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Pecadores N ecessitam de Expiação

No documento A Mensagem Do Antigo Testamento- Mark Dever (páginas 121-124)

Levítico deixa absolutamente claro que os pecadores precisam de expiação. As distinções que o livro faz entre o que é limpo e imundo, o que é santo e profano mostram que corrompemos até as coisas que tocamos por causa dos nossos pecados (cf. Jd 23). Algo precisa ser feito, ou nossa alma se perderá! E é aí que entra a expiação. A Bíblia não nos diz exatamente como o sacrifício faz a expiação, mas ele faz.

Expiação quer dizer algo realizado em que as duas partes passam a ter “uma só mente”. Expiação é a forma como partes que estão afastadas se reconciliam. E ela é necessária porque nosso pecado trouxe ruptura entre nós e os outros e, o mais importante, entre nós e Deus. Nosso pecado é uma afronta pessoal a Ele! Como o salmista declara: “Contra ti, contra ti somente pequei” (SI 51.4). O capítulo 3 de Gênesis enumera as maldições — dores no parto, na labuta e a morte — que nos lembram que rompemos nosso relacionamento com o Senhor. E apenas podemos nos reconciliar com Ele da maneira que Ele mesmo indicou, por meio do sacrifício e da expiação.

O Dia da Expiação.

O capítulo 16 introduz o dia anual de jejum prescrito para a nação chamado de “Yom Kippur” ou Dia da Expiação. Nesse dia, toda a nação oferecia um sacrifício especial pelo pecado, e o fato de ser oferecido todos os anos lembrava-os que nenhum sacrifício levítico podia expiar totalmente o pecado. Nesse dia, e apenas nesse dia, o sumo sacerdote entrava, como repre­ sentante de toda a nação, no Santo dos Santos. Ele leva consigo o sangue do novilho e do bode. Primeiro, oferecia o sangue do novilho para fazer expiação

pelos próprios pecados — ele precisava se purificar antes — e, a seguir, oferecia o sangue do bode para fazer expiação pelos pecados de toda a nação.

E uma cerimônia estranha quando pensamos nela. Ele levava o sangue — primeiro de um novilho, depois de um bode — para uma sala sempre vazia. Ninguém estava lá, ninguém jamais estivera lá. Ele era o único que entrava e apenas uma vez por ano. Derramava o sangue sobre o propiciatório, que ficava em cima da Arca da Aliança. E quem via esse sangue? Ninguém. Ninguém além de Deus, contra quem o povo havia pecado.

No mesmo dia, o sumo sacerdote punha as mãos sobre a cabeça de um se­ gundo bode e confessava os pecados de Israel. A seguir, esse bode, o emissário, era solto no deserto a fim de representar a remoção total do pecado pela pena da alienação e da malquerença:

Havendo, pois, acabado de expiar o santuário, e a tenda da congregação, e o altar, então, fará chegar o bode vivo. E Arão porá ambas as mãos sobre a cabeça do bode vivo e sobre ele confessará todas as iniqüidades dos filhos de Israel e todas as suas transgressões, segundo todos os seus pecados; e os porá sobre a cabeça do bode e enviá-lo-á ao deserto, pela mão de um homem designado para isso. Assim, aquele bode levará sobre si todas as iniqüidades deles à terra solitária; e o homem enviará o bode ao deserto (I6.20-22\

O Dia da Expiação não aconteceu apenas uma vez, era anual e perpétuo. Há outras religiões que têm seus próprios sacrifícios — às vezes, até sacrifícios humanos. Todavia, esses sacrifícios são feitos apenas quando as coisas não vão bem. No entanto, Deus deu a Israel um calendário regular de sacrifícios. Ele queria que soubessem que viviam em

estado

de pecado. As pessoas eram pecaminosas, e não havia sacrifício perfeito. Os sacrifícios eram feitos todos os anos, e todos os anos os israelitas eram separados de Deus por causa dos seus pecados.

Cristo.

E óbvia a insuficiência da expiação do sumo sacerdote. Vemos isso no fato de ele primeiro fazer expiação por si mesmo, depois pelo povo, e na ne­ cessidade de esta ser repetida todos os anos. Vez após vez. Vez após vez. E mais uma vez. A carta aos hebreus ajuda-nos a entender o porquê disso:

Porque, tendo a lei a sombra dos bens futuros e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam. Doutra maneira, teriam deixado de se oferecer, porque, purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado. Nesses sacrifícios, porém, cada ano, se faz comemoração

dos pecados, porque e impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire pecados (Hb 10.1-4).

E no capítulo antes desse:

E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derra­ mamento de sangue não há remissão. [...]

