[email protected]
quasebuda.com
Agradecimentos:
A Lilia por ter me feito trabalhar o
dobro com seus feedbacks, que ajudaram a
melhorar aqualidade final dessaedição.
A Renata por ter me esclarecido para
escrever o objetivo da revista de maneira mais
clara.
A Diana por ter me emprestado sua
câmera para tirar várias das fotos que se
encontram aqui.
Aos urubus, árvores, rochas, água,
areia... e tudo mais presente nestaedição.
Contato:
dentro do Scribus, depois faz um layout
horrível, melhora as imagens, melhora o
layout, os textos, tudo aos poucos, até
chegar em algo agradável, e como uma
pintura, você precisa parar, para não se
esgotar, mesmo sabendo onde poderia
melhorar, um detalhezinho aqui ou ali, a
perfeição pode te deixar doente, então
com coragem você diz: "o tempo desta
tela acabou!", e é importante que se
acabe, que venham as próximas!
Publicado por Quasebuda Editora
Feito com Scribus Interaja com a revista Quasebuda, estamos
abertos a feedbacks, sugestões, a bater um papo no Discord. Escaneie o QR Code acima ou clique no ícone para fazer parte do nosso servidor.
Quasebudas tiveram a dualidade em suas caras,
mirando ambos os lados, escolheram o grito,
não produzem com mãos,
não criam com pensamentos,
não criam com palavras,
criam com pedaços de si mesmos,
Quasebudas não se importam se são ou não budas,
cheios de epifanias, apenas criam,
e por assim escolherem,
estão mais próximos da libertação do que qualquer não quasebuda,
a luz nunca entra em seus olhos,
seus olhos entram na luz!
Quasebudas desconstroem mentes,
sem apego a elas,
e quando criam,
se afastam de sua própria,
o que os importa,
o que merece sua atenção,
seu corpo, sua mente,
eles mesmos,
é se dar pelo fazer,
enquanto não libertos,
enquanto Quasebudas
05 - Notas de nascimento
da revista
07 - Estudo das manchas
20 - Meditações: O
caminho espiritual do
artista
23 - Projeto Caatinga
Space (3D)
32 - Não caia na Sunk
Coast
36 - O Teatro no 3D
39 - Contando - Quiosque
6
44 Quadro escrito
-Covid passa, sono não
A revista Quasebuda atualmente conta apenas com um escritor, eu, isso é culpa de não ter dado atenção a minha vida social por anos, preferindo ficar criando coisas, que muitas vezes largava pela metade, me frustrava, as vezes concluía, as vezes não me levava a lugar algum, mas o problema foi que a vida social ficou de lado, não conseguia imaginar ninguém que pudesse pegar nesse projeto comigo, pelo menos ninguém que o pegaria.
Isso não me desmotivou, e continuei trabalhando na Quasebuda, mesmo sem saber para onde estava indo, até que neste ano que a mente começou a se organizar melhor, decido criar uma revista, uma revista onde posso falar tudo que faço, faço várias coisas, como literatura, programação, um pouco de eletrônica, teatro, estudo trompete, canto, voltei a pintar como poderão ver a seguir, comecei a fazer algumas coisas no 3D, passei boa parte de minha vida dentro do mar, surfando, as vezes me pinto de palhaço e saio por aí, e tudo isso misturado aqui dentro de mim, numa confusão, com a mente dizendo para largar uma ou outra coisa, por que nossa mente está sempre querendo se identificar com alguma coisa, e quando você faz um monte de coisa você a deixa num caos sem saber com o que se identificar, não que seja ruim, afinal, uma de minhas práticas diárias é não se identificar com as coisas, mas há uma cobrança externa, e algo precisava ser feito, a revista foi minha solução, com ela terei que produzir conteúdo das diversas áreas que estudo, não que o farei obrigado, isso é mais uma solução para encontrar um ritmo, tentando juntar todas as coisas que faço, nesse caminho do autoconhecimento que qualquer artista precisa passar, talvez venha mesmo largar algumas dessas coisas, mas preciso conhecer mais, ir mais fundo nelas, talvez haja uma composição possível para todas juntas,
Tendo uma bagagem de escrita que vem desde minha infância, criar conteúdo de texto com uma pegada de literatura foi a solução mais fácil que encontrei, e aqui estou trazendo essa revista para vocês.
Mas quem é que está trazendo? Quem sou eu? Nasci em Cachoeiro de Itapemirim em 1995… não, vou tentar responder essa pergunta com apenas uma foto:
A revista Quasebuda está manchada de arte, rabiscada de literatura, suada de teatro, invadida com tecnologias, focada no caminho espiritual do artista, ou seja, do autoconhecimento, em busca de sua composição, não se preocupando tanto com que ferramenta se cria, e sim na busca da percepção para se criar bem qualquer coisa.
Irei tentar resumir o objetivo da revista Quasebuda em poucas palavras abaixo:
Primeiramente, nomeei de "estudo das manchas" e não "estudo das formas e luz", pois vejo manchas, pensei ser um nome mais atraente, mas o que iremos fazer é estudar as formas e luz, estou a anos e anos sem pintar nada, não que eu fosse um exímio pintor no passado, quando criança costumava pintar algumas coisas no giz pastel nas aulas de desenho que fazia numa igrejinha de uma rua quase sem saída, o que queria mesmo naqueles tempos era pintar, mas a professora não me deixava pintar tela com tinta oléo, dizia que eu não estava pronto, me enrolou por muito tempo, acabou que não pintei, comecei a crescer e matava aulas para soltar pipa ou jogar boleba, ainda tinha um desejo intenso por querer pintar, mas não queria mais pintar com giz pastel, era teimoso, e era tudo ou nada para mim, acabou que fiquei sem nada, parei de ir nas aulas, e consequentemente parei de pintar, o que restou foram algumas lembranças de meus desenhos que meus pais resolveram emoldurar e pendurar na parede da sala, havia melhores, mas eles não me deixaram escolher, o último desenho qual não
terminei foi os barcos com fundo amarelo acima, não sei porque minha mãe escolheu ele, havia muitos outros desenhos finalizados, e ela colocou logo o que marca meu abandono, e meu início no vício de iniciar e não terminar as coisas.
Percebam que gostava de desenhar coisas do mar, gostava da água, barcos, bichos da água, sempre tive uma conexão muito forte com o mar, a praia, tanto que boa parte de minha vida passei dentro d'água surfando, é capaz de ter passado mais horas de meu ensino médio dentro do mar do que dentro da sala de aula (risos). Apesar de gostar do mar, se atentam aquele peixe da página anterior, fui obrigado a pintá-lo, não queria, achava ele muito sem graça, muito 2d na folha, mas o maior motivo era que a professora queria que eu usasse uma cola colorida brilhosa, nem sei o nome desse material, e tive que usar para fazer seus contornos, coisas do tipo já nos obrigavam a fazer na escola, não queria fazer também ali, compartilhei minha opinião, mas não foi o suficiente, tive que fazer o peixe. Era criança, depois que começa a pintar, fica bom, o processo de pintar era prazeroso, mas na hora que era para usar a cola brilhosa, me recusei, disse que iria estragar ou coisa assim, e a professora que fez para mim, se me lembro,
toda indignação que tinha em mim contra aquele material escolar de fazer cartaz, hoje vejo que fui um menino bobo, poderia fazer uma pintura só com aquela cola colorida, e era isso que devia ter feito para mostrar minha revolta, quer que eu use a cola? Tudo bem, vou usar o tubo inteiro, me dá uma folha nova! vou lambuzar ela toda, vai brilhar!
