Opin iã o Pú blica M u n dia l:
For m a r ou M a n ipu la r
M ila n Ra dos Ra de n ov ic
Faculdade de Let r as da Univer sidade do Por t o
m r ados@let r as.up.pt
Re su m o
A com unicação à escala planet ár ia é hoj e um a r ealidade. A Com unicação Polít ica é a for m a encont r ada pelo Sist em a Polít ico par a, at r avés dos Meios de Com unicação de Massa, influenciar a Opinião Pública. O conceit o de “ Opinião Pública” é m uit o r ecent e, é indissociáv el dos m ét odos quant it at ivos – sondagens e inquér it os – que a pr ocur am m edir , t r açando conclusões que acabam por influenciar o poder polít ico. Est e t r abalho ex plor a a possibilidade da ex ist ência de um a Opinião Pública Mundial. Num m undo globalizado onde cada est ado t em um poder de influência dist int o, pr esum e- se que os Est ados m ais for t es t enham m ais capacidade de influenciar a opinião pública m undial. No ent ant o há um a sér ie de condicionalism os cognit iv os e polít icos que int er fer em nest e pr ocesso de com unicação. Est e t r abalho debat e a ( in) exist ência de um a opinião pública m undial, bem com o as t ent at ivas dos est ados m ais for t es de dom inar a cir culação da infor m ação, v isando influenciar a opinião pública int er nacional.
Pa la vr a s- ch a ve :
Ciência Polít ica; Relações I nt er nacionais; Com unicação; Opinião Pública.
Abst r a ct
The globalizat ion of m ass m edia com m unicat ion is now a r ealit y . Polit ical Com m unicat ion t hr ough t he Media is t he m edium t hr ough w hich t he Polit ical Sy st em influences Public Opinion.
The “ Public Opinion” concept ualizat ion it ’s quit e r ecent , and t r adit ionally has been em pir ically based on quant it at ive m et hods, polls, sur veys.
This ar t icle explor es t he possibilit y of t he ex ist ence of a Wor ldw ide Public Opinion. I n a Globalized Wor ld, w her e each st at e has a dist inct pow er of influence, w e pr esum e t hat t he st r ongest st at es hav e m or e pow er t o influence t he Wor ldw ide Public Opinion. Nev er t heless, t her e ar e som e cognit iv e and polit ical condit ions t hat int er fer e in t his com m unicat ion process. This w or k debat es t he ( in) exist ence of an Wor ldw ide Public Opinion, as w ell as t he at t em pt s of t he st r ongest st at es in or der t o dom inat e t he cir culat ion of infor m at ion, aim ing t o influence t he Wor ldw ide Public Opinion.
Ke y w or ds:
Polit ical Science; I nt er nat ional Relat ions; Com m unicat ion; Public Opinion.
Par a poder exist ir um a ver dadeir a opinião pública m undial, é
indispensável a exist ência de m eios de com unicação que cheguem a
t odas as pessoas do planet a Ter r a. É ainda necessár io que t odas as
pessoas do m undo t enham livr e aceso à infor m ação at r avés de um
pr ocesso dem ocr át ico, bem com o a exist ência de capacidades
cognit ivas que perm it am r eceber e analisar a infor m ação… Dest as
pr é- condições pouca coisa exist e nest e m om ent o e por isso podem os
pública m undial. Mas, em cont r apar t ida, podem os falar de um a for t e
t ent at iva de dom ínio da com unicação por par t e dos act or es m ais
for t es da polít ica int er nacional.
O fenóm eno da com unicação ganhou r elevo dur ant e o século
XX, com o apar ecim ent o dos m eios t écnicos de t r ansm issão de
m assa. Tr at a- se t am bém de um novo fact o social que t em sido
evidenciado em sim ult âneo com o descobr im ent o e desenvolvim ent o
dos r efer idos m eios de com unicação de m assa. A saber ,
cr onologicam ent e: j or nal ( inicio de século XX) , r ádio ( anos t r int a) ,
t elevisão ( anos cinquent a) , infor m at ização ( anos set ent a) e
com unicação via sat élit e ( anos oit ent a) . Por isso a com unicação pode
ent ender - se, em t er m os m ais alar gados, com o a t r ansm issão ou
difusão de infor m ações dest inadas a um público am plo e ident ificado.
Aliás, aspir a- se conseguir o m aior núm er o possível de dest inat ár ios
ut ilizando m eios com a m aior capacidade de t r ansm issão. Os dit os
m eios de com unicação adquir ir am t al r elevância que Marshall
McLuhan ( 1962, 1964) chegou m esm o a afir m ar que: " a m ensagem é
o m eio" e " o m undo é um a aldeia m undial" .
Na segunda m et ade de século XX, sobr et udo dur ant e e depois
da Segunda Guer r a Mundial, efect uar am - se m uit os est udos sobr e
com unicação. For am definidos quat r o elem ent os essenciais: em issor ,
r ecept or , canal de t r ansm issão e o código de m ensagem . Os est udos
sobr e o e m issor ( font e da infor m ação) ainda est ão pouco
desenvolvidos. As quest ões m ais int eressant es levant adas sobr e est e
t em a cent r am - se na act ividade dos ór gãos da com unicação, públicos
ou pr ivados, sobr e o funcionam ent o da colect ividade dos ór gãos
com o são as r edacções ou at é os j or nalist as individualm ent e. Um dos
t em as " quent es" é o financiam ent o dos ór gãos da com unicação
social, indicando- se a sit uação de " ser vidão" dos j or nalist as nos
est udos sobr e a m e n sa ge m , ut ilizando- se m ét odos quant it at ivos e
qualit at ivos par a a análise do seu cont eúdo. Vale a pena dest acar os
bons r esult ados da sem iót ica com o um a nova for m a de análise de
cont eúdo. Sobr e o r e ce pt or ( público) , t am bém exist e m uit a
invest igação. O pont o cent ral nessa pesquisa é a const r ução de
t ipologias de audiência e nest e cam inho dest aca- se a t ent at iva de
const r uir um " publico m édio" . Sobr e o ca n a l de t r a n sm issã o ( m eios
de com unicação) exist e um a vast a lit er at ur a.
Aliás, o int er esse sobr e os m eios de com unicação foi
evidenciado j á na Ant iga Gr écia quando os sofist as pr ocur ar am
descobr ir os m ecanism os r esponsáveis pelo pr ocesso de influência e
per suasão na sociedade. Todos os novos m eios de com unicação
t iver am consequências na colect ividade; m as o apar ecim ent o e
difusão da t elevisão levant ou par t icular m ent e a quest ão da influência
que os ór gãos de com unicação de m assa exer cem na sociedade. A
quest ão é cont r over sa. Na década de t r int a do século passado
consider ava- se que a influência dos ór gãos da com unicação é
decisiva, por exem plo, no com por t am ent o polít ico. No cent r o dest e
pensam ent o est ava a ideia de que a m assa hum ana é quem r ecebe a
m ensagem e, pela nat ur eza das coisas, essa " m assa" é influenciada.
No ent ant o, segundo out r as invest igações, as pessoas são
individualidades e por isso deviam ser t om ados em cont a m uit os
fact or es com o a exposição ao m eio, o cont eúdo da m ensagem , as
pr edisposições individuais, et c. Com o ver ificar am Kat z e Lazar sfeld
( 1979) , a m ensagem não incide sobr e " t ábua r asa" , m as sim sobr e
indivíduos que t êm as suas car act er íst icas específicas que, por seu
t ur no, m odulam a possibilidade de influência. Lazar sfeld, Ber elson e
Gaudet ( 1944) fizer am a sua exem plar invest igação analisando com o
os ór gãos de com unicação social influenciar am os vot ant es num a
localidade do Est ado nor t e- am ericano de Ohio. Os r esult ados
gr upo social e que a influência dos j or nais na vot ação er a secundár ia.
