J
UVENTUDES, G
ERAÇÕES ET
RABALHO:
É POSSÍVEL FALAR EMG
ERAÇÃOY
NOB
RASIL?
Sidinei Rocha- de- Oliveira*
Valm iria Carolina Piccinini* *
Bet ina Magalhães Bit encourt* * *
A
relação ent re j uvent ude e t rabalho é um elem ent o im port ant e para com preender as relações sociais de determ inado período. Na sociedade ocidental, o ingresso do jovem no m undo do trabalho está entre os m arcos de passagem para a vida adulta ( GALLAND, 2007) . Porém , as m udanças ocorridas na esfera laboral t rouxeram signifi cat ivas m udanças para os j ovens, levando à am pliação do t em po de est udos e ao adiam ento do ingresso no m ercado de trabalho, sobretudo nos países desenvolvidos ( GALLAND, 2000; COHEN, 2007) . Nos países periféricos, essa t endência ocorre ent re as fam ílias de m aior poder aquisitivo, e os j ovens m ais pobres, geralm ente, engrossam as fi leiras dos desem pregados ( OI T, 2011) .Com o consequência, const rói- se um duplo discurso: o prim eiro de despadroni-zação do curso de vida e a fragm ent ação das t raj et órias biográfi cas ( DI B; CASTRO, 2010) ; o segundo, m ais frequentem ente adotado pelos autores da área de Adm inistra-ção e am plam ent e divulgado na m ídia de negócios, apont a o surgim ent o de um a nova geração, com com port am ent o diferent e, que dem anda um a m udança nas form as de gest ão ( VELOSO; DUTRA, 2008; VASCONCELOS et al., 2010; POUGET, 2010) . Est es
j ovens int egram a cham ada Geração Y, grupo defi nido a part ir de um a delim it ação et ária ( nascidos a part ir de 1978) e por um conj unt o de com port am ent os relaciona-dos ao rit m o de m udança, elevada int erat ividade, rapidez no acesso à inform ação e ent endim ent o do m undo.
Enquanto os conceitos ligados aos grupos geracionais anteriores (Babyboom ers,
Geração X) tiveram pouca repercussão nos estudos realizados no Brasil, atualm ente, a discussão sobre a Geração Y t em crescido nas diferent es m ídias, com m aior dest aque nas redes sociais. Segundo t ais est udos, os j ovens dessa geração - por t erem vivido m uit as m udanças em diversos set ores da sociedade t êm um a única cert eza, a im -previsibilidade dos acont ecim ent os ( CLARO et al., 2010) . Para aut ores dessa corrent e
( TULGAN, 2003; LOMBARDI A et al., 2008; POUGET, 2010) , as rápidas t ransform ações ocorridas no am bient e de t rabalho fi zeram com que os j ovens despert assem para a necessidade de est ar sem pre at ualizados para m ant erem - se com pet it ivos diant e do rest ant e da força de t rabalho. As organizações cada vez m ais t êm a presença de j ovens em seu com ando, o que leva à adoção de novos m odos, norm as e valores de trabalho. Esses jovens têm um a nova form a de ser e agir em sociedade, principalm ente no que se refere à relação com o t rabalho, o que t raz um a série de novos desafi os para m ant ê- los nas organizações, bem com o am enizar os confl it os geracionais que possam surgir. Por ser um a geração que nasceu na era da t ecnologia, na m aior part e das vezes, esses j ovens acom panham e dom inam seus avanços.
Essa “ nova geração” t em sido considerada um dos grandes desafi os para a gest ão de pessoas nos próxim os anos ( BARRETO et al., 2010) , levando o t em a a ganhar espaço nas discussões acadêm icas ( VELOSO; DUTRA, 2008; VASCONCELOS
et al., 2010) . No ent ant o, o conceit o de Geração Y t em sido incorporado aos est udos
nacionais t al com o se apresent a nos est udos int ernacionais, sem que se faça um a cont ext ualização de quais seriam as caract eríst icas e os m arcos hist óricos que cont ri-buíram para a form ação do pensam ent o dest e grupo geracional no Brasil.
