O povo conquistou a terra porque o Senhor lutou por eles. Eles dividiram a terra porque Ele a aquinhoou. E eles prometeram temer e obedecer a Ele porque apenas Ele cumpre as promessas e persevera com eles apesar de seus pecados.
EU cumpre suas promessas.
Em Gênesis 17.8, o Senhor disse a Abraão: “E te darei a ti e à tua semente depois de ti a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão, e ser-lhes-ei o seu Deus” (17.8). No livro de Josué, Ele cumpre a promessa que fizera muitos séculos atrás. Perto do fim do livro, Josué testifica a fidelidade de Deus: “E eis aqui eu vou, hoje, pelo caminho de toda a terra; e vós bem sabeis, com todo o vosso coração e com toda a vossa alma que nem uma só palavra caiu de todas as boas palavras que falou de vós o Senhor, vosso Deus; todas vos sobrevieram, nem delas caiu uma só palavra” (23.14). Desde que prometeu a Abraão, o Senhor mostrou-se total e completamente fiel.A obediência é a única resposta adequada ao Deus que cumpre suas promessas. Por isso, o Senhor exorta Josué no início do livro:
Tão-somente esforça-te e tem mui bom ânimo para teres o cuidado de fazer conforme toda a lei que meu servo Moisés te ordenou; dela não te desvies, nem para a direita nem para a esquerda, para que prudentemente te conduzas por onde quer que andares. Não se aparte da tua boca o livro desta Lei; an tes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme tudo
quanto nele está escrito; porque, então, farás prosperar o teu caminho e, então, prudentemente te conduzirás (1.7,8).
As vezes, a promessa do Senhor de dar a terra de Canaã para Abraão foi mal compreendida. Algumas pessoas entenderam que essa promessa significava que a terra física de Canaã seria uma preocupação especial eterna para Deus. Contudo, se isso for verdade, o que fazemos com a promessa do Senhor de destruir este mundo com fogo e de substituí-lo por uma nova terra e um novo céu? Outros entenderam que essa promessa significava que os descendentes de Abraão — a nação judaica — tinha um direito inalienável à terra. Todavia, se isso for verdade, por que Jesus deu tão pouca ênfase aos descendentes de Abraão e até chamou alguns deles de filhos do demônio? E por que Paulo disse que os verdadeiros filhos de Abraão não sãó os da carne, mas os da promessa?8 Poderíamos falar mais a respeito disso, mas, por ora, é suficiente dizer que nenhuma nação ou grupo étnico de hoje, nem mesmo o Estado de Israel moderno, possui uma aliança especial com o Senhor. O Israel do Antigo Testamento era o povo especial do Senhor apenas para preparar a vinda do Messias. O Messias já veio, e hoje o povo de Deus não está vinculado a nenhuma nação. Ele é um povo verdadeiramente internacional, de uma forma prenunciada no livro de Josué apenas pela misericórdia do Senhor com Raabe, nativa de Jericó, e, talvez, com os gibeonitas.
O que Deus promete a nós, cristãos, hoje? Ele promete adotar-nos como filhos e, no fim, dar-nos toda a terra como herança. Todavia, nossa ordem como cristãos não é defender nem tomar posse de um território específico. Para nós, não há “terra santa” como havia para Josué e os israelitas. Não há cruzadas nem guerras santas para os cristãos. “Do Senhor é a terra e a sua plenitude” (SI 24.1). Deveríamos dizer que não existe terra que não seja santa! E, por isso, somos cha mados a lutar contra “os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século”, e não contra carne e sangue. Essa é a verdadeira batalha que travamos hoje como cristãos, e esse conflito se trava em terras que vivenciam derramamento de sangue e nas que vivem em paz. O combate espiritual com conseqüências eternas assola o globo terrestre. Cristo ordena que combatamos nossos inimigos espirituais amando a todas as pessoas — todas feitas à imagem do Senhor — e contando-lhes as boas-novas sobre Jesus Cristo: a promessa de perdão para os nossos pecados e a nova vida oferecida por Ele.
Meu amigo cristão, a preocupação central de sua vida são as promessas e as ordens de Deus? Essas coisas são as que mais prendem seu coração? Ou alguém ou alguma coisa usurpou o lugar de Cristo e tornou-se seu verdadeiro comandante, seu verdadeiro capitão? O grande mandamento de Cristo é que amemos o nosso próximo como a nós mesmos. A grande comissão de Cristo é que façamos discípulos de todas as nações.
As promessas e os mandamentos de Deus têm de comandar sua mente quando você assumir suas tarefas aqui. Existem outros mandamentos ou comissões que absorvam sua atenção? Querido irmão, ame ao Senhor seu Deus de todo o seu coração, de todo o seu entendimento, de toda a sua alma e de toda a sua força, e ame o seu próximo como a si mesmo. Depois, ensine a congregação a fazer a mesma coisa, e honrará os mandamentos e as comissões de nosso Senhor.
Ele persevera com seu povo.
Precisamos observar mais uma coisa no livro de Josué. Deus persevera com seu povo, quando eles escolhem pecar. Você perceberá algumas pilhas de pedras ao ler o livro.9 Cada montão de pedra é um lembrete para o povo de uma ocasião em que o Senhor agiu com misericórdia e com graça para com eles. Cada pilha é um lembrete de que o arrependimento traz perdão e redenção. O Senhor tem um intuito semelhante ao instituir as cidades de refúgio, elas retratam a grande e profunda misericórdia que Ele oferece.Em nosso estudo futuro do livro de Juizes, testemunharemos, muitas vezes, a misericórdia do Senhor quando o povo peca contra Ele e, depois, volta-se para Ele e busca refúgio nEle.
