LETRA DE CÂMBIO: ACEITE
9. ACEITE MODIFICADO
É o aceite que implica uma modificação nos termos da ordem que não o valor – a
modificação quanto a este gera o aceite parcial. As modificações podem ocorrer quanto ao local ou à data do pagamento, por exemplo. No entanto, o aceite modificado é interpretado como recusa à ordem do sacador , não sendo o proprietário obrigado a anuir.
Porém o aceitante que modifica os termos da ordem se vincula às suas modificações. O título, por não ter sido aceito, vence antecipadamente, podendo ser exigido imediatamente dos obrigados de regresso. Mas a obrigação do aceitante subsiste, nos seus termos (ex.: letra de câmbio que vence no dia 13 de junho, é aceita no dia 12, porém modificada no vencimento – 21 de junho. No dia 13, pode-se exigir o valor do título do sacador, dos avalistas e dos endossatários, mas do aceitante, somente no dia 21).
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DIREITO COMERCIAL II
Aula n.º 18 14 de junho de 2008NOTA PROMISSÓRIA
SUMÁRIO: 1. Direito positivo. 2. Histórico. 3. Conceito. 4. Requisitos. 5. Figurantes.
A nota promissória, segundo Otávio Augustus, tem regramento jurídico e características muito próximos dos da letra de câmbio. Assim, o estudo já feito até agora servirá como base, sendo necessárias apenas algumas adaptações.
1. DIREITO POSITIVO
A nota promissória é regulada, atualmente, pela Lei Uniforme de Genebra, incorporada ao direito brasileiro por meio do Decreto n.º 57.663/66. Alguns resquícios da Lei Saraiva (Decreto-lei n.º 2.044/1908) continuam, também, em vigor – afinal, esse diploma foi apenas derrogado.
A Lei Uniforme de Genebra dispensa, dentre seus quase oitenta artigos, apenas quatro para a nota promissória. Esse aspecto quantitativo é um tanto distorcido; dentro do regramento da letra de câmbio, a LUG disciplina atos cambiários comuns aos demais títulos de crédito (aval, endosso, aceite etc.) – uma vez que funciona como fonte dos princípios gerais do Direito Cambiário –, logo os vários artigos referentes à letra de câmbio aplicam-se subsidiariamente a outros títulos, inclusive à nota promissória.
2. HISTÓRICO
Como visto anteriormente, a letra de câmbio se originou de dois documentos essenciais às operações de câmbio trajectício medievais: a cautio e a lettera (ou littera cambii). A primeira – que representava a obrigação do subscritor perante o beneficiário – caiu em desuso na evolução da letra de câmbio, sendo o seu conteúdo absorvido pela última – que se consubstanciava como uma ordem para que alguém, em localidade diversa, pagasse a quantia devida, em outra moeda, ao beneficiário da cautio. Assim, é comum se dizer que da lettera ou littera cambii surgiu a letra de câmbio moderna.
Por outro lado, a cautio, e o seu conteúdo de representação de obrigação do subscritor e criador do título, é vista como o documento originário da nota promissória148.
3. CONCEITO
A nota promissória é um título de crédito que tem como declaração originária e necessária a emissão, cujo conteúdo é uma promessa de pagamento. É diferente da letra de câmbio, cujo saque contém, diretamente, uma ordem, e mediatamente, uma promessa de pagamento.
4. REQUISITOS
Os requisitos da nota promissória – que possuem as mesmas regras da letra de câmbio quanto à supressão da falta de alguns deles – estão previstos no artigo 75 da LUG:
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14 de junho
de 2008
OTÁVIO AUGUSTUS CARMO
Artigo 75
A nota promissória contém:
1º) a denominação “nota promissória” inserta no próprio texto do título e expressa na língua empregada para a redação desse título;
2º) a promessa pura e simples de pagar uma quantia determinada; 3º) a época do pagamento;
4º) a indicação do lugar em que se efetuar o pagamento;
5º) o nome da pessoa a quem ou à ordem de quem deve ser paga;
6º) a indicação da data em que e do lugar onde a nota promissória é passada; 7º) a assinatura de quem passa a nota (subscritor).
São necessários, então: a) a expressão “nota promissória”149; b) a promessa150, que deve ser pura e simples, como toda declaração cambiária – não comportando condição, apenas termo; c) a época do pagamento – se não for identificada, considera-se à vista; d) local de pagamento – em não constando algum, expressamente, é o domicílio do emitente; e) nome do tomador ou do endossatário – a nota promissória, obviamente, admite endosso; f) local da emissão; g) assinatura do emitente.
Todos esses requisitos somente são exigíveis no momento da apresentação da nota ao devedor, podendo ser preenchidos posteriormente – conforme as regras da letra de câmbio, e de possível cláusula de preenchimento, estudadas anteriormente –, exceto a assinatura do emitente, por óbvias razões.
5. FIGURANTES
Do ponto de vista formal, o emitente da nota promissória equivale ao sacador da letra de câmbio, uma vez que ambos realizam a declaração originária e necessária de seus títulos de crédito (emissão, no primeiro caso, e saque, no segundo). Emitente e sacador criam aqueles títulos.
Do ponto de vista substancial ou material, o emitente equivale ao aceitante da letra de câmbio, pois tanto um quanto outro realizam promessas de pagamento, se tornando, dessa forma, obrigados diretos. Fazendo-se as devidas adaptações, o regime jurídico do emitente da nota promissória é muito semelhante ao do aceitante da letra de câmbio; por exemplo, para se executar qualquer deles, faz-se desnecessário o protesto151.
