6. REGIME DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR DO
6.6 Benefícios
até o dia 10 do mês seguinte ao da competência, sendo que, no atraso, há aplicação dos acréscimos legais de mora. Além disso, é facultado aos patrocinadores a cessão de funcionários às entidades de previdência complementar, desde que ressarcidos destes custos. E, por fim, deve-se garantir o mínimo indispensável a manutenção das entidades de modo que este montante seja revisto periodicamente.
Vistas as entidades de previdência complementar, passemos a estudar os planos de benefícios.
em favor do participante, inclusive na fase de percepção de benefícios, considerando o resultado líquido de sua aplicação, os valores aportados e os benefícios pagos. Em síntese: o valor do benefício dependerá da reserva acumulada a partir das contribuições vertidas e da rentabilidade do plano.
O artigo 12 da Lei nº12.618/2012 prevê que os planos de benefícios das três entidades de previdência complementar pública serão estruturados na modalidade de contribuição definida, nos termos do quanto já determinado no artigo 40, §15, da CF/1988.
O valor do benefício programado será calculado de acordo com o montante do saldo da conta acumulado pelo participante, devendo o valor do benefício estar permanentemente ajustado ao referido saldo.
Além disso, como visto, os planos de benefícios serão financiados de acordo com os planos de custeio definidos nos termos das Leis Complementares nº 18 e 19 de 2001.
Leitão (2012, p.122) também nos ensina sobre regime financeiro de capitalização:
Observe-se que o regime financeiro de capitalização somente é obrigatório para os benefícios programáveis e continuados (como é o caso da aposentadoria). Consequentemente, nada obsta a adoção de outros regimes financeiros para os benefícios infortunísticos (por exemplo, pensão por morte). Inclusive, o item 5 da Resolução 18/2006 do Conselho de Gestão de Previdência Complementar dispõe expressamente que, na previdência privada fechada, são admitidos os seguintes regimes financeiros: Capitalização – obrigatória para o financiamento dos benefícios que sejam programados e continuados, e facultativa para os demais, na forma de renda ou pagamento único.
Repartição de capitais de cobertura – para benefícios pagáveis por invalidez, morte, por doença ou reclusão, cuja concessão seja estruturada na forma de renda. Repartição simples – os benefícios pagáveis por invalidez, morte, doença ou reclusão, todos na forma de pagamento único.
No regime de capitalização percebe-se que a solidariedade é mínima, podendo existir somente em caso de fundo coletivo. Neste espeque, o artigo 18 da Lei nº 12.618/2012 dispõe que as entidades públicas de previdência complementar manterão o controle das reservas constituídas em nome dos participantes, registrando contabilmente as contribuições deste e as dos patrocinadores.
É necessário termos em mente que o regime de capitalização é típico da previdência privada, nos termos do artigo 202 da CF; e o regime de
repartição simples é típico da previdência social, nos termos do artigo 201 da CF.
Os benefícios não programados, por sua vez, serão definidos nos regulamentos dos planos e devem assegurar, pelo menos, a invalidez e a morte, de modo que os planos de custeio prevejam parcela da contribuição do participante e do patrocinador com o objetivo de compor o fundo de cobertura de benefícios extraordinários, ou, ainda, as entidades poderão contratá-los externamente. Estes benefícios guardam correspondência com os pagos pelo regime próprio de previdência social, podendo ser adimplidos somente se este o conceder.
Outrossim, o artigo 13 da Lei nº 12.618/2012 dispõe sobre os requisitos de aquisição, manutenção, forma de concessão, cálculo e pagamento dos benefícios, nos termos das leis complementares nº 108 e 109 de 2001. Além disso, os planos de benefícios das entidades de previdência complementar fechada devem, obrigatoriamente, prever sobre o benefício proporcional diferido (concessão de benefício proporcional em razão da cessação do vínculo com o patrocinador antes da aquisição do direito ao benefício pleno, a ser concedido quando cumpridos os requisitos de elegibilidade), portabilidade (transferência do direito acumulado pelo participante para outro plano), resgate total (saque da totalidade das contribuições vertidas ao plano pelo participante, descontadas as parcelas do custeio administrativo), faculdade de autopatrocínio (nos termos do quanto leciona Leitão [2012, p. 125] é a possibilidade de o participante manter o valor da sua contribuição e a do patrocinador, para assegurar a percepção dos benefícios nos níveis correspondentes àquela remuneração ou em outros definidos em normas regulamentares).
