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Academic year: 2018

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einstein. 2017;15(3):376-7

APRENDENDO POR IMAGENS

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Tumor mediastinal: nem sempre um linfoma

Mediastinal tumor: not always a lymphoma

Silvia Mansur Reimão1, Rogério Colaiacovo1, Marco Antonio Ribeiro Camunha1,

Thiago Trolez Amancio1, Vanderlei Segatelli1, Gustavo Andrade de Paulo1

1 Hospital Israelita Albert Einstein, São Paulo, SP, Brasil.

Autor correspondente: Silvia Mansur Reimão – Avenida Albert Einstein, 627/701, bloco A1 – Morumbi – CEP: 05652-900 – São Paulo, SP, Brasil – Tel.: (11) 2151-9885 – E-mail: [email protected]

Data de submissão: 7/1/2017 – Data de aceite: 13/4/2017

DOI: 10.1590/S1679-45082017AI3981

Paciente do sexo masculino, 45 anos, internado em in-vestigação de massa mediastinal. Apresenta sudorese, mal-estar e disfagia. Os exames tomográficos mostra-ram espessamento parietal excêntrico do terço médio do esôfago, com efeito de massa e ectasia a montan-te, sem aumento expressivo da atividade metabólica. Ademais, mostrou linfonodos cervicais, axilares, hilos pulmonares, espaço portocava e ilíacos inespecíficos (Figuras 1 e 2).

Na ecoendoscopia, observou-se que o tumor tinha relação com arco aórtico, átrio esquerdo, parede eso-fá gica e brônquios fonte. Punções ecoguiadas transeso-fágicas foram realizadas. Estudos anatomopato lógico e imuno-histoquímico mostraram células fusiformes sem atividade mitótica e necrose, com expressão de des-mina e actina de músculo liso, concluindo o diagnóstico como leiomioma (Figuras 3 e 4).

Figura 1. Tomografia computadorizada. Lesão no mediastino posterior em

contato com brônquios fonte, aorta descendente e veia ázigos Figura 2. Endoscopia digestiva alta. Compressão extrínseca do esôfago médio

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Tumor mediastinal: nem sempre um linfoma

einstein. 2017;15(3):376-7

Linfadenopatias são as lesões mais comuns no me-diastino médio, incluindo linfoma, sarcoidose e tumor de pulmão metastático.(1) Neste caso, analisando a faixa

etária, sintomas e achados tomográficos, a suspeita ini-cial foi de linfoma, descartada apenas após a análise da patologia.

Os tumores benignos do esôfago são raros, com pre-valência de até 0,5%.(2) Leiomiomas são os mais comuns,

respondendo por cerca de 60% dos tumores benignos esofágicos.(3) Em geral são lesões pequenas,

assintomáti-cas e detectadas incidentalmente em exames. Em 2% dos casos, apresentam-se como lesões extraesofágicas e cau-sam compressão de estruturas mediastinais adjacentes.(2)

Os leiomiomas são tumores mesenquimais tipicamente oriundos da camada muscular própria, mas podem tam-bém se originar da camada muscular da mucosa. Micros-copicamente, há fascículos de células fusiformes sem ati-pia nuclear. O estudo imuno-his toquímico pode auxiliar no diagnóstico diferencial de linfoma, leiomiossarcoma, tumor estromal gastrintestinal, entre outros.(4,5)

Como habitualmente são lesões pequenas, assinto-má ticas e de comportamento benigno, a ressecção não é mandatória. O acompanhamento clínico pode ser rea lizado por meio do seguimento com ecoendoscopia. A ressecção endoscópica pode ser realizada em lesões de até 2cm.(6) O tratamento cirúrgico está reservado a

tumores sintomáticos, maiores que 2cm ou que apre-sentem alterações de imagem ou crescimento maior que 1cm durante o acompanhamento clínico.(5)

Este paciente era sintomático e foi encaminhado à cirurgia. A peça cirúrgica confirmou o diagnóstico.

Portanto, o leiomioma deve ser lembrado como diag nóstico diferencial de tumores mediastinais. A ecoen doscopia é uma etapa importante para avalia-ção me diastinal. Além disto, é menos invasiva que a toracos copia e mediastinoscopia para aquisição de material.

REFERÊNCIAS

1. Berry MF. Approach to the adult patient with a mediastinal mass [Internet]. UpToDate 2017 [cited 2017 Mar 1]. Available from: https://www.uptodate. com/contents/approach-to-the-adult-patient-with-a-mediastinal-mass 2. Choong CK, Meyers BF. Benign esophageal tumors: introduction, incidence,

classification, and clinical features. Semin Thorac Cardiovasc Surg. 2003; 15(1):3-8. Review.

3. Tsai SJ, Lin CC, Chang CW, Hung CY, Shieh TY, Wang HY, et al. Benign esophageal lesions: endoscopic and pathologic features. World J Gastroenterol. 2015;21(4):1091-8. Review.

4. Miettinen M, Sarlomo-Rikala M, Sobin LH, Lasota J. Esophageal stromal tumors: a clinicopathologic, immunohistochemical, and molecular genetic study of 17 cases and comparison with esophageal leiomyomas and leiomyosarcomas. Am J Surg Pathol. 2000;24(2):211-22.

5. Hyun JH, Jeen YT, Chun HJ, Lee HS, Lee SW, Song CW, et al. Endoscopic resection of submucosal tumor of the esophagus: results in 62 patients. Endoscopy. 1997;29(3):165-70.

6. Morgan J, Raut CP. Local treatment for gastrointestinal stromal tumors, leiomyomas, and leiomyosarcomas of the gastrointestinal tract [Internet]. UpToDate 2016 [cited 2016 June 1]. Available from: https://www.uptodate.com/ contents/local-treatment-for-gastrointestinal-stromal-tumors-leiomyomas-and-leiomyosarcomas-of-the-gastrointestinal-tract

Figura 4. (A) Material da biópsia ecoguiada (4x, hematoxilina e eosina). (B) Células apresentando imunoexpressão positiva para desmina. (C) Área em destaque da amostra apresentando feixes de células de tecido muscular liso (20x, hematoxilina e eosina)

C B

Imagem

Figura 3. Punção aspirativa ecoguiada de lesão hipoecogênica de grandes  dimensões

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