Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.4,p.19696-19712 apr. 2020. ISSN 2525-8761
Tecnologia e educação a aprendizagem mais perto do aluno
Technology and education learning closer to the student
DOI:10.34117/bjdv6n4-221
Recebimento dos originais:27/03/2020 Aceitação para publicação:15/04/2020
Verônica Amaral Lopes
Especialização em Linguística Aplicada ao Ensino de Línguas Instituição: Faculdade Integrada de Vitória de Santo Antão FAINTVISA Endereço: Rua Ivinis de Oliveira, N° 141-Bairro: Neco de Leo, João Alfredo - PE
E-mail: [email protected]
RESUMO
Este artigo buscou apresentar algumas formas de utilização das Tecnologias Digitais da Comunicação e Informação (TDIC’s) e seu uso no ambiente educacional, utilizando as tecnologias como apoio ao ensino-aprendizagem e suas divisões. Foi uma revisão literária com intuito de mostrar alguns caminhos e práticas para o ensino-aprendizagem destacando qual o perfil do novo docente frente a estas novas tecnologias e quais os desafios para que seja colocado em prática o uso das mesmas. As novas tecnologias não podem ser relegadas apenas para o contexto social. No ambiente da sala de aula já é inegável a sua necessidade e os professores devem ter conhecimento de como utilizá-las de forma correta. Como resultado, percebemos que a tecnologia é uma auxiliar muito importante no processo de ensino, cabendo às instituições de ensino propor currículos bem elaborados e aos professores serem capacitados e interessados em melhorar constantemente a sua didática em relação às aulas em um mundo da era digital. A fundamentação teórica conta com o apoio das concepções de COSCARELLI (1998), MORAN (2007), CASTELLS (2009) entre outros. Essa pesquisa é de cunho qualitativo bibliográfico destacando o seu levantamento de dados por meios de leituras pertinentes ao tema. A importância das novas tecnologias na educação já é algo indispensável e desta forma destaca-se a reflexão sobre formas mais pertinentes de sua utilização nas metodologias e ações docentes. O educador é um propagador de informação e a mudança deve começar por ele.
Palavras-Chave: Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC’s). Ambiente Educacional. Ensino Aprendizagem.
ABSTRACT
This article sought to present some ways of using the Digital Technologies of Communication and Information (TDIC’s) and their use in the educational environment, using the technologies to support teaching-learning and its divisions. It was a literary review in order to show some ways and practices for teaching-learning highlighting the profile of the new teacher in relation to these new technologies and what are the challenges for putting them into practice. New technologies cannot be relegated to the social context alone. In the classroom environment,
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.4,p.19696-19712 apr. 2020. ISSN 2525-8761
their need is already undeniable and teachers must be aware of how to use them correctly. As a result, we realize that technology is a very important aid in the teaching process, it is up to educational institutions to propose well-designed curricula and for teachers to be trained and interested in constantly improving their didactics in relation to classes in a world of the digital age. The theoretical foundation is supported by the concepts of COSCARELLI (1998), MORAN (2007), CASTELLS (2009) among others. This research is of a qualitative bibliographic nature, highlighting its data collection by means of readings pertinent to the theme. The importance of new technologies in education is already something indispensable and in this way the reflection on more pertinent forms of their use in methodologies and teaching actions stands out. The educator is an information disseminator and change must begin with him.
Keywords: Digital Information and Communication Technologies (TDIC’s). Educational
Environment. Teaching Learning.
1 INTRODUÇÃO
Como o crescimento social e tecnológico mais expectativas e aprendizagens vão sendo exigidas para que o indivíduo se adapte. Quando não há adaptação em relação a essas expectativas acaba-se por perder desde oportunidades ou mesmo a não estabelecer comunicação com as pessoas que estão ao seu redor. Atividades simples e cotidianas já exigem o uso das novas tecnologias como ir ao banco, fazer compras em lojas e supermercados.
Desta forma este trabalho tem como objetivo geral investigar a interação entre as Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC’s) e a prática desta leitura no universo educacional. Essa temática foi levantada devido à necessidade de repensar as práticas em relação às TDIC’s, uma vez que seu uso ainda é muito mecânico e mal elaborado no contexto das aulas e no universo educativo como um todo. A relevância das novas tecnologias ainda parece imperar na mente de alguns educadores como a reprodução de um filme passado na TV ou mesmo apenas o uso de slides em palestras. O artigo tem como objetivos específicos conceituar as tecnologias digitais da informação e comunicação, conhecer as principais tecnologias digitais com as quais os professores interagem para fornecer suas aulas e descrever a importância das tecnologias digitais no auxílio de aulas inseridas com práticas digitais.
