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2. Enquadramento Pessoal Cubo Mágico

2.4. A dualidade existencial Dúvidas, medos e anseios

“A insegurança de hoje dará lugar à confiança de amanhã. As dúvidas passarão a ser esperanças e mesmo certezas. As indagações declinaram em afirmações convictas. O receio dará lugar à confiança e autoestima.”

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Está a chegar a altura do Cubo Mágico entrar no novo ciclo da sua vida, na fábrica que o vai completar: o estágio profissional, que é um elemento importante para que a sua construção seja completa e termine, onde é requerido que o processo ensino-aprendizagem do Cubo Mágico tenha êxito e seja eficaz. Cabe ao Cubo Mágico estar atento a tudo o que o rodeia, para saber lidar com os avanços e as mudanças que emergem na sociedade e na escola.

No primeiro momento em que entrei na escola, senti tanta coisa ao mesmo tempo que não consigo transpor para palavras tudo o que me assolou nesse dia. Era isto que eu esperava que o estágio me trouxesse, sentimentos inexplicáveis! Sendo este o ano em que termino os meus estudos, e sendo o EP o culminar de todo o meu esforço e luta pelo sonho de me tornar professora de Educação Física, esperava ser o ano em que me conseguia preparar a 1001% para a vida real. Ao entrar neste novo mundo, no real contexto escolar, estava a ser confrontada com tudo aquilo que aprendi ao longo deste meu percurso académico. Comecei a duvidar de mim mesma, das minhas capacidades e se seria ou não capaz de atingir os meus objetivos e sonhos. Questionava-me se aquilo que aprendi na licenciatura, mas principalmente no primeiro ano de mestrado, me iria ser útil ou não.

“Todas estas novas mudanças fazem-me questionar sobre o que é ser professor. Esta “entrada” na profissão tem originado um turbilhão de sentimentos, sensações, conflito de conhecimentos, angústias, preocupações, entre muitas outras. (…) Numa fase inicial, era de esperar que fossem apenas dúvidas que surgissem. Mas a realidade não é bem assim. Tenho vindo a ser consumida por medos e anseios que aumentam exponencialmente as dúvidas existentes na minha mente.”

DB, 20/09/2019, “Medos, dúvidas e anseios”

Segundo Batista et al. (2013), o estágio classifica-se como um terreno de construção para a profissão. E para que exista uma boa construção, existe toda uma preparação prévia, visto que o terreno tem de ser estudado e preparado, e os construtores necessitam de elaborar as melhores estratégias, tendo em conta os recursos que têm, procurando sempre os melhores. Assim, enquanto Cubo

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Mágico professor estagiário, estarei a construir do meu próprio caminho nesta grande área que é a docência: ser professora de Educação Física. Eu sabia desde o início que seria sempre colocada à prova e teria grande pressão nos meus ombros, para que consiga idealizar e concretizar a melhor construção possível. Era expectável que o estágio me trouxe todo o tipo de dúvidas possíveis e impossíveis para que, no final do mesmo, pudessem desaparecer porque consegui refletir sobre elas, arranjar soluções, e evoluir através delas, tornando-me uma melhor profissional.

O que marca os professores estagiários são as ligações que criam com os seus alunos. Segundo Batista et al. (2013), “É com eles e para eles que eles investem”. Sendo eu uma pessoa conhecida por ser coração mole, boazinha e preocupada com tudo e todos, pretendendo estabelecer uma boa ligação com as minhas turmas, conseguindo criar uma imagem de alguém em quem eles podem confiar, alguém que lhes transmita segurança. Para mim, os alunos são a “matéria-prima” de um professor e acredito que os mesmos devem estar no centro do seu processo de ensino-aprendizagem e que devem ser agentes ativos em todo o processo. Deste modo, para mim, é essencial privilegiar as aulas para que os mesmos consigam crescer como alunos mas principalmente como pessoas, libertando-se de todos os problemas da vida e de todas as pressões que o ensino secundário lhes coloca, adquirindo o máximo de valores possíveis, que melhorem as suas atitudes e potenciem uma melhor integração na sociedade em que estão inseridos.

