CORPOS DISSIDENTES E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS NOS ESPORTES
Rafael Santiago de SOUZA1
Resumo
O estudo busca traçar histórias de sujeitos na contra versão da heteronormatividade, corpos que resistem às opressões sofridas nos ambientes esportivos e que ocupam lugares historicamente negados em relação às identidades sexuais e de gênero. Compreender como os discursos que giram para as transgressões e dissidências de corpos vêm sendo produzidas nos currículos de formação de Professores em Educação Física. O corpo educado e dócil constitui o plano da pesquisa, a ser investigado sob o viés da Análise do Discurso. O futebol é nosso aliado para questionar essa masculinidade hegemônica, que preza pela construção de corpos fortes e viris, amparados pelo caráter médico-biológico da naturalização, a partir da história de vida de sujeitos que revelam ascensão e fama, mas também frustações e tentativas de invisibilização.
Palavras-chaves: Educação Física; Esportes; Corpos transgressores e dissidentes; Crítica
cultural.
Aspectos introdutórios e metodológicos
Com este trabalho, pretendemos investigar as histórias de sujeitos que na contra versão da heteronormatividade enfrentam toda e qualquer opressão que ainda perduram imbricadas nos contextos dos esportes hegemônicos, como é o caso do futebol. Buscamos traçar a trajetória de corpos que resistem e ocupam lugares historicamente negados. Daí pensar a relação existente entre os desdobramentos da vida de pessoas que rompem essas barreiras binarias de gênero e de sexualidade atingindo o nível de atleta profissional, assim como adentrar ao campo dos estudos dos currículos de formações de
1 Professor de Educação Física e Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Crítica Cultural/Departamento de Linguística, Literatura e Artes da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, sob a orientação do Prof. Dr. Paulo César García – [email protected].
professores na área, para questionar as possibilidades de uma formação pautada na diversidade como propõem os estudos queer e feministas.
Um campo de investigação precisa interpretar a realidade de diferentes perspectivas e pontos de vistas. “[...] Os paradigmas dos estudos culturais e da teoria queer empregam os métodos estrategicamente – ou seja, como recursos para compreender as estruturas locais de dominação e para produzir resistências a estas (Denzin, 2006, p. 36)”. O discurso gera o ato de significar e significar-se e o trabalho simbólico da sentido a existência humana. No discurso, as ideologias produzem seus efeitos, com palavras em movimento criam processos complexos de constituição de sentidos e efeitos, “[...]de identificação do sujeito, de argumentação, de subjetivação, de construção da realidade etc.” (Orlandi, 2009, p. 21). Sendo assim, a análise do discurso se propõem observar o homem falando e a interpretar “[...] a reverberação de uma verdade nascendo diante de seus próprios olhos” (Foucault, 2012, p. 49).
Para essa discussão consideramos conquistas realizadas, principalmente, pelas mulheres/meninas no futebol, que só podiam ocupar as arquibancadas na condição de torcedoras e jamais protagonistas dos jogos, assim como a carreira do árbitro Margarida. Recortamos as histórias de algumas/alguns atletas profissionais conhecidas(os) nacionalmente e internacionalmente para pensar até onde seus corpos em atuação representam transgressões e dissidências no contexto do futebol de alto rendimento. São histórias de vida que revelam ascensão e fama, mas também repressão, tentativa de invisibilização e frustações.
Corpos não autorizados: transgresões e dissidências no futebol
Historicamente, muitos espaços direcionados à determinadas práticas esportivas
(como é o caso do campo de futebol) tiveram seus acessos negados às mulheres e aos
sujeitos LGBTQIA+, porém com muita luta esses veem conquistando seus direitos de ocuparem os espaços. O futebol se tornou uma prática corporal hegemonicamente construída na disciplinaridade e normatização das sociedades, demarcando assim um vasto território geopolítico em que há demanda do campo e de gritos das arquibancadas uniformizam o poder de imperar a sexualidade e o gênero. Aí significa o ponto de partida para a descolonização do saber, da voz feminina que se insere dentro do contexto da opressão que marca a educação do corpo fundamentada na força física e masculinizada do homem cisgênero.
