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CIF – Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde

FAMÍLIA DE CLASSIFICAÇÕES INTERNACIONAIS DA OMS (FCI-OMS)

2.3.2 CIF – Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde

Segundo Almeida (2013), a interoperabilidade possibilita a expansão do exercício da cidadania, permitindo, ao menos tecnicamente, o acesso pelo cidadão a serviços e informações que antes da era digital eram pulverizados e inacessíveis, por exemplo o Portal da Transparência, o Imposto de Renda, entre outros. Nessa perspectiva, a interoperabilidade não é apenas uma questão de as máquinas e sistemas conversarem entre si, mas sim uma proposta para que as pessoas consigam se comunicar com e através desses sistemas.

No Brasil, após a finalização da tradução, os sistemas de informação em

Por uma letra minúscula do alfabeto, eles são representados Temos ainda os fatores pessoais que não são codificados.

A letra s (representa estrutura), letra b (representa função) Letra e (fatores ambientais) e letra d (atividade e participação) Sobre como usar essas letrinhas na prática irei agora explicar Vamos lá começar, Irei então contar para vocês A história da alegre menina Sofia, Que bem independente com seus 3 anos Anda curtas e longas distâncias, sozinha.

Estando a par de que ela tem Leve alteração do tônus e da mobilidade articular, No modelo da CIF, função do corpo: b7 É onde iremos começar Para poder então classificar Andar tem seus desafios Desafios que não podemos deixar passar Na Rua do Comércio, por exemplo, A superfície é bem instável e irregular!

Além de pessoas surgindo como obstáculos indo e vindo, pra lá e para cá...

Cuida! Cuidado! Desvia! Ops!

Caiu! Opa! Licença! Passar!

É, esse andar precisa melhorar.

Entendemos, Agora fica fácil verificar No modelo da CIF, capítulo 4, de atividade participação,

vamos olhar!

Para poder ver o item mobilidade e aí então poder classificar Sofia frequenta a escola e faz outras linhas além na fisioterapia São elas: Terapia Ocupacional e Fonoaudiologia Os pais querem muito ajudar Pois sabem que ela adora passear Identificamos agora os fatores ambientais A família como facilitador e a presença de outros profissionais Que na sua recuperação serão essenciais.

E o que a fisioterapia irá fazer?

Bem o fisioterapeuta irá Através das categorias classificadas com a CIF, observar Para que onde haja prejuízo, Determinar seu objetivo para poder atuar E fazer a criança melhorar!

Melhorar, No caso da Sofia A sua dificuldade em andar em superfícies instáveis e desviar de obstáculo.

Assim ficou bem mais fácil!

Tem um detalhe que não falei!

Vocês não querem saber o que ela tem?

Não foi esquecimento não,

É que na CIF a condição de saúde não é uma peça fundamental, Mas que aqui no caso dela só para esclarecer O que ela tem é Síndrome de Down.

Se para você que está lendo agora Conhecer a CIF foi novo e parece um pouco complexo, Se avexe não!

Porque à primeira vista ela causa essa impressão Porém, com o tempo você irá perceber que sem o uso dela não dá para ficar não!

Mas para facilitar Os checklists chegaram para ficar Listas resumidas por áreas de atuação, especialidades, setores, objetivos enfim, São listas, para facilitar na prática utilizar, E se você tiver alguma dúvida Basta ir ao anexo 9 da CIF para agilizar!

Não fiquem em pânico, pessoal, vamos lá!

Acreditamos que logo mais na matriz curricular O ensino da CIF estará lá!

Afinal todos os alunos precisam aprender Que se usar a CIF já na graduação ficará, bem fácil para entender!

Para finalizar irei deixar um recado para vocês!

Que não vale esquecer não A CIF não é uma ferramenta de avaliação E sim de classificação!

E que antes de você usá-la para classificar, você precisa dos métodos de avaliação utilizar Para chegar aos qualificadores, e aí sim poder classificar!