Surgiu daqui a minha vontade em querer dar valor aos meus alunos. Eu lembro-me perfeitamente do que sentia nos meus tempos de estudante, e quais os professores que me marcaram pela positiva e pela negativa. Desta forma, pretendo desenvolver uma ligação comunicativa excelente com as minhas turmas, onde vou ouvir o que eles têm para dizer (sugestões, medos, dificuldades - através de fichas de autoavaliação a meio das unidades didáticas), realizar uma pequena troca de papéis, onde por um momento eles têm o papel de “professor” (através da construção e realização de um treino funcional criado por eles) e valorizar as conquistas (construindo quadro de pontuações, colocando-os a exemplificar ou a corrigir oralmente os testes realizados pelos

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alunos com melhores notas). Considero que ao agir desta forma, estou a colocar os meus alunos no centro de tudo, estou a fazer com que eles sejam o ator principal desta peça. O aluno nunca deve ser esquecido, ele é o mecanismo central deste processo educativo.

Mas outra preocupação assola o coração deste pequeno Cubo Mágico em construção. Como é que conseguirei transmitir aos meus alunos que estou ali para os ajudar a aprender se eu própria também estou a aprender? Em níveis completamente distintos, estamos todos no mesmo pé de igualdade. Para além de ser professora na escola, também sou aluna na faculdade. E vou ter estes dois papéis o ano todo. Como vou conseguir superar esta dualidade? Estou com medo de não conseguir separar os papéis e que a minha inexperiência condicione os meus alunos. Como é que conseguirei guiar os meus alunos para o melhor caminho, se eu própria estou a construir simultaneamente o meu? E seu eu tropeçar, cair e levar toda a gente comigo?

Uma das coisas que aprendi em todo o meu percurso académico (licenciatura e mestrado) foi o de tentar perceber os dois mundos interligados: desporto e educação. Não é fácil mas é possível. O desporto por si só já é complexo (habilidades motoras complexas que exigem bastante coordenação, postura, resistência, capacidade física, entre outras, e a educação da EF também apresenta imensas diretrizes que devem ser cumpridas (transmitir a cultura desportiva, colmatar as dificuldades técnico-táticas com as melhores situações de aprendizagem, alcançar o máximo sucesso possível) e se eu quero conseguir ajudar os meus alunos, tenho de tentar ligar estes dois mundos ao mundo deles, um mundo diferente do meu, um mundo onde o desporto não está bem enraizado.

Eu sei que os meus alunos vão saber e perceber porque é que eu estarei na escola, mas não quero que isso se torne uma barreira. Será que vou conseguir? Será que eles me vão tratar de forma diferente por ser uma professora-estagiária? Será que vou conseguir levar isto tudo até ao fim? Será que vou ter sucesso? Será que escolhi a profissão certa? Tantas dúvidas, medos e anseios e sem qualquer tipo de resposta. Estou certa que este ano não obterei

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todas as respostas que pretendo. Mas estou certa que, este ano, conseguirei construir o meu Cubo Mágico da melhor forma possível.

“Tenho medo de vir a duvidar se escolhi a profissão certa ou não. (…) Lutei muito para chegar onde estou agora. (…) mas espero que no fim consiga perceber que, se sonhamos com algo, temos de seguir atrás do sonho, por muito longo e atribulado que o percurso seja. Tenho vindo a duvidar de mim mesma, das minhas capacidades e se serei capaz de tomar as melhores decisões. Sei que vou duvidar e questionar sempre a minha intervenção no sentido de perceber se adotei a melhor maneira de interação com os alunos, se optei pelo modelo de ensino adequado e outros conhecimentos adquiridos no primeiro ano de mestrado, ou se deveria usá-los de uma forma mais “híbrida” e vou-me interrogar sobre todos os planeamentos que realizar, desde unidades didáticas, planos de aula, etc.”

DB, 20/09/2019, “Medos, dúvidas e anseios”

Deste modo, em relação ao EP, as minhas expectativas não são nenhumas. Parece estranho mas é a realidade. Como disse Osho, “Uma vez que você abandone as expectativas, você aprendeu a viver!”. E é isto! Eu quero aproveitar tudo ao máximo e viver sem esperar nada. Quero duvidar de tudo nesta nova fase, pois tenho a plena certeza que não terei mais nenhuma oportunidade que me permita crescer tanto e de forma tão acompanhada e “guiada”.

“Em conclusão, sei que se aproxima um ano difícil, de todos o mais trabalhoso e frustrante, o que mais dúvidas trará, mas o que mais respostas e ajudas para o futuro também. Sei que terei de ser eu a construir tudo isto, desta forma não se classificaria o estágio como um terreno de construção para a profissão (…) Espero que me traga todo o tipo de dúvidas e desafios, possíveis e impossíveis para que possam ser pensados, refletidos de forma a arranjar soluções, e evoluir através delas, tornando- me assim numa melhor professora de Educação Física!”

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