O uso dos termos tecnológicos no contexto educacional nos faz pensar no emprego mecanismos de evolução ao longo do tempo que trouxeram mudanças significativas. Kenski (2008) ressalta que “não podemos esquecer que a tecnologia é tão antiga quanto à espécie humana.” A autora salienta que por tecnologia não se fala apenas em aparelhos eletrônicos e sim tudo que beneficiou e beneficia ao ser humano. Assim sendo, apropriar-se das tecnologias garantiu uma mudança significativa na vida do ser humano não só na atualidade com adventos
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.4,p.19696-19712 apr. 2020. ISSN 2525-8761 aos eletrônicos. A escola nesse processo pode dispertar no aluno a colaboração da necessidade da interação em grupo para a formação da tecnologia e não apenas um ato isolado como ela muitas vezes é tão fortemente usada. Diante dessa temática temos a seguinte problemática: Como a mediação dos educadores através das TDIC’s favorece o ensino aprendizagem nas escolas?
É preciso atentar para a necessidade da qualificação dos educadores sobre o uso e os benefícios dessa nova tecnologia. A escola como palco de conhecimento deve adaptar-se a todas essas mudanças para que não se transforme em um universo à parte, descontextualizado das reais necessidades dos educandos. Sendo assim Coscarelli (1998) salienta que:
Com a globalização, a mecanização tem crescido assustadoramente e, a educação, como um sistema voltado a preparar o cidadão para a vida, deve se lançar na luta para levá-lo a deparar-se com essa situação com formação e capacitação profissional tecnológica, oferecendo-lhe oportunidades para enfrentar os desafios surgidos. (COSCARELLI, 1998, p.45).
Essa evolução das TDIC’s permite que a maioria da população tenha acesso à informação, o que traz mudanças profundas em várias áreas do saber, principalmente no campo educacional, onde são discutidos e construídos conhecimentos. A escola prepara para a vida e se o ambiente educacional se omite de oportunizar ao aluno o contato com as novas tecnologias deixa de cumprir o seu papel que é oportunizar aos cidadãos meios adequados para o exercício pleno de seus deveres e direitos em uma sociedade igualitária. O conhecimento tecnológico não se baseia apenas em acesso a internet ou redes sociais e sim, a criticidade de escolha de informações pertinente à exploração de temáticas pertinentes ao desenvolvimento.
Há desta forma um comprometimento dessa identidade uma vez que sem o respaldo desse conhecimento não poderá lutar em pé de igualdade com os demais. Assim sendo, de acordo com Moran (2007, p. 11) “Muitas aulas convencionais estão ultrapassadas, aulas baseadas no método expositivo, ou seja, o professor transmite o conhecimento e o aluno decora o conteúdo para a realização de provas”.
No entanto, ao longo do artigo atentaremos para as TDIC’s como mecanismo de apoio às aulas e não um método para se solucionar todas as dificuldades em sala de aula “[...] se ensinar dependesse só de tecnologias, já teríamos achado as melhores soluções há muito tempo. Elas são importantes, mas não resolvem as questões de fundo” (MORAN, 2007, p. 12).
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.4,p.19696-19712 apr. 2020. ISSN 2525-8761 A interação tecnológica é uma necessidade atual, sendo assim, cabe aos profissionais da área manter não só a mente aberta às mudanças como também atuar como propagadores do uso das TDIC’s de forma adequada. É necessário, no entanto, que os profissionais estejam capacitados para o seu uso e ver-se que, como mencionado esse ainda é um dos grandes desafios.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 TECNOLOGIAS DIGITAIS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TDIC)
As transformações são algo natural e o processo de evolução humana vem evidenciando dia a dia a necessidade de abraçar novas formas de comunicação e interação. As TDIC’s não são apenas a internet como muitos pensam e sim, um conjunto de equipamentos e aplicações tecnológicas, que têm na maioria das vezes a utilização da internet como meio de expansão para que se tornem um canal de aprendizagem e aquisição de informações. A evolução exige que se reconheça esse novo universo comunicativo para que se possa atuar nessas novas expectativas sociais. Ainda que não substituam totalmente as tecnologias convencionais (como rádio e televisão).
