0 Gr a n d e Es p e t á c u l o1
Algumas das peças mais populares de W illiam Shakespeare são comédias. E entre elas, Assim é se lhe parece é uma das mais populares. E a história de dois irmãos que se indispõem quando o mais jovem usurpa o lugar do mais velho e exila-o em uma floresta. No clássico estilo shakespeariano em que erros de identidade, romance e insensatez, tudo se mistura para criar uma boa comédia. A peça também apresenta um louco sincero que faz um dos mais famosos discursos de todas as peças de Shakespeare. O louco resume os sete estágios da vida do homem, da infância à velhice. Embora a parte mais citada do discurso seja a primeira linha em que o louco diz: “O mundo todo é um palco. Todos os homens e mulheres são atores e nada mais...”
A frase inicial: “O mundo todo é um palco”, capta bem como a Bíblia apresenta este mundo como um palco divinamente preparado para apresentar a grande história da humanidade. A Bíblia é um teatro cheio de comédias e de tragédias, na verdade, mais do que a fértil mente do Sr. Shakespeare foi capaz de produzir. E acima de tudo é um teatro que tem a finalidade de revelar a glória de Deus.
Realmente, essa é a mensagem de toda a Bíblia. Eu poderia pregar uma visão geral do Antigo e do Novo Testamentos, e não apenas de Exodo, como uma grande demonstração da glória de Deus. Esse é o principal tema dos primeiros cinco livros bíblicos, chamados de Pentateuco ou, às vezes, de a Lei,
pois contêm os D ez M andam entos (e m uitos outros!). Esses cinco livros iniciam -se com a obra de Deus na criação, o danoso prim eiro pecado e o seu grande plano para o m undo — salvar as pessoas por meio da des cendência de Abraão. N o estudo de Gênesis vimos tudo isso. Os outros quatro livros contam a história dos descendentes de Abraão desde o tempo que ficaram no Egito até pouco antes de entrarem na Terra Prom etida. E Exodo, o segundo livro, apresenta o que talvez seja um dos episódios mais dram áticos da Bíblia.
Em geral, na nossa igreja, aos dom ingos de m anhã, estudam os seções menores das Escrituras, em vez de um livro inteiro, como Êxodo. Contudo, algum as coisas só podem ser vista a p a rtir do panoram a geral. Por isso, de tem pos em tem pos, nós nos afastam os do objetivo de passar várias semanas em um livro e fazem os o que cham am os de “serm ão p an o râm i co”. N este m om ento, estam os fazendo um a série de cinco estudos desse tipo sobre os cinco p rim eiros livros da B íblia. A qui, vemos Êxodo, o segundo livro. É necessário cerca de duas horas e m eia a três p ara lê-lo em sua to talid ad e. N ão terem os tem po p ara fazer isso, mas encorajo-o a fazer isso por conta p ró p ria. Tam bém não exam inarem os apenas um texto de Exodo, mas exam inarem os vários textos do livro para apreender o m áxim o que puderm os. Apresento, a títu lo de ajuda, um a sentença-tese que surgiu de m inha le itu ra de Êxodo nessa ú ltim a sem ana e que servirá de foco para nossa investigação. Com o você verá, esse estudo com põe-se de três pontos e cada um deles fornecerá um a p arte da sentença-tese e, definitivam ente, afirm ará algum a coisa sobre a obra de D eus. Tam bém veremos que cada ponto co n trad iz algum conceito errôneo que, com freqüência, as pessoas têm em relação ao Senhor.
A Ob r a So b e r a n a d e De u s
Ponto um: D eus trab alh a soberanam ente. Êxodo, em essência, desafia a noção com um de que o Senho r é passivo. Q uantas vezes você ouviu as pessoas apresentarem D eus como um recurso que serve para m elhorar sua vida, caso d ecida u sar esse recurso tão acessível? Em nosso estudo anterior, vim os que o Senhor, de form a algum a, é um D eus passivo. Em Gênesis, Ele criou o m undo do nada. Julgou o m undo com o dilúvio. Cham ou A braão e cum priu sua prom essa de dar-lhe filhos apesar da idade avançada e da esterilid ad e de sua esposa. A seguir, ocorre a incrível h istó ria de José. Lem bra-se da afirm ação de José para os irm ãos? “V ós bem intentastes m al co ntra m im , porém D eus o to rn o u em bem ” (G n 5 0 .2 0 ).
