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Rev. Soc. Bras. Med. Trop. vol.10 número5

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NECESSIDADE DE UMA POLÍTICA SA NITÁR IA NACIONAL PARA O

COMBATE ÀS PARASITOSES INTESTINAIS

Carlos Vinha*

As declarações, in fo rm a ç õ e s ou p ub lic açõe s

dadas a p ú b lic o sobre as m etas ou pro gram as a serem c u m p rid o s p elo M in is té r io da Saúde em suas cam panhas c o n tra end em ias ou doenças

tran sm issív eis, e m b ora re g istre m ra c io n a l e ju s ­

tific á v e l destaque à in te n s ific a ç ã o , a m p lia ç ã o e q u a lific a ç ã o de algum as delas, de m a io r e às

vezes de re la tiv a e x p re ss iv id a de no m osaico n o s o ló g ic o n a c io n a l, abstraem -se de q u a lq u e r

re fe rê n cia às doenças e n te ro p a ra s itá ria s , v e rm i- noses (e x c e tu a d a a esquisto sso m os e), p ro to - zooses etc, c u ja im p o rtâ n c ia s a n itá ria não c o m ­

p o rta c o n te sta ção , ta n to pelos a lto s índices

e n c o n tra d o s , c o m o pela pre va lê ncia em quase toda s as c o m u n id a d e s n acion ais , o nde os grupos

p o p u la c io n a is de m en ores padrões e c o n ô m ic o - sociais pagam m aiores tr ib u to s em saúde e bem

estar a esse tip o de doenças. E especialm e nte nas co m u n id a d e s rurais, o nd e a assistência

m é d ic o -s a n itá ria é m ais p re cária ou m esm o in e x is te , a in c id ê n c ia é ta n to m a io r e os casos

graves ta n to mais fre q ü e n te s q u a n to mais m o ­ destas ou p iores as c o n d iç õ e s e padrões de vid a , q ua isq ue r m edidas, m esm o in c ip ie n te s ou im ­

p e rfe ita s neste s e to r de doenças, im p lic a m em sa tisfazer dem andas de serviços sa nitá rio s

ó b v io s e pre m en te s, se q u is e rm o s a c o m p a n h a r o r itm o esperado e o b tid o em o u tro s setores d o d e s e n v o lv im e n to n ac io n al.

As e s ta tístic a s d o p r ó p r io M in is té rio in f o r ­

m am que e x is te m cerca de 25 m ilh õ e s de a n c ilo s to m ó tic o s n o país; a p ro x im a d a m e n te 6 0 m ilh õ e s de p o rta d o re s /d o e n te s de Ascaris e de

Trichuris, e u m n ú m e ro d ific ilm e n te avaliável de p o rta d o re s /d o e n te s de o u tro s parasitas in ­

te s tin a is — amebas, Giardia, Enterobius, Taenia sp. etc. L im p o s e d e s in fe c ta d o s de q u a lq u e r p a ra s itis m o in te s tin a l ta lv e z se e n c o n tre m cerca

de 15 a 20% de in d iv íd u o s , nas grandes cidades

e co m u n id a d e s saneadas. Mas para estabelecer m a io r d e s e q u ilíb rio , m u ito s dos parasitados

apresentam -se p o rta d o re s /d o e n te s de mais de

um a espécie de parasita in te s tin a l.

A ausência de u m a p o lític a c o n c re ta de

c o m b a te ou cam panhas que visem e q u a cio n a r ou res o lve r p ro b le m a s de saúde que en vo lve m tã o e le vad o n ú m e ro de p o rta d o re s e de doentes p o r parasitoses que in fe s ta m , m a ltra ta m , degra­ dam , in c a p a c ita m e d e s v ita liz a m m ilh õ e s de

in d iv íd u o s , e as lim ita d ís s im a s referências a tra b a lh o s , a tiv id a d e s ou pre ocupações e s p e c ífi­ cas c o n tra essas parasitoses não se ju s tific a m

nem se c o a d u n a m com o interesse e e n fo q u e

que o M in is té rio da Saúde e o p ró p r io G o ve rn o d eclara m e revelam pela m e lh o ria das co ndições s anitá ria s e padrões de vid a d o h o m e m n ac io n al, em to d o s os q ua dran te s e setores.