Deixo então uma mensagem que encontrei em livro bem bacana para vocês:

Para tornar o uso da CIF uma realidade, Precisamos que cada um comece a fazer a sua parte.

(Clarissa Cotrim dos Anjos e discentes do 2º período do Curso de Fisioterapia/CESMAC Maio/2018).

(ANJOS, 2019, p. 139-144)

A CID, enquanto primeira forma de classificação internacional adotada pela OMS, em que pese todos os avanços, não foi capaz de abarcar a complexidade da perspectiva biopsicossocial, uma vez que as condições de saúde são seu principal foco. Os fatores que influenciam o estado de saúde, dispostos no capítulo 24 da CID, elencam ou se aproximam de algumas expressões da questão social, mas não conseguem qualificar o que indicam.

Dado o consenso global da necessidade de expansão das classificações, foi acordado pela Assembleia Mundial da Saúde, em 2001, o uso da Classificação

Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde, conhecida pela sigla CIF, que passou a integrar a família de classificação da OMS.

A CIF é um modelo para a organização e documentação de informações sobre funcionalidade e incapacidade que oferece classificações e códigos pautados na abordagem biopsicossocial com múltiplas perspectivas, calcada no modelo multidimensional. A incapacidade não é diferenciada por etiologia, como na CID, e não é possível aferir a participação na vida cotidiana apenas com base no diagnóstico médico. Assim, ao mudar o foco das condições de saúde para a funcionalidade, a CIF coloca tais condições em posição de igualdade, permitindo que elas sejam comparadas, em termos da sua funcionalidade relacionada, por meio de um modelo comum (OMS, 2013).

Um exemplo é a mobilidade das pessoas, pois na CIF é considerado o ambiente e a influência que ele exerce na vida do indivíduo. A mobilidade de uma pessoa que necessita de cadeira de rodas e vive em um território em que o transporte público, ruas e calçadas são adequados e acessíveis, como na Suécia, é diferente de uma pessoa que reside em uma comunidade brasileira com diversos obstáculos e que não tenha acesso ao transporte público. Assim, temos a incapacidade como uma experiência e não uma característica da pessoa, podendo ser expressa pelo código d4702.04 para a primeira situação e d4702.44 para a segunda (CORDEIRO, 2019).

Notem que o número após o ponto (.) se modificou conforme a situação, pois se trata dos qualificadores. Um código somente está completo quando o qualificador estiver presente, podendo ser um ou dois, conforme a seguinte escala:

xxx.0 NÃO há problema (nenhum, ausente, insignificante) 0-4%

xxx.1 NÃO há problema (leve, pequeno …) 5-24%

xxx.2 NÃO há problema (médio, regular,…) 25-49%

xxx.3 NÃO há problema (grande, extremo, …) 50-95%

xxx.4 Problema

COMPLETO (total,...) 96-100%

xxx.8 NÃO especificado xxx.9 Não aplicável

O primeiro qualificador é o qualificador de desempenho e o segundo qualificador de capacidade. O qualificador de desempenho descreve o que o indivíduo faz em seu ambiente de vida habitual e nele está incluso o contexto social e sua experiência vivida sob os aspectos do mundo físico, social e de atitude. O segundo é o qualificador de capacidade, que descreve a habilidade de um indivíduo para executar uma tarefa ou ação (OMS, 2013).

No exemplo, temos a seguinte representação:

Quadro 6. Exemplo de código CIF

d 4 702 0 4

Atividade e

Participação Capítulo 4

Mobilidade Utilização de Transporte Público

Qualificador 1 desempenho (ambiente)

Qualificador 2 capacidade

Fonte: CIF (2022).

A primeira letra utilizada na classificação indica o componente a ser analisado para denotar: Funções do corpo, representado pela letra b, que vem do inglês body; Estruturas do corpo, com a letra s, do inglês structure; Atividades e Participação pela letra d, de domínio; e os fatores ambientais com a letra e, do inglês environment.

