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3. CUSTEIO DO REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA

3.1 Fontes de Custeio

a) Contribuições previdenciárias a cargo dos servidores públicos, militares, ativos, inativos e dos pensionistas (CF, art. 40, caput, c.c o art. 149, §1º e Lei 9.717/98, art. 1º, II). No caso da contribuição dos aposentados e pensionistas, o §18 do art. 40 da Constituição de 1988 previu que só incidirá contribuição sobre os proventos de aposentadorias e pensões concedidas pelo RPPS que superem o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência social e que trata o art. 201, com percentual igual ao estabelecido para os servidores titulares de cargos efetivos;

b) Contribuições previdenciárias a cargo dos entes públicos - unidades federadas e suas entidades da Administração Indireta (CF, art. 40, caput, e Lei 9.717/98, art. 1º, II).

Neste sentido, contribuições sociais, nos dizeres de Brito de Campos (2015, p. 158) “são espécies de tributos destinadas a custear os encargos decorrentes da efetividade das normas da Ordem Social, principalmente a seguridade social, de forma geral ou especificamente uma de suas áreas”.

As contribuições previdenciárias referente a parte dos servidores públicos devem ser feitas diretamente da folha de pagamento pela unidade pagadora do servidor e repassada aos cofres previdenciários.

A Constituição Federal, em seu artigo 249, estabelece que estas unidades federadas devem criar fundos integrados pelos recursos provenientes de contribuições e por bens, de forma a assegurar recursos para pagamento de proventos de aposentadoria e pensões concedidas aos respectivos servidores e seus dependentes.

Estas contribuições também são regulamentadas, em relação aos servidores federais, pela Lei nº 10.887, de 18 de junho de 2004.

Sobre o que se entende como base de cálculo da contribuição previdenciária do servidor, Pereira e Lazzari (2014, p. 1018) explica:

A contribuição dos servidores públicos, portanto, tem como base de cálculo a soma do vencimento com as vantagens de caráter permanente, adicionais e outras vantagens, excetuadas as verbas indicadas nos incisos do parágrafo 1º do art. 4º da precitada Lei. Pode, todavia, o salário de contribuição ser acrescido das verbas descritas nos incisos VII e VIII do parágrafo 1º em questão, a pedido do servidor – não podendo ser tais vantagens inseridas ex officio, portanto.

Para os servidores da União, nosso objeto de estudo, a base de cálculo de contribuição é o valor dos proventos recebidos mensalmente. Em relação aos aposentados e pensionistas, que também contribuem para este

fundo, a base de cálculo da contribuição é o valor os proventos recebidos em montante superior ao valor máximo do salário de benefício do RGPS, de modo que não haverá contribuição sobre proventos cujo montante seja inferior ao valor do “teto” do INSS e, consequentemente, a incidência somente ocorrerá sobre a parcela excedente a este limite.

O ente da federação (União, Estados, Municípios, ou Distrito Federal) também tem contribuições a verter, de modo a prover o fundo previdenciário específico como tomador de serviços. Esse assunto se encontra descrito nos artigos 8º e 8º-A da Lei nº 10.887, de 18 de junho de 2004, in verbis:

Art. 8o A contribuição da União, de suas autarquias e fundações para o custeio do regime de previdência, de que trata o art. 40 da Constituição Federal, será o dobro da contribuição do servidor ativo, devendo o produto de sua arrecadação ser contabilizado em conta específica.

Parágrafo único. A União é responsável pela cobertura de eventuais insuficiências financeiras do regime decorrentes do pagamento de benefícios previdenciários.

Art. 8o-A. A responsabilidade pela retenção e recolhimento das contribuições de que tratam os arts. 4o a 6o e 8o será do dirigente e do ordenador de despesa do órgão ou entidade que efetuar o pagamento da remuneração ou do benefício. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010)

§ 1o O recolhimento das contribuições de que trata este artigo deve ser efetuado: (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010)

I – até o dia 15, no caso de pagamentos de remunerações ou benefícios efetuados no primeiro decêndio do mês; (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010)

II – até o dia 25, no caso de pagamentos de remunerações ou benefícios efetuados no segundo decêndio do mês; ou (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010)

III – até o dia 5 do mês posterior, no caso de pagamentos de remunerações ou benefícios efetuados no último decêndio do mês. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010)

§ 2o O não recolhimento das contribuições nos prazos previstos no § 1o: (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010)

I – enseja a aplicação dos acréscimos de mora previstos para os tributos federais; e (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010)

II – sujeita o responsável às sanções penais e administrativas cabíveis. (Incluído pela Lei nº 12.350, de 2010)

§ 3o A não retenção das contribuições pelo órgão pagador sujeita o responsável às sanções penais e administrativas, cabendo a esse órgão apurar os valores não retidos e proceder ao desconto na folha de pagamento do servidor ativo, do aposentado e do pensionista, em rubrica e classificação contábil específicas, podendo essas contribuições ser parceladas na forma do art. 46 da Lei no 8.112, de 11 de dezembro de 1990, observado o disposto no art. 56 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999. (Incluído pela Lei nº 12.688, de 2012)

§ 4o Caso o órgão público não observe o disposto no § 3o, a Secretaria da Receita Federal do Brasil formalizará representações aos órgãos de controle e constituirá o crédito tributário relativo à parcela devida pelo servidor ativo, aposentado ou pensionista. (Incluído pela Lei nº 12.688, de 2012)

Outrossim, essas contribuições destinadas ao Custeio do Regime Próprio de Previdência Social são fiscalizadas e normatizadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.

Quanto à responsabilidade pela retenção e recolhimento das contribuições, Pereira e Lazzari explica que (2014, p. 1023):

A Lei nº 12.350, de 20.12.2010, atribuiu ao dirigente e ao ordenador de despesa do órgão ou entidade que efetuar o pagamento da remuneração ou do benefício. O recolhimento, por sua vez, deve ser efetuado:

I- Até o dia 15, no caso pagamentos de remunerações ou benefícios efetuados no primeiro decênio do mês;

II- Até o dia 25, no caso de pagamentos de remunerações ou benefícios efetuados no segundo decênio do mês;

III- Até o dia 5 do mês posterior, no caso de pagamentos de remunerações ou benefícios efetuados no último decênio do mês.

O descumprimento desta obrigação enseja a aplicação dos acréscimos moratórios previstos em lei, bem como a responsabilização administrativa e criminal do responsável pelo recolhimento.

Compreendidas as diversas fontes de custeio do Regime Próprio de Previdência, vejamos o percentual que cada ente contribui.