6. REGIME DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR DO
6.2 Características
Apesar da Lei nº 12.618/2012 ser recente, já é possível evidenciar algumas de suas características e peculiaridades, tais como: complementar, contratual, natureza pública, regime jurídico híbrido, filiação facultativa, instituição facultativa, regime financeiro de capitalização, contributivo, fechado, autônomo, de contribuição definida.
Além disso, esta lei deve ser interpretada em conjunto com as Leis Complementares nº 108/2001 (que dispõe sobre a relação dos entes federativos com o seu regime de previdência) e nº 109/2001 (que dispõe sobre o regime de previdência complementar).
Em relação a sua abrangência, o artigo 1º da supracitada lei é claro no sentido de que ela somente é aplicada aos servidores públicos titulares de cargos efetivos da União, suas autarquias e fundações, inclusive os membros do Poder Judiciário, Ministério Público da União e do Tribunal de Contas da União.
Esta lei é aplicável também aos servidores que tenham remuneração é inferior ao limite máximo estabelecido para os benefícios do RGPS, mas que tenham intenção em aderir a entidade fechada de previdência complementar, sem contrapartida do patrocinador, cuja base de cálculo será definida em regulamentação específica. Este limite máximo de remuneração aos benefícios do RPPS é aplicável aos servidores que tenham ingressado no serviço público a partir do início de vigência do regime de previdência complementar instituído pela Lei nº 12.618/2012, independentemente de sua adesão ao plano de
benefícios; ou até a data anterior ao início da vigência no regime de previdência complementar instituído pela Lei 12.618/2012, e nele tenham permanecido sem perda do vínculo efetivo, e que exerçam a opção prevista no §16 do artigo 40 da Constituição Federal.
Sobre isso, Leitão (2012, p. 98) dispõe:
De acordo com este dispositivo legal, a aplicação do teto do Regime Geral de Previdência Social é obrigatória para os servidores que tiverem ingressado no serviço público a partir do início de vigência do regime de previdência complementar instituído pela Lei 12.618/2012, independentemente de adesão ao regime de previdência complementar. Já para os servidores que tiverem ingressado no serviço público até a data anterior ao início da vigência do regime de previdência complementar instituído pela Lei nº 12.618/2012, e nele tenham permanecido sem perda do vínculo afetivo, o teto do Regime Geral de Previdência Social somente será aplicado desde que exerçam a opção prevista no § 16 do art. 40 da Constituição Federal. Essa prévia e expressa opção prevista no art. 3º da Lei nº 12.618/2012 é para a aplicação do teto do Regime Geral de Previdência Social.
Já os servidores que ingressaram no serviço público antes da entrada em vigor da Lei nº 12.618/2012 poderão optar por aderir ao regime de previdência complementar, e neste sentido se enquadra a característica da facultatividade do regime de previdência complementar. Os servidores que não aderirem não deixaram de ter o benefício limitado pelo teto do RGPS.
Outro ponto que deve ser esclarecido é que a Lei nº 12.618/2012 ela não cria as três entidades fechadas de previdência complementar da União, mas sim determina que a União as crie em 180 contados da publicação da citada lei, e, ainda, que estas deverão entrar em funcionamento em 240 dias após a publicação da autorização de funcionamento pelo órgão fiscalizatório.
Para o servidor que tenha ingressado no serviço público antes da vigência desta lei, para o qual é aplicado o teto do RGPS será concedido um benefício especial que será calculado com base na média aritmética simples das maiores remunerações anteriores à data da mudança do regime. Sobre este benefício, Leitão (2012, p. 105) leciona:
Desse modo, para o servidor público que tenha ingressado no serviço público até o ato de instituição da previdência complementar e tenha optado pela aplicação do teto do Regime Geral, serão concedidos dois benefícios: um calculado de acordo com a Lei nº 10.887/2004, limitado ao teto do RGPS, e outro, especial, fruto da diferença entre a média das remunerações sobre as quais incidiu contribuição para o regime
próprio e o teto do regime geral, média esta que será multiplicada pelo fator de conversão. Quanto mais acima do teto do RGPS estiverem as remunerações sobre as quais o servidor contribuiu para o regime próprio, maior será a média. Quanto mais tempo o servidor público esteve vinculado ao regime próprio até fazer a opção pela aplicação do teto do RGPS, maior o fator de conversão. O benefício especial, portanto, será tanto maior quanto maiores as remunerações anteriores à opção e quanto maior o tempo em que o servidor esteve vinculado ao regime próprio.