O processo criativo desses desenhos era, chegar na sala de aula da igrejinha de vidros coloridos, fazer umas palhaçada de criança, sentar no banco alto para conseguir alcançar a mesa, prometer que não iria quebrar os gizes da professora, ela tinha o cuidado de colocar no meio da mesa para não correr o risco de cair, e mesmo assim eu deixei-os cair duas vezes e quebrei alguns deles, mas ela era bem tolerante comigo, não tive grandes problemas quanto a isso (risos),
Não espere
chegar a sua
Mona lisa,
comece
pintar
agora!
tela também, mas não, não podia! não estava pronto! Ela queria o que, que eu pintasse a Mona Lisa antes de poder manchar uma tela? eu era uma criança, só queria lambuzar uma tela...continuando, após sentar e prometer não quebrar os gizes e me comportar, tinha que ir lá na sala pegar meu bloco de folhas A3, depois ela me dava uma revista com um monte de mini-fotos, eram pequenininhas, se não tivesse desenho para continuar da aula passada, podia escolher alguma imagem para pintar, caçava uma, mostrava a ela que me alertava se seria muito sofrido, quando escolhia algo muito difícil, ela me recomendava escolher outro, assim folheava novamente a revista em busca de alguma coisa do mar, quando achava pegava os azuis no estojo e começava a passar ele na folha, misturava com outras cores, ela vinha atrás
misturar, as vezes metia a mão na minha pintura, e eu ficava bravo, não gostava que ela rabisca-se minha folha, sentia que não era mais meu, depois de um tempo ela parou, porque ela via que ficava realmente bravo e começava a fazer mal, era um problema que tive, pois mostrava meus desenhos para as pessoas no caminho quando voltava ou ia para aula, e as pessoas diziam que não eram meus, comecei a achar que era porque ela colocava a mão neles, e não queria mais que ela colocasse para as pessoas reconhecerem minhas horas de trabalho naquelas folhas, me chamavam de mentiroso, que não era eu que fazia-os, e isso me deixava bravo (risos); depois de finalizado, era preciso ir num corredor aberto ao lado do salão da igreja, colocar o desenho apoiado na parede e balançar a lata do fixador e passar no desenho para não sair, sabia que ali tudo acabava, não dava mais para agarrar o giz, era o fim, olhava bem se não tinha nada para terminar, já cansado do trabalho, ia com tudo, que viesse o próximo! esse já deu para mim! não tinha problemas com perfeccionismo ou apego quando criança, era tudo bem simples, iria para o bloco dos desenhos feitos, e na semana que vem destacaria uma nova folha em branco.
E onde quero chegar com tudo isso? Eu queria manchar a tela, não me deixaram, anos depois, nos meus 17 anos, comprei umas tintas a óleo e umas telas, mas estava com a mente bagunçada demais, parando de meditar, usando diversas substâncias de farmácia ou de rua, e o pior de tudo, queria ser um bom pintor, coisa que quando criança nem se passava por minha cabeça, só queria mesmo era lambuzar aquela tela, me frustrei, me comparei demais aos outros, larguei a pintura, fazia tudo muito rápido, queria ter o que estava na minha mente na tela em 30 minutos, claro tenho um monte de pinturas
esQueça as
cores um
pouquinho,
explore o
preto e branco,
encontre a luz!
enrolei o pano e escondi no fundo do baú, com um certo receio de jogar no lixo, afinal foram vários 30 minutos, pedacinhos de minha vida, assim os deixei lá, mas então com meus 24 anos algo acontece, e vejo minha vida e não gosto do que vejo, sinto que estou indo para um caminho diferente do que aquela criança queria, então decidi voltar a meditar, começar a fazer yoga, mantendo a disciplina todos os dias, qual estou até hoje, minha regra é, posso deixar de fazer tudo menos meditar e fazer yoga, essas práticas me trazem o equilíbrio e clareza para seguir esse caminho caótico da vida, então de repente me interesso pelo 3D, pois queria usar o material "infinito" que temos num
autônomos artificiais, desde criança tenho essa coisa, não entrarei em detalhes aqui, já me prolonguei demais aqui, mas acabou que pintando os modelos, senti a vontade de pintar novamente, como tinha uma mesa digital, o motivo por ter ela, também o oculto aqui, mas a tenho desde os 18 anos, e ficou todos esses anos guardada, este ano tirei ela da caixa, coloquei na mesa, e decidi, vou fazer aquelas manchas que queria quando criança, vou apenas manchar a tela, quero nem me envolver com cores, quero só lambuzar algum quadro, sem precisar desenhar antes, isso era algo que sempre me fascinava quando criança, não precisar desenhar, e já ir pintando, era por isso que queria pintar, sentia que as linhas me limitavam demais na pintura, e assim tive essa ideia dos estudos das manchas, onde as linhas são utilizadas no detalhamento final, e pinto aqui com manchas primeiro, como imaginava que seria se me deixassem pintar as telas quando criança, sem querer ser bom, apenas pelo prazer do processo de pintar, começando com apenas preto e branco, se divertindo com essas manchas, tentando descobrir a luz, e se divertindo.
Há várias formas de fazer o estudo das manchas, e pintores diferentes o farão de modos diferentes, mas compartilho meu processo criativo, e as etapas de cada pintura, talvez vocês se sintam inspirado a fazer ou já fazem um estudo parecido, ou às vezes por mais simples que seja isso, nunca o fizeram, já foram direto para as cores, ou coisas mais complexas, mas estou aqui querendo trazer o simples, estou no início dos estudos da pintura novamente, buscando apreciar o processo como uma criança, espero que isso possa ajudá-los de alguma forma, dando-os alguma nova visão ou epifania criativa.
A seguir compartilho minhas manchas deste mês:
Software de pintura:
MyPaint
Total de horas trabalhadas:
7h30min
Total de dias trabalhados:
5d
Brushes usados:
deevad/kneaded_eraser
Cliff Hole
No primeiro dia fiz a blocagem, pintei apenas branco e preto tentando encontrar as formas.
No segundo dia adicionei opacidade de uma maneira bem cru buscando os planos da pintura e também a luz do sol.
No terceiro dia comecei a detalhar as formas e as plantas e as sombras.
No quarto dia continuei os detalhes usando a borracha com as cores preto e branco variando a intensidade e a opacidade.
No quinto dia melhorei as nuvens e a opacidade de alguns detalhes como as árvores distantes contudo isso estava me tomando muito tempo e os detalhes não era o que eu precisava estudar neste momento por causa disso decidi finalizar o estudo aqui.
Usei apenas 3 camadas uma para os blocos preto e branco, outra para a opacidade, e outra para os detalhes, mas nem mesmo usei as camadas sobrepondo uma as outras, apenas fiz esses layers para acompanhar meu progresso, e quando eu finalizei a primeira camada escondi isso e dupliquei a camada para o próximo passo, mas nesse processo eu pude entender a necessidade de usar camadas com poucas coisas em cada uma, isso poderia ajudar a fazer mudanças em partes da pintura sem precisar mexer nas partes ao lado.
Gostei do resultado desse estudo comparado com minhas velhas terríveis pinturas, estava anos sem pintar nada e isso foi muito prazeroso pintar, isso mostra como a meditação e yoga pode me ajudar a ser um artista melhor, porque fazer essas práticas todos os dias melhora a percepção.
O PROCESSO DE DESCOBERTA DA
LUZ PODE SER COMO SENTIR O SOL
DESCANSANDO EM SUA PELE.
APROVEITE CADA ETAPA DE SUA
PINTURA, NÃO EXISTE MOMENTO
PERFEITO, TODO MOMENTO É
MOMENTO.
Diogo Hartuiq Debarba - Cliff Hole Pintura digital - 3468 x 1850 - dez/2020
Luis Debarba
Primeiro testei esse novo brush que simula um pincel. Sou iniciante nesse programa, resolvi mudar do MyPaint para o Krita, pois o Krita tem algumas facilidades para criar texturas que serão úteis para os estudos do 3D. Como não sabia usar direito o pincel e não sabia onde ficavam as coisas no Krita, acabei tendo que ficar com esse pincel bem fino, se você está pensando, "porque ele não viu um video no youtube de como usar o krita?", até tinha deixado um vídeo aberto para ver, mas naquele momento eu queria pintar e decidi que seria com o Krita sabendo ou não mexer nele. Quase tudo que invento de fazer, não sei fazer, aprendo no processo mesmo, então fui sem medo.
Sinto que prefiro começar com manchas mais lambuzentas, mas ainda estou explorando o Krita, e testando diversos brushes e coisas diferentes sem muito apego ao que gosto por agora. Então fiz as linhas tortas, mas precisas, ao lado. (30min)
Já mais experiente no Krita com os 30 minutos anteriores (risos), soube deixar o pincel do jeito que achava que precisava e fui pintando.
Para finalizar fiz alguns detalhes e usei mais da opacidade para encontrar o sol. Sinto um prazer muito grande em encontrar a luz nas pinturas, começando com manchas bem escuras, e depois ir usando a opacidade para encontrar onde o sol está encostando, deixando a pintura aos poucos mais agradável para máquina reconhecedora de padrões, chamada mente. (1h45min)
Software de pintura:
Krita
Total de horas trabalhadas:
2h15min
Total de dias trabalhados:
1d
Brushes usados:
Avô caminhando na gamboa, itapemirim - es
D io go H ar tu iq D eb ar ba -L ui s D eb ar ba P in tu ra di gi ta l-24 80 x 35 08 -d ez /2 02 0Urubus
Primeiro fiz os blocos com preto e branco e posicionei os urubus no que será a areia da praia. (20min)
Segundo, usei a opacidade para encontrar a luz do sol de modo mais simples, porém preciso que encontrei, tento evitar o CTRL+Z, não por preguiça, mas por deixar o processo de pintar mais prazeroso para mim, sinto que quando uso demais o CTRL+Z causa um desgaste que pode ser evitado com uma precisão maior em fazer uma linha ou mancha, digo precisão, no sentido de que seja lá o que você rabiscar na tela essa coisa deve estar até o final de sua pintura, pois ela está exatamente onde é para está, isso me facilita parar as pinturas também, pois o resultado me agrada mesmo parando sem ter detalhado muito.