A invest igação em pír ica dos t r ês aut or es r evelou que não se pode
pr ever a int enção de vot o sem se t er em cont a o am bient e social
onde est á inser ida a pessoa, bem com o car áct er das r elações int er
-pessoais dos indivíduos.
A par t ir dest as pr em issas desenvolver am - se num er osas t eor ias
sobr e a com unicação. Vam os evidenciar som ent e as duas m ais
div ulgadas.
A t e or ia de du plo flu x o indica que os ór gãos de com unicação
at ingem som ent e as pessoas m ais sensíveis e essas pessoas depois
influenciam o r est o dos cidadãos. Foi a t elevisão que aum ent ou a
capacidade dessa " influência indir ect a" . Nessa pesquisa é t am bém
dest acado m ais um elem ent o im por t ant e que lim it a a influência dos
ór gãos da com unicação, o fenóm eno cognit ivo. Um a out r a
per spect iva, a t e or ia de a ge n da , indica que ór gãos de com unicação
influenciam de m aneir a det er m inant e t em as que se vão discut ir na
sociedade e, igualm ent e, influenciam a for m a com o est es t em as são
per cebidos e consider ados pelas pessoas. Nas suas suposições, os
par t idár ios dest a cor r ent e indicam que m uit as coisas se passam no
m undo, m as nem t odas chegam aos ór gãos de com unicação, e
consequent em ent e ao público. Enfim , um a pessoa não pode escolher ,
a t elevisão j á escolheu por ela. Da m esm a for m a, difer ent es ór gãos
de com unicação t r at am o m esm o assunt o de m aneir a m uit o
sem elhant e e por isso ocor r e a ilusão que há unanim idade sobr e a
r epr esent ação da r ealidade.
Nest e m om ent o, as car act eríst icas pr incipais da com unicação
est ão ligadas a um a enor m e e x t e n sã o da com unicação gr aças às
novas t ecnologias, sobr et udo devido ao com put ador e ao sat élit e. Ao
m esm o t em po ocor r eu o aum ent o da com ple x ida de da infor m ação,
apar ecendo a im agem com o m eio cent r al. Out r a car act er íst ica
ninguém quer r epr oduzir a r ealidade, apesar do gr ande público ainda
pensar que a r epr odução da r ealidade é a essência da com unicação
social.
Obj ect ividade ( bem com o isenção ou im par cialidade) , é
sim plesm ent e um m it o pr oduzido par a o gr ande público. A
obj ect ividade agor a é ent endida com o cont r olo da subj ect ividade
individual, no m om ent o em que um j or nalist a pr epar a a infor m ação.
Nest e âm bit o, aum ent a a discussão sobr e a m anipulação da opinião
pública. Confr ont am - se dois conceit os: opin iã o pú blica e e spa ço
pú blico. Ut ilizando a t er m inologia da Ciência Polít ica, confr ont am - se
" dem ocr acia de cont r olo" e " dem ocr acia de part icipação" . As
sondagens de opinião proj ect ar am - se com o pont o cr ucial da
invest igação sobr e a opinião pública; aliás, pode m esm o dizer - se que
se t r ansfor m ar am cada vez m ais num a legit im ação de t odas as
decisões do gover no da sociedade. Já nenhum polít ico se at r eve a
t om ar um a decisão se a sondagem não for favor ável a essa m esm a
decisão. Realm ent e, as sondagens podem indicar um a " opinião
m édia" , m as nunca um a " ver dadeir a opinião pública" . A v er dadeir a
opinião pública pode ser pr oduzida som ent e num a discussão t ipo " pr ó
e cont r a" . Essa discussão t ipo " pr ó e cont r a" é designada com o
e spa ço pú blico.
Com u n ica çã o polít ica e opin iã o p ú blica
Tr at ando- se no nosso t r abalho da opinião pública m undial, é
necessár io abor dar m os m ais um conceit o, que é o de com u n ica çã o
polít ica . Est a é definida com o o conj unt o de m ensagens que cir culam
dent r o de um sist em a polít ico, concebido com o o " sist em a ner voso"
de t oda a unidade polít ica. Um a das quest ões cent r ais de
invest igação sobr e a com unicação polít ica é o acesso desigual aos
dent r o de diver sos gr upos or ganizados. Segundo Richar d Fagen
( 1966) , as difer enças m ais im por t ant es nos fluxos de com unicação
est ão ligadas com o t ipo de r egim e polít ico.
Nos r egim es dem ocr át icos há um fluxo const ant e ent r e as elit es
e a opinião pública, por out r as palavr as, acont ece um fluxo da elit e
par a as m assas e vice- ver sa das m assas par a as elit es. Nos r egim es
aut or it ár ios, o gover no em it e par a a elit e e par a as m assas, m as não
exist e com unicação das m assas par a a elit e. Nos r egim es t ot alit ár ios
o fluxo é som ent e num a dir ecção: do gover no par a as m assas,
at r avés da pr opaganda, par a obt er o m áxim o apoio popular par a o
gover no aut or it ár io.
Um int er esse par t icular da com unicação polít ica encont r a- se na
for m a çã o da opin iã o pú b lica e a sua m a n ipu la çã o ao ser viço de
gr upos pr ivilegiados que por essa via assegur am o dom ínio da
sociedade. Um t r abalho t eór ico sobre est e t em a foi desenvolvido por
Mueller ( 1973) . A sua ideia essencial é que as difer enças na
sociedade são causadas pelo desenvolvim ent o dos sist em as
linguíst icos e pela capacidade cognit iva dos gr upos sociais. Por isso a
m anipulação é cent r alizada nas m ensagens polít icas, por que nas
sociedades indust r ializadas e desenvolvidas exist em for t es
desigualdades ent r e gr upos pr ivilegiados e gr upos sem acesso à
educação e inst r ução. Mueller indica t r ês t ipos de dist or ção da
com unicação: com unicação dir ect am ent e m anipulada ( car act er íst ica
dos r egim es t ot alit ár ios) , com unicação polít ica bloqueada ( num a
sociedade onde exist e est r at ificação de classes) e com unicação
m anipulada indir ect am ent e ( feit a pelo gover no e pelos gr upos
pr ivilegiados que cont r olam a com unicação) .
O conceit o de opin iã o pú blica foi elabor ado e desenvolv ido na
segunda m et ade do século XX. Aliás na linguagem polít ica est e
conceit o apar eceu j á nos anos 30, em bor a sem um a definição
fenóm eno. Tr abalhos clássicos sobr e est e t em a são os de Lazar sfeld,
Ber elson e Gaudet ( 1944) e Ber elson, Lazar sfeld e Mcphee ( 1954) .
Segundo est es aut or es, a opinião pública exist e desde o m om ent o em
que se dist inguiu clar am ent e a sociedade civil e o Est ado, ist o é, a
par t ir da int r odução de um r egim e liber al no Est ado m oder no.
Segundo est es aut or es, par a poder haver opinião pública é necessár ia
a exist ência dos cent r os da sua for m ação, t am bém livr es de opinar .
