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CAPÍTULO I – O ESTUDO: SEUS OBJETIVOS E PROCEDIMENTOS

CAPÍTULO 2 GESTÃO EDUCACIONAL

2.2 A GESTÃO NAS INSTITUIÇÕES DE ENSINO

2.2.1 A Gestão de Processos Administrativos e o Gestor Educacional

A trajetória histórica da Teoria Geral da Administração evidencia ter evoluído e marcado época, com enfoques e natureza distintos, voltados, praticamente, para cinco variáveis principais: (1) a ênfase nas tarefas (Administração Científica); (2) a ênfase na estrutura (Teoria Clássica); (3) a ênfase nas pessoas (Teoria Humanística); (4) a ênfase no ambiente (Teoria dos Sistemas); (5) e a ênfase na tecnologia (Teoria da Contingência).

Fica caracterizado que cada uma dessas variáveis provocou, a seu tempo, uma diferente teoria administrativa e um gradativo passo no seu desenvolvimento, ao procurar privilegiar ou enfatizar uma das cinco variáveis. Na compreensão de que a Teoria Geral da Administração se constitui numa ciência e, conseqüentemente, aplicando-a também à educação, torna-se claro que diferentes visões e concepções relativas à Administração de Instituições de Ensino estão presentes no seu processo evolutivo. Concepções essas vinculadas a diversos modelos de Gestão que pudessem orientar mudanças institucionais.

Portanto, à administração das organizações em geral, assim como às Instituições de Ensino, aplicam-se os princípios gerais básicos da gestão e da educação. A teoria da gestão e os processos que conduzem à produção, isto é, ao planejamento e à gestão de recursos humanos, são funções aplicadas à Gestão Educacional que, por sua vez, aplica também os princípios gerais da gestão no campo específico da educação. É uma ciência mais ou menos recente.

Atualmente, ainda não há consenso em relação aos termos “administrar” e “gerir”, quando aplicados ao contexto educacional. Busca-se aqui o sentido etimológico, as raízes para ambos os termos, embora, neste trabalho seja usado conscientemente o termo gestão: (a)

administrare – do latim - ajudar, prestar auxílio, servir a alguém, ocupar-se de algo, executar

ordens e providências (FERREIRA, 1986). (b) gerere – do latim - conduzir, ter consigo, produzir, criar, nutrir, ter um papel, mostrar coragem, ação de administrar algo (FERREIRA, 1986). Observando-se esses dois conceitos, chega-se à conclusão de que o conceito de gestão é mais envolvente, pois se vincula à noção de interação. Já o conceito de administração é mais pragmático e privilegia aspectos técnicos.

Certamente a gestão de pessoas constitui a parte mais sensível de toda a gestão escolar. Lidar com pessoas, mantê-las satisfeitas, rendendo em suas atividades, além de contornar problemas, e questões de relacionamento humano, faz da gestão de recursos humanos o fiel da balança, ou seja, o fracasso ou o sucesso de todo o processo educacional que se pretenda dar consecução na instituição de ensino.

Quando o planejamento da Instituição de Ensino é elaborado de modo equilibrado e participativo, não tolhendo a autonomia das pessoas envolvidas, evitando-se lacunas e interpretações ambíguas, a gestão de recursos humanos se torna mais simples. A gestão educacional precisa situar o ser humano no centro dos processos, como agente participativo, estimulando-o a desenvolver e a empregar os seus recursos de conhecimentos, de saberes, de valores, em benefício dos objetivos e metas da educação, a serem conquistados na caminhada educativa.

Parte-se da ideia de que Gestão Educacional evoca um conjunto de processos que ajudam a descortinar possibilidades e a abrir perspectivas no ordenamento da estrutura e no funcionamento de uma organização. Processos que envolvem planejamento seguido de um antes, um durante, e um depois, que precisam ser vinculados com aquilo de que determinada instituição dispõe, ou seja, dos recursos que contribuem para criar condições favoráveis ao seu desenvolvimento.

