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ANALISE DE JULGADOS ACERCA DA RESPONSABILIDADE DO EMPREGADOR

4. DO ACIDENTE E DOENÇA DO TRABALHO

4.5 ANALISE DE JULGADOS ACERCA DA RESPONSABILIDADE DO EMPREGADOR

Os capítulos anteriores discutiram alguns dos conceitos básicos de importantes institutos de trabalho. A seguir, analisaremos duas teorias de responsabilidade do empregador por acidentes e doenças ocupacionais, a saber, a responsabilidade subjetiva e a responsabilidade estrita. A responsabilidade do empregador por acidentes de trabalho e doenças ocupacionais que são acidentes de trabalho é muito controversa no mundo jurídico. Atualmente são aceitas duas teorias, a teoria da responsabilidade subjetiva, baseada no conceito de culpa, e a teoria da responsabilidade estrita, baseada na teoria do risco.

Segundo a Diniz (2005, p. 5), "Na responsabilidade civil, a reação legal é causada pela perda ou diminuição dos bens da vítima ou pelo dano moral causado pela ilegalidade ou risco do comportamento da vítima”.

Neste argumento, Gonçalves (2016, p24) argumentava que “de acordo com a teoria clássica, a responsabilidade civil se baseia em três hipóteses: o dano, a culpa do delito e o nexo causal entre o delito e o dano em si".

É bem conhecido que no caso de um acidente ou doença relacionada ao trabalho, o lesado, devido à responsabilidade civil do empregador, terá seus direitos ou os de seus dependentes protegidos em nosso sistema jurídico. Entretanto, para que esta teoria seja corretamente aplicada, ela deve ser corretamente identificada para evitar injustiças para ambas as partes.

Também é importante lembrar que um acidente que ocorre a caminho do trabalho é considerado um acidente no trabalho e tem todas as consequências de um acidente que ocorre nas instalações do empregador ou em qualquer outro lugar onde o empregado realiza o trabalho.

4.5.1 Teoria Subjetiva

Como é sabido, a responsabilidade do empregador por um dano sofrido por um empregado em consequência de um acidente de trabalho é baseada em três presunções: a ocorrência de um dano resultante de um ato ou omissão, seja culpável ou malicioso, com um nexo causal entre o dano sofrido e a conduta do empregado.

FIlho (2012, p. 67) define a causalidade como "o elemento de referência entre o ato e o efeito". A partir daí pode-se deduzir o que causou o dano". O autor acredita que a

causalidade é um elemento essencial de qualquer responsabilidade civil. Pode haver responsabilidade sem culpa, mas não pode haver responsabilidade sem causa.

Esta é a teoria da falha subjetiva, segundo a qual a compensação por um acidente de trabalho só é paga se o empregador estiver em falta. O empregador está em falta se as regras legais, convencionais, contratuais ou técnicas sobre segurança, saúde e higiene não forem cumpridas. A teoria subjetiva exige a caracterização do comportamento humano, dano, causalidade e prova de culpa, seja por malícia ou por negligência, descuido, incompetência. Tal teoria é defendida pelo artigo 186 do Código Civil, que afirma que "um ato ilícito é cometido por quem, através de um ato ou omissão voluntária, negligência ou dolo, viola a lei e causa danos a terceiros, mesmo que seja de natureza puramente moral". No mesmo sentido, o Artigo 927 estabelece que "quem por um ato ilegal (Artigos 186 e 187) causar dano a terceiros é obrigado a compensá-lo". O princípio adotado em nossa legislação é consistente com esta teoria, ou seja, responsabilidade civil subjetiva, e podemos concluir esta afirmação com o ensino da DINIZ, (2005, p. 45):

A regra básica é que a obrigação de indenizar, pela prática de atos ilícitos, advém da culpa. Ter-se-á ato ilícito se a ação contrariar dever geral previsto no ordenamento jurídico, integrando-se na seara da responsabilidade extracontratual – CC, arts. 186 e 927 – e se ela não cumprir obrigação assumida, caso em que se configura a responsabilidade contratual – CC, art.

389.

Também na esfera do emprego, encontramos uma liminar constitucional que nos leva a esta conclusão, a saber, que a responsabilidade civil do empregador pelos danos sofridos pelo empregado só existirá se for provado que o empregado está em falta, como consta no Artigo 7, parágrafo XXVIII da Constituição. "O direito dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros direitos destinados a melhorar suas condições sociais, é [...] o seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, não excluindo a indenização que lhe é devida em caso de sua falta ou fraude".

A responsabilidade em casos de acidentes de trabalho é, portanto, subjetiva, a menos que a ação do empregador seja arriscada, caso em que se aplica o artigo 927 do Código Civil.

Como argumento de autoridade para o acima exposto, ele aponta para uma decisão do Tribunal do Trabalho da Terceira Divisão Civil do Tribunal Distrital, que aplicou a responsabilidade subjetiva do empregador nas relações de trabalho que causaram acidentes e doenças ocupacionais:

ACIDENTE DO TRABALHO. INDENIZAÇÃO POR DANO. AUSÊNCIA DE CULPA DO EMPREGADOR. INDEVIDA. A responsabilidade civil tem previsão no art. 5º, inciso X, e 7º, inciso XXVIII, da CR de 1988, bem como

nos artigos 186 e 927 do CC, e para que o pedido de indenização por danos morais e materiais decorrentes de acidente do trabalho proceda é indispensável a verificação da responsabilidade subjetiva, ou seja, ação ou omissão ilícita do agente, o resultado lesivo e o nexo de causalidade entre ambos. Há que se provar que a ação causadora do dano decorreu de ato antijurídico praticado pelo empregador. Na hipótese, a culpa do acidente do trabalho que vitimou o autor não pode ser imputada à empresa ré, já que o conjunto probatório dos autos permite concluir que o infortúnio ocorreu por ato de responsabilidade exclusiva do empregado, o que afasta o dever de indenizar ante a ausência do elemento da ilicitude de ato patronal. (TRT da 3.ª Região; PJe: 0011107-89.2013.5.03.0062 (RO); Disponibilização:

21/05/2015, DEJT/TRT3/Cad.Jud, Página 326; Órgão Julgador: Nona Turma;

Redator: Joao Bosco Pinto Lara)

Diante disto, é geralmente aceito, à luz da Carta Magna, que é um princípio do Regulamento Interno, base de todos os outros princípios, que quando confrontados com a necessidade de estabelecer a responsabilidade do empregador por acidentes e doenças decorrentes do trabalho, aplicamos a teoria da responsabilidade subjetiva, ou seja, a obrigação de compensar o dano só surgirá se o empregador for claramente culpado pelos inconvenientes causados ao empregado.

4.5.2 Teoria Objetiva

Neste tópico, veremos que na teoria da responsabilidade estrita não se trata de provar a culpa na conduta do empregador, mas apenas de provar a existência de um elo causal entre a conduta e o dano sofrido. Na doutrina e na legislação recente, em particular no novo Código Civil de 2002, artigo 927, parágrafo primeiro, há uma tendência a aceitar a responsabilidade estrita, que não depende de culpa. Esta disposição afirma que "se um ato normalmente realizado pelo delito, por sua natureza, cria um risco aos direitos dos outros". Neste contexto, vale a pena citar parte da lição de Delgado (2005, p. 620), que segue esta linha de raciocínio, ressaltando que:

Note-se a sabedoria da ordem jurídica: a regra geral mantém-se com a noção da responsabilidade subjetiva, mediante aferição de culpa do autor do dano (art. 159, CCB/1916; art. 186, CCB/2002). Entretanto, se a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano (no estudo em questão, a empresa) implicar, por sua natureza, risco para os trabalhadores envolvidos, ainda que em decorrência da dinâmica laborativa imposta por essa atividade, incide a responsabilidade objetiva fixada pelo Direito (art. 927, parágrafo único, CCB/2002).

Pode-se notar que este dispositivo foi projetado para garantir a segurança dos trabalhadores durante operações de risco. Filho (2012, p. 219) considera que "o dever legal violado nos casos de responsabilidade estrita é o dever de segurança que a lei impõe implícita ou explicitamente a qualquer pessoa que coloque outros em perigo".

Do exposto acima, pode-se concluir que no Brasil a teoria subjetiva era a regra, enquanto a responsabilidade estrita era a exceção, pois só podia ser aplicada em casos específicos. Com o novo Código Civil de 2002, a responsabilidade estrita foi

privilegiada em nosso sistema jurídico ao adotar explicitamente a teoria do risco no único parágrafo do Artigo 927 do Código Civil.

Prevendo uma teoria subjetiva e objetiva de responsabilidade civil, é claro que a intenção da legislação não é considerar como perigosas todas as atividades profissionais realizadas, mas apenas aquelas que por sua natureza representam um risco para o trabalhador. Existe uma grande divergência doutrinária com relação ao conceito de atividade perigosa; entretanto, de fato, para definir atividade perigosa, o Tribunal levou em consideração os artigos 193 e 192 da CLT, que definem atividade perigosa e atividade insalubre. Esta questão é controversa e tem diferentes correntes e tendências. Quanto à teoria objetiva, muitos estudiosos do direito defendem sua inconstitucionalidade no sentido de que o Artigo 7(XXVIII) da Constituição Federal de 1988 adota explicitamente uma teoria subjetiva baseada na avaliação da culpa. Assim, o Código Civil, sendo uma disposição inconstitucional, não poderia contradizer o que a Constituição Federal regulamenta. Como observa Sebastião Geraldo de Oliveira, citado em Helder Dal Col:

Querer responsabilizar objetivamente o empregador por qualquer acidente sofrido pelo empregado é fadar a relação de trabalho ao insucesso, torando-a inviável. A ele ctorando-abe torando-a responstorando-abilidtorando-ade peltorando-a ftorando-alhtorando-a ntorando-a prevenção, pelo sobretudo quando estabelecido no país um sistema de previdência social, que repara objetivamente o acidente, funcionando como seguro contra a infortunística. E se pudesse ser tido como atividade culposa do empregador, permitir o trabalho em atividades que são perigosas por sua própria natureza, haveria séria justificativa para desestimular a produção, agravando o desemprego, que já assola a sociedade com índices crescente e alarmantes.

” (DAL COL, apud OLIVEIRA, 2016, p. 124.)

Por outro lado, há aqueles que argumentam que a nova disposição deveria se aplicar integralmente aos acidentes de trabalho. Neste sentido, acreditamos que os direitos gerais podem ser ampliados ou complementados por outros, a fim de melhorar a situação social do trabalhador, garantindo direitos mínimos aos trabalhadores. Neste sentido, temos o seguinte entendimento (OLIVEIRA, 2016, p. 124):

A segunda corrente, ao contrário, sustenta que o novo dispositivo tem inteira aplicação no caso de acidente de trabalho. Isso porque entendemos que a previsão do inciso XXVIII mencionado deve ser interpretada em harmonia com o que estabelece o caput do artigo respectivo, que prevê: São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social. Assim, o rol dos direitos mencionados no art. 7º da Constituição não impede que a lei ordinária amplie os existentes ou acrescente outros que visem à melhoria da condição social do trabalhador.

Assim, a aplicação da teoria objetiva no caso de acidentes e doenças ocupacionais dará ao trabalhador o privilégio de não ter que provar se o comportamento do empregador é culpável ou não, pois isto é mais vantajoso para ele.