Agravante - I.C.M.R.B Agravado - P.R.M
Relatora - Desa. Haydevalda Sampaio Quinta Turma Cível
EMENTA
CUMPRIMENTO DE SENTENÇA - PROIBIÇÃO DE VISTA DOS AUTOS - PRELIMINAR PARA QUE SEJA AFASTADA EVENTUAL PREVENÇÃO - RETIRADA DOS AUTOS - RES- PONSABILIDADE DO ADVOGADO.
1 - A parte não pode escolher o juiz da causa e nem recusá-lo, sem motivo plausível. Distribuído os autos, nos termos do Regimento Interno deste Egrégio Tribunal, por força de prevenção, rejeita-se a preliminar suscitada.
2 - A responsabilidade pela devolução dos autos é do advogado que o retirou da secretaria, por meio de carga. A argüição de que a agravante retirou os autos e o entregou ao seu advogado, não afasta sua responsabilidade como advogada e não autoriza reabertura de prazo.
3 - As teses suscitadas nas razões recursais, relacionadas a eventual nulidade de outra decisão monocrática, bem como o pedido de suspensão do cumprimento da sentença, não podem ser novamente analisadas, sob pena de afrontar o instituto da preclusão.
4 - Recurso conhecido e não provido.
ACÓRDÃO
Acordam os Senhores Desembargadores da 5ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, Haydevalda Sampaio - Relatora, Lecir Manoel da Luz - Vogal, Romeu Gonzaga Neiva - Vogal, sob a presidência do Senhor Desembargador Romeu Gonzaga Neiva em proferir a seguinte decisão: conhecer. Rejeitar preliminar. Negar provimento. Unânime, de acordo com a ata do julgamento e notas taquigráficas.
RELATÓRIO
Cuida-se de agravo de instrumento interposto por I. C. M. R. B. inconformada com a r. decisão de fl. 25, nos autos da ação de cumprimento de sentença ajuizada por P. R. M. em seu desfavor, que manteve a determinação de fl. 597 dos autos principais, bem como proibiu a vista dos autos requerida em causa própria, determinando a comunicação do fato à Ordem dos Advogados do Brasil - Seção do Distrito Federal.
Sustenta que se volta contra o indeferimento do pedido de devolução do prazo, e de comunicação à OAB, atribuindo a culpa pela retenção dos autos ao advogado Luiz Brasil Corrêa, constituído para defendê-la. Alega preliminar do duplo grau de jurisdição e pede que seja afastada eventual prevenção atribuída a esta Relatoria. Requer, ainda, a suspensão dos autos da ação principal de cumprimento de sentença porque depende de decisão de mérito de outros processos ainda pendentes de julgamento. No mérito, pugna pela nulidade absoluta da decisão que determinou a partilha dos bens não arrolados na inicial da ação de separação judicial entre as partes. Insurge-se contra a sua falta de intimação para apresentar contra-razões nos embargos declaratórios opostos pelo Embargado. Aponta violação aos princípios do contraditório, ampla defesa e devido processo legal. Colaciona vasta jurisprudência.
Através da decisão de fls. 681/684, deneguei o efeito suspensivo pleiteado.
Interpostos recursos de agravo regimental, embargos de declaração no agravo regimental e embargos de declaração nos embargos de declaração no agravo regimental, todos restaram não conhecidos.
O Agravado apresentou resposta às fls. 764/768, pugnando pelo improvimento do agravo de instrumento, bem como a aplicação do artigo 18 do Código de Processo Civil.
A MMa. Juíza prestou as informações de fls. 769/771.
A douta Procuradoria de Justiça, através do parecer de fls. 773/779, da lavra da Dra. Ruth Kicis Torrents Pereira oficia pelo conhecimento e desprovimento do agravo.
É o relatório.
VOTOS
Desa. Haydevalda Sampaio (Relatora) - Cuida-se de agravo de
instrumento interposto por I. C. M. R. B. inconformada com a r. decisão de fl. 25, que nos autos da ação de cumprimento de sentença ajuizada por P. R.
M. em seu desfavor, manteve a determinação de fl. 597 dos autos principais,
bem como proibiu a vista dos autos, determinando a comunicação do fato à Ordem dos Advogados do Brasil - Seção do Distrito Federal, vazada nos seguintes termos:
“1) Mantenho a determinação de fls. 597.
Em verdade, a requerida, em causa própria, retirou os autos em 21.06.2007 e devolveu-os apenas em 18.10.2007.
Trouxe uma declaração médica de que realizou cirurgia em 26.06.2007, devendo ficar de repouso por dois meses (fls. 610). Observo, em primeiro lugar, que os autos poderiam ter sido de- volvidos antes da cirurgia.
Ainda que assim não fosse, o prazo de repouso terminou quase dois meses antes da efetiva devolução dos autos, inexistindo, portanto, força maior a justificar a demora.
Tal conduta insere-se dentre aquelas reputadas como infrações disciplinares, encontrando previsão no inciso XXII do art. 34 da Lei 8.906/94 (Estatuto da Advocacia) e enseja sanção.
Ante o exposto, com fundamento no art. 196 do Código de Pro- cesso Civil, proíbo vista dos autos, requerida em causa própria, fora do cartório. Anote-se na capa dos autos.