Agora, na consumação dos séculos, uma vez se manifestou [Cristo], para aniqui­ lar o pecado pelo sacrifício de si mesmo. [...] assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos (Hb 9.22,26,28).

Apenas no sacrifício expiatório de Jesus Cristo, no Cordeiro de Deus sem man­ cha, encontramos nossa pureza e justiça. Ele é a expiação de que você precisa quando peca. Ninguém mais compartilhou totalmente a natureza humana e permaneceu sem pecado. Ninguém mais foi capaz de consumir toda a ira de Deus e satisfazê-la totalmente. Apenas em Cristo, Deus, aquEle que foi profundamente ofendido pelo seu pecado e pelo meu, faz provisão para a salvação. Deus é o querelante que levanta acusação contra nossos pecados, e o Deus Filho é o castigado que satisfaz as exigências da justiça do Senhor. Que outro deus age como o querelante e o castigado?

Você se lembra o que João Batista disse quando Jesus se aproximou dele pela primeira vez? “Eis o Cordeiro de Deus [...]” (Jo I.2 9a) Essa frase faz mais sentido para você depois de examinar Levítico?

Pedro também chamou Cristo de “cordeiro imaculado e incontaminado” (I Pe I.I 9 ). E impressionante como as imagens do Novo Testamento tornam-se mais ricas depois de lermos e de estudarmos o Antigo Testamento!

Talvez Hebreus apresente uma imagem mais vívida: “Porque os corpos dos animais cujo sangue é, pelo pecado, trazido pelo sumo sacerdote para o Santu­ ário, são queimados fora do arraial. E, por isso, também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta” (H b 13.1 1,12). Jesus se fez pecado. O Santo de Deus se fez pecado por nós.

E como Paulo escreveu aos coríntios: “Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (I Co 5.7). Confie apenas na justiça de Cristo. Ninguém mais pode expiar seus pecados. Você só encontrará misericórdia em Cristo, e em mais ne­ nhum lugar.

Co n c lu s ã o

Esse é o livro de Levítico. Nesse livro, você vê a marca de Deus sobre seu povo, tanto a positiva, por essas leis, como a negativa, por esses sacrifícios. O que aprendemos sobre Deus? Que Ele é decididamente, certo, justo, puro e santo.

E o que aprendemos a respeito do seu povo? Que também devemos ser santos, mas não somos.

O que devemos fazer hoje com todas essas leis do Antigo Testamento? Aplicá-las palavra por palavra? Não, de jeito nenhum. Devemos ignorá-las por não terem valor? Não, isso também não está certo. Como o Novo Testamento afirma, a lei ajuda-nos a ter consciência do pecado. Não saberíamos o que é o pecado se não fosse pela lei (R m 3.20; 7.7). Assim, por um lado, a lei expõe nosso pecado. Por outro lado, a exigência de que se façam sacrifícios de expiação preparou o caminho para a solução do nosso pecado — Cristo! E o resultado é glorioso. É quase como se Levítico e o restante do Antigo Testamento cons­ truíssem um órgão poderoso para nós, um órgão, sobre o qual os escritores do Novo Testamento tocam os temas do próprio evangelho para que escutemos, aprendamos e, no fim, cantemos!

John Bunyan, autor de

O peregrino,

em sua biografia, reconta sua luta pessoal com a culpa pelo pecado. Ele fala a respeito de sua busca por uma justiça sufi­ ciente para assegurar sua salvação. Contudo, não conseguia encontrar tal justiça onde quer que a procurasse, até mesmo em suas melhores obras. Ele escreve: “Mas, um dia,

à medida em que eu atravessa o campo, com algum desânimo em minha cons­ ciência e receando que nada estivesse certo, de repente, essa sentença assaltou minha alma:

Tua justiça está no céu;

e, além disso, pareceu-me que com os olhos da alma vi Jesus Cristo à direita de Deus, lá, disse eu, como minha Justiça; assim, onde quer que eu estivesse, o que quer que eu fizesse, Deus não poderia dizer de mim:

Ele carece [ necessita] de minha justiça,

pois ela estava diante de mim. Eu vi outras coisas, vi que não era minha boa disposição de coração que me fazia mais justo, nem minha constituição má que tornava minha justiça pior; pois minha justiça é que “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente” (Hb I3.8).23

Tenho duas perguntas finais para você: Você é perfeitamente santo?

Se não, que sacrifício expiará seus pecados?

Oremos

O Senhor santo, o Senhor conhece nosso coração e nossa vida. O Senhor conhece nossos pen­

No documento A Mensagem Do Antigo Testamento- Mark Dever (páginas 121-124)