Prefiro um trabalho mais espátulado, vindo provelmente de minha bagagem de tentar pintar aos 17, gostava de usar a espátula, ou melhor pintar tudo só com ela, porque era mais fácil de limpar que o pincel (risos), brincadeira não era por isso, gostava do movimento e vida que uma espatulada dava a pintura. Mas até aqui não sabia que o Krita tinha espátulas ainda, usei os pinceis como se fossem uma. (15min)
Terceiro, comecei a manchar a vegetação e areia também utilizando a opacidade. (25min)
Estava cansado, havia feito muita coisa durante o dia, ainda surfado a tarde, era já madrugada, resolvi levar para a finalização, fiz mais alguns detalhes como a areia e as árvores distantes, melhorei o céu e os urubus, e fui fazer minhas práticas e dormir. (40min)
Software de pintura:
Krita
Total de horas trabalhadas:
1h40min
Total de dias trabalhados:
1d
Brushes usados:
b)_Basic5_Size_Opacity, f)_Bristles3_Large_Smooth, b)_Basic6_Details
DÊ CADA PINCELADA COMO SE
FOSSE A ÚLTIMA, EVITE O Ctrl+z,
DEIXE O PROCESSO DE PINTAR MAIS
PRAZEROSO.
Diogo Hartuiq Debarba - Urubus Pintura digital - 2250 x 1688 - dez/2020
Cacto da gamboa
Primeiro fiz a blocagem com preto e branco utilizando um brush Ink, é bem agradável blocar com esse Ink, é suave manchar, diferentes do pincel que precisava de uma força maior. (15min)
Segundo, usei da opacidade para encontrar a luz do sol de modo bem raso e tentei encontrar melhor o céu com a opacidade. (15min)
Terceiro usei a espátula (o brush Paint/i)_Wet_Knife) para fazer mais detalhes. Aqui foi quando descobri que existia espátulas no Krita, fiquei muito feliz, e fui fazendo tudo com ela. (45min)
E para finalizar ainda usando a espátula fiz mais detalhes e usei o brush Bristles-3_Large_Smooth para melhorar a luz na rocha, pois exagerei na mão com a espátula e deixei claro demais onde precisava que fosse um pouco mais escuro.
A espátula trás o movimento do mato, trás vida aos cactos, me agrada bastante, acho que isso acontece por causa do movimento que você pinta quando está com a espátula, após fazer o movimento ele fica lá, não há o que fazer mais nele, ou o que ajeitar, essa maneira de pintar possívelmente tem influência do modo como escrevo literatura, de um tiro só, tentando não perder o ritmo com os processos psicológicos descartáveis. (45min)
Software de pintura:
Krita
Total de horas trabalhadas:
2h
Total de dias trabalhados:
1d
Brushes usados:
Ink/b)_Basic1, Paint/i)_Wet_Knife,
EXPERIMENTE PINTAR COM A
ESPÁTULA BUSCANDO TRAZER
PINTURAS MAIS VIVAS.
Diogo Hartuiq Debarba - Cacto da Gamboa
Veja isso como uma direção para te incentivar a pegar no pincel ou caneta e pintar, sinta-se livre para alterar:
1 - Escolha uma ou mais imagens de
referência.
2 - Use apenas preto e branco e a opacidade. 3 - Busque as formas com as cores opacas,
decidindo onde é branco ou preto em seu quadro, ou seja onde recebe mais luz pode ser branco e onde é mais escuro pode ser preto.
4 - Busque a luz utilizando da opacidade e a
borracha.
5 - Faça alguns detalhes com algumas linhas
ou texturas se desejar, mas não é necessário, o foco deste estudo não são os detalhes.
Pinte também uma mancha!
Envie para a Quasebuda, sua arte irá aparecer aqui nesta seção no próximo volume.
Esses dias eu pensei o que poderia ser essa coisa de quando estou criando parecer que já foi criado e as coisas saírem como se já tivessem saído antes, pensei, talvez faça sentido, nossa mente cria uma "simulação do destino" para ser mais seguro percorrê-lo, porque nossa mente sempre busca segurança para sobreviver, mas esse destino pode ser mudado no decorrer de suas ações, mas ela é
antecipada e sempre cria seu destino antes de você passar por ele e aí vem essa sensação. Mais ou menos, você pode mudar a ação e mudar seu destino, mas não é você que cria seu destino, é sua mente, você só percorre ele, pensa você é um trem e seu destino um trilho, sua mente é a empresa que cria as linhas, você pode sair dos trilhos e ir percorrendo na dor num solo que você não foi preparado para andar, e sua mente dará um jeito de recriar seu destino dali, ou seja vai criar a linha para andar debaixo de você de novo e você andar melhor, mas ela também cria mais de 1000 km de linha a sua frente por segurança, para não acontecer de você sair de novo, esses mil quilômetros talvez seja o que chamamos de destino, não é algo rígido, é mutável, entretanto, penso que se você ficar saindo do trilho muitas vezes você não vai se mover direito, por isso é melhor reconhecer a linha e seguir nela, e só sair às vezes por recreação e para mostrar quem é que manda! (risos)
Deixe a macropolítica para quem tem poder, e cuide da micropolítica onde você está inserido, se quer ir além, para o macro, antes consiga o poder, senão será como pulgas querendo discutir o problema dos cachorros.
Porque não dizer o que se passa agora em minha mente enquanto busco algumas meditações antigas para preencher essa seção, estou ouvindo-a “isso não presta, você não é mais isso”, “isso é trapaça, você deveria estar escrevendo algo novo”, como se eu estivesse “colando” e não produzindo, como se não fui eu que escrevi esses textos meses atrás, a mente querendo me trazer um pesar sobre algo que ela mesmo criou, querendo me chamar de preguiçoso ou coisa parecida, mas minha menina, tô de olho aqui, deixa comigo, vai dar tudo certo, sossega aí, você não consegue segurar essa mão mesmo, mas não descarte tudo só porque houve uma expansão de visão, não haveria a melhoria da percepção se essas coisas passadas não tivessem acontecido, é sua bagagem, não se envergonhe dela, você só vê como vê porque viu como via.
Aprenda a criar um casulo envolta de você seja lá onde você for, assim os estímulos externos não o tiraram do seu foco. Como fazer isso? Aproveite da plasticidade dos neurônios, você sai do foco porque recebe muitas entradas e isso mexe em sua rede neural, então se alimente com as entradas que você quiser para te manter no foco desejado, deixe essas entradas escolhidas ao acesso de sua memória rápida e treine para sempre que seu foco mudar você se realimentar com o que te importa, mas cuidado para não se limitar por sempre se alimentar da mesma maneira, esteja consciente e não perca oportunidades, mude, afinal a vida é mudar, contudo, mantenha esse processo para as mudanças serem mais conscientes.
de você surgiu é estar consciente onde quer que você esteja e seja lá como estiver, qualquer coisa que venha a surgir daí para frente você será capaz de observar, e o que passou não importa, estando consciente o passado será também mais claro de qualquer forma, ficar ansiando procurando coisas não te trará nada de produtivo.
Escuto minha mente dizer todos os dias “você não é capaz”, “você não vai conseguir pintar”, “não vai
conseguir escrever”, “não vai conseguir mais criar nada em 3D”, “não vai conseguir mais programar”, como se não fosse tão simples como sentar e fazer o que tem para se fazer, como se tivesse algo mágico necessário para que algo saia bom, como se precisasse que algo mesmo saia bom, como se o bom ou ruim fosse relevante, como se fosse superior a sinceridade, como sendo bom não precisa ser sincero, o que faço todos os dias? Mando ao diabo minha mente, não sou ela, não sou esse corpo, não sou essa mente, os uso como ferramentas, assim como qualquer outra que uso para criar, não há nada em meus processos psicológicos que valha a atenção ou o apego, não sou nada que minha mente possa dizer ou me apontar ou me mostrar; um “cale-se” para mente e movimento minhas mãos para criar.
Percebo que o caminho do artista, ou também da
percepção, ou também espiritual, ambos podem ser um só, não é linear, há picos de consciência, nesses dias as coisas são claras na mente, e você caminha com
facilidade, e há dias de agitação que parece que você está andando para trás, mas não está, você está pegando impulso para o próximo pico de consciência ser ainda mais consciente, por isso é importante manter a disciplina de suas práticas, seja lá quais forem, nos dias de agitação, para que seja mesmo um andar para trás para pegar impulso ao invés de ficar paralizado e frustrado por lá.