As TDIC’s são indispensáveis por propiciarem uma mudança de visão sobre muitas áreas do conhecimento e por agilizarem a velocidade da informação em todo o mundo. No cenário educativo, as TDIC’s podem ser utilizadas como ferramentas de suporte e devem ser orientadas para atender às necessidades educativas, pois os resultados dependem da orientação clara do que se pretende trabalhar em sala de aula para então determinar qual tecnologia se enquadra para alcançar o resultado esperado no processo de ensino e aprendizagem. “Escolher primeiro a tecnologia a ser utilizada nem sempre trará um resultado satisfatório, pois existem vários fatores que devem ser observados.” (MARTÍNEZ, 2013, p.13).
Para uma incorporação das TDIC’s nas escolas deve-se levar em consideração vários fatores dentre eles o de equipar as escolas que devem possuir plena capacidade de uso e local adequado para serem instalados os equipamentos, possuir um laboratório de informática que se destine especificamente as aulas tecnológicas, adquirir tecnologia, mobiliário, aplicativos e softwares de administração de redes, solicitar a distribuição, instalação no educandário, ter disponível manutenção dos equipamentos bem como atualização dinâmica que evite a obsolescência rápida, conectar as escolas à Internet mesmo a das zonas rurais, investir em estrutura e serviços de telecomunicações e preparar os educadores para o uso das TDIC’s na
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.4,p.19696-19712 apr. 2020. ISSN 2525-8761 sala de aula, pois os profissionais não têm um conhecimento prévio de como utilizar essas ferramentas e muitas vezes não imaginam como poderiam explorá-las na aula.
No cenário educativo principalmente, essas capacitações devem ser permanentes, observando-se que os profissionais não praticam o uso das TDIC’s constantemente, desta forma, fornecendo meios para a capacitação, motivação e inovação metodológica por parte desses profissionais. Uma ideia pertinente seria a inclusão no currículo de formação de professores e de disciplinas abarcando o uso tecnológico também sendo viável em especializações e pós-graduações como apoio à prática em sala de aula. “A escola precisa formar pessoas com potenciais muito flexíveis, que mudem, transformem e transitem em diversas situações, experiências e contextos” (CASTELLS, 2009, p.19).
Diante de tudo até então exposto fica claro que há um universo de discrepância entre a realidade que existe no contexto educativo e o necessário para que a escola realmente atue no cenário atual como mediadora eficiente frente às TDIC’s. Como se destacou sem dar atenção às condições do local de trabalho dos docentes e sem a consideração dos saberes que levam para a sala de aula, há esperança resumida de que as novas tecnologias tenham mais do que um impacto mínimo no ensino e na aprendizagem.
É preciso que se dê importância e se reflita sobre o papel cívico e social que as escolas desempenham nas sociedades democráticas. Nossa atual ênfase excessiva no uso da tecnologia na escola sem um apoio pertinente corre o perigo de banalizar nossos ideais e propagar o uso tecnológico de forma mais deficiente e desprovida de criticidade o que foge dos objetivos propagados pelo uso tecnológico desejável.
2.2 O USO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS NO AMBIENTE ESCOLAR
A mudança tecnologia é uma variante em constante mudança diariamente. Desta forma quanto mais tecnologia um país possui maior é sua força em um contexto social. Atuar em conformidade as novas demandas tecnológicas é uma necessidade real social. A expansão de tecnologias aplicadas na educação junta uma construção de saberes que parte da descoberta, a criação, e o aprimoramento possibilitando ao aluno ter papel ativo, buscando desempenhar e resolver suas necessidades de uso no contexto educacional da tecnologia.
Com o acesso cada vez maior da tecnologia há uma invasão na escola muitas vezes pejorativa. No sentido de pejorativo destaca-se a tecnologia de forma a apropriar-se de informação sem relevância nenhuma ou não há direcionamento e cuidado desse acesso
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.4,p.19696-19712 apr. 2020. ISSN 2525-8761 se por fazer mais mal que bem, ou mesmo não há ganho nenhum e sim, uma distração que prejudica o aluno.
Na rede pública essa invasão de forma benéfica é estimulada por meio das Políticas Públicas de Inclusão Digital, que promovem o repasse de computadores às escolas por meio de programas como o PROINFO (Programa Nacional de Tecnologia Educacional) que foi criado pela Portaria nº 522/MEC, de 9 de abril de 1997, visando a promoção do uso pedagógico das tecnologias de informática e comunicações (TIC’s) na rede pública de ensino fundamental e médio. Em destaque observa-se que novas tecnologias também exigem um manejo e cuidado com um material que requer manutenção. Essa tentativa de tornar a tecnologia uma marca na educação escolar leva o professor a um novo desafio que é o de incorporar as tecnologias em sua prática pedagógica significativamente.
