6. REGIME DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR DO
6.5 Entidades Fechadas de Previdência Complementar
Como visto, o regime de previdência complementar público será instituído por lei de iniciativa do Poder Executivo. Cumprindo esta delegação constitucional estabelecida no artigo 40, §15, da Constituição Federal de 1988, o Congresso Nacional aprovou a Lei nº 12.618/2012, que autorizou a criação das entidades de previdência complementar, nos termos das Leis Complementares nº 108 e 109, de 29 de maio de 2001.
A Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal do Poder Executivo (FUNPRESP-Exe) foi instituída por meio de ato do Presidente da República e é destinada aos servidores públicos titulares de cargo efetivo do Poder Executivo.
Através de ato conjunto dos Presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal foi criada a Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal do Poder Legislativo
(FUNPRESP-Leg) que é destinada aos servidores públicos titulares de cargo efetivo do Poder Legislativo e do Tribunal de Contas da União e para os membros deste Tribunal.
E, por meio de ato do Presidente do Supremo Tribunal Federal, foi instituída a Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal do Poder Judiciário (FUNPRESP-Jud) que é destinada aos servidores públicos titulares de cargo efetivo e para os membros do Poder Judiciário.
O artigo 4º da Lei nº 12.618/2012 autorizou a possibilidade de dois poderes, ou até mesmo os três, criarem uma única entidade que abrangesse ao mesmo tempo os servidores vinculados a estes poderes. Contudo, preferiu-se criar uma entidade para cada um dos Poderes.
Um problema que existiu, quando da vigência da lei supramencionada, foi a ausência de entidade que abrangesse os servidores do Ministério Público da União, já que esta não previu em qual das três os servidores seriam integrados. Este problema foi solucionado apenas em 23 de junho de 2015 com a edição da Resolução Conjunta nº 1, do Supremo Tribunal Federal e o Ministério Público da União, que dispõe sobre o Regime de Previdência Complementar, de modo a permitir a adesão dos membros deste órgão no FUNPRESP-Jud.
Estas três entidades foram estruturadas na forma de fundação, de natureza pública, com personalidade jurídica de direito privado, gozando de autonomia administrativa, financeira e gerencial, com sede no Distrito Federal.
Assim, de acordo com Cunha Junior (2010) apud Leitão (2012, p.
110):
Para a doutrina majoritária, as fundações públicas podem ostentar natureza jurídica de direito público ou de direito privado. Ambas são instituídas pelo Estado, porém com regimes jurídicos diferenciados.
Quando a fundação submete-se integralmente ao regime jurídico de direito público, ela é uma fundação pública de direito público. Por outro lado, se ela está sujeita a regime jurídico de direito privado, ela é uma fundação pública de direito privado. Portanto, a fundação pública de direito privado é pessoa jurídica de direito privado, também integrante da Administração Pública indireta e criada pelo Estado para o exercício de determinada atividade, consistente num patrimônio público personalizado e regido por normas de direito privado, igualmente afetado ao atendimento de um fim público.
Além das sujeições às normas de direito público, a natureza pública destas entidades fechadas decorrerá de alguns aspectos citados por Leitão (2012, p. 111):
I – submissão à legislação federal sobre licitação e contratos administrativos;
II – realização de concurso público para a contratação de pessoal, no caso de empregos permanentes, ou de processo seletivo, em se tratando de contrato temporário, conforme a Lei 8.745, de 9 de dezembro de 1993;
III – publicação anual, na imprensa oficial ou em sítio oficial da administração pública certificado digitalmente por autoridade para esse fim credenciada no âmbito da Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira- ICP Brasil, de seus demonstrativos contábeis, atuariais, financeiros e de benefícios, sem prejuízo do fornecimento de informações aos participantes e assistidos dos planos de benefícios e ao órgão fiscalizador das entidades fechadas de previdência complementar, na forma das LC 108 e 109, de 2001.
Além disso, as remunerações dos servidores estão sujeitas ao teto do funcionalismo público, nos termos do artigo 37, XI, da CF/1988, e a administração destas entidades observará os princípios que regem a administração pública, especialmente os da eficiência e economicidade.
Por fazerem parte da administração indireta, as entidades de previdência complementar se sujeitam a fiscalização do Congresso Nacional com o auxílio do Tribunal de Contas da União. Não podemos esquecer, contudo, que a PREVIC é a entidade fiscalizatória destes entes competindo ao Tribunal de Contas da União a fiscalização em segunda ordem, atuando de modo indireto, exercendo fiscalização sobre as patrocinadoras e também sobre o ente fiscalizador.
No tocante a organização e estrutura, o artigo 5º da Lei nº 12.618/2012 dispõe que a FUNPRESP será constituída de conselho deliberativo, conselho fiscal e diretoria executiva. Os membros dos dois primeiros serão designados pelos Presidentes da República e do Supremo Tribunal Federal e por ato conjunto dos Presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A composição do conselho será paritária entre representantes dos participantes e assistidos e patrocinadores, sendo formado por no máximo seis membros, os quais elegerão o seu presidente (dentre os membros dos patrocinadores), que além do seu, terá o voto de qualidade. O mandato destes
membros será de quatro anos, com garantia de estabilidade e permitida uma recondução.
O conselho fiscal, nos termos dos artigos 14 e 15 da LC 108/2001, é o órgão de controle interno da entidade, composto por, no máximo, quatro membros, com participação paritária entre os representantes dos participantes e assistidos e dos patrocinadores. Seu mandato será de quatro anos, sendo vedada a recondução, e a presidência será exercida pelo representante dos assistidos.
A diretoria executiva, nos termos do artigo 19 da LC 108/2001, é o órgão responsável pela administração da entidade, composta por no máximo seis membros, de acordo com o seu patrimônio e número de participantes, inclusive assistidos. Já nas entidades do FUNPRESP as diretorias executivas serão compostas de no máximo quatro membros, sendo que dois deles serão eleitos diretamente pelos participantes e assistidos e terão mandato de quatro anos.
Além destas, podem existir comitês de assessoramento técnico, de caráter consultivo, para cada plano de benefícios por elas administrado, com representação paritária e eleita pelos seus pares.
Como visto, as entidades de previdência complementar devem obedecer os princípios da eficiência e da economicidade, de modo a otimizar o atendimento aos participantes e diminuir as despesas administrativas. As entidades, por serem de caráter público, não podem ter intuito lucrativo, mas o plano de benefícios por ela administrado deverá obter resultado econômico-financeiro-atuarial positivo ou equilibrado.
Estas entidades são mantidas integralmente por suas receitas, decorrentes das contribuições dos participantes e assistidos e patrocinadores, além dos resultados das aplicações financeiras e de doações e legados, de qualquer natureza.
O artigo 11 da Lei nº 12.618/2012 prevê que a União, suas autarquias e fundações são responsáveis pelo aporte de contribuições e pelas transferências às entidades das contribuições descontadas dos seus servidores.
Consequentemente, os patrocinadores têm o ônus de verter a própria contribuição e repassar esta e de seus participantes a respectiva entidade de previdência complementar. Este pagamento pelos patrocinadores deve ser feito
até o dia 10 do mês seguinte ao da competência, sendo que, no atraso, há aplicação dos acréscimos legais de mora. Além disso, é facultado aos patrocinadores a cessão de funcionários às entidades de previdência complementar, desde que ressarcidos destes custos. E, por fim, deve-se garantir o mínimo indispensável a manutenção das entidades de modo que este montante seja revisto periodicamente.
Vistas as entidades de previdência complementar, passemos a estudar os planos de benefícios.