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Que Tipo de Escolha É essa?

No documento A Mensagem Do Antigo Testamento- Mark Dever (páginas 161-166)

Portanto, que tipo de escolha Deuteronômio afirma que temos de fazer? Temos de fazer uma escolha totalmente pessoal para nós, e em sua relevância em relação a Deus. Vejamos os dois lados dessa equação. Primeiro, a obrigação de fazer a escolha cabe a nós, como indivíduos. Deuteronômio, em todas suas páginas, apresenta o contraste muito claro entre bênção e maldição:

Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, a morte e o mal; porquanto te ordeno, hoje, que ames o Senhor, teu Deus, que andes nos seus caminhos e que guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, para que vivas e te multipliques, e o Senhor, teu Deus, te abençoe na terra, a qual passas a possuir. Porém, se o teu coração se desviar, e não quiseres dar ouvidos, e fores seduzido para te inclinares a outros deuses, e os servires, então, eu te denuncio, hoje, que, certamente, perecerás; não prolongarás os dias na terra a que vais, passando o Jordão, para que, entrando nela, a possuas. Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua semente, amando ao Senhor, teu Deus, dando ouvidos à sua voz e te achegando a ele Dt 30.15-20a; cf. 11.26-32).

Basicamente, temos duas escolhas disponíveis em relação a nossa maneira de viver, embora o povo de Deus possa escolher errar de muitas formas — o pecado entra de muitas maneiras em nossa vida: podemos nos concentrar no único Deus verdadeiro ou em outros deuses ou ídolos.

Isso nos leva ao outro lado da equação. Nossa decisão de escolher a Deus não é apenas pessoal para nós, mas ela também é pessoalmente relevante em relação a Ele, pois encara nossas escolhas e nossos pecados de forma bastante pessoal. Quando pecamos, sejam quais forem as especificidades do pecado, servimos a um ídolo, a alguém ou a algo que não seja Deus. E isso é uma afronta pessoal a Ele. Além disso, Deuteronômio e o resto da Bíblia, às vezes, referem-se à desobediência como falta de crença no Senhor (e. g., 1.32; 9.23). Você já havia pensado nisso antes? Em essência, o pecado é basicamente não crer em Deus. E o foco dessa descrença são os ídolos. De certo modo, o Senhor tem rivais que disputam o coração de seu povo. A Bíblia refere-se à idolatria como infidelidade e adultério a fim de ser mais clara em relação a esse ponto. Isso também é uma doença espiritual, e das bem contagiosas. Por isso, Deus promete banir o povo, se este se voltar para a idolatria:

[Se] vos corromperdes, e fizerdes alguma escultura, semelhança de alguma coisa, e fizerdes mal aos olhos do Senhor, para o provocar à ira, hoje, tomo por testemunhas contra vós o céu e a terra, que certamente perecereis depressa da terra, a qual, passado o Jordão, ides possuir; não prolongareis os vossos dias nela; antes, sereis de todo destruídos. E o Senhor vos espalhará entre os povos, e ficareis poucos em número entre as gentes às quais o Senhor vos conduzirá. E ali servireis a deuses que são obra de mãos de homens, madeira e pedra, que não vêem, nem ouvem, nem comem, nem cheiram (4.25b-28 J.

Deus proibiu o casamento entre israelitas e estrangeiros, porque a idolatria é contagiosa. O Senhor não é racista. A oposição dEle não tinha nada a ver com nossa noção moderna sobre raça. Ela diz respeito à idolatria e ao fato de sermos única e soberanamente ligados ao Senhor. O Senhor sabe que as esposas estran­ geiras “fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses” (7.4). A natureza abomina o vazio. Não se iluda com o pensamento de que você é neutro, não-alinhado e auto-suficiente. Você não é! No capítulo 8, o Senhor rememora isso ao seu povo de forma poderosa:

E não digas no teu coração: A minha força e a fortaleza de meu braço me adquiriram este poder. Antes, te lembrarás do Senhor, teu Deus, que ele é o que te dá força para adquirires poder; para confirmar o seu concerto, que jurou a teus pais, como se vê neste dia. Será, porém, que, se, de qualquer sorte, te esqueceres do Senhor, teu Deus, e se ouvires outros deuses, e os servires, e te inclinares perante eles, hoje eu protesto contra vós que certamente perecereis. Como as gentes que o Senhor destruiu diante de vós, assim vós perecereis; porquanto não quisestes obedecer à voz do Senhor, vosso Deus (8.17-20).

