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Alíquota e Base de Cálculo da Contribuição Previdenciária

3. CUSTEIO DO REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA

3.2 Alíquota e Base de Cálculo da Contribuição Previdenciária

Outrossim, essas contribuições destinadas ao Custeio do Regime Próprio de Previdência Social são fiscalizadas e normatizadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.

Quanto à responsabilidade pela retenção e recolhimento das contribuições, Pereira e Lazzari explica que (2014, p. 1023):

A Lei nº 12.350, de 20.12.2010, atribuiu ao dirigente e ao ordenador de despesa do órgão ou entidade que efetuar o pagamento da remuneração ou do benefício. O recolhimento, por sua vez, deve ser efetuado:

I- Até o dia 15, no caso pagamentos de remunerações ou benefícios efetuados no primeiro decênio do mês;

II- Até o dia 25, no caso de pagamentos de remunerações ou benefícios efetuados no segundo decênio do mês;

III- Até o dia 5 do mês posterior, no caso de pagamentos de remunerações ou benefícios efetuados no último decênio do mês.

O descumprimento desta obrigação enseja a aplicação dos acréscimos moratórios previstos em lei, bem como a responsabilização administrativa e criminal do responsável pelo recolhimento.

Compreendidas as diversas fontes de custeio do Regime Próprio de Previdência, vejamos o percentual que cada ente contribui.

(onze por cento) e fixou a contribuição da União, suas autarquias e fundações em valor correspondente ao dobro da contribuição do servidor ativo.

Já em relação aos servidores que ingressaram no Regime Próprio após a Lei nº 12.612/2012, a alíquota de onze por cento incidirá sobre a parcela base de contribuição que não exceder ao limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social, independentemente do servidor ter aderido ao Regime de Previdência Complementar estabelecido nesta lei; o mesmo se aplicando ao servidor que tiver aderido a este regime complementar, ainda que tenha ingressado no serviço público antes desta norma. Já os servidores que entraram no Regime Próprio antes da Lei nº 12.612/2012 e não aderiram a previdência complementar, a alíquota de onze por cento incide sobre a totalidade da base de contribuição.

Esta mesma alíquota de onze por cento incide, como visto, sobre o valor que supera o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social em se tratando da parcela dos proventos dos aposentados e pensionistas do regime próprio.

No tocante a contribuição dos entes federativos, em que pese a alíquota não constar da Magna Carta, a Lei nº 10.887/04, em seu artigo 8º, estabelece que a contribuição da União, de suas autarquias e fundações para o custeio do Regime Próprio será o dobro da contribuição do servidor ativo, devendo, consequentemente, o produto desta arrecadação ser contabilizado em conta específica, sendo responsabilidade da União a cobertura de eventuais insuficiências financeiras para pagamento dos benefícios deste regime.

Quanto à base de cálculo da contribuição previdenciária, podemos defini-la como o valor sobre a qual incide a alíquota da contribuição previdenciária do Regime Próprio com o intuito de verificar o valor efetivo da contribuição mensal.

Esta base de cálculo está definida no parágrafo primeiro do artigo 4º da Lei nº 10.887/04, alterado pela Lei nº 12.688, de 18 de julho de 2012:

§ 1o Entende-se como base de contribuição o vencimento do cargo efetivo, acrescido das vantagens pecuniárias permanentes estabelecidas em lei, os adicionais de caráter individual ou quaisquer outras vantagens, excluídas:

I - as diárias para viagens;

II - a ajuda de custo em razão de mudança de sede;

III - a indenização de transporte;

IV - o salário-família;

V - o auxílio-alimentação;

VI - o auxílio-creche;

VII - as parcelas remuneratórias pagas em decorrência de local de trabalho;

VIII - a parcela percebida em decorrência do exercício de cargo em comissão ou de função comissionada ou gratificada; (Redação dada pela Lei nº 12.688, de 2012)