A p ró p ria ca m pa nha c o n tra a anc ilos to m os e ,

e m b o ra o fic ia lm e n te sob resp on sab ilid ad e e

â m b ito federais, apresenta-se tím id a , m argin al, residual ou p u ra m e n te s im b ó lic a . Os m ilh õ e s de p o rta d o re s /d o e n te s exig em e m erecem m a io r

v o lu m e de tra b a lh o e de in v e s tim e n to s n o setor. Para se v e rific a r e avaliar o p eq u e n o ou lim ita d o

e s fo rç o re a liz a d o pela S u p e rin te n d ê n c ia de Cam panhas de Saúde P ú blia (Sucam ) nesta

ca m panha, basta c ita rm o s os n ú m eros que atestam suas a tiv id ad es para to d o o país. (Tabela anexa).

N ão há q u a lq u e r e sp ec ifica ção para cam pa­

nhas de massa ou a tiv id ad es que se re fira m a o u tra s parasitoses in te s tin a is e n c o ntra da s no

m esm o exam e c o p ro s c ó p ic o e que p o d e ria m ser o b je to de u m tra ta m e n to e s p e c ífic o , atenções

etc. A ascaríase, as teníases, as p ro to zo o ses etc. não são in c lu íd a s para a te n d im e n to de massa,

a ind a nas cam panhas d o M in is té rio da Saúde.

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C am panha c o n tra a a n c ilo s to m o s e

Exam es

R ealizados P o sitiv os para D oentes

n o a n c ilo s to m íd e o s tra ta d o s

1 95 6 9 2 .6 7 4 5 6 .4 0 9 9 0 .9 4 1

1957 3 2 5 .3 0 6 1 0 2 .7 0 5 3 8 3 .9 9 0

1 95 8 5 8 3 .5 1 7 1 6 6 .2 0 7 6 3 8 .8 1 2

1 95 9 7 9 2 .6 9 0 2 4 8 .2 5 4 1 .1 3 9 .9 8 7

1 96 0 7 1 8 .2 5 6 2 3 1 .8 2 6 1 .4 7 2 .7 8 4

1961 5 6 7 .3 1 5 1 5 9 .8 4 5 6 9 6 .0 8 7

1 96 2 7 0 7 .0 1 6 2 1 8 .4 7 6 9 6 3 .6 3 4

1 96 3 9 4 4 .1 9 5 2 7 5 .1 5 2 1 .5 6 8 .4 5 3

196 4 1 .2 8 6 .4 0 2 3 2 9 .5 2 7 2 .4 6 3 .4 5 0

1 965 1 .6 1 7 .7 6 5 4 7 2 .9 0 1 2 .9 6 5 .8 5 1

196 6 1 .8 5 4 .2 8 3 5 3 4 .5 9 0 3 .3 1 9 .0 3 5

1967 2 .2 6 1 .0 1 9 6 1 7 .2 0 5 3 .7 4 6 .3 4 4

196 8 2 .4 4 0 .4 6 7 6 9 1 .8 3 2 3 .0 9 8 .5 4 1

196 9 2 .5 1 1 .0 8 0 6 6 4 .5 5 2 3 .0 2 5 .0 1 8

19 7 0 2 .3 1 8 .6 8 3 5 8 5 .2 0 9 2 .2 1 5 .2 6 5

1971 2 .1 8 2 .9 1 5 5 2 5 .4 7 3 1 .4 7 6.99 1

1 972 2 .0 8 1 .3 2 2 4 7 6 .2 9 4 9 0 5 .9 4 5

1 973 1 .7 9 6 .9 7 0 3 7 0 .0 2 3 4 8 3 .8 7 9

1 974 1 .0 1 6.01 1 187.39 1 3 1 4 .4 9 5

Por que a desatenção, desp reocupa çã o, o

desinteresse, a om issão em reiação às parasitoses

intestin ais ? N ão serão elas doenças endêm icas transm issíveis, p e rfe ita m e n te cara cteriz ada s co ­

