s e Cro m o ) e u m d é cim o so b re m orb id ad e associad a (Arteriosclerose, Hip erten são, Diabetes Mellitus, Osteop orose e Osteom alácia, Doen ça Ren al, Hep ática, Cân cer e En ferm id ad es gastroin -testin ais).

O n ú m e ro d e re fe rê n cia s b ib lio grá fica s é e xtrm axtrm en te elevad o (xtrm ais d e 5 xtrm il), b extrm coxtrm o, extrm xtrm en or escala, o d e tab elas e gráficos. A ob ra coen sta aien -d a com u m ín -d ice -d e au tores, (82 n o total) e ín -d ice -d e assu n tos.

Con trastan d o esta ed ição com a an terior, en tre os 13 cap ítu los acrescid os, d estacam -se, en tre ou tros, 3 n ovo s ca p ítu lo s so b re d o e n ça s crô n ica s e n u triçã o (Arte rio scle ro se, En fe rm id a d e s ga stro in te stin a is, e Cân cer e d ieta), u m sob re Ep id em iologia Nu tricion al

e ou tros 5 sob re algu n s tem as ain d a em fran ca evolu -ção (Su b stitu to d os m acron u trien tes, An tioxid an tes, Re a çõ e s a d ve rsa s a o s a lim e n to s, Situ a çã o d o s n u -trien tes e fu n ção d o sistem a n er voso cen tral e Erros in atos d o m etab olism o).

No co n ju n to, o s ca p ítu lo s sã o e xtre m a m e n te a tu a is e e sp e lh a m o cre scim e n to d a b a se cie n tífica d a s a p lica çõ e s d a Ciê n cia d a Nu triçã o a u m a va sta ga m a d e d iscip lin a s re la cio n a d a s. “Co n o cim ie n to s Actu ales sob re Nu trición” é u m a ob ra d e cu n h o cien -tífico d as m ais com p letas sob re as Ciên cias d a Nu trição, b en efician d o u m extraord in ário n ú m ero d e alu -n os, esp ecialistas, i-n vestigad ores e p rofissio-n ais q u e a tu a m n a á re a , o q u e fa z co m q u e a m e sm a co n sti-tu a -se e m le isti-tu ra o b riga tó ria , p a ra o s in icia d o s o u n ão ao tem a, assim com o em acervo essen cial d e b i-b liotecas d e u n iversid ad es e cen tros d e p esqu isa.

Gilb erto Kac

Un iversid ad e Fed eral d o Rio d e Jan eiro In stitu to d e Nu trição Josu é d e Castro Dep artam en to d e Nu trição Social e Ap licad a Rio d e Jan eiro, RJ

DO CO N TÁGIO À TRAN SM ISSÃO : CIÊN CIA E CULTURA N A GÊN ESE DO CO N HECIM EN TO EPIDEM IOLÓGICO. Dina Czeresnia, Rio de Janei-ro: Editora Fiocruz, 1997. 123 pp.