Est es cent r os são: j or nais e r evist as, r ádios e t elevisões, clubes e
salões, par t idos e associações, et c. Not e- se que t oda um a cor r ent e
int elect ual se baseou no idealism o m or al de Kant , segundo a qual a
m áxim a expr essão da opinião pública é o par lam ent o, e, é evident e,
t r at a- se de um par lam ent o incor r upt ível que r epr esent a a sociedade
civil.
Enfim , evidenciou- se um público de indivíduos associados
t am bém int er essados em cont r olar a polít ica do gover no. A opinião
pública foi concebida, por isso, com o um a lut a cont r a o " segr edo de
Est ado" , cont r a a censur a e a favor da m áxim a publicidade dos act os
de gover no. Na cont inuação dest e pensam ent o, na década de 60 do
século XX, apar ecer am m uit as definições que cor r elacionavam o
conceit o de opinião pública com o núm er o elevado de pessoas que
expr essam a sua opinião. Nos est udos m ais r ecent es est e fenóm eno é
ligado ao de dem ocr acia r epr esent at iva. Foi Blanch ( 1988) que falou
sobr e a em er gência da opinião pública que foi per cebida com o a
ent r onização da " vox populi" , const it uída num " par lam ent o invisível"
e num a espécie de " quar t o poder " . Disse Blanch que a opinião pública
é: " dim ensão lat ent e e subst r at o pr ofundo da dem ocr acia r eal"
( 1988, p.255) .
Enfim , nasceu o m it o da opin iã o p ú blica : a opinião pública
devia cont r olar o gover no defendendo os int er esses da m aior ia da
população. No ent ant o, logo apar ecer am out r as v ozes e
que a opinião pública é for m ada por j uízos individuais sobr e
int er esses com uns e, com o a sociedade civil é t ot alm ent e
desor ganizada, est es j uízos pessoais nunca poder ão at ingir o nível de
ciência. Por isso, conclui Hegel, a opinião pública é cor r upt a.
Sim ilar m ent e, os m ar xist as designam a opinião pública com o falsa,
pr oduzida pela bur guesia par a pr eser var as suas posições
pr ivilegiadas na sociedade. Tam bém os sociólogos t r adicionais
com eçar am a t em er que a opinião pública não fosse inocent e, nem
incor r upt ível.
John St uar t Mill e Alexis Tocqueville ( Sabucedo, 1996)
consider am que os m eios de com unicação exer cem um a pr essão
psicológica sobr e a sociedade ( " sobre a alm a das pessoas" ) , e par a o
povo r est am apenas dois com por t am ent os: confor m ism o ou
m ar ginalização. I m pede- se o livr e desenvolvim ent o da sociedade; a
r azão t em de ser pr át ica, anulando a univer salidade de pensam ent o;
a " indúst ria cult ur al" t r ansfor m a t udo, inclusive cr iações int elect uais,
em m er cador ia, et c.
Par a além disso, a opinião pública m udou dos salões, onde se
desenvolvia um a act ividade int er act iva, par a a t elevisão onde a
com unicação é efect uada num a dir ecção só. Sim ult aneam ent e, os
ór gãos de com unicação de m assa são hoj e em pr esas com er ciais
t endo obj ect ivos económ icos e lucrat ivos e não infor m at ivos. O m it o
da opinião pública incor r upt ível t am bém est á a dest r uir as
associações de cidadãos, nom eadam ent e par t idos polít icos, que são
dir igidos pelas oligar quias im pondo a sua opinião ao r est o da
sociedade. At é os espaços públicos são dir igidos pela bur ocr acia que
igualm ent e gover na a sociedade. Concluindo, a opinião pública e a
classe polít ica dir igent e est ão a confundir - se, t r ansfor m ando- se num a
classe dir igent e que t em um a enor m e capacidade de m anipular a
É pr eciso sublinhar que a opinião pública é " pública" e é
" opinião" . O adj ect ivo " pública" indica essa qualidade em duplo
sent ido: na sua for m ação ( a opinião pública não é pr ivada) e no seu
obj ect o ( a opinião pública fala sobr e um a coisa pública) . A opinião
t am bém não é t ão exact a com o é, por exem plo, um a afirm ação
cient ífica. Com o a opinião pública não é um a ver dade é sem pr e
discut ível, o seu cont eúdo m uda com o t em po, per m it indo t am bém a
discor dância, et c. A opinião pública ver dadeir a for m a- se e for t
alece-se num debat e aber t o e assim expr essa um a at it ude r acional, cr ít ica
e bem infor m ada, cont inuando um fenóm eno m uit o pr esent e e m uit o
im por t ant e na sociedade.
Há m uit o t em po que se desenvolver am m ét odos cient íficos que
conseguem m edir a opinião pública. Um a sim ples oper ação est at íst ica
ligada à lei de cor r elação ent r e núm ero pequeno e núm er o gr ande foi
aplicada par a obt er o " pensam ent o" da m aior ia das pessoas. O
I nst it ut o Gallup, fundado em 1935, com eçou a m edir a opinião
pública, no início no âm bit o do m ar ket ing económ ico, m as logo for am
desenvolvidas t écnicas aplicáveis na área do m ar ket ing polít ico. As
sondagens m ost r ar am vár ias vant agens, m as cont inuam a apr esent ar
m uit os e delicados pr oblem as. Enquant o a quest ão da am ost r a j á
est á bem for m ulada, cont inua o pr oblem a da " t r ucagem " , ist o é, as
r espost as obt idas de inquir idos cor r espondem às ideias que cir culam
no seu est at ut o social e não ser ão sincer as, nem exact as. Out r a
" t r ucagem " é a sit uação em que a pr ópr ia per gunt a induz em er r o…
Apesar disso, a alt a possibilidade de se obt er em bons r esult ados
sobr e a opinião pública t r ansfor m ou as sondagens num elem ent o
indispensável de com unicação polít ica.
Não exist e um a única definição de opinião pública,
sim plesm ent e por que há m uit as e difer ent es opiniões sobr e est a
m at ér ia. Não há espaço, nest e t r abalho, par a elabor ar as num er osas
concor dância ent re invest igador es. Há unanim idade à volt a da
exist ência da " t r ilogia" da opinião pública, for m ada pelo su j e it o ( no
caso do nosso t rabalho t r at a- se do público m undial) , obj e ct o
( polít ica int er nacional) e â m bit o ( sist em a polít ico int er nacional) .
Polít ica I n t e r n a cion a l, obj e ct o da opin iã o pú blica m u n dia l
I niciam os a nossa apr esent ação pelo obj ect o da opinião pública
m undial que designam os de polít ica in t e r n a cion a l. Est e t em a é
est udado por um a disciplina r ecent e, desenvolvida nos est udos
sociológicos, nom eadam ent e no âm bit o da Ciência Polit ica, com
clar as t endências de m ult idisciplinar idade.
Est e conj unt o de invest igações denom ina- se Ciência das
Relações I nt er nacionais e apareceu com a necessidade de se
explicar em fenóm enos m undiais que ocor r er am na hist ór ia
cont em por ânea. Por exem plo, um fenóm eno m undial, a Pr im eir a
Guerra Mundial, necessit av a de um novo t ipo de explicação. As
disciplinas t r adicionais com o hist ór ia, econom ia ou direit o j á não
podiam dar r espost as sat isfat ór ias e por isso ocor r eu est e est udo
int er disciplinar par a poder r esponder às quest ões cada vez m ais
com plexas da sociedade int ernacional.
