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5.5 – OS MODELOS DE DESENVOLVIMENTO DE DOENÇAS E DE PRAGAS

No documento A Protecção Integrada (páginas 94-97)

A análise de sistemas, desenvolvida após a 2.ª Guerra Mundial, começou a ser estudada no âmbito da luta integrada a partir de 1961, e já se verificou rápido incre- mento ao longo das décadas de 60 e 70, como é bem evidenciado pela Joint EPPO/IOBC

Conference on Systems Modelling in Modern Crop Protection, realizada em Paris em

* O risco de óbvia destruição do conceito de estrago, adoptado há 20 anos em Portugal, ao identificá-lo com

injury, poderia ter sido evitado pela tradução de injury de Pedigo et al. (71) e de Higley (54), por estímulo

ou dano, reservando perda para traduzir damage e, naturalmente, não ignorando prejuízo.

** “Dentro dos inimigos das culturas das pomóideas são as pragas que, na generalidade poderão causar mais

estragos (45). A gafa e o olho-de-pavão poderão causar grandes estragos e reduzir a produção” (52). “Estragos graves” (35).

1976, e, também, por Apple & Smith (1976) (23) e Ruesink (1976) (82). Em 1979, Amaro

(5) esclarece:

“Os modelos matemáticos traduzem, através de fórmulas matemáticas, as concepções do observador quanto às inter-relações existentes entre os componentes do sistema. Através dos modelos procura-se sintetizar toda a complexidade das inter-relações dos componentes do sistema, sendo portanto possível prever, a partir deles, as respostas inerentes à manipulação de cada um dos seus componentes.

Dada a limitação de informação de que se dispõe à partida, normalmente os modelos traduzem aproximações muito grosseiras da realidade, mas podem ser progressivamente melhorados através de estudos da sua validade e de posteri- ores investigações tendentes a colmatar as lacunas de conhecimento existentes.” A investigação desta problemática, em França, permitiu divulgar, por exemplo, em

1980: o início da validação do modelo fenológico de Touzeau (94), para a traça-da-uva,

eudémis, utilizado pela Estação de Avisos de Toulouse entre 1979 e 1985 e posterior-

mente simplificado (95); e dois modelos para a vinha de Strizyk, EPI (Estado Portencial

de Infecção) para o míldio (91) e a podridão-cinzenta (90).

Bernadette Dubos esclarece em 2002 (40) a situação actual de utilização de modelos

de doenças da vinha em França, após intensa investigação, ao longo de 20 anos, inclu- indo a validação de alguns modelos em várias regiões vitícolas.

“O míldio é a doença que deu origem a mais numerosas tentativas de modelação de

desenvolvimento epidémico” (40). Entre os modelos sistémicos refere: o modelo EPI de

Strizyk, que avalia o nível de risco mas não detecta as contaminações, condiciona a oportunidade de tratamento e foi validado para numerosas regiões vitícolas, permitindo reduzir, em dois a quatro, o número de tratamentos; o novo modelo de Strizyk, desig- nado Potential System Mildiou, com aperfeiçoamentos na previsão e descrição do desenvolvimento epidémico do fungo, está em fase de experimentação nas regiões de Bordéus e Cognac; e o modelo POM (Previsão da Maturação dos Oósporos), que permi- te prever em fins de Janeiro a gravidade da doença na Primavera, está só validado para

a região de Bordéus (40).

Dois modelos descritivos dos ciclos epidémicos secundários do míldio, o MILVIT e o DYONYS, este em particular na região do Loire, têm sido utilizados em França. Noutros países vitícolas foram adoptados outros modelos descritivos: na Alemanha o PRO e o FREIBURG; na Suíça o WINEMILD, nos EUA o DMCAST e o LALANCETTE; e na Austrália

o de Magarey et al. (40).

Quanto à podridão-cinzenta, o modelo inicial de Strizyk não teve êxito e foi substi- tuído por outro modelo Potentiel Système do mesmo autor, actualmente em fase da

validação (40).

Para o oídio está em fase de experimentação, em várias regiões vitícolas, um mode- lo sistémico de Strizyk que permite descrever globalmente a gravidade de uma epidemia,

mas que necessita de aperfeiçoamento (40).