O educador assim precisa estar em sintonia com as novas tecnologias e ter aparato para mediá-las no contexto das aulas. Como iniciativa a esses desafios está se levando as escolas a equiparem-se e pensarem na incorporação de recursos tecnológicos e aos professores a estar abertos à capacitação e aperfeiçoamento na área da tecnologia. O que se destaca é que muitas vezes cabe ao educador aprender a utilizar-se dessas tecnologias de maneira autodidata o que é preocupante mesmo que a intenção seja à construção do conhecimento e a tentativa de levar os alunos a formular e buscar soluções para problemas. Sendo assim, o professor precisa ser capacitado para tirar o melhor proveito das tecnologias que a escola disponibiliza. “Qualquer artefato técnico implantado na escola só frutifica sob a mediação do professor” (MENDES, 2010, p.12). Destaca-se assim, que não é um simples desafio educacional, mas uma situação real que está imposta para todos aqueles que realmente pensam em uma educação para o futuro visando à melhoria do processo de ensino na atualidade. De acordo com Amaral (2010):
No processo de ensino-aprendizagem, é importante destacar a importância do aprender fazendo, do aprender a aprender, do interesse, da experiência e da participação como base para a vida em uma democracia. As modernas pedagogias têm apontado na direção da aprendizagem ativa, do trabalho /coletivo, da participação, da pesquisa e da construção do conhecimento (AMARAL, 2010, p.19).
Não descartando a validade de medidas autônomas de melhoramento por parte dos educadores, no entanto, em relação às TDIC’s é necessário que haja uma mediação entre a teoria e a prática, para que realmente acarrete em um direcionamento educacional satisfatório. Infelizmente ações voltadas à atualização em relação ao cenário tecnológico encontram muita
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.4,p.19696-19712 apr. 2020. ISSN 2525-8761 resistência principalmente quando os educadores têm muito tempo de sala de aula tendo em vista que mudança sempre acarreta em medo. Desta forma:
Quando surge uma nova tecnologia, a primeira atitude é de desconfiança e de rejeição. Aos poucos, a tecnologia começa a fazer parte das atividades sociais da linguagem e a escola acaba por incorporá-la em suas práticas pedagógicas. Após a inserção, vem o estágio da normalização, como um estado em que a tecnologia se integra de tal forma às práticas pedagógicas que deixa de ser vista como cura milagrosa ou como algo a ser temido. (PAIVA, 2008. p.1)
Desta forma como metas, à profissionalização do professor deve-se haver a titulação pedagógica e a sua aproximação a métodos de ensino dinâmicos e atualizados. Essas metas e reflexões não são algo novo e são tema em foco desde 1984 destacados por Paulo Freire em “A máquina está a serviço de quem?” A educação precisa estar inteirada das mudanças e seus benefícios para a formação social de forma adequada. Desta forma:
Uma pergunta política, que envolve uma direção ideológica, tem de ser respondida politicamente. Para mim os computadores são um negócio extraordinário. O problema é saber a serviço de quem eles entram na escola (FREIRE, 1984, p. 6).
Não se pode existir mais o debate sobre a necessidade ou não de tecnologia no ambiente escolar, pois ela já é uma variante existente. A questão a ser discutida é como usar essas novas tecnologias de forma eficiente, proveitosa e estimuladora. Petry ressalta que (2006, p.19) “O conceito de novas tecnologias está associado à utilização do computador pessoal e ao acesso às informações em formato digital (texto, imagem estática e dinâmica e sons).” Segundo a visão do autor o a tecnologia atua de forma muito restritiva o que pode ser melhor enfocado para uma ampliação da visão com o auxilio da escola. Para Gesser (2012):
As novas tecnologias trouxeram avanços na área da educação, com metodologias empregadas para se fazer ensino, nas diferentes formas de materialização do currículo, de aquisição ou de acesso às informações para a efetivação da aprendizagem.” (GESSER, 2012, p. 34)
Assim sendo, podemos dizer que a tecnologia pode ser um instrumento útil no processo de educação escolar, constituindo de forma possível através de projetos bem organizados e
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.4,p.19696-19712 apr. 2020. ISSN 2525-8761 mudanças na grade curricular tornar seu uso mais satisfatório às necessidades e expectativas de uma sociedade cada vez mais politizada e informatizada. O uso de novas tecnologias na educação não implica em mudanças em toda a estrutura de suas temáticas e sim uma ampliação no foco de direcionamento. As novas tecnologias seriam usadas apenas como um instrumento, o que seria benéfico no processo educacional.