Ao manter alguma prática meditativa em sua vida, será normal acontecer de suas conexões de neurônios
“desprenderem-se”, imagens ou quaisquer outros dados como cheiros, gostos….de coisas de que você é apegado, surgem como em despedida, não se agarre, sorria, e deixe ir, agradeça por estarem indo, agora você pode andar mais a frente.
Diogo Hartuiq Debarba - Caatinga Space
Não tinha 3 meses de 3D completos, talvez dois meses e uma semana, estava num ritmo saudável de estudo, levando o 3D bem devagar, de meia hora a uma hora de estudo por dia apenas, até o youtube me lançar uma live de um desafio do canal Insightz3D, o desafio era "criar um novo mundo", seja lá como você o imaginar, devendo ser em 3D e renderizado em uma engine real-time, me senti desafiado e ao mesmo tempo confiante de que poderia criar um novo mundo em 3D, com aquela ignorância de principiante que acha que as coisas são mais simples do que são, comecei a criar esse novo mundo no papel, se alguma coisa me despertasse da mente eu daria continuidade no outro dia, pois estava trabalhando no editor de livro da Quasebuda, e com a mente na programação, mas mesmo assim pausei o que estava fazendo e fiz o desenho ao lado.
Partindo do desenho inicial, comecei a tentar fazer alguma coisa no Blender3D, peguei uns assets prontos, fiz algumas árvores, fiz a água, o céu, a areia, e tive o resultado da imagem ao lado, claro, olhei para isso e falei "merda, parece aqueles jogos de rpg de 2005, só que pior", devo ter ficados uns dias afastado disso, desanimado, mas aí tive a ideia, vou focar na composição da cena.
Fiz então as thumbnails acima, 50 no total, mas não as fiz tudo de uma vez, após as 10 primeiras já voltei a abrir o blender 3D, não consegui atingir o que queria, me frustrei, desisti, fiquei uma semana sem mexer no projeto, fiquei trabalhando no editor de livro da Quasebuda, então de 3 semanas de prazo para entregar a imagem final, passou a ser apenas duas. Veja ao lado o render que me frustrou pela segunda vez, usando ainda assets prontos, porque estava na pressa, não entendia todo processo do 3D, ainda estava estudando, não sabia nem como se fazia o normal map, achava que era algo manualmente feito, quando descobri que era a engine que fazia para gente, dei um grande sorriso de "ufa!" (risos). E sim modelei aquelas formigas e nem as usei no render final.
Mas apesar de não ter gostado do resultado do deserto acima, tinha consciência que com o pouco que sabia de 3D talvez fosse o máximo que conseguiria fazer a tempo, então pensei, é hora de modelar o ganso, e comecei, fiquei vários dias nele, minha primeira escultura, tirando uns exercícios que fiz do curso de introdução ao Blender 3D que vinha fazendo enquanto trabalhava no projeto. O resultado ficou melhor do que esperava, e me animei com o projeto novamente.
Decidi dar asas ao ganso, não fazia ideia como fazer as asas, mas também não fazia ideia como fazer um ganso, então, parei de pensar em como fazer, e comecei a fazer sem esperar muito, e não ficou perfeita, mas gostei do resultado, não dava para ficar muito tempo mais no ganso, precisava desapegar, me conformar com suas deformações e continuar o projeto.
Por fim, bakeei meu primeiro normal map (imagem roxinha ao lado) muito feliz de saber que a engine o fez por mim, e de saber que todo aquele trabalho na escultura não foi jogado fora, porque antes pensava "porque ficam tanto tempo aqui, entendo, é bom, gosto de ficar esculpindo também, mas vamos lá, vou ter que jogar tudo fora na retopologia?" descobrir que não era em vão detalhar a escultura, que o normal map iria capturar todos os detalhes do trabalho, foi um alívio. Saibam que não foi fácil, olha um dos problemas abaixo, também o Blender travou e não salvei a imagem da pintura, tive que pintá-lo novamente.
Então coloquei o ganso finalizado na cena do deserto, e veio o desgosto novamente, não era aquilo que queria, estava aberto a não ter o que queria, mas aquilo não daria, não conseguiria enviar o e-mail com o render daquele jeito, então desisti da ideia do deserto após muito pesar e pensar, faltava uma semana e meia apenas quando escolhi refazer a cena toda, queria algo mais parecido com a caatinga, inspirado na caatinga presente nas serras do norte da Bahia, aquele ambiente me passa um lugar misterioso e desafiador, aquelas pedras gigantes e secas, era o que queria, e o deserto não passava aquilo. Então resolvido, criei um novo arquivo no Blender, com apenas aquele cubinho intimidador me olhando. Nem o exclui, já o usei para fazer a primeira blocagem, a fiz bem rápido, primeiro usando um sol, mas vendo que as sombras não estavam boas, decidi que seria uma cena noturna. A ideia de ter sombras, era que eu não tinha tempo e nem experiência para fazer um personagem, mas precisava contar a história, então pensei, vou usar uma sombra de modelo-bloco, tem que reduzir o escopo, não se dar para ter tudo, o tempo estava correndo.
comecei a fazer os modelos, já havia feito algumas pedras que usei na blocagem, iniciei na nave, o chip já estava pronto da cena do deserto, após concluir a nave e ajeitar algumas coisas, renderizei e mostrei o trabalho para minha professora de teatro, tendo um olhar diferente para vários pontos da composição, fiz os ossos, o cacto, e a planta, com dois dias para finalizar o projeto, estava dormindo 3 horas, 2 horas, até cheguei a dormir meia hora apenas no dia, mas eu estava bem, meditar e fazer yoga renova as energias muito melhor do que o sono, e se dormisse não daria tempo de finalizar o projeto na data final do desafio.
Evolui não só no 3D nesses últimos dias, mas também espiritualmente, pois a privação do sono, me fez meditar e fazer yoga em horários mais adequados, como 2h ou 3:30h da manhã, dormir muito era um obstáculo para ir adiante nesse caminho de evolução da consciência e percepção, claro que para mim, meia hora, todos os dias, não dá ainda, contudo, agora tenho consciência que posso reduzir bastante minhas horas de sono, e que isso não me deixa sem energia como sempre me foi ensinado, desde que esteja consciente durante o dia, o que mais desgasta e cansa, não é não dormir, é alimentar demais nossos processos psicológicos, se você os afasta, e apenas age, não há gasto desnecessário de energia, e assim não precisa dormir tanto. Por isso "pense menos, apenas faça, se der errado, faz de novo, porque o tempo que você gasta pensando, é o tempo e energia que você gasta para fazer umas outras 3 ou 5 vezes", e claro não leve isso como regra, tenha o equilíbrio de saber quando é aplicável ou não, às vezes é melhor pensar antes de fazer, tudo depende do que se está fazendo e demais variáveis sobre o que está fazendo.
Quando não se tem tempo, você precisa abrir mão da perfeição, e foi o que fiz, olhe ao lado a UV do autônomo artificial flor, não dava tempo de fazer a retopologia da flor, certo que não dava para mim que não tenho tanta experiência, pois seria demorado fechar todos esses pequenos detalhes, calculei isso com base em outras retopologias que fiz, sabia que não tinha jeito, ou abandonava a flor de vez, ou pintava direto a escultura, e olha no que deu, UV perfeita, não? Mostro aqui sem vergonha para verem que nem tudo são flores... (risos)
Para finalizar, deixo um pouco da história do Caatinga Space, qual um dia poderá se tornar um jogo, ou uma animação ou umas tirinhas, ou apenas outro projeto na gaveta. Ficaria agradecido em receber um feedback sobre o caminho a seguir com esse projeto.
O acidente na usina de hidrogênio da nébula Tupã deixou nossa pequena galáxia de Manumit a sofrer com tantas enormes ondas de calor, esquentando quase todos os nossos planetas. Essa mudança repentina favoreceu o surgimento da Caatinga, bioma daquela galáxia que foi devastada a centenas de anos atrás, aquele bioma exclusivamente brasileiro do planeta Água, mas que por lá chamam de planeta Terra, esses humanos sempre me foram confusos…
Muitos dos planetas de Manumit, tirando os que foram torrados, viraram caatinga, e até mesmo os humanos fugidos da Via Láctea trocaram o nome de "Surio" para planeta "Caatinga", pois 96% de suas terras se tornou esse bioma quente, uma coincidência muito esquisita, os humanos serem presenteados com o seu bioma exclusivo, mas não quero entrar em detalhes aqui sobre isso, a maioria daqueles humanos não vale as palavras, deve ser castigo, afinal, olha o que fizeram com a Via Láctea…
Sabemos que estamos passando por secas agressivas na maior parte dos planetas que restaram, Manumit não é a mesma, e não há volta, erramos ao construir aquela usina, e assumo a culpa por ter dado a assinatura final para a sua maldita construção, contudo, agora já aconteceu, e não há volta!