Os Serviços de Avisos em França, entre 1975 e 1990, não recorriam normalmente aos modelos para a elaboração dos avisos, mas a situação modificou-se e actualmente dispõem de 28 modelos, 18 relativos a doenças e 10 a pragas, estando 60% a ser

utilizados na prática, 20% em fase de validação e 20% em experimentação. Entre os modelos utilizados na prática, na previsão de doenças, destacam-se os relativos a pedrado-da-macieira, míldio-da-vinha, míldio-da-batateira, míldio-da-cebola, esclerotinia-da-colza, fomopsis-do-girassol e ferrugem-castanha, septoriose e acama-

-louca no caso do trigo (81).

A experiência francesa de utilização de modelos evidencia a necessidade do maior rigor nas observações no campo e nos dados meteorológicos proporcionados pelas es- tações automáticas, exigindo a sua rigorosa manutenção. Como exemplo, refere-se que no 1.º semestre de 2002 foram registados para o conjunto de 197 estações auto- máticas, 169 declarações de incidentes, 35% a nível da pluviometria, 33% da electrónica das estações e 22% da higrometria. Por outro lado, considera-se indispensável, para a adequada tomada de decisão, poder integrar os dados proporcionados pelos modelos

com o conhecimento especializado da região (81).

Bernadette Dubos (40) insiste nos cuidados para evitar erros na obtenção dos dados

meteorológicos e na indispensabilidade de adequada validação do modelo à região em causa, sendo indispensável a maior prudência na generalização das áreas a que se poderão aplicar os seus dados.

Em Portugal, no Serviço de Avisos, estavam a ser validados, em 2000, somente os modelos de previsão do pedrado-da-macieira, do pedrado-da-pereira, do bichado-das- pomóideas (soma de temperaturas de Touzeau) e do míldio-da-videira (modelos EPI e

POM) (78). Os dados meteorológicos estavam a ser obtidos, a partir de 1994, por estações

meteorológicas automáticas em substituição das 150 estações clássicas, com termohigrógrafo, udómetro e aparelho de registo de tempo de folha molhada e direcção, sentido e intensidade do vento. Em Março de 2001 já se dispunha de 70 estações

automáticas (79).

A modelação do desenvolvimento epidémico do míldio-da-videira tem sido também

em Portugal motivo da mais ampla investigação nesta temática. Desde 1986 (3) foi

estudado o modelo EPI-Míldio nas regiões de Torres Vedras, Douro, Dão, Bairrada, Coimbra e Entre Douro e Minho. Na região do Douro o PALM foi estudado por iniciativa da Organização de agricultores ADVID em colaboração com o IST e o modelo POM

através da colaboração entre a UTAD e o CNPPA (15).

A intervenção de organizações de viticultores como a ADVID em relação ao Douro

(2) e a ATEVA no Alentejo, com as suas redes de estações meteorológicas e as tentativas

de transmissão de informação aos agricultores, que no caso da ADVID remontam a

Junho de 1993 (15), a par da experiência acumulada no Serviço de Avisos, tem propor-

cionado o conhecimento melhor da epidemiologia do míldio-da-videira em diferentes regiões e a tomada de decisão mais eficaz no seu combate. Tem também evidenciado os aspectos acima referidos relativos à necessidade de rigor na obtenção dos dados meteorológicos e à prudência na generalização da prática de modelos a áreas em que não se tenha procedido a validação adequada.

No âmbito da Dissertação de Doutoramento no ISA/UTL de Justino Sobreiro, em

Junho de 2003 (85), procedeu-se, na Região do Oeste, à elaboração de um modelo de

infecção de pedrado-de-pereira (MIP), baseado na temperatura, no período de humectação e na intensidade inicial da doença. As estimativas proporcionadas pelo modelo MIP permitiram simular as epidemias do pedrado entre 1996 e 2000 e a

determinação dos períodos de infecção ocorridos em cada ano, que variaram entre oito em 1996 e 21 em 1998 e em 2000. Foi também desenvolvido um sistema pericial (JusClem) que recolhe, processa e disponibiliza a informação de estações meteorológicas aos agricultores na forma de mensagens escritas para telemóvel. A utilização do sistema pericial proporcionou reduções no número de tratamentos, entre 8% em 2000 e 75% em 1996, em relação ao sistema tradicional. Este sistema pericial está a ser posto em prática no Oeste por duas organizações de agricultores de protecção integrada, a UNIROCHA e a Central de Frutas do Paínho (Fig. 27).

5.6 – O SERVIÇO DE AVISOS, IMPORTANTE BASE DE APOIO PARA

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