A reportagem do Esporte Espetacular (2019) sobre a história do futebol feminino no Brasil começa com a seguinte afirmação: “[...] uma história feita de preconceitos, proibições, injustiças, que aos poucos foram sendo modificadas, mas que ainda está longe do cenário ideal” (Barcellos, 2019). No Brasil em 1941, as mulheres foram proibidas de jogar futebol com a publicação do Decreto (Lei n. 3.199) lançado pelo Presidente da República Getúlio Vargas, que perdurou vigente até 1979, onde graças as lutas das jogadoras que continuaram atuando clandestinamente e dos avanços nos debates em âmbito internacional conseguiram suspender o decreto, mas só em 1983 o futebol de mulheres foi regulamentado. Um dos grandes marcos das referidas conquistas foi a realização pela FIFA da primeira Copa do Mundo Feminina, que aconteceu na China em 1991, muitos anos depois do futebol já ser considerado o esporte mais popular do mundo. Sobre esse momento, em entrevista para o Esporte Espetacular
(2019)a atleta Elane disse:
Na seleção a gente ganhava uma diária e no início nem era isso, praticamente jogava por amor e passávamos muitas dificuldades. Você acha que a gente ficava hospedada na Granja Comary? Não senhora! A gente ficava na escola de Educação Física do Exército, comendo o que os soldados comiam, comendo de quentinha [...] (Barcelos, 2019).
Depois de jogar futebol Elane se tornou motorista de ônibus e hoje é motorista de táxi executivo, ela questiona: “Será que eu vou terminar a minha vida tendo que provar alguma coisa ainda?” (Barcellos, 2019). Nesses contextos muitas atletas foram “ofendidas, humilhadas, algumas mulheres foram até agredidas porque queriam jogar bola. Contar a história do futebol feminino é contar a história de resistência [...]. Desviar não era uma opção, alguém tinha que enfrentar” (Barcellos, 2019). É a saga de um sistema capitalista que intencionalmente se desenrola através das contradições, das mentiras, das opressões de classe, raça e gênero, em detrimento da produção e acumulo de riquezas, do lucro. Os marcadores sociais definem: quem sim e quem não; o que é bonito e feio; o superior e o inferior; o proibido e o liberado; o que manda (patrão/chefe) e o que obedece/executa (empregado/subordinado).
[...] Paradoxalmente, quando alguns vivem justamente da venda de seus corpos: heróis ou “bárbaros” modernos, atletas, estrelas, crianças, mulheres, trabalhadores informais, tem em comum o investimento que se faz sobre os seus corpos para consignar mais pontos no projeto que nos extrai a humanidade. Alguns anônimos, outros ídolos universais. Todos, estilhaços de um tempo que elevou o corpo e a sua educação no adro dos sacrifícios da civilização pela consolidação do moderno (Soares, 2005, p. 09).
Meg, Taffarel, Pretinha, Sissi, Elane, Marisa, Fanta, Michael Jackson, Roseli,
Cenira, Russa, Cebola, Marta, Cristiane e Formiga2 são alguns nomes de jogadoras que
transgrediram as barreiras impostas pelo binarismo de gênero entre masculino e feminino, tornando-se as pioneiras do futebol de mulheres no nosso país, as desbravadoras, as destemidas, as mulheres que desconstruíram padrões. Essas atletas relatam algumas piadas que já ouviram por estarem jogando futebol: mulher macho, mulher homem, sapatão, vamos tirar a roupa dela ver se é mulher mesmo, vai lavar uma louça, vai lavar uma roupa, isso é coisa de homem, perna de pau. Um fato interessante para se contar também é que quando a seleção principal (masculina) voltou da conquista do tetra em 1994, o que restou dos uniformes foram guardados para a seleção feminina (Barcellos, 2019).