Assim, haverão duas classes de beneficiários do regime próprio:
uma não limitada ao teto do RGPS para os servidores que ingressaram antes da instituição do regime de previdência complementar e não fizeram a opção pelo aplicação do teto; e outra limitada ao teto aplicada aos servidores que ingressaram após o ato de instituição da previdência complementar e para aqueles que ingressaram antes desse ato e fizeram opção pela aplicação deste teto.
Consequentemente, existirão servidores que contribuíram sobre a totalidade da remuneração sem a observância do teto do Regime Geral e haverá servidores cuja contribuição estará limitada ao teto deste Regime. A contribuição será de onze por cento incidentes sobre a totalidade da base de contribuição para os servidores que tenham ingressado no serviço público até a data da publicação do ato de instituição do regime de previdência complementar e não tiver optado pela aplicação do teto do regime geral.
De outro lado, no tocante as características deste regime de previdência complementar, esta complementariedade pode ser compreendia como a finalidade de atender as prestações que excedam a capacidade jurídica ou financeira dos regimes básicos. Além disso, deve vigorar a prevalência da autonomia da vontade entre as partes, representada nos regulamentos de benefícios dos planos, de modo que haja relação contratual entre o assistido e a unidade gestora do regime.
Inobstante seu caráter contratual, o regime complementar tem natureza facultativa, nos termos do quanto previsto no artigo 202, caput, CF.
neste sentido, Brito de Campos (2015, p. 439) explica:
Em consequência, somente o servidor titular de cargo efetivo e membro de poder que ingressar no serviço público a partir do efetivo funcionamento da Funpresp-Exe, Funpresp-Leg e Funpresp-Jud, após todas as etapas definidas pela Lei nº 12.618/2012 terá obrigação de se
vincular ao RGPS pelo valor até o teto de benefícios do RGPS e, quanto ao valor excedente, lhe será facultado o RPC.
Além deste caráter contratual, o regime complementar deve ser baseado na constituição de reservas de modo a garantir o benefício contratado, e, consequentemente, o regime financeiro de capitalização é obrigatório para os benefícios de pagamentos em prestações que sejam programadas e continuadas. O regime de previdência complementar tem natureza pública, que é definido nos artigos 8º e 9º da Lei nº 12.618/2012, de modo que deve ser submetido as regras do direito administrativo, devendo ser realizado concurso público para a contratação de pessoal no caso de empregos permanentes, ou processo seletivo para contratação de temporários, além de publicar na imprensa oficial todos os seus atos administrativos e adotar mecanismos de gestão operacional visando diminuir despesas administrativas. Por esse aspecto, a entidade de previdência complementar tem personalidade jurídica de direito público ou privado, com regime de funcionamento híbrido.
Além disso, o caráter contributivo é inerente a esse tipo de regime previdenciário, haja vista seu nítido traço contratual sinalagmático, e por ser uma entidade fechada de previdência complementar.
Os regimes de previdência complementar dos servidores públicos devem ser organizados de forma autônoma, mas nada impede que sejam aplicados subsidiariamente as normas do RGPS e do RPPS.
E, por fim, este regime somente pode oferecer planos na modalidade de contribuição definida, que consiste naquele plano no qual não se define imediatamente o valor do benefício previdenciário, pois este se define no curso da relação jurídico-previdenciário do servidor com a unidade gestora do regime de previdência complementar.
Vistas as características, vejamos os sujeitos deste regime.