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149 Ou , numa nota promissória esquizofrênica.
150“O dez é só uma promessa, eu tenho pressa, não quero ir pra final, não...” (paródia tosca de Engenheiros do Hawaii). 151 Bom, nesse momento, eu tentei perguntar para o professor se a inoponibilidade das exceções pessoais ao terceiro
de boa-fé fica mitigada na nota promissória, como afirma André Luiz Santa Cruz Ramos, mas o professor disse que não – e mais: “o Podivm dele é de Fórmula 1...”. Tá, mas se o mais direitista dos autores de Direito Comercial aceita a relativização daquele princípio – citando muita jurisprudência do STJ –, dá pra, pelo menos, considerar a possibilidade, né, “Monsieur Vagabond” (o apelido de Otávio Augustus nas periferias francesas)?
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DIREITO COMERCIAL II
Aula n.º 18 14 de junho de 2008CHEQUE
SUMÁRIO: 1. Direito positivo. 2. Conceito. 3. Pressupostos. 4. Natureza. 5. Forma. 6. Requisitos. 7. Modalidades. 7.1. Cheque visado. 7.2. Cheque pré-datado. 7.3. Cheque administrativo. 7.4. Cheque cruzado. 7.5. Cheque para ser levado em conta.
1. DIREITO POSITIVO
O regramento jurídico do cheque é dado pela Lei n.º 7.357/85, com aplicação subsidiária da Lei Uniforme de Genebra, em havendo lacuna na legislação especial.
2. CONCEITO
Pode-se aproveitar aqui o conceito da letra de câmbio – título de crédito que contém uma ordem de pagamento do sacador ao sacado em favor de um terceiro – para se esboçar um conceito de cheque. Acrescentando-se a condição necessária do sacado e a relação que deve haver entre ele e o sacador, conclui-se que cheque é o título de crédito cuja declaração cambial originária e necessária é uma ordem de pagamento à vista do sacador ao sacado –
este, necessariamente, uma instituição financeira –, em razão de provisão de fundos decorrente de contrato de depósito ou de abertura de crédito. Assim, o cheque só pode
ser sacado em face de instituição financeira, e deve haver fundos (quantia monetária depositada) ou crédito aberto (em caso de cheque especial).
Dentro dos estudos de classificação dos títulos de crédito, viu-se que a letra de câmbio (desde o período alemão) é abstrata, uma vez que não se pressupõe obrigação do sacado perante o sacador, bem como nenhuma relação jurídica em especial entre os dois. Já o cheque é título causal, pois pressupõe uma relação jurídica pela qual o sacador terá provisão de fundos em face do sacado, que sempre é uma instituição financeira.
3. PRESSUPOSTOS
São pressupostos do cheque: a) o saque; b) a provisão de fundos; c) a disponibilidade; d) uma convenção.
O saque cria o título, mas é necessária a provisão de fundos (quantum em dinheiro), decorrente de contrato de depósito ou de abertura de crédito; esse último se orienta pelo
acordo pelo qual o sacado se obriga a conceder crédito até determinado limite, por determinado período, mediante o pagamento de encargos predeterminados152 – o famoso cheque especial.
Todavia, não basta a provisão de fundos; é preciso haver, também, a sua disponibilidade – que não ocorrerá caso a quantia depositada esteja bloqueada (por decisão judicial, por exemplo), bem como uma convenção, pela qual o sacador possa movimentar
aquela provisão por meio de cheque (pois nem toda quantia depositada ou crédito concedido podem ser movimentados cambiariamente).
152 Que não se confundem com a remuneração do mútuo, com seus juros (± 268%) e demais contraprestações.
Embora haja discussão doutrinária a respeito de ser o contrato de abertura de crédito uma promessa de mútuo, o professor entende que não é por aí.
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14 de junho
de 2008
OTÁVIO AUGUSTUS CARMO
4. NATUREZA
O cheque é um título impróprio ou cambiariforme, por ser uma ordem de pagamento à vista e não realizar qualquer operação de crédito, em razão do pressuposto da provisão de fundos. Quem recebe o cheque não concede crédito, ao contrário do tomador da letra de câmbio. Cheque é, pois, meio de pagamento, e não documento representativo de crédito, por faltar a dilação temporal necessária entre o saque e a exigibilidade do valor do título. 5. FORMA
Conforme a mencionada classificação dos títulos de crédito, o cheque tem forma vinculada, e de maneira absoluta – por instrução do Banco Central. Não pode, assim, o correntista fabricar seu próprio cheque em casa, ainda que siga a formatação exigida. Difere, assim, da duplicata, que é título de forma vinculada, mas de maneira relativa, pois pode ser confeccionado pelo sacador – que deve apenas se atentar para a padronização do documento.
6. REQUISITOS
Estão previstos no artigo 1º da Lei n.º 7.357/85, a saber:
Art. 1º. O cheque contém:
I – a denominação “cheque” inscrita no contexto do título e expressa na língua em que este é redigido;
II – a ordem incondicional de pagar quantia determinada;
III – o nome do banco ou da instituição financeira que deve pagar (sacado); IV – a indicação do lugar de pagamento;
V – a indicação da data e do lugar de emissão;
VI – a assinatura do emitente (sacador), ou de seu mandatário com poderes especiais.
Parágrafo único. A assinatura do emitente ou a de seu mandatário com poderes especiais pode ser constituída, na forma de legislação específica, por chancela mecânica ou processo equivalente.
7. MODALIDADES