De r efer ir que Adr iano Mor eira ( 2002) fala de " lei de
com plexidade cr escent e" das r elações int er nacionais. O pont o inicial
dest as invest igações foi a definição da especificidade do fenóm eno
das r elações int er nacionais. Nesse pont o foi for m ulada a ideia
fundam ent al de dicot om ia ent r e " sober ania est at al" e " anar quia
int er nacional" . A sociedade no int er ior do Est ado é or ganizada por leis
e execut ada pelas inst it uições desenvolvidas e capazes de aplicar
essas leis. Na sociedade int er nacional as leis r egulam apenas
par cialm ent e as r elações ent re Est ados e or ganizações int er nacionais,
capacidade de im por as leis int er nacionais e neut r alizar a sober ania
dos Est ados.
São desenvolvidas duas t eor ias básicas sobr e r elações
int er nacionais. Um a é designada clá ssica , r e a list a , r a z ã o do
Est a do, m a qu ia v e list a … Est a indica que os Est ados são únicos
ver dadeir os act or es das r elações int er nacionais. Consider am
igualm ent e que as r elações int er nacionais se encont r am no " est ado
da nat ur eza" , par a ut ilizar a fam osa expr essão de Thom as Hobbes.
I st o significa que t odos os Est ados lut am ent r e si pela sobr evivência,
par a r ealizar o seu int er esse nacional, m axim izar os seus ganhos
per ant e out r os act or es das r elações int er nacionais. O conceit o de
int er esse nacional inclui t rês elem ent os fundam ent ais: defesa da
int egr idade t er r it or ial, independência polít ica e aum ent o do nível de
vida da população.
Est es int er esses são per m anent es e por isso os Est ados lut am
ent r e si sem cessar . A única m aneira de conseguir a paz é alcançar a
ausência de guer r a at r avés do equilíbr io ent r e as pr incipias pot ências
do m undo. Os t eór icos m ais conhecidos são o nor t e- am er icano Hans
Mor gent hau e o fr ancês Raym ond Ar on. Mor gent hau é o aut or do livr o
" Polit ics am ong Nat ions. The St r uggle for Pow er and Peace" e
fundador da escola de " pow er polit ics" . Muit os for am os seguidor es da
sua cor r ent e sobr et udo no espaço anglo- saxónico, inclusive polít icos
desde Henr y Kissinger at é Condoleezza Rice. Na Europa, o m ais
conhecido " r ealist a" é Raym ond Ar on, filosofo e sociólogo fr ancês,
que desenvolveu a sua t eor ia " diplom át ico- est r at égica" apr esent ada
no livr o " Guer r a e Paz ent r e Nações" .
A out r a t eor ia é designada de ide a list a ou t r a n sn a cion a l.
Est a indica que o Est ado est á a per der as suas funções t r adicionais
t r ansfer indo est as suas r esponsabilidades par a or ganizações
int er nacionais. Um exem plo: a lar ga m aior ia dos Est ados do m undo
e independência polít ica necessit a de t r ansfer ir essa com pet ência
par a um a or ganização int er nacional.
Só par a confir m ar : Por t ugal, não t endo a possibilidade de se
defender cont r a um at aque nuclear , est á por isso inser ido na OTAN
que lhe gar ant e essa defesa. Out r o int er esse nacional per m anent e, o
aum ent o de bem - est ar , j á não é possível de r ealizar dent r o das
fr ont eir as nacionais.
A int er dependência económ ica obr iga os Est ados a t r ansfer ir
m uit as com pet ências par a or ganizações int er nacionais. Out r a vez o
exem plo de Por t ugal, que é " obr igado" a par t icipar na União Eur opeia
par a r esolver os seus pr oblem as económ icos. Est as t r ansfer ências
sucessivas das com pet ências dos Est ados, indicam os idealist as, vão
acabar por cr iar um sist em a de organizações int er nacionais que se
t r ansfor m ar á num gover no global. Os adept os dest a cor r ent e pensam
que o desenvolv im ent o da hum anidade acabará num a " paz
per pét ua" , par a ut ilizar m os a ideia de Em anuel Kant . Nas últ im as
décadas apar ecer am num erosos invest igador es desenvolvendo novas
t eor ias " t r ansnacionais" at r avés da obser vação do pr ocesso de
int egr ação r ealizado no âm bit o das com unidades eur opeias, act ual
União Eur opeia.
Par a descr ever o obj ect o da opinião pública m undial, par t im os
do pont o que consider a que a polít ica é a or ganização e o com ando
da sociedade r ealizados at r avés de um a r elação onde um m anda e
out r o obedece. Essa r elação é designada de " poder " . Diz- se que
aquele que t em capacidade de m andar ( im por , influenciar ,
convencer ) t em poder . Daí que o est udo da polít ica int er nacional
t ende a esclar ecer quem consegue, e com o, a obediência dos act or es
das r elações int er nacionais. A polít ica int er nacional, ent ão, ent
ende-se com o a act ividade or ganizada de um act or das r elações
int er nacionais par a m axim izar os seus obj ect ivos ut ilizando os m eios
elem ent os cent r ais da polít ica int er nacional: obj ect ivos, m eios,
pr ocesso de t om ada de decisão e act or es da polít ica int er nacional
( Rados, 2003) .
Os obj e ct iv os são ent endidos com o a expr essão de um a fut ur a
sit uação ou a r ealização do desej o de um act or da polít ica
int er nacional. Tr at ando- se sem pr e de um nív el psicológico, cada act or
com eça por definir a sua pr et ensão de m ant er ou alt er ar as r elações
int er nacionais exist ent es. For am feit as vár ias sist em at izações dos
obj ect ivos da polít ica int er nacional ut ilizando- se t am bém vár ios
cr it ér ios. Um exem plo. Segundo o cr it ér io da im por t ância dos
obj ect ivos, est es for am sist em at izados em pr im ár ios, secundár ios e
t er ciár ios. Com o os gener ais gost am de dizer : par a r ealizar obj ect ivos
pr im ár ios, m or r se, par a r ealizar obj ect ivos secundár ios, com bat
e-se, e par a r ealizar obj ect ivos t er ciár ios, negoceia- se.
Os m e ios da polít ica int er nacional são t odas as for ças de que
um act or dispõe. Essas for ças são habit ualm ent e sist em at izadas
segundo m at ér ias ( for ça económ ica, t ecnológica, m ilit ar ) e m or ais
( apoio que a população dá ao seu gov er no) . Mais fr equent em ent e, os
m eios são sist em at izados em quat r o gr upos.
O pr im eir o gr upo é const it uído pelos m eios polít icos,
habit ualm ent e denom inados pela diplom acia. Os gover nos, sobr et udo
at r avés do seu m inist r o dos negócios est r angeir os, negociam
per m anent em ent e com o obj ect ivo de m axim izar os seus int er esses.
O segundo gr upo é for m ado pelos m eios económ icos que um act or da
polít ica int er nacional ut iliza par a est im ular os Est ados am igos, ou
par a " cast igar " os Est ados adver sários. Num m undo de alt o gr au de
int er dependência económ ica, est e m eio é m uit o eficaz, ainda m ais
sabendo- se que at inge dir ect am ent e a população do adver sár io. O
t er ceir o m eio est á ligado ao fact or psicológico: t ent a- se at ingir o
" cor ação" da população do adver sár io. Ut ilizam - se nor m alm ent e dois
" pr opaganda" , apesar dos efeit os ser em iguais. Com os novos m eios
t ecnológicos, as possibilidades de influenciar a população adver sár ia
subir am de m aneir a ext r aor dinár ia. O quar t o gr upo dos m eios são as
for ças ar m adas. Est e m eio ut iliza- se nas r elações hum anas desde
t em pos pr im or diais e ainda não cessou… Hoj e a t ecnologia pr oduziu
m eios suficient es par a a dest r uição t ot al e im ediat a do m undo.
