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4. DO ACIDENTE E DOENÇA DO TRABALHO

4.2 DOENÇAS OCUPACIONAIS

A síndrome de lesões ou danos que afetam a saúde de um trabalhador que são causados, induzidos ou agravados por perigos no local de trabalho ou condições de trabalho é considerada uma doença relacionada ao trabalho e, além de causar incapacidade, pode, em casos extremos, levar à morte de trabalhadores. Identificar, reconhecer e informar essas condições torna-se, portanto, essencial para adotar práticas de prevenção de lesões e de promoção da saúde dos trabalhadores (SOUZA et al, 2008).

Uma doença relacionada ao trabalho é considerada como um conjunto de danos ou lesões que afetam a saúde de um trabalhador que são causados, induzidos ou agravados por fatores resultantes da exposição a perigos no local de trabalho ou condições de trabalho. A identificação, o reconhecimento e a comunicação destas condições torna-se, portanto, essencial ao adotar práticas para prevenir lesões e promover a saúde dos trabalhadores (SOUZA et al, 2008).

No Brasil, a classificação Schilling 1984 divide as doenças relacionadas ao trabalho em grupos; o grupo 1 inclui doenças com uma relação causal direta e imediata, definida como trabalho como uma causa necessária (envenenamento por chumbo, silicose, doenças ocupacionais legalmente reconhecidas); 2. O grupo

"Trabalho como fator contribuinte mas não necessário" são doenças comuns que ocorrem mais freqüentemente em certos grupos ocupacionais e, portanto, a relação causal é epidemiológica (LER/DORT, câncer, doença coronariana); e 3. Grupo 3

"Trabalho como fator causador de distúrbios latentes ou exacerbação de uma doença já existente", onde o trabalho é considerado uma causa (doença mental, dermatite, bronquite) (OLIVEIRA, 2004). Existem muitas doenças no ambiente de trabalho, algumas mais conhecidas, enquanto outras são mais comuns na população em geral, dependendo da natureza específica de cada atividade.

Os sintomas músculo-esqueléticos são característicos de muitas patologias e, portanto, muitas vezes se manifestam como lesões por esforço repetitivo (LER) e distúrbios músculo-esqueléticos relacionados ao trabalho (DORT), que são lesões causadas pelo uso excessivo das estruturas músculo-esqueléticas sem tempo suficiente para o reparo dos tecidos.

As DTMS são consideradas um grande problema sócio-econômico e de saúde pública nos países industrializados porque levam à inatividade temporária e às vezes permanente de inúmeros trabalhadores, causando prejuízos aos empregadores; em alguns países são até mesmo epidêmicas por natureza, devido ao grande número de pessoas afetadas (MONTEIRO et al, 2006).

As mudanças provocadas pela modernização e automação dos processos de trabalho, como os esforços para aumentar a eficiência e produtividade dos trabalhadores, exigem que os padrões de trabalho humano sejam semelhantes aos das máquinas, levando a movimentos repetitivos e inadequados que desencadeiam os primeiros sintomas de LER/MSD (PICOTO e SILVEIRA, 2008).

Também é importante prestar atenção ao envenenamento por pesticidas, especialmente em áreas rurais, e tratá-lo como um problema de saúde pública. Os pesticidas são produtos químicos produzidos para proteger as culturas de substâncias e organismos nocivos; no entanto, se forem produzidos, transportados, manuseados e aplicados de forma inadequada, acabam alcançando os seres humanos e, dependendo da quantidade ou tempo de exposição, podem causar envenenamento agudo com sintomas que aparecem dentro de horas após a exposição; os sintomas são claros e objetivos; subagudos, quando os sintomas não são específicos e graduais, como dor de cabeça, fraqueza, dor ou crônica, manifestando-se com sintomas tardios meses ou anos depois; esta forma é geralmente mais grave porque o dano é irreversível.

O Brasil é o maior mercado de pesticidas do mundo e isto é motivo de preocupação, pois tanto a venda quanto o uso de pesticidas são massivos, resultando em altas taxas de envenenamento entre os agricultores de todo o país (PREZA e AUGUSTO, 2012). Outra doença ocupacional comum é a perda auditiva relacionada ao trabalho; esta pode ser dividida em perda auditiva induzida pelo ruído, que é uma redução gradual na capacidade auditiva causada pela exposição a níveis continuamente altos de pressão sonora; a perda auditiva tóxica ocorre quando a perda auditiva é causada pela exposição a substâncias tóxicas tais como solventes, matéria branca, agrotóxicos e outros. Ambas as perdas são geralmente irreversíveis e

bilaterais, enquanto a perda auditiva devida a trauma acústico geralmente afeta um dos lados e é causada por uma explosão ou lesão física perto da área auditiva. Todas as perdas auditivas estão relacionadas com as atividades físicas, fisiológicas e psicológicas do indivíduo (LOPES et al, 2012).

Os distúrbios mentais são agora uma das principais razões pelas quais as pessoas não são empregadas. O estresse é um estado de tensão que causa desequilíbrio físico e mental nas pessoas, o que pode levar a doenças graves; é um fator de risco para distúrbios mentais e é considerado uma epidemia global pela Organização Mundial da Saúde. Tornou-se um sentimento comum entre a maioria dos trabalhadores que, devido à necessidade de melhorar a si mesmos, têm que se adaptar constantemente a fim de atingir as metas e objetivos estabelecidos pelos gerentes de grandes empresas. Acredita-se que as doenças ocupacionais são de natureza multifatorial e, portanto, todos os aspectos incluindo trabalho, família, ambiente, relacionamentos, hábitos de vida, estado de saúde devem ser levados em consideração para poder diagnosticar que uma determinada disfunção é uma doença ocupacional (ANDRADE e CARDOSO, 2012).

4.3 REDUÇÃO DOS RISCOS

De acordo com os regulamentos formalizados do Ministério do Trabalho, em todas as empresas com 20 (vinte) ou mais empregados, o empregador é obrigado a criar um comitê interno de prevenção de acidentes (CIPA), que deve ser treinado e desenvolvido para instruir outros empregados na prevenção de acidentes no trabalho (CASTRO e LAZZARI, 2012).

A empresa também deve cumprir as regras de segurança e saúde ocupacional, instruindo os funcionários através de treinamentos destinados a determinar as precauções a serem tomadas por cada funcionário para evitar acidentes de trabalho de acordo com sua atividade profissional, adotando medidas regulamentadas pelo Ministério do Trabalho através da autoridade regional competente (CASTRO e LAZZARI, 2012).

Todos os trabalhadores devem receber da empresa, gratuitamente e em perfeitas condições técnicas e funcionais, equipamentos de proteção individual (EPIs) claramente adequados ao tipo de atividade realizada na empresa, sempre que apresentem qualquer risco de acidente ou dano à saúde dos trabalhadores (CASTRO e LAZZARI, 2012).

Da mesma forma, o trabalhador, por sua vez, deve sempre cumprir as normas

de segurança e saúde no trabalho, bem como as instruções oficialmente estabelecidas para os funcionários da empresa sobre a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais, e, se isso não for possível, deve informar o sindicato ou mesmo a autoridade autônoma competente do Ministério do Trabalho para monitorar e exigir da empresa a aplicação dessas normas, sob pena de multa, colaborando assim com sua própria saúde e a de seus colegas (CASTRO e LAZZARI, 2012).