m o de resp on sab ilid ad e dos órgãos de saúde pública? E x is te m c o n tra elas m e d ica m e n to s e

m éto do s de c o n tr o le e de co m b a te . Os m ilh õ e s de v e rm in ó tic o s não m erecem perm a ne ce r je ju - nos de q u a lq u e r m ed id a sa n itá ria de â m b ito

nacional. M u ito s desses in d iv íd u o s e c o m u n id a ­ des verão suas casas b o rrifa d a s c o n tra a m alária ou o b a rb e iro , serão va cina dos c o n tra a tu b e r ­

culose, a fe b re am arela, a v a río la , a m e n in g ite ou a p ó lio etc, e n q u a n to são c o rro íd o s in te rn a ­

m ente pelos parasitas in te s tin a is sem q u a lq u e r vis lu m b re de de sinfecção de seus verm es. A o mesm o te m p o em que se desencadeia um a cam panha n a c io n a l de "P o v o lim p o é Povo

d e s e n v o lv id o ", o p o b re S u gism un do ru ra l, su­ b u rb a n o e m u ita s vezes c ita d in o é o Jeca T a tu c h e io de verm es, a n ê m ic o , frá g il e fru s tra d o , o

m esmo a d u lto , jo v e m ou c ria nç a , desassistido, dos te m p os de M o n te iro L o b a to , há m ais de

m e io século. 0 P ovo saudável q ue se deseja, é o h om em lim p o p o r fo ra e p o r dentro. C o m o se a d m itir apenas a aparência lim p a ? O S u gism un ­ do deve ser ta m b é m desp arasitado , p o rq u e só

assim po d erem os c o n s id e rá -lo in te g ra lm e n te

lim p o .

Os in d iv íd u o s e n te ro p a ra s ita d o s em nossas áreas rurais e m esm o c ita d in a s c o n s titu e m

e n o rm e legião de desam parados, d e s p ro te gido s, desassistidos, m a rg in a liz a d o s até em nossas ca m ­

panhas sanitárias. Mas c o m o ? N ão se c o m p re ­ ende essa a titu d e das a u to rid a d e s sanitárias.

Será que apenas os leprosos, os tu b e rc u lo s o s , os cancerosos, os d oe nte s de m alária , de leish-

m anioses ou os rarís sim o s casos de peste, de fe b re am arela m erecem aten ção e cu id ado s? A

re d uç ã o das c o n d iç õ e s física s e de a tivid a d e s de cada pa ras ita do , m u ltip lic a d a s p e lo expressivo

c o n tin g e n te de d o e n te s /p o rta d o re s deve repre­ sentar um a pe rda ó b v ia p re visíve l de in c o n tá v e is dias de tra b a lh o , de capa cida de para o a p re n d i­ zado, de a tra so de d e s e n v o lv im e n to fís ic o e

m e n ta l, social e c o m u n itá rio . A c ria n ç a in fe c ta ­ da, m al n u trid a , v u ln e rá v e l, e m b o ra sob reviva q u a n d o resiste e s o b re p u je a o u tra s doenças e afecções, carregará p o r to d a a vid a , m u itís s im a s

vezes abreviada p o r c o n ta da m e n o r re s itê n c ia a o u tro s males, lesões e suas seqüelas, levará o