* Dout or pela Universit é Pierre Mendès- France e pelo Program a de Pós- Graduação em Adm inist ração
da Escola de Adm inist ração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - PPGA/ EA/ UFRGS. Professor Adj unt o do PPGA/ EA/ UFRGS – Port o Alegre/ RS/ Brasil. Endereço: Rua Washingt on Luiz, 855, sala 331. Port o Alegre/ RS. CEP: 90010- 460. E- m ail: [email protected]
* * Dout ora pela Universit é Pierre Mendès- France. Professora Associada do PPGA/ EA/ UFRGS – Port o
Alegre/ RS/ Brasil. E- m ail: [email protected]
* * * D o u t o r a n d a e m Ad m i n i st r a çã o p e l o PPGA/ EA/ UFRGS - Po r t o Al e g r e / RS/ Br a si l . E- m a i l :
A infl uência da t ecnologia se faz t ão present e que, enquant o nos anos 1960 afi rm ava- se que a diferença ent re as gerações se dava, principalm ent e, pelos valo-res, hoj e, arrisca- se dizer que essa diferença é at ribuída, sobret udo, aos avanços t ecnológicos ( COI MBRA; SCHI KMANN, 2001) . Tulgan ( 2009) reforça, ainda, que est a é um a geração de j ovens alt am ent e qualifi cados e, principalm ent e, volt ada para o im ediat ism o. Seriam est as caract eríst icas de t odos os j ovens brasileiros nascidos em um det erm inado período?
Para Mot t a, Gom es e Valent e ( 2009) , at ualm ent e, com a m undialização do consum o e da t ecnologia, os valores dos j ovens brasileiros seriam sem elhant es àqueles dos am ericanos, t ornando possível um a associação diret a ent re as form as de agir das j uvent udes brasileira e am ericana. Nest a perspect iva, a Geração Y seria um a coort e planet ária ( ou pelo m enos um grupo hom ogêneo no m undo ocident al) ,
com part ilhando a m esm a com preensão sobre os event os hist óricos que m arcaram as últ im as décadas do século XX. Nest a visão, é const ruído um grupo at em poral e m undial, desconsiderando- se os aspect os da form ação hist órica, diferenças sociais e econôm icas de cada país, além de cult uras nacionais e regionais que t êm sua lógica no processo de m undialização com ercial no qual é de ext rem a relevância criar am plos m ercados consum idores, quebrando as part icularidades locais, e, ainda, rat ifi cando um processo de pós- colonialism o cult ural.
Na concepção de Said ( 1989; 1993) , o suj eit o colonial é const it uído a part ir do discurso dom inant e. Assim , m uit as abordagens, inclusive da pesquisa social, não cont em plam em suas análises a int ervenção im perialist a com o um fat or que ainda afet a as nossas represent ações. O aut or afi rm a que a descolonização não se resum e apenas à desocupação territorial, m as que deixa infl uências no cam po das ideias, im a-gens e represent ações que t em os de nós m esm os e de nossa sociedade. Por isso, ao observar rot ulações e a incorporação do conceit o de Geração Y em diferent es países, com preendendo-a com o um a Geração planet ária, verifi ca- se um pós- colonialism o cult ural, ainda present e em nossos dias e, frequent em ent e, incorporado de m aneira acrit ica pela com unidade cient ífi ca.
Essa ideia de Geração planet ária é cont est ada por aut ores com o Pais ( 2001) , Galland ( 1990; 2000; 2001; 2007) e Cohen ( 2007) que dest acam a fragm ent ação das traj etórias j uvenis. Pais (2001) e Galland (2000; 2001; 2007), ao analisarem os j ovens port ugueses e franceses, dest acam que a j uvent ude at ual apresent a um a grande rup-tura com o m odelo tradicional que m arca o século XX. Neste m odelo, a passagem para a vida adult a t em t rês m arcos: a ent rada no m undo do t rabalho, a saída da casa dos pais e o casam ent o. No ent ant o, com o crescim ent o do desem prego e das difi culdades de inserção profi ssional, observa- se a am pliação do t em po de est udos com o m eio de aum ent ar o capit al cult ural e o ingresso no m ercado de t rabalho, m arcado por idas e vindas em at ividades at ípicas ou precárias. Da m esm a form a, a m aior liberdade se-xual e as alt erações j urídicas e de com port am ent o t ornam m ais frequent es diferent es períodos de experim ent ação da vida a dois. Dest a form a, se dissolvem m arcos de passagem bem defi nidos e a j uvent ude passa a ser com preendida com o um período de m orat ória para a chegada à vida adult a.