2.3 O PROFESSOR E O USO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS
As mudanças tecnológicas exigem uma maior qualidade na formação do docente e consequentemente uma maior exigência em sua prática na sala de aula. A atualização por parte da formação é uma necessidade no em tanto ainda se nota entraves nessa formação de novas práticas em relação a tecnologia. É exigido do mesmo, muitas atribuições e um novo perfil. Portanto, a docência como muitas outras áreas deve sempre estar se renovando para que a prática não fique estagnada. Segundo Sacristán (2000):
Propor inovações pedagógicas aos professores é remover a estrutura do trabalho e conscientizar-se de certas interdependências, já que, em geral, não se trata de simples substituições metodológicas, mas de importantes alterações que devem ser vistas dentro da complexidade dos encargos da função do professor e de acordo com suas possibilidades e obrigações de trabalho. (SACRISTÁN, 2000, p.238):
No entanto, o que se observa em relação à educação ministrada em sala de aula é justamente essa estagnação principalmente em relação à tecnologia. Muitos educadores têm uma grande resistência, sendo o fator idade um dos problemas. Quando mais idoso um educador maior tende a ser a rejeição em relação à tecnologia. Destacando que essa relação se dá por fatores muitas vezes da descoberta do processo como algo muito novo fora de sua realidade até então. Um educador acostumado ao seu ritmo de ensino tem mais dificuldades na mudança que um indivíduo que começará agora e já reconhece essa necessidade, além do indivíduo mais jovem crescer cercado pela tecnologia. Perrenoud (2000) cita que:
Dentre outras qualidades essenciais para a qualidade do ensino, o professor deve conceber e fazer evoluir os dispositivos de ensino, saber trabalhar em equipe, participar da criação e da execução do projeto pedagógico da escola, utilizar novas tecnologias em benefício da educação, cuidar da própria formação contínua e ter
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compromisso com a aprendizagem coletiva e individual. (PERRENOUD, 2000, p.42):
Sendo assim, a capacitação dos professores é de urgência e deve figurar como prioridade para os governantes. Com capacitações adequadas destinadas aos educadores os ganhos são inúmeros desde às TDIC’s ou mesmo a expansão de autonomia e conhecimento. Todas essas capacitações devem visar estimular suas ações e seus resultados visando a aprendizagem como um continuo. Para Moran (2007) “As tecnologias não substituirão os professores, mas irão permitir que várias tarefas e funções dos mesmos possam ser transformadas.”
Adaptar a educação a era digital é um processo que exige renovação. Essa renovação só é possível com incentivo é ao professor para se transformar em um estimulador do aprendizado do aluno, despertando a curiosidade em conhecer, em pesquisar, e buscar a informação mais relevante e que sejam ligadas no cenário social e suas necessidades. Para Valente (1993, p.45) “O professor deixa de ser o repassador do conhecimento para ser o criador de ambientes de aprendizagem e facilitador do processo pelo qual o aluno adquire conhecimento.” Assim sendo, ao professor cabe adaptar-se e ser mediador no espaço da sala de aula de formas variadas, gerenciando aulas à distância, orientando projetos e pesquisas com os alunos, usando as ferramentas disponíveis de modo a orientar o aluno quanto à utilização das tecnologias de maneira contextualizada e colaborativa. Tudo isso só é possível se ele tiver conhecimento tecnológico superior ou no nível dos alunos.
Para que o professor se atualize e inove, é imperativo que ele primeiramente tenha o anseio e a motivação e a educandário também se renove. Quando se fala em renovação não apenas em aspecto físico e sim em um contexto de reformulação de ideias metas e conceitos. Não é suficiente liberar internet à vontade na instituição, deve-se haver um direcionamento com base nessa necessidade educativa, Moran (2004) salienta o seguinte:
O que deve ter uma sala de aula para uma educação de qualidade? Precisa fundamentalmente de professores bem preparados, motivados e bem remunerados e com formação pedagógica atualizada. Isto é incontestável. (MORAN, 2004, p.15)
Na maioria dos educandários da rede pública de ensino, principalmente os rurais essas condições não condizem com a realidade da maior parte dos professores, pois a escola pleiteia a renovação, a inovação e a mudança, mas não proporcionam meios reais para o corpo docente alcançá-las. Quando os educadores ingressam na carreira docente assumem uma carga horária
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.4,p.19696-19712 apr. 2020. ISSN 2525-8761 de trabalho enorme o que prejudica sua prática pedagógica, não propiciando a utilização de ferramentas e técnicas mais elaboradas ou mesmo tempo para se dedicar a capacitações na área.