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derável de sua capacidade de s o b re vivê nc ia e de a ju s ta m e n to ao m e io a m b ie n te p ode rá fic a r s e ria m e nte c o m p ro m e tid a em d e c o rrê n c ia de doenças que a lesio naram d u ra m e n te desde o

n a s c im e n to e pela in fâ n c ia a fo ra . Q u a n to m a io ­

res as cargas de parasitas e q u a n to m ais ce d o e mais d u ra d o u ra s essas infesta çõe s, m ais sensí­

veis e ta lv e z irre cup eráv e is as d e fic iê n c ia s e

m eiop rag ias q ue p o d e rã o c o m p ro m e te r p o r to d a a v id a aquele in fe c ta d o , v e rm in a d o , d e ix a ­ d o ao desa m p aro , s o fre n d o os p re ju íz o s acarre­

ta dos p o r suas doenças. E se essas legiões de parasitado s, lesados, d oe nte s e tc , se m u ltip lic a m

e n tre si, p od em os ava liar, a lo n g o p ra zo , os m alsinad os descendentes e decadentes gerações que d a í a d v irã o . P o rta n to , essas parasitoses

rep re sen ta m , c a ra c te riz a m e re clam a m as s o lu ­ ções ou atenções dos p ro b le m a s de eugenia e de

d e s e n v o lv im e n to , p o s to q ue a c o m e te m c o m u n i­ dades e exten sos g ru pos p o p u la c io n a is especial­

m ente rurais, e d e ve ria m c o n s titu ir ju s to m o tiv o de a larm e e de pre ocu paç ões para to d a a

c o m u n id a d e , suas a u to rid a d e s e líderes. As ca m panhas c o n tra as parasitoses in te s ti­ nais já co n s ta m c o m o pro gram as n o rm a is em m u ito s países e co m u n id a d e s. A p enas deve ser

e stra n h a d o que os sa nita ris ta s n ac io n ais não se

s in ta m m o tiv a d o s para u m a re a lid ad e b ru ta l, ta lvez p o r fa lta de renovação e a tu a liz a ç ã o dos

seus q u a dros té c n ic o s , p e lo es cle ro sa m e nto das ro tin a s de tra b a lh o ou pela in a p e tê n c ia para a b e rtu ra de novas fre n te s de a tiv id a d e s no

c a m p o s a n itá rio . E m u ito p rin c ip a lm e n te pela fo rm a ç ã o m éd ica, té cnica , sa n itá ria de nossas escolas que ain da não d era m a d ev id a ênfase a

esse t ip o de doenças e ju lg am -n as quase inócuas c o m o doenças, m a té ria de lite r a tu r a m é d ica sem

m a io r expressão, c a p ítu lo quase esg otad o c o m o p ro b le m a c lín ic o . E n q u a n to pe rm a necem os

quedo s e ledos, in d ife re n te s a estes p ro ble m a s

c o m o o b je tiv o s de cam panhas sa nitárias , vá rio s países em penham -se se ria m e nte n o seu e qu acio-

n a m e n to e c o n tro le . O Japã o, p o r e x e m p lo , desde 1 9 4 6 rea liza u m a cam p an ha n ac io n al c o n tra a ascaríase, c o m cerca de 8 .5 0 0 .0 0 0 exam es c o p ro s c ó p ic o s anuais, e tra ta m e n to

c o n c o m ita n te dos parasitados. C onseguiu re d u ­ z ir a in c id ê n c ia da ascaríase, em te rm o s n a c io ­ nais, de 3 6% e em inú m e ra s co m u n id a d e s de 6 0

e mais p o r c e n to de parasitado s, para cerca de 2%. E os japoneses não são a c o m e tid o s pelos a n c ilo s to m íd e o s , a re q ue re re m m aiores c u id a ­

dos. A C hin a in s ta lo u , lo g o após a sua re v o lu ­ ção, cerca de 8 .0 0 0 la b o ra tó rio s para exam es c o p ro s c ó p ic o s e realiza desde e n tã o m o n u m e n ­ ta l ca m pan ha c o n tra as e nte rop ara sitoses. A

Rússia se p re o c u p a e a tua co m esse tip o de ca m p an ha e Fo rm os a o rg a n iz o u m o d e la r p ro ­ grama c o n tr a a ascaríase, cons ide rad a c o m o

grave p ro b le m a s a n itá rio . E m nosso país, tem o s mais de 6 0 m ilh õ e s de p o rta d o re s /d o e n te s de

Ascaris. N ão seria desejável in s t it u ir u m p ro g ra ­ ma n a c io n a l c o n tra esses h e lm in to s ?