Com base nesses aut ores, o m odelo abrangent e que t em sido em pregado para descrever os j ovens, a cham ada “ Geração Y”, não pode ser utilizado para com preender um a geração ou a j uvent ude de um país com o o Brasil, por exem plo, onde o ensino superior é um privilégio e a inserção digit al um desafi o. Assim , para aprofundar o de-bat e sobre j uvent ude e t rabalho na at ualidade, est e t ext o t em por obj et ivo apresent ar as bases para com preensão do conceit o de Geração Y ao ret om ar os conceit os de Juvent ude e Geração t rat ados pelas ciências sociais, rediscut indo as pot encialidades e lim it es do conceit o de Geração Y a part ir de t ais referenciais.
geração ant erior. Port ant o, o que const rói um a geração não se relaciona som ent e com um t em po cronológico de nascim ent o, não há um padrão t em poral para form ação de um a geração, que pode perm anecer por dez ou quinze anos ou por séculos, com o acont eceu no período feudal.
O t em po é apenas um a dem arcação pot encial, pois é o processo hist órico que aproxim a os j ovens de um a m esm a geração, int egrant es de um a m esm a faixa et ária. Nessa int egração, dest acam - se dois com ponent es: event os hist óricos que quebram a cont inuidade form ando um a ideia de ant es e depois na vida social, e a form a com o esses eventos são vivenciados pelos diferentes grupos etários, que estão em diferentes m om ent os do seu processo de socialização. Tais event os podem ser t ant o grandes e cat ast rófi cos problem as sociais ou nat urais, ou lent os processos econôm icos, polít icos e cult urais, que aos poucos t ornam o m odo de vida ant erior e as experiências relacio-nadas aos j ovens sem sent ido ( TOMI ZAKI , 2010) .
Assim , para um a análise geracional, o sim ples m arco cronológico é apenas um pont o referencial, m as não serve com o base para delim it ar as form as de agir de um grupo et ário. Afi rm ar que um j ovem pert ence à Geração Y porque nasceu depois de 1978/ 1982 é sim plifi car o conceit o e a com preensão da ideia de geração, pois é preciso que se reconheçam os fat os hist óricos m arcant es de um a época e/ ou região. Nest e sent ido, em bora possa haver event os de signifi cado m undial, com o o 11 de set em bro de 2001, a vinculação dessa geração com o fat o precisa produzir algum sent ido. Assim , cabe quest ionar: será que para os j ovens brasileiros nas duas últ im as décadas não haverá fat os m ais m arcant es que aquele ocorrido em solo am ericano? A abert ura com ercial, a est abilização econôm ica, o novo m om ent o econôm ico e polít ico que o país vive no cenário m undial não seriam m ais im port ant es?
Para pensar em geração é preciso pensar em coort es hist óricas e m em órias
colet ivas. No conceit o de coort e hist órica, se est abelece que as pessoas vivem um m esm o período hist órico e form am e assim ilam valores sem elhant es. A ideia de m e-m órias colet ivas est abelece que indivíduos coe-m idades sie-m ilares t enhae-m e-m ee-m órias sem elhantes quanto aos eventos que m arcaram esse período. Com isso, os valores que se m ost ram nas ações e preferências perm anecem ao longo das diferent es fases do ciclo de vida ( NOBLE; SCHEWE, 2003) . Grandes event os ( guerras, crises econôm icas, t ransform ações polít icas et c.) defi nem o m om ent o de surgim ent o de um a coort e, que
se m ant ém at é o surgim ent o de um novo event o t ransform ador.
Um a geração t am bém represent a um a sit uação de classe, pois os indivíduos que vivenciam um cam po det erm inado t endem a desenvolver um a form a específi ca de pensar e de agir, bem com o de int erferir no processo hist órico. Para que a sit uação de classe t enha sent ido, é preciso que o grupo t enha um conj unt o de experiências com part ilhadas para as quais at ribuam signifi cados sem elhant es, em bora ist o não im plique num a hom ogeneidade absolut a no int erior do grupo ( TOMI ZAKI , 2010) . Por isso, levando em cont a a enorm e desigualdade social que ainda m arca a realidade brasileira, acreditar que no presente há apenas um a geração, m arcada pelo dom ínio da t ecnologia e pelo im perat ivo de suas escolhas, é algo deslocado da realidade e serve apenas para reforçar a lógica de que exist em ganhadores e perdedores na sociedade e que aqueles que não possuem as caract eríst icas da geração Y são despreparados para vivenciar o seu t em po e alcançar os m elhores post os de t rabalho.
