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Rev. Soc. Bras. Med. Trop. vol.22 número2

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Academic year: 2018

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R e v i s t a d a S o c i e d a d e B r a s i l e i r a d e M e d i c i n a T r o p i c a l 2 2 ( 2 ) : 1 0 5 - 1 0 6 , A b r - J u n , 1 9 8 9 .

TENTATIVA DE TRATAMENTO DE ÚLCERAS CUTÂNEAS DEVIDO A

L E I S H M A N I A B R A Z I L I E N S I S B R A Z I L I E N S I S

COM KETOCONAZOL

E. M. Netto, J. M. L Costa, J. B. Vieira e P. 0. Marsden

O uso do K etoconazol no com bate à leishma­ niose tem sido acompanhado de sucesso variável. Recentemente, dois pacientes foram hospitalizados com leishmaniose cutânea crônica do Velho M undo (A rábia Saudita e Etiópia) e responderam ao trata­ m ento com a dose de 400 mg d a droga diária por 28 dias consecutivos®. Pesquisadores israelenses obti­ veram um a boa resposta em infecções por L . m a j o r usando 400m g/dia por 28 dias9. Entretanto, em inquérito usando a m esm a dose, em 12 pacientes com lesões cutâneas ativas, numa área de L e i s h m a n i a b r a z i l i e n s i s g u y a n e n s i s , resultou em relativo fracasso ao fim da observação obtendo-se cura de apenas 2 pacientes, um ao final do tratam ento e outro dois meses depois3.

Como temos tido sempre mais pacientes do que a quantidade de antimonial pentavalente que podemos conseguir, tivemos a oportunidade de usar Ketoco­ nazol para tratar nove pacientes adultos com úlceras cutâneas. N esta área, a grande m aioria das úlceras é produzida por L e i s h m a n i a b r a z i l i e n s i s b r a z i l i e n s i s2; todos os pacientes tiveram, pelo menos, um método diagnóstico positivo. D evido ao elevado número de pacientes, não é possível hospitalizar os pacientes portadores de lesões únicas, a fim de certificarmo-nos do uso correto da m edicação, tendo, portanto, nossa observação um valor limitado.

A dose usada foi de 400m g diários (2 compri­ midos) em tom ada única, pela m anhã, por 30 dias. F oi fornecida a m edicação p ara 15 dias e ao fim deste período foi perguntado ao paciente se havia tom ado a m edicação e em dose certa. E m seguida era fornecido o restante da medicação.

A pós o tratam ento, se a cura clínica não hou­ vesse ocorrido, a terapia com glucantime (20mg Sbvquilo/dia por 15 dias) seria feita. A cura clínica é definida como o fechamento da úlcera cutânea e a formação de cicatriz, sem o desenvolvimento de lesões novas em outros sítios. A o fim do tratam ento, dois dos nove pacientes (22% ) tinham suas lesões fechadas. Com a terapia subseqüente com glucantime todas as outras lesões cicatrizaram completamente.

Conclusões seguras não podem ser tiradas de período tão curto de observação, ou seja, o de um mês

Núcleo de Medicina Tropical e Nutrição da Universidade de Brasília e Ministério da Saúde.

Recebido para publicação em 18/4/89.

após o início do tratam ento, já que em estudos anteriores C o sta 1, trabalhando n a m esma área, mos­ trou que usando diversos esquemas terapêuticos com glucantime obteve a cura em 129 de 157 pacientes (82% ) em umtempo médio de 5,2 meses e Llanos- C uentas e cols® relataram que duas séries de 10 dias de glucantime (28m g Svv/kg/dia) teve um tem po médio de cura de 3,5 + / - 2,4 meses (m édia + / - 1 desvio- padrão) em um grupo de 32 pacientes. N o período de um mês C osta obteve apenas 3% de cura de seus pacientes. Portanto, não se pode esperar que se cica­ trizem todas as úlceras dentro de um período de um mês, mesmo que o K etoconazol fosse um a droga muito ativa. N ão há diferença estatisticam ente significante ( p < 0,05) entre o índice de cura de C osta e deste trabalho em um mês após o início do tratam ento. U m número tão baixo (2) pode refletir apenas curas espontâneas como já relatado por M arsden e cols7 nesta área.

A pouca literatura que existe atualmente sobre a eficácia do K etoconazol sobre a grupo das L . b r a ­ z i l i e n s i s sugere que ele não é efetivo. N ã o houve qualquer influência no tam anho da lesão em um turista israelense infectado com L . b r a z i l i e n s i s . Jolliffe^ estudou o efeito do K etoconazol na dose de 800 m g/dia, por 28 dias, em 8 pacientes, 4 portadores de lesões por T . m e x i c a n a m e x i c a n a e 4 com L . b r a z i ­ l i e n s i s b r a z i l i e n s i s (Lbb). Enquanto no primeiro grupo todas as lesões haviam cicratrizado, ao final do tratam ento apenas um portador de Lbb teve bom êxito. Estes resultados, tanto quanto os apresentados neste trabalho, sugerem que o uso do K etoconazol não será satisfatório no tratam ento de L . b r a z i l i e n s i s b r a z i ­ l i e n s i s , entretanto, estudos mais amplos e m elhor controlados são necessários.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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3. Dedet JP, Jamet P, Esterre P, Chipponi PM, Genin C, Lalande G. Failure to cure L e i s h m a n i a b r a z i l i e n s i s

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C o m u n i c a ç ã o . M . N e t t o E , C o s t a J M L , V i e i r a J B , M a r s d e n P D . T e n t a t i v a d e t r a t a m e n t o d e ú l c e r a s c u t â n e a s d e v i d o à Leishmania braziliensis braziliensis com k e t o c o n a z o l . R e v i s t a d a S o c i e d a d e B r a s i l e i r a d e M e d i c i n a T r o p i c a l 2 2 : 1 0 5 - 1 0 6 , A b r - J u n , 1 9 8 9

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Cutaneous disease. Presentation and evolution. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical

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keto-conazale in two cases of longstanding cutaneous leish­ maniasis. American Journal of Tropical Medicine and Hygiene 35:491-495, 1986.

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