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4. BENEFÍCIOS

4.1 Aposentadorias

4.1.2 Proventos: cálculo e reajuste

Em relação à segunda regra de transição aplicada ao servidor que ingressou a partir da entrada da Emenda Constitucional nº 41 de 2003, podemos dizer que, em verdade, trata-se de uma regra permanente de aposentadoria.

Como visto no tópico anterior, para a concessão da aposentadoria a estes servidores, é necessário o preenchimento de quatro requisitos: tempo mínimo de dez anos de efetivo exercício no serviço público; cinco anos no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria; idade mínima de 60 anos para homem e 55 para mulher, e tempo de contribuição de 35 anos para homem e 30 para a mulher.

Com relação à terceira regra de transição aplicada aos servidores que ingressaram entre as promulgações das Emenda nº 20 e a da nº 41, aplicamos o artigo 6º da Emenda nº 41/2003, que dispõe que os proventos serão calculados sobre o valor do salário do cargo que o servidor se aposentar sendo assegurado a paridade, de modo que quando a remuneração dos servidores em atividade for majorada, os proventos da aposentadoria também serão. Estes servidores podem também, por sua vez, fazer opção pela forma de cálculo prevista no atual artigo 40 da Constituição Federal, que dispõe que os proventos das aposentadorias são calculados pela média aritmética simples dos salários-de-contribuição vertidos para o Regime Próprio corrigidos monetariamente.

Da mesma sorte, para faz jus ao benefício, de acordo com os incisos do artigo 6º de referida Emenda, deve o servidor cumprir os seguintes requisitos: sessenta anos de idade, se consorte, e cinqüenta e cinco anos de idade, se mulher; trinta e cinco anos de contribuição se homem, e trinta anos de contribuição se mulher; vinte anos de efetivo exercício no serviço público; e dez anos de carreira e cinco anos de efetivo exercício no cargo em que se der a aposentadoria.

Vistas as regras de concessão destes benefícios, passemos a analisar agora as de cálculo dos benefícios, bem como o seu reajuste.

Emenda Constitucional nº 41/2003, a aposentadoria era calculada com base na remuneração integral do cargo em que se deu a aposentadoria, independentemente do tempo de contribuição neste cargo. A Emenda nº 41/2003, de outro lado, quebrou esta regra da integralidade, bem como a da paridade pela qual os reajustes das aposentadorias e pensões dos servidores públicos são calculados de acordo com os aumentos dos ativos.

Consequentemente, a partir da Emenda nº 41/2003, o benefício será calculado com base nos salários vertidos pelo servidor durante toda sua vida contributiva, independentemente do Regime ao qual tenha recolhido, de modo atualizado. Além disso, o valor desta benesse não poderá ser superior a da remuneração a que o servidor tinha direito antes de iniciar sua inatividade.

Esta determinação constitucional foi regulamentada, em seguida, pela Lei nº 10.887/2004, que, em seu artigo primeiro, determina que o cálculo será feito com base na média aritmética simples dos oitenta por cento maiores salários de contribuição desde julho de 1994 ou desde o início das contribuições, se posterior a esta data. Estas contribuições são corrigidas pelo Índice Nacional de Preços do Consumidor – INPC, não podendo o total ser inferior salário-mínimo ou superior ao teto do salário do serviço público.

Como dito anteriormente, quem já tinha direito adquirido à aposentadoria antes desta Emenda poderá optar pelo cálculo anterior (base de cálculo é a última remuneração do cargo efetivo) ou o estabelecido nesta norma (média das remunerações).

Já para quem era servidor em 31.12.2003, a manutenção da integralidade (base de cálculo é a última remuneração do cargo efetivo) dependerá do preenchimento de cinco requisitos cumulativos: 20 anos de efetivo exercício no serviço público, dez anos na carreira, cinco anos no cargo em que ocorrer a aposentadoria, 60 anos de idade para homem e 55 para mulher, e 35 anos de contribuição para homem e 30 para mulher. O preenchimento destes requisitos ainda outorga o direito à manutenção da paridade (reajuste dos inativos na mesma medida que para os ativos), caso desejado pelo servidor.

Outrossim, os benefícios que foram concedidos até a vigência desta Emenda, independentemente da forma de cálculo do benefício, será regido pelo princípio da paridade. Os servidores que se aposentaram após esta data terão suas benesses reajustadas nos termos do parágrafo oitavo do artigo

40 da Constituição Federal, em outras palavras, as aposentadorias serão reajustadas anualmente nos mesmos moldes dos benefícios do Regime Geral.

Em relação ao reajustamento dos benefícios, necessário tecer algumas considerações com o intuito de explicar o retro parágrafo. Esclarecer o reajustamento dos benefícios é, antes de tudo, explanar sobre paridade. De acordo com Leitão (2012, p. 48):

A paridade, critério de reajuste das aposentadorias e pensões, segundo o qual os reajustes concedidos para os servidores ativos seriam automaticamente repassados para os aposentados e pensionistas, também foi quebrada pela Emenda Constitucional 41/2003. De fato, até 31.12.2003 vigorava a regra de que “os proventos de aposentadoria e as pensões são revistos na mesma proporção e na mesma data, sempre que se modificar a remuneração dos servidores em atividade, sendo também estendidos aos aposentados e pensionistas quaisquer benefícios ou vantagens posteriormente concedidos aos servidores em atividade, inclusive quando decorrentes da transformação ou reclassificação do cargo ou função em que se deu a aposentadoria ou que serviu de referência para a concessão da pensão, na forma da lei” (art. 40, §8º, da CF). É dizer: o servidor aposentado tinha direito a todos os reajustes, como se em atividade estivesse, e o valor das pensões por morte era reajustado como se o servidor falecido estivesse em atividade.

Vê-se que este critério da paridade foi mantido para quem já era aposentado e pensionista em 31.12.2003, ou para quem já tinha direito à aposentadoria e à pensão até esta data, mas não os requereu. A partir de 01.01.2004, passa a vigorar o novo critério de reajuste. E, para o servidor que já tinha ingressado no Regime Próprio até 31.12.2003, mas ainda não tinha preenchido os requisitos para a concessão dos benefícios, é mantido o seu direito à paridade, desde que preencha cumulativamente os requisitos anteriormente citados (20 anos de efetivo exercício no serviço público, dez anos de carreira, cinco anos no cargo em que se der a aposentadoria, 60 anos de idade, se homem, e 55 anos de idade, se mulher, e 35 anos de contribuição, se homem, e 30 anos, se mulher).

O novo critério de reajuste determina que as benesses sejam periodicamente reajustadas com o intuito de manter permanentemente o seu poder de compra, ou seja, os benefícios serão majorados de acordo com os índices inflacionários, cabendo a cada ente federativo, no caso dos segurados de seu Regime, estabelecer os valores de cada ano.

Apenas a título de argumentação, para os benefícios do Regime Geral é aplicado o Índice Nacional de Preços ao Consumidor- INPC, apurado pela Fundação Getúlio Vargas.

Analisados os critérios de reajuste, vejamos agora o próximo tópico.