Mesm o assim , a guer r a cont inua a ser m uit o car a e m uit o insegur a
par a o at acant e, e por isso não se r ecor r e à guer r a sem ant es fazer
cer t as cont as.
O pr oce sso de t om a da de de cisã o é definido com o a
selecção de vár ios pr oj ect os em que um deles anuncia um a sit uação
fut ur a. Par a descobr ir quem e com o influencia a decisão de um act or
da polít ica int er nacional for am desenvolvidas vár ias t eor ias. Um a
delas, a t eor ia da elit e, indica que for t es gr upos de int er esses
( lobbies, por exem plo) conseguem influenciar decisivam ent e os
gover nos nacionais. Cham am os a at enção, por exem plo, par a o peso
que pode t er o lobby da indúst r ia do ar m am ent o na decisão de um
gover no nacional ev ocando pr oblem as sociais e económ icos com o são
a pr eser vação dos post os de t r abalho, a im por t ância das expor t ações,
a obt enção de lucr o, a r ecolha de im post os, et c. Tent am , igualm ent e,
definir - se as fases do pr ocesso de t om ada de decisão, dest acando
sem pr e que a influência est á ligada a fact or es m últ iplos. Os m ot ivos
par a a decisão da polít ica int er nacional podem chegar do ext er ior ( de
um Est ado r ival) , m as os for t es gr upos int er nos ( económ icos por
exem plo) podem t am bém influenciar essa decisão. As r espost as ao
desafio for m ulam - se num pr ocesso m uit o com plexo, m as sem pr e
r acional. Qualquer act or da polít ica int er nacional faz cálculos
m inuciosos e pr olongados, a elabor ação de um plano est r at égico de
um Est ado é um t r abalho longo e delicado.
Os a ct or e s da polít ica in t e r n a cion a l são dois: Est ados e
Pelo cont r ár io. Nest e m om ent o ( Mar ço 2006) exist em 191 Est ados
m em br os da ONU, m ais de 3 000 or ganizações int er nacionais
gov er nam ent ais, enquant o ninguém sabe quant as or ganizações
int er nacionais não- gover nam ent ais exist em ( m ais de 2 000 est ão
r egist ados com o cooper ant es da ONU) . Quer o Est ado, quer as
or ganizações int er nacionais t êm poder na cena int er nacional. A t ít ulo
de exem plo, podem os ver que é evident e que os EUA pr oduzem
efeit os fundam ent ais na polít ica int er nacional, ist o é, os Est ados são
em absolut o act or es da polít ica int er nacional. Tam bém não é difícil
concluir que ONU, OTAN, FMI , OMC … t êm poder na vida
int er nacional. Out r o caso é o das em pr esas m ult inacionais. Micr osoft ,
por exem plo, t êm a capacidade de influenciar a polít ica int er nacional
m uit o m ais que a m aior ia dos Est ados exist ent es.
Quem é que, ent ão, t em poder na polít ica int ernacional? Quem
é que for m a ou m anipula a opinião pública m undial?
Na polít ica int er nacional m andam os Est ados e as or ganizações
int er nacionais. Os act or es que t êm m ais m eios, um pr ocesso de
t om ada de decisão m elhor or ganizado e obj ect ivos clar am ent e
definidos são os que t êm m aior capacidade de influenciar a polít ica
int er nacional e for m ar a opinião pública. Depois da Queda do Mur o de
Ber lim , ist o é, depois de acabar a Guer r a Fria r est ou apenas um act or
no m undo, um Est ado, cuj a for ça se t or nou incom par ável. Tr at a- se
evident em ent e dos EUA. A sua for ça m ilit ar , económ ica, t ecnológica e
or ganizat iva apr esent ou- se com t odo o esplendor na Guer r a do Golfo
( 1990- 1991) . O seu pr est ígio polít ico aum ent ou ext r em am ent e depois
da der r ocada do pr oj ect o soviét ico. O pr ocesso dem ocr át ico super ou
clar am ent e out r os pr ocessos de t om ada de decisão. As ideias dos
gover nos dos EUA br ilharam na pr im eir a t elevisão m undial, a CNN. O
pr edom ínio e a hegem onia que os EUA t iver am em 1991 sobr e o
m undo nunca foi t ão evident e e de t ant o t am anho. Houve quem
dir igida pela pot ência dem ocr át ica e dem ocr at izador a, por t ador a da
pacificação do m undo ( Fukuyam a, 1999) . A nível m ilit ar , os EUA não
t êm r ival no m undo act ual, o que dem onst r ar am em t odas guer r as
depois da Queda do Mur o de Ber lim . Os EUA são capazes de defender
o seu int er esse nacional em qualquer pont o do m undo, com o dizia
Donald Rum sfeld, são capazes de ger ir duas guer r as sim ult âneas em
dois pont os dist int os do m undo. A nível económ ico, os EUA são hoj e
det ent or es de um quar t o de t oda a r iqueza m undial; são a m aior
pr aça financeir a do m undo; o m aior pr opr iet ár io no est r angeir o … A
econom ia nor t e- am er icana é car act er izada pela " nova econom ia"
assent e em novas t ecnologias de infor m ação e com unicação. Par a
além disso, os EUA r ealizar am o sonho de t er um m er cado m undial
de livr e- câm bio. Em 1995, ent r ou em vigor a Or ganização Mundial do
Com ér cio ( OMC) que pela pr im eir a vez na hist ór ia da hum anidade
r egula o com ér cio m undial, est abelecendo a zona m undial de
com ér cio livr e. Obviam ent e que vant agens t ecnológicas e financeir as
per m it em que os EUA lucr em m ais na dit a zona m undial de com ér cio
livr e. Algum as m ult inacionais nor t e- am er icanas são m ais par ecidas
com os im pér ios do século XI X, conseguem influenciar a polít ica
int er nacional m uit o m ais do que t odos os Est ados act ualm ent e
exist ent es. O Rendim ent o ou PI B per capit a é um dos indicador es
habit uais de r iqueza e for ça de um Est ado. Segundo o Relat ór io de
Desenvolvim ent o Hum ano da ONU de 2005, ( os dados são r efer ent es
ao ano de 2003) , a m édia do m undo do PI B per capit a foi de 5801
dólar es nor t e- am er icanos, quando o PI B per capit a dos EUA foi de
37562 dólar es, o do Br asil foi de 7790, a China alcançou 5003 e a
Í ndia 2.892 dólar es per capit a.
Bast avam só est es dados par a se chegar à conclusão que EUA
t êm a capacidade de influenciar decisivam ent e a opinião pública
m undial. Os EUA são a font e de infor m ação e vale a pena sublinhar
das decisões polít icas dos EUA. No que t oca à or dem infor m at iva, a
capacidade t ecnológica e financeir a per m it e aos EUA colocar no
m undo m ais infor m ações do que qualquer out r o act or . As
infor m ações são apr esent adas ao público m undial at r avés dos ór gãos
de com unicação de m assa, da pr odução de film es, da I nt er net … Os
m eios de com unicação de m assa nor t e- am er icanos são os m ais
sofist icados e m ais influent es no m undo. Não é difícil concluir que
capacidade dos EUA de pr om over os seus pont os de v ist a é enor m e e
não se esgot a nos m eios de com unicação social. Confer ências,
sem inár ios, bolsas de est udo par a est r angeir os, r euniões de cient ist as
… t udo ser ve par a pr om over a posição dos EUA. Quem t em for ça
m anda na polít ica int er nacional. Os EUA t êm for ça e m andam na
polít ica int er nacional, ist o é, os EUA são poder , for m am e m anipulam
opinião pública m undial.
