O que será tratad o
nesta aula
Esta aula apresenta os elementos
da imagem que
requerem cuidado, por prejudicarem a comunicação quando estão fora de ordem. Discorre também sobre os
impactos da imagem na convivência e na autopercepção.
Teoria
das janelas quebradas
A
teoria das janelas quebradas é um modelo norte-americano de política de segurança que entende a desordem como fator de elevação de índices de criminalidade. Estudiosos da Universidade de Stanford fizeram um experimento social em quecolocaram dois carros idênticos em bairros diferentes, um com índice de criminalidade alto e outro, com índice baixo. O carro do primeiro bairro foi rapidamente deteriorado. O segundo ficou intacto, até que os pesquisadores quebraram uma de suas janelas. Depois
disso, o mesmo processo de destruição começou a ocorrer. A janela quebrada transmitiu a sensação de “terra de
ninguém”.
Podemos ampliar essa teoria para
nossa imagem e tantas outras situações – alimentação, casa, trabalho. Se nos
acostumarmos com pequenas janelas quebradas, sem o processo de detox
contínuo, teremos uma imagem comunica descaso, desleixo, e abre espaço para uma série de problemas psíquicos e orgânicos, como transtornos depressivos, ansiosos, compulsões e acúmulos.
Elementos da imagem que
precisam de atenção
A
o analisar uma pessoa, é necessário prestar atenção ao todo e às partes.Não se trata de buscar defeitos, mas de remediar detalhes que perturbam a comunicação. O processo de detox – tanto da imagem, quanto do ambiente – é contínuo. A beleza e a excelência no ser humano exigem comprometimento e dedicação. Alguns elementos da imagem que precisam de atenção:
Cabelo: raiz branca ou de quem não o pinta há muito tempo; cremes e produtos que
o deixam muito molhado, com odor que incomoda; cabelo sujo, com raiz oleosa;
cabelos muito longos, sem corte.
Dentes: dentes malcuidados, amarelados, não escovados, halitose. Isso pode ser
uma ferramenta diagnóstica, estar em um contexto de doença, e não deve ser deixado de lado. Se o terapeuta tiver coragem de
intervir, será que o paciente não ficará mais saudável e feliz?
Pele: pele oleosa, descamada, causando sensação ruim em quem a vê. Esses
problemas também podem estar
associados a patologias, inclusive com comprometimento psíquico (lúpus, por exemplo).
Barba: é preciso cuidar bem desse
aspecto, não deixar uma barba malfeita, desgrenhada, suja, malcheirosa.
Acessórios: muitas pessoas não observam bem e acabam usando acessórios,
cintos e sapatos descascados, com
aspecto envelhecido. Ou ainda, adereços barulhentos muito grandes, exagerados.
Tudo isso provoca um rebuliço por onde a pessoa passa.
Peças de roupa: roupas puídas, desbotadas, furadas, manchadas, desfiadas. Pode ser óbvio falar sobre isso, mas muitas pessoas acham normal. Isso transmite uma
mensagem de falta de cuidado. O bom
estado das peças também comunica; não a peça em si, mas como ela está conservada.
Peças muito justas (como a calça legging, usada em ambiente esportivo, mas que às vezes o extrapola), decotes profundos, fendas e transparências passam a ideia de muita disponibilidade e descuido com a intimidade.
Underwear: peças íntimas que marcam excessivamente a roupa; cinturas muito
baixas; blusas que expõem a barriga quando com os braços levantados.
Unhas: detalhe importante que muitas
vezes é tratado como acessório. Unhas sujas, quebradas, descascadas ou muito grandes comprometem a imagem.
Hábitos: a imagem não se restringe ao vestuário, engloba também o gestual, comportamento e expressões. Ficar de
pijama ou de roupa de academia o dia todo, por exemplo, é um mau hábito que pode ser caminho para transtornos como depressão, ansiedade, falta de produtividade no
trabalho, clima familiar deteriorado.
O dia possui marcos e a indumentária
acompanha seu movimento e dinamismo.
Esses são pontos pequenos que parecem besteira, mas maculam nossa dignidade. O
asseio, a boa conservação, a adequação e a proporção têm de ser levadas em conta. No processo de amadurecimento, pensamos em mudanças hercúleas e grandiosas, mas é preciso começar por coisas pequenas e concretas. Uma faxina exterior pode ser o primeiro passo para o amadurecimento.
A
aparência agradável, bem cuidada, é um ato de carinho com quem está à nossa volta, um grande elemento da boa convivência. Em questões conjugais, por exemplo, a vestimenta pode ser um recurso, dentre vários, que demonstra compromisso com o outro; um símbolo que projeta as ações a um lugar decuidado. Não se trata de endeusar a moda, nem de utilizá-la como algo
mágico; é um braço terapêutico que não pode ser tratado isoladamente. Mas, na
Convivência,
autopercepção
e olhar voltado
ao paciente
vida, precisamos de coisas palpáveis, e a
roupa, o acessório e a imagem são aspectos concretos.
A percepção de que nos vestimos para o
outro pode levar a um teatro de aparências.
No entanto, o ato de se vestir vai além da dimensão social. Ele expressa aquilo que levamos para nós mesmos, impacta na dinâmica psíquica e corporal. A proposta é ter uma atitude concreta para perceber o impacto, ainda que sem ânimo. Alguém com uma questão grave precisaria
de maiores intervenções antes desse movimento de cuidado, mas em geral o ânimo vem depois da ordenação. A beleza é um alimento. Se não nos nutrimos dela, ficamos fracos.
Na teoria psicanalítica freudiana, há o conceito dos atos falhos, pelos quais podemos acessar o inconsciente. A
vestimenta pode ser um lugar em que os atos falhos, a cristalização de traumas e as manifestações do inconsciente
acontecem. O modo como o paciente entra no consultório revela muito do que ele
leva por dentro, seja porque está exposto ou porque ele está querendo esconder.
É a arte do terapeuta percebê-lo, além escutar o paciente antes de elaborar uma intervenção, que sempre deve ser singularizada.