ISBN 85-85676-32-9

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-ta gio n is-ta s re p re se n -ta va m o Es-ta d o n a su a fo rm a con servad ora e b u rocrática, os con stitu cion istas co-locam seu s esforços n as m elh orias am b ien tais e n as tran sform ações sociais d o m eio. No Cap ítu lo 3, a au -to ra a p ro fu n d a -se n o e stu d o d a tra n sm issã o. Aq u i d esm istifica u m ou tro d ogm a, ao con clu ir qu e o con -ceito d e tran sm issão n ão é sim p lesm en te a vitória d a teoria d o con tágio, e sim con seq ü ên cia d o d esen vol-vim en to cien tífico n o cam p o d a m orfologia e d a p atologia h u m an a, d os qu ais os an ticon tagion istas tam b ém p articip aram . Porém , ao m esm o tem p o, o avan -ço cien tífico fu n d am en ta a n egação d as exp eriên cias d e con stru ção d e u m a visão d a d oen ça com o o resu l-tad o d a relação d o corp o com o seu am b ien te extern o e, em u m a p ersp ectiva red u cioextern ista, p assa a com -p reen d ê-la com o u m -p rocesso restrito ao m eio in ter-n o, p o rta ter-n to co ter-n fiter-n a d a a o iter-n terio r d o co rp o. Assim , en q u a n to n o p la n o d a ciên cia n ã o h o u ve vito rio so s ou d errotad os, n o p lan o d as id éias é d iferen te – ven ce u m a form a d e ver e en ten d er o m u n d o. No Cap ítu -lo 4, este d eb ate é tran sferid o p ara u m ou tro cen ário – o m om en to d a con stitu ição d a ep id em iologia com o cam p o cien tífico e d iscip lin a acad êm ica, n as p rim eras d écad as d o p resen te sécu lo. A n oção d e con stitu i-ção ep id êm ica con tin u a n o d iscu rso d e algu n s au to-res, a go ra u m d iscu rso d o m in a d o e n ã o m a is d o m in a in te, q u e te m q u e se r re co in stru íd o a o so fre r a iin -flu ê n cia d e n ovo s co n ce ito s co m o im u n id a d e, su s-cep tib ilid ad e e resistên cia, além d o n ascen te, p orém fu n d am en tal, con ceito d e risco. No Cap ítu lo 5, o d e-b a te e xp a n d e -se so e-b re o co n ce ito d e tra n sm issã o e u tiliza-o n a com p reen são d e u m fen ôm en o con creto – a atu al ep id em ia d e Aid s.

Este livro, resu ltan te d a tese d e d ou toram en to d a au tora, teve o seu lan çam en to em u m m om en to d os m ais op ortu n os, p ois con trib u i em p elo m en os d u as im p ortan tes d ireções. Prim eiro, p ara o crescen te d e-b ate in telectu al q u e acon tece com e-b ase em q u estio-n am eestio-n tos sob re as estratégias d om iestio-n aestio-n tes ad otad as n a p ro d u çã o d o co n h ecim en to ep id em io ló gico ; se -gu n d o, p a ra a re fle xã o d a q u e le s q u e se p o sicio n a m e m co n fro n to co m a s n ova s fo rm a s d e b io lo gism o ce n tra d a s n o d e te rm in ism o ge n é tico d a vid a . Este d ois d eb ates estão in terligad os n a h istória d o con h cim e n to d a s d o e n ça s in fe ccio sa s e d e su a s e p id e-m ias. É coe-m e-m aestria, segu ran ça e vitalid ad e in telec-tu a l q u e a a u to ra n o s co n d u z n esse en red o q u e, em a lgu n s m o m e n to s, só p o d e rá vir a se r e n te n d id o se retom arm os p eríod os e acon tecim en tos rem otos. En -tretan to, os asp ectos id eológicos e cu ltu rais q u e são fu n d a n te s e circu n d a m o co n h e cim e n to cie n tífico tê m q u e se r co m p re e n d id o s, p o is, so m e n te a ssim , p od erem os en ten d er com o u m a qu estão d e tam an h a im p ortân cia – a tran sm issão – teve o d esen volvim en to d o seu con h ecim en to m arcad o p or m arch as e con -tram arch as, id as e voltas, avan ços e recu os.

Em resu m o, a au tora con segu e trab alh ar em tor-n o d a gê tor-n e se d o co tor-n ce ito d e tra tor-n sm issã o co m trê s en red os, qu e, en qu an to au tôn om os, são m u itas vezes in d istin gu íveis: o cien tífico, o id eológico-cu ltu ral e o d a s a çõ e s e in te rve n çõ e s so cia is. Em u m m o m e n to em q u e d iscu tim os com in ten sid ad e o p ap el d a saú -d e coletiva e -d a ep i-d em iologia com o cam p os cien tífi-co s e tífi-co m o re cu rso s p a ra a p ro m o çã o d a sa ú d e e a p reven ção d a d oen ça, este livro traz n ovos elem en tos e p ossib ilid ad es p ara a n ossa reflexão. A au tora, m é-d ica e ep ié-d em iologista, traz, n a su a revisão h istórica,