Sabemos q ue os Ascaris a lim entam -se e p a rtilh a m d o a lim e n to do seu h osp e d e iro , em

m a io r ou m e n o r p ro p o rç ã o de a c o rd o c o m a carga p a ra s itá ria , e v id e n te m e n te . Este comensa- lis m o indesejável é ta n to mais p re ju d ic ia l q u a n ­

to m e n o r o n ív e l e c o n ô m ic o d o in d iv íd u o e da fa m ília pa ras itada , m á x im é para as crianças

infestadas, nas qua is as d e fic iê n c ia s n u tritiv a s ou carências re fle te m -s e n o d e s e n v o lv im e n to

p s ic o -s o m á tic o que b io lo g ic a m e n te req uer m a io r a p o rte de a lim e n to s . E starem os em in ú ­

m eros casos — q u a n d o e e n q u a n to estiverm o s

fo rn e c e n d o a lim e n to , s u p rim e n to s a lim en tare s ou n u trie n te s —, p ro m o v e n d o ta m b é m o susten­ to d o ve rm e co m en sa l, às dezenas e m esm o mais em cada p o rta d o r, que c o m p a rtilh a rã o d o re-

p a s to d ado para a lim e n ta r o in d iv íd u o parasita­ do. U m a parcela m ais ou m enos su bstancial dessa c o m p le m e n ta ç ã o a lim e n ta r será p o r isso in a p ro v e ita d a pela c ria n ç a parasitada, m in im i­

z a n d o os o b je tiv o s h um an os e té c n ic o s da m erenda escolar, d o s u p rim e n to a lim e n ta r. O

m esm o, m utatis mutandis, p od erá ser re p e tid o em relação a o u tro s parasitas in te s tin a is , com algum as agravantes ligadas à n u triç ã o (anem ia

na a n c ilo s to m o s e , d ia rré ia s nas pro to zo o se s

e tc ).

Vê-se, p o r esse b in ô m io verminoses-nutrição,

ou antes', pela s ig n ific a ç ã o dessas parasitoses no estado n u tr ic io n a l d o in d iv íd u o in fe c ta d o , a

im p o rtâ n c ia de se d e s in fe c ta r o in d iv íd u o e, p o r

extensão", a c o m u n id a d e d o e n te , c o m o c o ro lá rio

de u m p ro gram a bem o rie n ta d o de assistência a lim e n ta r ra c io n a l, in te g ra l. Se neste pro gra m a o o b je tiv o é co n se g u ir o m e lh o r re n d im e n to do

a lim e n to , e n riq u e c ê -lo , p o te n c ia liz á -lo etc, o d e s p e rd íc io , perda , in a p ro v e ita m e n to de q u a l­ q ue r q u a n tid a d e desse s u p rim e n to , p o d e n d o ser e vita d os , c o rrig id o s , e lim in a d o s , c o n trib u e m pa­

ra as fin a lid a d e s do p la no . Nesse s e n tid o , em

algum as das c o m u n id a d e s program adas para o e n riq u e c im e n to a lim e n ta r, devem co n s ta r, q ua­

se o b rig a to ria m e n te , cam panhas ou a tivid ad es c o n tra as parasitoses in te s tin a is c o m o m edid a c o rre la ta ind ispensável e, em ú ltim a ins tân cia,

nada custa te n ta r e observar-se o c o m p o rta m e n ­

to dessa associação.