A com preensão do período hist órico perm it e aprofundar as possibilidades e lim it ações que se apresent am para o grupo a part ir da conj unt ura econôm ica, social e cult ural que ele vivencia, além de perm it ir o aprofundam ent o da discussão sobre o t em po cronológico que defi ne um a geração, experiências com uns e relações com out ras gerações. Nessa direção, ressalt a- se a im port ância de considerar as relações que o indivíduo est abelece com o sist em a de form ação e com o m ercado de t rabalho. Em bora não est ej am desconect adas de gerações hist óricas, as gerações fam iliares t razem aspect os específi cos da vivência geracional no sist em a de ensino ou em de-t erm inados cam pos de ade-t uação profi ssional.
aspect os sociais, econôm icos e cult urais que servem com o m oldura para a form ação dos grupos geracionais da at ualidade. Além disso, o dest aque para a alt a qualifi cação e conhecim ent o t ecnológico ignora a exist ência de diferent es classes, com o se a so-ciedade form asse apenas um grupo econôm ico único e coeso.
A relação ent re classe, j uvent ude e form ação est á present e desde o século XVI , no prim eiro afast am ent o da criança do m eio fam iliar para sua educação, essa rest rit a às classes favorecidas. Post eriorm ent e, no século XVI I , se inst ala um duplo sistem a de ensino: um curto ( escola) para o povo e outro m ais longo ( liceu) , que exige m ais t em po de dedicação e o afast am ent o da vida produt iva, dest inado às classes favorecidas ( ARI ÉS, 1981; ABRAMO, 1994) .
Assim , é im port ant e m arcar que um a geração não se const it ui de m odo inde-pendent e e livre do cont ext o sócio- hist órico, é preciso que se considere a infl uência m út ua ent re as gerações, not adam ent e no processo de socialização. Assim para a com preensão de um a geração, deve- se adot ar um a análise relacional que foque a co- const rução dos grupos geracionais e não apenas os confl it os e diferenças que as m arcam , com o as publicações at uais t êm buscado dest acar no ant agonism o ent re as gerações X e Y, sobret udo os confl it os no am bient e de t rabalho. Essa int eração é paut ada pelos aspect os hist óricos que m arcam t odos os grupos sociais.
Da m esm a form a, as relações fam iliares ou de parent esco são prat icam ent e desconsideradas - com o se os indivíduos dessa geração const ruíssem t udo por seus próprios esforços - o que t alvez explique o individualism o e o hedonism o, t raços ca-ract eríst icos de m uit os grupos j uvenis. Além disso, o conceit o de Geração pode est ar vinculado aos diferent es grupos et ários de um a sociedade, não apenas aos indivíduos j ovens. Logo, para com plem ent ar a discussão at ual sobre a Geração Y, t orna- se rele-vant e aprofundar a com preensão sobre o conceit o ligado a um m om ent o de t ransição na vida dos indivíduos: a Juvent ude.
Ao analisar o conceit o de Geração Y sobre as bases da sociologia da j uvent ude, vem os que a discussão atual tem defi nida um a única juventude na contem poraneidade, quando, na verdade, o conceit o de j uvent ude é m últ iplo: as j uvent udes. Cada grupo j uvenil será infl uenciado pela região e local ( rural ou urbano) em que habit a, nível de instrução, curso de form ação, vinculação a instituições etc. Ou sej a, um único conceito não consegue congregar t odo o m osaico de vivências j uvenis que se const roem em cada período hist órico.
A relação ent re t rabalho e j uvent ude, as condições de vida, as oport unidades de desenvolvim ent o e o t em po disponível apresent am - se com o peculiaridades que separam radicalm ent e adolescent es que t rabalham por necessidade daqueles que só est udam ou buscam o t rabalho com o m eio de desenvolvim ent o profi ssional. Nest e exem plo, reconhecem - se dois pólos: o daqueles que, pela necessidade econôm ica, anseiam por ant ecipar a vida adult a com o form a de conseguir prover m ais recursos para si e/ ou para sua fam ília, e o out ro, no ext rem o opost o, form ado por j ovens “ bur-gueses” int eressados em m ant er os benefícios do t em po livre ou de poder const it uir um a base sólida para sua carreira.
