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Dicionário das Crises e das Alternativas

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Academic year: 2021

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Dicionário das Crises e das Alternativas

Centro de Estudos Sociais

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DICIONÁRIO DAS CRISES E DAS ALTERNATIVAS autor

Centro de Estudos Sociais – Laboratório Associado Universidade de Coimbra

editor

EDIÇÕES ALMEDINA, S.A.

Rua Fernandes Tomás, n

os

76, 78 e 79 3000-167 Coimbra

Tel.: 239 851 904 · Fax: 239 851 901 www.almedina.net · [email protected] design de capa

FBA revisão Victor Ferreira pré-impressão

EDIÇÕES ALMEDINA, S.A.

impressão e acabamento

G.C. – GRÁFICA DE COIMBRA, LDA.

Palheira Assafarge, 3001-453 Coimbra producao@grafi cadecoimbra.pt Abril, 2012

depósito legal ....

Os dados e as opiniões inseridos na presente publicação são da exclusiva res- ponsabilidade do(s) seu(s) autor(es).

Toda a reprodução desta obra, por fotocópia ou outro qualquer processo, sem prévia autorização escrita do Editor, é ilícita e passível de procedimento judicial contra o infractor.

______________________________________________________

biblioteca nacional de portugal – catalogação na publicação Centro de Estudos Sociais – Laboratório Associado

Universidade de Coimbra

DICIONÁRIO DAS CRISES E DAS ALTERNATIVAS ISBN 978-972-40-4820-8

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Alemanha 23

a maior parte do empréstimo serem aqueles mais expostos a uma eventual falência do Estado português.

Esta representação generalizada da intervenção enquanto “ajuda” pro- duz ainda uma clara relação de poder entre credores e devedores que per- mite internalizar a culpa e externalizar a solução. Responsabilizado pela crise, o devedor é colocado numa situação de aceitação passiva das receitas impostas para a ultrapassar. Notícias sobre o governo português apostado em ser um “bom aluno” evidenciam uma lógica de dependência que não se esgota na sua dimensão fi nanceira e se manifesta, de forma porventura mais premente, na adoção acrítica do modelo económico prescrito pelos credo- res. Em última análise, a perceção de “ajuda” legitima a assimetria entre os países que intervêm e os que são intervencionados, construindo uma apa- rência de inevitabilidade que resiste mesmo perante resultados contraditó- rios e o agravamento da crise que se propunha resolver.

Teresa Cravo

Alemanha

Entre os países que constituem a atual União Europeia, a República Federal da Alemanha é o maior, o mais populoso e o que dispõe de uma economia mais robusta. No pós-Segunda Guerra Mundial, a rápida recuperação de um país destruído e dividido, na sequência do muitas vezes equivocamente chamado “milagre económico”, fez-se em dois planos: a partir de uma pode- rosa dinâmica de reconstrução e desenvolvimento baseada na ajuda externa, através do Plano Marshall, e, concomitantemente, através da integração europeia, com o embrião do que viria a ser a atual União. O processo de uni- fi cação, em 1990, colocou desafi os enormes à política e à economia alemãs, pela necessidade de destinar recursos avultadíssimos à integração do espaço alemão e à recuperação económica do Leste, mas, ao mesmo tempo, marcou o início de um reposicionamento e a defi nitiva conquista de um lugar cres- centemente hegemónico no contexto da União Europeia.

A situação europeia da RFA alterou-se muito substancialmente com a

unifi cação, a queda do império soviético e o deslocamento dos equilíbrios

interestatais, na sequência da adesão sucessiva de novos países à União

Europeia e da ressurreição do conceito de uma “Europa Central”. Com uma

marcada vocação exportadora, a economia alemã foi também uma das prin-

cipais benefi ciárias da criação da moeda única europeia. Apesar disso, no

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plano interno, a assunção de uma posição de hegemonia no âmbito europeu tem, paradoxalmente, vindo a ser combinada com visões tendencialmente provincianas, por vezes mesmo de cariz nacionalista. Estas têm contri- buído, através da consolidação de um eixo germano-francês (“Merkozy”) dominado pela Alemanha e em condições de infl uenciar decididamente as tomadas de decisão, para a afi rmação de um discurso político hegemónico que silencia as alternativas e, concomitantemente, para a ausência de medi- das políticas europeias verdadeiramente suscetíveis de fazer frente à crise económica atual e de conduzir a uma Europa mais justa e igualitária.

António Sousa Ribeiro

Alterações climáticas

O efeito de estufa, que descreve a relação entre os gases com efeito de estufa e a temperatura média da Terra, foi comprovado laboratorialmente pelo físico John Tyndall já em 1861. Mas seria necessário esperar mais de um século até que as alterações climáticas entrassem na agenda política, nomeadamente por causa das incertezas profundas em torno das previsões do clima futuro.

Com o fi m de fornecer aos decisores políticos dados objetivos que pudessem servir de base para as políticas ambientais, foi criado, em 1988, o Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (PIAC), ao abrigo das Nações Unidas. O painel agrega milhares de cientistas e de decisores políticos, e tem por missão produzir relatórios que sintetizem o estado geral da ciência do clima. Mas a criação do PIAC não resolveu as disputas sobre a verdade científi ca e as políticas ambientais. Descobertas científi cas suscetíveis de sustentar a regulação da atividade produtiva têm sido regu- larmente arrastadas do laboratório para espaços públicos de debate e deli- beração. Para a contestação dos resultados científi cos, contribuíram muito as campanhas de desinformação fi nanciadas por empresas de combustíveis fósseis, assim como a contestação da parte de forças políticas conservadoras.

Apesar da polémica, foi assinado em 1997 o Protocolo de Quioto, que

prevê uma redução até 2012 das emissões de gases com efeito de estufa

em 5%, a partir do nível de 1990. Mas este acordo tem sido criticado por

ambientalistas como sendo pouco ambicioso. Por outro lado, a ligação entre

o esforço de redução de emissões e um mercado especulativo de créditos

de carbono tem criado tensões crescentes com movimentos pela justiça

ambiental e comunidades locais do Sul global, que se opõem à solução

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