u m p an oram a d o p rocesso d e con stitu ição d e algu n s con ceitos fu n d am en tais. Ao fazer isto levan os a p en -sar o p resen te, o qu e a p róp ria au tora faz, u tilizan d o-se p ara tal d o caso d a ep id em ia d e Aid s. Con tu d o, es-te estím u lo p od e ser u sad o com o referên cia p ara a re-fle xã o d e u m a sé rie in fin ita d e o u tro s p ro b le m a s e q u estões. Ao m ostrar os laços p rofu n d os en tre ciên -cia e id eo lo gia n a co n stitu içã o d e ta is co n ceito s, a o m ostra r a s d iferen ça s en tre a s in terven ções gera d a s d e d u as p ersp ectivas d istin tas – con tagion istas versu s

m ia sm á tico s – co n vid a -n o s a refletir so b re a s b a ses cien tífica s e a s id eológica s q u e a n cora m a s d iversa s p ossibilidades de ações voltadas p ara a p reven ção das d oen ças e p ara a p rom oção d a saú d e n os d ias atu ais. O ú n ico rep aro im p ortan te a ser feito ao texto foi assin alad o p ela p róp ria au tora – o fato d e várias d as fo n te s h istó rica s te re m sid o co n su lta d a s e m fo n te s secu n d árias, o qu e, se p od e afetar o valor h istoriográ-fico d a ob ra, a m eu ver n ão d im in u i a su a cap acid ad e d e, a o re co n stitu ir vá ria s la cu n a s d e u m a h istó ria , p rovocar reflexões sob re o p resen te d a saú d e coleti-va, d a ep id em iologia e d a saú d e d as p op u lações.

Mau rício Lim a Barreto In stitu to d e Saú d e Coletiva Un iversid ad e Fed eral d a Bah ia Salvad or, BA

SAÚDE YAN O M AM I: UM M AN UAL ETN O LIN -GÜÍSTICO. Bruce Albert & Gale Goodwin Gomez, Belém: M useu Paraense Emílio Goeldi, 1997. 304 pp. Ilustrações.

ISBN 85-7098-049-3

Sa ú d e Ya n om a m ié u m vo lu m e sin gu la r, p o ssive l-m en te u l-m d os ú n icos d e seu gên ero a té o l-m ol-m en to p u b licad o n o Brasil. Tratase d e u m m an u al etn olin -gü ístico cu jo o b je tivo é tra n sm itir p a ra u m p ú b lico d e n ãesp ecialistas em etn ologia in d ígen a (e Yan om aom i eom p articu lar) con ceitos e, p rin cip alom en te, in -form ações lin gü ísticas d a esfera d a saú d e. O livro foi elab orad o n o âm b ito d as ativid ad es d e saú d e d a Co-m issã o Pró-Ya n oCo-m a Co-m i e, n a s p a la vra s d e seu s a u to-res, con ceb id o d e m od o q u e “p u d esse cobrir a m aioria d as situ ações en con trad as p or p rofission ais d e saú -d e n a á rea Ya n om a m i”(p. 23). Destin a -se ta m b ém a ser u tilizad o com o recu rso p ed agógico n o trein am en -to d e equ ip es d e saú d e.

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O livro é com p osto d e d u as p artes p rin cip ais: (1) u m a in trod u ção, n a q u al são ab ord ad os asp ectos re-la cio n a d o s à cu ltu ra , so cie d a d e, e co n o m ia e sa ú d e Yan om am i, e (2) u m a ap resen tação d as in form ações lin gü ísticas. Esta segu n d a, p or su a vez, su b d ivid e-se em d u as seções: u m a lista d e vocab u lários e exp res-sões b ásicas e u m a ou tra d e frases ú teis (p ergu n tas e resp ostas) n o con texto d e aten d im en tos.