A funcionalidade de um indivíduo em um domínio específico reflete uma interação entre a condição de saúde e o contexto: fatores ambientais e pessoais.

Há uma relação complexa, dinâmica e muitas vezes imprevisível entre essas entidades. As interações trabalham em duas direções, por isso as setas possuem dupla direção na figura a seguir. Portanto, fazer inferências simples e lineares de uma entidade para outra é incorreto (OMS, 2013).

Fonte: OMS (2013).

Os conceitos apresentados na classificação introduzem um novo paradigma para pensar e trabalhar a funcionalidade e a incapacidade: elas não são apenas uma consequência das condições de saúde/doença, mas são determinadas também no e pelo contexto do meio ambiente físico e social, pelas diferentes percepções culturais e atitudes em relação à deficiência, pela disponibilidade de serviços e de legislação, indo além de um instrumento para medir o estado funcional dos indivíduos (FARIAS; BUCHALLA, 2005).

A multidimensionalidade dos termos funcionalidade e incapacidade englobam diversos aspectos. A funcionalidade se relaciona às experiências com o nosso corpo, à forma como executamos as tarefas e como isso se relaciona à vida real. Já a incapacidade diz respeito aos aspectos negativos da interação entre o indivíduo (como uma condição de saúde) e o seu contexto (fatores ambientais e

Figura 8: Componentes da CIF e suas interações

Figura 7. Componentes da CIF e suas interações

pessoais) no que diz respeito à deficiência, alterações e impedimentos. Os fatores ambientais, que consideram do contexto em que se vive (ambiente físico, social, de atitude), podem facilitar a funcionalidade ou podem ser uma barreira. Os fatores pessoais, que também são parte do contexto da vida, não integram uma condição de saúde, mas dizem respeito ao histórico particular da vida e do estilo de vida de uma pessoa.

A CIF integra os principais modelos de incapacidade (o modelo médico e o modelo social) como uma “síntese biopsicossocial”. Assim, a CIF conseguiu sintetizar o modelo biopsicossocial, porém sem se tratar de uma avaliação, mas sim de um modelo de classificação. Sua linguagem e modelo padronizado facilitam e podem subsidiar a comunicação entre serviços e profissionais em tomadas de decisões, facilitar o desenvolvimento de políticas, promover ferramentas de intercâmbio de conhecimento, ferramentas de dados e informações, e ferramentas para orientação do processo que interagem facilmente entre si (OMS, 2013).

Portanto, a CIF implantou uma nova perspectiva para pensar o modelo biopsicossocial e, com isso, trouxe diversos desdobramentos, como o caso das pessoas com deficiência. Castaneda (2022) discorre que ao longo das últimas décadas, o movimento de inclusão das pessoas com deficiência ganhou força:

diversos grupos de pessoas com deficiência se mobilizaram e deram início às reivindicações por políticas públicas que garantam as necessidades de todos. O marco dessa luta ocorreu com a publicação, em 2007, da Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiências (CDPD) da ONU. A CDPD é documento supraconstitucional que visa superar o modelo biomédico e continua sendo, até os dias atuais, o documento internacional que melhor responde às demandas políticas dos movimentos sociais.

Izabel Maior (2022), brasileira que representou o Brasil na elaboração da CDPD, afirma que foi a primeira vez que a ONU se abriu para que pessoas com deficiência participassem do debate e, por esse motivo, o texto da CDPD continua progressista e atual e continuará por muitos anos, uma vez que foi praticamente

ditado pela sociedade civil, pelas organizações internacionais das pessoas com deficiência e pelas delegações dos 192 países estados membros.

Diversos países assinaram a CDPD, inclusive o Brasil, mas todos enfrentaram e continuam enfrentando o desafio de desenvolver políticas para cumprir suas obrigações. No capítulo 4 deste estudo conheceremos os avanços e os desafios que a CIF expôs com a quebra do paradigma biomédico, bem como as repercussões para a/o assistente social.