Para Murad (2007, p. 91), “gestão é a arte e a competência de liderar e coordenar processos, tendo em vista a missão de uma instituição/organização”. Assim, o gestor educacional, no seu conjunto, tem a responsabilidade de dirigir, isto é, gerir uma instituição, seguindo o processo administrativo que visa planejar, organizar, dirigir e controlar a organização. E, no caso, gerir uma instituição de ensino não é gerir qualquer instituição e, sim, a escola que existe e tem por objetivos o instruir e o educar, para desenvolver nas pessoas atitudes e valores úteis à sociedade. Entende-se que atender às atuais exigências sociais

consiste em formar cidadãos, oferecendo-lhes a possibilidade de apreensão de competências e habilidades necessárias e facilitadoras da inserção social.

Concorda-se com Lück (2000), ao afirmar que o Gestor Escolar é um mobilizador de diferentes atores, um articulador da diversidade para dar-lhe consistência e unidade na construção educacional. Sua atuação compreende atividades de planejamento, organização, direção, coordenação e controle. Constituem parte também da Gestão escolar e aqui, especificamente do Gestor Administrativo, o provimento de condições físicas, material e de pessoal e as mediações necessárias para este provimento. Além disto, a percussão social e a integração do Projeto Político Pedagógico são aspectos substantivos da dimensão educacional, Pedagógica e Administrativa.

O paradigma da gestão escolar deve estar assinalado pela adoção da compreensão e práticas interativas, participativas e dialógicas. Participação é um processo complexo e envolve vários cenários e possibilidades múltiplas de organização. A sua construção deve ser feita coletivamente, uma vez que gestão participativa é o resultado de um processo pedagógico coletivo. O diálogo é uma atitude de respeito e abertura para com o outro. É o caminho mais eficaz para se evitar a discriminação e favorecer a humanização nas relações. O primeiro passo para que um Gestor Escolar alcance bons resultados é o planejamento no qual se estabelecem as políticas de trabalho, definem-se metas, prioridades, métodos práticos e as normas do regimento escolar. Após planejar, buscam-se os recursos necessários para desempenhar o que foi planejado, atribuem-se atividades específicas a determinadas pessoas, estruturam-se departamentos e ou setores e estabelecem-se cargos e tarefas.

A direção e a articulação do processo administrativo constituem uma função básica que se relaciona com a Gestão Pedagógica, com os departamentos e suas respectivas funções. Motivar as equipes e orientá-las a executar suas tarefas com excelência e liderá-las, para que estejam dentro das expectativas da instituição, e atinjam os objetivos previstos é dever do gestor escolar. Assim, o controle educacional e administrativo se baseia na averiguação das atividades realizadas e propostas, a partir do planejamento, para que as mesmas não sejam desfocadas. Somente um sistema aberto e participativo pode sustentar a dinamicidade e a evolução do conhecimento e da informação necessários para um trabalho coeso na diversidade dos cenários da instituição.

A Educação então deve contribuir com o processo de construção, de relações capazes de orquestrar, no interior da escola, ações e intervenções catalisadoras de respeito, compreensão mútua e, no exercício da escuta ao outro que partilha capacidades e talentos no desempenho de suas funções (JUNQUEIRA, 2007). Desenvolver dentro da escola o processo

de humanização é, então, fazer emergir novas relações de trabalho, socializando poder e construindo a efetiva participação de todos os segmentos da comunidade escolar.

A perspectiva de tornar o ser humano e suas instituições sujeitos de seu contexto, está redimensionada a concepções e modelos de educação e de gestão escolar. Essas exigem de todos os integrantes e agentes formadores do ser humano, da comunidade e do ambiente, motivação para a autonomia pessoal e o exercício da convivência e a prática da relação no diálogo crítico e construtivo. Neste aspecto, o papel do Gestor Educacional Escolar assume uma importância vital, pois necessita ampliar horizontes, assim como sua capacidade de gestão com pessoas, para se obter os resultados esperados. Drucker (2007) complementa, quando diz que administrar é manter as organizações coesas, fazendo-as funcionar.