Desta maneira e com todos esses desafios o professor necessita mudar sua postura, preocupar-se em organizar suas atividades levando em consideração todo “o arsenal tecnológico” que tem em mãos e como eles podem contribuir para a efetivação da aprendizagem observando que muitas vezes além do uso precário ainda não há manutenção dos aparelhos. Segundo Moran (2004):
O professor agora tem que se preocupar, não só com o aluno em sala de aula, mas em organizar as pesquisas na internet, no acompanhamento das práticas no laboratório, dos projetos que serão ou estão sendo realizados e das experiências que ligam o aluno à realidade. (MORAN, 2004, p. 15).
Essa nova meta implica em ampliar a capacidade de propor novas atividades de aprendizagem utilizando-se das modernas tecnologias, de forma a indicar aos alunos novos desafios, de reconstrução de conhecimentos já existentes e incentivá-los para construção de novas atividades. Observa-se no cenário educacional que a não adesão do educador às novas tecnologias tendem a alienar ainda mais os jovens que não acham um propósito na realização das atividades. Atividades estas, que exigem do docente uma ação mais de orientação, de motivação, de tutoria, do que de expositor de conteúdos ou conhecimentos já produzidos. Sendo assim, faz-se necessário a urgência em investir em orientações tecnológicas tendo a mesma como uma realidade para se mudar um quadro cada vez mais grave de distanciamento entre a globalização e o ambiente escolar.
O professor é um agente mediador no ambiente educacional, no entanto, o professor não fez parte do processo de implementação da tecnologia na escola. As tecnologias foram introduzidas para complementar à formação do aluno, portanto, necessita em caráter emergencial, acompanhar a transformação social e a velocidade com que as informações são lançadas nos veículos de comunicação, a fim de que o aluno possa a partir de informações contextualizadas adquirir conhecimentos significativos.
Entretanto, o educador se vê imerso nesse mar de expectativas sem um apoio realmente efetivo de formação para mediar essas mudanças tanto no currículo como na prática das aulas de seu dia a dia. Muitos educadores não têm um domínio nem mesmo mínimo sobre o uso das
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.4,p.19696-19712 apr. 2020. ISSN 2525-8761 tecnologias digitais. Quando há o uso tecnológico acaba-se incorrendo em ações pré-programadas que na realidade não fortalecem os conteúdos a serem ministrados.
O educador se vê frente à necessidade de instaurar a mudança, no entanto, não sabe como associá-la às suas práticas até então ministradas. Quando se fala de novas tecnologias que o professor precisa dominar, não estamos apenas pensando em educação à distância, mas também as tecnologias que vêm a ajudar a sua aula presencial. Essas aulas presenciais precisam de todo um apoio que o educandário até tenta mais não consegue fornecer de forma satisfatória. São vários espaços que como diz Moran, “o novo professor tem que aprender a gerenciar e integrá-los ao seu ensino” (MORAN, 2004, p.14).
Desta forma o desafio é manter o aluno interessado em buscar novos conhecimentos e para isso, ele precisa adentrar o meio tecnológico e aprender a se comunicar com esse aluno multimídia. Logo,
O desafio que se impõe hoje aos professores é reconhecer que os novos meios de comunicação e linguagens presentes na sociedade devem fazer parte da sala de aula, não como dispositivos tecnológicos que imprimem certa modernização ao ensino, mas sim conhecer a potencialidade e a contribuição que as TDIC’s podem trazer ao ensino como recurso e apoio pedagógico às aulas presenciais e ambientes de aprendizagem no ensino a distância. (PEÑA, s/d, p. 10)
Em um mundo tecnológico como deveria ser a preparação deste novo professor? Primeiro seria necessário pensar na necessidade frente à motivação no professor, ele deve reconhecer que é preciso mudar e, grande parte desta motivação deveria partir das instituições de ensino, que devem adequar meios de desenvolvimento profissional, dando chance para o educador buscar novos conhecimentos, novas técnicas de ensino, cursos de real aperfeiçoamento, onde possa aprender a gestar estes vários ambientes educacionais. Outro ponto a se pensar é com relação à interdisciplinaridade, que existe na teoria, mas não na prática.