Alb ert e Gom ez op taram p or ap resen tar a gran d e q u a n tid a d e d e in fo rm a çõ e s p o r ca m p o s te m á tico s b em d elim itad os. Por exem p lo, h á u m a lista d e vocá-b u los e exp ressões relacion ad os a d istú rvocá-b ios resp ira-tórios, gastrin testin ais e od on tológicos, e u m a ou tra d e sin to m a s d e d o en ça s esp ecífica s (feb re a m a rela , h ep atite, leish m an iose, m alária, m en in gite, on cocer-cose etc.). Portan to, visan d o facilitar a u tilização p e-lo s p ro fissio n a is d e sa ú d e, a ló gica q u e e stru tu ra o vo lu m e te m co m o re fe rê n cia o m o d e lo b io m é d ico ocid en tal d e classificação, in terp retação e tratam en -to d e d oen ças. Sob re isso vale ch am ar a aten ção p ara u m p on to qu e, ap resen tad o su b lim in arm en te n o tex-to (p p. 51-55), é d e im en sa im p o rtâ n cia p rá tica . Ser ca p a z d e se co m u n ica r co m rela tiva flu ên cia verb a l n u m a d eterm in a d a lín gu a n ã o sign ifica n ecessa r ia -m en te q u e se co-m p reen d a-m os con ceitos, p ráticas e visões d e m u n d o d os falan tes d aq u ela lín gu a. Ou se-ja , in stru m e n ta liza r o s p ro fissio n a is d e sa ú d e co m exp ressões lin gü ísticas é u m a etap a su m am en te im -p o rta n te, a in d a q u e n ã o co m -p leta m en te su ficien te, n o p ro cesso d e sa n a r a s d ificu ld a d es d e co m u n ica -çã o. Su p o n h o q u e este p o n to receb a a m p la a ten -çã o d u ran te trein am en to d os p rofission ais d e saú d e q u e irão atu ar en tre os Yan om am i.

Há u m a d im en são q u e gostaria d e ter visto m ais e xp lo ra d a n o m a n u a l. Ta lvez re fle xo d a fo rm a çã o acad êm ica d e seu s au tores, h á p ou ca ên fase n a ap re-sen tação d e u m a p an oram a san itário d os Yan om am i, in clu in d o q u e stõ e s re la tiva s à e p id e m io lo gia d a s d o e n ça s in fe ccio sa s e p a ra sitá ria s. Nã o o b sta n te, u m a vez q u e o volu m e d estin a-se p rim ord ialm en te a p ro fissio n a is d e sa ú d e cu ja s a tu a çõ e s n e ce ssa ria -m e n te e n vo lve -m u -m fo rte co -m p o n e n te b io -m é d ico, seria in form ativo p ara este p ú b lico esp ecífico u m resga te m a is m a tiza d o d a rela tiva m en te exten sa litera -tu ra b iom éd ica acerca d os Yan om am i.

Saú d e Yan om am ié u m volu m e q u e, além d e m a-te ria liza r u m a n e ce ssá ria e b e m -su ce d id a p a rce ria en tre acad em ia e serviços d e aten ção à saú d e d e p o-p u la çõ es in d ígen a s, so b ressa i-se o-p ela relevâ n cia d e su a p rop osta. Esp ero qu e o esforço d os au tores se fa-ça re fle tir p o sitiva m e n te so b re a d in â m ica lo ca l d e assistên cia à saú d e d os Yan om am i.

Ricard o Ven tu ra San tos

Escola Nacion al d e Saú d e Pú b lica, Fu n d ação Oswald o Cru z e Mu seu Nacion al, Un iversid ad e Fed eral d o Rio d e Jan eiro Rio d e Jan eiro, RJ

A M O RALIDADE DO ABO RTO : SACRALIDADE DA VIDA E O N O VO PAPEL DA M ULHER. M au-rizio M ori. Brasília: Editora Unb, 1997.

Th is n ew b ook by Italian b ioeth icist Mau rizio Mori is p a rt o f a n e w se rie s p u b lish e d by th e UNB e n title d

Hea lt h , Cit iz en sh ip , a n d Bioet h ics. Tra n sla te d by Rolan d Sch ram m , it arrives in Brazil as an acad em ic re so u rce a n d co n trib u tio n to th e p u b lic d e b a te o n a b o rtio n . Th is d e b a te wa s co n so lid a te d in Bra zil in 1989, wh en th e Nation al Cou n cil for Wom en’s Righ ts b rou gh t th e variou s Presid en tial can d id ates togeth er in a televised n ation wid e d eb ate in wh ich th ey were asked to give th eir views on ab ortion . Sin ce th en , n ew d ata on th e frequ en cy of ab ortion in Brazil h ave con -firm ed th a t it is in d eed a p u b lic h ea lth issu e. New tech n o lo gica l a d va n ces a llowin g fo r th e p ren a ta l id en tifica tio n o f gen etic d efects cu rren tly ra ise n ew con cern s an d b rin g n ew actors to th e d eb ate.

