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Como aprender ensinando e ensinar aprendendo?

Este processo de ensino-aprendizagem e aprendizagem-ensino14 é o

fortalecimento e a consistência da aprendizagem fundada no caminho de ida e volta na construção e reconstrução de conhecimento. Projeto esse compreende, ao propor aprender algo útil e interessante, conhecer bem o caminho de ir e vir remapeando-o quantas vezes necessárias forem, além de fazer um registro descritivo, narrativo ou dissertativo desse processo.

14 Exige-se espontaneidade para aprender a aprender no primeiro momento. A curiosidade e a vontade fazem interagir com objetos e pessoas intencionalmente para apurar os sentidos. Repele- se o ruim e adiciona-se o prazeroso. Aprende-se a aprender por si mesmo e com o outro sobre coi- sas e pessoas com que o aprendiz interage, diariamente. Nos seus segundos momentos, aprende-se a aprender a ensinar. O conhecimento e a experiência prévia acrescentam novos saberes, ensinando o outro a atender suas necessidades. Emite linguagem própria para ser entendido. Inclui-se aí a linguagem emocional que muda a postura corporal e expressão facial do aprendiz. Mostra o seu estado de carência ou necessidade. Não sendo atendido, o aprendiz pode repetir inovando o ensi- namento. É a fase de ensinar a aprender. O outro, então, acaba tentando aprender uma forma eficaz para ensinar-lhe outras formas de apresentar conteúdo necessário. Isto já ocorre nos seus terceiros momentos. Ocupa-se o outro de entender a sua linguagem. Presta-se muita atenção nas suas repe- tições, cada vez mais modificadas. É a vez de o outro passar pelo mesmo processo do aprendiz. Ele começa a aprender a aprender. Há o intercâmbio de ensinamentos. Começa a inter-relação professor-aluno a tornar-se mais saudável. Nos quartos momentos o ocorre o ensinar a ensinar. Sem ter consciência disso, ambos, cada qual exercendo o papel de professor e aluno, terminam por aprender ensinando e ensinar aprendendo, reciprocamente.

No primeiro momento, devem-se adequar os pré-requisitos e as interfaces imprescindíveis para a ida e a volta no passo de investigar, colacionar e colecionar pistas, dados e informações. Logo em seguida, selecionar o relevante sobre o que já se sabe, sobre o assunto proposto e aceito. Faz-se a sua metanálise com simplificação e redução, recompondo significados que fluem à medida do remanejamento dos diversos dados, atalhos, informações e os novos saberes mapeados (abdução → indução → dedução → inferência ou conclusão).

E, por fim, no quarto momento, integrar as prioridades produzindo uma narrativa significativa final, seja oral – apresentação, ou escrita - texto que espelha o projeto de pesquisa que se propôs perseguir. Elas contemplam, além da forma e conteúdo do objeto da aprendizagem e sua contínua avaliação, o cronograma de apresentação, a intencionalidade, a metodologia, referências e as repostas às indagações: o quê, quem, a quem, por quê, qual, para quê, como, quanto, quando, etc.

Essa narrativa poderá ser explicitada em aula, quando o seu autor é convidado para apresentá-la a seus colegas.

O aluno-mestre poderá simplesmente lê-lo ou expô-lo no estilo conferencial aos presentes, usando-se de todos os recursos tecnológicos de informação e comunicação pertinentes disponíveis. Ainda, distribuídas as cópias do seu trabalho aos presentes, ele poderá resumir a sua apresentação para vinte minutos por meio de “slides” e fala explícita, para, ao final, dialogar com os interessados para responder a questões dentro do cronograma previsto.

Neste contexto, as tecnologias necessárias são as que promovem e facilitam o aluno-mestre a expor o conteúdo, a resolução ou tarefa para o conhecimento de seus colegas. Nos cursos online, fica mais fácil esse procedimento em virtude dos recursos tecnológicos. Como exemplo, o uso do ambiente moodle, FlashMeeting para webconferência e outros, quer pela comunicação síncrona quer pela assíncrona.

Esta metodologia sustenta-se com o apoio das revolucionárias teorias pedagógicas, a seguir definidas e explicitadas, já consolidadas pelos especialistas na área do ensino-aprendizagem.

O uso da cartografia cognitiva e investigativa ― no universo das TIC ― Okada (2003, 2006) veio enriquecer a presente proposta. Nesse diapasão, notar-se-á que o aluno-professor terá o seu ponto de partida. Irá acontecer rumo ao propósito, investigando e mapeando o relevante. Explorará o incógnito marcando pontos de paradas, desvios e atalhos. Nesse mister poderá usar os softwares disponíveis como o CMAP (mapas conceituais e mentais), Nestor (webmaps para pesquisa qualitativa), Compendium (mapa argumentativo e investigativo) e outros. Construirá a sua trajetória na ida e encontrará o seu ponto de chegada, na volta. Irá atentamente ver a paisagem do caminho de ida e à medida que avançar para o seu ponto de partida, na volta, reconhecerá todos os referenciais relevantes da sua trajetória através de mapas cognitivos. Perceberá, então, a sensação, sua emoção exploratória unindo-se à sua razão ponderada.

Mapas cognitivos são representações gráficas das estruturas do conhecimento. Num mapa cognitivo, as estruturas do conhecimento podem ser representadas de acordo com a proximidade semântica de conceitos e ideias. As associações podem ser estabelecidas de acordo com os significados construídos, similaridades e analogias em escalas multidimensionais (OKADA, 2006, p.71).

O aluno-mestre, ao descrever, narrar e expor a sua caminhada para a aquisição do novo conhecimento aos seus colegas, nada mais estará realizando senão aquele ato de ensinar aprendendo. Porquanto, no processo de exposição, ele estará teorizando as suas passagens pela prática anterior rememorando-as. E, também, fixando-as na sua memória na prática revivendo toda a construção de conhecimento que se propôs realizar. Neste contexto, simultaneamente, ocorrerá a auto-avaliação e a avaliação pela salva de palmas de seu público.

Quanto mais relevante for o assunto, ele estará reapresentando o seu trabalho. Neste sentido, ele estará exercendo o ato de aprender ensinando.

Eis porque, sabemos ― como professores ―, que aprendemos bem melhor com as nossas próprias aulas. Seja nas reapresentações do mesmo assunto ou na primeira de outros temas. A cada exposição, novas perspectivas ou inovações podem ser incluídas nas noções subsunçoras Novak (1978).

Este processo é natural no ser humano desde as suas primeiras relações interpessoais. A capacidade humana nesse sentido é incrível. A observação, a imitação e a curiosidade estão presentes em quaisquer grupos coesos desde bebês, crianças, jovens, adultos e idosos. Onde há duas pessoas se interagindo, há o processo de ensino-aprendizagem. Basta um observar o outro e aderir à atividade, potencialmente, um ensinando ao outro, quer servindo de modelo, quer pela intercomunicação, vivência e em circunstâncias saudáveis ou conflitivas; sem, contudo, muitas vezes, saberem disso.

Para o aluno-mestre ter o seu ponto de partida, naturalmente, ele foi convidado, desafiado, provocado ou motivado para participar da aprendizagem do tema proposto e tendo-a aceito, voluntariamente. A estratégia de ensinar aprendendo e aprender ensinando instiga o intermediador pedagógico múltiplo à autoria e co-autoria. Nesse contexto, o acervo das cópias dos trabalhos produzidos pelos alunos ― distribuídas ao longo do ano-letivo ― poderá apresentar-se em forma de um autêntico livro, impresso ou digital, elaborada pelo próprio aluno.