O discurso em presarial destaca que esses j ovens seriam m ais inquietos e difíceis de se m ant erem no t rabalho. No ent ant o, é esquecido que t al inquiet ação pode ser decorrent e da desinst it ucionalização do em prego, pois, at é o fi nal do século XX, para sent ir- se int egrant e da sociedade era necessário t er um a carreira, um a ident idade social adult a relacionada com a função econôm ica ou laboral específi ca. O t rabalho produt ivo não era apenas um m eio para at ingir um fi m econôm ico, m as t am bém um a m arca de ident idade, um a espécie de validação social de sua im port ância e de pert ença a um grupo conhecido.
Quant o ao cont ext o de form ação da j uvent ude at ual, por um lado, t em os o indivíduo que busca a m elhor oportunidade, por outro, o processo de transform ação das norm as de em prego é a m arca de um a forte segm entação das traj etórias de acesso ao prim eiro t rabalho. A j uvent ude de hoj e é m ais inst ruída e preparada, desej a m elhores oport unidades, m as ist o nem sem pre é possível ( PERRET- CLERMONT, 2004) .
durável. As traj etórias construídas sobre a alternância de trabalhos tem porários levam a períodos de desem prego, t rabalho em t em po parcial, ret orno aos est udos e, num panoram a m ais am plo, ao rebaixam ent o profi ssional ( FONDEUR; LEFRESNE, 2000; MARCHAND, 2004) .
Considerando a at ualidade da Am érica Lat ina, Kliksberg ( 2006) dest aca que as t raj et órias vivenciais assum em diferent es cam inhos de acordo com os est rat os sociais a que os j ovens pert encem . As classes abast adas buscam níveis elevados de educação, saúde, t rabalho e habit ação, um m odo de vida próxim o ao encont rado em países desenvolvidos. Os j ovens carent es t êm sua t raj et ória m arcada por lim it adas possibilidades de educação e t rabalho, bem com o redes sociais que pouco cont ribuem para o crescim ent o profi ssional. Dest a form a, sua inserção no m ercado de t rabalho se dá de form a m ais precária, perm anecendo, em sua m aioria, na m esm a sit uação de privação vivenciada pelos pais. Dest a form a, t em os evidências que no cont ext o lat ino am ericano, sobret udo o brasileiro, quando se fala em Geração Y est am os falando de um grupo pert encent e a um est rat o superior, que não represent a, port ant o, a t ot ali-dade dos j ovens brasileiros.
Com o se observa, em bora t enha recebido dest aque na at ualidade, a ideia de Geração Y é frágil se for analisada a part ir dos conceit os sociológicos de Geração e Juvent ude. Além disso, apresent a- se deslocada de part e das discussões sobre as re-lações de t rabalho da j uvent ude at ual, m arcada pelo aum ent o da form ação escolar, difi culdade de acesso ao em prego e precarização das relações de t rabalho/ em prego.
O conceito de Geração ressalta que o aspecto cronológico é apenas um dos itens que deve ser considerado na delim it ação de um a geração, sendo im port ant e que se incorpore a ideia de classe, de cont ext o hist órico, de vivências com uns e de relações fam iliares e int ergeracionais. O conceit o de j uvent ude m ost ra que os indivíduos em um m esm o grupo etário quase nunca form am um a identidade única, sendo necessário que se t rat e de j uvent udes, e não de um grupo único e hom ogêneo.
At ualm ent e, as cont ínuas m udanças nos sist em as produt ivos, int egração de inovações t ecnológicas e a nova fase de int ernacionalização dos m ercados refl et em , t am bém , sobre o ciclo de vida das pessoas. Ent re os j ovens que enfrent am os m aiores índices de desem prego, proliferam vínculos de trabalho precários, ao m esm o tem po em que são requeridas m aiores qualifi cações. Assim , para que se possa discut ir a relação ent re a geração at ual e o t rabalho é preciso prim eiram ent e fazer um a delim it ação dos aspect os cont ext uais e part iculares daquele grupo ( nível de form ação, profi ssão, classe social et c.) evit ando generalizações.