Mo ri’s p ro p o sa l is to e xa m in e th e va rio u s p o sitio n s in th e issu e o f a b o rsitio n (d efin ed a s th e vo lu n -tary in terru p tion of p regn an cy in th e first trim ester) o n t h e su p p o sit io n t h a t “m ora lit y is a b ov e a ll a ra -t ion a l a c-t iv i-t y a n d a cri-t ica l in v es-t iga -t ion”.He th u s e m p h asizes an an alysis of th e logical con sisten cy of th e va rio u s p e rsp e ctive s, p a rticu la rly th o se o f th e Cath olic Ch u rch .

Bu t th e d iscu ssion is n ot red u ced to form al term s. Ra th e r, it is se t in th e co n te xt o f a b rie f h isto ry o f ab ortion in th e West from th e tim e of th e Greeks an d Rom an s, wh o viewed th e fetu s as p art of th e wom an’s b od y, at a tim e wh en th e existin g kn owled ge of ab or-tion was con trolled by wom en th em selves. Th e cate-gorical p roh ib ition of ab ortion cam e on ly with Ch ris-tian ity, justified by declarin g it con trary to God’s sover-eign ty. Mori d escrib es som e of th e in tern al d eb ates of th e Cath olic Ch u rch on th e qu estion of th e fetu s’ sta-tu s, an d d iscu sses th e p ossib le relation sh ip b etween th ese debates an d th e develop m en t of m edical obstet-rics an d em b ryology in th e con text of th e lib eral state an d it’s cod e of law, wh ich also created a series of ju s-tification s for th e p roh ib ition of ab ortion . Th e h istory en d s with th e em ergen ce of th e wom en’s m ovem en t an d its p u b lic affirm ation of th e righ t to ab ortion .

Mori b egin s th e secon d ch ap ter b y em p h asizin g th at wom en’s affirm ation of th e righ t to ab ortion h as given th e qu estion its p articu lar cu rren t sh ap e. Wh ile earlier op p on en ts referred to “violation of th e m atrim on ial ord er” or to d aatrim ages to th e “state’s h igh er in -terest”, at th is stage ab ortion is d efin ed as “h om icid e”. Poin tin g ou t p ossib le relation sh ip s b etween “th e in -flu en ce of t rad it ion an d em ergen t d em an d s”, th e au -th or an alyzes -th e coh eren ce of -th e Ca-th olic p osition s (with d etails regard in g d ifferen ces b etween th e clergy an d th e ecclesiastic teach ers), th e “righ t to life” m ove-m en t, th e legalization p osition , an d th e lib eralization p osition . Particu larly im p ortan t h ere is Mori’s an aly-sis regard in g th e qu estion of th e fetu s’ statu s in th ese variou s p osition s sin ce, as h e d em on strates, th e p ositio n o f th e Ca th o lic Ch u rch o n th is q u e sositio n is fre -qu en tly m isu n d erstood .

(5)

In th e secon d p art of th e b ook, Mori b egin s with a d iscu ssio n o f wh a t a p ersonis, th is b ein g a fu n d a -m e n ta l q u e stio n fo r -m a n y wh o cu rre n tly o p p o se ab ortion . Here, h e is at h is b est as a p h ilosop h er an d , d esp ite h a vin g d em a n d ed th e u se of b iologica l con -cep ts at oth er p oin ts in th e argu m en t, an d d esp ite th e fact th at h is argu m en t h ere d ep en d s on in form ation re ga rd in g ce ll d ivisio n in th e re p ro d u ctive p ro ce ss, Mori is em p h a tic in h is a rgu m en t th a t “t o sp ea k of a biological d efin ition of a p erson is a tru e con trad iction in term s”.Th is d iscu ssion is of cen tral im p ortan ce for m a n y q u estio n s in b io eth ics (in clu d in g th o se co n -cern ed with n ew rep rod u ctive tech n iqu es). Even if we m igh t q u estio n th a t “..it is t o p h ilosop h y t h a t w e a t -tribu te th e task of stu d yin g cu ltu ral p h en om en a”(u n -less we con sid er th e social scien ces as p art of p h ilos-op h y) we m u st agree th at, even in th e case of wh at we con sid er a p ersonto b e, “w e ca n n ot a void · t h e ’a rb it rarin ess’ of a d efin iit ion , as it h is is it h e lim iit of all h u -m an d iscou rse”.