Portanto, desafiar a lógica da restrição feminina nos espaços públicos ainda mais em espaços dedicados ao futebol, considerado uma reserva para o exercício da masculinidade hegemônica (Dunning, 2003; Moura, 2005), foi uma atitude de grande coragem, subversão e resiliência. [...] Cruzar as fronteiras de gênero, ocupando as ruas, os campos e quadras das escolinhas de futebol, ou mesmo das escolas, dividindo espaços com os tradicionais “donos da rua”, é uma conquista social bastante significativa (Kessler, 2016, p. 67).
A jogadora Marta Vieira da Silva possuiu uma trajetória transgressora de encantar espectadores. Única no futebol a conquistar seis vezes o título de melhor jogadora do mundo, é importante salientar que nenhum homem conseguiu esse feito até hoje. Com mais de cem gols marcados pela seleção, Marta é a maior artilheira de todos os tempos, superando as marcas de Pelé (considerado o Rei do Futebol). Chamada de Rainha, ela é a primeira mulher a ter placa na calçada da fama do estádio Maracanã, tornou-se também embaixadora da Organização das Nações Unidas (ONU), é a protagonista de um reconhecimento de sua geração (a geração Marta), mas também um símbolo que marca as gerações de outras mulheres que foram “silenciadas”. Uma rainha num mundo acostumado a só ter reis.
Tota, o treinador que acreditou e revelou Marta para o mundo disse: “Num
campeonato teve um professor que queria proibir ela jogar com os meninos,porque ela
é mulher e os meninos levavam dribles dela e ficavam com vergonha, e fazia queixa ao professor. [...] Marta foi discriminada várias vezes por aí a fora!” (Batista, 2019). O que Marta e outras tantas mulheres fazem é se arriscarem, incomodando, perturbando,
2 Margarete Maria Pioresan, Márcia Taffarel, Delma Gonçalves, Sisleide do Amor Lima, Elane Rego dos Santos, Marisa Pires Nogueira, Rosilane Camargo Motta, Mariléia dos Santos, Roseli de Belo, Cenira Sampaio Pereira do Prado, Ester Aparecida dos Santos, Lucilene Marinho, Marta Vieira da Silva,
provocando e fascinando, fazendo balançar instabilidades e certezas, desviando das normas, pondo em movimento o que é subversivo em um campo normalizador. “[...] A imprevisibilidade é inerente ao percurso. Tal como uma viagem, pode ser instigante sair da rota fixada e experimentar as surpresas do incerto e do inesperado. Arriscar-se por caminhos não traçados. Viver perigosamente” (Louro, 2008, p. 16). É por isso que a própria Guacira Lopes Louro (2008) propõe a teoria queer, como uma teoria antinormalizadora, que indica para uma formação e transformação a partir do impensável, uma reviravolta epistemológica, uma política pós-identitária para educação. Para dialogar com esse tipo de preconceito, chamamos a atenção para um fato ocorrido em 2020, é o caso da garota Larissa Victoria Souza, 11 anos, conhecida como Lari Gol, que resolveu gravar um vídeo (Desabafo: futebol também é p/ mulher) denunciando o preconceito que tem sofrido e jogou nas redes sociais comovendo muitas pessoas. Ela disse:
Eu vim falar um negócio aqui sério pra vocês, que está acontecendo comigo várias vezes, de o povo dizer que eu sou homem, que eu pareço um homem [...], não é ninguém que paga meus treinos, pra eu treinar beleza? Não é ninguém! Ó minha roupa que eu tô ó, mostrar para vocês, tá vendo? Eu não gosto de short curto, eu não gosto de dançar como as meninas, não gosto! Não gosto de dançar de nenhum jeito e nem por isso quer dizer que eu sou homem. Eu sou mulher, dar pra ver que eu sou mulher e parem de me xingar, pode para de mim xingar, eu não xingo vocês não, quando eu vejo o povo lá fazendo bullying eu vou lá e defendo, eu não fico fazendo isso não [...] Mas se Deus quiser vocês vai tá vendo eu na televisão [...] eu quero ser jogadora e eu vou ser, o que quiser de ser eu vou ser, o que importa eu gostar de usar roupa assim? Minha mãe deixou eu vou usar, é meu gosto não é o gosto de vocês. Vocês podem criticar, falar, eu subir em casa chorando, mas não é chorando de tristeza, é chorando de raiva, eu não vou desistir não, eu não vou desistir não véi e agora nesse vídeo eu não tenho vergonha também não! Me respeita pô, eu sou mulher, eu quero ser tratada bem, eu trato os outros bem, caramba é difícil entender isso? Muita gente já fica falado coisa, coisa, coisa, eu sei que vou sofrer muito pela frente, mas vou deixar claro aqui, eu sou mulher e pode falar o que quiser [...] eu sou mulher, eu sou mulher, de coração eu sou mulher, deus meu fez como ser mulher e eu vou ser mulher para o resto da minha vida [...] então fique na sua aí, faça o seu que eu faço o meu, beleza? Desfaço de ninguém na rua não, eu tenho educação em casa, vá aprender a se educar (Souza, 2020).