O G o v e rn o Federal, p e lo seu ó rg ão de

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de Saúde P ú blic a (S u cam ), as Secretarias Esta­ duais de Saúde, m u itís s im o s m u n ic íp io s e ó r ­ gãos locais de saúde, tê m c o nd içõ es para c o m ­

bater, re g im e n ta l, e sp e cífic a ou c o m p le m e n ta r- m ente essas e nte rop ara sitos es, a re b oq ue da

ca m panha c o n tra a esquistossom ose p e lo ó rg ã o fede ral e nas áreas o nd e e xiste esta h e lm in tía s e ,

ou c o m o a tiv id a d e a u tô n o m a em quase to d a s as c o m u nid ad es nac ionais. Pode ser u m a r o tin a a lo n go pra zo , sem d iv id e n d o s p ro m o c io n a is ou

p o lític o s im e d ia to s , e que, n o e n ta n to , não são

fre q ü e n te m e n te co g ita d o s p o r m u ito s sanitaris- tas e a d m in is tra d o re s sanitá rio s.

C onvém , c o n tu d o , re p e lir e c o n tra ria r o u tr o aspecto ou pressup osto e que c o n s titu e , e m b o ra

v e rd ad eiro , quase sem pre um a ressalva, defesa, desculpa ou excusa para p osterg ar ou tra n s fe rir esse tip o de ca m pa nha para o u tro s m o m e n to s ,

para o u tra s a d m in is tra ç õ e s ou c ircu n stâ n cia s. É o de que o p ro b le m a das parasitoses in te s tin a is está in tim a m e n te v in c u la d o ao su b d e se n vo lv i­

m e n to , à fa lta de sa nea m en to a m b ie n ta l, à

deseducação e d e s in fo rm a ç ã o sa nitá ria s; e esses fa to res dev eria m ser equ ac io n a do s ou res olvidos para que, c o m sua s o lu çã o , desapareça ta m b é m ou reduza a nív eis to le rá ve is o p ro b le m a das parasitoses in te s tin a is . Estes a rg um en to s, até

c e rto p o n to v á lid o s , de há m u ito fo ra m u ltr a ­ passados pelos atuais recursos m ed ica m en to so s c o n tra essas parasitoses. A desparasitação de um doe nte ou m esm o de um a c o m u n id a d e a c u r to

prazo é ou p ode c o n s titu ir-s e m era que stão

a d m in is tra tiv a e te ra p ê u tic a . Os m o d e rn o s asca- ricidas, p o r e x e m p lo , seguindo-se esquem as

te ra p ê u tic o s já consagrados, p od em p e r m itir o

c o n tro le dessa h e lm in tía s e em q u a lq u e r c o m u ­ nidade, m esm o que não se p ro m o v a o sanea­ m ento a m b ie n ta l e e n q u a n to se c u id a desse

p ro ble m a na co m u n id a d e . O d ia g n ó s tic o de uma parasitose e a m ed icaç ão subseqüente e específica p od em antecipar-se a u m a rede de

esgotos ou à educação s a n itá ria , ou p e lo m enos ca m inh are m a par e passo. R efira-se que, em

m u itís s im o s casos, o que se deseja e p ro p o r c io ­

na resultados é re d u z ir a carga de parasitas em cada p o rta d o r, fa to que, e m b o ra não seja radical ou ideal, já tra z b e n e fíc io s consideráveis.

O prossegu im e nto da ca m pa nha e a c o n s c ie n ti­ zação d o p ro b le m a p o r p a rte d o p ú b lic o se encarregarão de fa z ê -lo p a r tic ip a r d ire ta ou

c o n d ic io n a d a m e n te do p ro gram a para su pe rá-lò, equ acio ná -lo , resolvê-lo.