Há planetas que mal tem água, e gargantas secas se arranham todos os dias, isso é verdade, mas há um problema que vem acontecendo e que não estamos gostando de tomar conhecimento, vocês todos já sabem, os gansos. Após sua emancipação se revoltaram, sempre soubemos que eram agressivos, é de sua espécie, entendemos, mas agora estão covardes! E isso é algo que não quero em minha...nossa Galáxia!
A sede nos ataca, mas não devemos morrer lutando por água, isso é a maneira errada de lidar com nossa situação, quem pode, foi embora, mas nós, ou melhor, vocês, que não podem deixar Manumit, devemos auxiliar uns aos outros, não entrar em guerras, lembrem-se da Via Láctea, sempre lembrem! A maioria de vocês não são humanos, não há porque agora se comportar como eles...
Eu escolhi ficar em Manumit, e não me arrependo, foi aqui que nasci e aqui que ficarei, mas estou envergonhado com a atitude dos gansos mecatrônicos, lhe demos a autonomia, e a usam estupidamente! Possuem tecnologia o suficiente para fugirem daqui com suas naves, e agem como covardes! Não permito-os, e declaro o seu banimento de Manumit, todos os gansos que forem vistos por nossas naves, serão destruídos sem palavras serem ditas.
Os gansos mecatrônicos tem que parar! "O Imperador Cantusir Elmorio dá suas palavras após 900 anos do
-Saibam que isso não é uma guerra e nem se tornará uma, estamos limpando a sujeira que criamos, e isso com muita dor, pois vai em oposição ao nosso livro da autonomia dos seres. Tiveram um ano, dois, até três e não mudaram, não podemos mais aceitar, esses gansos estão contra o livro desde sua emancipação, e criando seus próprios, e após séculos sem ouvirmos essas palavras em um jornal galaxical, digo aqui, "Robôs", escravos sem autonomia, isso não é permitido em Manumit, e Jri, se vivo, deixaria cair lágrimas ao saber disso, ele escreveu o livro e deu sua vida para que isso não mais acontecesse, nem mesmo os humanos os fazem mais, até eles aprenderam…
Agora autônomos criando seres não autônomos? isso é inaceitável, todos que estão sofrendo com seus ataques, e perdendo suas espécies com os intrusivos chips dos gansos, saibam que terão nosso auxílio, e mandaremos água assim que possível, peço para que tenham paciência e sejam fortes, sei que eles veem furtando boa parte da água de vocês, e ainda sem mesmo precisar beberem água, a usam como combustível para desenvolver mais tecnologia mal utilizada.
Para os que necessitam de água, levaremos água! Para os que precisarem de implantes, também levaremos peças e pessoal especializado em fazê-los, tenha paciência, esses gansos não irão durar muito tempo mais... Saibam que estamos cuidando disso como prioridade, e que não devemos
podemos viver de sonhos, mas certamente ela será melhor a cada ano que passa, só precisamos de consciência e agir corretamente para que suportemos essa fase difícil de nossa galáxia, e para que não percamos as esperanças recomendo que leiam ainda nesse jornal a matéria sobre a criança que vêm criando autônomos artificiais no planeta Caatinga, saibam que é um humano, uma criança criando autônomos! Isso é algo que me faz acreditar que estamos caminhando na direção certa, e que o acidente, os gansos mecatrônicos, e todos os infortúnios que nos veem acontecendo; com todo o respeito e consideração com os que se foram; são só obstáculos para que possamos ir mais longe.
Em 2019 estagiando e tentando programar no horário em que estava estagiando, comecei a estudar OpenGL ES 2.0 pois queria criar uma ferramenta que pudesse criar aplicativos desktop e mobile com o Common Lisp, essa linguagem de programação me fisgou que comecei a querer fazer tudo nela, Lisp é o dialeto mais bonito que um programador conseguiu criar até hoje, e foi concebida em 1958 por John McCarthy, a maioria das linguagens interpretadas que temos hoje, como Javascript e Python, por exemplo, possuem características herdadas do Lisp, e Common Lisp é uma linguagem que utiliza o dialeto Lisp, que foi criada para tentar padronizar as centenas de Linguagens Lisp que existiam, é uma linguagem gigante com a especificação passando das mil páginas, possui o melhor ambiente de programação que já experimentei, EMACS + SLIME. O Lisp me leva a escrever e entender melhor meus programas, e gosto disso. Mas o Common Lisp tem um grande problema, ele é excêntrico demais, e difícil de portar para todas as plataformas, entretanto, encontrei a implementação ECL (Embeddable Common Lisp) e com ele consegui usar o Common Lisp no Android, depois de muita luta para fazer tudo funcionar, conseguindo fazer o SDL2 funcionar após muito trabalho também, obtive meu primeiro triângulo vermelho na tela, o código para desenhar o triângulo é banal, mas o caminho até conseguir fazer isso utilizando o Common Lisp no Android não foi simples, gastei algumas semanas ou mais para entender como tudo funcionava, ainda mais que na época ainda estava com meu velho notebook, perdia de 1 hora a 2 horas por dia esperando seus travamentos, depois de um tempo aprendi a meditar aguardando ele voltar, não valia a pena ficar esperando ansioso.
Mas algo aconteceu, nem sei bem o que, meu emocional estava uma bagunça, vivia como num sonho, tudo muito embaçado, bebendo bastante na semana, mal com a vida e com tudo, mas todos os dias disciplinado no projeto, até que desisto dele e tenho uma nova ideia, não precisava de um aplicativo, agora precisava de um site, e como o medroso ou seila o que acontecia ali em minha mente, não fiz o site, comecei a criar uma ferramenta
"
nessa brincadeira, e a cada mês que passava eu não desistia, porque o mundo diz que você não pode desistir das coisas, e já havia desistido de tantas coisas, como de 3faculdades, de ser pintor duas vezes, do sintetizador, do baixo, dos sintetizadores, do violão, do canto, da escola, da vida, das pessoas, da literatura, do projeto anterior de programação, de tantos jogos que comecei e nunca terminei, de construir um autônomo artificial e tantas outras coisas que me frustrei durante a vida, não podia desistir da UmaUI, o nome do projeto, pois era uma UI para todas as plataformas, no segundo mês para android, Linux e Web apenas, no quarto mês apenas para Web, que foi quando se tornou a ferramenta de criar sites, e desisti das outras plataformas, mas tudo sendo produzido de uma maneira bem confusa e não muito clara, eu queria construir alguma coisa, mas estava construindo uma coisa para construir a coisa que queria construir, isso levaria anos, e estava infeliz, estressado, correndo contra o tempo, porque era muita coisa para fazer, quando me dei conta que estava reescrevendo as coisas do Javascript para Common Lisp, e após alguém, que não me lembro o nome, da sala do freenode (IRC) #lisp-br, me alertar que talvez eu tivesse caído na falácia Sunk Cost, de princípio neguei, tentei buscar importância para o que fazia, mas a mente foi pensado durante a semana, e merda, tinha caído na falácia dos custos irrecuperáveis! porque todos aqueles meses, sete, nove? seriam jogados fora, porque não levaria mais aquele projeto para frente, estava me matando, e queria viver, viver! E levei um pouco mais, cada vez mais menos tempo, comecei a criar o site da Quasebuda em Javascript puro, e percebi que sou muito mais rápido escrevendo diretamente do que tendo que lidar com diversos problemas que um ferramenta que traduz Javascript para Common Lisp e vice versa me trazia, apesar de toda a falta de organização que é a produção de uma aplicação web, sim todos esses sites e aplicativos que você usa em seu navegador, são um emaranhado de gambiarras, porque a Web não foi pensada, ela foi empurrada e continuará sendo empurrada com nossas barrigas (risos), mas sem reclamações, vem melhorando e muito, e uma dessas melhorias me permitiu escrever puramente em Javascript sem usar algum framework, eu já havia usado vários, e
VOCÊ IRÁ
QUERER
MANTER
ESSE
PROJETO OU
ALGUÉM IRÁ
MANTER
PARA VOCÊ?
e encontrei um jeito mais simples de programar web, me divirto mais, e tenho o resultado que quero. Mas voltando a UmaUI, continuei a levá-la para frente por mais um tempo, porque queria finalizá-la e escondê-la no limbo do Gitlab para nunca mais vê-la, mas não podia deixar com uma aparência de abandono, isso seria frustrante para a mente, então dei um jeito de finalizar ela, reduzindo o escopo o máximo que pude, até conseguir “finalizá-la”, não! sem aspas, finalizei! (risos), finalizei uma ferramenta que criava sites e aplicações web, consumia APIs REST, tinha listas TODO e boards, e vários outros componentes prontos e de fácil uso, que te permite escrever algo como mostrado na imagem lateral da página anterior.
