A Agravante sustenta, em suma, o cerceamento do seu direito de defesa, em razão do indeferimento da prova testemunhal vindicada.
Não lhe assiste razão.
Verifica-se dos autos a desnecessidade da oitiva de testemunhas, ante as provas apresentadas no feito e o próprio reconhecimento das partes a respeito da data da separação de fato do casal.
É cediço que incumbe ao magistrado aferir a necessidade ou não de se apresentar determinada prova, atentando-se para o contexto do processo e baseado no princípio do livre convencimento motivado, para então, sim, caso julgue imprescindível, atender ao pedido da parte.
De igual sorte, em havendo informações suficientes para a formação justa e equânime da questão que é posta ao julgador, correta é a sua decisão quando determina o imediato enfrentamento da questão (art. 330, I, do CPC), ou mesmo indefere a produção de prova oral desnecessária ao deslinde da questão (art. 130 do CPC), como no caso em tela.
No mesmo sentido, entendo que laborou com acerto Sua Excelência
a quo ao negar o pedido de ofício à Receita Federal, porquanto incumbia à
parte postulante demonstrar que esgotou todas as diligências necessárias para a localização de bens em nome do ora Agravado.
Portanto, CONHEÇO e NEGO PROVIMENTO ao agravo retido. Feitas essas considerações, passo à análise das apelações apresentadas pelas partes.
APELAÇÃO DA REQUERIDA (fls.511/522) (i) Preliminar de nulidade da citação
Em que pese a suposta irregularidade na citação realizada no feito (fl. 50), em razão do equívoco no nome da citada, a mesma, de forma espontânea, compareceu nos autos. Destarte, supriu o defeito, nos termos do artigo 214, § 1º, do Código de Processo Civil.
Dessa forma, não prospera o seu inconformismo.
(ii) extinção do feito, ante a ausência de recolhimento das custas
De igual sorte, não prospera a alegação de extinção do feito, ante o não recolhimento integral das custas iniciais na primeira oportunidade, pressuposto de desenvolvimento válido do processo.
Veja-se tratar de vício sanável, que fora suprido ao longo do feito (fls. 28/30, do processo em apenso). Destarte, deve ser rejeitada a alegação de nulidade se não houver prejuízo, nos termos do artigo 249, parágrafo 1º e artigo 244 CPC.
Sobre o tema, leciona Cândido Rangel Dinamarco:
“A efetividade do processo mostra-se ainda particularmente sensível através da capacidade, que todo sistema tenha de produzir realmente as situações de justiça desejadas pela ordem social, política e jurídica. A tutela específica dos direitos, execução em espécie, obtenção de resultados mediante sentenças constitutivas e eliminação de óbice à plena satisfação dos direitos (v.g. mediante as medidas cautelares), são fatores para a efetividade do processo. A tendência do direito processual moderno é também no sentido de conferir maior utilidade aos provimentos jurisdicionais”1...
Forte nessas razões, bem assim com amparo nos princípios da celeridade e efetividade da prestação jurisdicional, rejeito a aludida preliminar.
(iii) MÉRITO
O inconformismo da Apelante/Requerida refere-se à procedência do pedido agitado na inicial, que culminou na partilha de 50% (cinqüenta por cento), em benefício do Autor, do imóvel rural sito à Vila de Jamapará, município de Sapucaí, Estado do Rio de Janeiro.
Ao compulsar os autos verifico que restou incontroverso o marco inicial da separação de fato dos litigantes: desde o início de 1982. O próprio Autor enfatizou a referida data, basta dar relevo aos seus consubstanciais argumentos expendidos às fls. 30/34, que embasaram o pedido de divórcio direto. Confira-se (fl. 32):
“O Requerente está separado, de fato, da Requerida, desde o início de 1982, quando saiu de casa, após se desentender com a Requerida, porque ela não se dispôs a acompanhá-lo em suas viagens a serviço do Governo Brasileiro no Exterior. A relação do casal já estava desgastada, tornando a convivência sobre o mesmo teto insuportável e em 1982, houve a inevitável separação.
Esclarece, por ser relevante, que o Requerente constituiu nova família, há treze anos, sendo que desta segunda união registra-se o nascimento
de uma filha, L. de C., que está com 9 anos de idade, conforme Certidão de Nascimento anexo (doc. 04)”.
Em sua contestação, a ora Apelante confirmou a época da separação de fato do casal. De igual sorte, constato que o imóvel objeto da contenda foi adquirido em 1988 (fls. 26/28), o divórcio ajuizado em 05/11/2002 (fl. 30) e levado a termo no final de 2003, bem assim que o regime de casamento adotado pelo casal foi o de comunhão de bens (fl. 12).
É cediço que uma vez comprovada a cooperação mútua dos cônjuges para a aquisição do bem, deve o mesmo ser partilhado em 50% (cinqüenta por cento) para cada um, haja vista que a comunhão universal implica na comunicabilidade de todos os bens presentes e futuros do casal, nos termos do art. 1.667 do Novo Código Civil.
Nesse norte, destaco os ensinamentos de Silvio de Salvo Venosa, in verbis:
“O art. 1.667 (antigo, art. 262) estabelece:
“O regime da comunhão universal importa a comunicação de todos os bens presentes e futuros dos cônjuges e suas dívidas passiva, com exceções do artigo seguinte.”
Desse modo, com as exceções legais que confirmam a regra e mencio- naremos a seguir, a regra geral é o condomínio de todos os bens dos consortes, presentes e futuros. Essa idéia era completada pelo art. 266 do antigo diploma: “Na constância da sociedade conjugal, a propriedade e posse dos bens é comum”.
No regime da comunhão universal, há um patrimônio comum, consti- tuído por bens presentes e futuros. Os esposos têm a posse e propriedade em comum, indivisa de todos os bens, móveis e imóveis, cabendo a cada um deles a metade ideal. Como conseqüência, qualquer dos consortes pode defender a posse e a propriedade dos bens. Cuida-se de sociedade ou condomínio conjugal, com caracteres próprios2.” (in “Direito Civil”, Editora Jurídico Atlas, 4ª Edição, fls. 193/194)”.
Por outro lado, não nos olvidemos que o direito vindicado por um dos cônjuges deve respaldar-se no princípio da proporcionalidade, em patente observância à moral e aos bons costumes, de forma que eventual partilha não caracterize o enriquecimento sem causa de uma das partes.
Nesse ensejo, imperioso destacar o seguinte trecho do voto proferido pela Excelentíssima Desembargadora Sandra De Santis, quando do julgamento da apelação cível nº 1999.01.5.004135-3:
“Não se pode vislumbrar comunhão onde não mais estão presentes o dever de fidelidade, afectio maritalis, vida em comum, respeito mútuo e criação da prole. Ou seja, na feliz citação de Alípio Silveira, na sentença monocrática: “mais importante do que a sistemática externa da lei é o contexto interno de sentido das proposições jurídicas, a sua harmonização recíproca, numa regulamentação congruente e inteligível em si mesma” (‘Hermenêutica Jurídica’ - Editora Brasiliense, Vol. 01, fl. 89).
Eis a ementa do acórdão do referido julgado, publicado no DJU 06/02/2002:
“CIVIL - COMUNHÃO UNIVERSAL DE BENS - SEPARA-