Pú blico m u n dia l, su j e it o da opin iã o pú blica m u n dia l
Há dois possíveis ent endim ent os sobr e o que é o su j e it o da
opin iã o pú blica m u n dia l. Segundo os r ealist as, os suj eit os da
opinião pública m undial só podem ser as opiniões públicas dos
Est ados separ ados pelas bar r eiras polít icas, linguíst icas,
civilizacionais, cult ur ais, r eligiosas … Segundo os idealist as, est á a
for m ar - se um t ecido t r ansnacional de int er - ligações ent r e pessoas e
gr upos a nível m undial. Est e t ecido t r ansnacional est á a for m ar a
opinião pública m undial. Nós opt am os por consider ar am bos os
ent endim ent os. Os Est ados, com o com unidades polit icam ent e
or ganizadas, for m am de m aneir a subst ancial a opinião pública. Assim
exist e a opinião pública nor t e- am er icana, por t uguesa, alem ã,
chinesa, r ussa … Consider am os, por out r o lado, que o avanço
t ecnológico; o conhecim ent o ger al de línguas est rangeir as, sobr et udo
m undial com a dem ogr afia; a lut a pela paz; a pr oj ecção global dos
vár ios valor es polít icos…t udo isso per m it e falar sobr e a exist ência de
um a opinião pública m undial int er ligada, em bor a de um a m aneir a
ainda m uit o r eduzida.
Par a poder haver opinião pública m undial é necessár ia a
exist ência de condições pr évias. Cham am os a at enção par a t r ês pr
é-condições, a nosso v er as m ais im por t ant es: t écnicas, cognit ivas e
polít icas. Com o con diçõe s t é cn ica s ent endem os a capacidade de
t r ansm issão e r ecepção de m ensagens. Par a ilust r ar est a capacidade
ut ilizam os alguns dados divulgados pelo Banco Mundial e r efer ent es
ao ano de 2000 ( os m ais r ecent es que est ão à disposição na I nt er net )
e dados r evelados pelo Relat ór io do Desenvolvim ent o da ONU de
2005. Apr esent am os apenas os dados de alguns países que
pensam os ser em os m ais ilust r at ivos par a com pr eender a sit uação da
opinião pública m undial. Escolhem os apr esent ar os dados dos EUA,
com o líder do m undo ocident al, com a convicção que est es dados são
m uit o sem elhant es aos dos r est ant es Est ados do m undo
desenvolvido. Em seguida indicam os os dados par a a China, Í ndia e
Br asil com o os m aior es e m ais r epresent at ivos Est ados do m undo em
desenvolvim ent o. Refer im os ainda, sem pr e que exist am , os dados
das m édias do m undo int eiro.
Com eçam os por analisar a capacidade de t r ansm issão e
r ecepção t ecnológica m undial. I niciam os pelo m eio que capt a m aior
audiência, que é t am bém o m ais pr esent e e m ais influent e nos
t em pos act uais, a t elevisão. Segundo est at íst icas do Banco Mundial
no ano de 2000 havia nos EUA 835 t elevisor es por m il habit ant es. Na
China havia 304, na Í ndia 78 e no Br asil 343. No que t oca ao acesso
à t elevisão por cabo, em 2000, nos EUA havia 246 ligações, na China
61, na Í ndia 38 e no Br asil 14 por m il habit ant es. Os dados par a
r ecept or es de r ádio indicam que, em 1995, havia nos EUA 2099
Br asil 398 apar elhos de r ádio por m il habit ant es. No ano 2000
vendiam - se nos EUA 197 j or nais diários por m il habit ant es, na China
59, e no Br asil 46 diár ios por m il habit ant es ( as font es est at íst icas
r efer idas não t inham dados par a a Í ndia) . A sit uação com as linhas
fixas de t elefone por m il habit ant es em 2003 ( segundo o Relat ór io do
Desenvolvim ent o Hum ano da ONU) er a a seguint e: m édia m undial de
184, os EUA 624, no Br asil for am r egist ados 223, na China 209,
enquant o na Í ndia o núm er o foi de 46. Tr ansfer indo ist o par a
per cent agens: m enos de 19 por cent o das pessoas podem r eceber
m ensagens at r avés de t elefone fixo. Em r elação ao t elem óvel
ver ifica- se: a m édia m undial de 226 por m il habit ant es, nos EUA
havia 546, no Br asil 264, na China 215 e na Í ndia 25 t elem óveis por
m il habit ant es. Em t er m os r elat ivos, ist o significa que m enos de 23
por cent o das pessoas podem ser infor m adas at r avés do t elem óvel.
Segundo dados do Banco Mundial havia, em 2000, 315 com put adores
pessoais por m il habit ant es nos EUA, na China 16, na Í ndia 5 e no
Br asil 50. No que se r efer e aos ut ilizador es de I nt er net por m il
habit ant es, segundo o Relat ór io da ONU, em 2003, a m édia m undial
er a de 120, nos EUA 556, no Br asil 344, na China 63 e na Í ndia 17
assinant es da I nt er net .
Out r a pr é- condição par a haver opinião pública m undial é a
ca pa cida de cogn it iv a , ou sej a a capacidade int elect ual de
com pr eender a m ensagem . Par a poder r eceber a m aior ia das
m ensagens é necessár io, pelo m enos, saber ler e escr ever . Segundo
o r elat ór io da ONU, a t axa de alfabet ização de adult os no m undo, em
2003, er a de 50,2 por cent o. I st o é, m et ade da população adult a
m undial não pode r eceber qualquer infor m ação escr it a. É fácil
concluir que os analfabet os podem ser suj eit os da opinião pública de
m aneir a m uit o lim it ada. Da out r a m et ade da população, que sabe ler
e escr ever, per gunt am os: quant os t êm capacidade de com pr eender
ilet er acia est á a cr escer ( t am bém no m undo desenvolvido) , em
Por t ugal a per cent agem de pessoas nessas cir cunst âncias ( pessoas
que sabem ler , m as não com pr eendem o cont eúdo da m ensagem )
ult r apassa os 50 por cent o. Tam bém é fácil concluir que est as
pessoas cont r ibuem par a a opinião pública de m aneir a ext r em am ent e
r eduzida. A capacidade cognit iva em ger al ( conhecim ent os básicos,
m uit as vezes designados por cult ur a ger al) pode ser um a enor m e
bar r eir a par a r eceber infor m ação. Vár ias font es indicam que a língua
m ais falada no m undo é o chinês, seguido pelo hindu, espanhol e
inglês. Mas, a língua inglesa é consider ada a língua de com unicação
m undial. Um a vez que apenas 20 por cent o da população m undial
fala inglês, podem os concluir que não exist e um a ver dadeir a língua
m undial de com unicação. Par a além disso, há m uit as out r as
bar r eir as, pr econceit os civilizacionais, cult ur ais, r eligiosos, et c. que
im pedem a livr e cir culação da m ensagem . Enfim , o núm er o de
pessoas do m undo que pode r eceber ou com pr eender a m ensagem é
m uit o r eduzido.