Determino, outrossim, a comunicação do fato à Ordem dos Ad- vogados do Brasil - Seção do Distrito Federal, para adoção dos procedimentos que entender adequados.
2) Nada há a prover no tocante aos pedidos formulados nos itens “a” a “c” de fls. 599/600, em face da decisão de fls. 568/569. Em observância ao artigo 475-F, do Código de Processo Civil, determino que a liquidação tramite pelo rito ordinário.
Intime-se a requerida, na pessoa de seu advogado e por publicação em Diário (art. 475-A, § 1º do CPC), para que tome ciência da liquidação e ofereça sua defesa no prazo de 15 dias.”
A Agravante pediu preliminarmente que “seja afastada a eventual
prevenção atribuída à Eminente Desembargadora Haydevalda Sampaio, em obediência aos princípios constitucionais do duplo grau de jurisdição e do devido processo legal”.
Cabe salientar que a parte não pode escolher o juiz da causa e nem recusá-lo, sem motivo plausível. No presente caso, recebi os presentes autos por força de prevenção, nos termos do Regimento Interno deste Egrégio Tribunal, não havendo como acolher o pedido da Agravante.
Rejeito a preliminar e conheço do recurso, eis que presentes os pressupostos de admissibilidade.
Conforme informações prestadas pela douta Magistrada nos autos do Agravo de Instrumento nº 2007 00 2 013155-8 e colacionadas a este presente recurso às fls. 26/28, a Agravante fez carga dos autos principais no dia 21-06-2007 e somente os devolveu em 18-10-2007. As justificativas prestadas pela Agravante não foram aceitas pela douta Magistrada porquanto se limitaram a atribuir a culpa ao seu patrono, bem como a esclarecer que se encontrava em repouso por ter sido submetida à cirurgia plástica durante o período supracitado. É contra esta decisão (fl. 25), o escopo do presente recurso.
É certo que a responsabilidade pela devolução dos autos é do advogado que o retirou do Cartório, por meio de carga. In casu, a própria Agravante confessa, na petição de fls. 644/647 que fez a retirada dos autos em 21 de junho de 2007, entregando-os ao seu patrono no dia 25 de junho do mesmo ano. Desta forma, não pode utilizar-se da própria desídia para pleitear reabertura do prazo para se manifestar, agindo a douta Magistrada dentro da mais escorreita postura, não sendo possível modificar a r. decisão agravada.
Por outro lado, de uma leitura atenta da peça recursal, verifica-se que a Agravante não a fundamentou de acordo com a irresignação apontada, mas levantou outras teses e pedidos, a saber: violação ao duplo grau de jurisdição, nulidade de decisão que determinou a partilha dos bens das partes, falta de intimação para apresentação de contra-razões em declaratórios.
Neste sentido, manifestou-se a douta Procuradoria de Justiça às fls. 773/779, no que importa:
“Verifica-se, no arrazoado do presente recurso (fl. 5), que a agravante está inconformada com a decisão que lhe indeferiu a devolução de prazo para falar nos autos e que determinou a comunicação da retenção dos autos à OAB para adoção das providências que o caso demandava.
Ocorre que, ao prosseguir em suas razões de recurso, a agravante desvia-se da sua trajetória inicial para atacar a decisão que julgou os Embargos de Declaração, alegando se esta nula em decorrência da ausência de contraditório, tendo em vista que não foi intimada para apresentar contra-razões. Esse argumento é o pilar de sus- tentação das razões apresentadas.
Ao se analisar os pedidos, chega-se à exata conclusão de que a agravante não teve a intenção de atacar a decisão de fl. 614, mas aquela de fls. 61/63, justamente a que incluiu seus bens no monte a ser partilhado.
Observa-se que o recurso apresentado não está pautado na melhor técnica, tendo em vista que a recorrente não enfrentou os fundamentos da decisão atacada, mas limitou-se a reprisar os argumentos já suscitados em sede do agravo de instrumento sob o nº 2007.00.2.013155-8, no qual manifestou-se esta Procura- doria de Justiça em 14/05/2008, pelo seu improvimento. Além disso, desvia o olhar do julgador para decisão anterior, sobre a qual já incidiu a preclusão, não cabendo qualquer discussão sobre seu conteúdo. Trata-se, portanto, de recurso com objeto idêntico ao já interposto anteriormente pela agravante - AGI nº 2007.22.2.013155-8.”
Por fim, as questões relacionadas à eventual nulidade de outra decisão monocrática, bem como o pedido de suspensão do cumprimento de sentença, não poderão ser analisadas no seio deste recurso por afrontar o instituto da preclusão, bem como da coisa julgada. Neste sentido manifestou-se a douta Procuradoria de Justiça ao asseverar: “Não houve, pois, violação ao princípio do contraditório,
asseverando-se que o instrumento adequado à revisão da decisão de fls. 61/63 restou precluso ante a inércia da agravante, razão pela qual não deve prosperar a alegação preliminar de nulidade da decisão e dos demais atos a ela posteriores.”
Ante o exposto, nego provimento ao recurso interposto. É como voto.
Des. Lecir Manoel da Luz (Vogal) - Com o Relator. Des. Romeu Gonzaga Neiva (Vogal) - Com o Relator.
DECISÃO
Conhecer. Rejeitar preliminar. Negar provimento. Unânime.