• Nenhum resultado encontrado

AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 2008002008745-

No documento 181rdj088 (páginas 80-85)

Agravante - Alan de Lima Faria Agravado - Distrito Federal

Relatora - Desa. Maria Beatriz Parrilha Quarta Turma Cível

EMENTA

PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONCURSO PÚBLICO PARA TÉCNICO PENITENCIÁRIO. ANULAÇÃO DE QUESTÕES. AUSêNCIA DOS REQUISITOS DO ART. 273 DO CPC. MANTENÇA DA DECISÃO QUE INDEFERIU A ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA.

1- Para a antecipação da tutela, consistente na determinação de continuação do certame de candidatos do concurso público para técnico penitenciário da Secretaria de Justiça do Distrito Federal, mister que haja a verossimilhança das alegações e o fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação. Ausente um desses requisitos, inviável se torna a pretensão antecipatória, ou seja, para a concessão da tutela antecipada não basta a possibilidade de dano irreparável ou de difícil reparação.

2- Considerando que não restou demonstrada a alegada violação ao princípio da legalidade, pois implicaria na análise de questões do teste objetivo, cuja apreciação requer exame acurado, não só do programa apresentado, mas também de interpretação dessas questões, o que impõe dilação probatória, com observância do princípio do contraditório, se afigura como escorreita a decisão agravada que indeferiu a antecipação de tutela vindicada. 3- Agravo de instrumento conhecido e não provido.

ACÓRDÃO

Acordam os Desembargadores da Quarta Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, Maria Beatriz Parrilha - Relatora, Sérgio Bittencourt e Hector Valverde Santana - Vogais, sob a presidência da Desembargadora Maria Beatriz Parrilha, em negar provimento ao recurso, unânime, de acordo com a ata do julgamento e notas taquigráficas.

RELATÓRIO

Trata-se de Agravo de Instrumento interposto contra decisão que, nos autos da Ação Anulatória proposta em face do Distrito Federal, indeferiu pedido de tutela antecipada para que o Agravante continuasse em fases posteriores de concurso público para o cargo de técnico penitenciário.

Para tanto, afirma violado o princípio da legalidade, uma vez que duas questões do teste objetivo permitem duas respostas, contrariando o item 7.3 do Edital e o artigo 32 do Decreto nº 21.688/00, e uma terceira trata de matéria não incluída no conteúdo programático publicado no edital.

Afirma a presença dos pressupostos necessários à concessão da tutela antecipada, ante a possibilidade de dano de difícil reparação, caso excluído do certame, bem como ante a prova inequívoca de suas alegações, consistente em pareceres de professores renomados.

Foi indeferido o efeito suspensivo ao recurso, conforme decisão de fls. 114/116.

Em suas informações o MM. Juiz noticia que o Recorrente cumpriu o estatuído no art. 526 do Código de Processo Civil.

É o relatório.

VOTOS

Desa. Maria Beatriz Parrilha (Relatora) - Presentes os pressupostos de

admissibilidade, conheço do recurso.

O artigo 273 do Código de Processo Civil é expresso em exigir, para a concessão da antecipação dos efeitos da tutela pretendida, que haja a verossimilhança das alegações e o fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação. Ausente um desses requisitos, inviável se torna a pretensão antecipatória, ou seja, para a concessão da tutela antecipada não basta a possibilidade de dano irreparável ou de difícil reparação.

A lei exige a existência de prova inequívoca das alegações que traga uma certeza do direito vindicado ou que convença o magistrado de que a tutela pleiteada será ao final alcançada.

No caso, como asseverei na decisão em que indeferi o efeito suspensivo ativo ao presente recurso, tal exigência legal não se faz presente, pois é certo que a alegada violação ao princípio da legalidade consistiria na análise de questões do teste objetivo, cuja apreciação requer exame acurado, não só do programa apresentado, mas também de interpretação dessas questões, o que impõe dilação probatória, com observância do princípio do contraditório.

Em que pese o renome dos professores signatários dos pareceres trazidos pelo Agravante, tais pareceres não são suficientes a configurarem prova inequívoca, visto que desta há de decorrer, já em um exame superficial, a certeza do direito, o que não ocorre na espécie. Pareceres sem o crivo do contraditório, referentes a questões de prova de concurso público, não trazem tal certeza, com os quais, inclusive, presume-se não ter a banca examinadora do concurso público concordado, de modo que matéria de interpretação não se traduz em certeza do direito.

Há de ser apontado ainda que o Agravante deduz, nesta sede recursal, pedidos que não foram deduzidos na instância inferior, como a informação se a anulação das questões permitiria ou não sua continuidade no certame, pleito este que é estranho ao presente recurso, posto que não apreciado pela decisão agravada. Aliás, essa demonstração deveria ter sido feita pelo próprio Agravante, ao pleitear sua manutenção nas demais etapas do concurso, ao fundamento de nulidades de questões de provas, pois se ele próprio não têm a certeza de que a declaração de nulidade importará em continuidade nas demais fases do concurso público, não se tem a certeza, sequer, de interesse de agir, consistente este na utilidade do provimento jurisdicional pleiteado, o que, mais uma vez, faz necessária a oitiva da parte contrária e afasta a verossimilhança das alegações a permitir que, na fase inicial em que se encontra o processo, se conceda a tutela antecipada.