Deste modo a gestão com visão estratégica necessita de habilidade para diferenciar a percepção subjetiva da realidade do que é realmente real. É importante que se trabalhe com a essência daquilo que sustenta a missão e fundamenta o amanhã, com um legado construído, participativamente, no cotidiano escolar. Os avanços se tornam realidade quando se programa maior integração em trabalhos fragmentados e monitoram-se as decisões tomadas a fim de que passem dos planos para a operacionalização.

A educação, ao longo de toda a vida, é uma construção contínua da pessoa humana. A Escola Católica vista como instância do saber e da formação humana, ao desenvolver a sua missão e preservar a sua identidade, necessita de um gestor que saiba identificar aspectos essenciais da complexa relação humana nas relações de trabalho. Além disso, precisa identificar também a consciência coletiva da importância dos relacionamentos na escola e contribuir com sua gestão para desenvolver competências.

Nesse aspecto, o gestor educacional assume um papel de responsabilidade pela dinâmica da organização e pela eficiência e eficácia da instituição. Para Libâneo (2003), o principal objetivo de um gestor escolar é o comprometimento com o nível de aprendizagem dos educandos. Acrescenta-se a essa afirmação a conveniência de a Escola Católica proclamar também valores e crenças adequados à própria instituição, que são pertinentes aos seus objetivos e suas metas, na educação integral do ser humano.

Lück (2001), na perspectiva da constituição do perfil de um gestor escolar comprometido, reforça que, do ponto de vista pedagógico, cabe a ele estimular a inovação e melhoria do processo educacional. Fica evidente que a razão da gestão é fazer com que o currículo, seus princípios, fundamentos, perspectivas e a missão da instituição se efetivem. Essa é a grande tarefa do gestor. Sua capacidade e habilidade devem gerir todo o processo educativo da instituição, ou seja, o currículo, o Projeto Político Pedagógico, entremeando com

as políticas e as atividades administrativas da infra-estrutura, abrangendo todo o processo de gestão em Instituições de Ensino.

Esclarece Câmara (1995, p. 16) que essas atribuições do gestor são necessárias frente aos novos desafios da sociedade moderna:

[...] o gestor da escola, pela posição de liderança que exerce, tem responsabilidades diferenciadas, porém não menos importantes daquelas exercidas pelo professor. Entre outras atribuições, a ele cabe, o estabelecimento de um ambiente plenamente favorável ao desenvolvimento do processo educacional e de um trabalho participativo, estabelecendo compromisso mútuo entre a gestão administrativa e o corpo docente da escola [...]. Esse processo de parceria cria espaço coletivo contribuindo com decisões mais reais para o planejamento das atividades curriculares.

Portanto, para que se efetive maior integração e articulação, no desenvolvimento dos processos na escola, é fundamental que o gestor, além das questões administrativas, preocupe- se com os aspectos acadêmicos da dinâmica curricular da escola e estabeleça pontes para a valorização das pessoas, a construção do conhecimento científico e as ações pedagógicas utilizadas em todo o processo educativo. Junte-se a isso o desenvolvimento de suas habilidades mentais e de sua capacidade crítica e criativa para enfrentar as transformações e mudanças da sociedade moderna.

Acredita-se ainda que o maior desafio esteja na capacidade empreendedora das organizações, na criatividade dos seus líderes e no gerenciamento das emoções dentro do ambiente escolar. Para isso é preciso investir na formação. Não basta ser bom profissional, com mestrado e doutorado, se não tiver as habilidades de liderança, visão proativa, capacidade de interação e articulação e visão sistêmica capaz de promover estratégias que gerem resultados de acordo com as expectativas.

Assim, deter o conhecimento é assumir um patamar mais alto, de onde se possa vislumbrar a possibilidade de ditar tendências, sejam elas gerenciais ou pedagógicas, para colocar a instituição em projeção no cenário educacional da comunidade. Desse modo, as relações que se constroem dentro dos ambientes educacionais necessitam vir da clareza do cotidiano que a liderança do gestor estabelece dentro de uma prática interacionista, a partir de uma visão solidária e coletiva.