IX - o abono de permanência de que tratam o § 19 do art. 40 da Constituição Federal, o § 5º do art. 2º e o § 1º do art. 3º da Emenda Constitucional nº 41, de 19 de dezembro de 2003; (Redação dada pela Lei nº 12.688, de 2012)

X - o adicional de férias; (Incluído pela Lei nº 12.688, de 2012) XI - o adicional noturno; (Incluído pela Lei nº 12.688, de 2012) XII - o adicional por serviço extraordinário; (Incluído pela Lei nº 12.688, de 2012)

XIII - a parcela paga a título de assistência à saúde suplementar; (Incluído pela Lei nº 12.688, de 2012)

XIV - a parcela paga a título de assistência pré-escolar; (Incluído pela Lei nº 12.688, de 2012)

XV - a parcela paga a servidor público indicado para integrar conselho ou órgão deliberativo, na condição de representante do governo, de órgão ou de entidade da administração pública do qual é servidor; (Incluído pela Lei nº 12.688, de 2012)

XVI - o auxílio-moradia; (Incluído pela Lei nº 12.688, de 2012) XVII - a Gratificação por Encargo de Curso ou Concurso, de que trata o art. 76-A da Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990; (Incluído pela Lei nº 12.688, de 2012)

XVIII - a Gratificação Temporária das Unidades dos Sistemas Estruturadores da Administração Pública Federal (GSISTE), instituída pela Lei no 11.356, de 19 de outubro de 2006; (Incluído pela Lei nº 12.688, de 2012)

XIX - a Gratificação Temporária do Sistema de Administração dos Recursos de Informação e Informática (GSISP), instituída pela Lei no 11.907, de 2 de fevereiro de 2009; (Redação dada pela Lei nº 13.328, de 2016)

XX - a Gratificação Temporária de Atividade em Escola de Governo (GAEG), instituída pela Lei nº 11.907, de 2 de fevereiro de 2009; (Incluído pela Lei nº 13.328, de 2016)

XXI - a Gratificação Específica de Produção de Radioisótopos e Radiofármacos (GEPR), instituída pela Lei nº 11.907, de 2 de fevereiro de 2009; (Incluído pela Lei nº 13.328, de 2016)

XXII - a Gratificação de Raio X. (Incluído pela Lei nº 13.328, de 2016)

Da leitura deste parágrafo surgem alguns conceitos que precisam ser melhor compreendidos, tais como vencimento, vantagens pecuniárias permanentes e adicionais de caráter individual. Com maestria, Brito de Campos (2015, p. 190) define-os:

Vencimento é o valor pecuniário básico pago ao servidor ativo em decorrência do desempenho de sua função pública. As vantagens pecuniárias de caráter permanente são aquelas gratificações, indenizações e adicionais não transitórios, que decorrem do exercício da função pública. Adicionais de caráter individual se opõem aos adicionais de caráter geral, concedidos a todos os servidores. Outras vantagens dependem da definição legal e da natureza das mesmas.

Em relação aos servidores públicos federais, nosso objeto de estudo, se incorporam ao seu vencimento ou proventos às gratificações e adicionais, nos termos do artigo 49 da Lei nº 8.112/90. O importante, neste espeque, não é a rotulação que é atribuída à verba, mas sim sua essência para saber se ela integra ou não o vencimento do servidor.

Outrossim, essa definição supra descrita imposta pela Lei nº 10.887/04 é aplicável ao servidor público federal, cabendo aos demais entes definir a sua base de cálculo para o seu respectivo regime próprio, bem como se esta incide sobre férias, décimo terceiro salário e outros benefícios e sobre à remuneração mensal independentemente das faltas ou ocorrências.

Outra questão que merece destaque é que o regime de cada ente deve prever se o servidor afastado ou licenciado temporariamente, sem direito à remuneração, deverá contribuir ou não, de modo que este tempo seja computado para a aposentadoria.

Tratamos até agora sobre a incidência e base de cálculo da contribuição previdenciária, necessário se faz, neste momento, estudarmos a isenção da contribuição previdenciária.