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2.8 ADOÇÃO INSTITUCIONAL DE PRÁTICAS DE

2.8.2 A implementação segundo Wingkvist e Ericsson (2009): uma

Wingkvist e Ericsson (2009) propõem que as iniciativas de m- learning são implementadas em ciclos de etapas gradativas e sucessivas. Para eles as iniciativas de aprendizagem móvel tem um ciclo de vida que evolui em quatro estágios: a formulação da ideia, a construção do ensaio, o desenvolvimento do projeto e a liberação para uso em escala. Esse ciclo parte do pressuposto de que inicialmente as ações de implementação passam por uma fase de experimentação e investigação de uma ideia em ambiente restrito e controlado e, à medida que vai sendo testada, amadurece e gradativamente se converte em projetos suficientemente estruturados para serem liberados para uso em larga escala. As características de cada uma das etapas do ciclo de vida são apresentadas no Quadro 4.

Quadro 4 - Visão geral das fases de desenvolvimento das iniciativas de m- learning.

Fase Objetivo Resultados Atividades chave

Ideia (Idea) Estabelecer a solidez da proposta. Estabelecer plataforma tecnológica. Planos de como seguir em frente. Investigar tecnologias. Investigar viabilidade. Ensaio (Trial) Testar a ideia. Elaborar testes de aprendizagem em pequena escala. Informação sobre o que (não) funciona. Considerações sobre mudanças necessárias para seguir em frente. Produzir e ofertar materiais de aprendizagem. Mensurar receptividade dos materiais. Projeto (Project) Expandir a iniciativa. Teste em larga escala. Formalizar recursos e resultados esperados do projeto. Estabelecer interação social. Informação sobre como o material é recebido por estudantes e professores. Similar a fase de Ensaio, mas em maior escala. Reportar à instituição financiadora. Liberação (Release) Transferir para a organização alvo. Remover a dependência dos iniciadores da ideia. Implementado e em uso. Integrar na organização (treinamento). Estabelecer instalações e outros elementos facilitadores (servidores, estudios, etc). Fonte: Wingkvist (2009).

As fases do ciclo de vida se desenvolvem em um processo sequencial, mas dentro de cada uma delas há um processo iterativo de depuração, onde são realizados testes e verificações intermediárias para rejeitar ou aceitar o que está em desenvolvimento. As iterações sucessivas se repetem até que se alcance o equilíbrio interno em cada fase, ou seja, até que se tenha resultados que satisfaçam as expectativas e sejam suficientes para justificar o avanço para as próximas etapas.

Segundo Wingkvist e Ericsson (2009), o estado de equilíbrio é a alavanca propulsora para o próximo estado. Esta progressão gradativa é que garante sustentabilidade e escalabilidade aos projetos e iniciativas de m-learning. Assim, se a etapa consegue promover resultados interessantes, a iniciativa pode ser mais facilmente sustentada e com isso pode expandir-se em escala, até um ponto onde não fará mais sentido ou não valerá a pena expandir.

Mas este modelo não se limita a estabelecer etapas ou ciclos. Wingkvist e Ericsson (2009) destacam também quatro aspectos que as iniciativas de m-learning devem obrigatoriamente focalizar: tecnologia, aprendizagem, aspectos sociais e organizacionais. Estes aspectos influenciam todas as etapas do ciclo de vida e são descritos a seguir. − Tecnologia: envolve todo o hardware e software necessário para

implementar a iniciativa (tais como dispositivos, servidores, blogs, etc). Frequentemente a tecnologia é percebida como um ponto focal e uma força delimitadora de qualquer iniciativa de aprendizagem móvel. A tecnologia deve existir e facilitar, porém não é o ponto central das iniciativas de aprendizagem;

− Aprendizagem: este foco consiste na criação/adequação da atividade de aprendizagem baseada no dispositivo móvel. Envolve questões do tipo: como as pessoas aprendem, quais são as características importantes da aprendizagem, como conceitos podem ser convertidos em objetos apropriados para aprendizagem, etc; − Social: inclui as pessoas envolvidas no processo e seus papéis.

Consiste em compreender como as pessoas interagem, como estudam e o que esperam;

− Organização: consiste no estabelecimento de regras, regulações, provisão de suporte e infraestrutura física e financeira para a implementação. Além disso, envolve a integração com agendas, políticas e aspectos sociopolíticos com os quais a iniciativa deverá coexistir.

O modelo final de Wingkvist e Ericsson (2009), representado na Figura 9, resulta da combinação das etapas do ciclo de vida com os quatro aspectos anteriormente descritos. Este modelo destaca que todos os quatro aspectos influenciam a iniciativa em todas as etapas do ciclo de vida, ou seja, em cada etapa os aspectos tecnologia, aprendizagem, social e organização exercem influência de modo concomitante. O modelo aponta também que os múltiplos aspectos são de igual importância e estão interconectados entre si, de tal modo que se um sofrer alterações haverá reflexo nos outros. Contudo, apesar dos aspectos estarem sempre presentes no decorrer de todo o ciclo de vida

da iniciativa, o grau de influência do aspecto varia conforme o estágio em que se encontra a iniciativa. O foco mais intensivo em um aspecto em uma determinada etapa significa que, naquele momento, esta é a área prioritária à qual estão relacionados os principais objetivos daquela etapa. Esta focalização, além de contribuir para elencar prioridades, ajuda também na redução da complexidade do projeto.

O foco sobre a tecnologia é maior na fase inicial da ideia, quando o domínio das ferramentas tecnológicas é fundamental para que a ideia se desenvolva. Na fase de experimentação o foco maior está nos aspectos da aprendizagem, pois o experimento só vai avançar se demonstrar potencial para promovê-la. Uma vez dominados esses dois aspectos nas fases iniciais, o aspecto social assume maior importância, pois o avanço da disseminação mais ampla da iniciativa necessita de sua socialização para um grupo maior. Por fim, a ênfase nos aspectos organizacionais será o principal aspecto quando se desejar liberar a iniciativa para uma adoção massiva, o que exigirá a resolução das questões de suporte, recursos de sustentação financeira e outros meios para implementação em larga escala (WINGKVIST, 2009).

Figura 9 - Modelo de descrição do processo de desenvolvimento de mobile learning.

Fonte: Wingkvist e Ericsson (2009).

Este modelo pretende representar a diversidade de aspectos relacionados à implementação das iniciativas de m-learning, organizados em um ciclo de vida evolutivo. Esta ideia de ciclo de vida compartilha aspectos similiares com modelos de desenvolvimento de

software (sequenciais, incrementais ou mistos) e com modelos de desenvolvimento de recursos instrucionais, como por exemplo o modelo sequencial ADDIE (Analysis, Design, Development, Implementation and Evaluation). A diferença é que o modelo proposto por Wingkvist e Ericsson (2009) está um um metanível, ao contrário de outros modelos mais pragmáticos. O metamodelo preocupa-se em representar a evolução da iniciativa para compreendê-la em um nível macro, abrangendo todo o processo de desenvolvimento da iniciativa. Este modelo não se propõe a detalhar como cada fase do ciclo será implementada. Dentro de cada fase do ciclo evolutivo outros modelos podem ser combinados para apoiar a implementação da ações necessárias.

Segundo Wingkvist e Ericsson (2009), há muitos frameworks na literatura que contemplam apenas um ou poucos aspectos de uma implementação de m-learning. Poucos são os que buscam representar todo o processo de desenvolvimento. Este metamodelo visa preencher esta lacuna.

2.8.3 A implementação segundo Passey (2010): uma visão