Con tin u in g, Mori offers a n a n a logy to th e situ a -tion of a fetu s, in cap ab le of su rvivin g au ton om ou sly, an d d iscu sses th e lim its to th e righ t to life, wh en th is d ep en d s o n a n o th er p erso n , o r o n th e u se o f so m e -on e else’s b od y. Mori argu es th at, even for th ose wh o co n sid e r th e fe tu s to b e a p e rso n (wh ich is n o t h is own p osition , or th at of th e Cath olic Ch u rch , follow-in g h is argu m en t) “·th e righ t to life d oes n ot im p ly th e righ t to be allow ed to rem ain con n ected to th e bod y of som eon e else”.

Sin ce n eith er th e statu s of th e fetu s n or th e r igh t to life ration ally ju stify th e p roh ib ition of ab ortion ac-cord in g to th e argu m en ts Mori p resen ts, h e p roceed s in th e ta sk of sh owin g h ow th e q u estion of m a rria ge a n d o f th e p rin cip le o f life a s sa cred a re th e b a sis o f th e b a n o n a b o rtio n , m o st cle a rly (b u t n o t o n ly) in th e ca se o f th e Ca th o lic Ch u rch . He re, h e d e m o n

-strates th e con trad iction b etween th e p rin cip le of life as sacred an d th e n ew view of a h u m an b ein g wh ich p re su p p o se s th a t p e rso n s h a ve th e righ t to co n tro l th e ir own se lve s. In th is wa y h e a rrive s, b y o th e r m ean s, at th e fou n d ation of th e p olitical p rop osal of th e wom en’s m ovem en t: we are h ere con fron ted with a way of u n d erstan d in g gen d er eq u ality an d , con se-qu en tly, wom en’s social role: “If w e ad m it th e righ t to a b ort ion , ‘n a t u ra l’ b on d s d issolv e, a n d w om en a re t h en free t o con st ru ct t h eir ow n d est in y, t h e sa m e a s m en d o.”Th e righ t to a b ortion q u estion s tra d ition a l n o tio n s o f m a te rn ity a n d p ro cre a tio n , o f m a rria ge an d th e fam ily, an d of wom en’s role, “Th is is w h y th e th em e of abortion is so con troversial an d th e cau se of su ch p rofou n d social d ivision s”.

Alth o u gh Mo ri is co h eren t in freq u en tly a ffirm -in g t h a t h e d o e s n o t -in t e n d t o t a ke sid e s re ga rd -in g wh ich p rin cip les a re m ost correct, h is con clu sion is clea rly fa vo ra b le to th o se wh o a rgu e, in th e co n text o f m o d ern sta tes, th a t a b o rtio n sh o u ld b e lega lized o r lib e ra lize d : “giv en t h e fa ct t h a t in m od ern st a t es, w h ere freed om of religion p revails, legislation p erm it-tin g abortion con stitu tes a qu estion of civil or h u m an righ ts”.

De sp ite th is fa ct, give n th e fo rm o f a n a lysis o f logical con sisten cy of p osition s wh ich su b stan tiates th e d iscu ssio n , th is b o o k re p re se n ts a n in te lle ctu a l (an d , th erefore, p olitical) ch allen ge for all p osition s, in clu d in g th ose wh o h ave d ifficu lty d efin in g an y p o-sition on su ch a d ifficu lt q u estion . Th is is a very wel-co m e b o o k, fo cu sin g o n a p u b lic h e a lth p ro b le m wh ich is often treated as “a wom en’s issu e”.

Karen Giffin

Referências

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