Cada educador desenvolve a sua parte técnica e não se abre a novas áreas, o que dificulta a renovação, como por exemplo, observa-se o uso de vídeos em uma aula de maneira produtiva e não superficial como até então é vigente. Não é apenas necessário que o professor saiba o conteúdo destes vídeos, mas sim conhecer criticamente o processo com quem faz esse tipo de material, ou seja, como o pessoal da área de comunicação o fez, os recursos usados para se chegar à leitura de quem está vendo. Segundo Carneiro, “o despreparo docente subtiliza os
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.4,p.19696-19712 apr. 2020. ISSN 2525-8761 equipamentos disponíveis. Lidar com a cultura audiovisual sem apreender a dinâmica e os mecanismos de significados equivoca o professor”. (PEÑA apud CARNEIRO, 2003 p. 5).
Nota-se que há investimento mesmo que de forma precária em tecnologia o que preocupa é que normalmente a escola apenas investe nos recursos materiais, espaços físicos de laboratórios de informática, TVs, vídeos, DVDs, material de videoconferência, etc. não há um investimento na formação continuada dos professores. Através desse comportamento e com receio de estar perdendo espaço para as máquinas, o educador acaba se estagnando e não se atualizando, o que torna todo o gasto com a infraestrutura tecnológica um desperdício, pois será utilizada de maneira superficial e sem proveito significativo. O educador frente às novas tecnologias deve-se sentir valorizado e isso não é possível sem um investimento também em suas capacidades. Segundo Peña,
Para que o professor passe de um ensino convencional a um ensino apoiado nas novas tecnologias, bem como desenvolvido em ambientes virtuais, exige que a instituição estabeleça o desenvolvimento de um projeto de formação de professores que priorize a inserção das TDICs numa perspectiva construtiva e reflexiva da ação docente. (PEÑA, s/d p. 9)
É possível que esta seja uma maneira de desenvolver a motivação no professor para buscar sua atualização frente às novas tecnologias que a sociedade lhe oferece, proporcionando assim, melhorias no processo de ensino e aprendizagem, despertando cada vez mais o interesse no aluno em buscar novas formas de pesquisa e conhecimento. Além de uma forma também de manutenção do próprio material uma vez que sabendo usá-lo o professor também terá mais cuidado, causando menos necessidades de reparos técnicos.
2.4 DESAFIOS NO USO DA TDIC’S
A tecnologia é um instrumento que foi criado para melhorar a comunicação e interação, no entanto, muitas vezes quando mal utilizada pode trazer muitos problemas sérios. “O grande desafio é fazer com que as inovações tecnológicas melhorem a qualidade do ensino e não se tornem apenas ferramentas obsoletas e sem adequação ao processo de ensino-aprendizagem” (CYSNEIROS, 1999). É notável que o volume de informações disponíveis na WEB assume proporções astronômicas e exige mais do que conhecê-las, exige a capacidade de mediar conhecimentos de forma que o torne apto a enfrentar os problemas propostos pela vida. Principalmente os perigos existentes na rede podem acarretar em sérios agravos, muitos
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.4,p.19696-19712 apr. 2020. ISSN 2525-8761 criminais. Dessa maneira, alguns requisitos se tornam essenciais para garantir o êxito na inserção das TDIC’s nas escolas.
O processo implementação das TDIC’s no ambiente escolar não pode ser efetuado com sucesso por agentes isolados, pois envolve o repensar dos papéis da educação e requer a participação de todos desde: alunos, professores, pais, administradores escolares e governantes.
Toda a comunidade precisa ser conscientizada quanto à importância da reforma para apoiar desde os filhos e demais membros da família, que, enquanto alunos e cidadãos, precisam ser encorajados e estimulados pela postura do professor. E o professor por sua vez, deve assumir a posição de mediador, com auxílio da ação administrativa que precisa organizar estratégias de planejamento, incentivo, execução e revisão de todo processo educacional.
[...] Mudanças estruturais e pedagógicas só poderão vir a acontecer se a comunidade escolar estiver coesa e receptiva para compreender suas implicações. Direção e corpo docente constituem peças fundamentais de uma mesma engrenagem. Quando uma para, a outra sofre e vice-versa. Esse funcionamento sincronizado, no entanto, garante que o trabalho possa ser da escola e ao mesmo tempo, de cada professor. Não se trata de um projeto unilateral. (FREIRE, 1998, p. 59).
Os educadores escolares que se preparam para implantar as TDIC’s em sua prática educacional precisa de capacitação para saber empreender os novos ambientes de trabalho e para contribuir com o processo de mudança. Educadores são os elos com o ambiente educacional e se eles não aderem de forma significativa não há mudança positiva.
O professor é fundamental na estrutura, pois é o articulador natural da mudança educacional, principalmente, tendo em vista o seu papel de mediador entre alunos e administradores. E, desta forma, o professor precisa rever suas posturas, reavaliar os seus propósitos educacionais e utilizar as ferramentas que terá ao seu dispor. Desta forma, terá de reestruturar-se, o que requer estudo, análise e esforço.