Alguma coisa neste sermão o ajudou a ver a necessidade que você tem da misericórdia de Deus? Você, de alguma forma, percebeu sua pobreza espiritual diante do Senhor? Nunca será um cristão até que perceba isso. E nesse ponto que todos devemos começar com Deus. Como Edward Payson, o grande bispo congregacional, disse: “Você não consegue fazer com que um homem rico implore como o pobre; você não consegue fazer com que um homem alimentado clame por alimento como o que está faminto: nem o homem que tem uma opinião boa de si mesmo pede misericórdia como o que se sente pobre e necessitado”.10 As igrejas cristãs não são congregações dos justos, dos bem-sucedidos moralmente e dos totalmente obedientes. Esse tipo de pessoa não existe no mundo. As con gregações cristãs fundamentam-se no reconhecimento da nossa pobreza, da nossa necessidade espiritual e da plenitude de Cristo. Cristo morreu para conseguir misericórdia, e Ele o chama a afastar-se de seu pecado e crer nEle. Oh, amigo, deixe seus pecados por Cristo!
Desenvolva com cuidado o senso de sua pobreza e necessidade a fim de servir bem. Você não tem um montão de pedras em seu quintal, mas pode memorizar momentos em que sentiu a perseverança benigna de Deus com você. Conte-os para sua esposa. Anote-os em seu computador. Trabalhe para tornar seu coração brando diante de Deus, para sentir a necessidade que tem dEle e para lembrar quando Ele mostrou sua misericórdia de forma mais clara para você. Compartilhe conosco os momentos em que o Senhor foi mais misericordioso com você, e não apenas os em que você foi mais misericordioso para com os outros.
Co n c lu s ã o
Essa é a mensagem de Josué. Por um lado, o povo escolheu obedecer a Deus e conquistar a terra que Ele lhes prometera. Por outro lado, Deus lutou por eles e deu-lhes a terra. Eles agiram de acordo com a promessa do Senhor quando lhe obedeceram. E o Senhor, quando eles pecaram, foi misericordioso para com eles e perseverou com eles.
Você se lembra as questões do início deste estudo? Por que a pilha de pedras próximo ao Jordão? Por que esse lugar se chama Gilgal? E assim por diante. Sem dúvida, todos esses “por quês” apontam para um grande “por quê” que permeia todo o livro e inclui todos os “por quês” menores: afinal, por que todas essas coisas acontecem?
O capítulo 4, na explicação de Josué para a razão de empilhar as pedras ao lado do rio Jordão, traz a resposta para o principal “por quê”. Se você for memorizar um versículo do livro de Josué que seja este: “Porque o Senhor, vosso Deus, fez secar as águas do Jordão diante de vós, até que passásseis, como o Senhor, vosso Deus, fez ao mar Vermelho, que fez secar perante nós, até que passamos. Para que [...]” — é agora, eis aqui a resposta do livro para o grande “por quê” — “[...] Para que todos os povos da terra conheçam a mão do Senhor, que é forte, para que temais ao Senhor, vosso Deus, todos os dias” (4.23b,24; grifo do autor']. Você percebeu como Josué dividiu a passagem? Ele diz “para que” duas vezes. Primeiro, ele diz que o Senhor fez essas coisas para que todos os povos saibam que o Senhor é, como foi chamado anteriormente, “o Senhor de toda a terra” (3.11,13; cf. 7.9). Ele não é apenas o Deus de uma tribo nômade, ou do deserto, ou do Exodo. Nesse livro, Ele age dessa forma para que todos os povos saibam que Deus é o Senhor de toda a terra.
Segundo, Josué diz que Deus fez todas essas coisas para você e para si mesmo. Em outras palavras, Ele fez tudo isso para que o povo de Deus temesse ao Senhor. Apenas Ele pode ser temido, pois apenas Ele merece todo louvor e toda glória.
Deus, até mesmo, escolheu Josué como líder dos israelitas para sua glória. O Senhor disse a Josué: “Este dia começarei a engrandecer-te perante os olhos de todo o Israel”. Por quê? “Para que saibam que assim como fúi com Moisés assim serei contigo” (3.7). E Deus fez isso. O capítulo seguinte declara: “Naquele dia, o Senhor engrandeceu a Josué diante dos olhos de todo o Israel; e temeram-no, como haviam temido a Moisés, todos os dias da sua vida” (4.14). O nome de Josué, quando encontrou Moisés pela primeira vez, era Oséias, que significa “salvação” (N m 13.16). Moisés mudou o nome dele para “Josué” que significa “o Senhor é salvação”. O nome equivalente a esse no Novo Testamento é Jesus. Jesus, o Senhor, é salvação.
Escolher Josué exaltou ao Senhor a quem ele servia, já que Josué era um servo fiel de Deus. Esse sempre foi o propósito do Senhor ao levantar mensageiros ou líderes especiais. Hoje, acontece a mesma coisa com qualquer pessoa que minis tre a Palavra do Senhor para o povo dEle. Se o Senhor abençoa um ministro da Palavra, se o levanta e o faz prosperar, tenha certeza de que o faz para sua glória, não para a do ministro, e isso acontece à medida que a glória dEle resplandece por intermédio do ministério fiel a quem Ele abençoou.
M eu querido irmão, que o Senhor possa torná-lo transparente a fim de que a glória de Deus resplandeça com luminosidade por seu intermédio, e que você seja tão abençoado que Deus possa ser exaltado por seu intermédio.