Os recursos a tu a lm e n te d estin ad os ao tr a ta ­

m e n to em massa dos parasitados são v u lto s o s e o g ov ern o está se n s ib iliz a d o para a te n d e r a

m aiores dem andas, caso se faça s e n tir o p ro b le ­

ma, pro m ov am -se os necessários es cla re cim e n ­ to s e se d e fin a m os o b je tiv o s . A Cem e (C e ntra l

de M e d ica m en to s) já dispões ou p od erá co nsig­ na r os recursos indispensáveis para fa z e r face às

e xig ências de u m ta l v o lu m e de a te n d im e n to s . Basta, su po m o s, q ue sejam ex po sta s as in d ic a ­ ções, razões e perspectivas dessa ca m p an ha e

p ro m o v id a s as m edidas e pro gram as aju izad os para a te n de re m à sua e xten são e q u a lific a ç ã o .

C o m o o la b o r a tó r io para d ia g n ó s tic o copros-

c ó p ic o é a peça fu n d a m e n ta l para o equ acio na - m e n to desta cam p an ha , a a m p lia ç ã o da rede de

la b o ra tó rio s to rna -se u m a p ro v id ê n c ia essencial, fu n d a m e n ta l para o e q u a c io n a m e n to d o p ro b le ­

ma. A s im p lic id a d e dos exam es não exige um a p re n d iz a d o m u ito d e m o ra d o ou c o m p le x o —

e m b o ra não devam os d escu rar d o a p e rfe iç o a ­ m e n to e especialização d o pessoal d e s tin a d o a

esse d ia g n ó s tic o — o que p e rm ite fo rm a r em p o u c o te m p o u m c o rp o basta nte razoável de c o pros co pista s o u o v o -h e lm in to s c o p is ta s para

os exam es que se r e fira m aos h e lm in to s e

p ro to z o á rio s de interesse m é d ic o .

Urge, p o rta n to , a fo rm u la ç ã o de u m a p o l í t i ­

ca sa n itá ria o fic ia l em relaçã o a este p ro b le m a . Destina-se a a b r ir perspectivas de m e lh o r

saúde para u m se m -n ú m e ro de in d iv í­ d uos ainda m a rg in a liz a d o s nos program as sani­

tá rio s , p o r m elhores que sejam as in te n çõ e s das a u to rid a d e s sanitá ria s em o u tro s setores afins.

E m b o ra te nd am o s, v is iv e lm e n te , a a m p lia r e

d iv e rs ific a r os cam p os de atuação de nossas ativid ad es, re a liz a n d o vacinações em massa c o n ­

tra várias doenças sensíveis a esse m e io p ro filá - tic o , ain da não se fez s e n tir um a ação d ire ta e

e sp e cífica c o n tra as doenças p ro d u z id a s pelos e n te ro p a ra s ito s . E se q u is e rm o s assistir, a te n ­

der, c u id a r e n fim d o h o m e m d o in te r io r , ao invés de inv e stiga rm o s e d e te c ta rm o s os poucos e em alguns m o m e n to s os ra rís sim o s casos de

algum a e n tid a d e m ó rb id a em voga, de ve ría m os o lh a r c o m mais re a lis m o esse m esm o h o m e m e

co m e ç a r a lim p á -lo de suas "m a z e la s " pa tentes,

im e dia ta s. E in ic ia rm o s p o r sua desparasitiza-

ção, c o m o ca m pan ha de saúde p ú b lic a .

A o m esm o te m p o cabe u m re p aro. P o r que não se d a r o m esm o realce às parasitoses

in te s tin a is , reservado apenas à es quistosso­ mose? Por que d ia g n o s tic a r e tr a ta r os esquis-

to s s o m ó tic o s e não as sistir aos parasita dos co m o u tro s e n te ro p a ra s ita s d e te c ta d o s no m esm o

exam e c o p ro s c ó p ic o ? O ó rgã o fe d e ra l e as unida des locais de saúde re lu ta m em a te n d e r ou

m ostram -se in d ife re n te s ou desequipadas para esse tip o de a te n d im e n to . Os exam es co pros có -