Como visto, a finalidade deste regime é complementar a renda do servidor, que aufere rendimentos superiores ao teto do RGPS. Todavia, nada obsta que o servidor que receba remuneração inferior ingresse no regime de previdência complementar, mas, neste caso, não haverá contraprestação do empregador, nos termos do artigo 13 da supracitada lei.
No tocante a cessação e afastamentos, os patrocinadores arcarão com as suas contribuições somente quando a cessão, afastamento ou a licença do cargo efetivo implicar ônus para a União, suas autarquias e fundações.
Havendo cessão com ônus para o cessionário, este deverá reverá recolher às
entidades fechadas de previdência complementar a contribuição aos planos de benefícios.
Importante lembrar, outrossim, que as contribuições do patrocinador e do participante incidirão sobre a parcela base de contribuição que exceder o limite máximo do RGPS, observado o teto do funcionalismo público, nos termos do art. 37, XI, da CF/1988, podendo o servidor, inclusive, optar pela inclusão na base de contribuição de parcelas remuneratórias percebidas em decorrência do local de trabalho e do exercício de cargo em comissão ou função de confiança.
A alíquota de contribuição, por sua vez, será livremente definida pelo servidor, de modo que a do patrocinador será igual à do participante, limitando-se ao percentual de 8,5%. E, durante os afastamentos considerados como de efetivo exercício, a remuneração será integralmente adimplida pelo ente público, e, consequentemente, a contribuição para o regime também.
De outro lado, no tocante a gestão dos recursos garantidores Leitão (2012, p. 130) nos ensina:
A gestão dos recursos administrados pelas entidades públicas de previdência complementar poderá ser realizada pelos seguintes meios:
a) carteira própria; b) carteira administrada; ou c) fundos de investimento.
As entidades referidas contratarão, para a gestão dos recursos garantidores, somente instituições, administradores de carteiras ou fundos de investimento que estejam autorizados e registrados na Comissão de Valores Mobiliários-CVM. Essa contratação será feita mediante licitação, cujos contratos terão prazo total máximo de execução de cinco anos. [...] por cautela, a Lei 12.618/2012 fixou um limite máximo referente à administração de recursos. Com efeito, cada instituição contratada poderá administrar, no máximo, 20% dos recursos garantidores correspondentes às reservas técnicas, aos fundos e às provisões.
Além disso, a lei veda que a instituição contratada tenha qualquer ligação societária com outra que esteja concorrendo na mesma licitação ou administre reservas da mesma entidade fechada de previdência complementar.
De outra sorte, o plano de custeio deverá prever a parcela da contribuição do participante e do patrocinador que deverá integrar o Fundo de Cobertura de Benefícios Extraordinários, que será mantida em favor do participante para custear os eventos infortunísticos, tais como morte ou invalidez do participante, aposentadoria para portadores de deficiência, especial ou para
atividades de risco ou professores, voluntária das mulheres e sobrevivência do assistido.
Importante ressaltar que não se trata de outra contribuição, mas sim aporte extraordinário a ser debitado do fundo de cobertura de benefícios extraordinários. Assim, por exemplo, se a contribuição do participante ou do patrocinador são de 8,5% cada uma, o plano de benefícios poderá dispor que 2,5% seja destinado a este fundo extraordinário e os restantes 6% ao fundo de cobertura ordinário.
Por fim, o artigo 19 da Lei nº 12.618/2012 prevê que a constituição, funcionamento e extinção das fundações de previdência complementar da União, bem como a aplicação dos seus estatutos e regulamentos dos planos de benefícios, além da retirada de patrocínios dependem de prévia autorização do órgão fiscalizador das entidades de previdência complementar. Porém, esta fiscalização não exclui a responsabilidade dos patrocinadores pela supervisão e fiscalização de suas respectivas entidades.
Estudados todos os aspectos da previdência complementar do servidor público civil da União, falto-nos agora discutir os resultados e conclusões do nosso objeto de estudo.