Na fala da garota, da para elencarmos algumas questões que são impostas pelos padrões culturais e que reverbera de maneira pejorativa quando as pessoas vão direcionar suas falas a ela. Fala de short curto e de dança como uma peça de roupa e uma prática corporal estereotipadas e direcionadas apenas para mulheres, e retruca dizendo que, apesar de ela se reconhecer como mulher, não gosta desse estilo de roupa e nem de dançar. Quando diz saber que vai “sofrer muito”, subentende-se que ela reconhece as atrocidades que nossa sociedade causa na vida de mulheres que decidem
se tornar jogadoras de futebol. Podemos falar aqui também de Júlia Rosaldo de Souza (Juju gol, 10 anos), a primeira garota Federada no Brasil (é a única até hoje que pode disputar partidas oficias contra meninos), ela atua em algumas divisões de base no futsal, no society e no futebol de campo disputando campeonatos em equipes de meninos desde muito novinha (aos 4 anos), pois não existe times de meninas para sua idade. Ela revela:
De uns tempos para cá, quando comecei a jogar melhor que alguns meninos, os pais falavam: ‘Essa menina não pode jogar melhor que meu filho’. Então, eu jogava, o pai falava para me empurrarem, que não era para eu estar ali, que era para eu estar na casinha de boneca’. A cada dia estou mostrando que futebol é coisa de menina também (Borges, 2019).
E diz mais: “Os meninos me respeitam, sempre me trataram bem. Mas alguns pais dos meus adversários nos jogos mandam puxar meu cabelo, me bater, me machucar, me empurrar para a grade. Isso não é bom, mas sempre me motivou a lutar mais pelo futebol feminino” (Borges, 2019). Em um determinado campeonato o número do seu uniforme foi o 24, ao ser questionada o porquê, disse: “Porque foi o que restou pra mim tio” (Junior, 2020). A gente sabe o porquê real, o número 24 se tornou uma forma de rotular os sujeitos de maneira preconceituosa, relacionando-os a representação
do animal veado na tabela do jogo do bicho. Os corpos carregam marcas e portanto
Louro (2008) vai dizer que a ignorância não é neutra, ela é produzida como resíduo do conhecimento.
Percorrer histórias, procurar mediações entre passado e presente, identificar vestígios e rupturas, alargar olhares, descontruir representações, desnaturalizar o corpo de forma a evidenciar os diferentes discursos que foram e são cultivados, em diferentes espaços e tempos, é imperativo para que compreendamos o que hoje é designado como o corpo desejável e aceitável (Goeller, 2003 in Rodrigues; Dallapicula; Ferreira; 2015, p. 47).