(5)

SET—OUT/76 Rev. Soc. Bras. Med. Trop. 301

la b o ra to ria is de U nid ade s Lo ca is de Saúde, p a ra d o x a lm e n te , v is to serem os m ais c o rr iq u e i­ ros e fáceis de e x e c u ta r. M esm o nas U nida des

o u S erviços de A s sistênc ia In fa n til e nos S e rvi­

ços M éd ico s Escolares, p o u q u íssim a ate n çã o é p restada a esse tip o de exam e. A pressuposição

é de que a lgu m a espécie de in fe c ç ã o estará

quase sem pre presente e essas U nid ad es ver-se- -ia m incapazes de s u p o rta r o v o lu m e de exam es e de tra ta m e n to s necessários. E e n tã o para que e x a m in a r? E se não se e x a m in a , c o m o m e d i­ car? E c o n tr a q u a l paras ita m e d ica r? É o

c ír c u lo v ic io s o da in o p e râ n c ia . E não se tr a ta o que n ão se c o nh ec e ou não se d ia g n o s tic a . Será que esses parasitas devem ser co ns id e ra d os

p a c ífic a e irre m e d ia v e lm e n te com ensais o b rig a ­ tó rio s d o h o m e m , irre m o v ív e is ou irrele van tes?

C om preende-se que a C hin a, p o r e x e m p lo ,

te n h a re a liz a d o cam panhas n ac io n ais c o n tr a o p ard al e o cão, para d e s tin a r m a io r parcela de a lim e n to s para o h o m e m , c o n s u m id o s ou des­

tr u íd o s p o r aqueles a nim a is , e nós, c o m nossos m ilh õ e s de parasitados e de parasitas que

r e tira m dos seus p o rta d o re s p a rte su bstanc ia l do a lim e n to in g e rid o , não nos p re o c u p e m o s em

re d u z ir ou e lim in a r esse e n o rm e c o n tin g e n te de p arceiro s indesejáveis?

V á rio s p a ra sito lo g ista s, em o u tro s p o n to s do G lo b o , já fris a ra m que, co m a errad ic aç ã o da m alária d e s p o n ta m as parasitoses in te s tin a is

c o m o os mais graves p ro ble m a s de saúde p ú b li­ ca nos tró p ic o s . N o B ra sil, a ind a são raros os

sa nitarista s q ue ra c io c in a m em ta is te rm o s e /o u

te m e m assum ir a res p on sab ilid ad e e c o m p ro m is ­

sos de u m a a tu a çã o nesse s e n tid o . Mas o p ro b le m a e x is te e mais cedo ou m ais ta rd e deverá ser e nc a ra do c o m o rea lis m o que m erece.

Nosso e m p e n h o é o de a le rta r os p ro fis s io ­ nais, té c n ic o s , especialistas, tro p ic a lis ta s , a d m i­

n is tra d o re s sa n itá rio s , a u to rid a d e s sanitárias etc, para que p o n d e re m sobre as p ossibilida des de ser a b e rto u m f r o n t de a tiv id a d e s c o n tra essas

doenças, em e s tilo de cam panhas nac ionais, para p re s ta r u m real e e x e m p la r se rviço à

c o m u n id a d e n a c io n a l es pec ialm ente das áreas ru ra is , e possa q u a n to antes ser d ad o u m realce

m e re c id o a esse t ip o de p ro gra m a, à m argem a inda de nossas cam panhas de saúde p ú b lic a .

Há, p o r isso, necessidade de que se fo rm u le , a n ív e l c e n tra l, c o m ple na anu ên cia dos p ro fis s io ­ nais h a b ilita d o s a o p in a r sobre esse p ro b le m a ,

nesse s e to r de a tivid a d e s san itá ria s, o q ue deve ser fe it o c o m o p ro g ra m a n a c io n a l, c o m o obje-

Referências

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