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5. DA RESPONSABILIDADE CIVIL

5.4 HIPOTESES DE EXCLUSÃO DE RESPONSABILIDADE

As circunstâncias que podem isentar o empregador da responsabilidade pelo infortúnio sofrido pelo empregado são as chamadas premissas excluindo a responsabilidade civil, que excluem a existência de um nexo causal. Em nosso sistema jurídico, os principais tipos de exclusão de causalidade são: culpa exclusiva do lesado, ação de um terceiro, evento fortuito e força maior. A culpa exclusiva da parte lesada elimina um dos elementos essenciais para estabelecer a responsabilidade civil do empregador, ou seja, o elo entre o dano e o evento perturbador, ou seja, o elo causal. Gonçalves (2016, p. 333) argumenta que:

Quando o evento danoso acontece por culpa exclusiva da vítima desaparece a responsabilidade do agente. Nesse caso, deixa de existir a relação de causa e efeito entre o seu ato e o prejuízo experimentado pela vítima. Pode-se afirmar que, no caso de culpa exclusiva da vítima o causador do dano é mero instrumento do acidente. Não há liame de causalidade entre o seu ato e o prejuízo da vítima.

No tocante ao dano sofrido em virtude das condições de caso fortuito e força maior não será reparado, pois nessas circunstâncias inexiste o nexo causal. A CLT menciona em seu artigo 501 a força maior e reconhece como tal, todo acontecimento inevitável, em relação à vontade do empregador, e para a realização do qual este não concorreu, direta ou indiretamente. Outra previsão expressa desta condição consta no artigo 393 do CC que assim expressa: “O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado.

Portanto, nos casos de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais caso ocorra qualquer excludente afasta a responsabilidade civil do empregador, pois este não detém o controle de tais acontecimentos.

CONCLUSÃO

Este trabalho verificou que os acidentes e doenças decorrentes da relação de trabalho sempre existiram e são situações que devem ser tratadas pelas autoridades trabalhistas competentes. Além disso, encontramos proteção jurisdicional em vários diplomas legais, tais como o Código Civil, o Código do Trabalho, o Código Penal, a Lei de Previdência Social, bem como no texto da Constituição.

É verdade que no caso de tais acidentes de trabalho é necessário compensar os danos causados, neste ponto a responsabilidade civil entra em jogo para determinar que proteção será dada ao trabalhador e como o empregador pode ser responsabilizado pelo que aconteceu.

Com a Revolução Industrial, que começou em meados do século XIII, veio o desenvolvimento da economia, os avanços tecnológicos e a produção em massa, que se refletiu diretamente nas condições de trabalho dos trabalhadores, e o número de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais aumentou significativamente durante este período.

Entretanto, só mais tarde, quando se tornou necessário criar uma lei para proteger o trabalhador, é que o Estado começou a interferir nas relações trabalhistas.

Assim, o trabalhador começou a ser protegido jurídica e economicamente, surgiram os primeiros documentos legais para proteger os trabalhadores.

O artigo 7, parágrafo XXVIII da Constituição Federal de 1988 estabelece que, para estabelecer a responsabilidade civil do empregador, a culpa ou intenção maliciosa deve ser comprovada para que a obrigação de pagar indenização surja, ou seja, o empregador geralmente é subjetivamente responsável civilmente e a culpa de seu comportamento negligente e imprudente deve ser comprovada.

Entretanto, com a promulgação do Artigo 927 do Código Civil em 2002, tanto a doutrina quanto a jurisprudência começaram a divergir do entendimento de responsabilidade estrita, argumentando que o empregador assumiu o risco de suas atividades e, portanto, a responsabilidade do empregador é responsabilidade estrita.

Deve-se ressaltar que o trabalhador, independentemente de como o acidente ou doença ocupacional seja verificado, não ficará desprotegido em nosso sistema jurídico, pois enquanto a maioria dos aplicáveis aplica a responsabilidade subjetiva do empregador, em relação ao seguro social há uma aplicação obrigatória de responsabilidade estrita, pois se o trabalhador estiver ausente do trabalho devido a um acidente, ele começa a receber benefícios do seguro social.

Assim, se ocorrer um acidente e a atividade não for arriscada, a culpa é comprovada contra o empregador e o trabalhador tem direito à indenização civil do empregador e à proteção da previdência social. Se a atividade for arriscada, não há necessidade de provar culpa ou dolo, e o trabalhador receberá indenização da empresa, bem como da previdência social. Estes princípios e o cumprimento de suas justificativas e suposições são fundamentais para a instituição da compensação por danos e prejuízos causados no ambiente de trabalho.

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