Talvez fiz tudo isso pela beleza, queria um código bonito e fácil de manter, mas acabou que para isso criei uma ferramenta monstruosa, que seria um inferno de manter, e não estava disposto a mantê-la, e essa é a regra número um de qualquer projeto de programação: “Você irá querer manter isso ou alguém o manterá por você?”
Se a resposta é não, você não deve começá-lo, porque se começar terá grandes chances de ser infeliz. Então após abando…finalizar a UmaUI e trancafiá-la no Gitlab para não mais vê-la, a vida foi se desenrolando de uma maneira bem mais saudável e fluída, nesse tempo comecei também a meditar mais, o que me ajudou a tomar melhores decisões, e hoje estou consciente da importância de pensar um pouco mais antes de iniciar grandes projetos, aprendi que as coisas nunca serão perfeitas e do jeito que você quer, e que você não deve se apegar a isso, tudo irá ter um trade-off, é inevitável, se ganha aqui, perde ali, mas você tem que saber pesar as coisas para não cair nessas furadas e perder o tempo valioso de sua vida. Claro, digo perder, mas nada se perde totalmente, toda aquela experiência com o Common Lisp, escrevendo todas aquelas sei lá dez mil linha de código, estão aqui dentro, em minha bagagem, e isso será útil algum dia, mas se pudesse voltar ao passado e não ter começado aquele projeto, seria um alívio. Hoje em dia não ligo tanto mais para a beleza, quero as coisas prontas, não perfeitas, se preciso dar um CTRL+C CTRL+V de vez enquanto, ou mais do que de vez enquanto, e isso me é mais rápido que criar uma ferramenta para não fazer isso, escolho o CTRL, ou criar um script para automatizar isso para mim, mas fujo de
me deixa muito inquieto, me faz mal, gosto dessa parte visual, apesar de programar e gostar de escrever códigos, os códigos que escrevo no fim são para mostrar coisas na tela, e ficar meses, anos criando uma ferramenta para depois criar as coisas que criaram as coisas na tela, não é o melhor caminho a seguir.
Alerto a todos, cuidado com o projeto que iniciam, pense bem, medite, é isso mesmo que você quer para sua vida nos próximos meses? calcule o tempo, por mais errôneo que seja esse planejamento cronológico, o faça, e veja, estou disposto a gastar todo esse tempo nisso? algo hoje que penso, e me ajuda a tomar decisões, é, se fosse morrer agora, e pudesse escolher em que gastar meu tempo qual projeto escolheria? (aqui não vale outras coisas além dos projetos em mente, pois é claro se puder escolher ir para praia surfar, escolheria isso sem pensar, risos). Então vejo para onde realmente quero ir, faço umas medições de tempo, vejo se é isso mesmo que quero, medito, tento reduzir o escopo de grandes ideias, e vou em frente no que realmente irei gostar do processo, se você faz algo que não aprecia o processo, será doloroso. Até gostava do processo de programar em Lisp, mas se há algo te incomodando e trazendo alguma dor, não deixe para amanhã, não tenha medo de largar algo que te faz mal apenas porque você já gastou muito tempo de vida nisso, gastar ainda mais não é o caminho a seguir, e lembre que esse tempo não será recuperado, cada dia de sua vida é valioso, recomendo também que não largue de vez, vai fazendo o que realmente quer e se desapegando aos poucos, até aquilo não ter mais importância, assim sua mente não irá te apontar a frustração de largar algo que gastou tanto tempo de vida. Contudo, tenha equilíbrio, e saiba reconhecer quando caiu numa falácia dessa, não desista das coisas por preguiça, cada caso precisa ser analisado com cuidado, medite e tente esclarecer a mente e enxergar o caminho que quer seguir, se está muito longe dele, talvez seja mesmo o sinal que você tenha caído na falácia de danos irrecuperáveis, não se sinta mal por esse nome, ainda dá para recuperar os meses que virão, como recuperei, agradeço quem me alertou, e daqui em diante estou de olho para não cair, buscando entender o que quero criar antes de me envolver com projetos maiores.
PENSE BEM,
MEDITE, É
ISSO MESMO
QUE VOCÊ
QUER PARA
SUA VIDA,
NOS
PRÓXIMOS
MESES?
Estudo teatro, estudo 3D, estudo programação, estudo às vezes eletrônica, estudo música, estudo pintura, estudo a escrita, estudo a mente, e pensei essas coisas não devem ficar separadas, não vejo a tecnologia tão distante da arte, acredito que uma possa ajudar a outra, e a programação, a eletrônica, as técnicas do 3D, o teatro, a pintura, a escrita, todas essas coisas, são apenas ferramentas para que o artista possa criar.
Com essa confusão toda dentro de mim, senti a necessidade de começar a juntar esses assuntos, desejando vê-los todos numa só criação, pegando um pouco de um e dando para o outro, e vice-versa, hoje venho mostrar uma dessas tentativas de misturá-los, será o próximo projeto qual vou me dedicar, uma curtíssima animação em 3D, sobre um lagarto das Américas do sul e central, o lagarto Jesus-cristo, que sabe andar sobre as águas, se nunca o viu, recomendo vê-lo, há alguns vídeos no youtube, é algo admirável de se ver, tanto que me inspirou a querer criar um personagem, mas pensei, não vou já começar modelando ele, não, assim vai acabar saindo alguma réplica de uma foto ou um desenho com pouca carga emocional, me lembrei de um exercício do teatro que fiz no ano passado, onde escolhi um animal, um urubu, e tentei me tornar esse animal, adquirindo seu andar, seus gritos, seu olhar para o mundo, sua respiração, seus gestos, marcando essas pequenas ações em meu corpo, depois humanizando o animal, mantendo a essência do urubu, assim surgiu o personagem Manuel Urubu, que é um homem que trabalha no sinal imitando urubu, com esse exercício em mente, pensei fazer algo semelhante com o lagarto Jesus, antes de modelar e descobrir como animá-lo (será um desafio, faço uma leve ideia, animei um simples caminhar
tentar), porque após fazer o exercício de me transformar num lagarto, senti na pele seu corpo, seu olhar para o mundo, seu modo de ver as coisas, que mesmo que não seja 100% fiel ao animal, é mais sincero do que não fazê-lo.
Gosto de dividir os trabalhos em trabalhinhos menores, decidi primeiro gravar a transformação em animal, sem lidar com a voz, sem humanizá-lo, apenas sentir o lagarto na pele, depois já iniciar a modelagem buscando trazer essa carga para o personagem, qual é inevitável, depois que você se arrasta no chão e o sente com dedos de basilisco, você não irá modelar a mão dele do mesmo jeito que faria se não tivesse passado por essa experiência, você não irá criar o mesmo olhar depois que fica no chão olhando como lagarto, vejo o
teatro como uma ferramenta que ajudará a criar um modelo mais sincero, com uma personalidade mais forte, assim nessa primeira blocagem e modelagem, será o animal no cem por cento, ou quase cem por cento, não sei, não me apego muito, tenho que está aberto para o que vier, contudo, a ideia é não humanizá-lo ainda, depois fazer um novo exercício de teatro, humanizando o lagarto, e mantendo a essência de suas ações, como fiz no urubu, assim levar essa humanização para o modelo em 3D, nesse exercício pretendo já encontrar a voz do lagarto Jesus, pois nessa pequena animação desejo trazer sua voz, culpa de minha professora de teatro, que me incentivou a fazer a redublagens de pedaços de cenas, e acabei gostando, algo que me chama atenção desde novo, são aqueles personagens animados que cantam com todo ardor, quero trazer essa coisa para o lagarto Jesus, mas ainda é só uma epifania na mente, é preciso fazer, e ver o que vai sair.
wikipédia do basilisco para ter alguma referência mais recente de lagarto, escolhi fazer o exercício na praia, pois é onde estou no momento, caminhei até um lugar mais afastado, aproveitando o pique das caminhadas matinais de minha irmã, e também o tripé para colocar o celular dela, deixei a câmera apontada para a areia, pedi a ela para apertar o play, avisei a ela que me tornaria um lagarto, porque é melhor avisar essas coisas (risos), e fiquei lá como um lagarto ao sol, tentando caminhar como um, olhar como um, sentir o sol como um, respirar como um, pensar como um lagarto.
O resultado é esse que você já vem observando nas fotografias, o que mais me marcou foi suas mãos encostando na areia, seus dedos que são meio contorcidos, mas firmes, suas pernas soltas como que largadas para trás, seu olhar de despreocupação e ao mesmo tempo de caçador, sua pele que não reclama do sol, sua respiração que quase se paralisa, suas corridas até um alvo, e depois suas paradas em uma mesma posição alerta, sua maneira de manter a cabeça para frente e olhar para os lados, atento ao que está a seu redor, como para não deixar ninguém o capturar, sua maneira de esticar o corpo em direção ao céu, mostrando o peito ao mundo ao mesmo tempo mantendo-os protegidos com seus braços firmes que o sustenta, seu rabo que se arrasta no chão junto de suas pernas, a leveza de seu corpo em contraste da rigidez de seus dedos.