Todo o capítulo 13 trata da idolatria no meio do povo do Senhor. O profeta que dissesse para o povo adorar outros deuses devia ser morto (13.1-5 ), como também qualquer membro de uma família israelita que dissesse isso (13.6-91 Se os cidadãos de uma cidade adorassem outros deuses, todos os habitantes do local deveriam ser mortos (13.12-15). Em suma, devia-se purgar a idolatria (cf. 17.2-7), da mesma forma como Deus fizera depois de as pessoas adorarem o bezerro de ouro e a Baal-Peor (Ex 32; Nm 25). E interessante lembrar de que Paulo menciona Deuteronômio 13 quando repreende o homem que dormia com a esposa do pai (I Co 5.13). Esse tipo de pecado deve ser purgado do povo do Senhor.

O Senhor é severo com qualquer tipo de idolatria, porque ela é o pecado em sua forma mais pura: é crer em algo que não é Deus. E muito fácil a idolatria transformar-se em justificação para a imoralidade sexual, para matar seus filhos e filhas no fogo, ou para tirar a vida dos estrangeiros por causa dessa falsa adoração religiosa (D t 18.9-13). Para algumas pessoas, essas coisas são adoração religiosa, porém, sem dúvida, não é aquela ao único Deus verdadeiro.

Ás vezes, as pessoas lêem Deuteronômio e ficam confusas com a ordem para matar os cananeus da terra. M as você deve entender a preocupação do Senhor em ser adorado com exclusividade, se quiser compreender esse livro e, acima de tudo, essas ordens. Por exemplo, no capítulo 20, Ele fala para os israelitas destruírem totalmente os cananeus e, a seguir, apresenta o motivo para essa ordem: “Para que vos não ensinem a fazer conforme todas as suas abominações, que fizeram

a seus deuses, e pequeis contra o Senhor, vosso Deus” f2 0 .I8 ; cf. 29.16-21). No capítulo 12, a preocupação dEle com a idolatria estende-se às pessoas que afirmam adorar o Senhor, mas o fazem de formas não ordenadas por Ele ( e.g., 12.4,13,14,31). Em outras palavras, Deus quer ser o único adorado e de uma forma totalmente consistente com seu caráter.

E se o povo de Deus escolher não segui-lo? Bem, observe o julgamento irônico do Senhor sobre a geração rebelde que deixou o Egito, porém, se recusou a entrar na terra do Senhor e justificou esse ato com a declaração: “Nossas mulheres e nossas crianças [não] sejam por presa” (N m 14.3). Em Deuteronômio I, Moisés lembra ao povo de Deus a resposta lamentável deles: “E vossos meninos, de que dissestes: Por presa serão; e vossos filhos, que hoje nem bem nem mal sabem, ali entrarão, e a eles a darei, e eles a possuirão” (1 .39). Ouso dizer que há um tipo de beleza no julgamento do Senhor. Deus usa a própria desculpa do povo para mostrar sua grandeza, seu poder e sua força. E como se o Senhor dissesse: “Vocês pensam que sabem proteger seus filhos melhor que eu? São tão arrogantes que dispensarei vocês e seu coração rebelde e levantarei seus filhos para que façam o que vocês dizem que não consigo fazer. Por meu grande poder, eles entrarão na terra para que vocês e todas as nações do mundo vejam”. •

A desobediência a Deus é oposição à sua Pessoa. Ele não pode e não tolerará isso, não importa quem seja se o desobediente, se um indivíduo, uma cidade, uma geração ou toda uma nação (veja cap. 28). Deus poderia ser mais claro?

Contudo, o povo pode se arrepender e mudar seus caminhos. O Senhor estabelece os sacrifícios e as ofertas a fim de ensinar-lhes o significado do pe­ cado e do perdão. Ele também lhes fez promessas eloqüentes de perdão e de restauração. Logo após ameaçar dispersá-los entre as nações por adorar ídolos, promete-lhes:

Então, dali, buscarás ao Senhor, teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma. Quando

estiveres

em angústia, e todas estas coisas te alcançarem, então, no fim de dias, te virarás para o Senhor, teu Deus, e ouvirás a sua voz. Porquanto o Senhor, teu Deus,

é

Deus misericordioso; e não te desamparará, nem te destruirá, nem se esquecerá do concerto que jurou a teus pais ( 4.29-31 j.

Tudo isso nos mostra como o pecado é um assunto pessoal, tanto do pon­ to de vista de quem peca como de quem contra pecamos. Como dissemos em nosso estudo de Números, todo pecado é, na verdade, uma mensagem curta e clara para Deus, não importa o quanto isso pareça desconectado de assuntos religiosos: “Eu não gosto do Senhor. Antes, eu prefiro essas coisas ao Senhor. Elas me dão o que quero”.