Em Exodo, a grande história da obra soberana de Deus continua. Ao longo do livro, vemos isso de várias form as, talvez surja de form a mais clara na vida dos dois principais oponentes: M oisés e Faraó.
Em M oisés
Deus levanta Moisés (caps. I
—2).
A form a como Deus levanta M oisés é a prim eira manifestação de sua obra soberana na vida dele. O capítulo I abrange um período de vários séculos, ende oitenta anos. E os demais capítulos 3 de pouco mais de um ano. Esse evento qu livro. Contudo, os capítulos introdutóri« importantes. N o fim da história de Gêr
Israel eram poucos e viviam com privilégios já que José, irm ão deles, era o prim eiro-ministro todo poderoso do Egito. Depois, José morre no fim de Gênesis. Os primeiros parágrafos de Exodo m ostram que José foi esquecido nas décadas e séculos subseqüentes, que os israelitas cresceram em número, e que os egípcios ficaram alarm ados com isso. O nacionalism o e a xenofo bia, com freqüência, levam a atitudes desagradáveis e feias, principalmente quando a população sente-se ameaçada ou até subjugada pelo crescimento de uma minoria. N o caso do Egito, o rei (não sabemos exatamente qual deles) decide, de form a inteligente, transform ar esse problema em algo vantajoso: usar o crescimento populacional dessa m inoria como um grande grupo de trabalhadores forçados e baratos na construção de obras públicas — sem dúvida, todas elas com a finalidade de melhorar a reputação dele. Portanto, os israelitas conhecem a opressão, e não mais desfrutam dos privilégios a que estavam acostumados na época de José. N a verdade, a opressão é grande: consideram que a escravidão não é suficiente para dim inuir a população; o rei instrui seus servos para m atar os filhos homens dos israelitas.
Os tem pos são negros, todavia, no cap ítu lo 2 , exatam ente nesse con texto, encontram os a obra soberana de D eus contra esse perigoso pano de fundo. M oisés, como se fosse um N oé ain da bebê, foi protegido do furor assassino do rei em um a pequena arca de papiro revestida com alcatrão e piche. Soberanam ente, D eus p e rm itiu que M o isés fosse encontrado e, entre todas as pessoas, fosse criado p ela filh a de Faraó. O capítulo 2 de Exodo apresenta tudo que sabem os sobre os p rim eiros oitenta anos de vida de M o isés. N ão tem os qu alq u er m otivo para pensar que ele teve uma fam ília nuclear com m am ãe e p ap ai faraó, a filh a princesa, e dois netos, R am sés e M o isés, aparentem ente os herdeiros, como o desenho animado P rín cip e do Egito, da D ream w orks, sugeriu anos atrás. A se
gunda m etade do cap ítu lo conta o que sabem os, que M o isés se torn ou um assassino. T alvez você não tivesse pensado nisso, mas ele era. A B íblia deixa claro que o m aior lib e rtad o r, do A ntigo Testam ento, do povo de Deus era um assassino. Ele fez ju stiça com as próprias m ãos ao m atar um egípcio que b atia em um trab alh ad o r hebreu. Com o resultado d is so, teve de fu gir e acaba na terra de outros descendentes de A braão, os m edianitas, que viviam no deserto ao leste do Egito. Em M id iã , M oisés casa-se, estabelece-se e, provavelm ente, pensa em apo sentado ria com a aproxim ação de seu octogésim o aniversário, como se o único plano de Deus para M o isés fosse preservar a vida dele. N o entanto, algo ainda m ais surpreendente acontece a ele.