Considerar que t odos os j ovens que nasceram em det erm inado período pert en-cem a um único grupo com o t em sido caract erizada a Geração Y é esquecer as dife-renças regionais e desigualdades sociais da j uvent ude brasileira. Alguns poderiam se enquadrar nest e perfi l, m as t rat a- se de um a m inoria frent e à grande part e de j ovens que, apesar da exist ência de redes sociais, int ernet, enfi m , t ecnologias que deveriam
aproxim á- los dest e m odelo, por vezes, reforçam a dist ância que se pret ende elim inar. A j uvent ude, port ant o, não é um grupo único, sendo form ado por um a diversidade de grupos que trazem consigo particularidades regionais, étnicas e culturais. As juventudes brasileiras são diversas, sendo necessária conhecê- las para dar a corret a dim ensão do grupo que se est á analisando.
Os t rabalhos de Gonçalves ( 2005) , Kliksberg ( 2006) , Lopes et al. ( 2008) , Gon-çalves et al. ( 2008) e Arend e Reis ( 2009) m ost ram j uvent udes diferent es daquela
form ada por j ovens prot egidos, decididos e am plam ent e inseridos no m undo t ecno-lógico, caract erizados com o Geração Y. Nessas pesquisas, se dest acam : a difi culdade para encont rar um em prego form al, a baixa qualifi cação de grande part e dos j ovens, os precários cam inhos de inserção profi ssional percorrido por est es. Nesses grupos j uvenis, a independência e a liberdade ganham out ro sent ido quando desde cedo o j ovem t em a necessidade de cont ribuir para o sust ent o e sobrevivência da fam ília, de cust ear os próprios est udos, de dividir espaço ent re t rabalho e o cuidado dos fi lhos que, m uit as vezes, chegam ant es do t érm ino da adolescência.
se-xual et c. No Brasil, ainda precisam os do esforço de décadas at é que essas barreiras dim inuam e as oport unidades, ou m esm o as difi culdades, para os j ovens se inserirem no m ercado de t rabalho, sej am as m esm as, independent e da sua posição social.
Para a área de gestão de pessoas, portanto, é im portante reconhecer que a atual geração que ingressa no m ercado de t rabalho não é form ada por apenas um m esm o grupo j uvenil. Exist em os represent ant es da Geração Y que cult uam valores e t êm um m odo de vida sem elhant e ao vivenciado por j ovens de países desenvolvidos, m as est es são m inoria. No ent ant o, é preciso que os est udos sobre j uvent udes e gerações da área de gest ão de pessoas considerem , t am bém , as experiências dos j ovens ope-rários, t rabalhadores de call cent er, m ot oboys, freelancers, m enores aprendizes et c.,
que tem m odos de vida e de ingresso no m undo profi ssional bastante distante daqueles que ingressam no m ercado com o curso superior com plet o ou ainda em andam ent o.
Dest a form a, deve- se considerar, ainda, que os m odos de inserção profi ssio-nal são bast ant e dist int os para cada área de conhecim ent o. É possível dizer que os j ovens engenheiros, profi ssionais da área da saúde, t rainees de grandes em presas,
est udant es das licenciat uras, que j á desde a form ação conhecem as peculiaridades de sua profi ssão, são t odos int egrant es de um a m esm a Geração? Seriam t odos eles part icipant es da Geração Y? Um país em t erceiro lugar no índice de desigualdade no m undo, em que apenas 14% da população chegam ao ensino superior e 38% dos concluint es não alcançam o nível pleno de form ação ( PNUD, 2010; PMN, 2012) , é possível acredit ar que exist e um grupo geracional hom ogêneo e com t odas as carac-t eríscarac-t icas que m arcam a Geração Y?
Enfi m , com preender as dúvidas, as difi culdades e os anseios da j uvent ude perm it e- nos analisar os dilem as da cont em poraneidade, bem com o as esperanças e as perspect ivas em relação ao curso das t ransform ações sociais do present e e aos rum os que essas t endências im prim em para a conform ação social fut ura. Acredit a-m os que o conceit o de geração a ser ea-m pregado nos est udos nacionais requer ua-m a cont ext ualização adequada, respeit ando os aspect os hist óricos e sociais que m arcam a sociedade brasileira, pois enquant o perm anecerem generalizações que se referem a um a parcela rest rit a da população, o pesquisador seguirá cont ribuindo para a re-produção das desigualdades sociais caract eríst icas dest e país.
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