A pr é - con diçã o polít ica par a que possa exist ir a ver dadeir a
opinião pública é a or ganização dem ocr át ica da sociedade.
Lem br am os que a opinião pública est á, desde sem pr e, ligada a um
sist em a polít ico dem ocr át ico, exist indo num sist em a aut or it ár io a
pr opaganda. Segundo o Relat ór io da ONU, a dem ocr acia est á a
ganhar t er r eno no m undo. Em 1990, evidenciou- se que 39 por cent o
dos Est ados t inham um r egim e que se podia consider ar dem ocr át ico,
m as em 2003 essa per cent agem subiu par a 55 por cent o. Por out r as
palavr as, um a par t e significat iva de população m undial ( t r at ando- se
sem pr e da m inor ia das pessoas) pode t er um a opinião pública, o
r est o t em pr opaganda dir igida por um sist em a aut or it ár io ( t r at
ando-se ando-sem pr e da m aior ia das pessoas) .
Lem br am os aqui que as sondagens de opinião pública são um
sondagens sobr e a opinião pública m undial no sent ido de m edir o que
pensam t odos os cidadãos do planet a Ter r a. As r azões são óbvias:
vivendo no m undo m ais de seis m il m ilhões de pessoas, est as
r epr esent am um a enor m e dim ensão e t ão diver sificadas que não é
possível fazer um a am ost r a com fidelidade r azoável. Tam bém a
diver sidade dos act or es da polít ica int er nacional não per m it e for m ar
um a am ost r a fiel. Vale a pena dest acar o esfor ço da União Eur opeia
que at r avés da um a sua inst it uição Eur ost at consegue m edir a
opinião pública num univer so act ual de 25 Est ados, const r uindo um a
am ost r a r epr esent at iva. Tr at a- se de um t r abalho de gr ande dispêndio
e j á com alguns lar gos anos de exper iência.
No ent ant o, ver ifica- se na últ im a década o nascim ent o de um a
" cidadania m undial" , ainda de m aneir a m uit o r eduzida, m as cada vez
m ais pr esent e na polít ica int er nacional ( Allem and e Bor balan, 2001) .
A m anifest ação dessa " cidadania m undial" são os m ov im ent os
m undiais de pr ot est o que se m anifest am per iodicam ent e por ocasião
das r euniões dos líder es polít icos m undiais. Por exem plo, t odas as
r euniões da OMC são acom panhadas por m anifest ações de pr ot est o
m uit o part icipadas. O conj unt o dos cidadãos em pr ot est o é diver so,
desde anar quist as, pacifist as, ecologist as, at é a m em br os do
m ovim ent o " out r a m undialização é possível" . O m eio essencial de
com unicação dest es m ovim ent os é a I nt er net , que per m it e pr om over
e defender ideias polít icas sem que isso pudesse ser cont r olado
eficazm ent e pelas aut or idades do Est ado. At r avés da I nt er net
nascer am vár ias associações m undiais, com o aquelas que querem
pr om over a infor m ação alt er nat iva confr ont ando- se com a infor m ação
Sist e m a polít ico in t e r n a cion a l, o â m bit o da opin iã o pú blica m u n dia l
O â m bit o da opin iã o pú blica é const it uído pelas dist int as
posições, debat es ou j uízos que os cidadãos r ealizam à volt a das
quest ões polít icas. Ent endem os que o âm bit o da opinião pública
m undial é o sist e m a in t e r n a cion a l. Par a explicar est e pont o
ut ilizam os as ideias de David East on ( 1953) com o pont o de par t ida.
Par a East on um sist em a polít ico é o conj unt o das inst it uições, r egr as
e valor es ligado à or ganização da sociedade. Na polít ica int er nacional
exist e hier ar quia ent r e act or es int er nacionais segundo o cr it ér io do
poder . Alguns Est ados, sem pr e m uit o poucos, dom inam o m undo e
por isso um sist em a int er nacional é sem pr e um sist em a oligár quico.
Est a desigualdade é const r uída com base nos r ecur sos nat ur ais, m as
t am bém , e m ais for t em ent e, pelo nível de desenvolvim ent o
económ ico, t ecnológico ou social. Um exem plo: o Br asil t em um
espaço físico enor m e, r iqueza nat ur al e num er osa população, m as
não é um a pot ência cent r al do sist em a int er nacional por que ainda
não at ingiu um desenvolvim ent o hum ano adequado. É habit ual
sist em at izar os Est ados em t r ês cat egor ias: gr andes, m édias e
pequenas pot ências. Pr ocur a- se definir os cr it ér ios par a a elabor ação
de um a sist em at ização m ais r igor osa da hier ar quia ent r e act or es
int er nacionais: dim ensão hum ana dos Est ados, dim ensão física,
r ecur sos nat ur ais, capacidade diplom át ico- est r at égica, pot ência
m ilit ar , r endim ent o por capit a … Cada época da hist ór ia t em um a
car act er íst ica par t icular da polít ica int er nacional. Por exem plo,
dur ant e a m aior par t e do século XI X funcionava um sist em a
m ult ipolar , r ealizado at r avés de " pent ar quia" , na qual o poder
int er nacional per t encia às cinco pot ências eur opeias: Reino Unido,
Pr ússia, Rússia, Áust r ia e Fr ança. No decor r er da segunda m et ade do
lider ado pelas duas super pot ências: os EUA e a URSS. Muit os
cient ist as t êm t rabalhado par a est abelecer um a t ipologia dos
sist em as int er nacionais. Um a das m ais conhecidas per t ence a Mor t on
Kaplan ( 1957) . Kaplan fez a sist em at ização em seis cat egor ias
ut ilizando basicam ent e dois cr it ér ios: hist ór ico e sist ém ico.
O pr im eir o t ipo do sist em a int er nacional de Kaplan é designado
com o o sist em a de vet o. Cada um dos pr incipais act or es t em a
capacidade de vet ar ( ut ilizar a “ chant agem ” ) par a conseguir os seus
obj ect ivos. O segundo, é um sist em a de equilibr o do poder que é
car act er izado pela exist ência de vár ios act or es cent r ais ( nor m alm ent e
um sist em a m ult ipolar ) . O m ais ideal dos sist em as m ult ipolar es é o
de cinco act or es. O exem plo hist ór ico é o r efer ido sist em a da
pent ar quia eur opeia do século XI X. O t er ceir o t ipo foi designando por
sist em a bipolar flexível, com post o por dois blocos, m as com
exist ência de vár ias for m as de cooper ação, confor m e as r elações
ent r e dois blocos. O quar t o t ipo é um sist em a bipolar r ígido onde
exist e um a t endência par a t r ansform ar as r elações num a sit uação de
divisão m uit o t ensa ent r e dois blocos. O quint o t ipo é o sist em a
univer sal, de fact o um sist em a confeder al. Est e sist em a car act er
iza-se pela gr ande hom ogeneidade polít ica de t odos os act or es. Nest e
sist em a exist e um só act or pr eponder ant e que é um a or ganização
int er nacional. Por exem plo, a evidência da exist ência da ONU com
papel cent r al na polít ica int er nacional. O sext o t ipo designado por
Kaplan é o sist em a hier ár quico que significa a exist ência de um
Est ado global, por out r as palavr as, um Est ado pr eponder ant e
expande- se à escala m undial.