Amigo, oro para que ouça essas minhas palavras e compreenda que tem diante de si o encontro mais importante de sua vida. Você não o perderá, mesmo que perca sua agenda, você terá esse encontro no momento certo. Em um dia futuro, você estará diante do Deus mais amoroso, santo, justo e puro que você, ou do que pode imaginar. E você, feito tímida e maravilhosamente à imagem dEle, prestará contas a esse Deus Santo de tudo que fez e disse em sua vida ou deixou de dizer e de fazer. Nesse encontro, não terá a ajuda de suas ligações desta vida, de seu dinheiro, de suas boas obras ou de sua família. A longa linha de ações e de atitudes de seu passado, assunto que já examinamos, o acompanhará nesse encontro — quase como as correntes do

A Christmas Carol

( Um Conto de Natal), de Jacob Marley. Essa linha de ações e atitudes se reunirá na presença do DeusTodo-poderoso, e você terá de explicá-la, perfeitamente e além de qualquer dúvida, aquEle que tem pleno conhecimento de todos seus segredos e desejos, de todas suas ações e dos motivos de seu coração. Aproxima-se o dia em que terá esse encontro.

Se você ainda não estiver convencido de que a escolha de seguir Deus é pessoal, se você ainda pensa: “Oh, isso é o Antigo Testamento e diz respeito apenas à Lei, fria e impessoal”, então examine mais uma característica notável desse livro: toda a linguagem sobre o Deus amoroso. Ela é profusa!

Deuteronômio está cheio de amor e de Lei, embora não costumemos associar as duas coisas. Afinal, em certo sentido, esse livro é o contrato de casamento entre Deus e seu povo. Já vimos o amor do Senhor pelo seu povo.9 Todavia, ob­ serve que o povo também é chamado a escolher amá-lo! O shema explicita isso: “Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu poder” ( 6.4,5). De forma semelhante, o capítulo 7 declara que Deus guarda sua aliança de amor com os “que o amam e guardam os seus mandamentos” (7.9). No ca­ pítulo 10, Moisés diz ao povo: “Agora, pois, ó Israel, que é o que o Senhor, teu Deus, pede de ti, senão que temas o Senhor, teu Deus, e que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao Senhor, teu Deus, com todo o teu coração e com toda a tua alma” (10.12 ). E, mais uma vez, no capítulo 11: “Amarás, pois, o Senhor, teu Deus” ( I I .I ) . Deuteronômio apresenta muitas mais convocações de que amem o Senhor.10 O livro menciona até que Deus testará o povo a fim de saber se ele “ama o Senhor, vosso Deus, com todo o vosso coração e com toda a vossa alma” (1 3.3).

Lembro-me de uma vez, no seminário, ter perguntado a um amigo se ele amava ao Senhor. Ele olhou-me de forma desconfortável e respondeu: “Na verdade, não uso essa linguagem. Não gosto dela”. Lembro-me de outra vez em que participei de uma reunião de mulçumanos, em Cambridge, Inglaterra, em

que Ahmed Deedat, o apologista mulçumano, deu uma palestra sobre as glórias do islamismo. N a palestra, ele minimizou o fato de os cristãos dizerem que “têm um relacionamento com Deus”. Depois da palestra, eu disse a um casal mulçumano: “Eu tenho um relacionamento com o Senhor. Eu o conheço e o amo e sei que Ele me ama”. Não sei se eles acreditaram ou não em mim, mas isso é o que Deuteronômio e toda a Bíblia ensinam.

Deixe-me perguntar-lhe: “Ao ser confrontado com a tentação do pecado, você apenas pede que Deus o proteja do pecado?” A proteção é uma boa coisa para se orar a respeito e gostaria que continuasse a orar por isso. Todavia, há mais coisas por que orar. Ore também para que o Senhor opere em seu coração a fim de que você o ame mais, em particular, que o ame mais que o pecado que o tenta. Devemos estar conscientes de nossa fraqueza e construir defesas contra o pecado. M as de forma positiva se quisermos, mais que qualquer coisa, que nosso coração cresça em amor a Deus. Em seu discurso final, Moisés disse: “E o Senhor, teu Deus, circuncidará o teu coração e o coração de tua semente, para amares ao Senhor, teu Deus, com todo o coração e com toda a tua alma, para que vivas” (3 0 .6

).

Nesse contexto, Moisés refere-se à promessa do Senhor de restaurar o povo à medida que este se arrependesse e se afastasse de seus pecados. Moisés sabia que Deus teria de agir para que o povo o amasse. Portanto, ore por isso. Ore para que Deus faça isso em seu coração. Nós o amamos, porque Ele nos amou antes.

Assim, Deuteronômio ensina com clareza que a escolha entre seguir os desejos idólatras ou a Deus é sua e que suas ações evidenciam sua decisão. E também que isso não é uma questão de responsabilidade religiosa sem vida, é uma escolha pessoal profunda tanto para você como para Deus. Os mandamentos do Senhor refletem o caráter dEle. Quando não cumprimos os mandamento do Senhor, desobedecemos a Deus, e não apenas a leis impessoais.

No documento A Mensagem Do Antigo Testamento- Mark Dever (páginas 161-166)