Pelo fato de ofutebol ser recheado de opressões, consequentemente a arbitragem
carrega um ranço histórico de ser um trabalho de/para homens cis héteros, porém corpos dissidentes alimentam-se de resistências, enfrentam os preconceitos e mesmo que de maneira árdua ocupam espaços quase sempre negados, dizendo sim para a diversidade. Vos trago o exemplo da história de vida do árbitro Jorge José Emiliano dos Santos, mais conhecido como Margarida, nascido em 1964 e falecido em 1995 com o diagnóstico de HIV/AIDS. Árbitro profissional, homossexual assumido, com trejeitos femininos extremamente extravagantes, que apitava em meio a um contexto de Ditadura Militar, realizando movimentos peculiares que chamavam a atenção por onde passava. A
reportagem do programa Baú do Esporte (2015) falou sobre a atuação do Margaridano
corpo estranho num ambiente tão opressor, e ao final do jogo o Margarida desabafou: “É muito difícil, você num país preconceituoso como o nosso assumir certos posicionamentos e conseguir vencer. Eu acredito que com essa arbitragem eu devo ter dado uma resposta aqueles que diziam nesses lugares bicha não pode apitar” (Barcellos, 2015).
Após sua morte, o árbitro Clésio Moreira dos Santos adotou o apelido de Margarida em sua homenagem.
“[...] eu havia já visto imagens de outros árbitros folclóricos do futebol brasileiro como Armando Marques, Jorge Gemiliano, Roberto Nunes Morgado [...] que traziam alegria para o campo de futebol, resolvi misturar um pouquinho de cada [...] e deu o margarida catarinense [...] Eu digo para todo mundo que eu sou o percursor de colocar uma cor tão feminina, que é o rosa, dentro de um esporte tão machista que é o futebol. No mundo todo [...] até então ninguém havia tido a coragem (Marques, 2017).
Os sentidos são constituídos por uma relação de forças entre um discurso que aponta para o que já foi dito, assim como para o que vai/pode ser dito no futuro, em um processo de continuação que nunca se encerra. Os sujeitos sempre podem ser ou tornar-se outros, incorporando o “novo”, o possível, o diferente. O simbólico e o político tornar-se conjugam nos efeitos. O não dito, o silêncio ou o silenciamento, censura aquilo que é proibido dizer.
Considerações e apontamentos
As histórias, aqui relatadas da vida de mulheres/meninas no futebol e do árbitro Margarida, nos permitem levantar alguns questionamentos sobre o saber-poder masculinizado e hegemônico, exercido na construção dos corpos dos sujeitos nos ambientes esportivos. Assim, utilizo Louro (2000) para perguntar: “[...] Por que a dominação masculina é tão endêmica na cultura? Por que a sexualidade feminina é vista tão frequentemente como subsidiária da sexualidade do homem? Por que nossa cultura celebra a heterossexualidade e discrimina a homossexualidade?” (p. 32). Os sujeitos aqui citados são considerados transgressores e dissidentes, são os donos de corpos estranhos, ou melhor, corpos que são estranhados quando postos num contexto onde a normalidade é configurada pela heteronormatividade.
Muitos críticos podem questionar o fato de usufruir do contexto dos esportes de alto rendimento para tratar de currículo, problematizando a vida de sujeitos que teoricamente conquistaram um lugar de ascensão de acordo com ideia da meritocracia. Tentamos fazer essa junção de debates justamente para compreender que lugar é esse de
busca? Por que competir ao invés de cooperar? Por que é preciso disciplinar, normalizar, hierarquizar e segregar os indivíduos? São essas e outras perguntas que nos fazem indagar as ideologias que se expressam implícita e explicitamente na formação dos sujeitos.
Entendemos que para superar esses ranços históricos no âmbito dos esportes é preciso romper com paradigmas da construção social e portanto a defesa de um novo/outro projeto de sociedade que supere o capitalismo. Por isso, que neste trabalho buscamos o contexto do futebol para debater com as questões hegemonicamente naturalizadas, e que ainda perduram imbricadas nas grades curriculares de formação de professores em Educação Física na contemporaneidade, contribuindo para a manutenção dos preconceitos. É preciso desconstruir seus respectivos direcionamentos no sentido econômico, de atender as necessidades do sistema (atualmente com a ideia do “mundo fitness”) e encabeçar uma formação desnaturalizada/desnormatizada que permitam os sujeitos se produzirem na diversidade de gênero e sexual, possibilitando os corpos possíveis, fluidos como propõe Louro (2008) com a política queer.
REFERÊNCIAS
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