Todo isso pode se resumir à necessidade de persuasão. O professor representa a base de todo o trabalho. Sem o seu envolvimento pouco se pode realizar. De acordo com Moran (2007):
É preciso estudar, ter iniciativa, e aprender-executar refletir sobre o aprendido. Modificar o que for necessário. Exige-se, nesse processo, abertura, ousadia,
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colaboração e dedicação. É ele quem orienta as investigações dos alunos, incentiva o modo como cada aluno constrói seu próprio conhecimento. (MORAN, 2007, p. 32).
Sendo assim, o professor envolve-se em um processo que o mobiliza internamente que é aprender uma coisa nova levando-o a um diálogo consigo mesmo. “Aprender, atuar com os alunos em uma nova realidade, analisar sua ação pedagógica e modificá-la permite-lhe, com o passar do tempo, desenvolver uma metodologia de trabalho própria constantemente aberta a nova reformulação.” (FREIRE, 1998, p. 60).
É importante que o professor tenha consciência, saiba que o uso que se faz desses recursos é que pode trazer efeitos benéficos ou maléficos à educação escolar. Destacando que o professor, não precisa ser um técnico completo, analista ou programador, basta dominar as TDIC’s como usuário e propagador, crítico e consciente dos recursos disponíveis.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
No Brasil, a educação encara muitas mudanças, que derivam desde social até a crescente expansão tecnológica que deve estar no alcance e entendimento da economia global, que é marcada por intensa competitividade. No entanto, nota-se que para que isso dê resultado necessita-se de investimentos não só em relação à estrutura dos ambientes educacionais como também nos educadores que são os facilitadores em sala de aula. Os educadores são os principais propagadores de conhecimento e a ênfase em sua capacitação deixa a desejar em investimento e favorecimento nas especializações.
As condições e favorecimento educacionais contam muitas vezes com o básico precariamente o que enfatiza ainda mais o problema. É importante destacar que o foco deve ser o aluno e não a ferramenta tecnológica no sentido estático de objeto. A tecnologia atua como um agente facilitador que deve ser mediado. A criatividade e a técnica docente devem fazer a diferença através do uso tecnológico o que para isso deve existir conhecimento para o manuseio e estratégias para a utilização em sala de aula.
Os projetos desenvolvidos, bem como a grade curricular, devem ser bem planejados, estruturados e reavaliados periodicamente para que se possam efetuar mudanças em tempo oportuno. Destacando que as TDIC’s são um instrumento e não uma solução para todos os problemas educativos, não importa a tecnologia empregada, se não houver uma metodologia coerente aplicada ao projeto, caso contrário, o resultado esperado não aparecerá.
Braz. J. of Develop.,Curitiba, v. 6, n.4,p.19696-19712 apr. 2020. ISSN 2525-8761 O grande número de instrumentos para apoio pedagógico remete a inúmeras possibilidades de aplicação no cenário educacional. As novas gerações têm uma maior facilidade para a propagação e aceitação da tecnologia digital e isso deve ser melhor aproveitado. Pensar em tecnologia no ambiente educacional remeta a expansão desse espaço no encontro com o mundo onde a mudança é diária.
Para que isso ocorra efetivamente é necessário a formação de projetos devendo sempre estar atentos a alguns pontos cruciais para que não se realize apenas uma ação isolada sempre tendo a educação como foco principal.
A oportunidade que as novas tecnologias oferecem aos professores de repensar suas concepções e práticas é de sua importância. Mesmo estando os professores imersos no modelo tradicional de educação a internet atuaria como uma nova ferramenta para a aprendizagem deve ser usada dentro desse modelo, em muitas situações demonstrando estar a serviço de uma melhor visão de um mundo hoje ao alcance das mãos.
A experiência com a Internet proporciona aos professores a percepção de que os conhecimentos não estão prontos, que se encontram em permanente mudança que não existe verdade única, que tudo deve ser visto sobre vários ângulos antes de um julgamento, que toda informação está impregnada pelas ideias de quem a veicula e que, portanto, pode ser rediscutida, cabendo ao educador mediar e organizar um ambiente de trabalho onde estas informações possam ser analisadas, validadas ou não pelo grupo, em sala de aula.
Os processos tecnológicos não são algo do futuro. A tecnologia é uma realidade e o universo educacional deve explorá-la de forma a mediar esse caminho de informações.
REFERÊNCIAS
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