Consider am os que o sist em a int er nacional act ual, desenvolvido
desde a Queda do Mur o de Berlim , t ende a ser um sist em a
hier ár quico. No sist em a int ernacional act ual os EUA dispõem de um a
for ça incom par ável com a dos out r os Est ado e, por t odos os m eios,
int er nacional. Os EUA est ão a prom over act ualm ent e dois valor es
essências: dem ocr acia e liber alism o. A dem ocr acia, com o for m a de
gover no, foi, dur ant e a segunda m et ade do século XX, cont r apost a à
for m a do gover no soviét ico que não sobr eviveu à pr ova da hist ór ia. O
segundo elem ent o, a nova int er pret ação do liberalism o
( neoliber alism o) , t em um a visão inovador a dos valor es cent r ais da
or ganização polít ica de sociedade. Tr at a- se do liberalism o
fundam ent alist a que est á a desr egulam ent ar a or ganização da
sociedade ocident al, pr et endendo pr oj ect ar essa r enovação a nível
m undial. A ant er ior or ganização da sociedade ocident al foi feit a
dur ant e décadas pela suprem acia da social- dem ocr acia da Eur opa
Ocident al. As r efor m as que est ão a decor r er no m undo ocident al
est ão a pr om over a pr ivat ização r adical, a dim inuição dr ást ica do
sect or público com o a segur ança social, educação, saúde … Em
alguns pont os, o gover no dos EUA de Geor ge Bush filho per filhou
ideias conser vador as com o é a nat ur al desigualdade ent r e as pessoas
e os Est ados segundo a sua capacidade de adapt ação às descober t as
t ecnológicas.
A par t ir dessa posição, o Ocident e, lider ado pelos EUA, abr iu
um a discussão m undial sobr e valor es polít icos fundam ent ais. O
Ocident e encont r ou, nessa discussão, m uit a e var iada r esist ência, em
que salt a à vist a o " fundam ent alism o islam ist a" . Par ece que se est á a
iniciar o t al " Choque de Civilizações" que pr eviu Hunt ingt on ( 1999) .
As inst it uições int er nacionais que deviam ser vir par a r esolver est e
" choque" não funcionam . A ONU foi m ar ginalizada e desacr edit ada, os
capacet es azuis quase não exist em , são subst it uídos pelas t r opas da
OTAN ( Bósnia, Kosovo, Afeganist ão) , ou pelas t ropas dos EUA e seus
apoiant es de ocasião ( I r aque) . A Acção do Tr ibunal I nt er nacional de
Just iça ( TI J) est á m uit o lim it ada; enquant o Tr ibunal I nt er nacional
Penal ( TI P) ent r ou em v igor sem a par t icipação dos EUA, pelo que se
do TI P com pr om et er am - se a não per seguir ou j ulgar cidadãos dos
EUA... Enfim , o gov er no m undial não exist e de for m a algum a. A
anar quia int er nacional cont inua t ão for t e com o sem pr e. Aut or it ar ism o
e im posição da vont ade r einam na polít ica int er nacional.
A m anipulação da opinião pública faz- se por m uit as for m as,
m as um a est á à vist a diar iam ent e. Tr at a- se da expr essão
com u n id a de in t e r n a cion a l. O t er m o com unidade int er nacional
significa que exist e um a com par t ilha efect iva de valor es e obj ect ivos,
bem com o r egr as de or ganização r espeit adas por t odos os Est ados ou
t odas as pessoas no m undo. Acont ece que ist o é um a ilusão. Os
valor es polít icos da dem ocr acia são com par t ilhados por m enos de
m et ade da população, os valor es ideológicos do liber alism o são ainda
m enos com par t ilhados. Podem os adm it ir a ut ilização cor r ect a do
conceit o de " com unidade int er nacional" som ent e com o sinónim o da
ONU, e isso no caso das decisões t om adas pela Assem bleia Ger al. As
decisões t om adas pelo Conselho de Segur ança, sendo um a indicação
im por t ant e da exist ência da com unidade int er nacional, são adopt adas
por 15 Est ados, dos quais os cinco m ais for t es, m em br os
per m anent es, t êm dir eit o de vet o. No Conselho de Segurança vigor a
o pr incípio ar ist ocr át ico, cont r ár io à dem ocr acia liber al.
Na com unicação pr ovenient e do Ocident e a expr essão
" com unidade int er nacional" é ut ilizada com o pr opósit o de enganar o
público. Cit am os o exem plo da guer r a do I r aque ( 2003) no caso da
decisão da " com unidade int er nacional" de invadir o I r aque por casa
de " ar m as de dest r uição m aciça" . Nest e caso, a " com unidade
int er nacional" er a m uit o r eduzida: 33 Est ados aliados dos nor t
e-am er icanos. Se t ent ar m os ver ificar a opinião pública m undial baseada
no núm er o de pessoas, apur am os facilm ent e que a m aior ia dos
cidadãos for am cont r a a guer r a, inclusiv e cidadãos dos Est ados que
apoiar am a int er venção ar m ada dos EUA. I ndicam os só dois
cidadãos er am cont r a essa int er venção m ilit ar . Em Por t ugal, 60% dos
cidadãos er am cont r a, m as o chefe do gover no foi o anfit r ião da
" cim eir a da guer r a" r ealizada nos Açor es.
Con clu sã o
Concluindo, t odas as pessoas da Ter r a opinam sobr e o m undo
que os r odeia, e, sendo assim , podíam os concluir afir m at iv am ent e
que exist e um a opinião pública m undial. Mas, par a que pudesse
exist ir um a ver dadeir a opinião pública m undial é pr eciso sat isfazer
um conj unt o de pr é- condições t écnicas, polít icas e cognit ivas. No que
t oca às pr é- condições t ecnológicas, o único m eio global dem ocr át ico,
a I nt er net , t em capacidades r eduzidas de cr iar um a opinião pública
m undial. Lem br am os que em 2003 só 12 por cent o das pessoas t inha
acesso à I nt er net . As t elevisões de cober t ur a global são m anipulação
da opinião pública, um a pr om oção feit a do pont o de vist a dos seus
pr opr iet ár ios. No que t oca à pr é- condição polít ica, lem bram os que se
t r at a da exist ência de um r egim e polít ico dem ocr át ico, ver ifica- se que
est á m uit o longe de ser conseguida, sobr et udo no que se r efer e ao
núm er o de cidadãos suj eit os à cir culação de infor m ação obj ect iva,
im par cial e isent a. No que r espeit a às pr é- condições cognit ivas
r ecor dam os que m et ade da população adult a do m undo não sabe ler
nem escr ever e que som ent e 20 por cent o das pessoas do m undo fala
inglês, consider ada a língua de com unicação global. Enfim , a m aior ia
das opiniões das pessoas do m undo não consegue ult r apassar as
fr ont eir as dos Est ados er guidas pelos sist em as polít icos, línguas,
civilizações, cult ur as, r eligiões … Por isso, a opinião pública m undial
ainda é essencialm ent e opinião pública nacional. Os últ im os t em pos
t r ouxer am novos m eios ( sat élit e, I nt er net ) que conseguem
ult r apassar fr ont eir as per m it indo o início da cr iação de um a
O fut ur o vai t r azer m ais com unicação. I st o é um a cer t eza
absolut a. O r est o é incógnit a. Sobr et udo est á em causa a nat ur eza da
opinião pública m undial. Já t em os a t ent at iva de dom inar e m anipular
a opinião pública m undial. Ser á que é possível a exist ência de um a
ver dadeir a opinião pública baseada na t r oca dem ocr át ica da
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