Dessa forma, não tendo sido demonstrada a ilegalidade do ato administrativo atacado, em relação ao qual há a presunção de legitimidade e legalidade, impõe-se a mantença do decisum guerreado, o qual trilhou no sentido acima esposado, tendo o MM. Juiz monocrático expressamente asseverado que “o autor discute aspectos que demandam verdadeiro reexame das questões contra as quais elas se voltam, afirmando que uma delas extrapolaria o conteúdo programático definido pelo edital e outras duas apresentariam duplicidade de respostas, sendo que inexiste prova inequívoca capaz de convencer quanto à verossimilhança das alegações contidas na peça de ingresso, no sentido de macular a fase objetiva do concurso, ainda mais quando o reexame de questões é de responsabilidade da banca examinadora do concurso, não podendo o Judiciário ser acionado para substituí-la”.

Igualmente a jurisprudência desta Corte respalda o referido entendimento; confira-se:

“AGRAVO DE INSTRUMENTO. MEDIDA CAUTELAR. CONCURSO PÚBLICO. GABARITO PRELIMINAR. ALTE- RAÇÃO. RESPOSTAS TIDAS POR CORRETAS CONSI- DERADAS ERRADAS. REPROVAÇÃO. ENTENDIMENTO

DIVERSO DO CANDIDATO. PODER JUDICIÁRIO. LIMITE DE ATUAÇÃO. PRETENSÃO DE OBTER LIMINAR A FIM DE PROSSEGUIR NAS DEMAIS FASES DO CERTAME. IMPOSSIBILIDADE.

I - CONFORME ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL DO- MINANTE, NÃO CABE AO PODER JUDICIÁRIO SE IMIS- CUIR NO MÉRITO DAS QUESTÕES SUBMETIDAS AOS CANDIDATOS, UMA VEZ QUE NÃO LHE É PERMITIDO ATUAR COMO SUBSTITUTO DA BANCA EXAMINADO- RA, ESTANDO SUA ANÁLISE RESTRITA AO ASPECTO DE LEGALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO.

II - AUSENTE A FUMAÇA DO BOM DIREITO, CORRETO O INDEFERIMENTO DA LIMINAR VINDICADA PARA PROSSEGUIR NAS DEMAIS FASES DO CERTAME. III - NEGOU-SE PROVIMENTO AO RECURSO. UNÂNIME.” (TJDFT, 1ª Turma Cível, AGI nº 4848-0/2005, Rel. Des. José Divino de Oliveira, DJ de 11.04.2006).

“AGRAVO DE INSTRUMENTO. INDEFERIMENTO DE LIMINAR EM AÇÃO CAUTELAR. CONCURSO PÚBLI- CO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO NA CORREÇÃO DA PROVA SUBJETIVA E NA RESPOSTA AO RECURSO ADMINISTRATIVO. AUSêNCIA DE FUMUS BONI IURIS. AGRAVO IMPROVIDO.

I - SÃO REQUISITOS IMPRESCINDÍVEIS PARA A CON- CESSÃO DE LIMINAR, ALÉM DO PERIGO DE DANO IMI- NENTE (PERICULUM IN MORA), A PROBABILIDADE DE EXISTêNCIA DO DIREITO (FUMUS BONI IURIS).

II - A COMPETêNCIA PARA EXAME DOS RECURSOS ADMINISTRATIVOS É DA BANCA EXAMINADORA DO CONCURSO, INEXISTINDO QUALQUER PREVISÃO, SEJA NO EDITAL OU NA LEGISLAÇÃO PERTINENTE, QUANTO À EXISTêNCIA DE UMA “BANCA RECURSAL”.

III - NÃO SE PODE COGITAR A HIPÓTESE DE QUE, PELA VIA JUDICIAL, SEJA RETIFICADA A NOTA ATRIBUÍDA OU CONFERIDA A PONTUAÇÃO MÁXIMA AO CAN- DIDATO NA PROVA DE REDAÇÃO, POIS É DEFESO AO PODER JUDICIÁRIO, EM SUBSTITUIÇÃO AO EXAMI- NADOR, IMISCUIR-SE NOS CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO

E CORREÇÃO DAS PROVAS, HAJA VISTA O PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA SEPARAÇÃO DOS PODERES. IV - NÃO SE MOSTRA PLAUSÍVEL A ALEGAÇÃO DE QUE TENHA HAVIDO EXCESSIVO GRAU DE SUBJETIVIDADE DO EXAMINADOR NA AVALIAÇÃO DA PROVA DO CAN- DIDATO, PORQUANTO OS DOCUMENTOS APRESENTA- DOS PELO AGRAVADO ALUDEM, DE FORMA EXPLÍCITA E DIRETA, AOS CRITÉRIOS UTILIZADOS PARA ELEGER A PONTUAÇÃO A ELE ATRIBUÍDA.

V - AUSENTE, NA ESPÉCIE, O FUMUS BONI IURIS, COR- RETA A DECISÃO QUE INDEFERIU A LIMINAR POSTU- LADA PARA PERMITIR O CANDIDATO A PROSSEGUIR NAS DEMAIS FASES DO CERTAME.

VI - AGRAVO IMPROVIDO.” (TJDFT, 1ª Turma Cível, AGI nº 1309-7/2005, Rel. Des. Nívio Geraldo Gonçalves, DJ de 01.09.2005).

Portanto, além de não se encontrarem presentes os pressupostos necessários para a concessão da antecipação de tutela, não há que se falar também em afronta ao item 7.3 do Edital e ao artigo 32 do Decreto nº 21.688/00, cuja análise se confunde com o mérito da demanda e, como dito, demandaria a devida instrução do feito.

Ante o exposto, nego provimento ao agravo de instrumento. É como voto.

Des. Sérgio Bittencourt (Vogal) - Com a Relatora. Des. Hector Valverde Santana (Vogal) - Com a Relatora.

DECISÃO

Negar provimento ao recurso, unânime.

No documento 181rdj088 (páginas 80-85)