É diferente ver as marcas de pés e mãos deixadas na areia da praia registrando o trabalho, ao invés do chão rígido de uma sala, é uma experiência que recomendo a todo estudante de teatro físico, ou qualquer um que deseje fazer esse exercício.
Com esses pequenos detalhes agora marcados no corpo, partirei para o próximo passo, da modelagem 3D do animal, veremos o que sairá nas edições seguintes desta revista.
Estava empolgado de doer o estômago dentro daquele ônibus para Guarapari, um impulso no dia anterior foi o culpado de eu estar sentado naquele banco de ônibus, acordei às 5:29 quando o despertador tocou, cozinhei umas batatas doces para comer antes de ir, e logo já faziam 6:15, deveria andar até o ponto de ônibus a um quarteirão de casa, caminhei, apesar de ter dormido muito pouco, não estava sonolento, estava obcecado pelo rasgo da rotina que aquele impulso ocasionou, ia em Guarapari fazer uma compra, negociei ansiosamente no dia anterior um trompete velho com um morador de Santa Mônica, iria encontrá-lo na praia do morro no quiosque 6, onde o homem disse que trabalhava, ele fez questão de dizer que era homem e não furaria comigo; dentro daquele ônibus, nenhuma só vez me lembrei que eu não era um músico, e que não saberia tocar o trompete, também não recordei que nunca me dera bem com nenhum instrumento qual tentei até hoje, e tentei muitos, guitarra, violão, gaita, sintetizador, teclado, baixo, em todos eles eu cheguei em um ponto que não avançava mais, o conhecimento que tinha de música era “incompleto”, quando eu sentia a música querendo sair de dentro de mim, me faltava alguma coisa para conseguir passá-la ao instrumento, então tentava mesmo assim, e as notas se atropelavam, não tinha facilidade em me expressar com os instrumentos musicais, não sei bem qual foi o motivo de ter me levado a querer comprar um trompete, digo “querer comprar”, porque até no momento dentro do ônibus eu ainda não havia comprado o trompete, o cara que me venderia poderia não aparecer, ou então morrer no caminho para o quiosque 6, poderia esquecer de levar o trompete para o trabalho, apesar dele ter dito que estava o levando naquela manhã em uma mensagem de celular, mas poderia estar mentindo, esse era o tipo de pensamento que passava em minha cabeça incitada para encostar em um trompete, eu queria soprar tentando expressar o grito de dentro de mim e barrir como um elefante, um grande e gordo elefante lançando suas trombas para o oceano distante, vociferando com todo ódio que possa ter dentro de um elefante que perdeu seu filhote para um caçador humano de chapéu, a morte de seu filhote assistida passando em sua mente de elefante em um loop, sua raiva aumentando, e agora ele já blasfemava o criador com sua tromba apontada para o céu como uma arma, como a espingarda que viu matar seu filhote, e o barrir eram suas balas que atingem qualquer ser, qualquer coisa, qualquer entidade, qualquer divindade, qualquer porcaria que estivesse lá naquele céu, o elefante não se importava com o que tentava matar parado pisando forte na terra, ele precisava esgoelar-se, precisava mais do que o
que segurava os seus pés grandes e fortes de elefante.
Caminhei da ponte do centro de Guarapari até a praia do morro com meus pés de trompetista, sim eu já era um trompetista, sentia em mim a coisa, caminhava olhando para todas as pessoas que passavam, se me perguntassem o que eu fazia da vida certamente eu diria “sou um trompetista, tiro a coisa de dentro de mim ela querendo sair ou não”, as pessoas não entendendo possivelmente iriam tentar mudar de assunto, mas eu sabia do que estava falando, algumas delas também me alcançaria, Diogo, um trompetista! Eu caminhava com passadas firmes como a de um elefante, começou a chover, e não me importei, podia cair toda água do céu em mim, não me afastaria do trompete, estava quase lá, quiosque 5, começou a chover mais intenso, abri a mochila e desatei uma sombrinha preta e com um dos arames quebrado, depois quisque 8, não percebi passei pelo quiosque 6 sem perceber, perguntei o homem do quiosque 8 onde ficava o 6, só para ter certeza, é claro que ele ficava para trás e eu não havia notado, ele apontou para única posição lógica que o quiosque 6 poderia estar, esperava que fosse lá, logo atrás do quiosque 7, que era gêmeo siamês do quiosque 8, separado por um vão do calçadão sem quiosque, com um ou outro banco para os esportistas de praia descansarem, eu já utilizei muito aqueles bancos para descansar da vida bebendo uma garrafa de vinho barato e fumar alguns cigarros observando o mar balançar, isso na época que morei em Santa Mônica, a uns quatro anos atrás, é passado, não falarei disso aqui, continuei com meus passos leves e violentos por natureza de elefante, esmagando tudo que estivesse embaixo de minhas solas de borracha, calçava um chinelo, uma bermuda tactel e uma blusa desbotada de cor vermelha, prendia meu cabelo com uma buchinha laranja de trompetista.
Chegando no quiosque 6, vejo um rapaz sentado numa cadeira descascando cana, o analiso para ver se era o meu homem, mas não podia ser, era magro demais, tento falar algumas palavras com ele, mas saíram incompreensíveis, estava com uma sensação esquisita de que meu homem não estava naquele quiosque e que nunca trabalhou naquele estabelecimento, havia mentido para mim, não quis acreditar e perguntei ao que parecia o gerente ou dono do quiosque 6 se aproximando, não para falar comigo, mas para pegar alguma coisa no balcão, perguntou se ele era o Igor, responde que não, ele aparenta estar apressado e não me dá muita bola, pergunto se o Igor trabalhava ali, ele diz que nunca nenhum Igor trabalhou naquele lugar e sai acelerado para o outro lado do quiosque, fiquei parado pensando no que fazer por um tempo, mas ainda não acreditei, ele não podia fazer isso comigo, eu gastaria cinquenta reais com as passagens de ônibus para chegar no quiosque 6, não podia ir embora sem meu trompete, liguei para o Igor, ele logo atende, pergunta onde estou, informo que estou no quiosque 6 mas não o encontrei no local, ele diz que está a caminho, e pergunta de que cor é minha camisa, olho para ela, respondo “vermelha”, diz que está me vendo, tento também o ver, olho para todos os lados, até mesmo para dentro do quiosque 6,
a maneira que havia combinado no quiosque 6, dizendo que era onde trabalhava, me fez entender que ele trabalhava no quiosque 6, quase me fez um mal danado omitindo assim as coisas, mas eu estava sadio como um elefante, e não me deixei cair nessa, fiquei uns minutos o esperando, havia parado, segurava a sombrinha enrolada um tanto úmida em minha mão esquerda, cansei de olhar para rua e lojas procurando o lugar onde ele trabalhava, uma hora achei que era ele dentro de uma açaiteria que atravessava a rua, mas me enganei, mandei ele para o inferno, que demore quanto quiser, o sol forte queimava minha pele e eu me virei de costas para a avenida e fiquei observando as ondas esverdeadas estourarem, davam para surfar, e desejei estar dentro d'água, remando, deslizando naquela água que iria me tirar aquele calor comum do verão de Guarapari, essa cidade fazia tanto calor quanto Cachoeiro, apesar de ser uma cidade litorânea, talvez seja os prédios amontoados, esmagando todo ar daquele lugar, eu suava naquele sol, mas não procurei uma sombra, mesmo tendo a tapagem do quiosque a alguns metros de minhas pernas de trompetista, me virei para a rua novamente, e vi um rapaz com braços gorduchos e um andar que reconheci sendo de outro rapaz com a mesma estatura dele, uma barriga semi-grande apontada para frente como fosse seu cão guia, era ele, senti que era, e me aproximei mais, ele parou num carro e apertou um botão, abriu a porta e lá estava ele, estava seguro agora, ele havia lembrado, estava muito próximo de mim, ele abriu o case e mostrou que estava tudo dentro da maleta, um trompete, um tubinho de lubrificante e dois bocais, disse que tudo certo, nem quis testar ou checar o trompete, não precisava, estava tudo certo, não fui até outra cidade a toa, não daria para desistir depois de chegar até ali, passei as notas para ele, três onças e um peixinho, havia separado elas enquanto ligava para ele, fechou o carro e volto para dentro da construção de um prédio novo que estava sendo construído, era onde trabalhava, me entregou o trompete ainda com seu capacete de plástico na cabeça, não gostei daquilo, nenhuma reverência ao mais novo trompetista do Brasil, mas não me apeguei a sua falta de respeito, afinal ele que me vendera o trompete, por isso deixe passar; voltei caminhando, pretendia ir até a rodoviária com meu trompete dentro do case que eu segurava firme nas alças com meus dedos de trompetista; ia rápido como de costume, precisava chegar em segurança na rodoviária, não dava para correr o risco de roubarem meu trompete, esse medo me fazia aumentar sempre um quilômetro a mais na velocidade de minhas passadas.
Encontrava-me no ponto de ônibus em frente a faculdade Pitágoras, já havia passado os dois supermercados, qual um deles eu me lembrava que existia quando eu morei por lá, onde roubava chocolates, perguntei uma senhora se estava muito longe a rodoviária, ela disse dois ou três quilômetros, sem problema disse para mim, eu aguentaria, agradeci a ela e continuei minha caminhada carregando meu trompete com orgulho de ser um trompetista, “o que você tem aí dentro?”, “trompete amigo! um trompete!”,
estava escrito “rodoviária” ou “rodo-shopping”, a senhora afirmou com a cabeça que era meu ônibus, não hesitei, entrei nele com cuidado para meu case rachado e quebrado mostrando partes do isopor para o público, com cuidado para ele não bater nos metais sujos e grudentos daquele ônibus. -Quanto é a passagem? - Pergunto, havia anos que não entrava em um ônibus de linha daquela cidade, lembro que na época era 2:25, e os brasileiros lutavam para que voltasse a ser dois reais, pois naquele mesmo ano haviam aumentado 25 centavos.
- 3,15. - Dei uma tartaruga para ele e procurei umas moedas para completar, não tinha o bastante, então dei uma nota de dez, ele me devolveu a de dois reais e meu troco, levantei meu braço direito de trompetista que segurava o case para ele não esbarrar na roleta, e empurrei com meu corpo girando o metal, sentei no primeiro banco vago, em frente ao trono do cobrador.
-Ele entra na rodoviária?
-O último ponto dele é lá. - Tudo ia bem, iria chegar mais cedo na rodoviária, menos chance de perder a posse de meu trompete, que já sentia fazer parte de mim entre meu colo e o banco da janela, as pessoas me olhavam curiosas querendo saber o que eu carregava, mas deixei que lidasse com suas intromissões sozinhas, fiquei em silêncio até descer no ponto da rodoviária, onde havia vendedores ambulantes com mesinhas com garrafas de café, algo numa cesta para comer, comerciantes de rua vendendo doces industrializados, e um carrinho de pipoca salgada, não comprei nada, fui direto até o guichê tirar minha passagem para chegar em casa e poder soprar meu trompete, andei o mais rápido que pude para não perder qualquer suposto ônibus que aparecesse enquanto eu caminhava até o caixa das passagens.
O ônibus chegaria 10:30, e eram ainda nove e quarenta ou cinquenta, plataforma 18, estava escrito no bilhete, dava tempo de eu tirar o dinheiro que recebi de um serviço que havia feito de programação, mas primeiro precisava mijar, e paguei uma tartaruga para urinar naquele banheiro, fiz o que tinha que fazer, abaixei a tampa do vaso e me sentei, peguei meu tabaco e enrolei um cigarro, lavei as mãos e sai por uma roleta pensando como os seres humanos gostam dessa coisa de catraca, sai para fumar do lado de fora, um pouco a frente da mesinha com a garrafa de café, em frente ao ponto dos taxistas que faziam uma fila indiana, comportados esperando sua vez de pilotar, tragando resolvi abrir o case que estava encostado em meu pé esquerdo, abria e percebi que era o lado errado, o trompete poderia cair, não decidi levar a frente, fechei os trancos me sentindo estúpido por não saber o lado certo do case de meu trompete, “que trompetista é você em! não sabe nem abrir o case do lado certo!”, sorri ao me dizer isso, não estava na hora de vê-lo ainda, espere Diogo! está quase lá! fumei o cigarro até apagar e perguntei onde ficava o caixa eletrônico a um de dois cobradores que conversavam parados em pé, me disse que não havia caixas eletrônicos no shopping rodoviário, apenas no posto, e apontou para ele, olhei para a hora, ainda estava com tempo, fui em direção ao posto, passei por um chão de brita,
centenas de pedrinhas, pensei em jogar minha guimba de cigarro no chão, mas não consegui, fui até o lixo, estava tão próximo de mim, como um bom cidadão lancei a guimba apagada dentro do caixote quadrado da lixeira.
Tirei meus duzentos e cinquenta reais, eu havia gasto todo meu dinheiro no trompete, e estava liso até esse momento, agora tinha dinheiro novamente, e essas notas já tinham um desejo, um possível destino, mas não falarei sobre isso agora, guardei o dinheiro dobrado em minha carteira, sai pela porta de vidro que me lembrou uma catraca pois também era preciso empurrar com certa rigidez como os torniquetes dos ônibus, e retornei a rodoviária, voltei a conferir o bilhete, “plataforma 18”, procurei por ela e não existia, isso era normal, eu não me assustei, é comum o sistema ter números que no local não havia, acontecia muito em nosso estado, não me preocupei, sentei onde imaginei que o ônibus iria estacionar, e só imaginei porque antes havia visto um ônibus da mesma empresa sair daquele lugar, deixei a mochila em um banco ao meu lado, coloquei o case no meu colo e o abri, agora prestei atenção para abrir do lado correto como um trompetista de verdade, o trompete me encarou.
Nota:"Quiosque 6" é o primeiro capítulo do livro incompleto "Comprei um trompete" escrito em 2018 após um impulso que me levou a comprar um trompete. A Imagem é do segundo trompete que adquiri, ele está chorando, brinco dizendo que será, um dia, a capa do primeiro CD, qual irei gravar assim que meu trompete resolver tocar bem, não sei o que ele tem que... (risos).
Você está na calçada olhando um pouquinho
para cima, dentro do ônibus, pintura laranja,
janelas fechadas, ar-condicionado, uma placa na
calçada de costas roubando um pedaço da visão
da parte de sua traseira, todos os passageiros
sentados de máscara com os olhos abertos
mirando o banco adiante, algumas cortinas
cinzas escondendo a janela, seus rostos, suas
máscaras, menos um deles, na poltrona um
pouco depois do meio para frente do ônibus, com
a máscara tampando os olhos com a boca aberta
exposta, cabeça inclinada, máscara apontada
para o teto, respira em sono.
"Covid passa, o sono não"
Ainda não irei pintar, mas vocês podem!
Envie para a Quasebuda o quadro escrito acima pintado, ou esculpido, ou encenado ou qualquer outro caminho de
criação que escolha, sua arte irá aparecer aqui nesta seção no próximo volume.
Estou com medo de nada mais sair de mim, medo de eu estar perdendo o meu tempo em um caminho em que nada irá acontecer, medo de escolher entre as coisas, pessoas, entre a vida e a morte, medo de decidir, medo de meu devir, medo de me compreenderem mal, medo de compreender mal, medo de ter medo, medo, uma mente cheia de medo, e que só tem coragem quando o medo se repete a ponto de explodir em um impulso covarde e descontrolado encharcado de medo da vida, buscando a morte para se safar, medo da morte, exagerando na vida para eternizar, e de eterno é só o retorno, medo de não se lembrar, medo de relembrar, medo de faltar alguma ação, alguma fala, algum gesto, alguma intenção, medo de não dar tempo, e não dá tempo por que há medo, o retorno ao que está sendo usado, cigarro, álcool, cocaína, pensamentos, passado, futuro, ahh que bela vista, não?
Nota:Texto do passado, estava todo bagunçado emocionalmente, a partir de fevereiro de 2020, parei de beber, fumar, usar as demais substâncias, voltei com as práticas meditativas que abandonei aos 17 anos, e hoje posso me sentar em qualquer lugar e simplesmente ficar bem, a dor é inevitável e parte da experiência da vida, entretanto, agora aprendi a apaziguar a mente, e manter-me focado e entregue ao que crio. E com a revista Quasebuda busco compartilhar minha visão para evoluirmos juntos, sem miséria, sem vergonha do que já fomos, sem egoísmo. Afinal, como semelhantemente dito em uma das meditações, você só é o que é, porque foi o que foi.
Visite o nosso site:
quasebuda.com
No site Quasebuda estão todos os volumes desta revista, além do catálogo de livros de autores da Quasebuda Editora.
Nos siga nas redes socias. Sua participação é importante para o projeto Quasebuda continuar.
Faça uma doação pelo PayPal:
Consuma nosso conteúdo:
Interaja com a revista Quasebuda, estamos abertos a feedbacks, sugestões, a bater um papo no Discord. Escaneie o QR Code acima ou clique no ícone para fazer parte do nosso servidor.
Escaneie o QR Code ao lado ou clique no botão abaixo para fazer uma doação de qualquer valor utilizando o PayPal. Agradecemos sua colaboração e intenção em manter o projeto Quasebuda.